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A Santa Missa é somente memorial da morte de Cristo - Portanto não se pode aplaudir e nem se fazer danças litúrgicas Certo ?

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 24 de novembro de 2013 | 12:36



Errado!!!

A santa missa é :Atualização do sacrifício e comemoração da ressurreição:


"Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição".

Em primeiro lugar, é preciso entender o significado de palmas e aplausos: Palmas não são deboche, mas aprovação e louvor.

Em alguns ambientes católicos, tem-se afirmado com certa constância que a Missa é renovação da paixão e da ressurreição de Cristo, como se ambas realidades se fizessem presentes na Eucaristia do mesmo modo, uma vez que “o Mistério Pascal engloba tanto uma como a outra”.

Isso último é verdade, mas do que se trata é de compreender a verdadeira natureza da Missa, e não do mistério pascal da paixão, morte e ressurreição do Senhor.

De fato, Cristo ressuscitado Se faz presente em todas as missas posteriores à Páscoa, ou seja, em todas as missas com exceção da primeira, a qual se deu na Última Ceia,e tudo isso por um motivo bastante óbvio:

Ele ressuscitou e é dessa forma ressuscitado, que age através do sacerdote celebrante. Quando Cristo (o sacerdote) pronuncia as palavras “Isto é o meu corpo...”, é o Cristo Glorioso quem as pronuncia, porque são palavras pronunciadas no presente.


O fato da ressurreição, todavia, se torna presente à recordação, e não sacramentalmente; a inserção de um pedaço do pão consagrado no cálice é símbolo da ressurreição, não sua renovação mística, que é desnecessária, pois Cristo Se encontra ressuscitado.



A Ressurreição já se prolonga nos tempos por esse fato somente o de que o Senhor encontra-se vivo e já não pode mais morrer , ao contrário do sacrifício do Calvário, o qual, se não fosse renovado misticamente na Missa, seria um fato passado, presente somente à nossa memória e na medida em que suas graças nos são aplicadas através dos demais sacramentos.



A ressurreição, então, está presente indiretamente em todas as Missas posteriores à Última Ceia, porque o Senhor Glorioso é quem toma o pão e o vinho e os consagra e oferece ao Pai, portanto, é plenamente correto dizer que o Ressuscitado encontra-se presente em toda Missa , mas formalmente a Missa é renovação ou atualização tão somente do sacrifício, recordando-nos os fatos históricos tanto da paixão quanto da ressurreição de Cristo  sendo que a substância da primeira se faz presente, e a outra só se faz presente na recordação e naquele modo oblíquo que é a presença do Ressuscitado.



Talvez os que sustentam a identidade do tipo de presença do sacrifício e da ressurreição se baseiem na seguinte passagem da carta encíclica Ecclesia de Eucharistia (especialmente a passagem grifada por mim):


Nº 14. A Páscoa de Cristo inclui, juntamente com a paixão e morte, a sua ressurreição. Assim o lembra a aclamação da assembleia depois da consagração: « Proclamamos a vossa ressurreição ». Com efeito, o sacrifício eucarístico torna presente não só o mistério da paixão e morte do Salvador, mas também o mistério da ressurreição, que dá ao sacrifício a sua coroação. Por estar vivo e ressuscitado é que Cristo pode tornar-Se « pão da vida » (Jo 6, 35.48), « pão vivo » (Jo 6, 51), na Eucaristia. S. Ambrósio lembrava aos neófitos esta verdade, aplicando às suas vidas o acontecimento da ressurreição: « Se hoje Cristo é teu, Ele ressuscita para ti cada dia ».Por sua vez, S. Cirilo de Alexandria sublinhava que a participação nos santos mistérios « é uma verdadeira confissão e recordação de que o Senhor morreu e voltou à vida por nós e em nosso favor ».


Se a frase destacada em negrito estivesse isolada, poderia dar margem a essa compreensão da identidade do tipo de presença , mas a frase seguinte do Papa trata de explicar, nos mesmos termos que fizemos agora, em que sentido a ressurreição se faz presente:

“É Cristo vivo que pode tornar-Se “pão da vida”, e assim oferecer-Se ao Pai. A primeira presença, do sacrifício, é a presença mística do sacrifício do Calvário; a segunda, da ressurreição, equivale mais propriamente à presença real, pela transubstanciação, do Ressuscitado. A Eucaristia, enquanto sacramento, nos traz a presença real do Ressuscitado; e enquanto sacrifício  inseparável da “confecção” do sacramento  nos traz a presença mística do Seu sacrifício na Cruz.”


O mesmo Papa havia dito um pouco antes:

“Esta [a Eucaristia ] tem indelevelmente inscrito nela o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos” (n. 11).

Talvez a frase seguinte pudesse corroborar a tese de uma renovação mística da Ressurreição (de si, sem sentido, como já falamos):

“Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção»”.




Vê-se, então, como a Eucaristia é atualização sacramental tão somente do sacrifício da Cruz, e como a ressurreição se faz presente de modo indireto, seja porque é “coroação” desse sacrifício, que permite ao Senhor estar presente sobre o altar para oferecer-Se ao Pai, seja porque o fato histórico (da Ressurreição) é comemorado em cada Missa  como, ademais, o é, de forma mais especial e solene, na Páscoa e durante todo o Tempo Pascal.

Seria interessante, para a reflexão presente, buscar esclarecer o conceito de “memorial”:


Classicamente, se falava de “representação” e “memória” do sacrifício (cf. Doutrina sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa do Concílio de Trento). A primeira noção se refere ao “tornar-se presente”, ao “atualizar-se”, ao “renovar-se” ou “perpetuar-se” (da substância) do sacrifício do Calvário; e a segunda, à rememoração do evento histórico, o que é feito de modo especial na Sexta-Feira da Paixão, e constitui a especificidade mesma desse Ofício Solene.


A teologia litúrgica contemporânea trouxe à tona o conceito de “memorial”, que significaria, na mentalidade judaica, “uma recordação que torna efetivamente presente aquilo que recorda” (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1363-1364).


Nesse sentido, a Missa seria “memória” (do evento) da Paixão, no sentido clássico, e “memorial” (da substância) do Sacrifício, no sentido contemporâneo. O termo “memorial” entrou no Magistério contemporâneo, significando ora recordação, ora atualização, e é preciso discernir cuidadosamente, em cada contexto, qual é a conotação exata.

Assim, por exemplo, nos diz Pio XII, na Mediator Dei:

“Assim o memorial da sua morte real sobre o Calvário repete-se sempre no sacrifício do altar, porque, por meio de símbolos distintos, se significa e demonstra que Jesus Cristo se encontra em estado de vítima” (n. 63, negrito meu).


O que “se pode repetir” é “atualização” ou “representação” da morte real (cruenta), e não o mesmo evento da morte do Senhor,como explicava anteriormente Pio XII , daí, “memorial” aqui é sinônimo de “renovação”, “reprodução” do sacrifício do Gólgota.


Entretanto, o mesmo João Paulo II havia escrito, em passagem já citada aqui:

“Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor...” (n.11).



Já vimos como, em relação à ressurreição, “memorial” só pode designar “memória”; já em relação à morte, pode designar tanto a atualização quanto a recordação.A palavra “memorial” não tem, portanto, um significado único, e é preciso lê-la sempre tendo em conta o todo da doutrina da Igreja, que não pode se contradizer quando é definido dogmaticamente, mas pode sofrer evolução no entendimento, quando é apenas ensino autêntico, de modo a determinar com exatidão a noção que o termo está comunicando.

Veja-se, por exemplo, a única vez que a Sacrossanctum Concilium do Concílio Vaticano II menciona o “memorial”:


47. “O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura.”


Como já havia dito, do “Sacrifício eucarístico”  alguns tradicionalistas querem ver nessa expressão uma mitigação do caráter propiciatório do sacrifício da Missa, quando o contexto mostra que se está falando simplesmente de “Sacrifício da Eucaristia”, como sinônimo de “Sacrifício da Missa” (não existe o adjetivo “míssico”, para falar “sacrifício míssico”!), que o mesmo perpetua o Sacrifício da Cruz, não fica margem para compreender que a “morte” e a “ressurreição”, das quais dito Sacrifício eucarístico é “memorial”.

Veja-se que o Sacrifício tomado como um todo, a “representação” ou “perpetuação” do sacrifício da Cruz, é que é “memorial” enquanto “memória” (dos eventos) da morte e ressurreição , estão presentes na Missa com o mesmo caráter conforme a Sacrossanto Concílum nº 47.


Em passagem do Catecismo, citada por João Paulo II, diz-se:


“A Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor” (CIC n. 1382).”


Aqui, pode-se ver claramente que “memorial”, ademais, acompanhado pelo qualificativo “sacrificial”, significa “representação” (do sacrifício). É esse sentido – de “memorial sacrificial”  que permite ao Catecismo dizer, em outra passagem, que “por ser memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício” (n. 1365).



“Tudo” o que Cristo realizou foi pela redenção dos homens: Sua morte e Ressurreição:



Claro que a mesma não é uma realidade monolítica.Entretanto, para evitar uma leitura alegórica da Santa Missa, muito comum na Idade Média, mas dogmaticamente equivocada, é preciso ver a atualização do sacrifício no seu sentido bem estrito da entrega da vida do Senhor Jesus ao Pai,que é o significado pela consagração separada das espécies eucarísticas e concomitante oferta das mesmas pelo sacerdote ministerial (no Rito Romano Tradicional e nos Ritos orientais essa oferta fica evidenciada pelo Rito do “Ofertório”, o qual foi atenuado no Novo Rito Romano) e compreender que aqui o Papa está falando do “memorial” como “memória” dos demais eventos que se congregam ao redor do fato essencial do sacrifício.


Podemos concluir, retomando o ponto de partida dessa reflexão, que a Paixão e a Ressurreição se fazem presentes na Missa:


A Paixão é atualizada, é tornada realmente presente, substancialmente presente. Já a Ressurreição o é de modo meramente memorial  no sentido clássico, proclamando que ela, um dia, ocorreu  historicamente e que a partir de então, se perpetua no ser mesmo do Ressuscitado, sem necessidade de atualização sacramental.


A morte é anunciada porque misticamente ela é renovada, é atualizada, é tornada real e substancialmente presente.

A ressurreição não é anunciada, mas proclamada porque se deu no tempo  e segue perpetuada no corpo mesmo de Cristo.

Se a Paixão e a Ressurreição fossem recordadas de igual modo na Missa, não seria preciso duas expressões distintas. Bastaria anunciar a morte e a ressurreição.

Mas há um anúncio e uma proclamação (são, geralmente, sinônimos, mas o uso para duas situações na mesma frase indica que há uma distinção).


Por isso, na resposta dos fiéis ao Mysterium fidei, usa-se duas expressões diferentes:

 "Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição".


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15 de janeiro de 2014 13:47

Perdão, fiquei um pouco confusa, então não pode bater palma?

15 de janeiro de 2014 20:42

Amada irmã Sara,

Não só pode como deve, claro respeitando os momentos oportunos: No canto de entrada, no glória, na aclamação do evangelho e no canto final.

Shalom !!!

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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