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A EFERMIDADE E O SENTIDO CRISTÃO DO SOFRIMENTO – COMO CUIDAR DE DOENTES TERMINAIS ?

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 1 de julho de 2013 | 14:03




João 11,4: “Ao ouvir isso, Jesus disse: Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela".



J. B. Libanio


O sofrimento, o mal é mais que um problema. É um "mistério" (G. Marcel) irracional, escandaloso, inexplicável, injustificável. Às vezes, assume formas de "círculos infernais" de pobreza, violência, alienação racista e cultural, destruição da natureza pela poluição de vários tipos e, por fim, do círculo do absurdo, na medida em que, aparentemente, estamos fazendo do mundo um inferno (J. Moltamnn). O médico Rieux do romance de A. CAmus, La Peste, diante da morte de criança inocente, rejeita a resposta do jesuíta Paneloux que lhe sugeria "amar o que não podemos compreender". "Não, Padre", disse ele, "o que penso do amor é bem diferente. E me recusarei até a morte a amar essa criação em que as crianças são torturadas".


Inelutavelmente o ser humano é defrontado com o binômio radical de sua experiência. São dois mundos de vivências que lhe atravessam a existência, ora como duas realidades bem diferentes no momento e lugar, ora dilacerando-o interiormente em misto difícil de ser separado e até mesmo distinguido.


Os nomes do binômio são múltiplos, mas a realidade a que se referem tem identidade profunda. De um lado, estão a vida, o prazer, a felicidade, o bem, o gozo, a satisfação, o gosto, a realização, a plenitude, a fruição, o desfrute, o proveito, o usufruto - o Aurélio poderia ampliar a sinonímia. De outro lado, situam-se a morte, a dor, o sofrimento, o mal, a insatisfação, a frustração, o desgosto, o fracasso, a perda, a falta, a carência, etc.


Esta experiência persegue o ser humano desde seu berço até o túmulo, desde o início da humanidade até hoje. As formas de vivenciá-la assumem conotações culturais próprias. O nível de dramaticidade ou serenidade, de revolta ou suportabilidade, de sofreguidão ou continência, quer diante do pólo da vida, quer o da morte, não depende unicamente das atitudes individuais, mas paga tributo aos contextos históricos e culturais. E no coração da cultura, alguns saberes se interessaram de modo especial pelo sofrimento.


A química, a medicina esmiuçam a constituição orgânica, suporte do prazer e da dor, da euforia e da depressão, da pulsão de vida e de morte. A psicologia debruça-se sobre as estruturas anímicas para descobrir o segredo de transformar o pólo da morte em vida, e, quando inevitável, de saber suportá-lo sem angústia. A filosofia persegue a racionalidade humana até o extremo para ver se consegue decifrar o enigma desse binômio. Finalmente, as religiões vão mais longe e buscam sentido coerente para essa dupla experiência humana.


O título do artigo indica a natureza dessa reflexão. Entre as diversas respostas religiosas, o Cristianismo elaborou a sua, como luz última que faz aparecer sentido profundo para essa bipolaridade humana.


Dimensão antropológica do sofrimento


A experiência imediata e ineludível de todo ser humano é o desejo profundo da felicidade, como satisfação de suas aspirações. Não é bem útil que se busca como meio para obter outra coisa, mas tem caráter de realidade derradeira, final, última. A felicidade é buscada por ela mesma e nos envolve quando o bem desejado é alcançado.

O sofrimento, por sua vez, consiste em sensação de perda, de carência, de morte, seja física como espiritual. O bem almejado escapa-se de nossas mãos. Mais. Percebemos que o perdemos. No mais profundo de nosso ser, refugamos o sofrimento. Assim, quando alguém se diz desejoso de sofrer ou fazer os outros sofrerem, a psicologia suspeita imediatamente de alguma patologia masoquista ou sádica.

Interrogações e soluções a respeito do sofrimento

A felicidade pode e deve ser amada. O sofrimento, amado e buscado, revela faceta doentia do ser humano. Entretanto, o sofrimento é realidade tão humana que outro poeta pôde dizer:


“Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu.
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida, não chorou por amor e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem.
Só passou pela vida, não viveu...”

(Francisco  Otaviano  de  A.  Rosa)


Esta contradição profunda de ser feito para a felicidade, de um lado, e, de outro, condenado ao sofrimento levantou ao longo da história das religiões questões e respostas variadas.


Três grupos fundamentais de questões se fizeram a respeito do sofrimento:

1)- Antes de tudo, quis-se saber sua origem: de onde vem que o ser humano tenha que sofrer? A origem já podia explicar muito.

2)- O mal, ao pertencer inexoravelmente à experiência humana, como evitá-lo? Talvez sobre tal núcleo se tenha centrado mais a atenção dos humanos.

3)- E finalmente, não podendo ser totalmente superado, que sentido encontrar para o inevitável sofrimento?


Questões que se entrelaçam profundamente e que buscam solução articulada.


O hinduísmo e budismo vêm o sofrimento enraízado no desejo humano de tal modo que, ao suprir-se ou atenuar-se tal desejo, o sofrimento também é vencido. A felicidade final, o nirvana, se obterá no momento em que a individualidade, fonte dos desejos e do sofrimento, se perder dentro duma consciência universal.

Os gregos estóicos viam também na "apatia" a vitória sobre o sofrimento.

Sob certo sentido, o mundo ocidental consumista e hedonista tem, contraditoriamente, buscado tal solução.

O universo da propaganda açula ao máximo os desejos. E, em muitos casos, eles se concentram na área sexual. Segundo a leitura dos orientais e dos estóicos, o sofrimento é aumentado por causa do desvario dos desejos. Contudo, esta mesma sociedade vem trabalhando inúmeras técnicas psíquicas e substâncias químicas que ajam diretamente sobre os desejos a fim de aplacá-los. Aquece de um lado e esfria de outro.


O uso da droga desnorteia precisamente porque ela cumpre esta dupla função de levar ao máximo o prazer, a realização dos desejos, especialmente sensoriais e/ou de produzir situações de concentração, de recolhimento, de meditação.


Outros procuraram resolver o problema acreditando em dois princípios últimos, distintos, separados, que seriam responsáveis, um pelo bem, outro pelo mal. A origem do mal, do sofrimento remonta, neste caso, ao mundo divino, fora da responsabilidade humana. E a luta se trava então, antes de tudo, entre esses dois princípios fundamentais. As criaturas assistem indefesas a este conflito e drama divino. No máximo, os seres humanos podem combater o mal, o sofrimento, somando sua presença junto ao princípio do bem contra o princípio do mal.

Visão bíblico-cristã do Sofrimento Humano:


A revelação bíblica não escapou a esta pergunta básica da vida humana.

De onde vêm o mal, os sofrimentos? Como enfrentá-los? Que sentido têm no projeto de Deus?


Já nas primeiras páginas da Escritura, o autor sagrado descarta definitivamente a origem divina do mal, do sofrimento. Deus só pode estar do lado do bem, do amor, da felicidade, da vida, do gozo.


O verdadeiro mal e sofrimento brotam da liberdade humana que não assume o projeto divino, que não acolhe suas solicitações, que não corresponde a sua vontade de bondade.

As primeiras páginas da Escritura vão descrevendo terrível crescendo do mal, da dor, da miséria humana até terminar no dilúvio. No entanto, no meio a esta escuridão já se tinha acendido bem no início desse drama a chama esperançosa da vitória do bem sobre o mal, encarnado na serpente enganadora: "Sua descendência te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn 3, 15).


O livro de Jó transformou-se no símbolo mais vivo da luta interior do justo para entender o sofrimento. Nas suas diferentes interpretações, a tese central refere-se ao misterioso desígnio de Deus, que nunca é injusto, mesmo quando o sofrimento atinge os justos.


O Novo Testamento traz a iluminação final para o mistério do sofrimento com o exemplo de Jesus, o justo por excelência que sofre até o extremo de morrer numa cruz.

O Sofrimento na vida de Jesus:




À luz da vida de Jesus, o sofrimento adquire novo sentido. Antes de tudo, não é absurdo. Na sua realidade física, é fruto da condição humana, sujeita à fragilidade física e envolvida na trama das liberdades humanas. Os sofrimentos surgem, portanto, dessa nossa condição humana sujeita à dor, ao sofrimento e à morte, de um lado, e doutro, lançada dentro da história da liberdade dos homens.


Jesus conheceu essa dupla fonte de sofrimento. Padeceu as dores físicas da flagelação, da coroação de espinhos, da crucifixão e da certeza da morte que se aproximava. Sofreu-as na agudeza terrível da falta de qualquer alívio físico, desconhecido então e negado pelos torturadores. Viveu também estes mesmos sofrimentos e outros, já não somente como condição de sua natureza física, mas porque entrara em dolorosa história, tecida por decisões humanas boas e/ou perversas. Assim Jesus sofreu a livre traição de Judas, a fuga covarde dos apóstolos, o ódio dos inimigos, a trama de sua morte. Jesus participa assim da dimensão conflituosa da vida.


Ao assumir tal condição humana de sofrimento, sendo o próprio Filho de Deus feito homem, Jesus revelou aspectos divinos desse mistério. A escuridão do sofrimento é provisória. Terminou no esplendor da ressurreição.

E levanta-se então a pergunta: e nós como viveremos o sofrimento na nossa vida e história?




Duas palavras resumem nossa atitude diante do sofrimento: usar nossa capacidade humana para superá-lo e minorá-lo ao extremo, de um lado, e, de outro, assumi-lo, na sua inexorabilidade, no horizonte do amor, da entrega a Deus e aos irmãos.

A vitória provisória e limitada sobre o sofrimento está entregue à capacidade e liberdade humana.


Cada recurso físico-químico ou psíquico que suprime totalmente ou minora os sofrimentos, já é parcial vitória sobre eles. Hoje a medicina, servida pela bioquímica, consegue evitar muitos sofrimentos humanos.

A psicologia, com seus métodos terapêuticos, se não debela, ao menos, atenua sofrimentos psíquicos. Há, porém, sofrimentos físicos e psíquicos que desafiam definitivamente essas ciências.

Nunca será superado o caminhar para a morte com as doenças ou contingências que o acompanham.


Outra fonte de sofrimentos são as liberdades humanas que criam mutuamente inúmeras situações dolorosas. Em todos os campos da vida humana, a convivência humana, os acontecimentos históricos, criados pela liberdade humana, geram situações de sofrimento. Estas aumentarão ou diminuirão conforme educarmos nossa liberdade para um convívio de justiça, de acolhimento, de bondade, de misericórdia, de bondade. Há sofrimentos que decorrem de erros próprios e/ou alheios.


Mas, diante da inexorabilidade e inevitabilidade absoluta do sofrimento, encontramos algumas razões que trazem luzes, sem, porém, encontrar-lhe plena racionalidade.


O sofrimento é escola de humanidade:


Personalidades duras se abrem e se amaciam no momento em que experimentam o sofrimento, percebendo melhor sua solidariedade com os que sofrem em todos os campos.

Há sofrimentos que revelam a coragem de assumir uma causa, de aventurar-se e arriscar-se por ela. Temperam o caráter para a luta pela justiça, pela construção de sociedade nova.


Mas essas e outras razões nunca desvenderão o "mistério" do sofrimento. Ele manterá sempre o sabor amargo da injustiça. Golpeará violentamente inocentes e poupará, em muitos casos, ou, pelo menos, aparentemente, a vilões. E o próprio grito diante da injustiça é sofrido. Quem, há pouco, ouviu o grito inocente de 1.600 crianças diante de 2.000 soldados, vestidos de guerra, em nome do cumprimento da "justiça" para integrar as terras ocupadas pelos Sem-terra em Getulina (São Paulo), sofreu da mesma dor de outra justiça. A justiça dói, sobretudo quando a desumanidade se faz vestir da legalidade justificada.


A última palavra sobre o sofrimento não se encontra nas nossas luzes. Tem-se que recorrer à dimensão da fé. A revelação nos ensina que, o sofrimento, quando aceito no realismo de nossa condição humana física e histórica e assumido na liberdade amorosa pelos irmãos, não se perde na inutilidade de momentos dolorosos, mas tece a coroa imarcescível de nossa ressurreição. Pelo sofrimento, unimo-nos redentoramente a Jesus e participamos de seu destino final.


Vivendo o momento litúrgico pascal, podemos entender melhor como o sofrimento-cruz de Jesus, ao terminar na gloriosa ressurreição, aponta para onde nosso olhar deve dirigir-se em busca de alguma luz. Tudo o que há de bom, de beleza, de vida, de graça, de sofrimento acolhido e oferecido, de mistério vivido na dimensão de amor termina na ressurreição. Eis a última palavra!



Resumo:


Em vão se busca explicação racional e lógica para o sofrimento. Faz parte dos mistérios que envolvem a vida humana. Permanecerá sempre dolorosa pergunta do homem a Deus.

A única resposta da Revelação é afirmar, apesar do sofrimento e do mal, a solidariedade infinita de Deus conosco a ponto de assumir na pessoa de seu filho Jesus essa realidade e mostrar com a sua ressurreição que a vida triunfará sobre toda dor, toda lágrima, todo sofrimento, todo mal.


Cuidadores de doentes terminais:


A morte chega de muitas maneiras. Ora sem nenhum aviso prévio, em terrível surpresa por acidente, por infarto fulminante ou por algum AVC fatal. Ora ela avisa lentamente a proximidade pelos anos prolongados,  por doenças degenerativas, pelo câncer incurável e em avanço até o momento em que se divisa a reta final.


No primeiro caso, os cuidados voltam-se para os familiares golpeados abruptamente pela partida de ente querida. Nada a fazer com quem nos deixou, já que não nos se abriu nenhuma brecha entre o golpe final e a morte. O consolo aos parentes e amigos apela a diversas visões humanas e de fé em face da morte.


No caso da morte anunciada, o enfermo carece de ajuda especial para preparar-se para a passagem. Todas as experiências humanas podem ter alguma companhia física, exceto a morte. Cada um a faz por ele mesmo e sozinho. Mesmo duas pessoas morrendo no mesmo acidente, não morrem juntas, mas na distância intransponível da solidão absoluta da morte. Na fé, porém, sabemos que ninguém faz a última passagem sem companhia. Na oração dos agonizantes pedimos que os anjos assistam o moribundo. O termo anjo se estende a toda a Igreja da glória, começando pela presença da própria Trindade, da Virgem Maria e dos santos.


Entreguemos aos céus o encaminhamento último e perguntemo-nos como cuidar do doente terminal enquanto estiver entre nós, seja ainda no tempo de lucidez, seja mesmo quando se lhe apaguem os últimos neurônios da consciência.


No momento em que o enfermo se depara com a proximidade certa da morte, corta-lhe o coração terrível dor. Sou eu mesmo e por quê? Não, não pode ser verdade. Tempo da negação, do isolamento. Momento difícil para acompanhar o enfermo. Rói-lhe o interior o sentimento de injustiça. Por que ele está nesse estado terminal? Tal percepção vem-lhe de uma intuição que nasce do próprio corpo e das circunstâncias. Embora não se fale da gravidade da doença e ele mesmo conscientemente a silencie, no fundo tudo em volta respira tal situação de fatalidade. Trava-se-lhe dentro a batalha da verdade e da aceitação da verdade a respeito da própria situação. Ele corre atrás de algum médico que lhe diga palavra, ainda que não verdadeira, do consolo da cura. Visita os lugares de milagres. Pessoas que estavam longe da religião, entregam-se a devoções na esperança de vencer a doença. E com a atual abundância de pastores e de grupos carismáticos pregando e semeando curas, o paciente corre atrás deles.

Mas o verdadeiro cuidado não nasce de promessas que nos escapam. Porque da desilusão de não se curar brota a revolta. Em vez de bem espiritual, ao acenar aos doentes impossíveis curas, quando o caso já chega ao fim, geramos, não raro, ressentimento. Toca-nos ajudar a pessoa a aceitar a morte na esperança da vida eterna. Aí está a grande mensagem do Cristianismo !


Uma segunda explicação para o  sentido cristão do sofrimento humano:

 “Caríssimos, alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Cristo, para que possais também exultar de alegria na revelação da sua glória” (1Pd 4,13).

Uma questão que sempre se nos coloca:

“Mas por que Deus não criou um mundo tão perfeito que nele não possa existir mal algum? Segundo seu poder infinito, Deus sempre poderia criar algo melhor. Todavia, em sua sabedoria e bondade infinitas, Deus quis livremente criar um mundo “em estado de caminhada” para sua perfeição última. Juntamente com o bem físico existe, portanto, o mal físico, enquanto a criação não houver atingido sua perfeição.”


O sofrimento é essencial e inseparável da natureza humana e da existência terrena do homem. O homem sofre de diversas maneiras.

É algo mais amplo e mais complexo do que a doença, e mais profundamente enraizado na própria humanidade. Estamos falando do sofrimento físico e sofrimento moral, considerando a dupla dimensão do ser humano, quais sejam, o elemento corporal e espiritual.
Ao explicar o sentido cristão do sofrimento humano, o Beato João Paulo II, em sua Carta Apostólica “Salvifici Dolores” – O Sentido Cristão do Sofrimento Humano, já no início cita a frase de São Paulo, em Cl 1,24:

 “Completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja”.

O Beato vai buscar sua inspiração na Sagrada Escritura, que é um grande livro sobre o sofrimento, e conclui que o homem sofre quando experimenta um mal qualquer.

O homem sofre por causa do mal, que é a falta do bem. Ou seja, o homem sofre por causa de um bem do qual não participa.

Assim vem inevitavelmente a pergunta: por que? Por que o mal?

O homem, ao sofrer, sabe que sofre e se pergunta o porque. É bem sabido que quando se percorre o terreno desta pergunta, chega-se não só a múltiplas frustrações e conflitos nas relações do homem com Deus, mas sucede até chegar-se a negação de Deus. Mas, por outro lado, também pode tornar a pessoa mais madura, ajudá-la a discernir em sua vida o que não é essencial, para voltar-se aquilo que é essencial. Não raro, a doença provoca uma busca de Deus, uma conversão e um retorno a Deus.

João Paulo II inicia sua explicação a partir do Livro de Jó.

É conhecida a história desse homem justo que, sem culpa nenhuma de sua parte, é provado com inúmeros sofrimentos. Perde os seus bens, os filhos e filhas e, por fim, ele próprio é atingido por uma grave doença. O Livro de Jó demonstra que o sofrimento não é um castigo de Deus pelo pecado.

O sofrimento de Jó é o de um inocente, devendo ser aceito como um mistério que o homem não está em condições de entender totalmente com a sua inteligência, no entanto, no caso específico, o sofrimento tem caráter de prova.

O sofrimento tem um caráter salvífico. Salvação significa libertação do mal, e por isso mesmo, está em relação íntima com o problema do sofrimento. Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que viveu em tudo a condição humana, menos o pecado, tornou-se incessantemente próximo do mundo do sofrimento humano. No centro de seu ensino, propôs as oito bem-aventuranças, dirigidas aos homens provados por diversos sofrimentos na vida temporal. São os pobres em espírito, os aflitos, os que têm fome e sede de justiça, os perseguidos por causa da justiça. Cristo aproximou-se do mundo do sofrimento humano, sobretudo pelo fato de ter ele assumido sobre si este sofrimento, em cumprimento à profecia de Isaias, em especial o Quarto Canto do Servo sofredor (Is 53,2-6).

Deste modo, todo homem tem sua participação na Redenção, e cada um dos homens é também chamado a participar daquele sofrimento, por meio do qual se realizou a Redenção. Por isso, todos os homens, com o seu sofrimento, se podem tornar também participantes do sofrimento redentor de Cristo.

Paulo irá também dizer: “É preciso passar por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus” (At 14,22).

Portanto, a participação nos sofrimentos de Cristo é, ao mesmo tempo, sofrimento pelo reino de Deus. Aqueles que participam dos sofrimentos de Cristo estão também chamados, mediante os seus próprios sofrimentos, para tomar parte da glória.

Nesta concepção, sofrer significa tornar-se particularmente receptivo, particularmente aberto à ação das forças salvíficas de Deus, oferecidas em Cristo à humanidade. No sofrimento está como que contido um particular apelo à virtude que o homem deve exercitar. É a virtude da perseverança em suportar tudo aquilo que incomoda e faz doer.
Cristo não escondia aos seus discípulos a necessidade de sofrer. Pelo contrário, dizia claramente: “Se alguém quer vir após mim, tome sua cruz todos os dias” (Lc 9,23). É o caminho da porta estreita, que contrapõe-se ao caminho largo e espaçoso que, porém, leva a perdição (Mt 7,13-14). Assim como essas, há inúmeras outras citações ao longo dos Evangelhos, nas quais Jesus adverte sobre os sofrimentos.

No sofrimento se esconde uma força particular que aproxima interiormente o homem de Cristo. O fruto de semelhante conversão é não apenas o fato de que o homem descobre o sentido salvífico do sofrimento, mas sobretudo que no sofrimento ele se torna um homem novo.

Assim, no programa messiânico de Cristo, que é o programa do reino de Deus, o sofrimento está presente no mundo para desencadear o amor, para fazer nascer obras de amor para com o próximo, para transformar toda a civilização humana na “civilização do amor”, conforme ensina a parábola do Bom Samaritano. Cristo ensinou o homem a fazer o bem com o sofrimento e, ao mesmo tempo, a fazer o bem a quem sofre.

O Papa Bento XVI, em sua Encíclica Spe Salvi (Somos salvos na esperança) lança uma luz sobre o tema ao afirmar:

“Tal como o agir, também o sofrimento faz parte da existência humana. Este deriva, por um lado, da nossa finitude e, por outro, do volume de culpa que se acumulou ao longo da história e, mesmo atualmente, cresce de modo irreprimível. Devemos – é verdade – fazer tudo para superar o sofrimento, mas eliminá-lo completamente do mundo não entra nas nossas possibilidades, simplesmente porque não podemos desfazer-nos da nossa finitude e porque nenhum de nós é capaz de eliminar o poder do mal, da culpa que – como constatamos – é fonte contínua de sofrimento. Isto só Deus o poderia fazer: só um Deus que pessoalmente entra na história fazendo-Se homem e sofre nela. Nós sabemos que este Deus existe e que por isso este poder que « tira os pecados do mundo » (Jo 1,29) está presente no mundo. Com a fé na existência deste poder, surgiu na história a esperança da cura do mundo. Mas, trata-se precisamente de esperança, e não ainda de cumprimento; esperança que nos dá a coragem de nos colocarmos da parte do bem, inclusive onde a realidade parece sem esperança, cientes de que, olhando o desenrolar da história tal como nos aparece exteriormente, o poder da culpa vai continuar uma presença terrível ainda no futuro.Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor”.

Devemos unir nosso sofrimento com o sofrimento de Cristo, conforme Col 1, 24:

“Agora regozijo-me nos meus sofrimentos por vós, e completo o que falta às tribulações de Cristo em minha carne pelo seu Corpo, que é a Igreja”, e ainda em Rm 8,17: “E se somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, pois sofremos com Ele para também com Ele sermos glorificados”.

Finalmente convém destacar que o sofrimento experimentado por todos os seres humanos de todos os tempos não é a vontade de Deus para a criação.

No entanto, Deus permite o mal, respeitando a liberdade de sua criatura, e misteriosamente, sabe auferir dele o bem: “Onde foi grande o mal, foi bem maior a graça” (Rm 5,20).


Oração por um enfermo:
“Onipotente e benigníssimo Deus, que sois a salvação eterna de todos os que crêem em Vós, escutai as orações que Vos dirigimos por este enfermo, Vosso servo. Afastai dele tudo quanto o aflige e fazei, em Vossa misericórdia, que todos os remédios aplicados ao seu mal lhe sejam salutares. Em Vós, ó, único autor e conservador da vida e árbitro supremo da nossa sorte, pomos toda a nossa confiança; e, embora nos esforcemos por todos os meios possíveis para lhe restabelecera saúde, todavia é de Vós só que tudo esperamos. Ouvi, Senhor, nossas preces e as deste enfermo, para que alegres possamos com ele prestar-Vos a homenagem do nosso reconhecimento. Tu és o Médico divino. Tu dás a Vida e a Vida em plenitude àqueles que Te buscam. Por isso, Senhor, de um modo especial, te pedimos a cura de todo tipo para todo mal, principalmente daquilo que o aflige neste momento. Sabemos que não queres a ausência da saúde, porque és de Todo Sumo Bem. Opera Senhor (em nome de Jesus sobre mim e/ou citar o nome...), uma profunda cura física e espiritual conforme a Tua Santa Vontade.Que seja operada diretamente pela ação poderosa de Teu Espírito Santo ou através do médico (citar o nome do médico) e dos remédios! Senhor, aumenta a nossa Fé no Teu Poder e no infinito Amor que tens (por mim e/ou em nome de Jesus: citar o nome). Aumenta a nossa Fé, Senhor, que às vezes nestes momentos de angustia e dor se fragiliza.Acreditamos no Teu poder curador, meu Deus, desde já agradeço humildemente por toda obra que estás realizando neste corpo (citar o seu órgão em nome de Jesus no órgão de...) neste momento.Além de mim, Senhor, quero pedir proteção a todos que estejam na mesma situação e pediram orações para Cura.Peço pelos familiares deste enfermo e por todos que o ajudam a carregar sua Cruz.Tu conheces a cada um deles, sabes as provações pelas quais estão passando! Misericórdia, e socorro para todas pessoas que suas enfermidades sejam amenizadas.Eu Te bendigo, porque clamei a Ti e Tu me ouviste.”Está nas Tuas mãos ensanguentadas e benditas, Senhor. Graças ao teu Santo Nome, porque só Tu Senhor, sois digno de eterno louvor...”

Amém

PASSAGENS DE CONFIANÇA:



1)- Se você está doente:

"Está alguém entre vocês doente? Chame os presbíteros da igreja e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados." (Tiago 5,14-15).

"Bendito seja o Senhor, que de dia em dia nos carrega de benefícios, o Deus que é a nossa salvação. O nosso Deus é o Deus da salvação. A Deus, o Senhor, pertencem os livramentos da morte." (Salmo 68, 19-20).

2)- Se você está angustiado:

"Por isso nunca ficamos desanimados. Mesmo que nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito se renova a cada dia. Essa pequena e passageira aflição que vivemos vai nos trazer uma glória enorme e eterna, muito maior que o sofrimento..." (2 Coríntios 4,16).

3)-Se você está se sentindo sozinho:

"Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitário e aflito. As ânsias do meu coração se têm multiplicado, tira-me dos meus apertos. Olha para minha aflição e para minha dor, e perdoa todos os meus pecados." (Salmo 25,16-18).

4)- Se você está desanimado:

"Ele dá força ao cansado, e multiplica as forças aos que não têm nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão.Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias, correrão, e não se cansarão." (Isaías 40,29-31).

“LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”
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CIDADÃO DO MUNDO, NORDESTINO COM ORGULHO, Brazil
Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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