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Perguntas sobre Maria Santíssima, “a mãe do meu Senhor” (Lucas 1,43)

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 17 de outubro de 2020 | 18:11

 


 

Como escolheu Deus a Maria? Como foi a concepção do Filho de Deus? Por que chamamos Virgem e Mãe a Maria? Resposta a algumas das perguntas mais comuns sobre a Virgem Maria.

 

 

 

Para vir ao mundo, Deus quis contar com a livre cooperação de uma criatura, Maria, para ser a mãe do Seu Filho, pela ação do Espírito Santo. E a Igreja, desde o início, honra Maria como Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo. Como foi Maria escolhida por Deus? Como foi a conceção do Filho de Deus? Porque chamamos a Maria, Virgem e Mãe?

 

 

 

1)-Como foi a concepção humana do Filho de Deus?

 

O momento histórico, previsto por Deus desde toda a eternidade, teve lugar numa aldeia da Galileia, em Nazaré, quando o anjo Gabriel apareceu a Maria, uma jovem judia, "uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David. O nome da virgem era Maria ", diz São Lucas no capítulo I do seu Evangelho. Para vir ao mundo, Deus queria a livre cooperação de uma criatura, Maria, para ser a mãe do Seu Filho. «O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para Mãe, precedesse a Encarnação, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida». Catecismo da Igreja Católica: 488-504-511

 

 

2)-Como foi Maria escolhida por Deus? Que disse o anjo Gabriel a Maria, em Nazaré, e que respondeu Maria?

 

 

São Lucas narra no primeiro capítulo do seu Evangelho como o Anjo São Gabriel disse a Maria: «Avé, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-Lhe o trono de Seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o Seu reinado não terá fim.» Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus.Jesus é concebido pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, porque Ele é o Novo Adão, que inaugura a nova criação: «O primeiro homem veio da terra e do pó: o segundo homem veio do céu». A humanidade de Cristo é, desde a sua conceção, cheia do Espírito Santo, porque Deus «não dá o Espírito por medida», diz São João. Catecismo da Igreja Católica 504.

 

 

 

Textos de S. Josemaria para meditar:

 

 

 

Como nos teríamos comportado se tivéssemos podido escolher a nossa mãe? Julgo que teríamos escolhido a que temos, enchendo-a de todas as graças. Foi o que Cristo fez, pois sendo Omnipotente, Sapientíssimo e o próprio Amor, o Seu poder realizou todo o Seu querer. Cristo que passa, 171. A nossa Mãe meditou longamente as palavras das mulheres e dos homens santos do Antigo Testamento, que esperavam o Salvador, e os acontecimentos de que foram protagonistas. Admirou o cúmulo de prodígios e o excesso da misericórdia de Deus com o Seu povo, tantas vezes ingrato. Ao considerar esta ternura do Céu, incessantemente renovada, brota o afeto do Seu Coração imaculado: a minha alma glorifica o Senhor; e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador. Porque lançou os olhos para a baixeza da Sua escrava. Os filhos desta boa Mãe, os primeiros cristãos, aprenderam com Ela, e nós também podemos e devemos aprender. Amigos de Deus, 241

 

 

 

3)-Maria foi livre ao responder aos planos que Deus tinha para Ela?

 

 

 

Maria é convidada a conceber Aquele em quem a plenitude da divindade habitará corporalmente e pergunta o que não entende: «Como será isso, se eu não conheço homem?» A resposta divina à Sua pergunta foi: "O Espírito Santo virá sobre Ti". E ela pronunciou o Seu "fiat" (faça-se em mim segundo a Tua palavra) loco totius humanae naturae ("ocupando o lugar de toda a natureza humana").A Virgem Maria, com a Sua fé e a Sua livre resposta, assumiu o plano de Deus para a salvação dos homens. Pela Sua obediência, converteu-se na nova Eva, mãe dos seres vivos. Catecismo da Igreja Católica 511-484

 

 

Textos de S. Josemaria para meditar:

 

 

Não esqueças, meu amigo, que somos crianças. A Senhora do doce nome, Maria, está recolhida em oração. Tu és, naquela casa, o que quiseres ser: um amigo, um criado, um curioso, um vizinho... - Eu, por agora, não me atrevo a ser nada. Escondo-me atrás de ti e, pasmado, contemplo a cena: O Arcanjo comunica a Sua mensagem... - Quomodo fiet istud, quoniam virum non cognosco? - Como se fará isso, se não conheço varão? (Lc 1, 34).A voz da nossa Mãe traz à minha memória, por contraste, todas as impurezas dos homens..., as minhas também. E como odeio, então, essas baixas misérias da terra!... Que propósitos!Fiat mihi secundum verbum tuum. - Faça-se em mim segundo a Tua palavra (Lc I, 38). Ao encanto destas palavras virginais, o Verbo Se fez carne. Vai terminar a primeira dezena... Ainda tenho tempo para dizer ao meu Deus, antes de qualquer mortal: Jesus, amo-Te. Santo Rosário, primeiro mistério gozoso.Ó Mãe, Mãe! com essa Tua palavra - "fiat" - tornaste-nos irmãos de Deus e herdeiros da Sua glória. - Bendita sejas! Caminho, 512 A Virgem não só disse fiat, mas também cumpriu essa decisão firme e irrevogável a todo o momento. Assim, também nós, quando o amor de Deus nos ferir e soubermos o que Ele quer, devemos comprometer-nos a ser fiéis, leais, mas a sê-lo efetivamente. Porque nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus. Cristo que passa, 173

 

 

 

4)- Que significa que Jesus foi concebido por obra e graça do Espírito Santo?

 

 

Significa que Deus se fez Homem, sem a intervenção de um varão. Jesus não tem outro Pai além de Deus (cf. Lc 2, 48-49). Isso significa que Maria era virgem. A virgindade de Maria manifesta a absoluta iniciativa de Deus na Encarnação.

 

 

«A natureza humana, que Ele assumiu, nunca O afastou do Pai... Naturalmente Filho do Seu Pai segundo a divindade, naturalmente Filho da Sua Mãe segundo a humanidade, mas propriamente Filho de Deus nas Suas duas naturezas» (Concílio de Friuli, ano 796: DS, 619) Catecismo da Igreja Católica 503

 

 

Textos de S. Josemaria para meditar:

 

 

Segundo a Lei de Moisés, uma vez decorrido o tempo da purificação da Mãe, é preciso ir com o Menino a Jerusalém, para O apresentar ao Senhor (Lc 2, 22). E desta vez, meu amigo, hás-de ser tu a levar a gaiola das rolas. - Estás a ver? Ela - a Imaculada! - submete-se à Lei como se estivesse imunda. Aprenderás com este exemplo, menino tonto, a cumprir a Santa Lei de Deus, apesar de todos os sacrifícios pessoais? Purificação! Sim, tu e eu, é que precisamos de purificação! Expiação e, além da expiação, o Amor. - Um amor que seja cautério: que abrase a imundície da nossa alma, e fogo que incendeie, com chamas divinas, a miséria do nosso coração. Um homem justo e temente a Deus, que, movido pelo Espírito Santo, veio ao templo - tinha-lhe sido revelado que não havia de morrer, antes de ver Cristo - toma o Messias nos braços e diz-Lhe: Agora, Senhor, agora sim; podes levar deste mundo, em paz, o Teu servo, conforme a Tua promessa... porque os meus olhos viram o Salvador (Lc II, 25-30).Santo Rosário, quarto mistério gozoso

 

 

 

5)-Qual é a relação entre Eva e Maria?

 

 

Ao longo de toda a Antiga Aliança, a missão de Maria foi prefigurada pela missão de algumas mulheres (Sara, que concebe um filho apesar da idade avançada, Ana, a mãe de Samuel, Débora, Rute, Judite). No princípio de tudo está Eva: apesar da sua desobediência, recebe a promessa de um descendente que será o vencedor do Maligno, como nos diz o livro do Génesis.

 

 

«Com Maria, excelsa filha de Sião, passada a longa espera da promessa, cumprem-se os tempos e inaugura-se a nova economia da salvação» Maria «é a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus.» Catecismo da Igreja Católica 489

 

 

Textos de S. Josemaria para meditar:

 

 

Se tu e eu tivéssemos tido poder, tê-La-íamos feito também Rainha e Senhora de toda a criação. Um grande sinal apareceu no céu uma mulher com uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. - O vestido de sol. - A lua a Seus pés (Apoc. XII, 1). Maria, Virgem sem mancha, reparou a queda de Eva; e esmagou, com o Seu pé imaculado, a cabeça do dragão infernal. Filha de Deus, Mãe de Deus, Esposa de Deus. Santo Rosário, quinto mistério glorioso.

 

 

6)-Que significa dizer que Maria é cheia de graça?

 

 

O anjo Gabriel, no momento da Anunciação, saúda-A como «cheia de graça» (Lc 1, 28). Efetivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da Sua vocação, era necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus: Maria «foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão». Significa que foi concebida sem pecado original. Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, «cumulada de graça» por Deus (Lc 1, 28), tinha sido redimida desde a Sua concepção. É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX: «Por uma graça e favor singular de Deus omnipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da Sua conceição» (Pio IX, Bula Ineffabilis Deus: DS, 2803). Catecismo da Igreja Católica 490-491.

 

 

Textos de S. Josemaria para meditar

 

 

Não existe coração mais humano do que o de uma criatura que transborda de sentido sobrenatural. Pensa em Santa Maria, a cheia de graça, Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo: no Seu Coração cabe a humanidade inteira sem diferenças nem discriminações. Cada um é Seu filho, ou Sua filha. Sulco 801

 

 

Maria, Regina pacis, Rainha da Paz, porque tiveste fé e acreditaste que se cumpriria o anúncio do Anjo, ajuda-nos a aumentar a Fé, a sermos firmes na Esperança, a aprofundar o Amor. Cristo que passa 170

 

 

7)-Como pode uma simples mulher ser a Mãe de Deus?

 

 

 

Maria é verdadeiramente «Mãe de Deus», pois é a Mãe do Filho eterno de Deus feito homem que, Ele próprio, é Deus, como nos diz a revelação de Deus através da Sagrada Escritura. Uma verdade de fé vivida por todos os cristãos desde os primeiros tempos.O olhar da fé pode descobrir, em ligação com o conjunto da Revelação, as razões misteriosas pelas quais Deus, no Seu desígnio salvífico, quis que o Seu Filho nascesse duma virgem. Tais razões dizem respeito tanto à pessoa e missão redentora de Cristo como ao acolhimento dessa missão por Maria, para bem de todos os homens. Catecismo da Igreja Católica 509-502

 

 

Textos de S. Josemaria para meditar:

 

 

A nossa Mãe é modelo de correspondência à graça e, ao contemplarmos a Sua vida, o Senhor dar-nos-á luz para que saibamos divinizar a nossa existência vulgar. Durante o ano, quando celebramos as festas marianas, e cada dia em várias ocasiões, nós, os cristãos, pensamos muitas vezes na Virgem. Se aproveitamos esses instantes, imaginando como se comportaria a nossa Mãe nas tarefas que temos de realizar, iremos aprendendo a pouco e pouco, até que acabaremos por nos parecermos com Ela, como os filhos se parecem com a sua mãe. Cristo que passa 173




8)-Porque é também mãe dos cristãos e mãe da Igreja?

 

 

Jesus é o filho único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se (Jo 19: 26-27; Ap 12, 17) a todos os homens que Ele veio salvar: «Ela deu à luz um Filho que Deus estabeleceu como "primogénito de muitos irmãos" (Rm 8, 29), isto é, dos fiéis para cuja geração e educação Ela coopera com amor de mãe».São João, no capítulo 19 do seu Evangelho, recolhe as palavras de Jesus a Sua mãe: Junto à cruz de Jesus, estavam Sua mãe e a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver ali ao pé a Sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à Mãe: «Mulher, eis o teu filho!» Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!»Ao mesmo tempo que é reconhecida e venerada como a verdadeira Mãe de Deus e do Redentor, diz-se mais ainda: "é verdadeiramente "Mãe dos membros (de Cristo), porque cooperou com o seu amor para que na Igreja nascessem os fiéis, membros daquela Cabeça". «Maria é Mãe de Cristo e Mãe da Igreja». Catecismo da Igreja Católica 963-967

 

 

Maria é ao mesmo tempo Virgem e Mãe porque é a figura e a mais perfeita realização da Igreja: "A Igreja [...] torna-se Mãe através da palavra de Deus recebida com fé, pois, através da pregação e do batismo gera para uma vida nova e imortal os filhos concebidos pelo Espírito Santo e nascidos de Deus. Também é Virgem que mantém a fidelidade prometida ao Esposo intacta e pura "(Constituição Dogmática Lumen Gentium, 64). Catecismo da Igreja Católica 501-507

 

 

Textos de S. Josemaria para meditar:

 

 

Mãe, tu trouxeste ao mundo Jesus, que nos revela o amor do nosso Pai, Deus; ajuda-nos a reconhecê-Lo, no meio das preocupações de cada dia; remove a nossa inteligência e a nossa vontade, para que saibamos escutar a voz de Deus, o impulso da graça. Cristo que passa 174

 

 

Nestes dias, vendo como tantos cristãos exprimem dos mais diversos modos o seu carinho à Virgem Santa Maria, também vós certamente vos sentis mais dentro da Igreja, mais irmãos de todos esses vossos irmãos. É uma espécie de reunião de família, como quando os irmãos que a vida separou voltam a encontrar-se junto da Mãe, por ocasião de alguma festa. Ainda que alguma vez tenham discutido uns com os outros e se tenham tratado mal, naquele dia não; naquele dia sentem-se unidos, reencontram-se unidos, reencontram-se todos no afeto comum.Maria, na verdade, edifica continuamente a Igreja, reúne-a, mantém-na coesa. É difícil ter autêntica devoção à Virgem sem nos sentirmos mais vinculados aos outros membros do Corpo Místico e também mais unidos à sua cabeça visível, o Papa. Por isso me agrada repetir: Omnes cum Petro ad Iesum per Mariam! - todos, com Pedro, a Jesus, por Maria! E assim, ao reconhecer-nos como parte da Igreja e convidados a sentir-nos irmãos na Fé, descobrimos mais profundamente a fraternidade que nos une à Humanidade inteira, porque a Igreja foi enviada por Cristo a todos os homens e a todos os povos. Cristo que passa 139

 

 

Mãe! - Chama-a bem alto. - Ela, a tua Mãe Santa Maria, escuta-te, vê-te em perigo talvez, e oferece-te, com a graça do Seu Filho, o consolo do Seu regaço, a ternura das Suas carícias. E encontrar-te-ás reconfortado para a nova luta. Caminho 516

 

 

9)-Que significa a Assunção de Nossa Senhora aos céus?

 

 

 

A Santíssima Virgem Maria, Imaculada, depois de terminar o curso de Sua vida terrestre, foi elevada em corpo e alma à glória celestial e, tornada semelhante a Seu Filho, que ressuscitou dentre os mortos, participou antecipadamente da sorte de todos os justos. Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no céu a desempenhar Seu ofício materno, em relação aos membros de Cristo". Credo do povo de Deus, 15

 

 

A Igreja olha para Maria para contemplar nela o que a Igreja é no seu mistério, na sua "peregrinação da fé", e o que será no final da sua marcha, onde a espera, "para a glória da Santíssimo e indivisível Trindade "," em comunhão com todos os santos ", aquela a quem venera como Mãe do seu Senhor e como sua própria Mãe: «Entretanto, a Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor» (Constituição dogmática Lumen Gentium, 68). Catecismo da Igreja Católica 972-974

 

 

Textos de S. Josemaria para meditar:

 

 

A festa da Assunção de Nossa Senhora apresenta-nos a realidade dessa feliz esperança. Somos ainda peregrinos, mas a Nossa Mãe precedeu-nos e aponta-nos já o termo do caminho. Repete-nos que é possível lá chegar e que, se formos fiéis, lá chegaremos, pois a Santíssima Virgem não é só nosso exemplo, mas também auxílio dos cristãos. E perante a nossa petição - Monstra te esse Matrem mostra que és Mãe - não pode nem quer negar-se a cuidar dos Seus filhos com solicitude maternal. Cristo que passa 177

 

 

A Maternidade divina de Maria é a raiz de todas as perfeições e privilégios que a adornam. Por esse título, foi concebida imaculada e está cheia de graça, é sempre Virgem, subiu ao céu em corpo e alma, foi coroada Rainha de toda a criação, acima dos anjos e dos santos. Mais que Ela, só Deus. A Santíssima Virgem, por ser Mãe de Deus, possui uma dignidade, de certo modo infinita, do bem infinito que é Deus. Não há perigo de exageros. Nunca aprofundaremos bastante este mistério inefável; nunca poderemos agradecer suficientemente à Nossa Mãe a familiaridade que nos deu com a Santíssima Trindade. Amigos de Deus, 276

 

 

10)-Porque ocupa a Virgem Maria um lugar central na vida dos cristãos Católicos e Ortodoxos?

 

 

 

«Todas as gerações me hão-de proclamar ditosa» são as palavras de Maria no Magnificat, reconhecendo o que Deus fez n’Ela. «A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem pertence à própria natureza do culto cristão». A Santíssima Virgem «é com razão venerada pela Igreja com um culto especial. E, na verdade, a santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de "Mãe de Deus", e sob a Sua proteção se acolhem os fiéis implorando-a em todos os perigos e necessidades. Este culto, embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta por igual ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente». Encontra a sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, como o santo rosário, «resumo de todo o Evangelho». Catecismo da Igreja Católica 971



Textos de S. Josemaria para meditar:

 

 

Como se comporta um filho ou uma filha normal com a sua Mãe? De mil maneiras, mas sempre com carinho e confiança. Com um carinho que se manifestará em cada caso de determinadas formas, nascidas da própria vida, e que nunca são algo de frio, mas costumes muito íntimos de família, pequenos pormenores diários que o filho precisa de ter com a sua mãe e de que a mãe sente falta, se o filho alguma vez os esquece: um beijo ou uma carícia ao sair ou ao voltar a casa, uma pequena delicadeza, umas palavras expressivas... Muitos cristãos tornam seu o antigo costume do escapulário; ou adquirem o hábito de saudar (não são precisas palavras; o pensamento basta) as imagens de Maria que há em qualquer lar cristão ou que adornam as ruas de tantas cidades; ou dão vida a essa oração maravilhosa que é o Terço, em que a alma não se cansa de dizer sempre as mesmas coisas, como não se cansam os enamorados. Cristo que passa, 142

 

 

Se estás orgulhoso de ser filho de Santa Maria, pergunta-te: quantas manifestações de devoção a Nossa Senhora tenho durante o dia, da manhã à noite? Forja 433

 

 

25 PERGUNTAS PARA MARIA SANTÍSSIMA

 

 

 

Uma professora amiga minha pediu aos alunos dela para fazerem uma lista de perguntas que eles fariam a Maria. As respostas deles incluíram: Qual a primeira palavra de Jesus? Ele chegou a ficar enfermo? Jesus chegou a se comportar mal? Todas perguntas legítimas. O fato que podemos fazer estas perguntas levanta uma dúvida maior ainda.

 

 

Por que Deus foi tão longe? Porque Ele virou um ser humano?

 

 

 

Uma razão principal é porque Ele quer que você saiba que Ele lhe entende. A Bíblia diz no livro de Hebreus que ele sabe como você se sente e que Ele encarou o que você enfrenta (Hebreus 4,15-16). Jesus já passou por fraqueza física e provação; ele experimentou tudo – tudo menos o pecado! Então vamos chegar pertinho dele e receber o que ele está pronto para nos dar. Tome a misericórdia, aceite a ajuda!

 

 

Tradução por Dennis Downing (Em Inglês: “25 Questions for Mary” de “Because of Bethlehem”)

 

- Como era vê-lo orar?

- Qual era a reação dele quando via outras crianças rindo durante a cerimônia na sinagoga?

- Ao ver um arco-íris, ele alguma vez mencionou um dilúvio?

- Você se sentiu estranha ensinando a ele como ele criou o mundo?

- Ele agia de forma diferente quando via um cordeiro sendo levado ao matadouro?

 

- Você alguma vez o viu com um olhar distante, como se escutando alguém que você não conseguia ouvir?

- Como ele agia em funerais?

- Alguma vez passou pela sua mente que o Deus para quem você orava estava dormindo sob o seu teto?

- Você alguma vez tentou contar as estrelas com ele... e conseguiu?

- Ele alguma vez chegou em casa com um olho roxo?

- Como ele reagiu quando teve seu primeiro corte de cabelo?

- Ele teve algum amigo de nome Judas?

- Ele era um bom aluno na escola?

- Você teve que repreendê-lo alguma vez?

- Ele alguma vez teve que fazer uma pergunta sobre as Escrituras?

- O que você acha que ele pensava quando via uma prostituta oferecendo a quem mais pagasse, o corpo que Ele fez?

- Ele alguma vez ficou com raiva quando tratado com desonestidade por alguém?

- Você alguma vez o viu pensativo olhando seu braço ao segurar um bolo de terra?

- Ele alguma vez acordou assustado?

- Quem era o melhor amigo dele?

- Qual a reação dele quando Satanás era mencionado?

- Você alguma vez acidentalmente chamou-o de Pai?

- Sobre o que Ele e seu primo João conversavam quando crianças?

- Os parentes dele entendiam o que estava acontecendo?

- Você alguma vez pensou “Aquele é Deus, tomando a minha sopinha”?

 




 

As Perguntas do anjo Gabriel

 

Gabriel deve ter coçado a cabeça com essa. Ele não era de questionar suas missões dadas por Deus. Enviar fogo e dividir mares estavam todos inclusos no trabalho eterno de um anjo. Deus mandava, Gabriel executava.

 

 

E quando ficou conhecido que Deus iria virar homem, Gabriel ficou entusiasmado. Ele podia visualizar o momento: O Messias numa carruagem de fogo. O Rei descendo numa nuvem em chamas. Uma explosão de luz, da qual o Messias emergiria.Era isso que ele esperava. No entanto, ele nunca esperava o que ele recebeu: um pedaço de papel com um endereço nazareno. “Deus se tornará um bebê”, lia-se, “Diga a mãe para dar-lhe o nome de Jesus. E diga a ela para não ter medo.”

 

 

Gabriel não era de questionar, mas dessa vez ele teve que se perguntar:

 

 

-Deus vai virar um bebê? Gabriel já tinha visto um bebê antes, ele havia sido líder de pelotão na “operação junco”. Ele se lembrava do bebê Moisés.

 

-Isso não tem problema para humanos, ele pensou, mas pra Deus?

 

 

-Os Céus não conseguem contê-lo, como poderia um corpo? De todo jeito, já viu no que dão aqueles bebês? Dificilmente cabível para o criador do universo. Bebês precisam ser carregados, alimentados e banhados. Só de imaginar uma mãe colocando Deus para arrotar no seu ombro – isso era além do que um anjo poderia imaginar.

 

-E o seu nome – qual era? – Jesus? Um nome tão comum. Tem um Jesus em cada esquina. Até o nome Gabriel tem mais impacto que Jesus. Chamem o bebê de Eminência, Majestade ou Enviado-celeste. Qualquer coisa menos Jesus.

 

 

-Então Gabriel coçou a cabeça. O que houve com os bons tempos? Aquelas coisas como Sodoma e Gomorra, o dilúvio, espadas de fogo... era esse tipo de ação que ele gostava.

 

 

Mas Gabriel havia recebido suas ordens: levar a mensagem a Maria. Deve ser uma garota especial, ele pensou enquanto viajava. Mas Gabriel estava prestes a se chocar de novo. Uma olhada rápida fez ele ver que Maria não era nenhuma rainha. A futura mão de Deus não era realeza, ela era uma plebéia judia que mal tinha passado da fase das espinhas e tinha uma queda por um cara chamado Zé. E falando do Zé, o que esse cara sabe? Deve ser um tecelão na Espanha, ou sapateiro na Grécia. Ele é um carpinteiro. Olha ele ali, com serragem na barba e um avental de pregos na cintura. Você está me dizendo que Deus vai jantar toda noite com ele? Você está me dizendo que a fonte de sabedoria vai chamar esse cara de “Pai”? Você está me dizendo que um trabalhador comum vai ser responsável por alimentar Deus?

 

 

-E se ele for demitido?

-E se ele ficar mal-humorado?

-E se ele resolver fugir com uma menina bonita do final da rua, onde estaremos então?

Era só o que Gabriel podia fazer para não virar e ir embora. “É muito peculiar esta idéia que você tem, Deus”, ele deve ter murmurado para si mesmo.

 

São realmente dadas tantas reflexões aos guardiões de Deus?

 

Ainda ficamos maravilhados com a vinda de Deus? Ainda nos fascinamos com o evento?

 

O Natal ainda causa a maravilha indescritível que causava há dois mil anos atrás?

 

 

Eu venho me perguntando isso ultimamente. Ao escrever isto, o Natal se aproxima, e algo tem me preocupado, que o ritmo do feriado pode estar obscurecendo o propósito do feriado.

 

 

Eu vi uma manjedoura num shopping. Correção, eu mal vi a manjedoura, eu quase não vi. Eu estava com pressa, hóspedes chegando, Papai Noel passando em casa, pregações para terminar, cultos a serem organizados, presentes a serem comprados.A correria foi tão grande que a cama do Cristo foi quase ignorada, eu quase perdi. E se não tivesse sido por um filho e seu pai, eu teria perdido. Mas do canto do meu olho eu os vi, um menino de três ou quatro anos, usando jeans e camiseta, olhando para o bebê na manjedoura. O pai, em roupa de trabalho e boné de beisebol, olhando por trás do ombro do seu filho, apontando para José, depois Maria, depois o bebê. Ele estava contando a história ao seu filho. Os olhos do menino brilhavam, seu rosto estava repleto de maravilha. Ele não falou, apenas ouviu. Ele não se mexeu, apenas olhou. Quais seriam as perguntas que enchiam a cabeça daquele menino? Será que eram as mesmas de Gabriel? O que acendeu o encanto no seu rosto? Era a magia?



E por que é que dentre centenas de filhos de Deus, apenas dois pararam para considerar seu filho? O que é esse demônio de Dezembro que rouba nossos olhos e aquieta nossas línguas? Esse não é o motivo para pararmos e refazermos as perguntas de Gabriel? A tragédia não é que não podemos respondê-las, mas que estamos ocupados demais para fazê-las.

 

 

 

Só os Céus sabem quanto tempo Gabriel sobrevoou perto de Maria antes de respirar fundo e dar a notícia. Mas ele deu. Ele disse o nome, ele contou-lhe o plano, ele disse para ela não ter medo, e quando ele falou “Com Deus nada é impossível”, ele disse tanto para ela quanto para si mesmo.  Pois mesmo sabendo que não podia responder às perguntas, ele sabia quem podia, e isso bastava. E mesmo se nós não conseguimos responder todas, separar um tempo para fazer algumas perguntas é um bom começo.

 

 


 

O Santíssimo Nome de Maria – Explicações em perguntas e respostas

 

 

 

De onde veio o nome de Maria dado à Santíssima Virgem?

 

Que significa o nome de Maria?

 

Foram cumpridos, na Santíssima Virgem, os significados de seu nome?

 

Devemos ter devoção ao nome de Maria Santíssima?

 

 

Veja as respostas para essas e outras perguntas, explicadas pelo pequeno catecismo de Nossa Senhora:

 

 

1)-Donde veio o nome de Maria dado à Santíssima Virgem?

 

 

O nome de Maria, como o de Jesus, veio do céu, e foi por ordem expressa de Deus, diz São Jerônimo, que São Joaquim e Santa Ana o deram à sua santíssima filha. Esta é também a opinião de Santo Epifânio, de Santo Antonino e de São Pedro Damião.Entre os homens, a imposição de um nome é frequentemente feita a esmo ou inspirada pelo capricho; várias vezes tal nome não tem analogia com as qualidades da pessoa que o leva. Muito diferente é o nome de Maria, saído dos tesouros da Divindade, e contendo as mais altas significações, das quais cada uma é para ele um título de glória e para nós, uma fonte inesgotável de benefícios.

 

 

2)-Que significa o nome de Maria?

 

 

Significa: Estrela do mar, Senhora, Soberana, luz brilhante. Segundo São Jerônimo, significa ainda oceano de amargura.

 

 

3)-Cumpriram-se, na Santíssima Virgem, os significados de seu nome?

 

 

Sim, porque a Santíssima Virgem, pela sua qualidade de Mãe de Deus, de modelo de todas as virtudes e de dispensadora de todas as graças, realizou perfeitamente todos os significados do seu nome. Realmente:

 

 

a)-Maria é Nossa Senhora ou nossa Soberana, porque deu ao mundo o Rei imortal dos séculos, Jesus, Aquele que, por uma palavra, criou tudo, o Soberano Monarca a quem os povos e os reis obedecem. É portanto rainha do céu e da terra, soberana dos Anjos e dos homens; pois que “os súditos do filho são também vassalos da mãe”.

 

 

“Desde o instante em que Maria consentiu em ser a mãe de Deus, diz São Bernardino de Sena, mereceu que o cetro do mundo fosse colocado em suas mãos.”

 

 

b)-Maria é também para nós, segundo São Bernardo, “aquela estrela brilhante que nos alumia e guia através dos numerosíssimos perigos que nos rodeiam em toda parte, sobre o mar tempestuoso deste mundo; é o astro benfazejo cuja luz nos indica o roteiro que conduz ao porto da salvação”.

 

 

c) Maria é ainda uma Luz radiante, porque é perfeitamente iluminada pelo divino raio que seu filho Jesus nela projeta, e que, por sua vez, se reflete sobre nós para guiar nossos passos e afastar-nos das veredas do erro.

 

 

d)-Pode-se dizer ainda que nunca pessoa alguma sofreu tanto como Maria, particularmente quando, ao pé da Cruz do Calvário, misturava suas lágrimas com o sangue de seu divino Filho. A nova Eva fez, para a salvação do mundo, o que a Eva antiga fez para sua ruína. Maria associou-se ao sacrifício de Cristo, e conheceu todas as amarguras da Paixão e do Calvário: “Ó vós todos que passais pelo caminho, vinde e vede se há dor semelhante à minha dor.” Foi nessa hora que, segundo a palavra do profeta, sua aflição foi “tão vasta como o mar” e que se viu submersa num oceano de amargura. Santo Ildefonso, considerando as dores da Mãe de Deus, não trepida em asseverar “que sobrepujaram as de todos os mártires juntos.”

 

 

4)-Devemos ter muita devoção ao nome de Maria Santíssima?

 

 

Devemos ter este santíssimo nome sempre gravado em nosso coração, pronunciá-lo frequentemente com respeito, confiança e amor.

 

 

5)-Por que devemos pronunciar esse nome com respeito?

 

 

Porque é o nome da Mãe de Deus, um nome de poder, de força, o maior, o mais respeitável de todos os nomes depois do nome de Jesus. Santo Estêvão, rei de Hungria, não menos célebre pela sua terna piedade para com Maria do que pelas eminentes qualidades que praticou no trono, tinha tão profundo respeito pelo nome sagrado da Mãe de Deus, que não ousava nem mesmo pronunciá-lo: chamava Maria a Grande Senhora. Todos os seus súditos, a seu exemplo, davam-lhe o mesmo título, e se acontecia que, na sua presença, se pronunciasse o nome de Maria, logo todos dobravam o joelho, para testemunhar sua veneração por um nome tão augusto.

 

 

 

6)-Por que devemos pronunciar o nome de Maria com muita confiança?

 

 

 

Porque é o nome de nossa protetora junto de Deus, porque é todo-poderoso para repelir de nós os demônios, e fazer-nos triunfar das tentações. Não há coisa alguma que os demônios temam tanto como a invocação do nome de Maria. Ouvindo este nome, terrível para eles como um exército em ordem de batalha, fogem espavoridos. “Quem poderá dizer, exclama São Bernardo, todas as vitórias alcançadas por este nome tutelar? Não há um só cristão que este nome não tenha protegido.” “Por mais furiosos que sejam os demônios em perseguirem as almas, diz por sua vez São Germano de Constantinopla, forçoso lhes é deixarem a presa ao pronunciar-se o nome de Maria”.

 

 

7)-Por que devemos pronunciar o nome de Maria com amor?

 

 

Porque é o nome de nossa mãe e porque nada há mais suave, mais harmonioso, mais consolador do que o nome de Maria unido ao de Jesus. “Depois do nome de Jesus, dizem em geral os santos, não há no céu nem sobre a terra, nome que possa dar tanta consolação, ou seja capaz de inspirar tanta confiança como o nome de Maria. Pois bem, vede como os aflitos e os infelizes agrupam-se em redor dos altares de Maria! É ali que o pecador arrependido chora as suas culpas, que o cristão fraco e lânguido busca o socorro, que o coração magoado pela dor, acha inefáveis consolações. Santo Afonso de Ligório escrevia o nome de Maria no começo de todas as suas cartas, e beijava-o quando o encontrava em suas leituras: “Ó minha rainha incomparável, ó minha terna mãe! exclamava ele, eu vos amo, e, por isso, amo também o vosso nome.”

 

 

 

8)-Que efeito produz o santíssimo nome de Maria invocado com amor?

 

 

Este nome invocado com amor, dá consolação, alegria e confiança; fortifica e anima; ajuda a praticar a virtude e mantém os bons costumes. Ele dá a fé, a esperança e a caridade; converte os pecadores, faz perseverar os justos e abre-lhes a morada dos eleitos.Lemos no livro das Revelações de Santa Brígida que ela ouviu, um dia, Nosso Senhor dizer à sua Mãe: “A quem invocar vosso nome e tiver confiança em vós, com firme propósito de se emendar, concederei três graças: a contrição dos pecados, o meio de satisfazer a minha justiça, e a força para perseverar no bem, e, como consequência de tudo isso, o reino dos céus.”

 

 

 

9)-Quando, durante a tentação, houvermos piedosamente invocado o nome de Maria, não podemos crer não haver sucumbido?

 

 

Assim o pensa Santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja.

 

 

10)-Que há de particular a notar-se a respeito do santíssimo nome de Maria?

 

 

O nome de Maria é o único de todos os nomes das criaturas em honra do qual a Igreja estabeleceu uma festa; celebra-se no domingo dentro da oitava da Natividade da santíssima Virgem.

 

 

 

11)-Quem instituiu a festa do santo nome de Maria?

 

 

Foi o Papa Inocêncio XI, a 20 de Novembro de 1683.Já esta festa se celebrava na Espanha, em Cuenza, no ano de 1513. O Papa Inocêncio XI mandou celebrá-la em toda a Igreja, em agradecimento da vitória insigne que libertou a cidade de Viena dos Turcos que a sitiavam.

 

 

12)-Que fruto devemos tirar desta instrução?

 

 

 

Invocar frequentemente o santo nome de Maria durante a vida e sobretudo nas tentações e nos perigos, a fim de morrermos pronunciando-o. Peçamos a Deus a graça de que as últimas palavras que saírem de nossos lábios moribundos, sejam os doces nomes de Jesus e de Maria. A morte torna-se consoladora e cheia de suavidade quando é amparada por estes nomes de graça e salvação.

 

 

 

ASPECTOS ECLESIOLÓGICOS DA MARIOLOGIA AGOSTINIANA

 

 

*Frei Jeferson Felipe Gomes da Silva Cruz, OSA.

 

 

A piedade católica costuma dedicar o mês de maio à Virgem Maria. No hemisfério norte, o louvor mariano mistura-se à exuberância e ao perfume da primavera. Já aqui, no hemisfério sul, a recordação da Virgem Mãe confunde-se com a rutilante e calorosa luz do outono. Independente da estação, uma coisa é certa: em maio, os cristãos católicos cedem ao afeto e o mundo canta Maria.

 

 

Sem sombra de dúvida, conforme demonstrou o fundador da psicologia analítica Carl Gustav Jung (1875 – 1961), a veneração católica à Mãe de Jesus é sinal de saúde psíquica.[1]

 

 

Contudo, não faltam exemplos, corre-se sempre o risco de supervalorizar a figura de Maria e, com isso, incorrer em atentados ao depositum fidei. A Igreja ama e venera a Santíssima Virgem, mas dentro de uma moldura que é a confissão de Jesus, como único Senhor e Mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2, 5). Nas palavras do Catecismo: “o que a fé católica crê acerca de Maria funda-se no que ela crê acerca de Cristo” (Cat. 487).

 

 

Neste sentido, o Concílio Vaticano II, teve o cuidado de incluir a Virgem Maria na constituição dogmática que expunha a doutrina da Igreja.[2] Desta forma o Concílio relaciona Mariologia e Eclesiologia. Ou seja, Maria é membro excelente da Igreja e, ao mesmo tempo, ícone desta mesma Igreja. Isto posto, conclui-se que a piedade mariana precisa desembocar na eclesiologia. Essa compreensão, resgatada e valorizada pelo Concílio, é tipicamente agostiniana. E este é o tema que tentaremos desenvolver neste breve artigo: aspectos eclesiológicos da mariologia agostiniana.Salientamos que não é nosso interesse esgotar o tema; muito menos apresentar uma densa teologia mariológica agostiniana, até porque, Agostinho não compôs uma Mariologia sistemática. Nosso interesse é, apenas, provocar e contribuir para uma adequada e saudável piedade mariana; e, minimamente, divulgar o pensamento agostiniano. Destaque-se, de antemão, que para Agostinho, Maria é Virgo Virginum e Thetókos. E são justamente estas categorias de virgindade e maternidade que Agostinho vai explorar em sua Eclesiologia.

 

 

Para o Hiponense, Maria se inscreve como parte da Igreja. É Mãe de Cristo, mas é, também, membro do Corpo Místico de Cristo. No sermão 72 ele deixa claro: “Santa é Maria! Abençoada é Maria! Mas a Igreja é superior à Virgem Maria. Por quê? Porque Maria é uma porção da Igreja, um membro, um membro excelente, um membro supereminente, mas membro do Corpo total. Ora, se é parte do corpo total, sem dúvida o corpo é maior do que um membro”.[3] Ao destacar a superioridade da Igreja, Agostinho não despreza ou desconsidera a singularidade de Maria, mas, ao contrário, ratifica a inevitável ligação de Maria com a natureza e ao mistério da Igreja.

 

 

Segundo Nair de Assis Oliveira, “o relacionamento de Maria com a Igreja constitui um capítulo particularmente rico na teologia mariológica agostiniana. [...] Em resumo, a ideia fundamental da relação mútua entre Maria e a Igreja consiste em que ela é a pessoa na qual se recapitula toda a Igreja”.[4] Conforme lembra o Concílio Vaticano II, a Mãe de Deus é a figura da Igreja na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo (cf. LG n.63). Ora, se ela é a “pessoa na qual se recapitula toda a Igreja”, é preciso identificar os principais aspectos dessa recapitulação. Na compreensão agostiniana então três são os aspectos que se destacam: a virgindade, a maternidade e o discipulado.

 

 

 

No início de sua missão sacerdotal, Agostinho escreveu uma pequena obra intitulada De fide et symbolo (393 d.C.). Nela está registrado um firme testemunho da fé na perfeita e perpétua virgindade de Maria.[5] A metáfora usada nesta obra é a do sepulcro novo, no qual foi depositado o corpo de Jesus na noite da paixão (cf. Mt 27, 59-60, Jo 19, 41). Segundo ele, “assim como nesse sepulcro nenhum morto foi sepultado, nem antes, nem depois, também no seio virginal de Maria, nem antes nem depois, ser mortal algum foi concebido”.[6] Já que Deus veio habitar num seio materno, “deixando-o intacto”.[7]

 

 

 

A virgindade de Maria, preconiza a virgindade da Igreja. “Cristo, que haveria de fazer germinar a virgindade no coração de sua Igreja, antecipou-a no corpo de Maria”, [8] diz Agostinho. Conforme ensina o Vaticano II, a Igreja é “a virgem que guarda íntegra e pura a fé jurada ao Esposo, e, à imitação da Mãe do seu Senhor, pela graça do Espírito Santo, conserva virginalmente íntegra a fé, sólida a esperança, sincera a caridade” (LG n. 64). Para o hiponense é na integridade da fé, da esperança e da caridade que reside a virgindade da Igreja. Uma integridade que é extremamente fecunda. Porque “nem em Maria nem na Igreja, a virgindade impede a fecundidade. E nem em uma nem em outra a fecundidade destrói a virgindade”.[9]

 

 

A maternidade é o segundo aspecto que se destaca na relação entre Maria e a Igreja, na compreensão agostiniana. Enquanto figura da Igreja, Maria encontra-se intimamente unida a ela pelo “dom e cargo da maternidade” (LG n.63). Maria é mãe de Cristo-Cabeça. E a Igreja, é mãe dos membros de Cristo, sendo ela, ao mesmo tempo, o Corpo Místico de Cristo. Nas palavras de Santo Agostinho: “Maria deu à luz corporalmente à Cabeça deste corpo. A Igreja dá à luz espiritualmente os membros dessa Cabeça”.[10]

 

 

Esta relação da Igreja mãe, foi posta por Agostinho no coração de sua eclesiologia. Para ele, ao contemplar a fecundidade de Maria, a Igreja reconhece sua própria vocação à maternidade e, “a exemplo da mãe de Cristo, todos os dias dá à luz a novos membros para ele”.[11] Contemplando a santidade misteriosa de Maria, imitando a sua caridade, e cumprindo fielmente a vontade do Pai, pela pregação e pelo batismo, a Igreja gera filhos concebidos do Espírito Santo e nascidos de Deus (cf. LG n.64). Ela é mãe, sobretudo, porque manifesta ao mundo a paternidade universal de Deus. É mãe porque, vivificada pelo Espírito Santo, infunde a lei da caridade; e a caridade é, essencialmente, materna. Em suma, a Igreja é mãe pelo ardor da caridade (Mater visceribus caritatis).[12]

 

 

O terceiro aspecto, inclusive o mais louvável, é o discipulado!

 

 

 

Um aspecto que, conforme lembra Agostinho, foi louvado pelo próprio Jesus ao dizer que sua mãe e seus irmãos são todos aqueles que fazem a vontade do Pai que está nos céus (cf. Mt 12, 46-50). “Isso também acontece com Maria, visto que ela sempre está a fazer a vontade do Pai. É isso o que o Senhor pretende glorificar nela: o ter cumprido a vontade do Pai, não o fato de haver em sua carne gerado a sua própria carne. Que Vossa Caridade fique atenta (ainda a este ponto): Enquanto o Senhor suscitava a admiração do povo por causa de seus milagres e prodígios, manifestando o que ocultava em sua carne, alguém exclamou com admiração: ‘Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!’

 

 

Ele, porém, respondeu: ‘Felizes, antes, os que ouvem a Palavra de Deus e a observam’ (Lc 11, 27-28). Isso significa: minha mãe, ela mesma, a quem chamais de feliz, é feliz porque guarda a palavra de Deus. Não é feliz somente porque nela a Palavra ‘se fez carne e habitou entre nós’ (Jo 1, 14). É feliz, porque guardou essa mesma Palavra de Deus, por quem foi feita e que nela se fez carne”.[13]

 

 

 

Para o santo bispo de Hipona:

 

 

“Maria tornou-se mais feliz recebendo a fé de Cristo do que concebendo a carne de Cristo”.[14] Assim, ela não só é icônica da Igreja pela virgindade e maternidade, mas também pelo cumprimento perfeito da vontade do Pai, mediante a fé: “valeu mais para ela ser discípula de Cristo do que a mãe de Cristo. Maior felicidade para ela ter sido discípula do que mãe. [...] Porque já antes de dar à luz o Mestre, ela já o trazia em seu espírito”.[15]

 

 

 

Ao que parece, para Agostinho a maternidade de Maria e, consequentemente, da Igreja dependem do discipulado. Desta abertura à palavra de Deus, da observância desta palavra depende a fecundidade. Maria só pôde ser mãe de Cristo porque, antes ouviu e guardou a palavra de Deus. “Guardou a Verdade na mente, mais do que em seu seio”,[16] diz Agostinho. Ela foi fecundada pelo ouvido (fecundis in auris). A Igreja, da mesma forma, conforme ensina o Vaticano II, “torna-se mais semelhante ao seu modelo tão excelso, progredindo continuamente na fé, na esperança e na caridade, buscando e cumprindo em tudo a vontade de Deus” (LG n. 65).

 

 

 

Pelo discipulado, todos os crentes tornam-se, a seu modo, “mães de Cristo”. E, em certa medida, esta é a primordial tarefa cristã: acolher a fé de Cristo e gerá-lo para o mundo. Conforme lembra Agostinho, “sua mãe, a Virgem Maria, trouxe-o em seu seio. Tragamo-lo a Ele, em nosso coração. A Virgem ficou grávida pela encarnação de Cristo. Engravidem-se nossos corações pela fé de Cristo. A Virgem deu à luz o Salvador. Que nossas almas gerem a salvação e entoem louvores. Não sejamos estéreis. Sejam nossas almas fecundas para Deus!”.[17]

 

 

 

A esta altura podemos nos perguntar:

 

 

-O que significa gerar Cristo para o mundo?

 

-O que significa ser discípulo (a) como Maria?

 

-Como podemos ser fecundos para Deus?

 

 

A exemplo da Virgem precisamos, antes de tudo, acolher a palavra do Senhor. Acolhe-la no coração, deixando que a palavra molde nossa existência, renove nossa mentalidade e condicione nosso agir. Depois, precisamos, como a Santíssima Virgem, frutificar. Fazer a palavra dar frutos em nós. Não basta ouvir a palavra de Deus; não basta divulgá-la; é preciso vivê-la. E nisto reside a profundidade da verdadeira devoção à Santíssima Virgem: viver a palavra de Deus; moldar a própria vida a partir de seus valores, custe o que custar. Com esta breve exposição cremos ter apresentado, ainda que epidermicamente, os principais aspectos eclesiológicos da mariologia agostiniana. Aspirando com isto, divulgar a teologia agostiniana e contribuir para uma adequada e saudável piedade mariana que honre Maria, nos limites da moldura da fé cristológica, e se traduza em sincero e fértil esforço de discipulado.

 

 

*Frei Jeferson Felipe Gomes da Silva Cruz, OSA. - Mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte MG). E-mail: j.felipecruz05@gmail.com

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

[1] Cf. JUNG, Carl Gustav. A resposta de Jó. Petrópolis: Vozes, 1980, p. 103-112.

[2] Constituição Dogmática Lumen Gentium.

[3] Sermão, 72 A, 7.

[4] SANTO AGOSTINHO. A Virgem Maria: em textos marianos com comentários. Tradução: Nair de Assis Oliveira. São Paulo: Paulus, 1996, p. 12-13.

[5] Atente-se que o dogma da Virgindade perpétua de Maria não é cunhado por Agostinho. Ele apenas é herdeiro e defensor. Além de todos os relatos bíblicos, no ano 107, por exemplo, Inácio de Antioquia já descrevia a virgindade de Maria. “Estais firmemente convencidos acerca de Nosso Senhor, que é verdadeiramente da raça de Davi segundo a carne, Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus, verdadeiramente nascido de uma virgem...” (Ad Smyrn, I-II).

[6] De fide et symbolo V, 11.

[7] De fide et symbolo IV, 8.

[8] Sermão 188, 4.

[9] A virgindade consagrada II, 2.

[10] A virgindade consagrada II, 2.

[11] Enchiridion X, 34.

[12] Cf. TRAPÈ, Agostino. Introduzione Generale a Sant’Agostino. Roma: Città Nuova Editrice, 2006, p. 210.

[13] Comentário ao Evangelho de João X, 3.

[14] A Virgindade consagrada III, 3.

[15] Sermão 72 A, 7.

[16] Sermão 72 A, 7.

[17] Sermão 189, 2-4.

 

 

FONTES DE COSULTA:

 

 

-https://opusdei.org/pt-pt/article/10-perguntas-sobre-virgem-maria/

 

-http://www.hermeneutica.com/mensagens/25-perguntas-para-maria.html

 

-https://mulhercatolica.com/o-santissimo-nome-de-maria-perguntas-respostas/

 

-Maria ensinada à mocidade: ou explicação do pequeno catecismo de Nossa Senhora. São Paulo: Francisco Alves, 1915. p.71-75.

 

http://www.agostinianos.org.br/Comunicacao/Artigos/Detalhes/?UserKey=aspectos-eclesiologicos-da-mariologia-agostiniana

 

 

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