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A Terceira via ? O Populismo de esquerda como alternativa ao Socialismo e Comunismo ?

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 14 de junho de 2012 | 09:18


Marxismo, populismo e classe operária

(Por Edilson Sales)

Em todos os lados, hoje, vemos o populismo avançar e ganhar posições, tanto no plano político quanto principalmente no plano ideológico, num terreno que deveria ser (e que deverá ser no futuro) ocupado pelo marxismo revolucionário: o terreno da contestação da ordem de coisas existente do ponto de vista dos setores mais explorados e oprimidos da população.


Dedicaremos um próximo artigo à crítica àqueles que aninham idéias populistas sob a roupagem de elementos furtados ao marxismo. Aqui, tomaremos como adversário o populismo por assim dizer mais “puro”. Buscaremos responder acerca dos motivos do atual “êxito” do populismo (em última instância, os mesmos que determinarão infalivelmente sua derrota posterior), assim como sobre seu conteúdo, seu significado histórico, suas perspectivas ou, mais propriamente dito, sua ausência de perspectivas.

Devemos contudo, fazer ainda um esclarecimento prévio, uma vez que a palavra populismo é muito utilizada em nosso país com um significado muito diferente do que o que se consagrou na tradição do movimento operário mundial.


O “populismo” , segundo o dicionário de classe da burguesia brasileira

No Brasil, a burguesia utiliza as expressões populismo e populista de uma maneira particular. São expressões em geral utilizadas com um forte tom pejorativo, para caracterizar determinadas lideranças políticas, porém com o objetivo claro de mascarar a realidade, de distorcê-la com o objetivo fundamental de retirar das massas o protagonismo em processos históricos chave.

Assim, a burguesia, através de seus intelectuais e de sua mídia, chama de “populistas” os governantes que tentam se relacionar mais diretamente com as massas, privilegiar o contato direto baseado no “carisma” e em “grandes gestos” , em detrimento da política institucional ordinária.

Na verdade, nesses casos quando se fala em “populismo” , o que existe são governantes de traços mais ou menos bonapartistas, ou seja, que buscam se elevar por sobre as classes e as frações de classe, no intuito de controlar um processo de crise, de disputas entre os diferentes setores da burguesia e, fundamentalmente, de ativação política das massas, mesmo que apenas embrionária, contra a dominação de classe da burguesia.

Nesses momentos históricos, tendem a surgir lideranças burguesas que tentam se elevar por sobre essas lutas e disputas, e garantir a continuidade da dominação burguesa através de uma combinação, particular em cada caso, de concessões ao movimento de massas, repressão brutal a seus setores mais radicalizados e em especial à sua vanguarda revolucionária, e também de ataques a setores da própria classe dominante, seja para ajudar a descarregar a crise existente, seja para ganhar legitimidade ou apoio entre as massas para poder discipliná-las.

Quando frente a esse tipo de situação histórica, a burguesia utiliza o termo “populista” , isso configura uma manipulação ideológica no sentido de:

a) negar a crise existente, ou pelo menos sua inteira profundidade;

b) negar a atividade excepcional das massas, bem como o temor da burguesia diante dela, como um dos componentes centrais da crise;

c) mascarar a verdade elementar de que, sob os “gestos demagógicos” do líder populista, se concentram os interesses históricos de toda a classe burguesa em seu conjunto, ainda que não imediatamente os de todas as suas frações;

d) ligado ao anterior, identificar as concessões às massas como pura “demagogia” pessoal do líder bonapartista (“populista” ), e não como vitórias parciais do movimento de massas que avança cada vez mais ameaçadoramente sobre o edifício apodrecido do regime burguês; e, finalmente, e) preservar ao menos um setor, “democrático” ou “institucionalista” , da própria burguesia, para o caso de que o “bonaparte” (o “salvador da pátria” da ocasião) fracasse e de que seja necessário buscar outros mecanismos para desviar o movimento de massas ascendente.

Como se vê, é uma terminologia completamente mistificadora, e não podemos, portanto, mais do que lamentar o fato de que setores da esquerda tenham adotado tal significado antimarxista, para essa que foi e continua sendo uma categoria tão importante na delimitação política do partido do proletariado revolucionário.

Populismo e marxismo:

Mas então, retornando ao tema principal:
Qual o significado da categoria populismo para os marxistas? Em que consiste, e quais são seus traços distintivos?

A palavra populismo surge no vocabulário dos revolucionários a partir da realidade russa de fins do século dezenove, antes do surgimento do bolchevismo, quando havia um movimento subversivo de caráter terrorista contra o czarismo.

Os primeiros militantes desse movimento não conheciam ou não aceitavam o marxismo como teoria e nem a classe operária como classe revolucionária de vanguarda, e eram conhecidos como narodniki, que significa “populistas” em russo.

Na Rússia daquela época, os populistas acreditavam num desenvolvimento histórico russo em separado do capitalismo internacional, e acreditavam que o terrorismo individual ou de pequenos grupos poderia substituir a ação das massas na tarefa de derrubar o czarismo.

Paralelamente, afirmavam que o regime da pequena propriedade rural típico da antiga aldeia russa iria se eternizar como a forma acabada da “particularidade do comunismo russo” .

Apesar de sua bravura no combate contra a autocracia czarista, devido aos seus pontos de vista fundamentalmente equivocados, os populistas jamais poderiam cumprir um papel progressivo, e tão logo o movimento operário russo começou a se organizar, passaram a cumprir um papel claramente reacionário, combatendo a influência social e política da classe operária entre as massas e em particular a influência política e ideológica dos marxistas russos.

Mais tarde, no decorrer do século vinte, a história do movimento operário de todos os países demonstrou que o populismo não era um fenómeno apenas russo.

Ao contrário, em todas as partes, com características peculiares em cada lugar, o populismo se mostrou uma resistência pequeno-burguesa tanto ao desenvolvimento do capitalismo, por um lado, como também (e daí seu caráter reacionário) ao crescimento da influência política da classe operária e de sua vanguarda revolucionária.

Como se expressa então o populismo no Brasil? Quais são as suas características principais?

Em primeiro lugar, o populismo se distingue pela louvação da pobreza, da escassez material, do “povo” tomado como abstração. Transforma todos os seus vícios em virtudes, toma as características que a miséria capitalista imprime às massas como qualidades especiais dessas mesmas massas.

Isto está diretamente ligado ao fato de que, com as diferenças de cada caso, o traço comum a todos os populistas é a negação do desenvolvimento e do progresso, e a exaltação do atraso. Isso acarreta uma série de conseqüências, e a partir desse traço comum são muitas as posições divergentes.

Abordaremos aqui apenas as principais, e mesmo assim de maneira ligeira e esquemática:
1)- Do ponto de vista político-ideológico, o populismo é a negação do papel preponderante da classe operária como combatente de vanguarda pela emancipação humana.

2)- Do ponto de vista da concepção da história, é a negação do papel preponderante do desenvolvimento das forças produtivas na evolução da sociedade humana. Como conseqüência, é também a negação do comunismo, isto é, da possibilidade de uma sociedade em que o avanço das forças produtivas do trabalho, do domínio social do homem sobre suas próprias potências, em que o reconhecimento do caráter social de todas as capacidades e de todas as realizações humanas constituirá o ponto de partida para toda a vida social.

3)- Herdeira de uma certa concepção romântica e, em última instância, irracionalista da história, a posição populista não pode superar uma visão utópica, no máximo igualitarista e pequeno-burguesa, mas por definição não proletária e comunista.

4)- Defende a utopia da extensão da pequena propriedade para todos, e por isso é adversária tanto da concentração monopolista do capital, quanto da socialização dos meios de produção e planificação centralizada da economia.

5)- É a mentalidade do pequeno produtor agrícola, do pequeno comerciante, do trabalhador de pequena empresa ou oficina que ainda não se reconheceu enquanto classe, do profissional autónomo, do estudante e do jovem que ainda não definiu seu lugar na produção.

6)- Por trás de todo populista e seu amor “à massa do povo” , se esconde um pequeno individualista. O populista se choca objetivamente a cada passo com o capitalismo, pois este esmaga dia a dia impiedosamente seus sonhos idílicos de pequeno proprietário autónomo; porém o verdadeiro ódio do populista vai dirigido contra os marxistas, que desmascaram seus sonhos pueris, desvendam o estreito interesse pequeno-burguês por trás desses sonhos, e ilustram as razões da derrota inexorável de seu “projeto” .
7)- O outro lado disso é a grande vulnerabilidade do populista, sua propensão a ser cooptado ao menor sinal de concessão, por menor que ela seja. É que, ao não ligar a luta do povo pobre à aliança com a única classe capaz de dirigir o conjunto da população oprimida contra o poder burguês, ao tentar manter essa luta à margem do movimento operário, são obrigatoriamente empurrados para os braços de setores da própria classe dominante, e passam a fazer girar seus movimentos em torno do atrelamento ao Estado ou às empresas capitalistas pela via das ONGs.

8)- As palavras chave para identificar a tendência populista no Brasil são: povo pobre, periferia, favela, e, mais do que qualquer outra, “excluído” . Em sua ala direita, ela se aproxima da caridade cristã, e prega a compaixão, o pacifismo e o voluntariado. É o populismo da solidariedade entre as classes, do trabalho voluntário aos fins de semana, das doações por boa vontade.

9)- Em sua ala esquerda, se aproxima mais da perspectiva revolucionária, porém com uma visão ainda demasiado abstrata do conteúdo e da dinâmica da revolução social. O que conta para o populista de esquerda é muito mais a espontaneidade ruidosa, a explosividade superficial e desorganizada, a revolta sem meta estabelecida, do que a eficiência revolucionária, a clareza de objetivos, a perseverança disciplinada, a preparação para a ação, a compreensão teórica da realidade e dos fundamentos da práxis revolucionária. Por isso mesmo, nega decididamente a classe operária, a necessidade da vanguarda, o partido revolucionário, a ditadura do proletariado e, assim, toda a teoria marxista.

10)- Em sua ala direita, exalta os “excluídos” como vítimas, e seu programa se resume à luta por migalhas que possam “incluí-los novamente” no sistema. É o populismo das “políticas públicas” . Em sua ala esquerda, procura nos “excluídos” , precisamente devido a sua marginalidade, a capacidade de luta mais radical contra o capitalismo, e seu programa se resume a inflamá-los para que sua explosão social possa derrubar o capitalismo, sem os métodos e sem a organização operária, quase como num passe de mágica.

11)- As principais expressões políticas dessas diferentes alas do populismo no Brasil são: o MST, a esquerda católica, a Consulta Popular (ligada ao PT) e o MTL (corrente interna do PSOL), além de grupos menores de inclinação maoísta ou semi-anarquista.

Recuperação proletária, fenómenos populistas e consciência revolucionária:

Hoje as derrotas mais duras do proletariado internacional já estão no passado, mas a consciência atual dos trabalhadores (assim como da juventude que recém ingressa na vida política) continua vivendo os ecos dessas derrotas; é como se, mesmo nas consciências de importantes setores de vanguarda, essas derrotas tivessem uma sobrevida, e aquilo que começa a ser superado na prática ainda é reafirmado no plano das idéias.

Por outro lado, o que prima ainda na realidade, mesmo do ponto de vista objetivo, são os fenómenos populistas, das lutas camponesas na América Latina até a resistência popular iraquiana. Essas são as bases reais para a atual sobrevida da ideologia de “resistência” alimentada pela esquerda durante os anos em que a classe operária retrocedia. No entanto, em cada luta operária que avança hoje, em cada jovem que estende seu braço para apoiar essa luta, cai por terra um pequeno pilar do populismo.

Por último. Uma coisa une todos os populistas: o medo ou pelo menos a desconfiança diante do futuro, do progresso, do desenvolvimento científico e tecnológico.

Esse típico traço psicológico nada mais é que fruto de sua incapacidade de pensar o futuro como terreno da emancipação do homem, do pleno domínio do homem sobre as potências naturais, das quais suas próprias potências não são mais do que uma parte.

Também aqui, não poderiam estar mais distantes dos marxistas revolucionários, da política operária e do comunismo.

GRIFO MEU: ( Autor do blog Beraka): "O Populismo não resolve os problemas de base, nem muito menos implementa as reformas de base necessárias para o desenvolvimento que são as: Reforma Tributária,Agrária,Educacional,Política, Jurídica, bem como a Previdenciária.Ficam a tratar do doente dando apenas AAS para a febre, sem dar o antibiótico para tratar a infecção. São paliativos para manter a popularidade em alta, mas que mascaram as reais condições necessárias paras as mudanças."
 



Fonte: http://www.ler-qi.org/spip.php?article366
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