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ENTENDENDO O SANTO SACRIFÍCIO DA SANTA MISSA E SEUS MISTÉRIOS

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 22 de abril de 2010 | 09:41

A imagem do cordeiro como chave para se aprofundar nos mistérios da santa missa.

O CORDEIRO E A SANTA MISSA


Dizia o saudoso papa João Paulo II que a missa é “o céu na terra”.

Expressão forte e teológicamente correta; mas infelizmente muito pouco constatada no coração dos fiéis que não raramente, fazem da santa missa uma ocasião de dispersão e repetições mecânicas e vazias de sentido.

Muito mais do que mera questão de fé, é necessário dar razões a tal constatação papal para vivênciar a santa missa com toda a intensidade que nos propõem a santa Igreja Católica.

Se a Missa não passa de um “símbolo” do Calvário, como explicar a profecia de Malaquias? “Porque, desde o nascer do sol até ao poente, o meu nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura; porque o meu nome é grande entre as nações, diz o Senhor dos exércitos” (Malaquias 1, 11).

Diz a Igreja que esta profecia do Antigo Testamento se refere à Santa Missa, pois a única oblação pura é a Oferta de Jesus no Calvário, já que só a Oferta de Jesus agrada verdadeiramente a Deus, e nenhuma outra mais.

Se “em todo o lugar” se oferece uma “oblação pura”, que oblação seria essa a não ser a renovação mística e incruenta da morte de Jesus na Missa? A mentira protestante é desmascarada pela profecia bíblica.

Aqueles que se atreverem a se aprofundar pelos mistérios escondidos no véu da liturgia verão que independente de uma possível hora de desconforto, de cantos mal ensaiados, de homilias distantes e de choros de bebês, quando se vai a missa, é ao próprio céu que de fato se visita.

Se a missa é o céu, e se queremos beber direto da fonte, nada melhor do que recorremos ao uso da Sagrada Escritura.

Sabemos que de todos os livros da Bíblia, um deles é o que mais se destaca pelos aspectos e atenção que dá as realidades celestes, que é o livro do Apocalipse escrito por São João.

O Apocalipse é um livro que impressiona do início ao fim. Ao narrar sua visão da ação celeste na terra em tempos incertos, São João não poupa nos detalhes e nos dá a certeza de que o que está a contar não pode ter saído meramente de sua cabeça, pois nem uma imaginação fértil de uma criança seria capaz de conceber imagens e figuras tão significativas quanto as que veremos a seguir.

Dragões de várias cabeças, cavaleiros voadores, bestas e feras, guerras sangrentas são algumas delas. Mas lendo atenciosamente e deixando de lado séculos de cultura cristã acumulados desde o início do cristianismo até os nossos dias, uma imagem salta mais a vista do que qualquer outro: um cordeiro sobre um trono.

Se a primeira vista tal título não soa estranho é porque ainda não nos aprofundamos no tema. Vale lembrar que São João cita esta figura do cordeiro que governa o mundo, 28 vezes em seu texto. Quer dizer: realmente significa algo.

Basta parar para pensar que estamos a falar de Deus, de Jesus Cristo, da segunda pessoa da Santíssima Trindade. Para Ele não faltam nomes e títulos de nobreza: Altíssimo, Senhor dos Exércitos, o Próprio Amor, Rei do Universo, Criador do Mundo, Santidade infinita, Amor Supremo, Soberano, etc.

Dentro deste contexto, um título de Cordeiro não soa a coisa mais normal do mundo. E de fato, é porque não é normal mesmo. Dar a um Deus todo poderoso o nome de uma criatura tão frágil e dependente como um cordeirinho é por demais intrigante.

E é desvendando este mistério que encontramos grandes reflexões sobre Jesus Cristo e sua obra redentora. O início dessa busca se dá na própria gênesis da humanidade aonde podemos olhar reflexivamente sobre essa figura do cordeiro.

A imagem do cordeiro é a chave para decifrarmos São João no Apocalipse e a própria realidade da missa: entendendo o que significa o cordeiro na história da salvação entendemos o que significa Jesus Cristo na obra salvífica da Eucaristia.

Sabemos bem que desde as mais remotas idades do gênero humano Deus vem treinando o homem para que se acostume a concretizar com atos, e não só com palavras, o seu amor para com Ele.

E sabemos que desde os tempos de Caim e Abel, é um costume do ser humano oferecer a Deus como símbolo de gratidão aquilo que tem de melhor. Para um homem agrário e campestre, cordeiros estão seguramente na fila dos sacrifícios mais altos e difíceis que o ser humano poderia render ao seu Deus.

Embora Deus sendo todo espírito, pode muito bem aceitar de bom grado uma oferta material de suas criaturas, afinal de contas, Ele mesmo criou a matéria, deve gostar dela portanto. É claro que para Deus nenhuma oferta é suficientemente digna para que quitemos nossas dívidas com Ele, mas o que mais importa é o simples desejo de que o amemos acima de qualquer criatura e o nosso total desprendimento das realidades terrenas. Essa é a idéia por de trás das ofertas humanas a Deus.

O fato é que pouco a pouco Deus vai pincelando na história da salvação esboços e respingos coloridos do que viria ser a grande imagem de seu filho Jesus Cristo, no Cordeiro de Deus.

Quem não se lembra da dramática história do sacrifício de Isaac por Abraão, quando Deus se utiliza da figura do cordeiro, como aquele que dá a vida em substituição do filho amado (Gn. 22,8)?

Com Moisés ainda, Deus oficializou na história da salvação a importância dramática que a figura do cordeiro teria a partir de então, já na prefiguração de seu filho que como um cordeiro entregue nas mãos dos homens se sacrificaria a sí próprio pela redenção de todos.

Vemos portanto durante o episódio da visita do Anjo exterminador no antigo Egito, Deus pedindo a Moisés que se celebrasse a primeira páscoa dos hebreus, o dia em que o Altíssimo feriria de morte todos os primogenitos daquela terra para libertar o seu povo da escravidão do Faraó de coração endurecido.

Para se celebrar tal páscoa um aliança entre o homem e seu Deus fora consumada no sacrifício de inúmeros cordeiros, que doando o seu sangue para os hebreus poupou este povo das terríveis perdas que se dariam naquela noite (Ex. 12, 1-23).


A regra era que se oferecesse cordeiros ao Senhor, que se marcasse todas as portas com aquele sangue inocente e que se alimentassem posteriormente com aquela mesma carne sacrificada. Dito e feito; o Senhor convenceu o faraó pela dor e este autorizou o povo hebreu partir para longe de seus domínios, em busca da terra prometida.

Pois bem, a partir de então anualmente os israelitas, odernados por Deus e para ratificarem sua aliança, celebravam a mesma páscoa em honra dos grandes feitos a sua
gente pelo Senhor. Todos os anos tomavam um cordeiro por família, macho, sem defeito, sem ossos quebrados, e o imolavam aos céus em sinal de seu amor e de sua fidelidade.

Para agradecer, para expiar, para redimir, para suplicar, e também em outras especiais ocasiões durante o ano, estava sempre a figura do sacerdote como autoridade especial legitimada pelo próprio Deus a Moiséis, para conduzir outros sacrifícios.

Desde esse momento é possível traçar enormes paralelos entre o cordeiro, por assim dizer, do homem, e entre Jesus Cristo, o cordeiro de Deus. Jesus Cristo é aquele que dá o seu sangue todo para impedir a morte do seu povo eleito. É aquele que poupa a humanidade de morrer pelos desméritos de seus pecados, que alimenta a família humana e que protége a todos.

É aquele que liberta seu povo da escravidão da morte e do pecado e que lhes entrega uma promessa de uma terra eterna e sem fim. É aquele que renova uma aliança entre a terra e o céu de forma absoluta e perfeita, por sua total entrega e abandonado, inocente, puro, perfeito, dando sua vida pela redenção de todos. É aquele que entrega sua vida pela troca de muitos sem pedir nada em troca, como no episódio de Isaac.

É aquele que na cruz tem os ossos poupados por morrer rapidamente para que “se cumpram as Escrituras” (Jo 19,36), tamanho o horror que sofrera, e que um dia antes se dá de comer aos seus na última ceia.

É interessante notar que na antiguidade, anualmente no dia da Páscoa, alguns registros mostrem que mais de 255.000 cordeiros eram sacrificados no templo num único dia (Páscoa de 70 d.C.), e que por baixo, cerca de 400.000 missas são realizadas todos os dias no mundo. Que os cordeiros que eram sacrificados no templo eram preparados com ramo de hissopo e vinagre (Ex. 12, 22; Jo. 19,29), o mesmo preparado oferecido a Jesus durante sua via Crucis.

Que Jesus fora condenado na hora sexta, a mesma hora que os sacerdotes iniciavam o preparo da imolação dos cordeiros e que cheio do Espírito Santo e da sabedoria acumulada das escrituras, João Batista já exclamava com autoridade divina a correlação entre Cristo e o cordeiro, como novo e definitivo sacrifício de redenção do homem. Que as orações dos sacerdotes judeus foram mantidas na missa durante o momento do ofertório (Bendito sejais Senhor Deus do Universo, pelo vinho que recebemos da vossa bondade, fruto da videira e trabalho humano e que agora irá se tornar… Bendito sejais Senhor Deus do Universo, pelo pão que recebemos da vossa bondade, fruto da terra e trabalho humano e que agora irá se tornar …) e que muitos dos primeiros cristãos eram martirizados acusados de canibalismo, tamanha convicção e estranheza de que na missa se comia o próprio corpo de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.

A luz dessas realidades, a santa Missa ganha uma nova cor e um novo sentido e é simplesmente impossível ficar indiferente face a tantas místicas realidades escondidas no véu da liturgia. Vejamos por exemplo um trecho da liturgia eucarística IV: “nós vos oferecemos o seu Corpo e Sangue, sacrifício do vosso agrado e salvação do mundo inteiro”. Vejamos também outro trecho extraido da liturgia eucarística I ganhando nova clareza: “Recebei, ó Pai, esta oferenda, como recebestes a oferta de Abel, o sacrifício de Abraão e os dons de Melquisedeque.


Nós vos suplicamos que ela seja levada à vossa presença, para que, ao participarmos deste altar, recebendo o Corpo e o Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu”. Um olhar atento a missa enxergará inúmeras outras referências a plenitude sacrificial dado por Jesus Cristo como cordeiro santo, como por exemplo a oração do “Agnus Dei” recitada no “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós…”, ou nas palavras do sacerdote que apresenta Cristo eucarístico a assembléia reunida na citação de São João Batista: “Eis aqui o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”.

São Justino, mártir, escreveu no ano 155 d.C. um importante relato que nos demonstra como a liturgia sacrificial da missa se manteve praticamente intacta desde os tempos apostólicos, até os nossos dias, e como longe de ser um amontoado de regras e formalidades, a celebração eucarística é divina no conteúdo e na forma, e como desde o início do cristianismo era preciso comer o corpo do cordeiro de Deus para se ratificar a nova aliança como nos tempos de Moisés:

1.No dia dito do sol (domingo) reúnem-se em um mesmo lugar todos os cristãos, os que residem nas cidades e os que residem no campo.
2. O leitor lê trechos tirados das memórias dos Apóstolos (Novo Testamento) e dos livros dos Profetas (Antigo Testamento).
3. Terminada a leitura, aquele que preside toma a palavra para explicar aos presentes o que foi lido e exortá-los a pôr em prática tão belos ensinamentos (homilia).
4. Em seguida, levantamo-nos todos e dirigimos a Deus orações e súplicas (súplica insistente ou ecteni, após o Evangelho).
5. Suspendendo as orações, abraçamo-nos uns aos outros (Ósculo da paz).
6. Depois levam àquele que preside a reunião dos irmãos em Cristo, pão e um cálice contendo vinho, misturado com água (Procissão do ofertório).
7. O Presidente toma o pão e o cálice, louva e glorifica o Pai do universo em nome de seu Filho e Espírito Santo; dirige-lhe abundantes ações de graças por ter-se dignado dar-nos estes dons (Anáfora).
8. Terminada esta ação de graças (Eucaristia) todos os presentes exclamam: Amém.
9. Depois os ministros que chamamos diáconos distribuem a todos os presentes o pão da Eucaristia e o vinho misturado com água (Comunhão). Estes mesmos diáconos levam aos ausentes sua parte do pão e do vinho eucarísticos.
10. Por fim, os ricos socorrem os indigentes (Coletas).

É por isso que importa conhecer e reconhecer cada um dos significados da Santa Missa para vivenciarmos tudo quanto Cristo, que ensinou a divina liturgia aos apóstolos, desejou para a humanidade.

Na Santa Missa, Cristo toma o lugar do cordeiro santo, aquele que se oferece a humanidade pela expiação dos pecados do mundo, e toma lugar do sacerdote oferecendo-se a sí mesmo em sacrifício perfeito para redenção de todos. Cada parte da missa concorre para o encontro com o Cordeiro que irá no altar ser imolado.

Não é a toa que o Concílio Vaticano II chama a sagrada liturgia de o "cume para qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força".

No ano 215 d.C. Hipólito deixou-nos, como Justino, um roteiro da liturgia que rezamos ainda nos dias de hoje: “O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós. Corações ao alto. O nosso coração está em Deus. Demos graças ao Senhor. É nosso dever e nossa salvação”. Vejam que grande e que significativo pode chegar a ser a santa missa.

Mediante esses sinais sensíveis presentes na sagrada liturgia chegamos a contemplar com toda a riqueza e plenitude os mistérios do amor de Deus pela nossa humanidade.

Compreender tudo o que essa mesma liturgia nos oferece é chegar com maior rapidez e eficácia espiritual a esse cume, a essas alturas sagradas para onde nosso coração e nossa alma buscam sem cessar: a própria essência de Deus.

Reunir em nome do Deus Trino (Saudação), confessar as culpas (Ato Penitencial, Mt. 15,22), agradecer o perdão (Glória, Lc. 2,14), ouvir sua palavra (Leituras, Salmo de Resposta e Evagelho, Rm. 10,17), reafirmar a fé (Profissão da fé), pedir ao Senhor (Oração dos Fiéis), oferecer nossos dons (Ofertório), louvar a Deus pelo seu Filho presente (Oração Eucarística), receber o Pão da Vida nossa salvação (Comunhão) e ser abençoado partindo na missão de viver a fé na vida cotidiana (Benção e Despedida) é o que significa participar da Santa Missa verdadeiramente.

Acima de tudo é preciso resgatar, e não subestimar, toda a obra salvífica feita por Deus no período anterior a encarnação, que magnificamente complementa com novos sentidos e orientações toda a vida de piedade cristã.

Que nossa próxima visita a uma igreja católica nos revista da imagem do próprio Isaac, que ao subir para o altar aonde seria imolado, encontra alí um cordeiro que dá a vida em seu lugar.

Que em nossa próxima participação da santa missa, sejamos revestidos dos olhos de Moisés, que enxergou no sangue daqueles cordeiros, a salvação e a proteção do seu povo: de suas vidas.

Que sobretudo, na nossa próxima Eucaristia, façamos essa grandiosa descoberta na pessoa de João Batista de também poder exclamar: “Eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”.

E sem dúvida alguma, seremos felizes, pois seremos os “convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro” (Ap. 19, 9).

Por Silvio L. Medeiros




ENTENDENDO AS PARTES E MISTÉRIOS CELEBRADOS NA SANTA MISSA


P160. Que paralelo podemos estabelecer entre o Cenáculo e a Santa Missa?R. Podemos estabelecer o seguinte paralelo:

Cenáculo
Santa Missa


1 - Jesus dirige-se ao Cenáculo: acompanhado dos seus discípulos, chega ao Cenáculo, onde estava preparada a mesa do sacrifício e da comunhão;
1 - O sacerdote dirige-se ao altar: precedido dos seus ministros, onde tudo está disposto para o sacrifício da Santa Missa;
2 - Jesus deixa a mesa depois da ceia prescrita pela lei, humilha -se, ao lavar os pés dos apóstolos, e os manda que se os lavem mutuamente, voltando, depois, a ocupar o seu lugar à mesa;
2 - O sacerdote desce ao pé do altar: mesmo purificado de faltas graves, para lavar-se e purificar-se das faltas mais leves, o sacerdote faz a confissão mútua com os assistentes, subindo, depois, ao altar;
3 - Jesus senta-se à mesa eucarística: instrui seus apóstolos, e lhes dá o resumo da sua doutrina, dizendo: "Eu vos dei o exemplo para que façais como eu fiz" (Jo, 13...)
3 - O sacerdote faz no altar a instrução pública e preparatória, com o objetivo de explanar estes dizeres profundos de S. Justino ( Apol. 2 ...): "Só pode participar da eucaristia aquele que crê que nossa doutrina é verdadeira, que recebeu a remissão dos pecados e que vive como Jesus ensina".
4 - Jesus toma o pão e o vinho num cálice, e os abençoa;
4 - O sacerdote toma o pão e o vinho num cálice: eis a oblação, as orações e bênçãos que a acompanham;
5 - Jesus deu graças, elevando os olhos aos céus: embora os evangelistas não registrem as palavras de que Jesus se serviu nesta ação de graças, sabemos, pela tradição, que Ele enumerou os benefícios da criação, da providência e da redenção, que iriam se concentrar nesta vítima adorável; depois, o Senhor partiu o pão e o deu aos seus discípulos, dizendo: "isto é o meu corpo"; em seguido os deu também o cálice, dizendo: "isto é o meu sangue". Eis a fórmula da consagração: "Tomai e comei, tomai e bebei"; esta é a Comunhão do Cenáculo.
5 - O sacerdote emprega as mesmas palavras e gestos no Cânon da Missa, repetindo a fórmula da Consagração.:"Tomai e comei, tomai e bebei". Esta é a comunhão na Missa.
6 - Jesus pronuncia um hino de reconhecimento.
6 - O sacerdote termina o sacrifício com a ação de graças.

P161. Que fizeram Jesus e os apóstolos após a Ceia?


R. Os apóstolos saíram do Cenáculo com seu Mestre, e se dirigiram ao Horto das Oliveiras, para serem testemunhas da renovação e da consumação do grande sacrifício da Cruz, da mesma forma que o sacerdote se dirige ao santuário, subindo ao altar.


P162. Que paralelo podemos estabelecer entre a paixão, morte e ressurreição de Cristo e a Santa Missa?


R. Podemos estabelecer o seguinte paralelo:
Cenas da Paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo
Cenas da Missa
1 - Jesus ora no Horto, com o rosto prostrado na terra;
1 - O sacerdote, ao pé do altar, recita o Confiteor, em humilde postura;
2 - Jesus, amarrado, sobe a Jerusalém;
2 - O sacerdote, cingido com todos os paramentos, sobe ao altar;
3 - Jesus foi, de tribunal em tribunal, instruindo o povo, seus acusadores e seus juizes;
3 - O sacerdote vai de um ao outro lado do altar, para multiplicar e difundir a instrução preparatória;
4 - Jesus Cristo, assim que sentenciado e despojado de suas roupas, oferece seu corpo à flagelação, prelúdio da sua execução e morte;
4 - O sacerdote descobre as oblações, retirando o véu que cobre o cálice e a hóstia, ainda não consagrados, e faz a oferenda do pão e do vinho, que vão ser consagrados, e cuja substância vai ser consumida;
5 - Jesus é pregado na cruz;
5 - Da mesma forma como Ele se fixa no altar com as palavras da Consagração;
6 - Jesus é suspenso na Cruz, entre o céu e a terra;
6 - Como no momento da Elevação, na Missa;
7 - Jesus expira na cruz;
7 - O sacerdote parte a Hóstia, indicando, sensivelmente, esta morte;
8 - Jesus é colocado no sepulcro;
8 - Na Comunhão, Jesus é colocado no coração do sacrificador e dos cristãos;
9 - Jesus ressuscita glorioso;
9 - A ressurreição é significada pelo lançamento de um fragmento da hóstia consagrada ( o corpo de Cristo) no cálice que contém o sangue de Cristo, na hora em que o sacerdote diz a oração “Pax Domini sit semper vobiscum”, fazendo cinco cruzes sobre o cálice e fora dele. O sacerdote pede o efeito desta vida nova através das orações após a Comunhão;
10 - Jesus sobe aos céus, abençoando sua Igreja;
10 - O sacerdote se despede dos fiéis e os abençoa;
11 - Jesus envia seu espírito ao coração dos discípulos;
11 - No final da missa, é lido o início do Evangelho de S. João, que nos exorta a tornar-nos filhos de Deus (Jo, 1, ...), dirigidos e movidos pelo seu espírito, conforme estas palavras do apóstolo S. Paulo: "aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus" ( Rom 8, 14).

P163. Podemos considerar a Ceia e a Paixão de Cristo como as duas primeiras Missas?


R. Sim. Podemos considerá-las como as duas primeiras Missas, celebradas pelo Salvador, cuja oblação Ele renovou com seus discípulos durante os 40 dias que precederam sua ascensão aos céus, como deduzimos da história dos discípulos de Emaús e das divinas aparições em que o Senhor era reconhecido pela fração do pão (Lc 24, 30).


P164. Que relação há entre a Missa atual e as palavras de Cristo após a última Ceia?



R. Nosso Senhor instituiu, após a última Ceia, a parte essencial das orações e cerimônias da Missa atual.



P165. Quem estabeleceu as orações e as cerimônias das outras partes?


R. As orações e cerimônias das outras partes foram estabelecidas pelos apóstolos, pela Tradição, e pela Igreja, que acrescentaram o conveniente à dignidade do sacrifício, em nada alterando o substancial da Instituição Divina.



P166. Como podemos ter certeza disto?


R. Porque notamos, tanto nas orações como nas cerimônias introduzidas, transcrições de circunstâncias ocorridas no Cenáculo e no Calvário, observando-se cuidadosamente o que as felizes testemunhas destas cenas viram e conservaram, através da tradição.



P167. A Igreja utilizou a tradição somente para o sacrifício da Missa?


R. Não. Também em relação às cerimônias e orações dos sacramentos, a Igreja faz como fizeram os apóstolos, acrescentando orações costumeiras. No batismo, por exemplo, Nosso Senhor simplesmente mandou que se batizasse com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; as orações acessórias, que expressam seus efeitos e as obrigações que dele derivam, nos vêm da tradição e da piedade de todos os séculos.



P168. Quando os apóstolos começaram a celebrar os santos mistérios?


R. Os apóstolos começaram a celebrar os santos mistérios depois da ascensão de Nosso Senhor, como constatamos em muitas passagens dos Atos, escritos por S. Lucas, como, por exemplo:1 - Os cristãos perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão da fração do pão e na oração (At 2, 42) enquanto faziam o serviço público do Senhor (At 13, 2);2 - No primeiro dia depois do sábado (que corresponde ao Domingo), nome já dado por S. João (Apoc. 1, 10), estando reunidos, diz S. Paulo, para partir o pão (At. 20,7)...

P177. Quais foram as primeiras redações litúrgicas referidas ao santo sacrifício da Missa?



R. As primeiras redações litúrgicas relativas ao santo sacrifício da Missa foram:1 – Liturgia de Jerusalém: também denominada de S. Tiago, visto esta igreja ter recebido e conservado a liturgia daquele seu primeiro bispo. 2 – Liturgia de Alexandria: conhecida também como de S. Marcos, cuja tradição fora deixada por este santo bispo àquela cidade.3 – Constituições apostólicas: atribuídas ao Papa S. Clemente I, se bem que os autores destas diferentes obras compostas no século V, foram testemunhas e redatores dos veneráveis usos das igrejas mais antigas.4 - Liturgia de S. Basílio, no Oriente, conhecida sob o nome de S. João Crisóstomo, e ainda hoje utilizada pelos orientais.


P178. Quem ordenou a liturgia no Ocidente?



R. A liturgia no Ocidente foi ordenada por Sto. Ambrósio e por outros escritores.

P188. Além da invenção da imprensa, que outro acontecimento colaborou para maior difusão do Ordinário da Missa entre os fiéis?R. Foi a Reforma Protestante. A Igreja deu aos seus ritos a mais augusta publicidade, para auxiliar aos leigos a examinar as orações da Missa, visando combater as heresias de Lutero e de Calvino, que negavam, em especial, o caráter propiciatório do divino sacrifício. Ou seja, Lutero e Calvino afirmavam que a Missa era somente a representação da última Ceia, uma cerimônia só de agradecimento e louvor ao Senhor, negando seu caráter fundamental de renovação incruenta do sacrifício do Calvário, estabelecido por Nosso Senhor Jesus Cristo e sempre ensinado e defendido pela sua Igreja.



P189. Houve determinação oficial da Igreja para maior divulgação dos textos da Missa?


R. Sim. Os Concílios de Magúncia e de Colônia, em 1547, determinaram que as orações do Ordinário da Missa fossem explicadas ao povo, mostrando sua unidade em relação às suas finalidades, ou seja, de adorar a Deus, de agradecer-Lhe pelos benefícios recebidos (impetração), e pedir-Lhe o perdão pelos pecados cometidos (propiciação).



P190. Que outra determinação oficial houve para isso?


R. O Concílio de Trento (1570) determinou aos párocos que, nos domingos e dias santos, explicassem aos fiéis as orações da Santa Missa e as fórmulas sacramentais, para instrui-los, não só na verdade dos seus mistérios, mas também no significado das suas orações e cerimônias.


P200. O sacrifício da Missa recitado em nossos dias é o mesmo sacrifício estabelecido por Jesus Cristo?


R. Sim é o mesmo sacrifício de Jesus Cristo que recebemos dos apóstolos, dos santos doutores e dos nossos pais na Fé, os Padres Apostólicos.



P201. Não houve alterações essenciais entre o estabelecido por Cristo e o que é recitado hoje na Santa Missa?


R. Não. Essencialmente, Cristo tomou o pão e o vinho, nós tomamos a mesma matéria de oblação; Cristo a abençoou, o sacerdote a abençoa; Cristo deu graças, nós as damos; Cristo as consagrou pelas palavras onipotentes relatadas no Evangelho, o padre repete as mesmas palavras por sua ordem, a Ele unido, in persona Christi, e em Sua memória.



P202. As orações acessórias da Missa, introduzidas pelos apóstolos e pela Igreja, não alteraram a ação de Cristo?


R. Não. As orações acessórias, introduzidas no decorrer dos tempos, em nada alteraram a ação de Cristo porque, em relação a esta, tais orações somente estabeleceram:1 - a preparação pública ao santo sacrifício, com a introdução de salmos e do Kyrie (Senhor, tende piedade);2 - a entoação, no altar, do hino da redenção (Gloria), cantado pelos anjos no nascimento de Jesus Cristo;3 - o preceder e a seqüência das leituras, com orações e reflexões;4 - o hino cantado pelos serafins (Sanctus), para que ressoe no momento em que a vítima vai abrir os céus;5 - o invocar por três vezes o Agnus Deis (Cordeiro de Deus), com sua misericórdia e paz;6 - os sinais exteriores de humildade, de esperança, de respeito e de amor.Trata-se, portanto, do mesmo sacrifício de Jesus Cristo, acompanhado de orações e ritos para expressar a piedade diante de tão excelsa maravilha.



P203. Que outros fatores concretos nos certificam daquela verdade?


R. Bastaria lembrar que a Igreja recolheu as orações e cerimônias acessórias da missa:1 - das lembranças apostólicas e da mais remota tradição do tempo e dos usos estabelecidos por S. João, testemunha da dupla imolação, a da Ceia e a da Cruz;2 - das regras e disposições de S. Paulo, instruído neste mistério pelo mesmo Cristo, Nosso Senhor;3 - das meditações de Sto. Agostinho, da unção de Sto. Ambrósio, de S. Basílio e de S. Gregório;4 - da piedade e sabedoria dos seus santos pontífices e doutores, manifestadas no decorrer de 13 séculos.A Igreja as reuniu no mais feliz e santo modelo para regrar definitivamente sua liturgia, cujas palavras são a aplicação maravilhosa da Sagrada Escritura, nos infundindo admiração e respeito profundos.

P206. Inicialmente, que línguas foram empregadas na celebração da santa liturgia?


R. Nos tempos apostólicos foi utilizado o siríaco, idioma de Jerusalém de então, como o grego e o latim, muito divulgadas naquela época, as quais foram conservados como língua litúrgica, mesmo quando deixaram de ser utilizadas vulgarmente. Assim como no quirógrafo da Cruz estava escrita a sentença de morte de Cristo em latim , grego e hebraico -- Jesus Nazareno Rei dos Judeus -- assim, na Missa, que renova o sacrifício do Calvário, a Igreja usa palavras em latim, grego e hebraico.

P210. Quem institui o santo sacrifício da Missa?


R. O santo sacrifício da Missa foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, como vimos.
P211. Ao instituir este santo sacrifício, deu-lhe, Jesus, um nome específico?R. Não. Ao instituir o santo sacrifício, Nosso Senhor não o designou com nenhum nome específico, pois somente disse aos apóstolos: «Fazei isto em minha memória».



P212. Como este santo sacrifício era denominado no início da era cristã?


R. Segundo a tradição, o santo sacrifício era designado com diversos nomes, tais como: sinaxe, ou assembléia; colecta, ou reunião; sacrifício, oblação, súplica, e eucaristia, ou seja, ação de graças, porque nela se realiza a solene ação de graças que Jesus Cristo presta a Deus Pai, bem como nela se expressam todos os benefícios que lhe são inerentes e todas as graças dela provenientes.
Também foi conhecido por expressões, como: ofícios dos divinos sacramentos, os santos, os veneráveis, os terríveis mistérios.
[Vide: Dionísio Aeropagita – (pseudo Dionísio) - De Hier, eccl. c. 5. Anastácio, Sin. De Sinaxe. Hilário, In Psalms 65. Tertuliano, libro 1 De Anima. S. Cypriano e Eusébio, Dem. Evang., lib.1. Conc. Laod. Can 19 e 58].



P213. Que nomes surgiram posteriormente?


R. No século VI, o santo sacrifício era denominado no plural, Missas e Missarum solemnia. Porém, há mais de 1500 anos, a Igreja grega o chama de liturgia, ou serviço público, e a Igreja latina de Missa.



P214. Que significa Missa?



R. Missa ou Missio significa despedida. Naquela divina ação, após a leitura do Evangelho despedia-se dos catecúmenos, ou seja, dos que ainda não tinham recebido o sacramento do Batismo, e dos penitentes, que haviam perdido a graça publicamente.



P215. Por que no século VI denominavam-no Missas, no plural?



R. Porque, naquela época, havia duas despedidas: a dos catecúmenos, antes da oblação, e a dos fiéis, depois da consumação do sacrifício, conforme claramente indicado por Sto. Agostinho e Sto. Isidoro de Sevilha (Sto. Agostinho, Sermonis 49 a 237; e Sto. Isidoro, Orig. 1.6, c. 19).



P216. Como eram ditas as despedidas (Missas) naquela época?



R. Após a leitura do Evangelho, o diácono dizia em alta voz: Ide, as coisas santas são para os santos; e depois da comunhão: Ide, a hóstia acaba de ser elevada deste altar ao trono da misericórdia, acompanhada dos vossos votos, Ite Missa est.



P217. Quem passou a designar com a palavra Missa o sacrifício do Altar?



R. Era difícil uma palavra que representasse melhor o sacrifício da Igreja, pois, Missa, significava o ofício em que só podiam ser admitidos aqueles que haviam sido batizados e conservavam sua graça. O próprio povo, marcado pela impressão causada pela palavra empregada pelo diácono, dita no início e no fim do ofício, passou a chamar o sacrifício do Altar de Missa (despedida), chegando até os nossos dias.

P219. Por que damos alguns nomes complementares à Missa?



R. Embora, em sua essência, a Missa seja uma só, isto é, a renovação do sacrifício do Calvário, algumas circunstâncias propiciaram o surgimento de nomes complementares. Assim, chamamos de Missa solene, quando celebrada com toda a majestade do cerimonial; de Missa pontifícia ou ordinária, conforme celebrada por um bispo ou por sacerdote. Missa cantada, quando recitada com coro; Missa rezada, sem coro.



P220. Que designa a Missa paroquial?


R. A Missa paroquial é acompanhada da benção da água e do pão, de orações, de proclamas e de admoestações, com práticas (sermão, pregação) feitas pelo próprio pároco aos seus paroquianos.



P221. Que é Missa privada?



R. É a celebrada fora ou dentro da paróquia com intenções particulares, sem a solenidade das bênçãos, sem admoestações e práticas.



P222. Quantas partes há na Missa?



R. Na Missa há seis partes:1 – a preparação pública: da entrada do sacerdote ao altar, até a coleta;2 – o intróito e instrução: da coleta até o final do Credo;3 – a oblação: do Credo ao prefácio;4 – o cânon, ou a regra da consagração: do prefácio ao Pater Noster;5 – a consumação: do Pater Noster à comunhão;6 – a ação de graças: da pós-comunhão ao último Evangelho.»


P223. O que é Missa?



R. Missa é, pois, o sacrifício do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, imolado desde o princípio do mundo pelas promessas feitas por Deus e pela fé dos justos, aos quais se aplicavam, antecipadamente, seus frutos.



P224. Há figuras do santo sacrifício no livro do Gênesis?



R. Sim. No Gênesis encontramos figuras do santo sacrifício, como, por exemplo, as ofertas de Abel, de Abraão e de Melquisedec.



P225. E na lei de Moisés?



R. Encontramos, também, figuras daquele sacrifício na lei de Moisés, como no cordeiro pascal, e na variedade de tantos outros sacrifícios por ele estabelecidos, cujos diferentes objetos convergem para a única imolação de valor infinito, a Missa, anunciada pelos profetas.



P226. Quando se iniciou o santo sacrifício?


R. Podemos afirmar que aquele santo sacrifício se iniciou na Encarnação do Verbo, passando pelo nascimento de Cristo e pela apresentação no templo.



P227. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu o santo sacrifício?



R. O santo sacrifício foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo na véspera da sua morte, consumado no Calvário de modo cruento, e continuado nos nossos altares para ser, até o fim dos tempos, o único e verdadeiro sacrifício, que pessoalmente nos aplica o preço do sangue divino derramado na cruz, para oferecer perpetuamente Deus (Filho) a Deus (Pai) pelo ministério dos sacerdotes legítimos, a quem Cristo designou este poder.



P228. Como é oferecido o santo sacrifício do corpo e do sangue de Cristo?



R. Este sacrifício é oferecido sob as espécies de pão e de vinho, que mantém suas aparências como a cor e o sabor. Estas aparências, ou acidentes, permanecem e subsistem mesmo depois que a substância de pão e de vinho se convertem, realmente, no corpo e sangue do nosso Salvador.



P229. Por que Nosso Senhor Jesus Cristo utilizou o pão e o vinho ao instituir este santo sacrifício?


R. Porque, conforme diz a Escritura, o pão é o fundamento da vida (Ps 103), e o vinho é o símbolo de tudo que encanta e alegra o coração do homem. Assim Nosso Senhor, ao fazer deles a matéria do seu sacrifício, quis nos ensinar a imolar, com ele e nele, a nossa vida e tudo quanto dela nos é grato e querido.



P230. Poderia haver melhor símbolo para este santo sacrifício?



R. Não. Nenhum outro símbolo seria mais próprio, para nos dar a justa idéia do Deus que se sacrifica, que é o autor dos nossos bens, o conservador do nosso ser, o Senhor da vida e da morte, e o dispensador das nossas alegrias e dos nossos pesares. Assim, nenhum outro sinal poderia inspirar melhor o elevado pensamento da imolação do homem, que deve unir-se a esta vítima, e de pertencer a Nosso Senhor na vida e na morte.



P231. Que mais nos ensinam o pão e o vinho?



R. Como os alimentos nos foram concedidos por Deus, para o indispensável sustento da nossa vida, ao consagrá-los ao Senhor reconhecemos exteriormente que a Ele pertence nossa existência e que Ele é o dono absoluto dos nossos dias.



P232. Há na Sagrada Escritura outras referências a ocasiões em que os homens sacrificaram alimentos a Deus, como símbolo da Eucaristia?


R. Sim. Conforme relata a Escritura, Abel oferecia ao Senhor o leite das suas ovelhas; Caím, os frutos da terra; depois do dilúvio, Noé e seus descendentes sacrificavam animais que lhes eram permitido comer; Melquisedec, imagem de Nosso Senhor, oferecia o pão e o vinho, para expressar o reconhecimento dos soldados preservados dos perigos da guerra. Vimos, também, a oferta da flor de farinha, o vinho, o sal e o azeite sendo consumidos no altar judaico, as primeiras colheitaslevadas com solenidade ao templo, e Jesus Cristo, em fim, escolher o pão e o vinho como matéria do seu sacrifício, e conservar estas aparências, mesmo depois de ter consumado a misteriosa mudança ( a transubstanciação).



P233. O que é a Eucaristia?



R. A Eucaristia é, ao mesmo tempo, sacrifício enquanto oferecida a Deus, e alimento sacramental enquanto recebida pelo homem, conforme no-lo explica S. Thomas. Portanto, dom de união do homem com Deus, e dos homens entre si. Que mais ditosa imagem deste alimento espiritual e desta união inefável, que é a participação da vítima sob as espécies de pão e de vinho!



P234. A Missa é o sacrifício da nova lei?



R. A celebração e a consagração da Eucaristia, que normalmente denominamos Missa,é o sacrifício verdadeiro, real e propriamente dito, da nova lei.



P235. Por que a Missa é sacrifício da nova lei?


R. Porque nela se encontram todas as condições do sacrifício instituído pelo Nosso Salvador, para todo o sempre.



P236. Quais são as condições do sacrifício?


R. No sacrifício feito a Deus há: a oblação, o holocausto, a Eucaristia, a hóstia de propiciação devido ao pecado, e a impetração.



P237. O que é oblação?


R. É a oferta de algo sensível, do corpo e sangue de Cristo, sob as espécies de pão e de vinho, que são percebidas pelos nossos sentidos.



P238. A quem é feita a oblação?



R. A oblação da Missa é feita somente a Deus, conforme estabelecido dogmaticamente pela Igreja.



P239. Quem realiza a oblação?



R. A oblação é feita por um ministro legítimo, por Jesus Cristo, pontífice supremo, que fala por si mesmo e em seu nome, e por um sacerdote canonicamente ordenado – o padre - que fala em nome de Jesus Cristo, a quem empresta sua voz e o representa, e por toda a Igreja, da qual o sacerdote é o verdadeiro e legítimo embaixador junto a Deus, para oferecer o sacrifício em nome dos fiéis.



P240. A oblação pode ser feita pelos fiéis?



R. Não. A oblação é oferecida a Deus somente pelo sacerdote, ministro legítimo, como Melquisedec, que fala na pessoa de Cristo.




P241. Por que se diz que a Missa é um holocausto?



R. Porque na Missa rendemos a Deus o culto de latria, ou seja, adoração suprema e de total dependência a Deus, a quem oferecemos a adoração do próprio Deus (Cristo), de quem reconhecemos supremo domínio, a quem apresentamos a morte de Deus (Cristo), unindo o culto da nossa alma e do nosso coração à adoração de Deus sacerdote (Cristo) e à morte de Deus vítima (Cristo).



P242. Por que a Missa é Eucaristia?


R. Diz-se que a Missa é Eucaristia, ou ação de graças, porque nela elevamos a Deus não só os dons que recebemos da plenitude da sua misericórdia, como também o mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, manancial desta plenitude de graças.



P243. Por que dizemos que a Missa é uma hóstia de propiciação, devido ao pecado, oferecida a Deus?



R. Porque, através dessa hóstia de propiciação, imploramos à misericórdia divina para apaziguar sua justiça, oferecendo a imolação de Cristo (o próprio Deus) que se dignou tomar sobre si todas as nossas iniqüidades e reunir nossa fraca e insuficiente dor de arrependimento à sua satisfação infinita.



P244. Por que a Missa é também um sacrifício de impetração?


R. Porque na Missa pedimos e recebemos todos os bens necessários à salvação do corpo e da alma.



P245. Não pedimos e recebemos esses bens em outras orações?



R. Sim, porém a diferença é que, na Missa, não somos nós quem os suplica, mas o próprio Deus (Cristo) quem pede e quem ouve; nós somente unimos nossa fraqueza às suas orações. Assim, por meio deste divino intercessor nossas orações sobem aos céus, chegam ao Nosso Pai celestial e são por Ele acolhidas favoravelmente.



P246. Como podemos nos certificar que nossas orações na Missa são favoravelmente acolhidas pelo nosso Pai celestial?



R. S. Paulo apóstolo no-lo garante ao nos dizer: "Como Deus não nos dará todos os bens, depois de nos ter dado seu próprio Filho para ser o oferecimento do nosso sacrifício"?



P247. Que conclusão principal chegamos do que foi explicado acima?


R. Conclui-se que a Missa é o verdadeiro sacrifício estabelecido por Jesus Cristo para a nova aliança.



P248. Há alguma referência no Antigo Testamento sobre a Missa, como sacrifício da nova lei a ser estabelecido por Cristo?



R. Sim, e o profeta Malaquias anuncia (I, 11): 1º - A revogação dos sacrifícios antigos: "Eu não receberei mais oblações das vossas mãos", disse o Senhor aos judeus;2º - A substituição do dos sacrifícios antigos, por um novo e excelente sacrifício: "Em todo o lugar se oferece em sacrifício ao meu nome, uma hóstia pura"; quer dizer, será oferecida, porque, na linguagem profética o futuro se anuncia como presente.



P249. Por que as palavras do profeta Malaquias, acima citadas, referem-se ao santo sacrifício da Missa?



R. As palavras do profeta Malaquias referem-se ao santo sacrifício da Missa, pois:1º - afirmam que Deus não mais receberá nenhum sacrifício oferecido anteriormente:a – dos judeus, nem mesmo as vítimas legais dos seus sacrifícios, pois Deus quer substituí-las por uma nova e excelente hóstia;b – dos pagãos, com maior razão sacrifício algum, que nunca os aceitara, pois seus altares impuros serviam aos demônios.
2º - afirmando que "em todo o lugar se oferece em sacrifício uma hóstia pura", Deus também não se refere diretamente nem mesmo à imolação da cruz, que ocorreu só uma vez no Calvário; mas refere-se claramente ao Santo Sacrifício da Missa, que oferece a hóstia pura, e que ocorre em todo lugar;
3º - afirmam que não será um sacrifício nem mesmo espiritual, da alma e do coração, de agradecimento e de boas obras, que havia sido sempre praticado, pois o texto da profecia expressa um sacrifício exterior propriamente dito.
Seu sentido claramente nos indica um sacrifício novo, de uma vítima pura a Ele oferecida em todo o lugar, que é exatamente a oblação da Eucaristia na Missa, ou seja, o puro e próprio sacrifício de Deus (Cristo) vítima, oferecido à majestade do seu nome por todos os povos e em todos os lugares.



P250. A profecia de Malaquias foi realmente cumprida?



R. Sim; e para nos certificarmos disto, basta ler os Evangelistas e S. Paulo.



P251. Que nos dizem os Evangelistas e S. Paulo?



R. Os Evangelhos de S. Mateus (26), de S. Marcos (14) e de S. Lucas (22) e São Paulo nos dizem que, estando com seus discípulos na noite em que Nosso Senhor foi entregue, e após terminar a ceia da antiga páscoa, que ia ser abolida com todos os sacrifícios da lei antiga, para ser substituída pela oblação pura e universal do verdadeiro cordeiro pascal: (S. Mateus, XXVI (26-28)): "Estando, eles, porém, ceando, tomou Jesus o pão e o benzeu, e partiu-o e deu-o aos seus discípulos e disse: Tomai e comei, ISTO É O MEU CORPO." "E tomando o cálice, deu graças e deu-lho dizendo: Bebei dele todos." "Porque este é o meu SANGUE do novo testamento, que será derramado por muitos, para remissão dos pecados."; (S. Marcos, XIV (22-24)): "E quando eles estavam comendo, tomou Jesus o pão; e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, e disse: Tomai, ISTO É O MEU CORPO." "E tendo tomado o cálice, depois que deu graças, lho deu: e todos beberam dele." "E Jesus lhes disse: ESTE É O MEU SANGUE do novo testamento, que será derramado por muitos."; (S. Lucas, XXII (23-25)): "Também depois de tomar o pão deu graças e partiu-o e deu-lho, dizendo: ISTO É O MEU CORPO que se dá por vós; fazei isto em memória de mim." "Tomou também da mesma sorte o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é o novo testamento em MEU SANGUE, que será derramado por vós.;( I Coríntios, XI, 23-29): ""Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças, o partiu, e disse: recebei e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Igualmente depois de ter ceado, (tomou) o cálice, dizendo: este cálice, é o novo testamento no meu sangue, fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que ele venha. Portanto todo aquele que comer este pão ou beber este vinho indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor"



P252. No decorrer de sua pregação fez, Nosso Senhor, alguma referência a esta instituição?



R. Sim. Aos seus discípulos, em Cafarnaum, Jesus lhes dissera que era necessário comer sua carne e beber seu sangue, para se alcançar a vida eterna.Para efetuar esse milagre, disse simplesmente após a Ceia: Tomai e comei, isto é o meu corpo; tomai e bebei, este é o meu sangue. Eis a consumação deste divino sacrifício no cumprimento de todos os mistérios. Nele Cristo renova sua morte, sua ressurreição e sua vida gloriosa. Através dele Cristo alimenta sua Igreja com seu próprio corpo para torná-la um corpo santo, sempre vivo, e dar-lhe a graça da imortalidade gloriosa. Seria possível imaginar palavras mais significativas, termos mais fortes, mais enérgicos em sua sensibilidade, ou mais expressivos em seu sentido do que os que Ele empregou? –Este é o meu corpo, este é o meu sangue; fazei isto. Estas palavras de Jesus são absolutamente decisivas.



P253. Por que as palavras empregadas por Nosso Senhor "Tomai e comei, isto é o meu corpo; tomai e bebei, este é o meu sangue" são decisivas?



R. As palavras empregadas por Nosso Senhor são decisivas porque foram proferidas pelo próprio Deus (Filho); portanto, ao mesmo Deus onipotente que dissera "faça-se a luz" (Gen) e a luz foi feita, reconhecemos o infinito valor daquelas sublimes palavras.




P254. Não encontramos referência à instituição da Eucaristia no Evangelho de S. João?


R. Apesar de não descrever a Santa Ceia, S. João penetra no coração do Salvador e nos expõe os sentimentos que dirigiam a ação de Nosso Senhor naquela ocasião, dizendo: "tendo Jesus amado os seus, os amou até o fim" (Jo 13) e, podemos acrescentar, até em excesso.



P255. Por que S. João fez aquela afirmação?


R. Para nos revelar que Jesus, Deus onipotente, na Ceia, nos deu a maior prova do seu amor, nos deixando seu próprio corpo e seu próprio sangue, como alimento espiritual.



P256. Como essa dádiva de Jesus chega a nós?


R. Através do poder de oferecer o sacrifício instituído no Cenáculo, pois, Nosso Salvador deu claramente aos apóstolos, e sucessores, este poder, por meio destas palavras:"Fazei isto em minha memória".



P257. Que significa essa ordem dada aos apóstolos e sucessores por Nosso Senhor?



R. Através dessa expressão Nosso Senhor ordena aos apóstolos e sucessores que não devem fazê-lo somente como lembrança e simples representação do que Ele fizera, mas sim, "Fazei isto", que Ele mesmo fizera e como realmente fizera.



P258. Além do significado vital acima exposto, que mais podemos deduzir daquela ordem?



R. Pelas palavras empregadas por Nosso Senhor deduz-se que Ele ordena aos apóstolos que não façam outro sacrifício, distinto ou separado da oblação que Ele fizera, mas sim o mesmo que Ele ofereceu: "Tomai e comei, pois isto é o meu corpo; tomai e bebei, pois este é o cálice do meu sangue".



P259. Que significa "em minha memória"?


R. A expressão final da ordem de Nosso Senhor quer dizer:a – Fazei em minha memória, porque sou vosso Deus e Senhor;b – Em memória da autoridade e poder que dei à minha Igreja;c – Em memória dos meus padecimentos e de minha morte, que renovareis todas as vezes que fizerdes isto;d – Em memória da nova aliança que fiz com os homens, derramando aqui meu sangue e, portanto, oferecendo-o em sacrifício;e – Em minha memória, ofereceis esta oblação, ou efusão do meu sangue misterioso, sobre esta mesa, que na Cruz confirma o Novo Testamento, assegurando aos homens minha nova e irrevogável vontade de obter-lhes as graças da salvação e da herança do céu, com a condição de serem fiéis aos meus preceitos e ao meu amor, e de fazer uso dos sacramentos que estabeleci, pela remissão dos pecados.



P260. Que resumo podemos fazer, com as palavras empregadas por Nosso Senhor, acompanhadas do seu significado, quando da instituição da Eucaristia?



R. O relato do Evangelho, unido ao seu significado, Nosso Senhor diz: fazei, portanto, o que eu fiz, em minha memória, em memória de minha morte e da minha aliança; eu tomei o pão e o vinho; tomai esta matéria e estes símbolos de oblação; eu os abençoei; abençoai-os; eu dei graças; fazei o mesmo; eu parti o pão; parti-o; eu disse: isto é meu corpo, e eu vos dei e vós o recebestes; tomai e dai aos outros: hoc facite.



P261. A ordem dada por Nosso Senhor era por um tempo determinado?


R. Não, pelo contrário, Nosso Senhor ordenou que se fizesse o que ele mesmo fizera por todo o tempo que o homem deve passar na terra, pois mandou que se renovasse a oferenda da sua paixão e morte, do seu corpo imolado e do seu sangue vertido, até sua próxima vinda, quando virá para julgar os vivos e os mortos. Portanto, por estas palavras, seu poder passa para os sucessores dos apóstolos, herdeiros do mesmo sacerdócio, e, diz Jesus, "eu estarei convosco", não só ensinando, batizando, governando a Igreja, mas também oferecendo e consagrando conosco, "todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mat 28).



P262. Em que cerimônia da Igreja se cumpre a ordem deixada por Nosso Senhor?


R. A cerimônia em que se cumpre a ordem de Nosso Senhor é a Missa, que tem o poder, real e perpétuo, de oferecer e consagrar, o mesmo que Cristo ofereceu e consagrou no Cenáculo, e no Calvário.



P263. Como podemos definir a Missa, após as explicações e significados do que ocorreu no Cenáculo?



R. Podemos dizer que a Missa é "o altar em que temos o poder de comer" (Heb13); "o trono em que está o Cordeiro de pé e, ao mesmo tempo, imolado" (Apc 5), e que, nos nossos altares, continua o verdadeiro sacrifício instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo.

P264. A Missa é somente a comemoração e a representação da cena do Calvário?


R. Não. A Missa é a renovação e a continuação do sacrifício da cruz repetido em nossos altares, de forma incruenta, além de também comemorar e representar a cena do Calvário.



P265. O valor da Missa é infinito? Por que?


R. Sim, o valor da Missa é infinito porque nela se oferece o corpo e o sangue da segunda pessoa da Santíssima Trindade, Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto do próprio Deus.



P266. Que diferença há entre a Missa e a imolação do Calvário?



R. A diferença está no modo de se oferecer. Assim, no Calvário, a imolação foi visível e cruenta; na Missa, a imolação é incruenta e sacramental. No Calvário, como canta a Igreja, "somente a divindade de Nosso Senhor estava velada aos sentidos, enquanto que na Missa está velada também a humanidade" (Adoro te devote, Hino do Santíssimo Sacramento).



P267. A Missa, portanto, é o mesmo sacrifício realizado na cruz?



R. Sim, por que em ambos temos o mesmo sacrificador, a mesma vítima – que é Nosso Senhor Jesus Cristo – e, portanto, a mesma imolação.



P268. Na Missa, o sacrificador, então, não é o sacerdote que a celebra?



R. Não. O sacrificador é Nosso Senhor Jesus Cristo, que fala e atua através do sacerdote. A Nosso Salvador, pontífice supremo, se une toda a Igreja universal, todos os fiéis, que se oferecem com Ele, pelas mãos do seu representante que é o bispo ou o sacerdote, ministros legítimos desta oblação.



P269. Por quem se oferece a Missa?



R. Oferece-se a Missa por Jesus Cristo, por toda a Igreja, pelo sacerdote que a celebra, e por todos os cristãos.



P270. Como os fiéis podem participar deste oferecimento?



R. Os fiéis podem participar do oferecimento da Missa de diversos modos:A – em ato, quando assistem e participam da sua celebração;B – de modo mais precioso, quando, além de ser em ato, fazem oferecer a vítima, Jesus Cristo, por eles e em seu nome;C – de modo habitual, todos os fiéis, pois que, unidos a Jesus pela caridade e à Igreja pela fé, formam um só corpo, membros recíprocos uns dos outros, participando de todos os benefícios do corpo inteiro.



P271. Por que o sacrifício consumado no Calvário é o mesmo sacrifício realizado na Missa?



R. Porque o essencial do sacrifício do Calvário consiste na oblação que Jesus Cristo fez do seu corpo, que é a mesma oblação da Missa. Assim, tanto no altar como no Calvário, apresenta-se a mesma vítima, o corpo e o sangue de Nosso Salvador, sob as espécies de pão e vinho, para tornar sensível a presença dessa vítima. A imolação real é a mesma, ocorrendo em cada Missa, e em todas as Missas, sem multiplicar o sacrifício, como veremos.



P272. Que prova o Evangelho nos dá para nos mostrar que o essencial do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo consiste na oblação que Ele fez do seu corpo?



R. O Evangelho nos mostra que Nosso Senhor quis instituir o sacrifício do seu corpo e do seu sangue na véspera da sua morte, após a Ceia, e não no mesmo instante em que morreu, para estabelecer claramente a verdade e a igualdade do mesmo sacrifício. Assim, Ele poderia tê-lo oferecido após a sua paixão, como em qualquer tempo antes da própria Ceia.



P273. Então a oblação do sacrifício de Nosso Senhor independe do tempo?



R. Sim, e ao reafirmar a oblação da cruz no dia seguinte após a morte de Cristo, ou um ou mil anos depois, até o último dia do mundo, se oferece absolutamente o mesmo sacrifício, e as Missas são atos da repetida oblação da única imolação única de Jesus Cristo.



P274. Para a unidade do sacrifício não é então necessária uma união física da imolação e da hóstia imolada?



R. Não. Pelas próprias palavras do Evangelho, basta a união moral entre a imolação e a hóstia imolada, uma referência moral, uma relação moral ao tempo da imolação. Assim, Nosso Senhor, na Ceia, oferece sua morte futura, no Calvário, sua morte presente, e no céu, e no altar, sua morte passada, pelo mesmo ato da mesma vontade de se oferecer: a oblação se multiplica por distintos atos, mas a imolação é só uma, como único é o sacrifício.



P275. Podemos encontrar a confirmação desse ensinamento em outros livros da Sagrada Escritura?



R. Sim, S. Paulo, por exemplo, defende e confirma esse ensinamento em diversas passagens. Assim declara este santo apóstolo:
1 – Hebreus 10:a – que Jesus Cristo, desde sua vinda ao mundo, manifestou sua vontade de se oferecer a Deus Pai em holocausto;b – que, com este único holocausto, revogou os sacrifícios antigos, para substituí-los com o seu ("aufert primum ut sequens statuat");c – que, por esta única vontade, concebida desde a encarnação e fielmente cumprida até a sua morte na cruz, fomos santificados pela única oblação do seu corpo;
2 – Hebreus 9 e 7:a – que Nosso Senhor não se limitou em derramar seu sangue na cruz para a remissão dos nossos pecados (Heb 9), mas também que, na unidade do mesmo sacrifício, o recolheu e levou-o, não ao templo judeu, que não passava de um exemplo e uma figura, mas ao santo dos santos, ao céu, para apresentá-lo diante de Deus em nosso favor, como mediador e pontífice (Heb 7);



P276. Que mais nos ensina S. Paulo naquelas epístolas?





R. S. Paulo nos ensina que Jesus Cristo é o mediador de uma aliança mais excelente que a antiga, em todos os aspectos, principalmente pela sua duração: imortal na natureza humana com que se revestiu e, fazendo-se sacerdote por toda a eternidade, seu sacerdócio é sem fim, pois, na terra, estabeleceu sacerdotes com sucessores, enquanto que, no céu, Ele intercede por nós.



P277. Como a Igreja manifesta esse ensinamento de S. Paulo?



R. A Igreja sempre celebrou o dia da Ascensão de Nosso Senhor ao céu, onde sem cessar Ele oferece ao seu Pai os ferimentos que sofreu por nossas iniqüidades, e que, por meio desse contínuo oferecimento, nos alcança a entrada perpétua na aliança de sua paz.



P278. A oblação de Nosso Senhor foi sempre a mesma e única imolação?




R. Sim. O desejo da oblação de Nosso Senhor se manifesta desde a sua Encarnação, se constitui no Cenáculo, se executa na cruz, se perpetua no céu e, no entanto, só há uma única imolação de Jesus Cristo porque, como diz S. Paulo (Heb 9) este Deus salvador morreu somente uma vez para expiar os pecados de todos os homens e, agora, não morrerá mais, pois jamais a morte terá domínio sobre Ele, depois da vitória que Ele teve contra ela (Rom 6).



P279. Qual é, em resumo, o ensinamento de S. Paulo?



R. S. Paulo nos ensina que Jesus Cristo ofereceu, com um só desejo, desde a Encarnação até o Calvário, e por esse mesmo desejo oferece esse sacrifício único desde a cruz até o céu, onde renova, sem cessar, por meio de oblações mil vezes repetidas, sua imolação já consumada e cumprida. Assim, pelas palavras da consagração na Missa, Nosso Senhor se apresenta no altar, não só sob os símbolos da morte e num estado de imolação aparente, mas também como Ele se encontra, à direita de Deus Pai, sacerdote eterno, supremo pontífice e mediador da nossa aliança, e dom da nossa paz; sendo agora o mesmo que se apresenta na celebração da Missa, sempre vivo e intercedendo por nós, oferecendo suas chagas que salvaram o mundo, e perpetuando seu sacrifício sem interrupção.



P280. O que se constitui a verdadeira oblação da Missa?



R. A presença de Jesus Cristo, oferecendo sua morte se constitui na oblação verdadeira da sua imolação real e a rigorosa continuação do seu sacrifício na cruz; os atos de oblação são atuais, distintos e multiplicados; mas sempre é a oblação da mesma vítima do Calvário e a mesma imolação desta vítima.



P281. Seria possível explicar esse princípio com um exemplo?



R. Sim. Suponhamos que Deus tivesse querido estabelecer um sacrifício muito solene para a entrada e posse do seu povo na terra prometida, e que tivesse declarado que este sacrifício, único em sua classe, não fosse oferecido pelos filhos de Aarão em nome dos seus irmãos, mas por cada israelita de cada tribo e família; suponhamos ainda que a vítima fosse representada somente por um cordeiro e que esta imolação se renovaria por cada ato pessoal e individual. Suponhamos que Moisés, antes de dar posse das terras além do Jordão às tribos de Gad, de Ruben e à metade da tribo de Manasés, tivesse escolhido o cordeiro destinado ao sacrifício. As tribos cujas possessões estariam já definidas passariam diante do altar e, desfilando na sua ordem, apresentariam pelas mãos de cada indivíduo aquele cordeiro para ser imolado. Moisés, já próximo da sua morte, também o ofereceria, mas de forma mais solene. Josué, seu sucessor para conduzir o povo de Deus, imola o cordeiro deixando-o no altar banhado com seu sangue. As demais tribos de Israel, antes de passar o Jordão, desfilam diante do altar e cada indivíduo oferece o sangue derramado. Terminado o desfile e o oferecimento de todo o povo, levam o sangue do cordeiro ao tabernáculo para ser nele conservado. Depois os levitas o tiram todos os dias, e muitas vezes ao dia, para oferecê-lo a Deus em nome de todo o povo, e este rito se conserva por todas as gerações. Neste exemplo, poder-se-ia duvidar de que, apesar de terem sido multiplicadas as oblações e que duraram por tanto tempo, somente foi efetuado por todos um só e único sacrifício, e que sua continuação, enquanto subsistir o povo de Deus, não alteraria em nada a sua identidade e a sua unidade?
Eis a imagem patente e o exemplo vivo do sacrifício da cruz que o Cenáculo viu antecipar-se e que continua na Missa até a consumação dos séculos: os justos que viveram antes de Jesus Cristo e que durante mais de 4.000 anos passaram diante do seu altar para oferecê-lo com sua fé; e após a consumação do sacrifício, todas as tribos da terra passam diante deste mesmo altar, oferecendo realmente o mesmo Jesus Cristo imolado, tornado presente pela instituição da autoridade divina o mesmo Deus do Calvário, com seu corpo que é oferecido, com seu sangue que é derramado sem cessar, para a remissão dos pecados.
A Missa é realmente, portanto, quer em relação ao sacerdote, à vítima e à imolação, o mesmo sacrifício da cruz; seu preço é, portanto, de valor infinito, como a morte do Salvador. Eis, dentre outras conseqüências, as que podemos tirar da prática deste sentimento católico que acabamos de expressar e de provar.



P282. Por que explicar tão detalhadamente este tema?




R. Porque, ainda que comumente se ouve dizer e repetir diariamente que a Missa é o mesmo sacrifício da cruz e que devemos assisti-la como diante da cena do Calvário, freqüentemente acontece que não fixamos bem suas conseqüências nos nossos corações, visto seu entendimento não ter penetrado profundamente na nossa razão.



P283. Como podemos colocar em prática esse conhecimento mais aprofundado da Missa?


R. Uma vez entendido melhor esta elevada teologia de S. Paulo, vemos o profundo respeito, a viva confiança, a plenitude de fé e de amor que devemos ter diante dos altares, nas Igrejas, pensando se tivéssemos assistido a oblação da imolação do Calvário, como estaríamos unidos mais estreitamente a Nosso Senhor Jesus Cristo, como teríamos recolhido com o maior cuidado cada gota do seu sangue, como teríamos guardado cada batimento do seu coração, cada palavra da sua boca e diríamos mil vezes com fervor: "Lembrai-vos de mim, Senhor" -"Memento mei, Domine" (Lc 23), e com o coração cheio de dor e de arrependimento, repetiríamos o grito de fé e de reconhecimento: este homem é o verdadeiro Filho de Deus – "Vere Filius Dei erat iste" (Mt 27), e quereríamos ajudar a preparar os perfumes e a sepultura de Deus vítima e, principalmente, a desejar que os nossos corações lhe servissem de túmulo.



P284. Com que respeito, e disposição de alma, nós devemos assistir o santo sacrifício da Missa?


R. Se:A - transportados em espírito como o apóstolo S. João (Apc 5) assistimos no sublime altar do céu, onde Nosso Senhor celebra e oferece sem cessar, por si mesmo e sem representante, e víssemos no trono de Deus este cordeiro em pé, imolado, abrindo o livro da liturgia eterna para nele ler o nome dos que aproveitam do seu sangue derramado, para fazer com que os homens se inscrevam naquelas páginas de vida, segundo as quais se concluirá no fim dos tempos a Missa definitiva e a despedida irrevogável;B – ouvirmos ressoar no céu estas terríveis palavras: "As coisas santas são para os santos; a felicidade, a bem-aventurança e a benção, para os filhos de Deus; a Missa eterna para a inocência e para o arrependimento; ... nós nos prosternaríamos diante do cordeiro para a adoração com o coração arrependido e humilhado, e encheríamos os incensos de ouro com a mais pura oração.



P285. Que outros princípios devem alimentar nossa alma ao assistir a santa Missa?



R. Como a Missa continua na terra o mesmo sacrifício que continua no céu, e que a mesma vítima sobe de um altar ao outro levando consigo nossos desejos, e volta a descer carregada de bênçãos, ao assistir a Missa devemos animar nossa alma com os mesmos pensamentos que teríamos no céu.



P286. O valor da Missa é, pois, infinito?



R. O valor da Missa é infinito por se referir a Deus vítima, à suficiência do tesouro dos seus méritos que, oferecidos por Deus-sacerdote, serão sempre aceitos pelo Senhor, como dignos da sua majestade e da sua justiça; o valor da Missa é de valor finito quanto ao exercício do sacerdote secundário, que é um homem revestido de poderes divinos, e enquanto aplicação que o Senhor nos faz dos méritos do seu Filho, proporcionalmente à nossa fé, nossa penitência e nosso fervor.



P287. Quais são os frutos do sacrifício da Missa?


R. A Igreja nos ensina que a Missa opera por si mesma, e por sua virtude própria, o perdão dos pecados; mas o opera de uma forma mediata, ou seja, que pelo próprio ato do sacrifício, e sem nenhum meio ulterior, ela obtém, para o pecador, a graça de se converter e de receber, no sacramento da Penitência, a remissão das suas faltas.
Exemplificando: uma pessoa que pede a Deus a graça de mudar de vida e de se confessar, mas sem assistir ao sacrifício da Missa, poderá obtê-la somente em virtude do seu fervor e das suas instâncias, porém sempre terá dúvida se de fato a obteve.
Contudo, se ela assiste a santa Missa com aquela finalidade, é certo que receberá a graça pedida, de modo eficaz, desde que não oponham obstáculos a ela, independentemente das disposições de quem celebra e do fervor de quem assiste a celebração, entendendo-se o mesmo quanto às demais graças para a salvação.



P288. Se a Missa produz a graça e a aplicação dos méritos do sangue e da morte de Cristo, em que ela se diferencia dos sacramentos?



R. A diferença é que a Missa nos concede a graça de forma mediata, enquanto que os sacramentos nos dão a graça imediatamente; a Missa é uma via segura que conduz à vida, à graça, e os sacramentos são a própria vida, a própria graça, com toda a sua eficácia.



P289. Que podemos concluir desse conceito?


R. Podemos concluir que a assistência à Missa é uma excelente disposição para o perdão e a conseqüente justificação, considerando que a Missa é o tribunal de misericórdia de primeira instância, se é permitido assim falar, e dela se passa ao tribunal de reconciliação de último recurso.



P290. Haveria outra diferença entre a Missa e os sacramentos?


R. Sim. Há outra diferença mais favorável ao sacrifício: os sacramentos só aplicam o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo aos que são dignos dele, enquanto que a Missa o aplica ao justo e ao pecador, ao que merece e ao que nem é mesmo digno de recebê-lo. Isso porque os sacramentos só produzem seus efeitos para os vivos, enquanto que a Missa estende seus frutos de salvação aos vivos e aos mortos.



P291. Com que disposição esses princípios nos levam a assistência à Missa?


R. Conseqüentemente, devemos ir "com confiança ao trono da graça" (Heb 4) para alcançar a misericórdia e, naquele mesmo trono, encontrar os socorros necessários às nossas necessidades.



P292. Que outro ensinamento tiramos desses princípios?


R. Devemos compreender quão preciosa é a prática dos fiéis que fazem celebrar ou que assistem a Missa, sempre que precisam pedir alguma graça a Senhor, e como tão mais santo é o costume de assisti-la diariamente, para fortalecer-nos sem cessar com sua santa proteção.



P293. Qual a eficácia da Missa quanto às penas temporais devidas aos nossos pecados?


R. Quanto às penas temporais devidas aos pecados, depois de terem sido perdoados no sacramento da Penitência, a Missa as extingue imediatamente aos que estão em estado de graça, assim como aos justos do purgatório, cujas penas são eliminadas também imediatamente, se bem que eles não podem merecer mais, nem mesmo recorrer a outros meios.



P294. A Missa redime sempre e imediatamente todas as almas do purgatório?


R. Não. A Igreja nos ensina que a redenção das almas do purgatório, por meio da aplicação dos frutos da Missa, se realiza conforme a vontade e os desígnios de Deus. A Igreja diz que a Missa ajuda a redimir as almas do purgatório, conforme estabelecido na seção 25 do Concílio de Trento. Assim os fiéis costumam oferecer freqüentemente Missas aos defuntos. Além deste fruto eficaz do sacrifício, oferecemos também, como fruto secundário àquelas almas, as fervorosas disposições com que assistimos a ela.



P295. Que nos ensina S. Tomás sobre essa questão?



R. S. Tomás nos ensina que a santa oblação é aplicada a cada um proporcionalmente à sua devoção. Neste sentido a Missa opera segundo a santidade de quem oferece e de quem assiste a ela.




P296. Mas a Missa não é somente oferecida a Deus?



R. Sim, a Missa é oferecida somente a Deus, a quem se deve unicamente a adoração, o culto supremo e o reconhecimento total da nossa dependência, em proveito do sacerdote, dos fiéis e das almas do purgatório, isto é, rogando graças para essas fiéis pessoas.



P297. Por que, então, oferecemos a Missa para a Virgem, Missa para os defuntos?


R. Essas expressões são formas comuns que empregamos, para indicar que as orações e leituras que precedem o cânon são em memória dos santos ou dos fiéis defuntos. Embora o sacrifício só pode ser oferecido a Deus, nele se faz menção aos santos, pois a Missa é o sacrifício de toda a Igreja que Nosso Senhor o oferece como a cabeça do seu corpo místico, que é a própria Igreja.



P298. Por que a Igreja menciona o nome dos santos em certas passagens da Missa?



R. Porque a Igreja militante se une a Jesus Cristo para oferecê-la e, pelo mesmo motivo, se une à Igreja triunfante, inseparavelmente unida à sua cabeça.



P299. Por que a Igreja militante se une à Igreja triunfante?



R. Estas duas partes da sociedade dos filhos de Deus se unem para implorar, pelos méritos de Cristo, a divina misericórdia em favor da Igreja padecente, constituída pelas almas que sofrem no purgatório.



P300. A união da Igreja triunfante com a militante visa somente as almas do purgatório?



R. Não, pois esta lembrança dos santos no altar se faz também para felicitá-los pelas suas vitórias, para agradecer a Deus pelos seustriunfos, para nos incentivar a imitar seus sacrifícios consumados, e para nos fortificar, como diz o cânon da Missa, através dos seus méritos e orações a Deus e Jesus Cristo, único mediador todo poderoso.



P301. Em resumo, a quem podemos oferecer a santa Missa?



R. A santa Missa se oferece a Deus, pelos vivos, justos ou pecadores, e, em geral, por todos os que professam a fé católica. (A Igreja não reza especificamente pelos cismáticos, hereges e pagãos, senão na Sexta-feira Santa). Oferecemo-la também para os mortos para que descansem em Jesus Cristo, e por todos os fiéis que padecem no purgatório.

P302. A que se refere o termo "material", objeto do estudo deste §1?



R. "Material", aqui, se refere aos edifícios destinados à celebração do sacrifício da Missa, ou seja, as igrejas, incluindo tudo o que nelas contém para tal, como os altares, e tudo relativo a eles. Neste parágrafo não iremos tratar dos vasos, dos tecidos sagrados, dos ornamentos, do incenso e dos demais objetos do culto.



P303. Qual foi o primeiro templo especificamente usado para o sacrifício da Missa?




R. O primeiro templo especificamente utilizado para o sacrifício da Missa foi o Cenáculo, lugar "amplo e bem adornado" (Lc 22) para a celebração da Eucaristia, a pedido de Jesus Cristo – Deus.



P304. Por que Nosso Senhor exigiu um local "amplo e bem adornado"?


R. O mesmo Jesus Cristo, que nasceu num estábulo, pois não tinha onde repousar sua cabeça, e que morreu na cruz, ordenou a seus discípulos que procurassem um local "amplo e bem adornado", para justificar a majestade e riqueza das nossas igrejas.



P305. Qual foi o primeiro altar do sacrifício da Missa?


R. O primeiro altar em que se realizou o sacrifício de Cristo foi o Calvário.


P306. Nos tempos de perseguição, onde se realizava o sacrifício da Missa?


R. Em geral, na época de perseguição dos cristãos, o sacrifício da Missa era realizado nas casas de alguns fiéis privilegiados, ou escondidos em cavernas, bosques, calabouços ou catacumbas.



P307. Quando foram construídas as primeiras igrejas para a celebração solene e pública do sacrifício da Missa?


R. Logo após o término das perseguições foram construídas as primeiras igrejas para a celebração pública da liturgia da Missa, em honra do verdadeiro Deus. Posteriormente, em todas as partes, a piedade e arte de cada século contribuíram para a grandeza e riqueza das construções, sempre erigidas, fundamentalmente, para a celebração do sacrifício da Missa.



P308. Dentre os diversos estilos arquitetônicos das igrejas, qual foi o mais significativo quanto à piedade e grandeza devidas a Deus?



R. Foi o estilo gótico que consagrou a Deus suas majestosas catedrais, com suas elegantes cúpulas e formas grandiosas. Também os elevados campanários nas pequenas aldeias, rompendo com graça a uniformidade da paisagem, anunciavam por toda parte o tabernáculo de Deus entre os homens.



P309. A construção das igrejas seguia alguma regra específica?



R. Sim; seguia uma tradição específica, conforme o testemunho do autor das "Constituições apostólicas".



P310. Que recomendava aquela tradição referente à construção de igrejas?



R. Havia uma série de recomendações quanto:A – a forma: que deveria ser ampla e semelhante a uma nave — daqui vem o nome do corpo principal do templo;B – a orientação: deveria estar voltada para o Oriente — origem da luz, simbolizando Nosso Senhor, Luz do mundo;C – a sacristia: ao lado do altar, onde se colocariam os objetos do culto, incluindo os paramentos litúrgicos;D – a cátedra, ou sedia, do bispo: localizada no fundo da catedral, com os assentos para os sacerdotes à sua direta e à sua esquerda;E – o altar: no meio do santuário, como são vistos nas igrejas românicas;F – o santuário: fechado por uma balaustrada;G – a frente do altar: local para os clérigos menores, seguidos dos fiéis, onde havia o púlpito para as leituras e sermões.



P311. Como se dispunham os fiéis na catedral?


R. Os homens ficavam de um lado e as mulheres do outro, para melhor conveniência do ósculo da paz. Viria depois local reservado aos catecúmenos e aos penitentes públicos



P312. Quantas portas havia nas igrejas primitivas?



R. Em geral havia três portas: a principal, ou grande porta, à frente do edifício; a porta menor, que separava os fiéis dos catecúmenos e penitentes públicos; e a chamada porta santa, que fechava a parte do santuário, e que servia de balaústre para a mesa da comunhão.



P313. Que semelhanças há entre aquelas igrejas primitivas e as atuais?



R. Há inúmeras, como por exemplo:1 – a Cruz externa, sobre o edifício ou sobre o campanário, indicando o sacrifício que se renova no templo católico;2 – os sinos, como a voz do sacerdote, convocando os fiéis;3 – as pias de água benta: ao lado da entrada, lembrando a pureza exigida na oblação;4 – os confessionários: como meios para, através do sacramento da penitência, ou confissão, recuperarmos a graça de Deus, perdida pelos pecados;5 – a cruz na frente do altar: indicando aos fiéis que devem unir o sacrifício do seu coração à imolação da grande vítima do mundo;6 – local para o coro e o órgão;7 – capelas laterais, possibilitando a multiplicidade de Missas;8 – relicários, imagens que nos lembram a glória dos santos e que já consumaram seu sacrifício;9 – finalmente, e acima de tudo, o altar, que é o ponto central das nossas igrejas.



P314. Que significa a palavra ‘altar’?


R. A palavra ‘altar’ deriva de ‘altus ’ significando ‘elevado’. Entre os gregos, o termo utilizado era thusiasterion, que significa ‘ lugar da imolação’.



P315. Que afirmou s. Gregório sobre o altar do sacrifício?



R. S. Gregório nos diz que o altar do sacrifício é de pedra comum, semelhante a que usamos para levantar muros, porém devidamente abençoado e consagrado ao Senhor.



P316. Havia altares sobre túmulos?



R. Sim, às vezes erguiam altares sobre túmulos de mártires, e sua forma externa era de uma sepultura. Mas, como dizia Sto. Agostinho, o altar era somente para Deus, embora contendo os restos mortais de mártires. Disto surgiu o costume de se colocar relíquias de santos nos altares, costume que não só nos apresenta uma imagem do céu, onde S. João viu no altar as almas dos mártires (Apc 6), mas nos mostra também um espetáculo digno dos anjos e dos homens: Jesus Cristo, vítima universal oferecida a Deus sobre o corpo das suas vítimas, estimulando os fiéis ao sacrifício das suas vidas, pelo menos moralmente.



P317. Todos os altares são iguais?


R. Não. Os altares são diferenciados segundo a forma de sua consagração ou da sua finalidade, havendo, basicamente, três tipos de altares:A – Fixo: quando a pedra inteira é consagrada;B – Portátil: quando foi consagrada somente a pedra central;C – Privilegiado: altar em que se permite celebrar missas de defuntos mesmo nos dias proibidos em outros altares, ou que gozam de indulgências temporais ou perpétuas específicas.



P318. Por que o altar está sempre acima do nível do solo?



R. O altar deve ficar acima do nível do solo, elevado pelo menos por um degrau ou base, para corresponder ao significado literal e místico do seu próprio nome e da sua finalidade.



P319. Como a elevação do altar acima do solo corresponde a sua finalidade?R. Como a oração é a elevação da alma a Deus, assim também é o sacrifício celebrado no altar, sinal público da mais excelente oração, que deve ser oferecido num lugar elevado para nos lembrar que devemos nos separar da terra, e nos elevarmos para o céu, aproximando-nos espiritualmente do trono da misericórdia de Nosso Senhor.



P320. O que deve ser colocado no centro do altar?



R. No centro do altar deve ser colocado um tabernáculo, no qual se conservam as hóstias consagradas para a comunhão dos fiéis, ou levadas aos enfermos, e a hóstia que é exposta à adoração nos ofícios públicos.



P321. O que se coloca nas laterais do altar, ao lado do tabernáculo?



R. Tanto à direita como à esquerda do tabernáculo, colocam-se pequenos degraus, com flores, e candelabros com velas. Pelo menos duas velas devem estar acesas durante a santa celebração, multiplicando-se conforme a solenidade dos dias.



P322. Como o altar deve ser revestido?


R. O altar deve ser coberto por três toalhas bentas, sobre as quais coloca-se um missal apoiado em pequena estante, e três quadros denominados cânones do altar (sacras), um ao centro, contendo o texto que é recitado no meio do altar em momentos em que o sacerdote não possa ler comodamente o missal; o da direita, contém as orações da infusão do vinho e da água no cálice e o salmo do Lavabo; o terceiro, à esquerda, contém o último Evangelho segundo S. João.Nas Missas solenes e cantadas coloca-se ainda no altar o livro das epístolas e dos Evangelhos, e antigamente os instrumentos para o ósculo da paz.



P323. Por que se acendem luminárias durante a Missa?



R. A origem deste costume se encontra no início da era cristã, no tempo das perseguições, em que os fiéis, obrigados a celebrar os santos mistérios em lugares escuros e antes do raiar do dia, precisavam acender tochas que, às vezes, eram multiplicadas como sinal de alegria.



P324. Há referência desse costume na Escritura?



R. Sim. S. Lucas, nos Atos dos Apóstolos, 20, 7- 8, nos revela que, no local onde S. Paulo pronunciou um extenso discurso aos fiéis no primeiro dia da semana (domingo) havia uma grande quantidade de luminárias. Aí lemos: "E, no primeiro dia da semana, tendo-nos reunido para a fração do pão, Paulo, que devia partir no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o discurso até a meia-noite. E havia muitas lâmpadas no Cenáculo, onde estávamos reunidos". Além disso, Eusébio nos diz que, na noite de Páscoa, além da iluminação das igrejas, o imperador Constantino ordenava acender todo o tipo de tochas em todas as ruas da cidade, para que aquela noite fosse mais brilhante que o dia mais claro (Euséb., História Ecles., 1. 5, c. 7).Assim, o costume das luzes durante a celebração da Missa é uma lembrança da mais remota Antigüidade, e como manifestação da alegria espiritual dos fiéis naquele santo momento.



P325. O costume de acender luzes não surgiu, portanto, da pura necessidade natural de iluminação?


R. Não, pois, nos séculos III e IV, apesar da profunda paz reinante, na qual a Igreja podia celebrar livremente, e com grandiosidade, cerimônias mais solenes, sempre se acendiam lampadários durante o dia.



P326. Há alguma referência histórica sobre esse tema?



R. Sim, por exemplo, quando o herege Vigilâncio se atreveu a acusar a Igreja de superstição porque pessoas piedosas acendiam velas durante o dia nos túmulos dos mártires, S. Jerônimo lhe respondeu indignado, referindo-se aos ofícios eclesiásticos: "Nós não acendemos luzes durante o dia senão para mesclar de alguma alegria as trevas da noite; para velar com a luz, e evitar dormirmos como vós, na cegueira das trevas" (S. Jerônimo, Epist. ad Vigilant ).



P327. Por que o testemunho de S. Jerônimo é importante para esse assunto?



R. Porque ninguém como ele poderia estar melhor informado sobre esse costume, pois ele havia visitado toda a Gália (França) e percorrido todo o Oriente e Ocidente. Assim, podemos dizer, sob sua autoridade, que não se acendiam luzes durante o dia porque haviam sido usadas no decorrer da noite, mas que nas igrejas do Oriente se acendiam luzes por motivos místicos: "Em todas as igrejas do Oriente, diz ele, se acendem velas durante o dia quando se lê o Evangelho, não para ver claro, mas como sinal da alegria e como símbolo da luz divina, luz da qual diz o salmo: vossa palavra é a luz que ilumina meus passos" (Id.)Esse mesmo motivo místico, que levou os fiéis a acender velas durante a leitura do Evangelho, determinou o costume posterior de mantê-las acesas durante a celebração do sacrifício em que Nosso Senhor, que é a verdadeira luz dos homens, está realmente presente; no qual o pontífice e o sacerdote, em suas elevadas funções, representam esta divina e evangélica claridade.



P328. Por que a Igreja sempre aprovou esses costumes?



R. A Igreja sempre aprovou esses costumes simbólicos porque eles são ensinamentos simples e edificantes para o povo.



P329. Há outros exemplos da utilização da luz como símbolo da fé?



R. Sim, por exemplo, o antigo costume de se colocar nas mãos do recém batizado um círio, e S. Cirilo de Jerusalém, no ano 550, dizia que estes círios acesos são símbolos da fé que se deve conservar com todo o cuidado.




P330. Por que se abençoa e se acende o círio pascal?



R. Há mais de 1200 anos se benze e se acende o círio pascal para que a benção desta luz nos permita a contemplar a sagrada ressurreição, ou seja, o brilho luminoso da nova vida de Jesus Cristo, como afirma o 4º Concílio de Toledo, no ano 633, ao censurar as igrejas que não observavam esta cerimônia.



P331. Por que se levam círios na festa da apresentação de Jesus no Templo, e purificação de Nossa Senhora?R. Levam-se círios na comemoração daquelas festas para que os fiéis possam participar da alegria de Simeão ao tomar o Menino Jesus em seus braços, expressando que Ele era a alegria das nações e para indicar que devemos nos consumir diante do Senhor, unidos em Jesus Cristo, como se consome a vela que levamos.



P331. Por que se acendem velas nas cerimônias fúnebres?



R. No século IV, os corpos dos fiéis que haviam falecido na fé eram levados à igreja, em procissão com círios acesos. S. Paulo, S. Simeão Estilista e o próprio imperador Constantino, assim foram conduzidos para indicar, com este solene séqüito de luminárias, que eles eram verdadeiros filhos da luz.A quantidade de velas que ardiam, dia e noite, no túmulo dos mártires, conforme nos dizem S. Paulino e Prudêncio, brilhavam em homenagem à luz celestial de que usufruíam aqueles santos e que fazem a alegria dos cristãos: "Nasce a luz para os justos, e a alegria para os retos de coração" (Salmo 96, 11).Da mesma forma, os círios acesos durante o dia nas igrejas foram sempre considerados símbolos da verdadeira luz, conforme nos diz S. Jerônimo e Sto. Isidoro (Etym., 1. 7, c. 12).




P332. Que diziam S. Pedro e S. Paulo utilizando a luz como símbolo?



R. S. Pedro dizia: todos vós sois filhos da luz e do dia; e S. Paulo: antes vós éreis trevas, mas, agora, sois a luz no Senhor: andai como filhos da luz.



P333. O que nos diz o Micrólogo sobre a luz nas missas?



R. Afirma que nós nunca celebramos a missa sem luz, não para dissipar o escuro, visto que é dia, mas para figurar e anunciar a luz eterna e divina cujos sacramentos e gloriosos mistérios celebramos.



P334. Haveria ainda algum outro motivo para se acender luzes durante a Missa?


R. Sim. A Igreja acolhe também este costume por sua relação ao espetáculo testemunhado por S. João no céu, quando viu o Filho do Homem entre sete candelabros de ouro. Os círios acesos nos advertem que devemos nos comportar como filhos da luz com a prática de atos de caridade, de justiça e de verdade.

§ 2 – Procissão antes da Missa



P409. Que significa “Procissão”?



R. A palavra procissão vem do termo latino procedere, que significa marchar, ou ir adiante. Por procissão se entende a marcha, o caminhar, que fazem o clero e o povo rezando para determinados fins religiosos, levando à frente a cruz de Cristo, que é o caminho e guia dos fiéis.



P410. Quais são as origens das procissões?



R. Seguindo a tradição do Antigo Testamento, havia procissões para levar a arca santa de um lugar para outro; no século VI vemos o costume de celebrar-se Missa nos túmulos de mártires, ou em lugares de devoção; fazia também procissões para benzer cemitérios e lugares próximos de igrejas.




P411. Quando se realizavam as procissões?



R. As procissões eram feitas no raiar do dia para imitar as santas mulheres que se dirigiram bem cedo ao sepulcro de Nosso Senhor.



P412. Por que se fazem procissões antes da Missa nos domingos e festas solenes? R. A finalidade das procissões antes da Missas é de abençoar os caminhos e as casas com a água santificada e, principalmente, pela presença de Cristo, como nas solenes procissões da Páscoa.




P413.Há outras finalidades nas procissões?



R. Sim; como de honrar algum mistério, como a entrada de Nosso Senhor no templo, ou sua entrada triunfal em Jerusalém no dia de ramos; da sua ascensão ao céu; ou atrair as bênçãos de Deus sobre os bens da terra, etc. A finalidade principal das procissões é de mostrar que o cristão é um viajante em desterro na terra e que o céu é sua verdadeira pátria para a qual ele se encaminha guiado por Cristo, sob a proteção de Nossa Senhora e dos santos patronos, cujos estandartes ele leva, iluminado pela luz da fé, pelo exercício da oração e da penitência, para chegar ao altar visível e deste ao altar do céu, onde está o verdadeiro repouso e a felicidade eterna: estes são os piedosos motivos que devem animar os fiéis nas procissões.



P414. Há paramentos especiais para o sacerdote e clérigos nas procissões?


R. Sim. Normalmente o sacerdote usa a cappa, que era um grande manto com um capus que o abrigava da chuva; daí o nome: pluvial. Hoje, a capa é só um ornamento.



P415. Como o povo acompanha a procissão?


R. Durante a procissão cantam-se hinos, salmos, antífonas, ladainhas e mais freqüentemente responsórios, finalizando com uma oração geral recitada pelo sacerdote que a dirige.

§ 3 – Chegada do sacerdote ao altar



P416. Que faz o sacerdote ao fim de tudo o que precede o Santo Sacrifício?



R. Terminada a preparação do sacerdote à oblação propriamente dita, e tendo se revestido dos paramentos, com as virtudes que são próprias às suas funções, com as armas da luz e a luz mesma que lhe serve de capa (Ps. 102), faz o sacerdote uma reverência respeitosa à cruz situada na sacristia, recebendo como embaixador de Cristo que o envia as últimas instruções para realizar o Santo Sacrifício.



P417. Que significa a casula que reveste o sacerdote?



R. A casula lembra Nosso Senhor Jesus Cristo subindo ao Calvário, carregando o divino madeiro; e, avançando, o sacerdote segue em espírito como ao sacrificador principal de que ele é indigno representante.



P418. Que significa o caminho do sacerdote da sacristia ao altar?



R. O sacerdote se encaminha da sacristia ao altar, conforme determina a rubrica, pois deve revestir-se na sacristia e este caminho representa o Salvador vindo a este mundo, manifestando a vontade de se oferecer e começando o seu sacrifício desde a Encarnação.



P419. Que representam os acólitos?



R. Os acólitos, portando velas acesas e precedendo o sacerdote, simbolizam a luz que ilumina todo homem que vem ao mundo e que brilhou para os que se encontravam nas trevas e nas sombras da morte.



P420. Por que os acólitos levam a cruz, e o incenso?



R. Levam a cruz para mostrar o sacrifício que marcou a vida de um Deus feito homem; o incenso, para indicar o perfume da doutrina e das virtudes que ele veio ensinar ao mundo.



P421 Que representam os demais participantes da procissão que antecedem o sacerdote celebrante?



R. Os membros da ordens menores representam a longa série de profetas; o subdiácono e o diácono, que são como os apóstolos da Nova Lei e do evangelho. (Nota: as ordens menores foram suprimidas após o Concílio Vaticano II).




P422. Por que caminham com passo lento e sério?



R. Assim caminham como convém ao representante de um Deus e dispensador dos mistérios sagrados. Em missas solenes o sacerdote é acompanhado por outro com cappa, denominado de assistente, para substituí-lo se por algum motivo ele não possa concluir o Santo Sacrifício, e para auxiliá-lo e servi-lo durante a liturgia.



P423. Que mais ordena a rubrica quanto à procissão antes da Missa?


R. A rubrica determina ainda que o sacerdote deve andar de cabeça coberta, significando que ele está revestido da autoridade de Cristo e só se descobre quando passa diante de um altar ou diante do Santíssimo Sacramento exposto, ou quando da elevação ou da comunhão.

§ 1 - DA PREPARAÇÂO PÚBLICA AO SACRIFÍCIO

P424. Quando surgiu a preparação pública do sacerdote à santa Missa?



R. A preparação pública para a Santa Missa surgiu no século IX, e era feita pelo sacerdote, não no altar, mas na sacristia, enquanto o coro cantava o salmo do Intróito, ou entrada, e o povo a ele se unia com a invocação do Kyrie eleison. Somente no século XIII, o sacerdote passou a fazê-la diante do altar, quando da sua entrada, iniciando a Missa.

P425. O que representa a chegada do sacerdote ao altar?



R. A chegada do sacerdote ao altar representa a entrada de Jesus Cristo no mundo pela encarnação, e a humilhação do Verbo que se fez carne e assumiu todas as nossas iniqüidades.

P426. Que outras figuras representa o sacerdote diante do altar?



R. Para se entender as cerimônias em suas menores particularidades, o sacerdote diante do altar representa diversos personagens.

P427. Que personagens representa o sacerdote diante do altar?



R. Diante do altar, o sacerdote representa ou figura diversos personagens, tais como:

1º - representante de Deus e dispensador de Seus mistérios;
2º - ministro da Igreja e delegado dos fiéis;
3º - homem pecador, sob cujo aspecto se confunde com os assistentes.

P428. Que deveres acarretam ao sacerdote tais representações?



R. As diversas representações do sacerdote diante do altar acarretam os seguintes deveres:

1º - como representante de Deus, ele não pode abandonar o santuário, lugar de sacrificador;
2º - como homem, ele se detem no primeiro degrau que leva ao altar;
3º - como delegado dos fiéis diante do Senhor, ocupa o lugar intermediário, entre o povo e o Senhor;
4º - como pecador, se inclina profundamente e se prosterna diante da suprema majestade;
5º - como sacerdote, se ergue e permanece em pé; porém, seguindo o exemplo do publicano, a longe stans (Lc 18), separado do altar quanto lhe permite o seu ministério.

Nesta atitude, em que se une e confunde a dignidade e a miséria, a responsabilidade em relação a Deus e a mediação com os homens, a humanidade e o sacerdócio, a santidade do ministério e a debilidade da natureza, o sacerdote beija, com todo o respeito, o livro do Evangelho.

P429. Por que o sacerdote beija o Evangelho?



R. O sacerdote beija o livro do Evangelho para reanimar seu valor e sua confiança para começar o sacrifício, pois, uma vez chegando ao altar, na presença de Deus, seus passos vacilavam de terror e de respeito diante do Todo Poderoso.

P430. Por que o Evangelho reanima e dá confiança ao sacerdote?



R. Porque este é o livro que contem seus direitos à oblação, seus títulos de sacerdócio, a origem e a fonte dos seus poderes, a grandeza da sua missão; é o livro em que resplandece a bondade daquele que veio a chamar os justos e os pecadores, cuja misericórdia concedeu o cargo pastoral ao amor arrependido.

P431. Por que o subdiácono apresenta o livro do Evangelho ao celebrante?



R. Assim como na marcha triunfal dos imperadores romanos um arauto os seguia para lembrar-lhes que eram homens, no caminhar do sacerdote ao altar, um ministro deve lembrar a este homem abençoado por Deus que ele é o sacerdote do Altíssimo e mediador de uma aliança divina. Ao beijar o livro, o sacerdote demonstra sua modéstia e nobre confiança nas promessas de Nosso Senhor nele contidas.

P432. Que representa a inclinação profunda do sacerdote ainda ao pé do altar?



R. A prostração do sacerdote representa, além do rebaixamento do Verbo feito carne, a pobreza do nascimento do Salvador, a obscuridade da sua vida, as humilhações do seu ministério público e, principalmente, o início da Paixão no Horto das Oliveiras, em que Jesus, seguido pelos seus discípulos, afastando-se deles, rezou prostrado, com o rosto na terra, e aceitou o cálice dos seus padecimentos.

P433. Por que o sacerdote faz essa prostração?



R. O sacerdote faz a profunda inclinação pois, ainda que sua alma esteja preparada ao sacrifício pela santidade da sua vida, pelo recolhimento habitual, pelo fervor da oração e da meditação, e pelas lembranças das virtudes que Deus exige do seu representante, simbolizados pelos paramentos sagrados que o revestem, é necessária também uma preparação externa, pública, pela dignidade da ação que vai acontecer no altar, e para mostrar aos fiéis que não devem tomar parte nela sem a devida preparação.

P434. Por que o sacerdote começa a celebração da Missa com a cabeça descoberta?



R. O sacerdote começa a celebração dessa forma porque assim prescreve o rito antigo da Igreja e S.Paulo o recomenda. O Concílio de Roma, presidido pelo Papa Zacarias, em 743, proíbe sob pena de excomunhão ao bispo, ao sacerdote e ao diácono de assistir a Missa com a cabeça coberta.

P435. Qual a postura habitual do sacerdote durante a Missa?



R. O sacerdote habitualmente mantém as mãos unidas, enquanto não há alguma ação ou oração que o façam sair dessa postura piedosa.


Para citar este texto:
Micrólogo (Anônimo) - "Catecismo da Santa Missa" MONTFORT Associação Culturalhttp://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=catecismo&artigo=missa&lang=bra Online, 22/04/2010 às 09:11h
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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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