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Qual o “MAL MENOR” para o pobre como massa de manobra? A Teologia da Libertação ou da Prosperidade?

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 13 de julho de 2020 | 15:56





“Se não é capaz de discernir qual seja o mal menor, faça o que fizer, não peca, porque nesse caso falta a liberdade necessária para que exista pecado formal(citado pelo Conselho Pontifício para a Família, Lexicon, Verbete Princípio e Argumento do mal menor. Roma, 2002, p. 783). Perceba-se que o Princípio do Mal Menor não faz menção alguma à finalidade do ato. Não se trata de cometer um ato mal para tirar dele um fim bom. Não é lícito fazer o mal para alcançar um bem. O Princípio do Mal Menor vale apenas se não é possível deixar de agir e se qualquer opção apresentada é má, nunca para dessa ação tirar um bem. Os fins nunca justificam os meios (leia também:  Bento XVI recorda: os fins não justificam os meios). Atenção: alguns há que utilizam o princípio do mal menor para disfarçar intenções escusas. Contra esses o Conselho Pontifício para Família alerta para seus fins sofismáticos e contra sua intenção de enganar os fiéis e as pessoas de boa vontade:


“Porém, quando o argumento do mal menor é empregado num contexto em que não são levadas em consideração a exigência ética da verdade moral objetiva e a existência de valores morais absolutos, mas apenas e exclusivamente as conseqüências tidas como positivas ou negativas, prescindindo da moralidade da escolha em si mesma, o argumento do mal menor degenera em sofisma.” (Conselho Pontifício para a Família, Lexicon, Verbete Princípio e Argumento do mal menor. Roma, 2002, p. 778).


Tenham cuidado com os lobos entre as ovelhas tanto na Teologia da Libertação de Caráter Marxista, como na Teologia da Prosperidade. Eles se travestem mas ainda deixam ouvir seu rosnado quando argumentam a seu favor.





Qual o “MAL MENOR” para o pobre como massa de manobra? A Teologia da Libertação ou da Prosperidade?




A Teologia da Libertação e por conseguinte, a esquerda revolucionária, para sobreviver se reinventou, ampliou o conceito de “excluído”. Antes, era alvo de sua práxis não preferencial, mas exclusiva e excludente, o pobre de bens materiais e sem acesso às políticas públicas, mas, como seus ideólogos perceberam que este mesmo pobre seria apenas uma questão de tempo mudar de classe social, ficando fora de seu alcance proselitista devido o avanço das melhorias sociais e distribuição de renda causada pelo Capitalismo Humanista surgente, foi buscar a nova MASSA DE MANOBRA entre os homossexuais, negros, marginais de todos os quilates (desde o pequeno traficante até os grandes comandantes do crime organizado) e jovens mimados e revoltadinhos com tudo e com todos, não para liberta-los do pecado, mas aliciá-los para sua causa revolucionária socialista.


A ideologia marxista presente na Teologia da Libertação não faz nada pelo pobre a não ser utiliza-lo como massa de manobra e cobaia de ideologias Socialistas. O Cardeal Ratzinger, hoje Papa emérito Bento XVI, em 1984 disse que “a teologia da libertação é uma heresia singular”. Uma heresia é tanto mais perigosa quanto mais elementos de verdade engloba. Eis como o Cardeal Ratzinger explica a mistura de elementos de verdade do cristianismo com a ideologia marxista:


“Na minha opinião, aqui se pode reconhecer muito claramente a mistura entre uma verdade fundamental do Cristianismo e uma opção fundamental não cristã, que torna o conjunto tão sedutor: o sermão da montanha é, na verdade, a escolha por parte de Deus a favor dos pobres. Mas a interpretação dos pobres no sentido da dialética marxista da história e a interpretação da escolha partidária no sentido da lula de classes é um salto “eis allo genos” (grego: para outro gênero), no qual as coisas contrárias se apresentam como idênticas”.



A Congregação para a Doutrina da Fé não silenciou sobre a Teologia da Libertação. Em 6 de agosto de 1984 lançava a “Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação” – Libertatis nuntius. Dois anos depois, em 22 de março de 1986 lançava outro documento, desta vez uma “Instrução sobre a liberdade cristã e a libertação” – Libertatis conscientia. Em ambos os casos a intenção era alertar sobre os perigos da Teologia da Libertação.



Porém o problema é que já estamos, no Brasil, imersos em uma cultura, uma educação e uma mídia tão marcadamente marxista e esquerdista que para muitos é incompreensível que a Teologia da Libertação seja um desvio, uma deturpação da fé, pelo simples fato de que realmente acreditam que a sociedade socialista é o “paraíso”, o “Reino de Deus” na terra. Uma sociedade em que tudo seria de todos, e em que não haveria mais pobres: eis sua utopia, jamais alcançada pelos países que se aventuraram a construí-la.



Socialismo ou capitalismo? Quem é intrinsecamente mal?


Muitos creem que o capitalismo é que é intrinsecamente mau, enquanto o socialismo-comunismo é o “paraíso”. Na verdade, o socialismo-comunismo é que é intrinsecamente mau, enquanto o capitalismo é mau em seus “acidentes”, ou seja, devido ao fato de que pessoas com má intenção realmente se aproveitam de sua estrutura para explorar os trabalhadores e enganar a sociedade. Mas o sistema em si não é intrinsecamente mau, de modo que, se as pessoas se utilizarem dele para fazer o bem, uma sociedade solidária poderá ser construída.


Aqui se faz necessário recorrer ao solene Magistério da Igreja a fim de entender porque o socialismo-comunismo é intrinsecamente mau.


Recomendo a leitura de alguns documentos da Igreja, como os dois citados acima e a o Compêndio da DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, que você pode encontra-los no site: Vatican.va - Retiro algumas passagens de apenas um destes documentos, Divini Redemptoris, a fim de ilustrar a posição da Igreja sobre o socialismo-comunismo:


“Perigo tão ameaçador, vós já o compreendestes, Veneráveis Irmãos, é o comunismo bolchevista e ateu, que visa subverter a ordem social e abalar os próprios fundamentos da civilização cristã”. (Pio XI, Divini Redemptoris, 1937)


“Ademais, o comunismo despoja o homem da liberdade, princípio espiritual de conduta moral, tira à pessoa humana toda a dignidade e qualquer freio moral contra os assaltos dos cegos instintos”. (idem)


“Intrinsecamente perverso é o comunismo, e não se pode admitir, em campo algum, a colaboração recíproca, por parte de quem quer que pretenda salvar a civilização cristã”. (idem)



Sobre a ilusão da sociedade socialista-comunista também nos fala mais recentemente nosso querido Papa emérito Bento XVI, em suas duas Encíclicas até o presente momento lançadas, Deus Caritas Est e Spe Salvi:



“O marxismo tinha indicado, na revolução mundial e na sua preparação, a panacéia para a problemática social: através da revolução e consequente coletivização dos meios de produção – asseverava-se em tal doutrina – devia dum momento para o outro caminhar tudo de modo diverso e melhor. Este sonho desvaneceu-se. Na difícil situação em que hoje nos encontramos por causa também da globalização da economia, a doutrina social da Igreja tornou-se uma indicação fundamental...”(Bento XVI, Deus Caritas Est, 2005) 12″Ele


“(Marx) supunha simplesmente que, com a expropriação da classe dominante, a queda do poder político e a socialização dos meios de produção, ter-se-ia realizado a Nova Jerusalém...sabemos também como depois evoluiu, não dando à luz o mundo sadio, mas deixando atrás de si uma destruição desoladora. Marx não falhou só ao deixar de idealizar os ordenamentos necessários para o mundo novo;O seu erro situa-se numa profundidade maior. Ele esqueceu que o homem permanece sempre homem. Esqueceu o homem e a sua liberdade. Esqueceu que a liberdade permanece sempre liberdade, inclusive para o mal. Pensava que, uma vez colocada em ordem a economia, tudo se arranjaria. O seu verdadeiro erro é o materialismo: de fato, o homem não é só o produto de condições econômicas nem se pode curá-lo apenas do exterior criando condições econômicas favoráveis”. (Bento XVI, Spe Salvi, 2007)



Enquanto o indivíduo não se convencer que a idealizada sociedade socialista-comunista não passa de uma ilusão, não poderá crer que a Teologia da Libertação é uma deturpação, um milenarismo (cf. Catecismo da Igreja Católica, §676) que reduz a religião aos aspectos sociais, prometendo (em vão) o céu “já aqui nesta terra”, o “Reino de Deus”, que seria nada mais nada menos que a ilusória sociedade socialista-comunista.



Não se trata, porém, de fazer aqui uma apologia do capitalismo!



Os efeitos nefastos do consumismo e da “mercadorização” das pessoas e das relações também têm sido fortemente denunciados pela Igreja:



“Ora a experiência histórica dos Países socialistas demonstrou tristemente que o coletivismo não suprime a alienação, antes a aumenta, à medida que a ela junta ainda a carência das coisas necessárias e a ineficácia econômica. A experiência histórica do Ocidente, por sua vez, demonstra que, embora sejam falsas a análise e a fundamentação marxista da alienação, todavia esta, com a perda do sentido autêntico da existência, é também uma experiência real nas sociedades ocidentais. Ela verifica-se no consumo, quando o homem se vê implicado numa rede de falsas e superficiais satisfações, em vez de ser ajudado a fazer a autêntica e concreta experiência da sua personalidade”. (João Paulo II, Centesimus annus, 1991)



Porém, o capitalismo não é intrinsecamente mau, como o socialismo-comunismo


O capitalismo sem a avareza de alguns pode, sim, dar espaço para uma sociedade mais justa e para a ação caritativa e solidária. Com o socialismo-comunismo não pode acontecer isso, pois sua proposta, por mais que pareça à primeira vista bela e “romântica”, tolhe a liberdade do ser humano e o direito de usufruir os bens conquistados com o próprio trabalho (propriedade privada).



Parte da estratégia


A Teologia da Libertação é uma ramificação, como que um “departamento” entre outros da estratégia marxista e gramscista de controle cultural e de mudança de valores para a construção da sociedade socialista-comunista.



AS RAMIFICAÇÕES LIBERTÁRIAS


a)-Existe a Teologia da Libertação de caráter teológico-filosófico.


b)-Existe a “Psicologia da Libertação”, do Padre jesuíta Martin-Baró (no campo da Psicologia).


c)-Existe a “Pedagogia da Libertação”, ou “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire (no campo da Educação).


Todas estas teorias são aplicações práticas da idéia gramsciana da revolução cultural. Não se trata de dizer que não exista nada de positivo nelas, bem entendido. Porém há muitos erros e distorções, e há, por trás de tudo, um claro objetivo, o qual tenta-se mostrar aqui:



Para a Teologia da Libertação o DOGMA COMUM  de todos os seus ideólogos é: o “Reino de Deus é a sociedade utópica socialista-comunista. Jesus foi um revolucionário que veio apenas para ensinar aos “oprimidos” (os pobres) a maneira de se “libertar” do jugo dos “opressores” (os ricos e poderosos), e o meio é a revolução, através “luta de classes”. Marx, a partir da dialética do filósofo Hegel, havia traçado o que seriam, segundo ele, as “leis” de funcionamento das sociedades ao longo do tempo. A grosso modo, a dialética hegeliana diz que a cada tese contrapõe-se uma antítese. O resultado da contraposição dialética entre tese e antítese é a síntese. Seguindo este raciocínio, e aplicando-o às sociedades, Marx disse que:


a)-Ao capitalismo e à hegemonia da burguesia (tese).

b)-Esta burguesia se oporia à classe dos oprimidos, proletários e operários (antítese).

c)-Então, os oprimidos, através da revolução e da luta de classes se libertariam do jugo dos opressores (dos burgueses) e consolidariam a sociedade socialista-comunista (síntese). Para ele, a história marcharia inexoravelmente para este fim.


Consequências nefastas


Os países que se lançaram na construção desta utopia puderam sentir na pele suas consequências (incluindo o papa São João Paulo II):

1)-Milhões de mortos pela fome (só na China foram mais de 65 milhões),

2)-Perseguição aos cidadãos contrários aos regimes revolucionários (como ainda hoje acontece em Cuba, China e Coreia do Norte).

3)-Matança em série em campos de extermínio (p. ex. os “gulags” russos).

4)-A pobreza, ao invés de acabar, se alastrou.

5)-O ateísmo reinante levou a uma vida sem sentido e fez proliferar a corrupção, o tráfico e consumo de drogas e a prostituição.


Basta procurar fontes seguras de informação para se inteirar do que aconteceu e ainda acontece na Rússia, na China, na Coréia do Norte, no Vietnam, em Cuba e nos países do Leste Europeu. Realmente é preciso procurar, pois a nossa mídia (infelizmente ocupada por Jornalistas oriundos de Universidades Públicas esquerdizadas) omite muitas dessas informações, quando não as deturpa em favor dos regimes comunistas. Em muitos países ainda hoje se perseguem e assassinam cristãos pelo simples fato de serem cristãos.


Algumas ressalvas



Foi inevitável falar um pouco de política, sociologia e filosofia para tentar expor os equívocos do socialismo-comunismo, tão propagado, às vezes de maneira disfarçada, pela Teologia da Libertação. Muitas pessoas que se sentem ligadas de alguma forma à espiritualidade de Teologia da Libertação desconhecem a base marxista que está por trás de tudo. Não se trata aqui de dizer que todas as pessoas ligadas, de uma forma ou de outra, a este tipo de vivência na fé seja necessariamente mal-intencionado, ou ainda um simples militante marxista “infiltrado”.  É claro também que não se pretende condenar as inúmeras obras caritativas levadas a cabo pelos adeptos da Teologia da Libertação. Muito menos se pretende negar a imensa desigualdade social na América Latina, nem se quer dar a entender que não se devem denunciar as injustiças e os desmandos que prejudicam a condição social de nosso povo. O que acontece, infelizmente, é que muitas pessoas, mesmo inconscientemente, ao passo que realizam coisas muito boas (que devem ser continuadas), servem também, como “massa de manobra” nas mãos de quem sabe como e porque se utilizar deste tipo de Teologia para conseguir suas finalidades políticas.
O QUE ESTÁ POR TRÁS DOS OBJETIVOS DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO?



De fato, nem todos sabem o que jaz por trás da aparência realmente bela da “Libertação” e da “opção preferencial pelos pobres” (como muitos que praticam a caridade maçônica e espírita, sem saber com o que estão envolvidos). É preciso levar em consideração o fim último da construção de um tipo de sociedade anticristã, como foi falado pelos documentos da Igreja mostrados acima. O que se sabe, porém, é que há quem entenda toda a opção política que jaz subliminarmente no caso, e quem se utilize disso. Mormente deve-se destacar que os primeiros divulgadores desta Teologia da Libertação deveriam saber muito bem o que estavam fazendo, e muitos grandes “nomes” desta linha hoje sabem muito bem, sim, o que estão fazendo. É disto que trata estes esclarecimentos, e não de condenar a priori a todas as pessoas, instituições e atividades envolvidas.



Muitos podem se perguntar:


Porque pessoas aparentemente tão boas deveriam ser cruelmente taxadas de hereges só porque têm simpatia pela Teologia da Libertação?”


Existe uma diferença entre:

a)-Quem sabe dos verdadeiros propósitos da Teologia da “Libertação” .

b)-E quem não sabe – Ora, quem não sabe não pode ser culpado nem taxado de nada; tem que ser apenas alertado e não simplesmente condenado.


Alguém pode ser uma pessoa muito boa, muito amável, muito caridosa, e sincera em seus propósitos pessoais, desligados até dos objetivos REAIS da Teologia da Libertação, mas infelizmente estar enganado quanto aos seus propósitos, pois a sinceridade não é o único critério da verdade, pois uma pessoa pode estar sinceramente enganada. Porém, mesmo quem está ligado à Teologia da Libertação, e sabe realmente de seus fins maléficos, ateus, materialistas, que só busca a libertação exterior e não interior do pecado, pode ser uma pessoa boa no convívio particular.


Separando alhos de bugalhos - Uma coisa é:


a)-A maneira da pessoa ser (nos contatos mais próximos da vida privada), que pode ser mesmo muito meritória.


b)-Outra coisa é a ideologia ou compromisso que assume consciente e deliberadamente em sua prática cotidiana e social (para usar um termo marxista: a “práxis”), e que contraria a Doutrina Social da Igreja, portanto indo de encontro ao bem comum (Será que não PRECISANDO URGENTEMENTE, todos nós Católicos aprender sobre Verdadeira Doutrina Social da Igreja?).



Dito isto, voltemos agora nosso olhar para a relação entre a Teologia da Libertação e a Igreja Católica



Algumas pessoas dizem que a Teologia da Libertação é a única coisa que faz sentido na Igreja atual. Quem pensa assim, ou não sabe o que é realmente a Teologia da Libertação, ou não conhece o que é a Igreja do qual faz parte. Se soubesse da verdadeira finalidade da Teologia da Libertação, que é a infiltração marxista na religião, e se soubesse os malefícios que o marxismo trouxe à humanidade, certamente não apoiaria esta Teologia, nem diria que ela é a única coisa que faz sentido na Igreja. E também, se conhecesse o que é a Igreja: Corpo Místico de Cristo, Esposa de Cristo, por Ele instituída para a salvação de toda humanidade (pobres e ricos e não apenas uma classe social) e para reunir e santificar todos quantos acolhem seu chamado.



Se esta pessoa prestasse atenção em tudo que a Igreja, por meio de seus membros, já fez e continua fazendo pelos pobres, necessitados, e enfermos; se constatasse a multiplicidade de carismas, de missões, dons e apostolados com que o Espírito Santo cumulou a Igreja nestes dois mil anos de evangelização e missão, jamais faria tal afirmação.



Comungar é tornar-se um perigo?


“É Jesus este pão de igualdade!
Viemos pra comungar
com a luta sofrida do povo
que quer ter voz, ter vez, lugar.
Comungar é tornar-se um perigo;
viemos pra incomodar.
Com a fé e união nossos passos um dia vão chegar”
(Ir. Vaz Castilho)


O trecho da música composta dentro desta práxis teológica, resume a visão marxista e da Teologia da Libertação sobre o que seja a participação na Eucaristia:


Uma antecipação e prefiguração da utópica sociedade marxista, em que “tudo é de todos”; bem como a expressão da luta de classes, na qual a classe oprimida, no caso o “povo que quer ter voz, ter vez, lugar” se revolta e busca sobrepujar a dita “opressão” das “classes dominantes”. Por isso comungar, para a Teologia da Libertação, é reunir a classe oprimida e fazer a revolução, a luta de classes. É “tornar-se um perigo” para as “classes dominantes”, de tal modo que possam dizer: “viemos pra incomodar” estas classes. Isto representa um reducionismo típico do movimento revolucionário.



Reducionismo porque reduz todos os demais aspectos da Eucaristia a apenas um, a expressão da “partilha do pão”, que prefigura a partilha dos bens. Deixa em segundo plano (senão totalmente esquecidos) aspectos mais importantes:

a)-A União com Cristo (cf. Catecismo da Igreja Católica – CIC – §790, 1003, 1391);

b)-A união dos que crêem (§805, 1396, 1398, 2637);

c)-O aumento da graça e crescimento da vida cristã (§1392, 1397, 1644);

d)-A fonte renovadora da conversão e força para o afastamento dos pecados (§1393-95, 1436, 1846);

e)-A participação no sacrifício de Cristo e a união com a liturgia celeste (§1322, 1370).



Deturpação porque até mesmo este único efeito da Eucaristia que realça (a prefiguração da partilha dos bens e o compromisso com os pobres) é utilizada não por causa de seus princípios evangélicos, mas apenas para dar suporte e divulgação à ideologia marxista.


A utilização em larga escala de músicas parecidas com esta, com a mesma temática, mostra o objetivo da Teologia da Libertação. Apesar dela ter sofrido um declínio após um apogeu nas décadas de 70 e 80 do século passado, sua influência ainda paira fortemente sobre as músicas, as vestes litúrgicas, nos seminários, folhetos de subsídio litúrgico; nas notas de rodapé da Bíblia (vide a Bíblia Edição Pastoral da Editora Vozes, em que cada nota de rodapé ao longo de toda a Bíblia leva somente a reflexões marxistas de opressor-oprimido; até mesmo quando Jesus chama para perto de si as crianças, o subtítulo que se dá a este trecho é “Jesus escolhe os pobres”); e nos sermões de padres e pessoas ligadas a linha, tentando passar um senso comum de cunho meramente social do que é ser Católico.


Seguindo os conselhos de Gramsci, o reducionismo e a deturpação que a Teologia da Libertação faz com as verdades da Igreja tornam-se tão comuns e entrelaçadas com o cotidiano que viram uma espécie de imperativo, ou de inexorável vontade de Deus.


Lamento dizer aos seus simpatizante e ideólogos, mas Comungar não é tornar-se um perigo meramente social


É fato que faz parte dos preceitos cristãos, do múnus profético, denunciar as injustiças sociais, mas não no sentido da apologia da luta de classes. Inclusive esta mesma luta de classes, no atual cenário marxista, expandiu-se, e engloba não mais somente a dicotomia “rico versus pobre”, mas também várias outras, como:

a)-“mulheres versus homens” (feminismo).

b)-“homossexuais versus heterossexuais” (gayzismo).

c)-“filhos versus pais” (conflitos de gerações);

d)-“negros versus brancos” (racismo),

e)-“sem terra e sem teto versus seus proprietários”, e por aí vai.


Mas a diminuição das injustiças sociais, que existem de fato, e a denúncia das injustiças pode passar por outros meios muito mais condizentes com o espírito real do Evangelho do que a luta de classes.Portanto, tomemos cuidado com algumas mensagens “ocultas” presentes em certas músicas, em algumas “orações da assembléia”, em homilias etc.


Comungar é tornar-se um outro Cristo, é fazer Cristo viver em si (cf. Gal 2,20), o mesmo Cristo que falou: “Meu Reino não é deste mundo” (Jo 18, 36) e à pecadora arrependida: Vais e não peques mais (João 8,11). O cristão não pode ser, de forma alguma, insensível à miséria dos povos do Terceiro Mundo. Todavia, para acudir cristãmente a tal situação, não lhe é necessário adotar um sistema de pensamento que é intrincecamente anticristão como a Teologia da Libertação; existe a doutrina social da Igreja, desenvolvida pelos Papas desde Leão XIII até João Paulo II de maneira cada vez mais incisiva e penetrante. Se fosse posta em prática, eliminaria graves males de que sofrem os homens, sem disseminar o ódio e a luta de classes.


Adaptado de: Card. Ratzinger – Eu vos explico a Teologia da Libertação








O PROTAGONISMO DO POBRE NA “TEOLOGIA DA PROSPERIDADE”




Uma novidade no Brasil é a plataforma “Reino” para conectar projetos de empreendedores cristãos no país.


“Ser empreendedor é transformar realidades”, disse José Garcia Júnior, da Valorem



O número de empreendedores no Brasil ultrapassa os oito milhões, segundo dados do Portal do empreendedor. Dentro dessa estatística está incluído também cristãos que também resolveram ter seus negócios próprios. Esta plataforma servirá de referência no Brasil para o empreendedorismo cristão.


“Reino”, será um sistema que vai conectar os empreendedores cristãos e seus projetos no país com todos os demais, criando um ecossistema. A plataforma poderá ser usada até como fonte de informações. Percebemos que existem milhares de iniciativas empreendedoras que estão impactando e transformando vidas tanto nas áreas social e econômica, quanto na espiritual. Mas precisamos conectar todo mundo, gerando uma sinergia, que potencialize as iniciativas. Por isso iremos disponibilizá-la o quanto antes, explicou o idealizador do projeto “Reino”, José Garcia Júnior, diretor executivo da Valorem, uma instituição voltada para o empreendedorismo cristão. Me sinto realizado, principalmente porque a Palavra em 1Co 16,14 diz: ‘Todos os vossos atos sejam feitos com amor’. E tudo que fiz e faço é muito prazeroso e feito com muito amor”,declarou.(https://comunhao.com.br/empreendedorismo-cristao/).



A tese weberiana segunda a qual o empreendedorismo não se desenvolve apenas com atos motivados por interesses econômicos, mas também por normas e valores internalizados, é amplamente sustentada pelos novos empreendedores Cristãos. A motivação religiosa-normativa, legitimada por um ideal secular de justiça social é enfatizada tanto entre os empreendedores católicos como protestantes. Como decorrência, a principal preocupação deste deste empreendedorismo Cristão, é refutar e reformar a tríade relacional entre economia-individualismo-egoísmo. No caso da experiência neopentecostal, a ênfase recai sobre as conveniências do pertencimento, sendo que o novo discurso apela para um “novo tipo” de chamado secular, porém, sacralizado de ser um empreendedor bem-sucedido com as virtudes que Deus concede a todos e não somente a predestinados, tal qual no calvinismo. Nesse sentido, ser bem-sucedido adquire um caráter quase coercitivo de um dever para com Deus, o que acaba por reforçar o papel da igreja na orientação e pastoreio dos negócios.



A título específicos de exemplos concretos vemos isto no protestantismo através das denominações Igreja Renascer em Cristo e IURD, já no lado Católico com o Movimento dos Folcolares através da ECONOMIA SOLIDÁRIA. Ver-se de modo geral, que as estruturas religiosas destas organizações, formam um tipo especial de capital social, denominado de capital espiritual – por meio de “fechamento” de redes sociais, organização social apropriável, obrigações e normas, canais de informações e redes religiosas de ajuda mútua – capaz de criar e sustentar recursos organizacionais – quais sejam, recursos culturais/simbólicos, espaços de formação, informação e apoio espiritual/motivacional – e que são mobilizados de modo a facilitar as ações de seus empreendedores. Tais recursos dão vantagens relativas a esses empreendedores por oferecerem benefícios tais como:



a)-Tecnologias religiosas;

b)-Apoio psicológico;

c)-Redução dos custos da coleta e acesso à informação, de negociação e do estabelecimento de contratos;

d)-Informações específicas e interpretadas de acordo com a visão de mundo religiosa;

e)-Um sistema de significados que cria essa visão de mundo e sustentada pelas estruturas de plausibilidade, dando-lhes maior grau subjetivo de certeza, esperança e fé acerca de seus negócios;

f)-Prestações de serviços técnicos por parte de membros da organização;

g)-Desenvolvimento do capital humano devido à aprendizagem contínua por meio de cursos, seminários, palestras, congressos; trocas de experiência; e possibilidades de negócios, incluindo possíveis parceiros, fornecedores e clientes.



No Brasil de hoje, a revolução pioneira em cursos e apoio desta natureza é a dos evangélicos, que, além da oferta do “combo: Jesus – resgate da dignidade e felicidade”, colocam em curso um liberalismo dos pobres. Os evangélicos sabem de modo prático que é possível mudar a realidade do pobre sem luta, ou ódio de classes, assim conseguem empoderar seus pobres. Dessa forma, eles recusam veementemente a condição de vítimistas e se tornam agentes da própria história.



Ter também, um objetivo, aliados que rezam por você, o apoiam e um inimigo claro, traz motivação e conforto diante das incertezas e dificuldades da vida. Por algum tempo essas correntes se mantiveram isoladas da esfera pública, mas na segunda metade do século passado, passam a interagir na política institucional, a conformar redes midiáticas para garantir o investimento em televangelização e a fortalecer bases doutrinárias e representações políticas para globalizar sua ação.


Os números e os últimos eventos eleitorais mostram que a estratégia foi bem sucedida:


a)-São de religião evangélica cerca de 20% da população do continente, em comparação com 69% dos católicos.


b)-Em 1900, os protestantes eram cerca de 50.000: apenas 1% da América Latina, enquanto 94% eram católicos.


c)-Em 1930, eles tinham se tornado um milhão, 50 milhões nos anos 1980. E, no ano 2000, subiram para cerca de 100 milhões. A projeção é que em 2030 os evangélicos dividam de igual para igual com os católicos o número de fiéis.


d)-No Brasil, em apenas 40 anos, o percentual passou de 5% para 22% dos fiéis. Na Venezuela, passaram de 7% a 17% da população na última década.


Esses contingentes disputam a consolidação de seu poder de influência construindo uma rede diversa e potente:


1)-Administram rádios e canais e TV, atuam nas periferias com inúmeros programas sociais e respostas de pertencimento, ou seja, influenciando comportamento e provendo identidade para o modo de vida que defendem, e, claro, se envolvem na disputa política de vários modos.


2)-Vigiam e monitoram campanhas eleitorais e escolhas políticas dos candidatos, unificando as diferentes filiações em torno a temas morais e seus cavalos de batalha como casamento igualitário e proibição do aborto. Se constituem assim em uma poderosa força sociopolítica, capaz de prover resposta às diferentes agonias da pós-modernidade.


3)-Mesmo no campo econômico, conseguem indicar um caminho pelo empreendedorismo vinculado à teoria da prosperidade. Tal ação coordenada somada a um sistema político fragmentado e a um sistema financeiro que acentua a exclusão, permite que essas igrejas cresçam e se associem a uma sensibilidade mobilizadora que alimenta formações políticas de direita.



É importante, no entanto, compreender que o que habitualmente se chama de evangélico é um rótulo genérico que não dá conta das complexidades e das distinções nesse movimento em que atuam distintos grupos religiosos: luteranos, metodistas, calvinistas, batistas, presbiterianos e pentecostais, entre as denominações mais conhecidas. Conforme Paul Freston, para além do agravamento da miséria, o que pode explicar o sucesso empresarial dos pentecostais e neopentecostais é um conjunto de aspectos culturais, sociais e religiosos. Diz esse autor que a religião é ambivalente e oferece diferentes coisas a diferentes indivíduos:


“O pentecostalismo é flexível e é improvável haver uma única razão para o seu crescimento...é necessário levar-se em conta não apenas os fatores econômicos e políticos, mas sociais, culturais, étnicos e religiosos; não apenas o nível macro (quais são as configurações favoráveis à conversão) mas também o nível micro (porque as pessoas com estas características se convertem)”, destaca.


Duas prováveis explicações são:


1ª)-A possibilidade de vivenciar a experiência com o Espírito Santo, por todos os membros, mesmo os iletrados.


2ª)-Outro aspecto é a flexibilidade, a possibilidade de adaptação a diferentes organizações, localidades e realidades, já que não depende de um clero formal e permite a ascensão de quaisquer lideranças, uma vez que não depende de formação teológica, mas emerge da própria comunidade, o que viabiliza alto nível de adaptação às culturas locais, “diferentemente do protestantismo histórico, que manteve, em maior ou menor grau, fidelidade às suas tradições europeias.


A conexão bem definida entre superação da carência econômica e religião mostra que na fé está a resposta


A prosperidade econômica pode ser alcançada por uma ética do trabalho, mas principalmente pelo empreendedorismo. É comum nas práticas dessas igrejas o auxílio para que desempregados montem o próprio negócio, mesmo na economia informal, e a dinâmica da ajuda mútua (irmão ajuda irmão) criando redes de proteção e pertencimento. Dentre as estratégias de sobrevivência e controle estão:


1)-A sublimação (pureza) sexual,

2)-O interdito ao fumo, às drogas e ao alcoolismo.

3)-A adoção das noções de dignidade de filho de Deus e prosperidade, mas não subordinadas, como há dois séculos, à salvação, como regra de conduta e identidade coletiva. Esses discursos simples, diretos e eficazes vão arrebatar frações significativas e estabelecer posições muito claras em face da política.



ORIGEM, FUNDAMENTOS E PROPAGAÇÃO DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE:



A Teologia da Prosperidade é um desdobramento da crise de 29 nos Estados Unidos, cujo fundamentalismo reorienta sua ética em favor de uma maior participação na esfera pública a recristianização da América, empreendida através da evangelização em massa, com uso intenso dos meios de comunicação. Na América Latina isso será um investimento crescente e incremental. Jornais, rádios, TVs e mais recentemente Portais Gospel na internet farão as vezes de instâncias centralizadoras, alinhadoras dos discursos. Os porta vozes serão lideranças que se sobressaem nesses meios e cumprem também uma função corporativa e representativa das distintas variedades dos grupos evangélicos. Não raro, essas lideranças disputam notoriedade entre si.


Pelo menos três grandes tendências evangélicas podem ser reconhecidas na América Latina:


1)-Primeiro, os protestantismos históricos, que chegaram à região no século 19 e incluem principalmente luteranos, metodistas e calvinistas. Apesar de sua fraca expansão demográfica, eles tinham privilégios culturais e contribuíram para o liberalismo político.


2)-Segundo, há as tendências evangélicas originadas nos Estados Unidos, que chegaram à América Latina desde o início do século XX, com um forte senso missionário e proselitista sustentado no literalismo bíblico. Eles eram, portanto, profundamente conservadores em sua rejeição à ciência e em qualquer reivindicação ao pluralismo religioso. Uma parte das igrejas Batista e Presbiteriana fazem parte dessa segunda onda de evangélicos.


3)-E terceiro, os Pentecostalismos, variante específica de um movimento que mostrou nos últimos 100 anos uma capacidade sem precedentes de globalização. O pentecostalismo produz conversões em massa de fiéis na China, Coréia do Sul, Cingapura, Filipinas e vários países do continente africano. Em todos esses casos, como na América Latina, verifica-se uma constante: o movimento tem uma grande capacidade de vincular sua mensagem às espiritualidades locais, além de incentivar formas flexíveis, variadas e facilmente apropriadas de organização, teologia e liturgia, disseminadas entre os mais diversos segmentos populacionais de diferentes contextos nacionais.


A teologia da prosperidade, que argumentou e antagonizou a teologia da libertação em um nível prático, sustentou que, se Deus pode curar o corpo e a alma, não há razão para pensar que Ele não pode conceder prosperidade.


Assim podemos observar um forte poder econômico arrecadador e livre de impostos por ter caráter filantrópico, convertido em poder político. Na Colômbia, por exemplo, segundo dados de 2017, são 750 colégios públicos contra 3.500 igrejas neopentecostais.


Além da capacidade de adaptação, do discurso forte, da presença viva e atuante do Espírito Santo e das mensagens persuasivas, joga a favor dos neopentecostais a perca de fieis da Igreja Católica pela falta de uma catequese integral, atrativa e convincente, pois transformaram o altar em palanque Político com dos padres de carreata (convocando pobres que nem nas missas estão), onde quem vai com sede de Deus, entra seco e  sai rachado, cheio de inveja, ódio no coração e se sentindo vítimas das zilitis. Quem quer ouvir falar de Deus e de seu plano de salvação, para muitos que não tem um grupo de oração próximo,não tem outra alternativa a não ser debandar para o protestantismo, ou até espiritismo, onde falam mais de Deus e seu amor, do que em muitas missas católicas.


No Chile, um dos países tradicionalmente católicos, a confiança na Igreja Católica, segundo o instituto de pesquisas Latinobarómetro, caiu de 80% em 1996 para 37%. O número dos que se declaravam católicos era de 74% e caiu para 45%, no mesmo período. É a queda mais brusca entre países da América do Sul. A tendência declinante já se verificava desde os anos 90, mas se acentuou depois de escândalos de pedofilia. Neste contexto, os evangélicos permanecem com uma certa autoridade moral para o discurso conservador e a prerrogativa de guerra espiritual. A doutrina da guerra espiritual sustenta que o divino está no mundo, mas também está a presença do mal. Dessa maneira, o diabo deixa de ser uma metáfora para se tornar uma força espiritual encarnada que ameaça a saúde, a prosperidade e o bem-estar, e isso resulta em uma concepção de experiência religiosa e liturgia na qual a expulsão de diferentes demônios é central. Essa é também a chave da expansão pentecostal, pois essa formulação permite falar diretamente para os destinatários do discurso.


Em suma, o crescimento pentecostal se alimenta das vantagens organizacionais e discursivas dos evangélicos e dos déficits católicos, e ocorre principalmente nos espaços em que o catolicismo, com sua lenta logística, falha em explicar o processo de metropolitização que caracteriza a América Latina:


Em cada novo bairro onde a igreja católica planeja chegar, já existem uma ou várias igrejas evangélicas. Esse processo também ocorre do campo para a cidade e da periferia para o centro.


Todas as igrejas evangélicas e, especialmente, os pentecostais também, forjaram diferentes tipos de instituições educacionais, esportivas e, principalmente, instituições de produção cultural de massa, como editoras, gravadoras, plataformas midiáticas que, ao mesmo tempo que facilitam a atividade de proselitismo, dão densidade ao mundo evangélico criando denominadores transversais comuns. Ainda não sabemos a extensão dos efeitos dessas transformações do campo religioso na vida política e na esfera pública, mas já vemos alguns de seus resultados como a saída do armário do Conservadorismo.


Os últimos acontecimentos em curso permitem supor que a politização dos pentecostais e boa parte dos evangélicos na América Latina se deu pela capacidade de desenvolver diversas e contingentes formas de mobilização política, que nos últimos anos foram orientadas para a intervenção política, nas mãos de tendências conservadoras. No entanto, é preciso cautela antes de aderir sem problematizações à afirmação impressionista de que uma onda de evangélicos tomou conta do continente. É imperativo prestar atenção aos momentos e modos dessa politização e sua interação com os contexto social mais geral. Compreender as mudanças comportamentais, as demandas, os problemas reais, os modos de socialização, o papel das mídias digitais e dos modos de interação presencial.


Na realidade atual, associar-se a grupos evangélicos é altamente atraente para boa parte dos políticos.



De outra parte, para os líderes desses grupos é importante converter pregação religiosa em poder político e assim converter, capturar a sociedade como um todo para os valores cristãos. E esses valores não são aleatórios. São os temas sensíveis, controversos e concretos como

a)- Uniões e adoções por casais homoafetivos.

b)-Legalização do aborto e liberação das drogas para uso lúdico.

c)-Posse de armas pelo cidadão de bem para sua legítima defesa já que o policial sempre chega depois do crime cometido, e algumas pautas progressistas.


Com os fundamentos da democracia em crise, especialmente decorrentes das denúncias de corrupção e incapacidade de responder a problemas concretos, com a erosão das alternativas da política tradicional, apelar para a identidade evangélica parece um bom negócio.  Paradoxalmente, em paralelo ao avanço das agendas dos direitos de gênero e diversidade na última década na América Latina, isto contribuiu de modo direto para o fortalecimento dos projetos políticos evangélicos, como uma reação que não estava prevista. Já a direita assumiu os valores vinculados à família, ao Patriotismo e a meritocracia. Essa equação é difícil desmontar e conter.


A contra ofensiva conservadora pareceu estar incubada enquanto o progresso de direitos tomava conta de políticas de Estado em diferentes países, patrocinadas pelo centro e pela esquerda. A contrariedade que vicejava nos subterrâneos contra a agenda emancipadora foi capitalizada em grande medida pelas forças evangélicas, dando potência às ambições políticas.A influência política evangélica é muito mais forte e sólida por meio da transformação cultural e midiática e, não obstante, eficiente nos cálculos de captura das preferências eleitorais.



Como enfrentar essa nova realidade, reconhecendo as capacidades mobilizadoras e de inclusão social que essas igrejas mantém, respeitando a fé a identidade religiosa, mas ao mesmo tempo assegurando a preservação de direitos e emancipação é um desafio que seus opositores precisa compreender e encarar e conviver com isto no mesmo grau de importância que as mudanças na ordem do mundo do trabalho, a globalização, questões ambientais, tecnológicas e financeiras fazem parte de nosso cotidiano e não podemos nega-las ou simplesmente exclui-las.


Adaptado de: Sandra Bitencourt - Jornalista, doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS, membro do Conselho do Observatório da Comunicação Pública e Diretora de Comunicação do INP. Publicado originalmente no site do INP.




CONCLUSÃO:



A Teologia da Libertação fez a opção PREFERENCIAL, EXCLUSIVA E EXCLUDENTE pelo pobre e pela luta de Classes, mantendo-o ad aeternum na condição de vítima, porém, este mesmo pobre alvo de sua práxis, fez a opção pela Teologia da Prosperidade, se libertando da Condição de vítima e se tornando protagonista no resgate de sua própria auto estima e dignidade de filho de Deus, mudando exteriormente sua condição social e interior no processo de conversão e libertação de uma vida de pecados e derrotas, deixando de colocar toda culpa sempre no “outro”.



Referências


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-PADILLA, René. “Los evangélicos: Nuevos actores en el escenario politico latinoamericano”. In De la marginacion al compromiso. Quito: FTL, 1991.

-MARIANO, Ricardo. “Os pentecostais e a teologia da prosperidade”. In Novos Estudos. São Paulo: CEBRAP, 1996, nº 44.

-SEMÁN, Pablo- Pentecostalismo y política en América Latina- Ladiaria- 2019

-BRUNI, L. Comunhão e as novas palavras em economiaVargem Grande Paulista: Cidade Nova, 2005.

     
-DURKHEIM, E. Da divisão social do trabalho: as regras do método sociológico – as formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores)        

-LÓPEZ-RUIZ, O. J. O ethos dos executivos das transnacionais e o espírito do capitalismo. 2004. 375 p. Tese de Doutorado em Ciências Sociais, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004.         

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-MESQUITA, W. A. B. Correndo atrás da prosperidade: trabalho e empreendedorismo entre fiéis neopentecostais. Ciências Sociais e Religião, v. 9, n. 9, p. 195-215, 2007. Disponível em: http://goo.gl/gtQSj . Acesso em 13/07/2020

-PINHEIRO, M. B. Economia de comunhão: uma experiência peculiar de economia solidária. In: SINGER, P; SOUZA, A. R. de (Orgs). A economia solidária no Brasil: a autogestão como resposta ao desemprego. São Paulo: Contexto, 2000.

-QUARTANA, P. A economia de comunhão no pensamento de Chiara Lubich. In: QUARTANA, P. et al. Economia de comunhão. São Paulo: Cidade Nova, 1992.

-SWEDBERG, R. Max Weber e a ideia de sociologia econômica. Rio de Janeiro: UFRJ; São Paulo: Beca Produções Culturais, 2005.       

-WEBER, M. A ética protestante e o "espírito" do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.   


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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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