“Se uma casa tá com goteiras , não precisa mudar de casa, mas basta concertar o telhado. O mesmo se dá com Igreja, não precisa sair e ficar atirando mais pedras ainda, isto não resolve o problema, só piora, portanto, parabenizo os Católicos que não abandonam sua casa, pois aceitar Jesus não é mudar de Igreja, mas mudar de vida...(Pe. Leo).”.
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TUDO SOBRE A BEATA LINDALVA - QUEM AMA MATA OU DA A VIDA ?

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 30 de janeiro de 2011 | 12:13




Beata Lindalva Justo de Oliveira 


(1953-1993)

Nasceu em 20 de outubro de 1953 em Sitio Malhada da Areia, uma zona muito pobre do Estado de Rio Grande do Norte (Brasil). Era a sexta dos três irmãos. 


Foi batizada em 7 de janeiro de 1954. 

Em sua família aprendeu as primeiras noções da fé e orações cristãs. Seu pai lia com freqüência aos filhos a Bíblia e os levava na missa. 

Lindalva aprendeu com sua mãe a cuidar e ajudar as crianças pobres.
Ao final da escola primária, aos doze anos, fez a primeira Comunhão. 

Além de colaborar em casa ajudando a família prosseguiu nos estudos obtendo o curso de assistente administrativa. 


De 1978 a 1988 trabalhou como balconista em alguns comércios e também como caixa em um posto. 

Mandava para sua mãe, a maior parte do dinheiro que ganhava.

Dona Maria Lúcia - Mãe da Beata Lindalva



Na cidade de Natal, onde residia e trabalhava, comoçou a freqüentar a casa das Filhas de Caridade e o asilo dos velhos, onde realizam seu apostolado, dedicando-se generosamente as obras de voluntariado. 


A morte de seu pai por um câncer de abdômen, a quem assistiu amorosamente em seus últimos meses de vida, a impulsiounou a refletir sobre sua existência e a orientou a decisão de ajudar os pobres. 


Sem deixar de trabalhar, se inscreveu em um curso de enfermeira…


Desde 1986 começou a freqüentar o movimento vocacional das Filhas de Caridade, participando regularmente dos encontros de formação e amadurecendo em seu coração o desejo de servir aos pobres.



Aos trinta e três anos, no fim de 1987, pediu a admissão no postulantado para dedicar-se totalmente ao serviço dos pobres e a seguir Jesus Cristo numa entrega mais radical. 


“Quero ter uma felicidade celestial”, declarou, “transbordar de alegria, ajudar ao próximo e fazer incansavelmente o bem.” 


Um mês depois de receber o sacramento do Crisma, em 28 de novmebro de 1987, chegou para ela a resposta positiva do provincial das Filhas de Caridade, e em 11 de fevereiro de 1988 começou o postulantado na casa provincial de Recife.



Durante este período foi muito edificante para todas as companheiras, destacando-se por sua disponibilidade e alegria com ao pobres. 


Se comprometeu ao serviço dos mais necessitados de uma favela, chegando inclusive a transportar tijolos para a construção de casas no bairro. Assim mesmo, levava uma intensa vida de oração.



Em 16 de julho de 1989, com outras cinco companheiras, iniciou o noviciado em Recife. Em 29 de janeiro de 1991 foi enviada a servir quarenta idosos de um asilo em Salvador na Bahia. 


A cordialidade e alegria com que tratava a todas as pessoas ganhou a estima das Irmãs, dos funcionários do asilo e das pessoas que assistia. 


Realizava os trabalhos mais humildes nos serviços dos idosos, ajudava materialmente e espiritualmente, fomentando neles a contínua recepção dos sacramentos. 


Cantava e orava com eles; os levava para passear. Contagiava a todos com o seu otimismo.

Augusto o assassino da Beata Lindalva

Em janeiro de 1993 chegou ao asilo um homem de 46 anos, Augusto da Silva Peixoto. Ainda que, não tivesse direito ao asilo por sua idade, havia ganhado uma recomendação para ser acolhido ali. Lindalva o tratava com a mesma cortezia que os demais hóspedes, mas este homem, de caráter difícil, se apaixonou pela jovem religiosa. Assim começou para ela um período de provas muito duro. Compreendendo as intenções de Augusto, tratou de fazê-lo entender que estava totalmente consagrada a Deus. Embora estivesse com medo desse homem, não quis deixar o asilo para não abandonar o serviço dos idosos. “Prefiro derramar meu sangue antes, do que ir”, confessou a uma das Irmãs.  
Ante o comportamento de Augusto, avisou ao diretor do serviço social do asilo; este chamou a atenção do homem, o qual prometeu se corrigir. Mas, nos dias anteriores a Semana Santa, cresceu a raiva e o ódio, assim como o desejo de vingar-se, chegando a elaborar um plano criminoso….

Na sexta-feira santa, 9 de Abril, as 4:30 da manhã, Lindalva participou da via-crucis na paróquia. Ao voltar ao asilo, foi como de costume ao pavilhão São Francisco para servir o café-da-manhã aos idosos. Se sentou, como sempre, detrás da mesa em que se serviam as comidas aos hóspedes, estava uma pequena porta com uma escada exterior que conduz ao jardim. Augusto esperou que a Lindalva estivesse servindo o café da manhã; chegou pela escada externa, abriu a porta e foi apunhalada por traz, em cima da clavícula e no pulmão. O homem, …seguiu ferindo-a em várias partes do corpo, enquanto os hóspedes, passado o primeiro momento de surpresa, trataram de intervir.

Augusto, brandindo a faca, detrás da mesa,  ameaçava a matar a quem chegasse perto. Perante os tribunais, o assassino declarou que a havia matado porque lhe havia rejeitado. 







No dia seguinte, o Sábado Santo, pela manhã, o arcebispo Cardeal Lucas Moreira Neves, ao celebrar a cerimônia fúnebre, colocou em relevo a coincidência da morte violenta da mártir Irmã Lindalva, que deu sua vida ao serviço dos pobres, e a paixão e morte de Cristo.





Biografia da Beata Lindalva pelos Arautos do Evangelho

Mártir brasileira do fim do século XX Admirável por sua disponibilidade e alegria no serviço aos pobres, deu sua vida como prova de amor a Deus, por conservar intacta sua pureza.


Irmã Juliane Vasconcelos Almeida Campos, EP



Na quarta-feira da Semana Santa de 1500, aportou em terras brasílicas uma esquadra vinda do outro lado do Atlântico. Poucos dias depois, no Domingo de Páscoa, sob a proteção de uma enorme Cruz fincada na praia, o franciscano Frei Henrique de Coimbra celebrou ali a primeira Missa. Nasceu assim, nas belas praias da Bahia, um país de proporções continentais. Batizado com o nome de Terra de Santa Cruz, o Brasil já trazia em si, em gérmen, todo um futuro cheio de atos heroicos e de catolicidade, dos quais as páginas de sua História estão repletas.

Um destes deu-se em nossos dias, tão marcados pelo pragmatismo e pela falta de fé, tão carentes de pessoas dispostas a servir a Deus, a ter generosidade, a ser casta ou a doarse pelos demais.

Também numa Semana Santa, na mesma Bahia gloriosa, tal como Santa Maria Goretti, uma freira de nossos tempos derramou o sangue na defesa de sua pureza, no amor à obediência e ao serviço dos mais necessitados, cumprindo sua vocação de Filha da Caridade de São Vicente de Paulo e de Santa Luisa de Marillac: Irmã Lindalva Justo de Oliveira.


Propensão para ajudar os outros

Nascida em 20 de outubro de 1953, no seio de uma família camponesa do município de Açu, no Rio Grande do Norte, recebeu as águas batismais três meses depois de vir à luz.
O pai, João Justo da Fé, pequeno proprietário, cultivava seu sítio para manter uma família numerosa de 16 filhos. Era homem piedoso e de caráter forte. Admirava as histórias dos Patriarcas do Antigo Testamento e em algo os imitava. Maria Lúcia, a mãe, tinha consciência do compromisso que assumira ao contrair matrimônio: a formação dos filhos. Nessa católica família refletiase o amor entre pais e filhos, mas igualmente não faltavam a disciplina e a severidade, quando era necessário corrigir os pequenos caprichos e as travessuras infantis.
Desde criança, Lindalva demonstrava propensão para ajudar os outros e se sensibilizava com o sofrimento alheio. Não lhe agradavam as brigas e nunca se zangava. Gostava de correr, banhar-se na lagoa próxima ou subir em árvores para comer os frutos recém-colhidos. Mas seu brinquedo favorito era modelar bonecas de barro, que deixava secando ao sol, e depois coser roupinhas para elas, com retalhos de tecidos.

Revelando-se uma menina muito madura para sua jovem idade, tinha consciência do sacrifício dos pais para manter e educar a numerosa prole, e queria auxiliá-los de alguma forma. Assim, estava sempre disponível para ajudar à mãe, aprendendo muito cedo a cozinhar e a costurar. E procurava imitar o exemplo de sua progenitora que, apesar de pobre, tirava de sua parca despensa para socorrer outros mais necessitados.
Vivia no mundo sem ser do mundo
Os filhos cresceram, precisavam estudar e as exigências aumentaram. João decidiu mudar-se para Açu, onde vários deles conseguiram emprego. Lindalva cursava o Ensino Fundamental e trabalhava como babá na casa de uma família abastada. Quando algum conhecido precisava de ajuda, por doença ou qualquer outro motivo, recorria a ela. “Você deve ter vocação para enfermeira, porque está sempre disponível e faz tudo com alegria!” – dizia-lhe uma de suas companheiras.
Quando nasceu a primeira filha do irmão mais velho, que se casara e morava em Natal, foi viver com ele nessa capital, onde ajudava à jovem mãe e continuava seus estudos. Empregou- se como auxiliar de escritório e levava uma vida como qualquer moça de bons princípios. Vivia no mundo, mas a ele não pertencia. Não pensava em casar-se e prestava serviços como voluntária num abrigo para idosos, mantido pelas Filhas da Caridade.

Tímida e reservada por temperamento, ali se transformava, tornando- se manifestativa, cheia de vida e com uma alegria contagiante. Os velhinhos a esperavam ansiosos, devido à sua paciência, afeto e afabilidade. Era a vocação que amadurecia com força em sua alma. “O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade” (Gl 5, 22), diz o Apóstolo. Pois não foi outra coisa que Lindalva manifestou ao longo de sua vida relativamente curta.

Alegria na doação aos outros

Começou a estudar enfermagem para poder doar-se mais e tomou a grande decisão de sua vida: em setembro de 1987, escreveu à Provincial das Filhas da Caridade, pedindo admissão como postulante. “Faz muito tempo que sinto o desejo de entrar na vida religiosa, mas somente agora estou disponível a seguir o chamado de Deus. Estou pronta para dedicar-me ao serviço dos pobres”, escreveu ela.1
Admitida dois meses depois, foi enviada para fazer o postulantado na comunidade do Educandário Santa Teresa, em Olinda, Pernambuco. Esse período não foi senão um contínuo exercício do propósito que fizera, de basear sua vida espiritual na felicidade em Cristo e no bem do próximo. O testemunho de suas superioras durante essa fase foi sempre de admiração por sua disponibilidade, humildade e alegria na doação aos outros, quer aos pobres ou idosos, quer às outras irmãs, na vida comunitária.

“Quero ser santa!”

Progredia na vida interior, entregando- se mais e mais nas mãos d’Aquele ao qual se havia abandonado, confiando-Lhe inteiramente seu destino, tal qual recomenda o Rei Profeta: “Confia ao Senhor a tua sorte, espera n’Ele, e Ele agirá” (Sl 36, 5).

Algumas de suas cartas confirmam a plenitude desta entrega ao Senhor, e revelam a autenticidade da vocação que escolhera. “Estou muito feliz. (…) O meu destino está nas mãos de Deus, mas desejo de todo coração servir sempre com humildade, no amor de Cristo”, escrevia a uma amiga, em março de 1988. Ensina Dom Chautard que a alma de todo apostolado é o transbordamento da vida interior. E o dom do serviço de Lindalva fundamentava- se em sua vida de piedade e oração. Não se limitava a aliviar os sofrimentos físicos ou as tristezas dos mais necessitados, mas procurava nutrir-lhes o espírito com orações e bons conselhos. Gostava de rezar com eles, sobretudo o terço meditado, acompanhado de cânticos a Nossa Senhora.
Sua oração preferida era mesmo o Rosário. Levava o terço sempre à mão e aproveitava qualquer tempo livre para recitá-lo. Explicava este hábito, dizendo: “Há muita gente que precisa de minha ajuda e não posso fazer nada a não ser rezar por eles”.
O desejo de progredir na vida espiritual levou-a a perguntar candidamente à superiora, Irmã Maria Expedita Alves, como fazer para ser santa. Com sabedoria, respondeu-lhe esta:
- Minha filha, ninguém nasce santo; isto pode ser alcançado procurando a perfeição na vida do dia-a- dia, e também em cada ação, mesmo a mais insignificante.
- Quero ser santa! – retrucou Lindalva, fitando à superiora com um olhar profundo.

“Aqui tudo é graça!”

Este firme desejo foi o que marcou sua vida, na trajetória simples e comum de uma postulante, rumo à plenitude da vida religiosa, na prática dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência.

Sob o olhar atento das superioras, foi admitida no noviciado, dando um passo mais decidido na entrega a Jesus, dentro do carisma de sua Congregação: o serviço aos pobres e necessitados. Na festa da Virgem do Carmo, 16 de julho de 1989, vestiu o hábito de Filha da Caridade e passou a chamar-se Irmã Lindalva.
Em carta a uma amiga, nesse mesmo ano, manifestou como se sentia realizada na vida religiosa: “Aqui tudo é graça! Vivemos num profundo silêncio e união com Deus. (…) Os meus pensamentos e o desejo que tenho de amar a Deus sobre todas as coisas fazem com que eu me sinta muito feliz. Outra parte da nossa vida é o amor às pessoas que conquistamos, mas é através do amor a Deus que amamos as criaturas; somente não devemos deixar que este amor seja maior que o amor a Deus”.

Todos a admiravam muito

Findo o tempo de noviciado, em 26 de janeiro de 1991, Irmã Lindalva foi enviada para um abrigo de idosos em Salvador, capital da Bahia. Em carta a uma irmã de hábito, renovava seus propósitos de ser humilde e simples nas dificuldades que certamente viriam, recordando as palavras da Escritura: “Nada temas, pois Eu te resgato, Eu te chamo pelo nome, és meu. Se tiveres de atravessar as águas, estarei contigo. E os rios não te submergirão” (Is 43, 1-2).
Foi com esta confiança que cruzou os portões do antigo casarão do século XIX, onde funcionava o Abrigo Dom Pedro II, sob administração pública municipal, mas aos cuidados das Filhas da Caridade. Recebeu a incumbência de cuidar do pavilhão São Francisco, com 40 idosos, situado no primeiro andar do imponente edifício. Em pouco tempo cativou sua superiora e as companheiras de hábito, bem como os velhinhos, com seu jeito alegre de ser e o perfume da santidade de sua presença. Todos a admiravam muito.

Acalmava os queixosos, lembrando- lhes os sofrimentos do Salvador, e dava alguma ocupação aos que ainda podiam fazer algo, para eles se sentirem úteis. Onde havia necessidade, aí estava Irmã Lindalva com sua figura sempre animada e caridosa.

Cuidava não só das coisas materiais dos idosos, mas também de sua vida de piedade. Rezava com eles o terço e levava o capelão para administrar- lhes os Sacramentos. Sua vigilância, em matéria de castidade, se notava até mesmo quando ia buscar o padre, pois sempre pedia a alguém para acompanhá-la. Era assídua aos atos da Comunidade e quando lhe sobravam alguns minutos invariavelmente estava na Capela, rezando um pouco mais.
No escasso tempo que lhe restava do atendimento no Abrigo, Irmã Lindalva participava do Movimento de Voluntárias da Caridade Santa Luisa de Marillac, que visitava idosos e doentes nas periferias da cidade. Este Movimento era dividido em grupos e ela pertencia ao Grupo Santa Maria Goretti. Talvez não por mero acaso, como se verá adiante.

Subida ao Monte Calvário

Não podia essa santa religiosa imaginar que aquele querido Abrigo seria seu Monte Calvário, o lugar destinado por Cristo para misturar seu sangue ao d’Ele. Os problemas começaram em janeiro de 1993, quando ali foi admitido Augusto da Silva Peixoto. 


Com apenas 46 anos, não tinha ele idade para estar num estabelecimento de caridade para anciãos, mas as freiras tiveram de aceitá-lo, por motivos políticos. Alojaram- no no pavilhão a cargo da Irmã Lindalva.

Homem destituído de princípios religiosos e morais, Augusto interessou- se com más intenções por aquela freira de vida ilibada e passou a assediá-la de modo insistente e inconveniente. 


As admoestações que lhe fizeram outros internos e a própria diretora do setor social do Abrigo serviram apenas para aumentar nele os fortes sentimentos de frustração por ser sempre repudiado.

Irmã Lindalva, que preferia morrer a romper seu voto de castidade, viu-se obrigada a tomar muito cuidado, evitando qualquer atitude que pudesse ser mal interpretada por aquele indivíduo sem escrúpulos. 


Narrou a situação a algumas freiras e companheiras de voluntariado e intensificou suas orações. Mas por amor aos idosos e pela fidelidade à obediência que a havia designado para o Abrigo, não quis sair dali. 


De caráter forte e seguro, não conhecia o medo ou a fraqueza, jamais abandonando seu “campo de batalha”. “Prefiro que meu sangue se derrame, do que ir embora daqui” – afirmou durante um recreio da comunidade.

“Nunca cedeu”



Na segunda-feira da Semana Santa, esse nefando personagem comprou no mercado popular um facão de pescador, com a intenção deliberada de matar aquela religiosa que opunha intransponível barreira a seus péssimos intuitos.

Durante toda a semana, Irmã Lindalva participara, ao raiar da aurora, da Via Sacra na paróquia da Boa Viagem. Ao percorrer as ruas das proximidades na madrugada da Sexta- Feira Santa, 9 de abril de 1993, meditando sobre a Via Dolorosa de Jesus, certamente não tinha ideia que sua subida particular ao Calvário também culminaria naquele dia.

Voltando ao Abrigo, dirigiu-se logo ao refeitório para cumprir sua tarefa de servir o café da manhã aos velhinhos, sem notar a presença de Augusto sentado num dos bancos do jardim. Este, que a esperava, subiu atrás dela, entrou pela porta dos fundos do salão e atacoua pelas costas, a golpes de facão, numa fúria insana e diabólica. A vítima mal teve tempo de balbuciar: “Deus me proteja!” Recebeu ao todo 44 golpes.
Enquanto limpava na própria roupa a arma tingida pelo sangue inocente, o criminoso ensandecido rugia: “Nunca cedeu! Está aqui a recompensa…”. Testemunhava, assim, que Irmã Lindalva havia dado sua vida como prova de amor a Deus, por conservar intacta sua pureza, num verdadeiro martírio do qual os próprios internos davam testemunho.

Semente de novas vocações

Durante toda a noite, passou pelo Abrigo um fluxo contínuo de fiéis desejosos de prestar uma última homenagem à religiosa. O Arcebispo Primaz do Brasil, na época o Cardeal Lucas Moreira Neves, oficiou a cerimônia fúnebre e afirmou na homilia que “o sangue da vítima será semente de novas vocações, não só para as Filhas da Caridade, mas, também, para todas as Congregações da Igreja de Deus”.

A Igreja proclamou-a Bem-aventurada em 2 de dezembro de 2007, durante cerimônia realizada no Estádio Manoel Barradas, em Salvador. Seus restos mortais se encontram, atualmente, na capela do Abrigo Dom Pedro II. A Beata Irmã Lindalva é um exemplo de como a alegria e a pureza são notas características da santidade, para a qual todos somos chamados.

Foi o que declarou o Cardeal Saraiva Martins, na cerimônia de Beatificação: “Desejo a todos, e invoco do Senhor para cada um, aquela vitalidade alegre que sabia transmitir aos outros, que é talvez a herança mais fascinante de Lindalva, para saber contagiar quem nos está perto, com a alegria inefável que mergulha as suas raízes nos pés de Cristo Ressuscitado, conscientes de que enquanto filhos de Deus, somos todos chamados a ser santos e que a santidade é um caminho de liberdade para cada um” ?

1 Todas as citações de cartas e outros documentos foram extraídas de: PASSARELLI, Gaetano. O sorriso de Lindalva. Recife: Dom Bosco, 2003.
2 Mensagem na Beatificação da Serva de Deus Lindalva Justo de Oliveira, 2/12/2007.
(Revista Arautos do Evangelho, Abril/2010, n. 100, p. 32 à 35)


Eu matei a santa

Apaixonado por irmã Lindalva, Augusto a matou há 14 anos. Agora, ela será beatificada e ele vive seu inferno particular

Por Alan Rodrigues ? Salvador

Lindalva não amava Augusto, que amava Lindalva, que amava Cristo.
Tomado pela loucura de um amor não correspondido, Augusto matou a amada, que morreu por amor a outro ( A Jesus Cristo).
Augusto foi parar no manicômio. Lindalva virou santa. Essa história começa em 1993 no tradicional bairro da Boa Viagem, cidade de Salvador (BA), quando um bárbaro assassinato comoveu a população baiana. Com 44 facadas, o carregador de caminhão Augusto da Silva Peixoto, então com 45 anos, pôs fim à vida da freira Lindalva Justo de Oliveira, 40, uma irmã da ordem Filhas da Caridade de São Vicente de Paula.
E agora, passados 14 anos do crime, a história volta à tona. Na visita que o papa Bento XVI fará ao Brasil no próximo mês, os católicos preparam uma grande festa para o anúncio da beatificação de irmã Lindalva.
A indicação é a primeira etapa antes da canonização, a proclamação de um santo. Enquanto isso, Augusto vive seu inferno particular: depois de 12 anos e oito meses trancafiado num manicômio judiciário, ele está livre, mas completamente sem amigos ou família. Rejeitado, ele se diz arrependido e luta contra o preconceito. “Eu matei a santa, mas não sou um monstro”, confessa Augusto.
Sexta-feira da Paixão, 9 de abril de 1993. Sentado em um banco de concreto, aos pés da escadaria lateral que leva ao primeiro andar do Abrigo de Idosos Dom Pedro II, em Salvador (BA), Augusto estava tranqüilo. Como se nada tivesse acontecido, ele fumava um cigarro enquanto limpava na própria calça uma faca ensangüentada. Ao seu lado, um rastro vermelho de morte escorria pelos 27 degraus que separam a rua do primeiro andar do prédio onde funciona o refeitório do Lar São Francisco, sala onde dezenas de velhinhos faziam suas refeições. Os terríveis acontecimentos daquela manhã ainda estavam frescos na mente de Augusto. 


Pouco depois das 6h30, Lindalva, como de costume, chegava ao refeitório para servir o café da manhã para os internos. Augusto, um dos abrigados, estava no pátio quando a viu chegar pela entrada principal. Minutos depois, ele subiu os degraus da porta lateral do pavilhão armado com uma faca. Ensandecido, Augusto puxou a freira pelo braço e desferiu-lhe um violento golpe na jugular esquerda. O sangue esguichava por todos os lados enquanto Lindalva gritava, atônita e desesperada. 


Quando ela caiu, Augusto imobilizou-lhe a perna direita e cravou outras 43 facadas no corpo da mulher. 


Como num filme de terror. Augusto ainda gritou para os quatro internos que assistiam à cena aterrorizados:



– “Saiam de perto, senão faço o mesmo com vocês! Estou picando a minha carne!”, disse. “Ela nunca cedeu! Está aqui a recompensa... Podem chamar a polícia. Eu não vou fugir, fiz o que deveria ser feito.”

Hoje, aos 59 anos, Augusto tem um olhar triste e perdido. Há um ano ele ganhou a liberdade do Hospital de Custódia e Tratamento, mas na época não saiu da prisão por um simples motivo: não tinha para onde ir. Sua família, extremamente católica, jamais o perdoou. 


Do lado de fora das muralhas, o assassino da irmã Lindalva só encontrou abrigo há oito meses, num centro de recuperação para dependentes químicos na cidade de Simão Filho, na periferia de Salvador. 

Pastor Álvaro - Acolheu Augusto

A caridade é obra de um pastor evangélico da Igreja Assembléia de Deus que descobriu Augusto no manicômio durante suas pregações aos detentos nos finais de semana.


“Tenho certeza de que ele não é doido. Dava dó vê-lo ali. Não tive dúvida em ajudá-lo”, diz o pastor Álvaro Gonzaga. “Desde que chegou, ele nunca ficou nervoso”, completa.
Augusto divide com 29 jovens o acolhimento na comunidade. Em troca da moradia, ele faz a faxina do local. O trabalho é intercalado com orações, conversas e leituras. “Há cinco anos eu me converti”, conta Augusto. 


Quando ele fala do crime, se diz arrependido e admite que foi seu maior erro, mas que pagou um preço alto pela insanidade. “Fiz o que fiz por ciúme”, argumenta. “Ela era bonita, né?”, indaga, buscando cumplicidade. 


Em seguida, faz duas analogias para ressaltar seu sentimento de ter sido injustiçado: “Meu caso é igual ao do Lindomar Castilho”, diz, referindo-se ao cantor que matou a mulher, Eliane de Grammont, em 1981 e também foi condenado a 12 anos de prisão. “Já paguei pelo meu erro, mas a sociedade não me perdoa”, lamenta. 


“Se eu fosse igual ao jornalista lá de São Paulo que matou a namorada, eu entenderia a raiva das pessoas”, compara, referindo-se ao jornalista Pimenta Neves, réu confesso do assassinato de Sandra Gomide, condenado pelo crime, mas até hoje em liberdade.

Vocação tardia

Lindalva nasceu em Açu, no Rio Grande do Norte, em 1953. Ela era a sexta de uma prole de 14 rebentos. Filha de família pobre, a freira na infância era chamada de “pororoca”, apelido colocado pelo seu pai, pelos quilinhos a mais que a menina ostentava. A vocação religiosa de Lindalva despertou tarde. Assim que completou 18 anos, ela mudou-se para Natal a fim de completar seus estudos. 



Na capital potiguar, morou com o irmão, ganhando alguns trocados como babá. Fez muita coisa antes de finalmente envergar o hábito: auxiliar de escritório, balconista numa loja de confecções e caixa de um posto de gasolina. 


Aos 33 anos, Lindalva entrou para a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paula, uma ordem católica surgida na França no século XVII dedicada a combater a pobreza e a miséria. Concluiu seu noviciado oito anos depois.

O primeiro trabalho como freira foi justamente o Abrigo Dom Pedro II, da Prefeitura de Salvador. Ela era responsável pelo pavilhão masculino, uma enfermaria com 40 idosos. No ano de sua morte, o abrigo – que só aceitava maiores de 60 anos – recebeu um pedido de um político e acolheu entre os anciões um homem de 45 anos. 


Era justamente Augusto, seu futuro algoz. Logo de cara, segundo contam algumas das irmãs, ele começou a assediá-la. A freira teve medo e comentou com as outras irmãs as conversas de Augusto com ela. 


Ele não nega que tenha investido contra a freira, mas tinha certeza que ela o via com bons olhos. “Eu tenho certeza que ela me amava”, conta ele. “O problema é que ninguém acredita em mim depois da besteira que eu fiz. Vou morrer com a minha verdade.”
O “outro” era Jesus

Irmã Cristina, uma das colegas de Lindalva, sugeriu a ela que se afastasse dos velhinhos e trabalhasse em outra frente. “Prefiro que meu sangue seja derramado do que afastar-me daqui”, teria dito Lindalva.

A cada dia que passava, Augusto derramava-se em declarações de amor à freira. Ela fazia ouvidos moucos, mas a pressão era intensa. 


“Esse homem sente paixão e é imprudente em suas palavras comigo”, confidenciou Lindalva à irmã Cristina.

Segundo a enfermeira Lígia da Ressurreição, que trabalhava com a freira pouco antes do crime, Lindalva teria respondido a uma das provocações de Augusto. 


“Eu entreguei meu amor a outro homem”, teria dito ela ao pretendente. Ciumento, Augusto cismou que ela tinha realmente se apaixonado por um homem de carne e osso. Ledo engano.


 “Não sabia ele que o outro homem a quem ela se referia era Jesus”, diz Lígia.

“Ele achou que a paixão de irmã Lindalva era um interno chamado Coração”, conta a enfermeira. Coração era um ancião que tinha esse apelido por ser cardíaco. “A freira tinha uma atenção muito especial por esse doente e isso despertou a ira de Augusto”, conta Cleber, outro enfermeiro da época de Lindalva.

Foi a partir daí que Augusto começou a pensar no crime. “Foi tudo premeditado”, acusa Lígia.

Beatificação recorde 

O processo de beatificação de irmã Lindalva foi um dos mais rápidos entre os beatos brasileiros. Ele foi iniciado em 17 de janeiro de 2000 e em 3 de março de 2001 – um ano e três meses depois – já estava sendo concluído.

Como ela foi considerada mártir da Igreja Católica, a comprovação de milagres para se tornar beata não foi necessária.

Para torná-la santa será preciso confirmar um milagre. Uma coincidência chamou a atenção dos religiosos que estudam a vida de irmã Lindalva.
Os legistas que fizeram a autópsia no corpo da freira encontraram 44 perfurações em seu corpo, número que coincide com a soma dos 39 açoites e as cinco chagas do corpo de Cristo.
Antes mesmo da beatificação, começaram as romarias de fiéis ao casarão do século XIX que abriga os restos mortais de irmã Lindalva.

Irmã Maria Elcina de Jesus é uma das responsáveis por abrir a capela para visitações e contar a vida da freira que pode virar santa.
Ela revela que muitos devotos que visitam o prédio têm relatado graças alcançadas com a ajuda de irmã Lindalva.

No livro de registros da capela constam 29 relatos, entre eles cura de tuberculose, emprego conquistado e coagulação de uma cicatriz que sangrava. “Ela foi muito boa, era muito dedicada à fé”, conta Irmã Elcina.
“Ouvi até relatos de pessoas que estavam sendo assaltadas e foram socorridas pela graça de Lindalva”, diz.
O funcionário público André Taboada, 37 anos, estava eufórico diante do altar da capela.
Ele carrega consigo uma imagem da freira impressa no jornal da época em que ela foi assassinada.
Ele não sabe por que guardou aquela fotografia e muito menos consegue explicar como a cópia não se perdeu durante suas mudanças.

“Vivia o inferno com minha ex-mulher. Perdi tudo na vida, menos este recorte de jornal”, diz André. “Tenho certeza de que é um recado”, confia.
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5 de fevereiro de 2011 20:18

odeio católicos

6 de fevereiro de 2011 13:49

Caro Detetive,

O seu ódio só vem a confirmar a profecia de Cristo a respeito da única e verdadeira Igreja de Cristo(Conf.Mateus 16,18). O seu ódio portanto não nos causa surpresa pois já estava previsto nas escrituras em I João 1,13-15 :"Meus irmãos, não vos admireis se o mundo vos odeia.Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte. Todo o que odeia a seu irmão é homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele..."

O seu ódio nos confirma e nos anima na luta contra o reino das trevas.

Não esqueça: Jesus te ama !!!

Shalom !!!

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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