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É possível Cristianizar o Marxismo assim como foi feito com o Platonismo e Aristotelismo?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 27 de junho de 2020 | 12:05








Formulando melhor a pergunta: Assim como Agostinho de certa forma Cristianizou o Platonismo pagão, utilizando elementos transcendentes desta filosofia na doutrina Cristã, e Tomás de Aquino fazendo o mesmo, usando os argumentos racionalistas do Aristotelismo para fundamentar a Doutrina Católica, seria possível usar elementos do Marxismo na Doutrina Social da Igreja?





ARGUMENTAÇÃO FAVORÁVEL A ESTA POSSÍVEL CONCILIAÇÃO



(Por: Grimaldo Carneiro Zachariadhes)



“Que faria São Tomás de Aquino, o comentador de Aristóteles, diante de Karl Marx?”



Este foi o título de uma palestra realizada na Universidade de Chicago, no dia 29 de outubro de 1974, pelo então arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara, para a comemoração do 7.ºcentenário da morte de São Tomás de Aquino. O sacerdote, nesta ocasião, fez um desafio para a universidade americana:


“Que fizessem com o pensador Karl Marx o que São Tomás fizera com Aristóteles, ou seja, reinterpretasse-o, retirando dele aquilo que era positivo. E aos que poderiam se negar a fazê-lo, alegando que Marx era "materialista, ateísta militante, agitador, subversivo, anticristão", ele lembrava que quando um homem empolga milhões de criaturas humanas, sobretudo de jovens; quando um homem inspira a vida e a morte de grande parte da humanidade, e faz poderosos da terra tremer de ódio e de medo, este homem merece que o estudemos, como certamente o estudaria quem enfrentou Aristóteles e dele soube destacar tudo o que havia de certo...” (Câmara, 1975, p. 53).



Este artigo pretende analisar o Que fez São Tomás de Aquino diante de Karl Marx, isto é, como se deu este diálogo entre católicos – especialmente os jesuítas – e marxistas, principalmente durante a segunda metade do século XX, no Brasil. Vou privilegiar neste texto o Centro de Estudos e Ação Social (Ceas) e buscar compreender como esta instituição, fundada pela Companhia de Jesus, promoveu este diálogo e como reinterpretou o marxismo com base na sua visão cristã, utilizando como fontes principalmente a sua revista intitulada Cadernos do Ceas.



DAS CONDENAÇÕES AO DIÁLOGO – É POSSÍVEL?



Em 1937, Pio XI publicava a encíclica Divini Redemptoris, na qual demonstrava aos católicos sua preocupação com o comunismo ateu, reafirmando as condenações feitas pelos seus predecessores e por ele mesmo em outros momentos. O Papa se preocupava com o crescimento dos comunistas e alertava aos "veneráveis Irmãos" que


"Não se deixem enganar! O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em campo nenhum a colaboração com ele. Lembrava que nos países aonde os comunistas chegaram ao poder, se manifestava o ódio dos sem-Deus contra os cristãos...” (Pio XI, 1937, p. 53).



Esta afirmação papal expressava muito bem as pertinentes e comprovadas preocupações da Igreja Católica em relação aos comunistas naquele momento!


A posição do clero era de enfrentamento aos comunistas, que eram vistos como inimigos que deveriam ser combatidos (e virse versa). Além da crítica ao ateísmo dos comunistas, os religiosos discordavam da solução que era proposta por eles nas questões sociais. A Igreja Católica, preocupada com as condições de pobreza dos trabalhadores e também com a influência dos comunistas sobre eles, começou a formular um pensamento social católico. O clero procurava construir uma alternativa para o socialismo e para o liberalismo econômico que era visto, também, como um mal e responsável pela situação de penúria dos trabalhadores.



Em 1891, o Papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum Novarum.


A partir desta obra, a Igreja Católica começou a formular oficialmente sua Doutrina Social, que serviria de direção para a atuação do clero e dos católicos nas questões sociais. Leão XIII afirmava que:


“Pretendia vir em "auxílio dos homens das classes inferiores, atendendo a que eles estão, pela maior parte, numa situação de infortúnio e de miséria imerecida. O Papa constatava que o que é vergonhoso e desumano é usar dos homens como de vis instrumentos de lucro, e não os estimar senão na proporção do vigor dos seus braços".


Após o diagnóstico do problema, Leão XIII colocava a solução nas mãos dos patrões:


Pois, a eles competia a responsabilidade pelos operários, garantindo-lhes plena satisfação nas condições materiais (Leão XIII, 1891, pp. 10-23).



O Papa Pio XI, ao comemorar os 40 anos da Rerum Novarum, lembrava que:


“Em certas regiões do mundo, os trabalhadores ainda estavam relegados à ínfima condição e sem a mínima esperança de se verem jamais senhores de um pedaço de terra; se não se empregam remédios oportunos e eficazes, ficarão perpetuamente na condição de proletários" (Pio XI, 1931, p. 39).


“No entanto, esse remédio tem que de ser segundo os princípios de um são cooperativismo, que reconheça e respeite os vários graus da hierarquia social" (Pio XI, 1937, p. 33).


A Doutrina Social Católica defendida pelo clero, propõe o modelo evangélico no socorro aos pobres, e propunha como solução para os problemas socioeconômicos, uma conciliação entre as classes.Tanto nas declarações papais quanto nas da hierarquia brasileira existia uma condenação enfática da luta de classes. Em alguns momentos chegaram a afirmar que seria uma invenção dos comunistas para desestruturar a sociedade.


O episcopado brasileiro avisava que:



"A luta de classe é abominável aos olhos de Deus porque divide os homens, sob o signo do ódio, da violência e da morte. O grande ideal cristão é que se chegue, pelo feliz encontro de soluções harmoniosas, a uma transformação social em que as riquezas se espalhem, em justo equilíbrio, por todos os homens que trabalham... é preciso que os homens, dirigidos e dirigentes, empregados e empregadores se tratem dentro do critério de respeito, dignidade, justiça e fraternidade...” (Manifesto do Episcopado Brasileiro sobre a Ação Social, 1946, pp. 482-483).



A hierarquia católica estava preocupada em ajudar a formular soluções para os problemas sociais, mas ao negar a luta de classes, acabava por perceber as relações sociais de uma forma um tanto idílica. Colocava no mesmo patamar trabalhadores e patrões, acreditava piamente que os objetivos de ambos não necessariamente tinham de entrar em conflito. Ao invés de estimular os trabalhadores na luta por melhorias, pedia aos patrões que, por um dever moral, concedessem aos seus empregados um justo salário. A solução para as questões sociais tinha de passar pela conciliação entre as classes que para o clero não seriam antagônicas. Isso fica latente quando lemos o estatuto da Federação Operária Cristã de Pernambuco que afirmava que sua função era:


"Restabelecer a paz no mundo do trabalho, pelo respeito dos direitos de todos e pelo estabelecimento das mais cordiais e harmoniosas relações entre patrões e operários" (Souza, 1994, p. 17).


Os jesuítas criaram um organismo para trabalhar com os operários, em Fortaleza, no Ceará, chamado União Popular Cristo Rei que tinha como objetivo:



"Criar harmonia baseada na justiça entre as classes de patrões e operários" (Azevedo, 1986, p. 236).




O CONCEITO DE LUTA DE CLASSES PARA A IGREJA E MARXISMO SÃO DIFERENTES:




Então, nesse, como em outros pontos, entravam em choque o pensamento oficial da Igreja Católica e o comunismo. Por isso se torna necessário que se entenda o que significava classe para ambos:



LUTA DE CLASSES NO MARXISMO:




Apesar de classe ser um conceito fundamental da obra de Karl Marx, ele nunca definiu explicitamente o que seria; mas podemos perceber alguns elementos do que significava para ele. Classe social serve para identificar os agrupamentos que emergem da estrutura das desigualdades sociais. Para Marx, as classes são as expressões do modo de produzir de uma sociedade, mas o próprio modo de produção se define também pelas relações que intermedeiam as classes sociais e que dependem das relações das classes com os instrumentos de produção. Toda classe é sempre definida pelas relações que a ligam às outras classes, dependendo tais relações das diversas posições que as classes ocupam no processo produtivo. Ele lembra que:


"Os indivíduos isolados só formam uma Classe na medida em que têm de travar uma luta comum contra uma outra classe" (Marx e Engels, 1984, p. 83).



“A luta de classes é o confronto - aberto ou dissimulado – que se produz entre classes antagônicas em favor de seus interesses enquanto classe. Os proprietários dos Meios de Produção querem explorar ao máximo os trabalhadores, pagando o menor salário possível; em contrapartida, os trabalhadores querem o inverso”.


E são esses interesses intrínsecos às classes antagônicas que fazem com que os marxistas afirmem que o Capital e o Trabalho não têm interesses comuns.


A luta de classes não ocorre apenas no conflito aberto, ela está presente em todo momento das relações entre os proprietários dos Meios de Produção e os que têm que vender a sua força de trabalho.




LUTA DE CLASSES NO CATOLICISMO:




A classe social para o clero fundamentava-se sobre uma concepção de mundo própria da Igreja Católica:


“A sociedade era vista como um Corpo harmonioso, cujas diversas partes deveriam cooperar em vista de um bem comum (conceito Paulino da Igreja Corpo de Cristo).As classes(carismas) eram diversas, mas, não antagônicas; e deveriam se complementar para não enfraquecer o Todo”.


As classes, para esse pensamento social católico, eram diferenças hierárquicas entre grupos que sempre estiveram presentes na história da humanidade, por isso, que em alguns documentos, chegaram a afirmar que era "uma lei da natureza".


“O Clero entendia a sociedade como um Corpo Social, sendo cada classe, na verdade, membro deste mesmo Corpo. Por essa visão, cada membro (classe) tinha sua função e deveria colaborar em harmonia com os outros membros para o bem do Todo”.




Lembra Pio XI:



“A ordem é a unidade resultante da disposição conveniente de muitas partes, e o corpo social não será verdadeiramente ordenado, se não há um vínculo comum que una solidamente num só todos os membros que o constituem" (Pio XI, 1931, p. 49).




Por esta concepção, patrão e empregado tinham, sim, os mesmos interesses: o bem-comum. E para que isso fosse alcançado, cada um tinha de fazer a sua parte. A função dos trabalhadores seria trabalhar e a dos proprietários zelar pelos seus empregados e cuidar dos negócios. Em relação às desigualdades sociais, os Papas criticavam os comunistas, pois eles queriam acabar com as classes e tornar a sociedade igualitária, e isso, seria um atentado contra as leis naturais. Neste sentido, Pio XI alertava que:


"Erram vergonhosamente todos que sem consideração atribuem a todos os homens direitos iguais na sociedade civil e asseveram que não existe legítima hierarquia" (Pio XI, 1937, p. 34).




Leão XIII já tinha lembrado muito tempo antes que:




A desigualdade reverte em proveito de todos, tanto da sociedade como dos indivíduos; porque a vida social requer um organismo variado e funções muito diversas" (Leão XIII, 1891, p. 21).




Em outras palavras, existe uma desigualdade social que é condenada por Deus, mas existe uma desigualdade de ordem natural que é querida e estabelecida por Deus, pois a criação é desigual, tanto no mundo visível como invisível. Seria, portanto, necessário existir pessoas para fazer serviços braçais e artísticos, esportivos e artesanais (operários) e aqueles que administram (Patrões). Tentar subverter esta ordem, acabaria por levar à desarmonia do Todo, seria como querer mudar a ordem dos astros no universo.




Se a Doutrina Social da Igreja negava a luta de classes, uma vez que entendia a sociedade como Corpo Social, então era:



"Erro capital na questão presente crer que as duas classes são inimigas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. Isto é uma aberração tal, que é necessário colocar a verdade numa doutrina contrariamente oposta, porque, assim como no corpo humano os membros, apesar de sua diversidade, se adaptam maravilhosamente uns aos outros, de modo que formam um todo...assim também, na sociedade, as duas classes estão destinadas pela natureza a unirem-se harmoniosamente" (Leão XIII, 1891, p. 22).



Com esta concepção de sociedade como um Corpo Social, a luta de classes acabava sendo percebida apenas como o conflito aberto, a pura violência entre os grupos hierárquicos; assim sendo, contrário ao amor evangélico (e o Comunismo REAL comprovou isto). Neste sentido, muitas vezes, o clero acabou se aliando às classes dominantes contra os trabalhadores. Pode-se dizer que essa visão de luta de classes na sociedade foi hegemônica no clero, na primeira metade do século passado.




Mas, a partir da década de 1950, e principalmente após o Concílio Vaticano II, a Igreja se abriu para o mundo e outro pensamento social começou a ser construído, na América Latina, principalmente com a Teologia da Libertação.



Com o acirramento e a politização dos conflitos sociais, principalmente na América Latina, essa concepção de Corpo Social começava a perder força para vários setores católicos. A Igreja Católica iniciava o seu aggiornamento. Com a eleição de João XXIII e o Concílio Vaticano II, essa atualização foi impulsionada.


“O Concílio enfatizou a missão social e integral da Igreja Católica, defendeu a importância do laicato dentro da instituição, valorizou o diálogo ecumênico, modificou a liturgia para torná-la mais acessível e desenvolveu a noção de Igreja como povo de Deus. Substituiu a ideia de Igreja como mestra do mundo pela de serva de Deus do mundo”.



A constituição pastoral do Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, demonstrava claramente a abertura da Igreja Católica ao mundo moderno e a procura de um diálogo da hierarquia com os setores antes desprezados na intenção da construção de um mundo melhor.



"Ainda que rejeite inteiramente o ateísmo, todavia a Igreja proclama sinceramente que todos os homens, crentes e não crentes, devem contribuir para a reta construção do mundo no qual vivem em comum. O que não é possível sem um prudente e sincero DIÁLOGO" ("Gaudium es Spes", 1966, p. 28).



Estava aberta a porta para um diálogo mais intenso entre os setores católicos mais progressistas e os segmentos da sociedade que lutavam por uma transformação social, em especial, os comunistas. E o diálogo seria bem-vindo para alguns comunistas como mostra o então marxista Roger Garaudy, que afirmou:


"O futuro do homem não poderá ser construído nem contra os crentes, nem tampouco sem eles; o futuro do homem não poderá ser construído nem contra os comunistas, nem mesmo sem eles" (Garaudy, 1966, p. 10).



No entanto, pelo menos desde a década de 1950, alguns teólogos franceses já estavam estimulando esse diálogo com o marxismo e influenciaram importantes segmentos da Igreja Católica no Brasil. O jesuíta francês Jean-Yves Calvez publicou O pensamento de Karl Marx, no qual promoveu um diálogo crítico com Marx e os marxistas, e que influenciou vários segmentos católicos. Apesar das duras críticas de Jean-Yves Calvez a Marx e aos seus seguidores, Calvez despertou alguns inacianos e leigos para um maior conhecimento da obra do pensador alemão, como nos mostra o depoimento de Hebert de Souza, o Betinho:


"Lemos Marx através de Yves Calvez... Nossa leitura de Marx, via Yves Calvez, era no fundo uma busca de conciliação, uma forma de resgatar no Marx que desconhecíamos um Marx que pudéssemos conhecer sem negar o que éramos, e éramos cristãos..." (Palácio, 1982, p. 19).



Esse diálogo entre os comunistas e católicos teve seu início no continente europeu


Porém, nesse momento, foi um diálogo com muita cautela e certas desconfianças de ambas as partes, como está claro no livro organizado por Mário Gozzini, Diálogo posto à prova, em que católicos e comunistas italianos debatiam as possibilidades e limites desse encontro. O intelectual católico Ruggero Orfei afirmava categoricamente que:



“O cristão não pode ser comunista por existir uma fratura irremediável entre ambos, e fazia severas críticas ao comunismo; porém, defendia o diálogo e a aceitação de homens que discordam de nós e até mesmo que nos combatem...como um sinal da Providência a ser compreendido e interpretado" (Orfei, 1968, pp. 177-191).


No Brasil, esse debate esteve presente em algumas publicações voltadas para os cristãos


Na revista Paz e Terra existem inúmeros artigos de pensadores europeus e brasileiros que analisaram esse diálogo de muitas maneiras. Para todos os autores era certeza de que na segunda metade do século XX, a convergência de posições entre marxismo e cristianismo surgia como um dos fenômenos mais interessantes do período. Para Michel Verret, o diálogo entre marxistas e católicos foi imposto pela realidade histórica, pela vida e, por isso:


"Queremos abordá-lo sob o ângulo da vida: não pelas ideias que nos separam (Deus), mas pela terra que nos é comum, pelos homens que, embora com crenças e sinais diferentes, têm que enfrentar os mesmos problemas" (1966, pp. 163-179).



Paul Lehmann, em seu artigo intitulado Ética cristã – Ética marxista, enumerava as semelhanças entre a filosofia cristã e a marxista. O autor afirmava que


"O que é comum ao cristianismo e ao marxismo é a convicção de que a libertação do homem realizar-se-á messianicamente" (1966, pp. 156-157).


E, segundo Paul Lehmann:


"No marxismo, como já sabem, este papel messiânico será exercido pelo proletariado. No cristianismo, será exercido na e através do pacto na comunidade cristã" (Lehmann, 1966, pp. 156-157).


Por isso, poderia ocorrer um diálogo verdadeiro já que essas duas filosofias têm muito em comum; e partindo deste ponto, corroborava o que Luiz Maranhão escreveu para os marxistas brasileiros:


"Já não se trata de estender-lhes a mão [aos católicos], mas de marcharmos juntos com eles" (Maranhão, 1968, p. 71).

Como foi afirmado anteriormente, este diálogo entre católicos e comunistas começou na Europa, mas foi na América Latina onde se produziram as alianças mais significativas entre os comunistas e os cristãos. No Chile, a Esquerda Católica foi um importante elemento no governo de Salvador Allende, como também na revolução nicaraguense e em El Salvador, onde os cristãos (incluindo vários jesuítas) desempenharam um papel essencial. Na Colômbia, o padre Camilo Torres foi morto após aderir à luta armada, ingressando no Exército de Libertação Nacional (ELN), combatendo pela revolução em seu país.


Em 1972, aconteceu o "Primeiro Encontro Latino-Americano de Cristãos para o Socialismo", no Chile, que procurou fazer uma síntese do marxismo e cristianismo no continente latino-americano e foi influenciado pelo jesuíta Gonzalo Arroyo.



Foi também na América Latina que se operaram as transformações mais importantes dentro do pensamento católico, principalmente na Teologia da Libertação, movimento que surgiu durante a década de 1970 e que fez uma nova interpretação dos Evangelhos a partir dos problemas sociais do continente. Considerada como a primeira teologia a nascer no terceiro mundo, por isso sempre esteve muito mais preocupada com os problemas colocados pela miséria e exploração da população latino-americana. O teólogo espanhol José Ramos Regidor afirma que:


“A originalidade da Teologia da Libertação não seria a opção pelos pobres (com toda a razão, ele lembra que isso é uma característica da tradição católica), mas, sim, o reconhecimento das classes populares como sujeitos históricos em uma dupla dimensão: "sujeitos históricos na sociedade, capazes de autodeterminação e protagonismo na luta pela própria libertação", porém, também o reconhecimento como sujeitos históricos dentro da Igreja na "produção de evangelização e de teologia" (Regidor, 1996, p. 30).



Essa teologia latino-americana recorreu às ciências sociais para auxiliar na análise da realidade latino-americana, e, em especial, ao marxismo. Os teólogos da libertação reinterpretaram o marxismo de acordo com sua visão cristã e também com sua experiência social, adaptando-o à sua realidade. Segundo o marxista Michael Löwy, o uso do marxismo pelos católicos progressistas para analisar a realidade latino-americana deveu-se ao seguinte motivo:


"Essa descoberta do marxismo pelos cristãos progressistas e pela teologia da libertação não foi um processo meramente intelectual ou acadêmico. Seu ponto de partida foi um fato inevitável, uma realidade brutal e geral na América Latina: a pobreza. Para muitos fiéis preocupados com o social, o marxismo foi escolhido porque parecia ser a explicação mais sistemática, coerente e global das causas para essa pobreza, e a única proposta suficientemente radical para aboli-la" (Löwy, 2000, p. 123).



Este diálogo entre o catolicismo e o marxismo esteve presente também no Centro de Estudos e Ação Social (Ceas):


O Ceas é uma instituição fundada pelos jesuítas na Bahia. Na sua revista – Cadernos do Ceas –, podemos claramente perceber como os leigos católicos e os inacianos do Centro de Estudos e Ação Social reinterpretaram o marxismo com base na sua tradição católica:


Os religiosos e leigos do Ceas também fizeram a opção pelos pobres e procuraram auxiliar as classes populares na sua libertação. Como lembrava o teólogo e ex-coordenador do Centro Social, Cláudio Perani: o conhecimento de Deus deve estar ligado à causa concreta da libertação (sem salvação?), já que não é possível crer no Deus libertador sem participar no processo de libertação...” (Perani, 1980, p. 66).


Mas esse contato com as bases tinha de sempre levar em conta que os pobres eram os responsáveis por sua libertação, eles não precisavam de um partido ou intelectuais que decidissem por eles. Paulo Cezar Lisboa, no encontro das obras sociais da Companhia de Jesus, em Salvador, avisava que os membros do Ceas não tinham:


"uma proposta definida e precisa da sociedade, nem um modelo já pronto. Apenas acreditamos que, seja qual for esse projeto, ele só será válido e exequível se contar sempre com a participação crítica e autônoma do povo" (Ceas, 1993, p. 62).


Segundo os documentos produzidos pelos membros do Centro Social, o marxismo serviria para desmascarar a realidade e os tornarem mais conscientes das estruturas e das causas da pobreza. Em um encontro dos jesuítas, em que o então padre Tomás Cavazzuti participou representando o Ceas, ele afirmou que:


"parece ter importância especial o uso da análise científica da sociedade formulada pelo marxismo, para manter o senso crítico diante das ideologias, da realidade social e da práxis histórica".


O documento "Entidade Ceas" (dezembro 1976) assegurava que:


O trabalho do Ceas estava "visando à transformação social". E se entendermos o marxismo como filosofia da práxis, ou seja, como a produção de um conhecimento para a transformação da realidade, perceberemos melhor a sua influência dentro desse pensamento católico. Pois o que importava não era "conhecer a verdade da história e da sociedade, mas a de transformar a realidade para que se torne mais humana" (Ceas, 1982, p. 57).


Teoria e práxis se completavam dialeticamente, pois toda ação necessitava de uma teoria que só se validava na prática. Nos cadernos do Ceas de número 7, de junho de 1970, era transcrito o texto do jesuíta Oswald Von Nell Breuning: Igreja católica e crítica marxiana do capitalismo, que afirmava ter Marx tornado os cristãos mais conscientes de que:


"as estruturas sociais concretas não devem ser aceitas assim como se apresentam, como se fossem estruturas naturais; estas não são...categorias 'eternas' elas, muito mais do que um 'dado', são um problema" (Nell-Breuning, 1970, p. 9).



A pobreza não era uma fatalidade divina, mas resultado de um Sistema perverso, e o marxismo ajudou os católicos progressistas a perceberem os problemas estruturais da sociedade capitalista e tornou-os mais cientes de que a realidade social não era inexorável, era histórica; assim sendo, poderia ser transformada. Friedrich Engels no seu trabalho Contribuição para a história do cristianismo primitivo afirmava que entre o cristianismo primitivo e o Movimento operário de sua época havia em comum que ambos pregavam a libertação, mas "o cristianismo transpõe essa libertação para o além, numa vida depois da morte, no céu" (Engels, 1972, p. 353). Porém, isso não era mais válido nem para o pensamento defendido pelo Ceas nem para alguns bispos e Superiores de Ordens religiosas do Nordeste, que afirmaram:


"A salvação não se configura, portanto como realidade fora do mundo, a ser alcançada apenas na trans-história, na vida de além-túmulo...Ela começa a efetuar-se aqui: Eu ouvi os clamores do meu povo", 1973a, p. 57).



Evidentemente que eles não negavam a importância da salvação espiritual; o que eles defendiam era que a luta pela salvação tinha de começar em vida e na vida. No pensamento social formulado pelo Ceas, quando se falava em classe, era no sentido marxista do termo que se colocava. No texto Marxismo, cristianismo e luta de classes, Rafael Belda criticou o sentido dado pela Doutrina Social Católica tradicional à classe, pois, segundo ele:


"Não captou o sentido exato do antagonismo objetivo entre as classes, em parte por dar ao termo classe um sentido impróprio já que não percebia claramente os aspectos estruturais dos problemas morais" (Belda, 1979, p. 62).


O antagonismo entre as classes era fruto das desigualdades da sociedade capitalista e a exploração sofrida pelos trabalhadores era estrutural e, não, moral. Os membros do Ceas chegaram a definir nos Cadernos o que significava classe para eles. É de ressaltar a importância dada à esfera econômica para o indivíduo ou camada social. Nessa definição, classe é:


"O lugar que cada indivíduo ou camada social ocupa na produção e distribuição dos bens econômicos. Cultura, prestígio, funções sociais e políticas, status, profissão, vinculam-se, direta ou indiretamente, à situação econômica" (Ceas, 1972, p. 28).



Talvez a influência mais importante do marxismo no Ceas tenha sido a incorporação da luta de classes no pensamento social católico. E esse ponto faz-se necessário realçar, pois é preciso deixar claro que a práxis do Ceas era orientada por esta certeza:


“Na sociedade capitalista existiam classes com interesses opostos, e não complementares como defendia o Magistério social tradicional da Igreja, que entravam em conflitos constantes, já que, a luta de classes é um fato objetivo, derivante da contraposição necessária entre explorados e exploradores, característica do sistema capitalista" (Ceas, 1973b, p. 41).






Os membros do Ceas divergiam da Doutrina Social tradicional da Igreja que percebia a luta de classes como algo artificial para a sociedade, e quando alguém se referia à luta de classes, era como se estivesse pregando, na verdade, o ódio entre os homens; assim sendo, iria de encontro ao amor pregado por Cristo. Isto para os membros do Centro Social seria, na verdade, uma tendência moralizante de setores católicos que não conseguiam ver os problemas na estrutura e se prendiam apenas no indivíduo. Olhando por esse prisma, o problema não estaria na sociedade e, sim, na conduta dos homens. E, ao invés de se lutar por uma transformação social, pedia-se que o opressor percebesse a sua opressão e ajudasse o oprimido por um dever moral. Esta era a crítica feita pelo jesuíta Cláudio Perani, uma vez que


“isto apenas era uma maneira de levar o rico a ajudar alguns pobres, deixando estes últimos numa situação de maior dependência e na mesma ou maior pobreza" (Perani, 1977, p. 52).


Podemos verificar como era difícil para setores da Igreja Católica, religiosos e leigos, aceitar a luta de classes, pois ainda se prendiam ao sentido tradicional dado pela Doutrina Social. Para esses setores, quando os teólogos da libertação falavam em luta de classes era como se eles quisessem dividir a sociedade, como se eles quisessem criar o conflito entre os homens (como se o conflito já não existisse). Isso era tão forte no pensamento católico que o teólogo Gustavo Gutierrez, no seu clássico Teologia da Libertação, teve de ressaltar:


"Reconhecer a existência da luta de classes não depende de nossas opções éticas ou religiosas. Há os que tentam considerá-la algo artificial, estranho às normas que regem nossa sociedade...A luta de classes não é produto de mentes fabricantes senão para quem não conhece ou não quer conhecer o que produz o sistema ... Aquele que fala de luta de classes não a propugna – como se ouve dizer – no sentido de criá-la de início por um ato de (má) vontade; o que faz é provar um fato, e no máximo contribuir para que dele se tome consciência" (Gutiérrez, 1979, p. 228).



ERRO ANALÍTICO DE MARX


No seu trabalho Crítica da filosofia do direito de Hegel, Karl Marx criticava Hegel, pois ele não tinha percebido na gênese da superestrutura as condições materiais. Segundo Marx, a religião só existiria porque os homens se encontravam perdidos; o sentimento religioso era entendido como um fruto da alienação na sociedade capitalista; assim sendo, "a abolição da religião enquanto felicidade ilusória do povo é uma exigência que a felicidade real formula". Podemos afirmar que para Marx:



“Quando o homem não estiver mais alienado pelo trabalho, em uma sociedade sem classes (onde?), o fenômeno religioso não terá mais sentido, pois  a religião não passa do sol ilusório que gravita em volta do homem enquanto o homem não gravita em volta de si próprio" (Marx, 1972, pp. 44-47).


Devemos lembrar que Marx viveu no século XIX, então, como um homem de seu tempo está refletindo em uma realidade histórica definida. Porém, ainda na segunda metade do século XX, alguns setores marxistas continuavam defendendo essa ideia. No texto Marxismo e Cristianismo do filósofo Leandro Konder, ele percebia uma evolução do clero católico para posições mais progressistas e se surpreendia com alguns documentos da Igreja brasileira, por isso, defendia o diálogo entre comunistas e católicos de esquerda. Ele avisava, entretanto, desde que a religião não venha a ser canalizada para a repressão, para um marxista era:


"absurdo pretender promover uma superação da ideologia religiosa sem que tenha sido anteriormente criado o mundo que, em princípio pode vir a tornar desnecessária tal ideologia" (Konder, 1978, p. 65).


O mundo em que a ideologia religiosa seria desnecessária era uma sociedade sem Classes (dirigentes dirigidos neste sistema, não são duas classes?). Enquanto os Papas defendiam uma sociedade de conciliação de classes, alguns marxistas afirmavam que em uma sociedade sem classes a religião não seria necessária. O Centro Social percorria uma nova vertente na qual defendia que era justamente em uma sociedade sem classes que se começaria a ser preparado o Reino de Cristo na Terra. Mas uma pergunta se faz necessária: como chegar a essa sociedade sem classes? A questão não era fácil de ser respondida e nem eles tinham a pretensão de oferecer fórmulas, mas o que eles sabiam era que:


"a solução não será oferecida pela classe dominante, ela será arrancada; não será uma solução concordata, mas conflitual" (Girardi, 1972, p. 53).



O Ceas legitimava o uso da violência (de ataque) do oprimido contra o opressor na luta pela sua emancipação!


O magistério da Igreja defende o uso da violência como último recurso de defesa e não de ataque. Para os padres e leigos, se as classes dominantes para continuarem no poder utilizavam a força para oprimirem as classes populares, não era nenhum ato antievangélico a violência do oprimido para se libertar (porém, o Cristão a exemplo de Cristo, não mata, mas dar a vida), pois:


"a experiência histórica mostra que a classe privilegiada nunca renuncia espontaneamente às suas posições de poder, mas sempre unicamente por ser vencida por uma força maior" (Ceas, 1973b, p. 45).


É necessário, entretanto, salientar que o uso da violência era legitimado, mas com muita cautela pelo Ceas. O uso da força pelos cristãos tinha que obedecer a um código de ética, pois "não se pode aceitar o uso indiscriminado da violência, a manipulação de pessoas, o proselitismo fundado na calúnia ou na mentira" (Belda, 1979, p. 64). A violência nunca era um fim em si mesmo. A força e o derramamento de sangue só eram lícitos em situações extremas e em momentos históricos próprios, pois "é necessário evitar que os oprimidos de hoje se tornem os opressores de amanhã" (Ceas, 1973b, p. 45).


Um ponto em que o Ceas defendia a mesma concepção da Doutrina Social Católica tradicional era em relação à propriedade privada.


Para ficar mais claro o que está sendo expresso aqui, é necessário analisar a encíclica de Paulo VI, Populorum Progressio, de 1967. O Papa defendia nesse documento, um desenvolvimento integral do homem, colocava a culpa da pobreza dos países periféricos na exploração dos países centrais, criticava o capitalismo liberal e em relação à propriedade privada afirmava:



"Deus destinou a terra e tudo o que nela existe ao uso de todos os homens e de todos os povos [...] Todos os outros direitos, quaisquer que sejam, incluindo os de propriedade e de comércio livre, estão-lhe subordinados [...] Quer dizer que a propriedade privada não constitui para ninguém um direito incondicional e absoluto [...] o direito de propriedade nunca deve exerce-se em detrimento do bem comum" (Paulo VI, 1967, pp. 21-22).



É preciso reconhecer que os Papas sempre defenderam a propriedade privada, mas nunca deram a ela um direito absoluto. Tanto Paulo VI como seus predecessores defendiam a propriedade privada, desde que não infligisse o bem comum.  O marxismo contribuiu para o entendimento da realidade brasileira e para ajudar a transformá-la, porém, o ponto de chegada é a libertação do homem (igual a requerida pelo demônio?), no sentido do humanismo cristão que, transcendental, ao contrário do humanismo marxista e existencialista, assume e finaliza o desenvolvimento do homem todo e de todos os homens a divinização em Cristo.



*Grimaldo Carneiro Zachariadhes: Mestre em História Social pela UFBA e especialista em Educação pela UNEB; pesquisa o trabalho social feito pela Companhia de Jesus no Brasil no século XX








POR QUE É IMPOSSÍVEL CONCILIAR CRISTIANISMO COM MARXISMO?



No séc. passado (XX), até a queda do muro de Berlim e o colapso do socialismo real, o pensamento marxista de tal forma parecia a verdadeira interpretação da história que muitos pensadores cristãos, excluindo o ateísmo explícito do marxismo, julgaram dever adotar seu método de análise da sociedade com sua consequente práxis, como instrumento indispensável para a eficácia da participação dos cristãos no processo sócio-político para a transformação das estruturas de injustiça.Na Europa pensadores cristãos dialogavam com pensadores marxistas e, por sua vez, pensadores marxistas reviam a posição radical do marxismo ortodoxo em relação à religião. Essa revisão não significava, entretanto, a aceitação das verdades da fé, mas o reconhecimento de que, no decorrer da história, a fé cristã, não obstante os comprometimentos do ocidente cristão com formas injustas de estruturação da sociedade, foi também, nós diríamos foi sempre, na medida de sua autenticidade, uma força libertadora para os pobres e oprimidos.Na América latina teólogos católicos se sentiram no dever de pensar a fé em função da transformação da sociedade, “à luz da opção preferencial , mas quase exclusiva e excludente pelos pobres”.



Alguns assumiram o método de análise marxista que privilegia o conflito: a luta de classes, como ponto de partida de compreensão do processo histórico. Como o marxismo quis ser antes de tudo um pensamento voltado para a prática política de tipo revolucionário, as “verdades da fé” passaram a ser compreendidas em função da transformação social como motivadoras do respectivo compromisso político. Tendo na “luta de classes” a chave de leitura do processo histórico, inevitável a divisão da sociedade em dois grupos: o dos pobres –“empobrecidos”- oprimidos e o dos ricos, opressores, os beneficiários da mais-valia.



Ao diálogo proposto pela Igreja, é contraposta Marxista é a dialética da luta de classes



“O Diálogo é o novo nome da Caridade” (S.João Paulo II)




Essa forma de pensar a dinâmica social, universalizada, aplicada às relações intra-eclesiais, postulava uma reformulação do modo de ser Igreja, onde se tornava difícil a aceitação de uma Hierarquia – esta palavra mesma se tornou suspeita – dotada pelo Espírito do carisma da verdade e do governo na Igreja. Uma eclesiologia da igualdade, embora com alguma base na Lumen Gentium, exacerbou conflitos dentro da Igreja com forte repercussão nas instituições eclesiásticas de ensino e de formação.



Mesmo as verdades reveladas sobre Jesus Cristo, sobre a Igreja e sobre o Homem começaram a ser entendidas em função da transformação social, correndo o risco de perder sua identidade irredutível, sua dimensão de transcendência.



Nesse sentido o discurso de João Paulo II na abertura da Conferência de Puebla foi decisivo para manter a teologia do documento fiel à Tradição e, ao mesmo tempo, atenta às exigências do momento histórico vivido pela Igreja na América Latina. O documento de Puebla, ao tratar de “Evangelização, Ideologias e Política”, analisando os vários tipos de ideologias, manifestou sua reserva à teologia que avançava nesta direção:



“Recordamos com o Magistério pontifício que ‘seria ilusório e perigoso chegar a esquecer o nexo íntimo que os une radicalmente; aceitar os elementos da análise marxista sem reconhecer suas relações com a ideologia, entrar na prática da luta de classes e de sua interpretação marxista, deixando de perceber o tipo de sociedade totalitária e violenta a que conduz tal processo” (0A 34).



Cumpre salientar aqui o risco de ideologização a que se expõe a reflexão teológica, quando se realiza partindo de uma práxis que recorre à análise marxista. Suas consequências são a total politização da existência cristã, a dissolução da linguagem da fé no das ciências sociais e o esvaziamento da dimensão transcendental da salvação cristã.Ambas as ideologias assinaladas:



Liberalismo capitalista e marxismo se inspiram em humanismos fechados a qualquer perspectiva transcendente. Uma, devido a seu ateísmo prático; a outra, por causa da profissão sistemática de um ateísmo militante” (DP Cap.2: 5,5).



Em parágrafos anteriores, o mesmo documento fazia a seguinte advertência:




“São correntes de aspirações com tendência para a absolutização, dotadas também de poderosa força de conquista e fervor redentor. Isso lhes confere uma “mística” especial e a capacidade de penetrar os diversos ambientes de modo muitas vezes irresistível. Seus slogans, suas expressões típicas, seus critérios, chegam a marcar profundamente e com facilidade mesmo aqueles que estão longe de aderir voluntariamente a seus princípios doutrinais. Desse modo, muitos vivem e militam praticamente dentro dos limites de determinadas ideologias sem haverem tomado consciência disso”.



O risco de uma ideologização da fé foi exaustivamente exposto pela Congregação para a Doutrina da Fé na Instrução “Libertatis Nuntius” (6 de agosto de 1984), assinada pelo seu Prefeito, hoje o Papa Bento XVI.


Adaptado de: Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues Arcebispo de Sorocaba (SP)




POR QUE ESTA CONCILIAÇÃO É INVIÁVEL?





No Socialismo Maquiavélico, os Fins Justificam os meios, e desta forma fazem do criador dessa premissa Nicolau Maquiavel, “um Santo”.




Comunismo e o Cristianismo são fundamentalmente incompatíveis. Um cristão autêntico nunca poderá ser um comunista autêntico, porque as duas filosofias são antitéticas e não há dialética lógica nem de princípios, meios e fins que possam reconciliá-las. 


Por quê?




1)- Primeiro, porque o Comunismo se baseia numa visão materialista e meramente humanista da história e da vida. 




2)- Segundo a teoria comunista, não é a inteligência nem o espírito que decidem do universo, mas apenas a matéria; esta filosofia é declaradamente secularista e ateísta. Para ela, Deus é um simples mito criado pela imaginação; a religião, um produto do medo e da ignorância; e a Igreja, uma invenção dos governantes para controlarem as massas. O Comunismo, tal como o Humanismo, mantém, além disto, a grande ilusão de que o homem pode salvar-se sozinho, sem a ajuda de qualquer poder divino, e iniciar uma nova sociedade, eis um de seus poemas:


“Luto sozinho, e vença ou morra,
não preciso de ninguém que me liberte;
Não quero nenhum Cristo que me diga
poder um dia morrer por mim...”



Ateísmo frio, permeado de materialismo, assim é o Comunismo que não admite Deus nem Cristo. No centro da fé cristã está a afirmação de que existe um Deus no Universo, base e essência de toda a realidade. Ser de infinito amor e de poder ilimitado, Deus é o criador, o defensor e o conservador de todos os valores. 


O Cristianismo, ao contrário do materialismo ateu do Comunismo, afirma um idealismo teísta, e não ateísta. A realidade não pode explicar-se tão somente por matéria em movimento ou tensão de forças econômicas opostas. 


O Cristianismo afirma que existe um Coração maior, um Pai extremoso que trabalha através da História para a salvação dos seus filhos. O homem não pode salvar-se a si próprio porque não é ele a medida de todas as coisas e a humanidade não é Deus. Preso pelas cadeias do seu próprio pecado e das suas próprias limitações, o homem necessita dum Salvador.



2)- Em terceiro lugar, o Comunismo assenta num relativismo ético e não aceita absolutos morais estabelecidos. O bem ou o mal são relativos aos métodos mais eficientes para o desenvolvimento da luta de classes. O Comunismo emprega a terrível filosofia de que os fins justificam os meios. Apregoa pateticamente a teoria duma sociedade sem classes, mas, infelizmente, os métodos que emprega para realizar esse nobre intento são quase sempre ignóbeis. A mentira, a violência, o assassinato e a tortura são considerados meios justificáveis para realizar esse objetivo milenário de um messianismo terreno.Será isto uma acusação falsa?Atentemos para  as palavras de Lênim, o verdadeiro estrategista da teoria comunista na Rússia:



“Devemos estar prontos à empregar o ardil, a fraude, a ilegalidade, a verdade encoberta, ou incompleta”.



A História moderna tem passado por muitas noites de agonia e por muitos dias de terror por causa desta opinião ter sido tomada a sério por muitos dos seus discípulos (inclusive no Brasil).A contrastar com o relativismo ético do Comunismo, o Cristianismo estabelece um sistema de valores morais absolutos e afirma que Deus colocou dentro da própria estrutura deste universo certos princípios morais, fixos e imutáveis. O imperativo do amor é a norma de todos os atos do homem e o autêntico cristianismo recusa-se também a seguir a filosofia dos fins que justificam os meios. Os meios, quando destrutivos, nunca podem construir seja o que for, porque os meios são a representação do ideal na realização e na confirmação do objetivo pretendido. 



Os meios imorais maus e injustos, não podem conseguir os fins morais bons e justos, porque os fins já pré-existem nos meios.



4)- E por fim, em quarto lugar:  o Comunismo atribui o máximo valor ao Estado; o homem é feito para o Estado, em vez do Estado para o homem. Poderão objetar que o Estado, na teoria comunista é uma “realidade intermediária” que “desaparece” quando emergir a sociedade sem classes. Em teoria, isto é verdade; mas também é verdade que, enquanto o Estado se mantém, é ele a finalidade. O homem é o meio para esse fim e não possui quaisquer direitos inalienáveis; os únicos que possui derivam ou são-lhe conferidos pelo Estado. A nascente das liberdades secou sob um tal regime em todos os lugares que foi implantado.



Restringe-se no homem a liberdade da imprensa, da associação, a liberdade de voto, a liberdade de ouvir ou de ler o que quiser, e a pior castração: O direito de ir vir, pois tentar sair destes países, é considerado traição e deserção.



Arte, religião, educação, música ou ciência, tudo depende do Estado, e o homem é apenas o servo dedicado do Estado onipotente. Tudo isto não só é contrário à doutrina de Deus, como também, à dignidade do homem criado livre e para a autêntica liberdade, que só é verdadeira liberdade quando é opcional e não imposta. O Cristianismo insiste que o homem é um fim porque é filho de Deus, criado à sua imagem e semelhança. O homem é mais do que um animal reprodutor dirigido pelas forças econômicas; é um ser com alma, coroado de glória e de honra, dotado de liberdade.


A maior deficiência do Comunismo está em tirar ao homem exatamente a qualidade que faz dele um homem. Diz Paul Tillich que: o homem é homem porque é livre; e essa liberdade traduz-se na capacidade que tem de deliberar, decidir e reagir.”



No Comunismo, a alma do indivíduo está amarrada pelas cadeias do conformismo, e o espírito pelas algemas da obediência ao partido. Despojam-no da consciência e da razão. 


O mal do Comunismo está em não ter uma teologia nem uma Cristologia; revela assim uma antropologia muito confusa, tanto acerca de Deus, como acerca do homem. Apesar dos discursos brilhantes sobre o bem-estar das massas, os métodos do Comunismo e a sua filosofia despem o homem da sua dignidade e do seu valor, reduzindo-o à despersonalização duma simples roda na engrenagem do Estado.Tudo isto, claro, sai fora da harmonia do pensamento cristão.



Não procuremos enganar-nos:



Estes sistemas de ideias são por demais contraditórios para poderem reconciliar-se. São maneiras totalmente opostas de encarar o mundo e a sua evolução. 


Temos obrigação, como Cristãos, de rezar sempre pelos comunistas, mas nunca poderemos, como verdadeiros cristãos, tolerar a filosofia do Comunismo.



Há, contudo, no espírito e na ameaça do Comunismo alguma coisa que nos diz respeito. O falecido Arcebispo de Cantuária, William Temple:


Considerava o Comunismo como uma heresia cristã. Queria significar com isso que algumas das verdades de que o Comunismo possui, foi tomada de  parte integrante da doutrina cristã, embora misturadas com teorias e práticas que nenhum cristão pode aceitar. A teoria do Comunismo, mas não decerto, a prática, incita-nos a preocuparmo-nos unicamente e exclusivamente com a justiça social, econômica e imanente, como se o ser humano se reduzisse apenas a isso, em detrimento de toda e qualquer dimensão existencial, e ou transcendental. 


Com todas as suas falsas assunções e com todos os seus métodos cruéis, o Comunismo surgiu como um produto contra as injustiças e indignidades infligidas sobre os desprivilegiados.O Comunismo, na teoria, insiste numa sociedade sem classes. Embora o mundo saiba através de tristes experiências que o Comunismo criou classes novas (os  dirigentes e seus asseclas) pior e mais cruel do que a classe que a revolução derruboue um novo Código de injustiça, na sua formulação teórica prevê uma sociedade mundial que transcenda as futilidades da raça ou da cor, da classe ou da casta.



Teoricamente, para pertencer ao partido comunista não é exigida a cor de pele dum homem nem o tipo do sangue que lhe corre nas veias, mas exige sua adesão inquestionável à ideologia e ao governo sob esta doutrina ideológica. Os Cristãos são obrigados a reconhecer todo ou qualquer interesse apaixonado pela justiça social. Esse interesse é fundamental na doutrina cristã da Paternidade de Deus e da fraternidade dos homens. Nunca nenhum doutrinador comunista expressou uma tal paixão pelos pobres e pelos oprimidos, como a que encontramos no Manifesto de Jesus quando afirma:


“O Espírito do Senhor está sobre Mim pelo que Me ungiu; e enviou-Me para anunciar a boa-nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista; para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor” (Lucas 4, 18-19).



Os cristãos também são intimados a reconhecer esse ideal de unidade, num mundo onde sejam abolidas todas as barreiras da casta ou de cor. O Cristianismo em sua essência repudia o racismo. O amplo universalismo centrado no evangelho torna moralmente injustificável a injustiça racial tanto na teoria como na prática. O preconceito rácico é a negação flagrante da nossa unidade em Cristo, porque em Cristo não há judeu ou gentio, cativo ou livre, preto ou branco. Apesar da nobreza das afirmações cristãs, nem sempre a Igreja tem demonstrado um grande interesse pela justiça social de forma mais concreta e eficaz. Tão preocupada tem estado com a felicidade futura “do além”, que se tem, por vezes, esquecido dos males presentes “cá da terra”. Mas a Igreja é também desafiada a mostrar toda a importância do Evangelho de Cristo dentro da situação social. 


É tempo já de perceber que existem dois rumos no Evangelho Cristão. Um, onde se procura transformar a alma dos homens e promover assim a sua união com Deus; outro, em que se tenta modificar as suas condições de vida a fim de que as suas almas tenham possibilidades de salvação. 



Toda a religião que manifeste preocupação pelas almas sem se preocupar com as condições econômicas e sociais que as destroem ou atabafam, é apenas, como dizem os marxistas, urna espécie de “ópio do povo”. Também a honestidade nos obriga a admitir que nem sempre a Igreja foi fiel à sua missão na questão da justiça racial; nesse campo, falhou perante Cristo. A Igreja Holandesa da Reforma Protestante é ainda hoje uma das principais defensoras do vicioso sistema do apartheid na África do Sul. Perante o desafio comunista, devemos examinar honestamente a fraqueza do capitalismo tradicional, e forçoso admitir sinceramente que o capitalismo cria, na maioria dos casos, um abismo entre a riqueza supérflua e a miséria abjeta assim como as condições que permitem ir tirar a muitos o que lhes é indispensável para dar a alguns o luxo de que usufruem, e que cultiva a mesquinhez dos homens, tornando-os frios e inconscientes, a ponto de ficarem, como o homem rico diante de Lázaro, indiferentes perante a humanidade sofredora e necessitada. Apesar das reformas sociais permitidas pelo capitalismo americano a fim de se reduzirem tais tendências, ainda falta realizar muita coisa. Deus quer que todos os seus filhos gozem de condições básicas para uma vida sã e significativa. É, com certeza, pouco cristão e pouco ético, refastelarmo-nos em camas fofas e luxuosas, enquanto outros se afundam na mais negra miséria. O lucro, quando é a base única dum sistema econômico, estimula a competição brutal e a ambição egoísta, e instiga os homens a procurar viver bem, de preferência a realizarem uma vida. De tal maneira lhes desenvolve o seu "eu" que deixam de se interessar pelos outros. Não haverá em nós uma grande propensão para avaliarmos o êxito pelo índice dos vencimentos ou pela potência do motor dos carros, em vez de o avaliarmos pela qualidade do nosso serviço ou da nossa solidariedade em relação aos outros? O Capitalismo pode levar a um materialismo prático tão prejudicial como o materialismo teórico dos comunistas.



Admitamos honestamente que, nem o capitalismo tradicional, nem o marxismo contêm a verdade; ambos representam apenas uma verdade parcial.



Historicamente, o capitalismo falhou no discernimento da verdade no empreendimento coletivo, assim como ao Marxismo faltou o discernimento da verdade no empreendimento individual. 




O Capitalismo do século dezenove não soube perceber que a vida é social, e o marxismo não soube ver, nem ainda o sabe que a vida é individual e social.O Reino de Deus não é a tese do empreendimento individual nem a antítese do empreendimento coletivo; é a síntese que reconcilia a verdade de ambos.



Somos ainda desafiados a dedicar as nossas vidas à causa de Cristo, pelo menos, tanto como os comunistas dedicam as deles ao Comunismo. Nós, que não podemos aceitar o credo dos comunistas, temos de reconhecer neles o zelo e a dedicação a uma causa que consideram capaz de criar um mundo melhor. Possuem determinação e propósito, e trabalham apaixonada e assiduamente na conquista de adeptos para a sua causa. Quantos Cristãos estarão empenhados em conseguir novos adeptos para Cristo? Nem o zelo por Cristo nem o interesse pelo seu Reino são muito correntes. Para muitos cristãos, o Cristianismo é uma atividade dominical que à segunda-feira deixa de interessar, e a Igreja pouco mais do que um local de reuniões sociais, com um certo tom religioso. Jesus representa para nós um símbolo antigo ao qual nos dignamos chamar Cristo, e nas nossas vidas inconsistentes não o manifestamos nem o reconhecemos.Se ao menos a chama dos corações de todos os cristãos ardesse com a mesma intensidade daquela que arde nos corações comunistas! Não será pelo nosso zelo cristão que o Comunismo ainda se mantém tão vivo no mundo?



Entreguemo-nos de novo à causa de Cristo e procuremos readquirir o espírito da Igreja primitiva. Por toda a parte por onde andaram, os cristãos eram as testemunhas triunfantes de Cristo; ou nas ruas das aldeias, ou nas cadeias das cidades, proclamavam sempre aberta mente a boa-nova do Evangelho.E a recompensa que geralmente recebiam por esse audacioso testemunho era a cruciante agonia num covil de feras ou o sofrimento pungente do martírio. Mas, mesmo assim, consideravam a sua causa tão grande, e tão divina a transformação operada pelo Salvador, que o sacrifício lhes parecia pequeno. Quando chegavam a uma cidade, a estrutura do poder ficava abalada; o Novo Evangelho que anunciavam trazia um novo calor primaveril a homens cuja vida até então se endurecera ao longo inverno do tradicionalismo. Incitavam os homens a revoltar-se contra os antigos regimes de injustiça e contra as velhas estruturas da imoralidade. Quando as autoridades se opunham, esse povo extraordinário, embriagado pelo vinho da graça de Deus, prosseguia na proclamação do Evangelho até convencer a própria gente da casa de César, até que os carcereiros atirassem fora as chaves, até que os reis vacilassem nos seus tronos. Onde existe atualmente um tal fervor? Onde haverá hoje essa entrega audaz e revolucionária à causa de Cristo?Estará oculta atrás de cortinas de fumo ou dos altares? Estará enterrada no túmulo a que chamamos respeitabilidade? Estará inextricavelmente ligada a um inaudito statu quo, ou prisioneira nas celas rígidas dos hábitos e das regras? Temos de despertar de novo essa devoção; temos de entronizar Cristo outra vez nas nossas vidas.Esta será a nossa melhor defesa contra o Comunismo. A guerra não é solução; nunca o Comunismo será destruído por bombas atômicas ou armas nucleares. Não nos aliemos aos que reclamam a guerra e procuram, com desenfreada paixão, forçar os Estados Unidos a abandonarem as Nações Unidas. Vivemos numa época em que os cristãos têm de demonstrar uma sensatez prudente e um raciocínio calmo.Não devemos apelidar de comunista ou de pacifista todo aquele que reconhece não serem o histerismo e o ódio a resolução para os problemas dos nossos dias. Não nos empenhemos num anticomunismo negativo, e procuremos antes afirmar uma confiança positiva na democracia, compreendendo que a nossa maior defesa contra o Comunismo será a de tomar uma ofensiva entusiástica a favor da justiça e do direito. Depois de bem expressa a condenação da filosofia comunista, devemos empreender ainda uma ação positiva, tentando remover as condições da pobreza, da insegurança, da injustiça e da descriminação racial, que são o terreno propício para o crescimento e desenvolvimento da semente do Comunismo; esta só medra quando as portas das oportunidades se fecham, ou as aspirações humanas são abafadas.Como os primeiros cristãos, temos de caminhar, num mundo muita vez hostil, armados com o revolucionário evangelho de Jesus Cristo. Com ele, podemos desafiar audaciosamente o statu quo e as práticas injustas, abreviando o tempo em que:



“Todo o vale seja entulhado toda a montanha e colina sejam abaixadas os cimos sejam aplainados e as escarpas sejam niveladas e então a glória de Deus manifestar-se-á”. (Isaías 40,4-5)


A dificuldade da nossa resposta ao incitamento e a nossa sublime oportunidade será a de criarmos um autêntico mundo cristão que testemunhe o espírito de Cristo.Se aceitarmos o desafio com dedicação e valor, os sinos da História destruíram o Comunismo e poderemos construir um mundo livre para a democracia e seguro para o povo de Cristo.



“O que move a história é a religião” (desejo de religar-se)


Esta frase foi dita pelo historiador britânico Arnold Toynbee, reconhecido por afirmar premonitóriamente o fim da União Soviética pela inexistência de uma fé que sustentasse sua ideologia. O homem urbano é um homem de migração, ele saiu de sua localidade natural para buscar uma oportunidade fugindo de uma situação de calamidade, de problemas que o Brasil tem e conhece, seja ambiental, da seca, ciclos climáticos ou mesmo a grilagem de terras, entre outros.


O homem rural foi sendo expulso: cerca de 40% a 50% das terras brasileiras estão com 2% da população, e onde está esse povo rural?


Ele se encontra hoje nas periferias das grandes cidades. A cidade desassocia o ser humano da sua fonte primeira de construção de identidade, porque ele não está mais em um ambiente de segurança, não está mais no ambiente familiar, não está mais na região rural, não é mais “o filho do seu João”, agora ele é um número. Quando chega à cidade precisa de comunidade e de acolhida, precisa ser reconhecido através de um nome. Então constrói comunidades do jeito que ele é, por exemplo, ele toma cachaça no mesmo bar, compra pão na mesma padaria, passa para ler as manchetes de jornal na mesma banca, anda no mesmo ônibus, no mesmo horário, e assim vai criando uma comunidade, alguém que o reconheça e que saiba dele, e nesse sentido a igreja evangélica é imbatível.



Quando ele entra na comunidade e é acolhido como um ser humano, é chamado pelo nome, recebe palavras que o dignificam e deixa de ser um sujeito perdido na cidade para ser um potencial de Deus, isso recupera a dignidade dele. Agora não é mais alguém da drogadição, do alcoolismo,  agora tem uma comunidade, tem gente que com por ele e por ele, gente que torce por ele, gente que o abraça.




Ele muda a forma de vestir, ascende socialmente. Em que outro lugar da cidade ele consegue isso? Que outro lugar do estado permite isso? Onde essa elite sub-desenvolvida no Brasil, que acha que a nação é só deles, permite um espaço desse? Não tem jeito, não tem como competir com isso. Numa comunidade religiosa acolhedora, o cara volta a ter nome, e mais, se ele tiver experiência com Deus, passa a ser referência, é o cara que agora testemunha desafios acompanhados de bênçãos, que tem conhecimento e experiência de vida, que já não pensa só em si, mas também, em ajudar os outros, com isso não tem como competir, não tem instituição nenhuma que o possa fazer.


Esta grande maioria de Cristãos são os mais pobres. As pessoas pensam que estes Cristãos são homens, brancos e ricos, mas hegemonicamente são os não-brancos, os pobres e as mulheres. Mais de 60% destes Cristãos são mulheres e negras. As crianças são atraídas porque tem lugar onde elas são amadas, recebidas, há uma programação só para elas, tem música, enfim, é a ideia da Comunidade Samaritana que acolhe e cuida.


A maioria destes Cristãos estão na periferia, ou seja, na base. Porém, faltava a esse grupo uma teologia integral mais elaborada que conseguisse perceber a face progressista da fé cristã. Por isso cresce tanto, independente da pessoa ter ou não um encontro com o Cristo, porque ela tem um encontro com o ser humano, que é uma coisa que muito dos intelectuais custaram a perceber. Na igrejinha ou Comunidade religiosa da periferia, a proposta é que a pessoa tenha um encontro pessoal com Jesus, com Deus e com o Espírito Santo e a trindade, enfim, com a misericórdia. Se não tiver esse encontro, vai ter um encontro com o ser humano, e dessa forma recupera sua noção de humanidade. Isso faz muita diferença em um povo alijado de seus direitos, oprimido, sem perspectiva em uma nação em que a lei e os serviços públicos básicos não é para todos, mas para alguns.


Se você pega uma mulher negra não Cristã autêntica em sua dignidade recuperada, jogada na periferia, e pergunta sua fonte de esperança, o que ela vai dizer? Que ela espera do estado? Dos homens? Da elite branca? Mas se você a encontrar posteriormente e ela tiver tido um encontro pessoal com Jesus, ela vai dizer:


“Eu espero em Deus, espero em Cristo, tenho meus irmãos, eles rezam por mim, eles cuidam de mim, eles vão na minha casa saber como estou, e do que estou precisando, me arranjam trabalho...”


Esse é um elemento na fé cristã que ninguém se dá conta, principalmente os intelectuais e a esquerda, que só sabem ver tudo pela ótica materialista e de luta de Classes. Infelizmente, toda forma de organização seja religiosa ou social, caminha para os extremismos. São Tomás de Aquino diz que os extremos se encontram. Então era inevitável. Isso gera o que? Preconceito.


Onde é que o preconceito e extremismo é mais forte? Quando ele é exercido em nome de Deus ou da negação de Deus, que dá no mesmo. São duas faces da mesma moeda.


Muitos leram tudo sobre Marx, mas não leu Toynbe. Esquecem qua a moeda não tem apenas dois lados, mas três lados. Arnold Toynbee dizia que o que move a história é a religião. A gente tinha que ter perguntado as duas coisas e entendido que tem uma outra força aqui. A força econômica não é hegemônica: tem uma outra força que não pode ser desprezada.

Muitos deste marginalizados, não conseguem sair de lá, porque está preso e escravizado física, psicológica e espiritualmente naquele ambiente, e a questão da droga é uma questão que aqui no Brasil a gente não enfrenta de forma Cristã, como uma Igreja Samaritana, só se criminaliza, não param para discutir que a droga é antes de tudo uma questão de saúde pública. E a droga confere poder a uma determinada casta e temos que achar uma forma de derrotá-la. O estado brasileiro opta pela forma norte-americana, através do enfrentamento bélico. A outra opção, que ninguém quer conversar, é como a gente faz para tirar a droga da mão do traficante? Como fazer para o estado assumir a responsabilidade por isso e começar a ajudar o dependente químico com uma política pública permanente e eficaz? Sei que falar em legalização é muito complicado, não é tão simples assim, mas percebemos nisto um grande  problema que só faz crescer, e o jeito como estamos tratando paliativamente, não está resolvendo, estamos adiando e ninguém enfrenta isso. Provavelmente quem defende a legalização ao nos ver falando assim, já nos estigmatiza. Mas o fato é: tem gente morrendo na rua. 60 mil pessoas morrem por ano aqui, grande parte delas por causa da violência das ruas. Hoje a igreja só atinge o usuário, não consegue mexer com a estrutura por trás deste usuário.Esses traficantes não são verdadeiros Cristãos na acepção do termo, pois se o fossem não seriam traficantes, mas eles aceitam a oração dos Cristãos que rezam por quem quer que seja, mas para eles não para experimentar de Deus, é apenas para o protegerem, querem uma oração do tipo escudo de balas.


Para piorar vivemos atualmente uma deturpação da teologia Cristã, hoje é apresentado um Deus de barganha, um Deus que só abençoa a quem lhe dar algo e é santo, que é exatamente contrário ao que nos diz a bíblia. A bíblia diz que Deus faz vir a chuva sobre justos e sobre injustos, cuida de todos os homens, e distribui a todos os homens seus atributos comunicáveis.



É totalmente contrário do discurso da primitiva cultura religiosa brasileira da atual cultura de barganha, que é um jogo de interesses. Essa adulteração da verdade é o completo empobrecimento e reducionismo da teologia cristã integral. O protestantismo teve um problema no Brasil: cresceu demais e muito rápido. As inúmeras denominações não tiveram mais tempo para formar bons líderes e verdadeiros pastores a serviços das ovelhas, mas formou-se pastores que se servem das ovelhas. E aí quando chegou uma teologia de caráter capitalista, a famigerada Teologia da Prosperidade, fomentou essa coisa do empreendedorismo pessoal e individualista, a qual pipocou em ministérios particulares. Claro que isto tem todo um percurso, não é uma coisa simples, tem uma complexidade cultural e antropológica.


Temos que nos unir, teólogos, antropólogos, sociólogos e pesquisadores para entendermos esse fenômeno e começar a dar a Deus o que é Deus e a Cesar o que é de Cesar.


Eivado e contaminado pelo preconceito, você não analisa nada


O preconceito já chega atacando e destruindo o outro porque ele não pensa como eu, mas o outro está na base da pirâmide. Ele está lá e você não, você vai lá uma vez por mês, e ele está lá em todas as esquinas diariamente, todas as noites, com gente vindo de tudo quanto é canto, com acolhimento, socorro, comida e cultura. Ou você começa a conversa com este pessoal, ou eles vão crescer desordenadamente ficando à mercê dos lobos revestidos de cordeiros.

A “TEOLOGIA INTEGRAL PROTESTANTE” EM CONTRAPOSIÇÃO AO REDUCIONISMO DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO CATÓLICA


Nasceu nestes últimos anos um movimento de pregadores falando da Teologia da Missão Integral, que é uma teologia libertadora, com ênfase na teologia do Reino de Deus. O alvo do Reino de Deus é a justiça, que é uma realidade em que todos desfrutam igualmente de tudo que Deus dá e doa, portando uma realidade igualitária.



No meio protestante se despertou para a integralidade no processo de evangelização, e começou a pregar que a verdadeira igreja de Cristo tem que abdicar da teologia da prosperidade, do amor às posses e voltar às práticas da partilha, do desenvolvimento sustentável e comunitário. Nós estamos aqui para sermos relevantes na comunidade e fazermos como Cristo, que se responsabilizava por todos, principalmente, não exclusivamente, pelos mais pobres e desfavorecidos. A comunidade Cristã é o local por excelência desta prática. Lugar de convivência, onde as pessoas se conhecem, se gostam, se visitam e se preocupam uns com os outros. Não é um clube social que você chega lá em um final de semana, paga uma taxa, se diverte e vai embora, como se fosse um sócio apenas para exigir direitos. Você está num local de irmãos das mais diferentes etnias, cultura e níveis sociais, em convivência fraterna. Para você sair forçosamente deste meio tem que haver algo muito forte.


Trazer ideologias contrárias ao evangelho para dentro de uma Comunidade Cristã, é uma deturpação e agressão profunda à fé cristã, é que está a acontecer no Brasil com a Teologia da Prosperidade Capitalista e a Teologia da Libertação Comunista, ambas extremistas e prejudiciais. Essas pessoas estão sendo alijadas como massa de manobras de pessoas pouco interessadas com a integralidade do evangelho de Cristo.



O mais paradoxal é que as lideranças de ambos tanto da TP como da TL de certa forma durante o regime militar estiveram junto ao povo oprimido, cada um trabalhando a seu modo. Quem produziu mais libertação? A TP, ou TL ?. Muitos pastores evangélicos puseram o seu povo nas ruas e nas urnas para decidirem seus destinos como cidadãos civis, porque o preconceito dos intelectuais de esquerda com relação aos evangélicos, isolou esses intelectuais desta parcela da população, e eles estão a perceber isto agora. Por causa deste preconceito, eles zombavam com sua erudição destes Cristãos. Isto é consequência de um dos problemas do materialismo exacerbado e desumanizado, que é quando o materialismo deixa de ser uma das metodologias de administração para se tornar uma ciência, e claro inexata, portanto sujeita a vários elementos humanos que não lhe permitem uma exatidão Cartesiana.

Uma teologia que condena as desigualdades econômicas deve procurar eliminar tais males dentre aqueles cujos problemas econômicos estão, de alguma maneira, sob seu controle. Uma eclesiologia que prega os princípios da igualdade e da fraternidade para todos deve gerir as suas instituições pelos mesmos princípios, e deveria, até onde lhe fosse possível, somente cooperar com aquelas instituições e organizações que se norteiam por esses princípios. Uma eclesiologia que proclama um Evangelho que transcende todas as distinções de raça, classe e nação, deve tomar o máximo cuidado para não negar aquele Evangelho em virtude de uma política ou atitude que denote arrogância racial, cultural ou nacional (INTERNATIONAL MISSIONARY COUNCIL, TAMBARAM, 1938, SECTION XIII).

A Igreja como sal da terra e luz do mundo deve fazer a diferença nos vários setores da sociedade, principalmente no socorro aos menos favorecidos. O verdadeiro desrespeito contra a imagem e semelhança de Deus chama-se injustiça social. Fato é que a Igreja não é e nunca será uma entidade política, ONG e muito menos uma instituição ideológico partidária. Porém, tem o dever moral e ético de ser a mais honesta das instituições. Conforme salientou Jorge Goulart:



A Igreja não prega uma forma de governo, mas cria uma consciência democrática, à luz dos conceitos de liberdade, de dignidade humana, de respeito ao próximo e, sobretudo, de amor a Deus e à humanidade” (GOULART, 1941, p. 229).



Os sofrimentos emocionais e os espirituais têm crescido na atual sociedade por causa de expectativas não alcançadas e do ritmo frenético da vida. Existem pessoas que precisam da Igreja por estarem sofrendo por relacionamentos partidos, por vícios, vida desregrada, por não se encontrarem, por não se realizarem, por não serem tão bem-sucedidas, não serem e não quererem ser tão competitivas, enfim, por estarem desorientadas e sem sentido para com suas vidas, e não somente pela questão da desigualdade social. Oferecer amparo e um ouvido que ouve com empatia, compreensão e que não julga, mas ajuda a encontrar caminhos para fora do ciclo do sofrimento. Portanto, o papel da igreja tem que ser voltado para uma ação social e de forma integral, que supra as necessidades sociais e existenciais.A consciência social da igreja brasileira atualmente parece ser maior do que há algumas décadas. YAMAMORI disse que:


“Embora a Igreja venha melhorando em sua visão social, ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral, justamente porque ao se discutir prioridades – estamos falando apenas de evangelização e ação social – a igreja deixa de fazer bem as duas coisas. No entanto, ao nosso olhar, a evangelização e a responsabilidade social devem andar juntas como causa e efeito de uma mesma verdade evangélica. Não que ambas devam ser entendidas como sendo a mesma coisa. E, também, não estamos afirmando que sejam duas coisas completamente separadas. Um ministério integral verdadeiro define a evangelização e a ação social como funcionalmente separadas, mas relacionalmente inseparáveis e necessárias para um ministério integral da igreja” (YAMAMORI, 1998).


E complementa Stott:



A evangelização e a ação social são inseparáveis, na prática, como aconteceu no ministério público de Jesus, pelo menos nas sociedades livres, não deveríamos ter de escolher entre uma e excluindo a outra. Ao invés de competirem entre si, elas deveriam ser mutuamente sustentadas e fortalecidas, como uma espiral ascendente de preocupação crescente” (STOTT, 1983).



A missão integral da Igreja é bíblica


Não é uma filosofia ou uma necessidade passageira, mas sim, uma verdade bíblica que precisa ser resgatada e praticada em sua totalidade urgentemente. A Bíblia não existe para satisfazer os nossos interesses carnais; Ela é doutrina e prática. Além disso, Deus não nos permite optar por apenas um desses seus aspectos doutrinários e práticos, pois a Sua Palavra é uma só e serve para todos, e assim deve ser a missão integral de Sua Igreja.



EIS O QUE DIZEM OS ESTUDIOSOS GRELLERT e LAUSANNE:


“A missão integral de Deus é ampla, assim como a missão integral da Igreja, visto que a dimensão dessa missão é vertical (compromisso da Igreja com Deus) e horizontal (resulta nela um compromisso com a criação em geral e com o ser humano em particular). A missão integral da Igreja é comunhão, adoração, edificação, evangelisação e serviço” (GRELLERT 1987, p. 22).



”Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo” (LAUSANNE, 1974, V).



TANTO A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE COMO A DA LIBERTAÇÃO É PREJUDICIAL A IGREJA E AOS SEUS ALVOS: OS POBRES:


Embora o governo tenha as suas responsabilidades, não podemos ficar omissos ao que ocorre ao nosso redor, apenas julgando e criticando os governantes. O povo de Deus precisa também assumir alguma responsabilidade pelo bem-estar social, principalmente daqueles que estão passando por algum tipo de necessidade. O fim do século XX desafiou cientistas da religião e teólogos, em especial pelas mudanças socioeconômicas e as implicações delas na esfera religiosa. As influências filosóficas e religiosas fazem com que se torne bastante difícil a tarefa de descrever o cotidiano doutrinário, teológico e prático de uma comunidade eclesial local, seja nas igrejas protestantes, ou, na Igreja Católica. O processo de secularização próprio da modernidade não produziu, como se esperava, o desaparecimento ou a atenuação das experiências religiosas. Ao contrário, tanto no campo católico como no protestante as formas pentecostais e carismáticas ganharam apego popular, espaço social e uma firme base institucional. Além disso, as religiões não-cristãs também vivenciam, no Brasil e no mundo, momentos de crescimento e de fortalecimento.



OS MALES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE:


Para falar sobre a Teologia da Prosperidade é preciso definir, antes o que é o movimento conhecido como Confissão Positiva, segundo Romeiro (1993, p. 6):


Confissão positiva é um título alternativo para a teologia da fórmula da fé ou doutrina da prosperidade promulgada por vários televangelistas contemporâneos, sob a liderança e inspiração de Essek Willian Kenyon. A expressão “confissão positiva” pode ser legitimamente interpretada de várias maneiras. O mais significativo de tudo é que a expressão “confissão positiva” se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão.


A Teologia da Prosperidade foi sistematizada nos Estados Unidos da América, na década de 1940, e importada para o Brasil somente na década de 1970. O ideal de prosperidade como significado de resolução de problemas dos mais variados tipos e formas existiu e existe de maneira adaptada e diferenciada em diversos contextos do imenso campo religioso brasileiro, a exemplo dos cultos afro e do catolicismo popular. A Teologia da Prosperidade baseia-se “nas crenças sobre cura, prosperidade e poder da fé”. Tais pressupostos estão presentes na mensagem religiosa, especialmente o tema “ser próspero”. Esse, de forma recorrente e em momentos diversos, é enfatizado pelos clérigos, através da mensagem falada em diferentes cultos e, por excelência, nos Cultos de Prosperidade Bíblica. A Teologia da Prosperidade é também enfatizada em diferentes pregações e testemunhos veiculados através de programas de rádio e televisão, em programas de igrejas adeptas desta corrente teológica.


Se a Teologia da Prosperidade trouxe algum benefício para Igreja, um deles parece ter sido o de fortalecer as convicções daqueles que já testemunhavam um encontro real com Jesus e fazer com que isto seja transparecido dentre os demais (cf. 1 Cor 11,18); no geral, os prejuízos da maioria são superiores aos benefícios de uma minoria que já traz em si o caráter empreendedor, são estes que se dão bem neste processo do evangelho mercadológico. As consequências negativas desta teologia tocam não apenas questões eclesiásticas, mas, sobretudo, a missão integral da Igreja no mundo.



Como a Teologia da Prosperidade, em sua lógica mercadológica, não articula a responsabilidade social do cristão, seus efeitos afetam o cotidiano das pessoas, principalmente nas questões ligadas à fé e trazem confusão quanto à clareza do propósito de Deus para a humanidade através da Igreja, relativizando os valores cristãos, produzindo uma geração de crentes superficiais.


A teologia, a antropologia e a ética da Teologia da Prosperidade são frutos de uma hermenêutica descontextualizada, numa forma de alegorização desviante da alegorese ou do sensus plenior, com o fim de justificar uma ideologia capitalista neoliberal. O resultado não poderia ser outro, senão o entrechoque entre as igrejas, a relativização dos valores cristãos e a demonização da situação de desventura do pobre e do doente.

É claro que uma vida contaminada por comodismo não é um componente determinado por Deus:


2 Tessalonicenses 3,8-12: “...nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes. Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos, e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão”


Porém, não cabe ao cristão exigir uma vida próspera em todas as dimensões, pensando apenas no seu próprio bem-estar, esquecendo, inclusive, as passagens bíblicas cruciais para compreender que a origem de Jesus Cristo não está compactuada com os pressupostos da riqueza e bem estar social (conf. Mateus 8,20). Jesus nasceu em uma manjedoura, em plena manifestação de humildade, despojado de apegos materiais, e seus verdadeiros imitadores como São Francisco, continua sendo para a Cristandade o melhor exemplo deste seguimento.






OS MALEFÍCIOS DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO



Cardeal Agnelo Rossi – Análise da Teologia da Libertação e seu impacto na Igreja, Sociedade e na libertação dos Pobres e oprimidos:



Francamente não agrada aos liberacionistas essa doutrina, que apodam de reformismo. Fixam seus objetivos de luta e reivindicações contra o detestável “pecado social” que oprime os mais pobres e deserdados. Não insistem na atuação decisiva do pecado pessoal, que existe tanto nos dirigentes que abusam do seu poder mas também nos subalternos, quando com saúde e trabalhando, não produzem mais e melhor e não sabem ou não procuram economizar. Evidentemente condições climatéricas (muito calor) podem não estimular o trabalho e esses fatores se verificam em todas as nações, embora o elemento local esteja mais habilitado a vencer esses rigores da região.


É impressionante, porém, examinar a história dos imigrantes em nossos países e religiões. Chegaram quase todos em situação de miséria e se deram generosa e heroicamente ao trabalho, fazendo também não pequenas economias, e hoje é quase impossível encontrar um descendente de imigrantes na miséria. Nem tudo, portanto, depende unicamente das estruturas públicas.



Há situações extraordinárias de seca, inundações ou de outras calamidades (guerrilha) que podem favorecer a miséria ou a fome. Doloroso é o desemprego, hoje tão grave problema para todos os povos, principalmente quando se abandonam os campos pela cidade.


Mas também existem, é mister dizê-lo, em alguns existe a indolência, o abandono das terras, o alcoolismo, gastos imprevidentes e exagerados, como de moradores de favelas que dispendem fartamente no Carnaval e em vícios. É fácil atribuir a culpa de todo o mal às  estruturas injustas e pecaminosas. Também lá, como na vida individual, a raiz de todos os males é o pecado.


O pecado introduziu o mal no mundo e o mantém. Atacar essa raiz, com a formação e a prática da vida cristã e favorecer a virtude, é o objetivo de uma teologia da Libertação ideal (possível e legítima), inspirada nos Evangelhos e digna de aplausos. Assim mesmo, tal Teologia seria apenas uma parte da Doutrina Social da Igreja e não, como é concebida em nosso meio, como a Teologia que abarca e interpreta toda a religião. O discurso de João Paulo II, em Puebla, traçou as coordenadas da Teologia da Libertação autêntica: verdade sobre a igreja, verdade sobre Jesus Cristo e verdade sobre o homem.


Nessa perspectiva a opção preferencial pelos pobres recebe seu verdadeiro significado, que é evangélico e se mostra plenamente justificado. Implantar a “civilização do amor”, tão reclamada por Paulo VI e João Paulo II, é a única Teologia de Libertação louvável. Infelizmente não é esse, porém, o tipo de Teologia de Libertação comumente difundido na América Latina e no Brasil.


A TL rejeita em última análise, a Doutrina Social da Igreja porque a julga teorética ideologicamente (teologicamente contra o capitalismo, mas na prática, reforça o sistema dominante) e praticamente não eficiente e por isso, mesmo quando alguém não a considera errônea, é insuficiente e deve ser enriquecida pela Teologia da Libertação, com métodos mais modernos, eficazes e científicos, que são os da análise marxista.


É justa, repetimos, necessária e louvável a defesa dos pobres, não só sociologicamente como religiosamente, mas o modo de agir da Teologia da Libertação não é evangélico, porque o amor ao próximo é a suprema norma social do Evangelho, que se aceita por convicção e não por imposição. O processo evangélico será muito mais lento, mas é mais humano e definitivo; como o operado no mundo pagão e bárbaro.


A necessidade de uma teologia atualizada e correspondente à índole e cultura do povo



O Concílio Vaticano II foi desejado por João XXIII e confirmado por Paulo VI, mantendo a fidelidade ao sacro patrimônio da verdade revelada, para enfrentar as novas condições e formas de vida, introduzidas no mundo hodierno.


Era o famoso “aggiornamento” (atualização), querido por João XXIII e a “inculturação”, auspiciada por Paulo VI, afim de apresentar aos povos de uma forma acentuadamente pastoral a doutrina da Igreja.



Fazia-se também, um apelo à iniciativa dos teólogos para encontrar expressões mais adequadas para a vivência cristã nos nossos dias. Respondeu séria e corajosamente a esse desafio o Conselho Episcopal Latino-Americano na Conferência Geral do Episcopado em Puebla, no México, tendo baseado seus estudos numa ampla rede de consultas e estudos de toda a Igreja na América Latina. É curioso porém, como os Teólogos da Libertação procuraram boicotar Puebla. Diziam que Puebla não era “el puebio”. Mas realmente, em Puebla, falava “el pueblo de Dios”.


Organizaram, durante a Assembleia, uma Conferência paralela (anti-Puebla), da qual participaram alguns membros também do Episcopado e, curiosamente, agora, fundamentando-se em apenas algumas expressões da Conferência de Puebla, em releitura pré-fabricada, se julgam os verdadeiros protagonistas e executores de Puebla.



Para o gáudio dos libertacionistas, puderam depois cantar vitória da aplicação concreta de suas ideias em Nicarágua, com os sandinistas, ministros sacerdotes (de armas na mão prontos para matar opositores), e a famosa Igreja Popular.


“Aggiornamento” da Igreja não significa uma mudança radical, mas o viver o dia atual da Igreja, fundada por Jesus Cristo e que deve atravessar os séculos, imutável na doutrina revelada, assistida pelo Espírito Santo, mas com os pés na terra, tanto quando caminha na praia, como nas montanhas ou no asfalto. É a mesma Igreja, peregrina neste mundo, que se faz viva e salvífica, adaptando-se, sem deixar de ser o que é, às circunstâncias do tempo e do lugar. Atualização, portanto, deve ser também inculturação, isto é, com capacidade de transmitir a – mensagem salvadora de Cristo aos diversos povos, encontrando as expressões mais adequadas para ser compreendida melhor pelos homens, que vivem em situações e ambientes os mais diversos.



Atualização e inculturação da Igreja foram interpretadas por alguns teólogos, como uma libertação da teologia tradicional para adotar, sem restrições, fórmulas novas de maior abertura cristã para o mundo e seu empenho sobre as realidades terrestres com uso das ciências humanas (psicologia, pedagogia, interpretação marxista da história etc.) Assim promoveram uma revolução destruindo o passado, considerado superado, e fabricando formas modernas, alheias à teologia, e, portanto, reclamam uma nova interpretação do Evangelho de Cristo. Nós católicos, porém, cremos na divindade de Cristo, na sua verdadeira e definitiva revelação pública, e não podemos, por conseguinte, aceitar nem as interpretações do Alcorão nem as de Marx, embora se apresentem como as mais eficazes e atualizadas. Mesmo quando não se rejeita o passado e se julga aperfeiçoar o patrimônio cultural e artístico, é de mal gosto, fazê-lo, desfigurando suas mais belas expressões, como se para melhorar uma pintura clássica se usassem rabiscos e borrões de arte moderna.


Se esta aplicação de atualização e inculturação é errônea e desastrada para uma arte, com maior razão o será para a Igreja, que não é invenção nem obra de homens, mas de Deus, criador e Redentor.


Não se pode honestamente, negar a existência da árvore da Teologia da Libertação, na sua espécie mais agreste, rude, azeda e radical, quando seus frutos aparecem já abundantes aos nossos olhos, ao menos no Brasil. Acenamos aqui apenas a alguns desses produtos, pois haveria muitos outros em relação à liturgia, à vida religiosa, etc:


1)-A decadência da teologia, transformada em mera sociologia  política.


2)-O vazio da espiritualidade trocado pela militância social e política.


3)-Os anseios dos futuros sacerdotes manifestados agressivamente tanto nas universidades como até nos convites para a ordenação.


4)-A indisponibilidade para o apostolado cultural e de uma pastoral das elites como foi pedido em Medellin.


5)-Uma verdadeira lavagem cerebral de seminaristas (não todos felizmente, pois alguns de seus bispos sabem preservá-los) em certos Seminários ou comunidades do Brasil, saltam à vista de quem quer ver.


O que se pode esperar desses futuros e pobres sacerdotes, munidos apenas com essa “teologia da enxada” reducionista e não integral? que não tem nem sequer a exposição sistemática, orgânica e INTEGRAL da nossa fé?



Pregações sólidas, doutrinárias e Integrais? Onde?


Já escasseiam tais práticas em Diocese inteiras, ou paróquias onde a constante é a reivindicação amarga e irritante da ordem e justiça social em moldes socialistas, como se nosso povo não tivesse o direito de saciar sua “fome e sede de Deus” com a Palavra de Deus no culto sagrado, que não se deve confundir e compactuar com comícios despropositados, impertinentes e partidários.E depois, esses que negam o pão do Evangelho aos fiéis, não reconhecendo sua falta de responsabilidade, vão acusar outros organismos ou países como responsáveis e promotores da invasão e crescimento assustador das seitas e de outras formas de religião, ora, eles mesmos são os culpados, pois se a TL fez a opção exclusiva e não preferencial pelos pobres, os pobres fizeram a opção por Jesus Cristo e estão a busca-lo fora do círculo católico.

Cardeal Agnelo Rossi 19-03-1985




CONCLUSÃO:




Jesus Cristo é a revelação máxima da missão integral de Deus no mundo, no Novo Testamento. O Senhor Jesus deixou bem evidente a sua missão no início do Seu ministério na terra, ao anunciar a seguinte declaração: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18,19). Não se pretendeu esgotar o tema com o que aqui foi declarado aqui nesta matéria, muito pelo contrário, queremos abrir o debate. Só o Senhor conhece e sonda os nossos corações e as nossas verdadeiras intenções. Ele é quem nos conduzirá por caminhos excelentes. Porém, “convém que eu faça as obras dAquele que Me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (João 9,1). Portanto, a nossa tarefa é grandiosa e urgente; temos de nos esforçar “até que tudo esteja levedado” (Mateus 13,33).




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