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O caminho natural de protestantismo ao ateísmo

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 25 de julho de 2016 | 08:51






A maioria dos adolescentes e adultos que se diziam satanistas ou simpatizantes de seitas agnósticas, dark e ateus tinham, em tempos passados, ligação  de alguma forma com  denominações protestantes. Foi-se construindo um quadro sobre o qual nunca desenvolvi uma pesquisa, mas sei que renderia ótimos estudos. Tanto que não fiquei surpreso quando no começo de outubro de 2012 uma pesquisa revelou a queda considerável de protestantes nos Estados Unidos e o crescimento, ao mesmo passo largo, de ateus e agnósticos. “Quando eles desistem da religião, ao invés de de mudarem de igreja, eles se juntam às fileiras crescentes que não se identificam com nenhuma religião. Quase 1 em cada 5 americanos, ou 19,6% , disseram que são ateus, agnósticos, noticia o site Último Segundo. No Brasil, o fenômeno não é muito diferente. Geralmente a pessoa nasce – nascia – e recebia os sacramentos da iniciação cristã na fé católica mas não aprofundavam a experiência com Deus. Então migravam para denominações protestantes, sobretudo, aquelas que prometiam o cancelamento do sofrimento e a prosperidade material, e de quebra, a “sorte” no amor. Como o resultado não saía conforme  o prometido e o esperado, o neo-pentecostal se via em nova aventura de se filiar a outra denominação protestante que por sua vez prometia o céu na terra com completa ausência de conflitos. Dentro da estrutura teológica do Protestantismo (com letra maiúscula), está uma idolatria de um deus chamado “fé”. Muitas vezes, você pode perceber que nossos irmãos protestantes, gritam com todas as letras e bem alto: “Só Jesus Salva”. De fato eles estão perfeitamente certos em dizer isso, pois apenas Deus pode salvar e sendo Jesus Deus, apenas Ele pode salvar.Mas, é comum em um segundo momento, um protestante dizer que somente a Fé, em Jesus é que pode salvar. Então, eles perguntam: “Você aceita Jesus”? E agora, precisamos ter fé para ser salvo, não apenas Jesus, mas ter Fé em Jesus, como se o poder salvador de Jesus, viesse da nossa fé nele e não de sua Autoridade de Filho de Deus. (Até mesmo porque não temos um FENÔMETRO, ou seja um medidor da fé e de sua intensidade, e para Cristo basta uma fé do tamanho de grão de mostrada, a menor da sementes).Aparentemente esta afirmação é verdadeira, mas ela é incompleta, pois apenas a fé, sem as obras, como nos lembra São Tiago, é morta. Pois do que adianta ter fé, que Jesus salva e não querer mudar de vida e não cumprir a máxima do: “Sede santos por que o vosso Pai é Santo.”





E o que tem a ver isso com o Ateísmo?


Ora, se esta é a doutrina ensinada pelo Protestantismo, quem segue esta doutrina se torna Ateu do verdadeiro Deus, pois tem um ídolo ao qual é chamado pelo nome de Jesus, que não é o Jesus filho de Maria, que ressuscitou dos mortos historicamente, mas, é uma caricatura de Jesus. Um Jesus de mentirinha, que nos cobrirá com seu Sangue e imediatamente “Ipso Facto”, nós já estamos salvos. Não é necessário nem o julgamento, pois como “jesus" já nos cobriu com seu sangue, nós já estamos salvos. O que comprova a tese de que “ o Jesus dos evangélicos não é o mesmo dos evangelhos. Portanto é muito comum hoje alguém dizer: Eu não acredito no Jesus dos evangélicos, mas no Jesus dos EVANGELHOS.”Um protestante, não se reconhecerá ateu, mas uma pessoa que tenha um pouquinho só de dúvida sobre a existência de Deus, um agnóstico, por exemplo, ao analisar a “teologia” protestante, tornar-se-á ateu convicto, pois o deus pregado e ensinado pelo Protestantismo de fato não existe, e nós também, como católicos não acreditamos nele, mas no Jesus dos evangelhos.



Depois de Calvino, Kant e Karl Barth, a doutrina Protestante, afirma que qualquer tentativa de se conhecer a Deus, pela via natural do conhecimento, na verdade, o Homem estará construindo, ou melhor, confeccionando uma “imagem de Deus” para si mesmo e estará, portanto, cometendo a Idolatria de adorar um falso deus. Já reparou que um pastor é diferente do Padre em sua formação? O Padre estuda em média 3 anos de filosofia e o pastor faz apenas a teologia.Porém, a afirmação de que Deus não pode ser nem mesmo pensado, com risco à idolatria, é um erro, pois se a mente humana está tão fadada a não conhecer Deus pela via natural, ou seja, não conhecer o Deus intuído pela criação, mas concluir que exista um Deus possível e não apenas uma possibilidade, então, o homem não pode nem mesmo conhecer o Deus revelado, pois a própria revelação nos ensina que “A graça pressupõe a natureza.” E a Graça aqui, é a Revelação e a natureza é o conhecimento humano do Deus por meio das criaturas.



Um ateu, ou agnóstico que se depare com esta afirmação, conclui então que o Protestantismo é fideísta, e na linguagem atual, é fundamentalista. E de fato, o ateu, agnóstico, cientista ou filósofo que assim concluir, não estará errado. Pois o fideísmo é uma verdadeira “adoração” ou idolatria da Fé, e não a fé verdadeira.



Devemos entender bem o que estou afirmando. Não estou afirmando que os protestantes, ou quem quer que seja, sejam todos idólatras. O que queremos desmascarar é exatamente a cultura do Deus perverso, presente na Doutrina do Protestantismo e em muitos aspectos da própria cultura do catolicismo, principalmente no Norte e Nordeste do Brasil e em muitos países da Europa e na América Central.



Tais mentalidades até fazem “alusões” ao Deus Trino pregado por Jesus, mas na realidade, este deus que o Protestantismo, enquanto doutrina, ensina, e a cultura católica enquanto crença acredita, não passa de um ídolo, e muitas vezes se concentra na Fé e não no autor da fé, estão me entendendo?



Explicando melhor: o próprio Lutero, ensina que:


“Peques com força, mas creia com mais força ainda”. (Livro Conversas à mesa de Lutero).Fazendo uma referência clara que a Fé, é que irá apagar ou justificar o pecado. E se caso isso fosse verdadeiro, na realidade, não seria necessário nem mesmo a cruz de Cristo, ou sua Encarnação no seio da Virgem Maria, pois Fé, também tinham os Judeus, e uma Fé, até mais profunda, pois como disse Jesus: “Bem aventurados os que creem sem terem visto.” E os Judeus do AT nunca tinham visto a Salvação, aquilo que o profeta no templo reza: “meus olhos agora contemplaram a Salvação”.



A Salvação, portanto, não é um artigo, uma coisa, uma referência, um o que. A Salvação é um QUEM. É um Alguém! A Salvação não é um mero acontecimento, mas um indivíduo, uma Pessoa, chamada Jesus.É importante diferenciarmos isso, pois em muitos diálogos com ateus, eles sempre me apresentam um deus, que também eu não acredito que exista. Como o deus de Espinosa, de Niezthie e de tantos outros filósofos do Iluminismo, existencialismo e Renacentismo que não combatiam o Deus ensinado pela Igreja Católica, mas o deus do Protestantismo ou o deus conhecido pela cultura popular, que irá salvar por meio de obediência e quem não o fizer, será castigado eternamente.



Também é importante esta reflexão, pois, fazendo uma analogia da humanidade com o corpo humano, o que acontece quando um vírus invade o nosso organismo? Nosso organismo identifica aquele vírus, que didaticamente chamaremos de antígeno e imediatamente começa a produzir anticorpos para aquele antígeno. Quando o vírus foi vencido, os anticorpos permanecem, e com esta permanência, cria-se uma defesa adquirida, que, quando aquele mesmo vírus infectar nosso organismo, teremos já disponíveis anticorpos específicos contra aquele determinado antígeno e nem se quer ficaremos doente. E é assim que se criam as vacinas. Encontra-se um antígeno “atenuado”, ou seja, inofensivo e incapaz de produzir a doença mas que estimula a produção de anticorpos contra aquele antígeno e a pessoa agora, mesmo sem ter pego a doença está imunizada contra aquele vírus.O mesmo acontece com a humanidade. Hoje temos inúmeras Doutrinas Protestantes, que se parece com a verdadeira Doutrina da Salvação, que é a Doutrina Católica. Estas doutrinas falsas estimulam as mentes pensantes e não fideístas, a criarem como que espécies de anticorpos contra a Doutrina Verdadeira.



Faça esta experiência. Inicie um debate com um ateu. Ele imediatamente irá descrever um deus que na verdade não é o Deus ensinado dentro da Doutrina da Igreja. E infelizmente, por ele já ter os “anticorpos” contra as doutrina que são parecidas, e pela falsa convicção e até mesmo desonestidade intelectual, este ateu iniciará, apresentando também argumentos contra a Sã Doutrina da Salvação. Mostrando a maléfica ação do Protestantismo no mundo. Sendo este, podendo ser comparado com uma “Sã Doutrina” atenuada, incapaz de gerar a salvação na vida de quem toma conhecimento da verdadeira Doutrina da Salvação.Eu pude experimentar muitas vezes isso, quando em meio aos debates, ao apresentar aquilo que conheço da Doutrina de Deus, ensinado, vivido e professado pela Igreja Católica, que é minha fé, muitos ateus me dizem assim: “Esta doutrina não é a doutrina ensinada pela Igreja, saiba que se for assim, então você não é católico”. Porém, o que não percebem, e não querem perceber, é que, se isto que eu disse, não é doutrina da Igreja, e por isso eu não sou Católico, então eles próprios não são ateus, pois o Deus que acabo de apresentar é por eles completamente desconhecido.



A maioria dos ateus de hoje, são pessoas preocupadas em conhecer a Verdade, porém, ao vislumbrar o mundo das religiões e principalmente o mundo das religiões protestantes, e não conseguir, pela “poluição religiosa” visualizar e encontrar a Verdade que é a Fé Católica, concluem erradamente que tal Verdade é inexistente, ou seja, que Deus não existe.



Então, num diálogo com um ateu, nossa primeira tarefa, é concordar com ele dizendo-lhe que o deus que apresentaram a ele, não é o verdadeiro Deus, e que portanto este deus ao qual o ateu foi apresentado realmente não existe.O que ele conhece é uma caricatura de Deus, ou seja, antígenos atenuados de uma fé mesquinha e ignorante que eles repudiam, mas nós, Católicos fiéis ao Magistério, Tradição e Escrituras também repudiamos. O deus rejeitado pelos ateus é o mesmo deus rejeitado pelos Católicos.



A única diferença é que nós conhecemos o Deus verdadeiro, tanto pela via natural da criação e das criaturas, quanto pela via da revelação, então, nosso segundo trabalho, é apresentar à eles, o Deus que pode ser concluído pela via natural, e contrastar este Deus com o Deus da Revelação e levá-los, pelo uso da filosofia e lógica simples, que este é o mesmo Deus da Revelação. Que é exatamente o Deus que professamos todos os domingos, principalmente no Credo Niceno-Constantinopolitano.



Não tenhamos medo de desmascarar a Idolatria Protestante e repudiar o deus pregado pelo Protestantismo, pois ao fazê-lo estaremos abrindo os olhos dos cegos, cegos estes que apesar de poderem ver, não conseguem ver devido ao excesso de similaridades, aquilo que aqui chamamos de Poluição Religiosa.





É POSSÍVEL UMA FÉ RACIONAL ?




Tanto no Oriente como no Ocidente, é possível entrever um caminho que, ao longo dos séculos, levou a humanidade a encontrar´se progressivamente com a verdade e a confrontar´se com ela. É um caminho que se realizou — nem podia ser de outro modo — no âmbito da autoconsciência pessoal: quanto mais o homem conhece a realidade e o mundo, tanto mais se conhece a si mesmo na sua unicidade, ao mesmo tempo que nele se torna cada vez mais premente a questão do sentido das coisas e da sua própria existência.



Nossa fé não é puro sentimento ou apenas a invenção de um grupo de homens mal intencionados e manipuladores. Existe a racionalidade da fé. E no Catolicismo esta inteligência da fé possui uma densidade tal, que seria um pecado de omissão não conhecer e estudar. A Fé é um ato da inteligência; portanto não é um sentimento vago, mas é expressão da mais nobre faculdade que o homem tem: o intelecto, que tenta aplicar-se ao objeto mais nobre que possa ser concebido, ou seja, a Deus. Esse ato do intelecto é movido pela vontade, pois o objeto da fé transcende os limites do intelecto humano (a verdade é mais ampla do que o alcance do nosso intelecto). Sendo assim, o objeto da fé não obriga a um assentimento, não é tão evidente que force a adesão de quem o contempla. A vontade, portanto, deve mover o intelecto para que diga Sim ou Não.



A vontade, porém, só move o intelecto depois do exame das credenciais sobre as quais se apoia cada proposição de fé. Cabe então ao intelecto humano averiguar as razões em virtude das quais o indivíduo pode e deve crer (): estude o Evangelho, a história, a paleografia… e chegue eventualmente à conclusão: “Não é absurdo crer; não é infantilismo ter fé”. Há razões suficientemente fortes para que o homem diga Sim ao objeto de fé, sem trair sua dignidade de homem adulto.Portanto o homem crê inteligentemente. E a própria razão sadiamente crítica que aponta o caminho da fé. Assim evitam-se as superstições e crendices que não resistem ao crivo da razão.





AS FALSAS EXPRESSÕES DA FÉ AUTÊNTICA:




Se a fé tem por objeto algo não evidente por si mesmo, ela é um ato livre. Pode ser traída e rejeitada, como acontece nos casos em que as paixões predominam sobre o intelecto e a vontade. Daí haver falsas expressões da fé, que causam escândalo aos não crentes, mas que não são autênticos gestos de fé.Aliás o senso de justiça obriga a lembrar os grandes benefícios que a Religião proporcionou à humanidade: Sem a verdadeira religião, o homem e a humanidade estaria entregue as supertições e carnificinas materialistas que a história infelizmente já experimentou nos regimes totalitaristas ateus.




A religiosidade é um elemento integrante da pessoa humana. O homem bem pode ser considerado um peregrino do Absoluto, um viandante rumo ao Eterno e Infinito. Até os materialistas marxistas procuram um novo estado de coisas e a plena satisfação de seus anseios através da mística do martelo e da foice. Os atritos que a religião causou entre os homens se devem, em grande parte, à valorização dos bens espirituais, que os antigos e medievais julgavam ser superiores aos bens materiais. A religião inspirou a entrega de tudo, até da própria vida, para não renegar o Valor Supremo que é Deus. Quando se avalia o passado, não se pode deixar de levar em conta esse traço próprio da mentalidade de nossos ancestrais.



Acontece, porém, que esse elemento integrante da pessoa humana, o senso religioso , não pode ser cego ou desligado da razão. É esta que distingue entre si fé e crendice. É com a inteligência que o homem crê, e não com os olhos da mente fechados pela cegueira do sentimentalismo ou das emoções.Compete aos cristãos dar testemunho da autêntica religião, para que, mediante este testemunho claro e firme, o irmão que busca o Absoluto, embora não tenha fé, se entusiasme pela beleza de uma vida santa, heroicamente santa !!!

 








Do Protestantismo ao Ateísmo Moderno e Relativismo Contemporâneo


Uma leitura dos acontecimentos históricos

(Por Daniel Marques)*


É possível fazer uma leitura dos acontecimentos históricos que percorrem desde o surgimento do Luteranismo até o relativismo atual através da chave de interpretação da quádrupla negação. Sendo que uma negação prepara o sucessivo “não”. Vejamos de modo concreto para entender a questão.



DEUS SIM, IGREJA NÃO



É a negação surgida e instaurada por Lutero. Permite uma visão mais subjetivista da fé, onde realça o caráter pessoal da salvação em detrimento do caráter institucional. É possível seguir a Deus, sem seguir uma instituição em concreto. Nega-se o caráter necessário da Igreja para a salvação, para isto, será necessário defender um conjunto de conceitos epistemológicos que será à base do pensamento da filosofia moderna. As escrituras afirmam que a Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (I Tim 3,15).



DEUS SIM, CRISTO NÃO


Esta segunda grande negação é própria do século da ilustração, onde se busca uma fé fundada apenas na razão. Aceita-se a Deus, mas apenas como um grande relojoeiro que fez sua obra prima (o cosmos), a dotou das forças necessárias para se autogerir e foi embora. A providência é jogada no lixo, surge o DEISMO. Um Deus sem culto e despersonalizado. O homem é senhor total e absoluto de seu próprio destino. Nega-se a transcendência. (O deus dos Iluministas e dos maçons). A realidade não é apreendida objetivamente pelo ser humano, mas construída intelectualmente através das percepções sensitivas que são próprias a toda raça humana.É no contexto desta segunda negação que surge a Revolução Francesa, retirando dos templos católicos a presença dos santos e de Cristo eucaristia, e erigindo altares à Deusa Razão. Uma “contraditio terminis”, pois “mitologizam” a fé católica, retiram dos evangelhos tudo que seja milagroso e sobrenatural e ao mesmo tempo criam culto e templo para a “Deusa Razão”.


É um racionalismo fundando na irracionalidade do caos e da violência. Destinada intelectualmente ao fracasso, a revolução tinha seus dias contados, apesar da propaganda massiva da revolução perpetrada por Jacques-Louis David criando obras como o Juramento de Horácio (cena dramática que convida a população a pegar em armas) e perpetuando o mártir da revolução no quadro “A morte de Marat”.A revolução francesa nasce de exigências legítimas de uma população que sofria pela fome, crise nas colheitas e impostos sufocantes. No entanto, conduzida não pela razão que tanto defendia, mas pelo terror das guilhotinas. O lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, pese seu caráter evangélico e de se propor como novo evangelho, era escrito pelo sangue de muitos homens e mulheres que não se alinhavam. Vemos a expropriação das propriedades do clero, a assassinato de sacerdotes, religiosos e religiosas. A Fé católica é vista como fundamento do Ancient Regime e como tal deve ser varrida do mapa, como principal inimiga da revolução e de seus ideais.



Surge, então, como resposta a esta barbárie um novo absolutismo que se espalha por toda a Europa. Mas, o mundo já não era mais monárquico, a semente do pensamento revolucionário já tinha sido plantada. E mais tarde crescerá com mais furor através da revolução marxista que veremos a seguir na terceira negação.



DEUS NÃO, O HOMEM SIM


É a última negação presente no séc. XIX. Deus já não é necessário para garantir a ordem do mundo. A única realidade é a material e a este senhor devemos prestar contas. Seu fundamento é a filosofia Hegeliana. Onde o espirito absoluto é traduzido à matéria. E os indivíduos são apenas um momento, uma ocasião para o desenvolvimento da matéria, do mundo perfeito sem classes e de total igualdade.



Na filosofia marxista, não há pessoas, existe apenas o estado, que se desenvolve através da dialética de lutas de classes. O novo homem e nova humanidade marxista é a síntese final do processo dialético, onde a tese são os sistemas econômicos burgueses e a antítese é a classe operária explorada. O marxismo acelera o confronto entre ambas que ocorrerá de modo necessário.



A visão de pessoa humana como um momento do processo dialético materialista é o que justifica a barbárie de mais de 100 milhões de pessoas exterminadas por Stalin. Os comunistas alegam que isto ocorreu porque Stalin desvirtuou a revolução. Em realidade, ele se apresenta como aquele que leva até as últimas consequências os pressupostos filosóficos da revolução.A negação de Deus só é possível, em última instância, através da negação do ser humano, o que nos conduz a uma quarta negação.



O HOMEM NÃO



A degradação da razão humana conduz a negação da impossibilidade da existência de qualquer verdade absoluta. A filosofia hermenêutica presente na obra “Verdade e Método” de Gadamer é um exemplo. O homem constrói a verdade segundo seu grupo social e cultura, e este grupo com “suas verdades” é que constrói o homem e a verdade das coisas. Deste modo, a verdade é sempre mutável e não um termo “ad quo”, não há uma finalidade para vida humana, mas apenas uma construção de algo caótico a um nada último.



Esta visão epistemológica se apresenta como fundamento do relativismo moral e do indiferentismo religioso. Quando tudo é verdade, não existe verdade. E quando nada é objetivamente verdadeiro, todas as coisas são colocadas no mesmo plano, perdendo seu valor. Priva a racionalidade humana do principio de não contradição, conduzindo a humanidade a ações bárbaras.



Sobre a bandeira da tolerância, o relativismo implanta uma verdadeira ditadura da força e do poder. Pois quando não há uma verdade como critério e medida de nossas ações, se implanta a verdade subjetiva dos mais fortes. Por isso, as politicas e medidas sociais são implantadas não em vistas a um bem comum, ou um critério de bondade e verdade, mas segundo pressões sociais, econômicas ou interesses privados.Assim vemos a aprovação das uniões homoafetivas, a aprovação do aborto em geral, e do bebê anencéfalo em especifico. O homem volta-se contra o mesmo homem, pois ferido em sua racionalidade, é incapaz de perceber as consequências de seus atos que vão contra a sua própria humanidade.



CONCLUSÃO: UNIDADE SUBSTANCIAL DO SER HUMANO



Existe uma profunda unidade entre as questões religiosas, econômicas, filosóficas, sociais e politicas. Não são elementos separados, pois quem as elabora, vive e pratica é o homem. O ser humano é o centro das questões.Por isso, um subjetivismo religioso exacerbado de Lutero nos conduz a uma filosofia moderna que coloca o homem como criador da realidade e a Deus apenas como garantidor de uma ordem. Este racionalismo moderno exige a existência de um Deus impessoal e ordenador, surgindo o Deísmo próprio do iluminismo, com sua expressão mais “gloriosa e nefasta” instaurado no culto à “Deusa Razão” no período da Revolução Francesa. Revolução esta guiada por um desejo de fazer o bem, mas com princípios que levariam ao terror. Neste processo de degradação da razão humana o surgimento de regimes ateus, o indiferentismo e o relativismo presentes nos dias atuais são consequências naturais.Um processo de negação da objetividade das coisas que “corrói” a razão humana, pois negar a capacidade de transcendência humana, é negar a mesma humanidade.


* Daniel Marques é formado em Humanidades Clássicas em Salamanca, Espanha, obteve a graduação e o Mestrado em Filosofia em Roma, e atualmente cursa o 2o. ano de teologia na arquidiocese do Rio de Janeiro.

Fonte: Zenit

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4 de agosto de 2016 11:15

Bom dia
Gostaria de parabenizar o blog pela seriedade e disponibilidade na confecção e publicação dos artigos cuja clareza e fundamentação teórica são dignas de elogios. Atenho-me ao artigo intitulado “O caminho natural de protestantismo ao ateísmo”, especialmente no momento em que é discutida a questão do relativismo intelectual vivenciado pelo homem hodierno. É um tema bastante caro, e largamente denunciado pelo papa Bento XVI, pois vemos que está entranhado em diversos círculos culturais da sociedade. Gostaria de desenvolver minha pesquisa monográfica de conclusão do bacharelado em teologia nesta ótica. Considerando isso, desejo saber se seria possível a indicação de mais artigos ou obras de autores que fundamentem o relativismo, como foi citado no artigo “Verdade e Método de Gadamer” como também dos que combatem como o papa Bento. Desde já agradeço a disponibilidade.

5 de agosto de 2016 10:36

Prezado ...

Seguem alguns links internos do nosso blog que tratam do tema. Agradecemos sua visita e os elogios que nos motivam a continuar nosso trabalho. Pedimos suas orações pelo nosso apostolado e suas recomendações aos seus correligionários para que a verdade prevaleça.

http://berakash.blogspot.com.br/2013/02/e-possivel-um-relativismo-absoluto-pe.html

http://berakash.blogspot.com.br/2010/11/verdade-x-relativismo.html

http://berakash.blogspot.com.br/2013/05/porque-o-relativismo-e-contraditorio.html

http://berakash.blogspot.com.br/2015/08/vasco-pulido-valente-o-atual-fanatismo.html

http://berakash.blogspot.com.br/2013/09/a-moral-da-teologia-da-libertacao-e.html

http://berakash.blogspot.com.br/2010/10/algumas-verdades-que-os-ateus-nao.html


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