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Eis o mistério da fé - Como entender o milagre da TRANSUBSTANCIAÇÃO EUCARÍSTICA ?

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 1 de junho de 2014 | 21:26







Se alguém disser que no sacrossanto sacramento da Eucaristia permanece substância de pão e vinho juntamente com o Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, e negar aquela admirável e singular conversão de toda a substância do pão em Corpo e de toda substância do vinho em Sangue, permanecendo somente as espécies de pão e vinho, conversão que a Igreja Católica propiciamente chama de Transubstanciação, seja excomungado. (Concílio de Trento, Cânones sobre a Eucaristia, II)






O problema central da questão, a meu ver, é que tomam a teologia moderna (filha da filosofia moderna) como ponto de partida teórico, confundindo todas as noções metafísicas cunhadas por Aristóteles e Santo Tomás, essenciais para a compreensão do dogma, tal como a Igreja o definiu. Desta maneira, não atacam diretamente o dogma, mas atacam os seus conceitos e, pela sala dos fundos, o destroem.



Fundamentalmente, a doutrina católica a respeito da presença real de Nosso Senhor na Eucaristia apenas se serve destes conceitos porque a fé requer a inteligência, fides quaerens intellectum. 


Desta maneira, a Igreja utiliza os conceitos filosóficos na medida em que os mesmos se prestam ao esclarecimento teológico. Quando os mesmos são invertidos, com o escopo de uma perversão teológica, temos o que tradicionalmente se chama de heresia.



Analisando as declarações confusas dos Padres Fábio e Joãozinho, dentre as quais se encontram algumas pérolas dignas de menção:




“O irmão é presença eucarística”; “ele está no pão e no vinho, mas quando eu comungo do corpo e do vinho, eu me transformo nesta presença na história”; “entre as duas substâncias [pão e vinho] está o bonito e sugestivo significado da ausência”; “você está bebendo o vinho, materialmente; substancialmente, você se alimentando do sangue de Cristo”; “o milagre Eucarístico de Lanciano não é mais Eucaristia, porque não é mais pão e vinho”. 




Uma delas poderia ser considerada o centro de toda sua argumentação. Ao falarem a respeito de uma pessoa que haveria afirmado erradamente ao Pe. Joãozinho, durante uma Expo Católica,que se, porventura, viesse a beber uma grande quantidade do Sangue Eucarístico não se embriagaria, o mesmo padre concluiu com a seguinte afirmação:



“A pessoa confundiu transubstanciação com ‘transmaterialização’”.



Analisemos rapidamente o diagnóstico “teológico” do padre Joãozinho:




Quando afirma que na transubstanciação não ocorre nenhuma mudança material, o padre está confundindo uma série de conceitos básicos de teologia sacramentária. Detenhamo-nos no conceito de matéria que, neste caso, pode ser entendido em três sentidos básicos:


1. Matéria do pão;


2. Matéria do ato sacramental;


3. Matéria da Eucaristia.



1.Matéria do Pão. Enquanto um ente material, aplica-se ao pão a mesma estrutura hilemórfica aplicada aos entes naturais. Desta maneira, o pão possui uma realidade material que é potência em relação a uma forma substancial, que corresponde ao ser pão (neste caso, a potência está atualizada). Ou seja, a substância pão é composta de uma potência material que recebe a realidade formal do pão como fundamento de seu ser.



2. Matéria Sacramental. Para a realização do sacramento da Eucaristia, a teologia sacramental distingue três elementos essenciais: matéria sacramental (pão de trigo e vinho de uva), forma sacramental (palavras da consagração) e intenção do sacerdote.


Neste caso, a matéria “pão e vinho” (matéria) é essencial para que as palavras consecratórias (forma) sejam eficazes. Isto foi definido por Cristo, que instituiu este sacramento desta maneira. Como é evidente, existem diversas razões que explicitam ainda melhor esta razão fundamental (a Eucaristia deve alimentar; é sacrifício, de modo que Corpo e Sangue são separados, como na morte, através da separação das espécies sacramentais; é nutrimento para o Corpo [pão] e para a alma [vinho]; representa de modo adequado a unidade da Igreja, como diversos grãos que formam um só corpo. Cf. Summa Theologiae, III, q. 74, a.1, Respondeo).

3. Matéria da Eucaristia. Aqui, a questão se torna tão complexa metafisicamente quanto bela doutrinalmente. Por isto, vale a pena explicar paulatinamente os conceitos utilizados brilhantemente por Santo Tomás.




Segundo o Doutor Angélico, “alguns sustentaram que, neste sacramento, a substancia do pão e do vinho permanece depois da consagração. Mas esta opinião não pode ser sustentada:



1)- Primeiramente, porque esta opinião faz desaparecer a verdade deste sacramento, segundo a qual o verdadeiro corpo de Cristo está presente na Eucaristia. (...) Portanto, não nos resta nenhuma outra solução além da qual o corpo de Cristo não pode fazer-se presente no sacramento senão pela conversão da substancia do pão e do vinho nEle.



2)- Todavia, o que se converte em outra coisa, uma vez realizada a conversão, já não permanece. Por conseguinte, para salvar a verdade deste sacramento, não podemos afirmar outra coisa senão que a substancia do pão, depois da consagração, não pode permanecer”.  (Summa Theologiae, III, q. 75, a.3, Respondeo).


Aristóteles foi um filósofo que muito se ocupou de entender as relações metafísicas de causa, finalidade e a natureza das coisas. Com sua metafísica focava-se nas possibilidades e fundamentos que as coisas teriam ou poderiam assumir.


Sua definição de substância é uma das mais ricas na filosofia, a essência e o acidente seriam suplementares quanto à natureza dela.


Para o que se entender o que é o ser aristotélico, deve se partir do pressuposto da substância, que é algo em si mesmo, e a partir disso a matéria se molda numa forma.


É na substância que agem as quatro causas, a potência e o ato. Substância é tudo aquilo que existe, e possuindo propriedades, algumas obrigatórias e outras não.






As tais propriedades são:


1)- Essência é o que se refere quanto a uma propriedade intrínseca e inerente para uma certa substância. A essência de uma substância é sua qualidade imutável , por reger os fundamentos daquela substância específica.


2)- Tendo como contraponto, o acidente é toda característica secundária e que age sobre a substância como agente modificador, porém, sem alterar sua essência. Assim, ser um humano é um exemplo de propriedade essencial (pois é um atributo fundamental para a definição desta substância), o fato desta pessoa ter uma boa saúde ou uma péssima visão se referem à propriedades acidentais deste.


Substância é um conceito chave da metafísica ou ontologia. Designa aquilo que há de permanente nas coisas que mudam e portanto o fundamento de todo acidente.As interpretações do conceito variam entre aqueles que reconhecem apenas uma substância (monistas), os que reconhecem duas substâncias ( dualistas) ou várias (pluralistas).


De acordo a visão monista, presente no estoicismo, existe apenas uma substância, geralmente identificada com Deus ou Ser. Já o dualismo vê o mundo como composto de duas substâncias fundamentais, enquanto no pluralismo  característico do platonismo e do aristotelismo o ser é constituído de uma pluralidade de elementos que o fundam como substâncias, que geralmente podem ser hierarquizadas ontologicamente.


Aristóteles define a questão da substância como a unidade indivisível de matéria e forma, do particular e universal, de potência e ato


A substância de é a primeira coisa que se aprende, porque ela está presente em todos os entes e consiste naquilo que é comum em todos eles.Considerando uma outra substância, da unidade e ciência primeira, ela é eterna, pura, imóvel e imutável.


Caso contrário, por hipótese, ela fosse corruptível, todas as demais substâncias seriam necessariamente corruptíveis. Mas considerando que as características de tempo e movimento são eternas, incorruptíveis e têm essência na substância, então deve existir tal substância primeira, que possa dar caráter de unidade.



Essa substância não possui potência, dado que se encontra eternamente como ato. Ela, porém move outras substâncias por atração a ela. Se não o fosse, não seria imóvel e incorruptível. É supremo o conhecer dessa substância e por isso a Metafísica, responsável por tal estudo, é superior. Mas dado que existe uma outra substância, imóvel, e que provoca a atração de outras substâncias, esta é a filosofia primeira:


"Se não existisse outra substância além das que constituem a natureza, a física seria a ciência primeira; se, ao contrário, existe uma substância imóvel, a ciência primeira, a ciência desta será anterior (às outras) e será filosofia primeira."


Logo, conhecer as substâncias primeiras e sua relação de atração e criação das demais substâncias consiste em conhecer o compartilhamento da unidade, da perfeição.




Até aqui, parece que a posição sustentada pelos sacerdotes em questão não está em choque frontal com a doutrina de sempre. Mas, esclarecendo um pouco mais, veremos como as conseqüências desta afirmação de Santo Tomás se distanciam do que foi absurdamente afirmado por eles.






Ainda segundo o Aquinate, “alguns opinaram que, depois da consagração, permanecem não apenas os acidentes do pão, mas também a forma substancial do pão. Mas isto não pode ser:



Primeiramente, porque se permanecesse a forma substancial, somente a matéria do pão se converteria no corpo de Cristo. E disso se seguiria que a conversão não se faria a todo o corpo de Cristo, mas somente à sua matéria. O que é incompatível com a forma deste sacramento que diz: “Isto é o meu corpo”.



Segundo, porque se a forma substancial do pão permanecesse, permaneceria ou unida à matéria ou separada dela. Todavia, o primeiro não pode ser, porque se permanecesse unida à matéria do pão, permaneceria então toda a substancia unida a outra matéria, porque cada forma está unida à própria matéria. E se permanecesse separada da matéria, seria então uma forma atualmente inteligível, e também inteligente, porque todas as formas separadas da matéria são assim.


Terceiro, esta permanência seria irreconciliável com este sacramento, porque os acidentes do pão permanecem neste sacramento para que se veja sob eles o corpo de Cristo, mas não em sua figura física. Por conseguinte, deve-se dizer que a forma substancial do pão não permanece (Summa Theologiae, III, q. 75, a. 3, Respondeo).




A afirmação de que “cada forma está unida à própria matéria”, é daquele tipo absoluto, que não admite compatibilizações com estas grotescas alucinações pseudo-teológicas. A transubstanciação é a mudança do “pão” enquanto esse (ser), que é convertido num outro esse (ser), o corpo do Senhor, conservando apenas os acidentes (aparências). A partir de então, os acidentes passam a existir, mas numa nova condição, pois conservam seu ser anterior, mas agora não possuem mais um sujeito no qual subsistam (“os acidentes, neste sacramento, permanecem sem sujeito”. Summa Theologiae, III, q. 77, a.1, Respondeo).




Portanto, quando o magistério da Igreja utiliza o termo transubstanciação para descrever o tipo de conversão que se dá na consagração da Missa, o faz por sua alta precisão terminológica, uma vez que o conceito metafísico de substancia se presta a:



1. de um lado, exprimir que a conversão é radical, pela qual aquela realidade do pão e do vinho (matéria do ato sacramental) deixou de existir, tornando-se o Cristo inteiro;



2. de outro, exprime que os acidentes que existiam no pão, continuam a existir, mas milagrosamente, sem um sujeito no qual se possam predicar.



Por isto, o termo transubstanciação também se escolheu em oposição ao termo “acidente”, pois é evidente que substância e acidentes são conceitos que se relacionam.



Deste modo, se sublinha bem que a única realidade que permanece tanto antes quanto depois da consagração são os acidentes (as aparências).




Sendo a transubstanciação afirmada nesta chave, os conceitos paralelos de forma e matéria, como definem a essência do esse (ser), evidentemente, como afirma São Tomás acima, também se alteram.



Para a metafísica aristotélico-tomista, a matéria em relação à forma se comporta como a potëncia em relação ao ato, não existindo na realidade nenhuma matéria sem forma.



Na Eucaristia, a forma substancial é o Corpo de Cristo, que necessariamente está presente materialmente, não só porque se é corpo é material, mas porque a matéria “pão” não poderia existir sem sua forma “pão”, e, portanto, tornou-se matéria “Corpo de Cristo”, através de sua forma “Cristo”.




Por conseguinte, as afirmações não-materialistas (como se depreendem de suas próprias palavras) dos padres em questão, só podem ser entendidas em dois sentidos, aplicadas à Eucaristia:




1. Se eles aplicam o conceito de matéria em oposição à forma, afirmariam que a presença de Cristo é apenas formal, não material. Mas como isto é impossível, de acordo com a abordagem metafísica utilizada pelo Magistério na afirmação dogmática, eles negam a transubstanciação, confessando uma espécie de consubstanciação;



2. Se eles aplicam o conceito de matéria em oposição a espírito, afirmariam que a presença de Cristo é apenas espiritual, não material. Neste caso, confessariam uma espécie de transignificação, à moda calvinista. Ambas as conclusões são fundamentalmente heréticas.




Materialistas! É assim que eles acusam quem adora ao Corpo de Cristo em toda a sua existência carnal. Eles se indignam com aqueles que reconhecem que “o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1,14), e preferem adorar a ausência, no encontro inter-pessoal das presenças humanas. Não negam a presença de Cristo, mas a relativizam dentro de todo o universo das presenças ausentes. Contradição? Loucura? Não!... É delírio verbal mesmo!...




Têm muita razão quando abrem mão da razão, durante o programa, apelando para um intuicionismo irracional e sentimentalista, que transforma a fé num mero entusiasmo humano. O silêncio meditativo dos santos começa quando a inteligência, iluminada pela fé, penetra no mistério divino e o contempla extasiada! Foi esta atitude que fez Santo Tomás, no final de sua vida, após brindar a Igreja com obras de uma refinada e elevada elaboração teológica, dizer que, depois de uma experiência mística, não podia dizer mais nada.



apofatismo e a atitude humilde de silêncio diante do mistério surge da excrescência da inteligência, que se deleita na verdade e dela se sacia, entregando-se abandonada a ela, sem jamais renunciá-la.



Fides quaerens intellectum! A Fé requer a inteligência





“Meu povo se perde por falta de conhecimento; por teres rejeitado a instrução, excluir-te-ei de meu sacerdócio” (Os 4,6)





Quanto à humilde afirmação hesitante de que a comunhão seria antropofagia, refuto dizendo que a antropofagia é a destruição de uma pessoa por via da alimentação.



Na Comunhão, não destruímos o corpo de Cristo, nem nos alimentamos de uma parte do seu Corpo, mas dele mesmo. Desta maneira, pela sua presença na Eucaristia, alimentamos nossa alma, sem que Ele se corrompa, se transforme em nós, em nosso corpo. Antes, segundo Santo Agostinho, é Ele que nos transforma em nEle; quanto aos acidentes, estes sim, podem alimentar o nosso corpo e converter-se nele.






Mas, como afirma o próprio Santo Tomás:


 “visto que uma coisa atua na medida em que atualmente tem ser, é lógico que a relação de uma coisa com sua atividade corresponda à relação com seu ser. Pois bem, visto que se concede às espécies sacramentais (N.A. = acidentes), por virtude divina, permanecer no ser que tinham com a substância do pão e do vinho, é lógico que também lhes seja concedido permanecer em sua atuação.Por conseguinte, todas as funções que podiam exercer quando estava presente a substancia do pão e do vinho, podem exercê-las igualmente quando a substancia do pão e do vinho se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo. Logo, não há dúvida de que podem exercer alguma ação sobre os corpos externos” (Summa Theologiae, III, q. 77, a.3,Respondeo).



E ainda mais adiante, conclui o Santo doutor que as espécies eucarísticas podem corromper-se (Ibidem, a. 5) e podem alimentar e embriagar (Ibidem, a. 6), pelas mesmas razões de acima.



RESUMINDO CONCLUSIVAMENTE:



Transubstanciação é a conjunção de duas palavras latinas: trans (além) e substantia (substância), e significa a mudança da substância do pão e do vinho na substância do Corpo e sangue de Jesus Cristo no ato da consagração.


Isto significa que esta doutrina defende e acredita na presença real de Cristo na Eucaristia. É adotada pela Igreja Católica.


A Igreja Ortodoxa, Igreja Anglicana , Igreja Luterana e Igrejas Calvinistas, creem na presença real mas não na transubstanciação.

A crença da transubstanciação se opõe à da consubstanciação, que prega que o pão e o vinho se mantêm inalterados, ou seja, continuam sendo pão e vinho.



O dogma da Transubstanciação baseia-se nas passagens do Novo Testamento em que Jesus diz no discurso do Pão da Vida: O Pão que eu hei de dar é a minha Carne para Salvação do mundo; O meu corpo é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida,e no fato de que Jesus, ao tomar o pão em suas mãos na Última Ceia, deu a seus discípulos dizendo: Tomai todos e comei. Isto [o pão] é o meu Corpo, que é entregue por vós afirmada como união do fiel à Cristo, de maneira analógica à união da vida trinitária: Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, assim também o que Me come viverá por Mim.



A primeira vez que Jesus anunciou este alimento, os ouvintes ficaram perplexos e desorientados, e Jesus insistiu na dimensão das suas palavras: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.


A Igreja ensina que há uma transformação da substância, mas não dos acidentes, ou seja, os acidentes como odor, sabor, textura, forma, cor permanecem, mas já não são mais pão e vinho e sim corpo e sangue, por um milagre de Cristo ao proferir as palavras sagradas.



Substância significa o que faz uma coisa ser ela mesma, ou seja sua essência; por exemplo, a forma de um chapéu não é o chapéu próprio, nem é sua cor, nem é seu tamanho, nem é sua aspereza, nem qualquer outra coisa sobre o chapéu percetível aos sentidos. O chapéu próprio (a "substância") tem a forma, a cor, o tamanho, a aspereza e as outras aparências, mas é distinto dessas.

As aparências, que são referenciadas pelo termo filosófico acidentes, são percetíveis aos sentidos, mas a substância não é.



Quando em sua última ceia Jesus disse: isto é meu corpo, o que ele tinha em suas mãos tinha todas as aparências do pão. Entretanto, a Igreja acredita que a realidade subjacente foi mudada de acordo com o que Jesus disse, e que a substância do pão foi convertida à substância de seu corpo.


Ou seja, era realmente seu corpo, mesmo que todas as aparências que são abertas aos sentidos ou à investigação científica sejam ainda aquelas do pão, exatamente como antes.


A Igreja acredita que a mesma mudança da substância do pão e do vinho ocorre em cada celebração da Eucaristia. O pão é mudado substancialmente no Corpo de Jesus; mas dado que Jesus, ressuscitado dos mortos, está vivendo, não somente seu corpo está presente, mas Jesus ao todo, corpo e sangue, alma e divindade. O mesmo é verdadeiro para o seu sangue.



Para a Igreja, por meio da transubstanciação Cristo está realmente, verdadeiramente e substancialmente presente sob as aparências remanescentes do pão e do vinho.



A conversão substancial permanece pelo tempo em que as aparências remanescerem. Por esta razão os elementos consagrados são preservados, geralmente em um tabernáculo, para que a Sagrada Comunhão possa ser dada aos doentes ou a quem está morrendo e também, de forma secundária mas ainda muito estimada, para a finalidade de adoração.



O conceito de transubstanciação é acompanhado pela distinção inequívoca entre substância, ou realidade subjacente, e acidente, ou perceptível pela aparência.


Isso salvaguarda ao que é considerado pela Igreja como dois erros mutuamente opostos:


1)- O primeiro seria considerar que a presença de Cristo na Eucaristia é meramente figurativa (pois a mudança da substância é real);


2)- O segundo seria a interpretação de que se come canibalisticamente a carne corpórea e o sangue de Cristo (pois os acidentes permanecem reais, não uma ilusão).

O dogma na Tradição





Outra origem é a Tradição da Igreja, que se originou com Santo Inácio de Antioquia (107 d.c), Discípulo de São João:


Ao confrontar os docetas, grupo gnóstico do primeiro século, que não acreditava que Jesus tenha tido um corpo carnal, mas era um Deus com um corpo etéreo - a crença gnóstica era de que a matéria seria um invólucro mau aprisionando um espírito bom - portanto não aceitavam que se comesse o "corpo" de Cristo, já que para eles era matéria e portanto mau em essência. Dizia pois Santo Inácio em sua Carta aos Esmirnenses no versículo 5 : De que me vale um homem – ainda que me louve – se blasfema contra o meu Senhor, não confessando que Ele assumiu carne? , e na mesma carta, no versículo 7 : Abstêm-se eles (os docetas) da Eucaristia e da Oração, porque não reconhecem que a eucaristia é a Carne de Nosso Salvador Jesus Cristo, Carne que padeceu por nosso pecados e que o Pai em sua bondade Ressuscitou.



Seguindo a tradição, o Quarto Concílio de Latrão (1215) defendeu a veracidade da doutrina da transubstanciação 4 e o Concílio de Trento (1545-1563) afirmou que:


“Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação.”



A transubstanciação ocorre durante a Missa quando o sacerdote ministerial (padre, bispo) realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo (in persona Christi), repetindo as palavras ditas por Jesus na última ceia: Isto é o meu corpo... Este é o cálice de meu sangue....


A expressão in persona Christi


“Refere-se a algo mais do que em nome , ou então nas vezes de Cristo; para a Igreja, essa expressão significa na específica identificação com Cristo, que é considerado ao mesmo tempo Autor e Sujeito deste seu próprio sacrifício, no que verdadeiramente não pode ser substituído por ninguém.”


Há uma pequena diferença entre Católicos Romanos e Ortodoxos:

Os Católicos Romanos  creem que a transubstanciação ocorre pela repetição das palavras de Cristo, que tem o poder de convertes substancialmente o pão em carne e o vinho em sangue.

Os Ortodoxos creem que isto ocorre na epiclese - frase precedente às palavras de Cristo, onde se invoca o Espírito Santo sobre as santas oferendas (pão e vinho).

A Eucaristia é um mistério de fé, dizia Cirilo de Jerusalém:

“Não hás-de ver o pão e o vinho simplesmente como elementos naturais, porque o Senhor disse expressamente que são o seu corpo e o seu sangue: a fé to assegura, ainda que os sentidos possam sugerir-te outra coisa.”

Segundo Paulo VI:


“Toda a explicação teológica que queira penetrar de algum modo neste mistério, para estar de acordo com a fé católica deve assegurar que na sua realidade objetiva, independentemente do nosso entendimento, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de modo que a partir desse momento são o corpo e o sangue adoráveis do Senhor Jesus que estão realmente presentes diante de nós sob as espécies sacramentais do pão e do vinho.”


“ EIS O MISTÉRIO DA FÉ !!!”
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