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A aparição de Moisés teria sido uma “MERA VISÃO FANTASIOSA “ ?

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 30 de novembro de 2011 | 12:10



A Bíblia jamais declara em lugar algum que Moisés voltou dentre os mortos. Ao contrário do que diz a antibíblica, obscura e bizarra “teoria da ressurreição de Moisés”, as Escrituras declaram, abertamente, que o cadáver desse grande servo de Deus jaz, até hoje, numa sepultura de localização incerta, “na terra de Moabe” (Dt 34.6), aguardando o dia da ressurreição dos justos.


Isso, sim, é ensinado claramente na Bíblia.


Pretendendo negar a aparição literal de Moisés, algumas pessoas (temendo Cair na heresia do espiritismo) alegam que os discípulos viram esse personagem do AT por meio de uma “visão extática”, uma espéciede arrebatamento de sentidos.


MAS TERÁ SIDO APENAS ISTO MESMO ?


E, por conta disso, essa experiência teria dispensado o comparecimento real, literal do espírito de Moisés no Monte da Transfiguração. Tal forma de pensar apóia-se numa única palavra fora de seu contexto e que desconsidera os outros dois relatos paralelos desse incidente—que Jesus disse aos Seus discípulos: “E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos” (Mt 17.9).


E é em cima dessa única palavrinha do texto, portanto, que repousa todo o argumento que rejeita a literalidade da aparição de Moisés.


Porém, o uso da palavra “visão”, nesse versículo, de forma alguma indica que aqueles eventos só puderam ser vistos pelos “olhos espirituais” dos discípulos, como se Deus tivesse realizado alguma obra sobrenatural neles, a fim de capacitá-los a enxergar coisas que eles não conseguiriam enxergar naturalmente, com os olhos físicos.


Para comprovar isso, nos parágrafos seguintes trabalharei a seguinte questão:

“A palavra ‘visão’, em Mateus 17.9, refere-se a uma experiência extática dos discípulos, por meio da qual eles conseguiram ver Moisés e Elias?

Ou seja, essa visão não teria exigido a presença literal de Moisés e Elias no Monte da Transfiguração?

Ou a palavra ‘visão’ nesse versículo refere-se a acontecimentos literais que os discípulos viram literalmente, com os olhos naturais?”.

Comprovando-se que Jesus usou “visão” com esse último sentido, então é óbvio que tudo aquilo que aconteceu no Monte da Transfiguração foi literal, inclusive a aparição do espírito do falecido Moisés.



Em primeiro lugar, a maneira natural como esse incidente é narrado por Mateus, Marcos e Lucas só se harmoniza com a idéia de que tudo aquilo que ocorreu naquele monte foi literal.

Vejamos, por exemplo, a maneira como Lucas narra o acontecimento:


“E aconteceu que, enquanto ele [Jesus] orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura” (Lc 9.29).


Ninguém seria capaz de dizer que essa oração que Jesus fez não foi literal, não é mesmo?

Obviamente, Jesus, literalmente, ajoelhou-se e passou a falar com o Pai. E essa transfiguração mencionada, ocorrida no rosto de Jesus, ela foi literal?

Sim,pois não há absolutamente nada nesse ponto da narrativa de Lucas que sequer insinue que a oração de Jesus foi literal, mas que a transfiguração do rosto dEle não o tenha sido.

Sem dúvida alguma, tanto a oração de Jesus quanto essa transfiguração de Seu rosto foram acontecimentos literais observados.


Prosseguindo em seu relato, Lucas diz:

 “Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias, os quais apareceram em glória e falavam da sua partida...” (Lc 9.30, 31).


Agora chegamos ao ponto que nos interessa: Essa aparição de Moisés e Elias, ela foi literal?

É claro que sim. E por quê?

1)- Ora, como podemos dizer que essa aparição não foi literal, se os acontecimentos que a antecederam (a oração de Jesus e a transfiguração do rosto dEle) o foram?.


2)- Acaso existe uma única palavra ou expressão nos versículos de 29-31 que sugira que somente a aparição de Moisés e Elias não foi literal? Não.

3)- Portanto, é impossível que uma leitura objetiva, honesta, sensata e imparcial de Lucas 9.29-31 (assim como dos relatos paralelos de Mateus e Marcos) leve alguém a negar a aparição literal desses dois personagens do AT.

4)- Isso, portanto, demonstra que a palavra “visão”, em Mateus 17.9, não foi usada para falar de uma visão extática que os discípulos teriam tido, que os tivesse capacitado a enxergar Moisés e Elias.


5)- Essa palavra se refere a acontecimentos literais que os discípulos viram literalmente. A maneira como Lucas (bem como Mateus e Marcos) narra o incidente do Monte da Transfiguração inescapavelmente nos leva a essa conclusão!



Na sentença: “A ninguém conteis a visão” (Mt 17.9), notem que Mateus registrou essa recomendação de Jesus na primeira pessoa, reproduzindo as palavras exatas que o Mestre pronunciou.

Em seu registro, Mateus fez uso daquilo que chamamos “discurso direto”. Porém, Marcos e Lucas, ao registrarem essa mesma recomendação, usaram a terceira pessoa, naquilo que denominamos “discurso indireto”: “Ao descerem do monte, ordenou-lhes Jesus que não divulgassem as coisas que tinham visto” (Mc 9.9);


“Eles calaram-se e, naqueles dias, a ninguém contaram coisa alguma do que tinham visto” (Lc 9.36).




Para Marcos e Lucas, portanto, Jesus apenas disse aos discípulos: “Não contem a ninguém as coisas que vocês viram”.



E essas coisas que os discípulos viram mas não deveriam contar a ninguém, elas aconteceram literalmente ou não?


É aqui que o contexto no qual “visão” ocorre é de capital importância para obtermos uma resposta.

Como vimos no primeiro ponto acima, a maneira como Mateus, Marcos e Lucas narram o incidente do Monte da Transfiguração não deixa dúvida: a oração de Jesus, a transfiguração do rosto dEle e a aparição de Moisés e Elias foram acontecimentos literais, minuciosamente detalhados.


Logo, é evidente que “visão”, em Mateus 17.9, refere-se às “coisas [literais] que [os discípulos] tinham visto [literalmente]”, incluindo a aparição literal do falecido Moisés!


Em terceiro lugar, o texto diz, claramente, que houve uma comunicação real entre Jesus e Moisés e Elias:


“Eis que dois varões falavam com ele [com Jesus]: Moisés e Elias, os quais apareceram em glória e falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém” (Lc 9.30, 31; v. tb. Mt 17.3; Mc 9.4).

Ora, uma comunicação real obrigatoriamente exigiria a presença real, literal de Moisés e Elias naquele monte, como os argumentos anteriores comprovaram.




Portanto, temos aí mais um argumento que solidifica, ainda mais, a tese de que a palavra “visão”, em Mateus 17.9, refere-se às coisas literais que foram vistas literalmente pelos discípulos, não tendo absolutamente nada a ver com alguma visão extática.


Resumindo, o relato propositalmente minucioso  do Monte da Transfiguração diz claramente que:


1. O rosto e as vestes de Jesus passaram por uma transformação literal;

2. Moisés e Elias apareceram, literalmente, num ponto geográfico (um monte);

3. Os discípulos viram, literalmente (com os olhos físicos), Moisés e Elias;

4. Houve uma comunicação real e literal entre o falecido Moisés e Jesus;

5. Uma nuvem luminosa desceu, literalmente, sobre os discípulos;

6. Os discípulos ouviram, literalmente, a voz do Pai;

7. Os relatos paralelos de Marcos e Lucas explicam o sentido com o qual Jesus pronunciou a palavra “visão” em Mateus 17.9. Essa palavra apenas se refere às coisas literais que os discípulos viram literalmente.



Quando a literalidade da aparição do falecido Moisés é negada, transmite-se a idéia de que Deus não teria poder suficiente ou autorização de alguma de Suas criaturas para realizar essa obra. ( A DEUS NADA É IMPOSSÍVEL).Portanto, não diminuamos a Onipotência e Poder absoluto de Deus.



Porém, será que o Deus eterno, onisciente, onipresente e todo-poderoso, o Soberano Governador, Aquele que criou todas as coisas do Universo a partir do nada, que criou as coisas visíveis eas invisíveis, Aquele que fez a Terra parar de girar e uma jumenta falar, que ressuscitou Lázaro após este permanecer quatro dias morto, Aquele que inclusive criou o Sheol para ser a habitação dos espíritos humanos desencarnados, será que esse Deus não teria poder para retirar o espírito de Moisés do Sheol e fazê-lo conversar, por alguns momentos, com o Salvador do mundo encarnado?



É preciso recordar que Isto não é a Regra da ação de Deus, se não estaríamos caindo em Espiritismo, mas a exceção de Deus, por iniciativa D’Ele, e não por EVOCAÇÕES e desejos humanos. Assim como Maria foi a exceção de Deus em  ter nascido sem Pecado, em virtude da missão de  dar sua carne para a encarnação do Cristo, e o impuro não pode encarnar algo Puro, é ilógico.


Por que Moisés não poderia ter aparecido, literalmente, no Monte da Transfiguração? Acaso Deus estaria pecando, contradizendo-se, deixando de ser Deus, indo contra a Bíblia ou Sua própria natureza, ou praticando a necromancia  ou EVOCAÇÃO DE MORTOS se fizesse isso acontecer?



Assim como Deus trouxe Samuel, literalmente, para levar uma mensagem de condenação a tudo aquilo que Saul era e fazia (1Sm 28), milhares de anos depois trouxe Moisés, literalmente, para levar uma mensagem de total aprovação ao Seu “Filho amado”, o Messias de quem a Lei e os Profetas dão amplo e claro testemunho!



É possível explicar a aparição de Moisés sem crer na imortalidade da alma?


De acordo com algumas pessoas, o homem não possui nenhuma porção imaterial e imortal em sua natureza, que sobreviveria independentemente do corpo.

Em vez de ter uma alma, o ser humano seria uma alma.


Conforme essa concepção antropológica, toda e qualquer atividade consciente estaria restrita  somente ao cérebro, de modo que a morte deste assinalaria o fim da personalidade humana:



A ressurreição do corpo é necessária para a vida no mundo por vir, pois o Novo Testamento nunca aceitou a crença na imortalidade da alma.

A vida sem o corpo é inconcebível.

Uma vez que o corpo é nossa existência humana concreta, sua ressurreição é indispensável para assegurar uma personalidade e vida plenas na nova Terra.

“...não há lembrança do Senhor na morte: “Pois na morte não há recordação de Ti; no sepulcro quem te dará louvor?” (Sl 6:5).



Segundo os proponentes desse ponto de vista, a morte humana seria um mergulho num estado de literal inexistência, inconsciência. Popularmente, essa visão acerca do pós-túmulo é conhecida como “sono da alma”4, e é ensinada pelos adventistas do sétimo dia (ASD) e pelas testemunhas de Jeová (TJ).É bom lembrar que NEM TODOS OS PROTESTANTES COMPARTILHAM DESTA TESE.



No entanto, como que esse ponto de vista explica a aparição do falecido Moisés no Monte da Transfiguração?


Se a morte do corpo assinala toda e qualquer forma de vida humana consciente, então como que Moisés manifestou-se a Jesus naquele monte?


ASD e TJ acreditam terem encontrado uma explicação para relato bíblico tão inconveniente para aquilo em que acreditam:

1)- Moisés ressuscitou !!!??? -  Foi o corpo ressurreto, glorificado desse homem de Deus que teria aparecido no Monte da Transfiguração, e não alguma alma ou espírito dele.


2)- Além disso, a ressurreição de Moisés, segundo ASD e TJ, não teria sido igual às demais ressurreições relatadas na Bíblia: nestas, as pessoas tornaram a morrer anos mais tarde, naquela, porém, Moisés recebeu um corpo incorruptível, não mais sujeito à morte.


3)- A ressurreição de Moisés teria sido da mesma natureza da de Jesus. Assim, ASD e TJ tentam explicar o incidente do Monte da Transfiguração por meio da “teoria da ressurreição de Moisés”, e não através da doutrina da imortalidade da alma, e essa tentativa, como demonstrarei logo a seguir, acaba afetando, negativamente, a Teologia cristã.


Ensina Judas 9 que Moisés já ressuscitou?


Diante da “teoria da ressurreição de Moisés”, nada mais natural que nós, leitores atentos das Escrituras, perguntemos:


“Onde está escrito, na Bíblia, que Moisés já ressuscitou?”.


Em resposta, ASD e TJ são unânimes em apresentar o texto de Judas 9, que, segundo eles, narraria esse milagre:

Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda.



Segundo eles, essa contenda entre o arcanjo Miguel e o Diabo teria sido para ressuscitar Moisés. Ao final dessa disputa, Miguel teria trazido Moisés de volta à vida.

Porém, para que esse arcanjo pudesse ter realizado semelhante milagre, ASD e TJ viram-se obrigados a identificá-lo com Jesus.


E como tal identificação foi feita?


A partir da associação de alguns textos convenientemente escolhidos (Js 5.13-15; Dn 8.25; 9.25, 26; 10.13, 21; 12.1; 1Ts 4.16; Jd 9, etc.). (Vemos aqui a  antiga e velha técnica conhecida de Lutero: “ Tirar texto do contexto para servir de pretexto à suas heresias)”.


Assim, após aquela discussão com Satanás, o “arcanjo Jesus” teria levantado Moisés dentre os mortos, e isso explicaria a aparição desse servo de Deus no Monte da Transfiguração.



No entanto, não existe a menor possibilidade de o texto de Judas 9 ser usado para defender a “teoria da ressurreição de Moisés”.


Abaixo algumas razões por que entendo que ASD e TJ estão torcendo e distorcendo esse versículo bíblico, forçando-o,  a fim de defender seu ponto de vista.



Em primeiro lugar, apenas duas perguntas objetivas, diretas sobre o que está escrito em Judas 9 já comprovam que esse texto não está, de forma alguma, ensinando que Miguel levantou Moisés dentre os mortos:


1ª)- Está escrito, em Judas 9, que a discussão entre Miguel e o Diabo foi a fim de ressuscitar Moisés? Não !!!.

Esse versículo diz, inquestionavelmente, que a contenda foi “a respeito do corpo de Moisés”.

Porém, ASD e TJ, pensando somente em como explicar a aparição do falecido Moisés no Monte da Transfiguração, vão além do que está escrito.




Ao associarem uma porção de textos bíblicos, a fim de construírem a tese de que o arcanjo Miguel é Jesus, o que ASD e TJ querem, na realidade, é tentar negar que a imortalidade da alma esteja sendo ensinada no relato do Monte da Transfiguração.


Porém, essa tentativa traz um alto ônus teológico.



Primeiro, precisam identificar esse arcanjo com Jesus, o que é uma grande heresia.


Depois, com base numa leitura distorcida de Judas 9, concluem que esse arcanjo, agora elevado à categoria de segunda pessoa da Trindade, ressuscitou Moisés.


Enfim, quando se deparam com o inconveniente relato da aparição de Moisés, ASD e TJ, em vez de reconhecerem que essa aparição é uma prova bíblica em favor da sobrevivência consciente da alma perante a destruição do corpo, preferem não somente distorcer o texto sagrado de Judas 9, mas também agarrar a ignominiosa idéia do anjo nomeadamente  Miguel ser Jesus , ( Isto é quere forçar demais o texto).


Está escrito, em Judas 9, que Miguel venceu a disputa que teve com o diabo e, em seguida, ressuscitou Moisés?

Absolutamente NÃO !!!

Os únicos que dizem que Miguel ressuscitou Moisés são os ASD e as TJ, e não o texto sagrado.


Logo, como que ASD e TJ são capazes de concluir, com base em Judas 9, que o arcanjo Miguel ressuscitou Moisés?

Somente uma interpretação forçada e tendenciosa, na qual o intérprete força esse versículo a dizer aquilo que ele quer que o texto diga, pode levar a tal conclusão. A isto a teologia denomina “EIXEGESE”, que é injetar no texto o que eu acho, ao contrário da Exegese que é extrair deste mesmo texto o que ele realmente quer dizer de forma literal, levando-se em conta o contexto em que foi escrito.


Porém, uma leitura objetiva e imparcial de Judas 9, em que o leitor deixa esse texto falar por si mesmo, jamais desembocaria na extravagante “teoria da ressurreição de Moisés”, como as duas perguntas que deixei acima comprovaram.



Em segundo lugar, existem textos mostrando que Jesus, e não Moisés, foi o primeiro homem a experimentar a ressurreição plena:Isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro [gr. protos] da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios (At 26.23).



Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que morreram (1Co 15.20).



E ele [Cristo] é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio [arche] e o primogênito [prototokos] dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência (Cl 1.18).



Conforme esses versículos, Jesus foi o único a passar por uma ressurreição no sentido pleno do termo, cumprindo, assim, o que fora profetizado nas Escrituras (Sl 16.9, 10).

Essa ressurreição ímpar era condição essencial para Seu reconhecimento como Senhor e Cristo (At 2.24-36). A fim de que não restasse dúvida alguma sobre a singularidade desse milagre, percebam que os autores bíblicos lançaram mão de diferentes vocábulos: “primeiro”, “primícias”, “princípio” e “primogênito”.





Em resposta ao argumento de alguns ASD e TJ de que os termos “primícias [aparche]”, “princípio [arche]” e “primogênito [prototokos]” não indicam, necessariamente, que Cristo foi o primeiro a passar pela ressurreição plena, o texto de Atos 26.23 declara que Ele foi “o primeiro [protos] da ressurreição dentre os mortos”.


Ora, se protos, aparche, arche e prototokos são usados somente para a ressurreição do Cristo—porém nunca para as outras ressurreições relatadas na Bíblia, nem tampouco para a falsa ressurreição de Moisés—então é completamente absurdo e sem nexo afirmar que Moisés tenha passado por uma ressurreição plena antes de Jesus. (Que sentido haveria em aplicar esses quatro vocábulos apenas à ressurreição do Senhor, quando, na realidade, Ele teria sido o segundo a passar pela ressurreição plena?)


Logo, o emprego dessas palavras só faz sentido se entendermos que o milagre por que Jesus passou foi sem precedentes na história da humanidade. Sinceramente, se esses quatro vocábulos, juntos, não indicam que a ressurreição pela qual o Cristo passou foi (e é) sem igual, então penso que os escritores bíblicos, caso quisessem dizer isso, não encontrariam mais palavras na língua grega para tal.



Em terceiro lugar, convém tecer alguns comentários Patrísticos acerca da origem do texto de Judas 9, do qual ASD e TJ extraem a teoria de que Miguel ressuscitou Moisés:


Orígenes informa-nos que a história da contenda sobre o corpo de Moisés derivou-se do livro apócrifo ou pseudepígrafe chamado Assunção de Moisés... Esse ponto de vista tem sido confirmado por traduções de fragmentos gregos existentes sobre
essa obra. Ao registrar em sua carta essa disputa entre o arcanjo Miguel e o Diabo, Judas fez uso de uma obra apócrifa chamada Assunção de Moisés (c. 3 a.C. – 30 d.C.).






Um detalhe para o qual quero chamar a atenção é que essa obra judaica narra o sepultamento do corpo de Moisés e, em seguida, a ascensão de seu espírito ao céu, nada tendo a ver com uma suposta ressurreição desse servo do Senhor:


Um sumário dessa história que envolve Moisés é o seguinte:

1)- O diabo não queria permitir que Miguel sepultasse a Moisés, alegando que o corpo de Moisés pertencia à ordem material e que ele fora homicida, pelo que não merecia um sepultamento decente.

2)- Miguel responde a essa primeira acusação, alegando que o Senhor é o criador e governador do mundo material, pelo que Satanás nada tinha a dizer acerca do que ocorresse com o corpo de Moisés. Ignora a segunda acusação.


3)- Afinal de contas, Miguel, pelo poder da razão ou pela ajuda direta de Deus, consegue sepultar o corpo de Moisés nas montanhas, e conduz consigo o seu espírito para os céus.Ou seja, ASD e TJ não têm base bíblica nem extrabíblica para apoiar a teoria segundo a qual Miguel teria ressuscitado Moisés. Muito pelo contrário, a obra da qual Judas extraiu o incidente da referida contenda serve, isso sim, para apoiar a doutrina da sobrevivência consciente da alma diante da dissolução do corpo.



4)- Em quarto lugar, considero blasfêmia inominável a atitude de ASD e TJ em identificar o arcanjo Miguel com Jesus para, assim, tentar apoiar a tese da ressurreição de Moisés.

E por quê?

Porque Jesus e Miguel são duas pessoas completamente distintas, como este versículo abaixo deixa tão claro:


“Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei com os reis da Pérsia.”


Ao que parece, essa passagem só não é clara para ASD e TJ, pois a mesma afirma que Miguel é apenas “um dos primeiros príncipes” celestiais (arcanjos) existentes

A expressão “um dos” refere-se, naturalmente, a “mais de um”, fazendo-nos concluir que há outros seres criados ocupando a mesma posição hierárquica de Miguel.


Logo, Miguel não é o único arcanjo. Há outros, o que torna impossível identificá-lo com Jesus. Isso, evidentemente, impossibilita que Miguel tenha ressuscitado Moisés após aquela contenda que teve com o Diabo (Jd 9).


Elias e Moisés apareceram corporalmente no Monte da Transfiguração?



Vez por outra ASD e TJ fazem o seguinte raciocínio:

“Se o profeta Elias não provou a morte física, então sua aparição, no Monte da Transfiguração, deu-se num corpo material. Portanto, se Elias apareceu corporalmente, então Moisés também apareceu da mesma maneira. Seria inconcebível Elias aparecer em corpo naquele monte, mas Moisés aparecesse em espírito”.

Ou seja, essa maneira de pensar serviria para reforçar a idéia de que Moisés ressuscitou.



No entanto, essa alegação é destituída de sentido, pois o fato de Elias não ter morrido mas, assim mesmo, ter aparecido no Monte da Transfiguração não pode ser usado para provar que Moisés ressuscitou.

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Acompanhem a seqüência abaixo:


1. A Bíblia declara que Elias não morreu, mas também declara que esse profeta apareceu no Monte da Transfiguração.


2. A Bíblia declara que Moisés morreu e não foi ressuscitado, mas também declara que esse líder israelita apareceu no Monte da Transfiguração.


O leitor entendeu o que estou querendo dizer?


Ao argumentarem que Moisés apareceu corporalmente no Monte da Transfiguração, pois Elias, que não morrera, teria aparecido corporalmente,ASD e TJ acabam deixando de lado o mais importante neste debate: o fato de Moisés, que morreu e não foi ressuscitado, ter aparecido no incidente da transfiguração.


Ou seja, o problema que ASD e TJ precisam solucionar é o fato de a Bíblia (1) não declarar, em lugar algum, que o falecido Moisés ressuscitou, mas, mesmo assim, declarar que para defender que o arcanjo Miguel é Jesus.

Porém, esse versículo, ao trazer a expressão “um dos”, serve justamente para refutar essa equivocada teoria, pois ensina que há outros arcanjos além de Miguel, e conseqüentemente Miguel não é Jesus.


O texto sagrado tão-somente diz que Moisés e Elias “apareceram com glória” no Monte da Transfiguração (Lc 9.31), apartando-se (desaparecendo) desse local após alguns instantes (v. 33).


Não dogmatizando sobre esse assunto, devido à ausência de informações detalhadas sobre o modo como Elias, que não morrera, teria aparecido no Monte da Transfiguração, penso que esse profeta manifestou-se num corpo glorificado.



É isso o que precisa ser explicado:

A simples aparição do profeta Elias, que não morrera, não implica, de forma alguma, a ressurreição de Moisés, que morrera.



Em vista de todos esses argumentos, conclui-se que a “teoria da ressurreição de Moisés” não encontra amparo bíblico algum.

Somente uma leitura distorcida e preconcebida do texto de Judas 9, na qual o intérprete insere nesse texto suas idéias particulares, pode levar à conclusão de que a disputa entre Miguel e o Diabo teria sido para ressuscitar Moisés.

Além disso, só o fato de Miguel ser “um dos” muitos seres celestiais existentes (Dn 10.13) já acaba, de vez, com qualquer tentativa de identificar, por meio de associações de textos, esse arcanjo com a segunda pessoa da Trindade, e não passa de apenas um dos muitos anjos que servem a Deus.



Portanto, se a Bíblia não diz, em lugar algum, que Moisés ressuscitou; e se Miguel não é Jesus, então só podemos concluir que Miguel não ressuscitou Moisés.


E se Moisés não ressuscitou, então não foi o corpo dele que apareceu no Monte da Transfiguração.


Em resposta à pergunta deste tópico, só posso responder que não é possível explicar a aparição de Moisés sem crer na imortalidade da alma.

Foi o espírito de Moisés que apareceu no Monte da Transfiguração.


CONCLUSÃO:


Ao mostrar o falecido Moisés dialogando com Jesus, o relato do Monte da Transfiguração, a exemplo do de En-Dor (1Sm 28), torna-se num dos mais claros testemunhos bíblicos em favor da existência contínua da alma depois da morte.

As pessoas até podem especular sobre como o espírito de Moisés pôde manifestar-se, por alguns instantes, no mundo físico.




Ora, o sobre-natural foge à capacidade humana de natural de explicação de nossas categorias racionais de entendimento e investigação.

Nenhum homem, por mais inteligente e sábio que seja, conseguirá explicar, por meio de suas estruturas de pensamento e lógica, como que um milagre acontece.

Ou cremos nos milagres registrados no Livro Santo ou não, pois o Justo vive pela fé.


Entretanto, com relação a essa aparição, duas afirmações podemos fazer:


1)- Primeira, foi o espírito de Moisés que apareceu no Monte da Transfiguração, visto que esse líder do povo de Deus ainda não ressuscitou.

2)- Segunda, foi o próprio Deus, soberanamente, quem patrocinou essa aparição, fazendo com que Moisés tivesse contato com o Seu Filho amado.



Ao analisar os dois pontos de vista que rejeitam a aparição, em espírito, de Moisés, vimos que ambas se mostram indefensáveis pela sua incoerência exegética. POR QUE ?


1)- No primeiro, o argumento de que tudo aquilo que aconteceu teria sido uma “visão” (Mt 17.9) mística ou extática dos discípulos de Jesus não se sustenta.


2)- Uma análise mais minuciosa das informações bíblicas revelou que os eventos que se sucederam no Monte da Transfiguração foram literais, reais. Moisés compareceu, literalmente, naquele monte, e foi visto pelos olhos naturais, físicos de Pedro, Tiago e João.



3)- No segundo ponto de vista, defendido por ASD e TJ, que repudiam a imortalidade da alma, constatamos que não existe amparo bíblico para a “teoria da ressurreição de Moisés”.

4)- Essa idéia conduz a uma blasfêmia e heresia gravíssima, pois transforma Jesus, Deus Criador, no arcanjo Miguel, um ser criado.


5)- A Bíblia jamais declara em lugar algum que Moisés voltou dentre os mortos. Ao contrário do que diz a antibíblica, obscura e bizarra “teoria da ressurreição de Moisés”, as Escrituras declaram, abertamente, que o cadáver desse grande servo de Deus jaz, até hoje, numa sepultura de localização incerta, “na terra de Moabe” (Dt 34.6), aguardando o dia da ressurreição dos justos.

Isso, sim, é ensinado claramente na Bíblia.


6)- POR FIM: Dos bilhões de seres humanos que já desceram à sepultura, só conheço um que venceu, de uma vez por todas, a morte, e seu nome é Jesus, o Filho de Deus, o Cristo.


REFERÊNCIAS:


BACCHIOCCHI, Samuele. Imortalidade ou Ressurreição: Uma abordagem bíblica sobre a natureza e o destino eterno. Unaspress, 1ª edição, 2007, pgs. 97, 130.


CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo, Editora Candeia, 1ª edição, 1998, vol. 6, pg. 336.


Por :Paulo Sérgio de Araújo

Fonte:www.Imortalidadedaalma.com

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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