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Como rezar com a Santíssima Trindade? O que as escrituras nos ensinam sobre isto?

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 24 de janeiro de 2020 | 01:18




“Estevão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé à destra de Deus...” (At 7,55-56).


"Por esse motivo Eu digo a vocês: Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem nesta era nem na que há de vir..."(Mateus 12,31-32 )





Tudo o que estudamos e nos aprofundamos sobre o nosso Deus Uno e Trino, é de vital importância, pois compreendemos para melhor crer, como nos diz Santo Agostinho, mas, não passarão de mero intelectualismo e conhecimento vazio e infrutífero, se não buscarmos um relacionamento íntimo com o Deus Triúno.






Teologia sem vida com Deus é em vão, até mesmo porque conhecer intelectualmente a Deus não é o nosso alvo dos estudos, mas render-se a Ele em adoração, louvor e serviço na sua vinha.Não basta estudarmos sobre Deus, devemos também desfrutar de Sua companhia. Este relacionamento com Deus pode, inclusive, mudar a nossa maneira de viver e de perceber a vida, pois, percebemos as nossas falhas e limitações e nos quebrantamos diante de Sua santidade.




Ora, o único modo de se conhecer o caráter de Deus é conhecer o que dele está revelado nas Escrituras, aquilo que na teologia chamamos de Economia da Salvação, também chamada de Economia Divina, é aquela parte da revelação divina na tradição cristã que lida com a criação de Deus e a gestão do mundo, especialmente com o seu plano de salvação realizado através da Igreja. Do grego oikonomia (economia), literalmente, "gestão de uma família". São os elementos e recursos revelados por Deus como necessários para a salvação através da revelação especial, as escrituras do Antigo Testamento e do Novo Testamento.



Fins da Economia divina no Magistério da Igreja:



§122 Com efeito, "a Economia do Antigo Testamento estava ordenada principalmente para preparar a vinda de Cristo, redentor de todos". "Embora contenham também coisas imperfeitas e transitórias", os livros do Antigo Testamento dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus: "Neles encontram-se sublimes ensinamentos acerca de Deus e uma salutar sabedoria concernente à vida do homem, bem como admiráveis tesouros de preces; nestes livros, enfim está latente o mistério de nossa salvação".


§260 O fim último de toda a Economia divina é a entrada das criaturas na unidade perfeita da Santíssima Trindade. Mas desde já somos chamados a ser habitados pela Santíssima Trindade: "Se alguém me ama - diz o Senhor -, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará e viremos a ele, e faremos nele a nossa morada" (Jo 14,23):



“Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente para firmar-me em Vós, imóvel e pacifica, como se a minha alma já estivesse na eternidade: que nada consiga perturbar a minha paz nem fazer-me sair de Vós, ó meu Imutável, mas que cada minuto me leve mais longe na profundidade do vosso Mistério! Pacificai a minha alma! Fazei dela o vosso céu, vossa amada morada e o lugar do vosso repouso. Que nela eu nunca vos deixe só, mas que eu esteja aí, toda inteira, completamente vigilante na minha fé, toda adorante, toda entregue à vossa ação criadora.”


Esta economia divina revelada nas escrituras, nos mostram a mente de Deus, o caráter de Deus e seu plano de amor para a humanidade e toda criação. Deus ao se deixar ser conhecido das pessoas, pode influenciá-las em sua conduta. Se as pessoas não conhecem o Deus verdadeiro, elas acabam adorando falsos deuses, deidades da sua própria imaginação. Quando conhecemos quem Deus realmente é, desfrutamos, com muito mais fervor e alegria, de nosso relacionamento com ele. À medida que conhecemos o Deus das Escrituras, é mais fácil termos um relacionamento pessoal com ele. Quanto mais conhecemos Deus, mais enxergamos as coisas como elas realmente são.


Partindo, então, da eterna e imutável verdade de que um só Deus subsiste em três pessoas, como podemos nos relacionar com Ele?


Vamos primeiro verificar se temos respaldo bíblico para nos relacionar com as três pessoas da Trindade, respondendo a questões pertinentes, e em seguida iremos entrar em detalhes da dinâmica da comunhão com Deus:



1)-Podemos nos relacionar pessoalmente com as três pessoas da Divindade?

2)-Devemos rezar a Jesus ou somente ao Pai Celeste?

3)-Podemos rezar e nos relacionar com o Espírito Santo?



Nós somos inseridos na fé da Igreja, ou seja, a Igreja é nossa mãe na fé, pois ela nos precede. Não sou eu que determino o que a Igreja deve crer, mas a Igreja Coluna e Sustentáculo da verdade (I Tim3,15) é que me oferece a Sã doutrina da Salvação, e se a Igreja nos ensina que cada pessoa da Trindade é totalmente Deus, então rezar a Deus Uno e Trino, não pode ser algo eventual,aleatório, ou opcional, é um dever (conf. Lc 18,1).



Mas adorar o Espírito Santo não é idolatria?


Muitas denominações protestantes por terem se afastado da fé apostólica da Igreja, não têm problemas quanto à questão de adorar a Cristo, mas quanto a adorar ao Espírito santo, por incrível que possa parecer, ainda existem restrições para estes cristãos denominacionais, que de certa forma pelo contato e convívio com alguns deles, acabam nos influenciando e colocando-nos em dúvidas com nosso relacionamento pessoal e oracional com a Trindade Una e Santa.


Só para se ter uma ideia, o ministério evangélico “Chamada da Meia-Noite”, orienta seus prosélitos seguidores, a não orarem ao Espírito. O pior problema, é que este ministério, partindo de uma interpretação pessoal de suas lideranças e não da Igreja corpo de Cristo, foi mais além, afirmando que não podemos nem adorar o Espírito Santo! Veja algumas de suas declarações:



“A Bíblia nos ensina a orar ao Espírito Santo? Pergunta: ‘Freqüentemente encontro crentes que se dirigem ao Espírito Santo em suas orações. Conforme meu entendimento da Sagrada Escritura, isso não é correto. O que vocês dizem a respeito?’ Resposta: Você tem razão: não devemos adorar ao Espírito Santo, mesmo que certos hinos ou corinhos sejam dirigidos direta ou indiretamente a Ele. Por que rejeitamos decididamente a oração ao Espírito Santo? Devido a diversos motivos (?):



1)- Em toda a Bíblia não encontramos nenhuma indicação de que os crentes tenham orado ao Espírito Santo, ou que deveriam adorá-lo (?).


2)- O próprio Senhor Jesus Cristo disse claramente, e repetidas vezes, que devemos invocar o Pai em Seu nome. Em nenhum lugar o Senhor Jesus deu ao menos uma leve indicação de que deveríamos orar ao Espírito Santo ou Lhe pedir alguma coisa(?).


3)- Por que o Espírito Santo iria interceder por nós diante dEle mesmo? Certamente não é assim. Pois a tarefa do Espírito Santo é glorificar a Jesus (Jo 16.14) e, por isso, Ele nunca ficará à parte de Jesus, nem colocará a Si mesmo no centro das atenções.


4)- Orar ‘no Espírito’ é algo bem diferente do que orar ao Espírito! Pois, no fundo, ‘orar no Espírito’ significa simplesmente: orar através do Espírito de Jesus! E isso, significa, conforme Sua orientação, que podemos e devemos aproximar-nos do Pai em nome de Jesus (só?), na certeza de que Deus atende à oração...” (Elsbeth Vetsch - Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, março de 1997 - Fonte: http://www.chamada.com.br/mensagens/print.php?docname=orar_ao_espirito).



Cristo nos ensinou a rezar corretamente:


“Pai nosso que estás nos céus.” (Mt 6,9)



“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc 11,9-13).




OS APÓSTOLOS NOS ENSINAM A REZAR:




“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai.” (Cl 3,17)


“Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito, falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor...” (Efésios 5,18-19)


“Porque, por ele [Jesus], ambos [judeus e gentios] temos acesso ao Pai em um Espírito.” (Ef 2,18) [citações minhas entre colchetes].


“Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai.” (Ef 3,14).


Deus Pai deseja que tenhamos uma comunhão com Ele como filhos espiritualmente adotados em Cristo, clamando por Ele e sendo disciplinados por Ele, assim como ocorre entre os filhos e os pais terrenos (cf. Hb 12,3-11).


Será que existe respaldo bíblico para rezarmos diretamente ao Senhor Jesus? 

Afinal, nossas orações não deveriam ser realizadas apenas ao Pai Celeste?



O apóstolo Paulo mencionou que é preciso invocar a Cristo para ser salvo (Rm 10,9-14).

O próprio Senhor Jesus afirmou que estaria entre nós (Mt 18:19-20), mas que nem todos que O invocam como Senhor irão para o Céu, mas aqueles que O invocam e também fazem a vontade do Pai (Mt 7,21). 


Cristo convidou aos cansados e sobrecarregados que busquem alívio n’Ele (Mt 11,28).


Ele também afirmou que todos que O buscam e obedecem aos Seus mandamentos, adquirem firmeza inabalável diante das provações (Lc 6:46-49) e que podemos pedir algo a Ele (Jo 14:13-14).




O apóstolo João também ensinou em suas epístolas que podemos e devemos orar a Cristo:



“Estas cousas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus. E esta é a confiança que temos para com ele, que, se pedirmos alguma cousa segundo a sua vontade, Ele nos ouve. E, se sabemos que Ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.” (1Jo 5:13-15).



Um exemplo de oração feita a Jesus é a de Estevão, o primeiro mártir cristão. Este texto que veremos também apresenta claramente a Trindade e revela que Cristo está vivo, em forma humana, junto ao Pai, intercedendo por nós:



“Ouvindo eles isto, enfureciam-se nos seus corações e rilhavam os dentes contra ele. Mas Estevão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé à destra de Deus. E apedrejavam a Estevão que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. Com estas palavras adormeceu.” (At 7,54-56.59-60).




RELAÇÃO PESSOAL E ORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO, É POSSÍVEL?

As provas de que Espírito Santo é uma PESSOA DIVINA (Persona: Ser que tem personalidade), podem ser divididas em seis categorias:


1)- O Espírito Santo é chamado Deus: Atos 5,3-4, 9; I Coríntios 3,16;
Efésios 2,22; II Coríntios 3,17


2)- O Espírito é chamado Adonai: Compare Atos 28,25 com Isaías 6,8-9


3)- O Espírito é chamado Javé: Compare Hebreus 10,15-16 com Jeremias 31,31-34


4)-O Espírito Santo está associado ao Pai e ao Filho num mesmo nível de igualdade(conf. Mateus 28,19). Observe que a palavra "nome" está no singular significado assim que o poder, a glória e a autoridade do Pai, do Filho, e do Espírito Santo é uma só (conf. I João 5,7; II Coríntios 13,14).


5)- Os mesmos atributos de Deus Pai e Filho, são dados ao Espírito
Santo:

-Eternidade: Hebreus 9,14

-Vida: Romanos 8,2

-Onipresença: Salmos 139,7-8

-Onisciência:I Coríntios 2,10

-Onipotência:Gênesis 1,1-2; João 3,5

- Santidade:Mateus 28,19

-Soberania: João 3,8; ICoríntios 12,11


6)- As obras de Deus são dadas ao Espírito Santo:


-A criação - Jó 33,4.

- A Encarnação: Mateus 1,18

- A Regeneração: Compare João 3,8 com I João 4,7
- A Ressurreição: Romanos 8,11
- A inspiração da Palavra de Deus: Compare II Pedro 1,21 com II Reis 21.10).



ATENÇÃO !!! ATENÇÃO: A natureza do pecado SEM PERDÃO, cometido contra o Espírito Santo, revela a dignidade do Espírito Santo (conf. Mateus 12,31-32)
A importância deste aprofundamento, tem ênfase quando se contabiliza o grande número de seitas que satanás tem instigado a atacar a verdade da divindade e nossa relação com a pessoa divina do Espírito Santo. Que isso possa incitar-nos a um maior cuidado ao darmos ao Espírito Santo Seu devido lugar em nosso amor e adoração. Por tudo isto podemos afirmar que:

1)-É evidente que temos uma íntima comunhão pessoal com Ele, pois o Espírito Santo é o próprio Deus vivendo em nós (Jo 14,17; 1Jo 3,23-24),


2)-Ele fala conosco e nos direciona (At 10,19-20; 13,2; 15,28; 16,6-7; 21,4).


3)-Nos ensina a orar corretamente de acordo com a vontade do Pai (Rm 8,26-27),

4)-Nos convence dos pecados (Jo 16,8-14),

5)-Nos guia em toda a verdade (Jo 14,26; At 13,9; 1Jo 2,20-27)

6)-E por fim, nos capacita a testemunhar (At 1,8; 4,8-13), entre outros atributos.



No entanto, mesmo com tamanha comunhão entre nós e o Espírito, parece não haver qualquer recomendação bíblica direta e enfática para orarmos ou não a Ele. Então, as nossas orações não podem ser direcionadas a Ele? O apóstolo Paulo afirmou que nós adoramos a Deus no Espírito:



“Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.” (Flp 3,3).


Paulo também exortou a que sejam feitas orações perseverantes no Espírito:


"Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6,18).




Semelhante recomendação foi ministrada por Judas em sua epístola:



"Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé Santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.” (Jd 20-21).



Paulo ensina que é em um só Espírito que através de Cristo temos acesso ao Pai:



"Porque, por Ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito.” (Ef 2,18).



Portanto, podemos concluir diante do que vimos até aqui, que o modelo bíblico de oração bíblica, geralmente apresentada,  é aquela dirigida ao Pai, em nome de Jesus por meio do Espírito Santo. Podemos portanto, pedir ao Pai, ou a seu Filho Jesus Cristo, que o Seu Espírito (que dEles procede) venha auxiliar as nossas vidas na via de santidade da porta estreita.




A "ORAÇÃO TRINITÁRIA" NA IGREJA PRIMITIVA



Podemos observar estes princípios na vida da Igreja apostólica. Já no início do livro de Atos, encontramos a narrativa da ocasião quando os apóstolos precisaram decidir qual dos discípulos do Senhor substituiria Judas Iscariotes e como Jesus não estava fisicamente presente, eles oraram a Ele (At 1,24). Eles se dirigiram ao Senhor Jesus e não ao Espírito Santo, mesmo que este último atue na direção, capacitação e comissionamento dos cristãos, como vimos anteriormente.



Logo em seguida, na narrativa de Lucas, encontramos a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes:



“Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (At 2,4)


Observem que todos ficaram cheios do Espírito Santo e o resultado foi que passaram a falar em outras línguas sobre as grandezas de Deus, conforme o próprio Espírito lhes concedia. O Espírito atuou neles como doador e capacitador soberano, e em nenhum momento foi invocado nominalmente.



Talvez o maior exemplo de uma oração ocorrida na igreja apostólica é o daquela realizada quando os apóstolos Pedro e João haviam sido libertados do sinédrio após a cura milagrosa de um paralítico, sendo que os mesmos foram ameaçados pelas autoridades judaicas a não mais proclamarem o nome do Senhor Jesus. Após contarem a igreja o ocorrido, eles oraram a Deus, unânimes:



"Ouvindo isto, unânimes levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de nosso pai Davi, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram cousas vãs? Levantaram-se os reis da terra e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e povos de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram.” (At 4:24-28).



É possível claramente perceber que a oração foi direcionada ao Pai que, através do Espírito, inspirou uma profecia sobre Cristo, o Seu Ungido (vv. 24-27), para que se realizasse o que Ele, o Pai, havia predestinado na eternidade (v. 28). Continuemos observando e aprendendo com esta oração:



“Agora, Senhor, olha para as ameaças, e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios, por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus.” (vv. 29-30).


"Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo, e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.” (v. 31).



Em suma, o modelo bíblico de oração dos apóstolos que vimos até o momento, parece não direcionar-se diretamente a pessoa divina do  Espírito Santo, porém, problema algum, pois, a tarefa do Espírito Santo na economia trinitariana é a de nos Santificar, mostrar a verdade e servir de Paráclito em nossas orações, pois somos falhos e limitados e não sabemos orar da maneira correta. Não é a tarefa primordial dEle receber as nossas orações, mas nos auxiliar a rezar eficazmente ao Pai e ao Filho:



“Também, o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.” (Rm 8:26-27).



CONCLUSÃO:



Segundo tudo o que vimos até aqui, parece teologicamente mais sensato, biblicamente falando, orarmos através do Espírito, no Espírito e não ao Espírito,porém não podemos engessar nossa relação com o Espírito Santo, padronizando-o conforme nossos conceitos humanos limitados, até mesmo porque a escritura nos revela a liberdade e soberania do Espírito Santo:



“O vento sopra onde quer, você escuta o seu som, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai; assim ocorre com todos os nascidos do Espírito.” (João 3,8).


"E da mesma maneira também, o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis..." (Romanos 8,26)



"Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos." Efésios 6,18).



Se concluirmos que não devemos orar diretamente ao Espírito Santo, este fato não O desmerecerá nem um pouco e, sim, O dignificará e O honrará, pois Ele (o Espírito) está em PERFEITA COMUNHÃO com o Pai e o Filho, que são os alvos de nossas orações.Além de que o Espírito Santo, é um ser divino pleno, e não tem carência, ou ciúmes, pois Ele não veio buscar glória para Si (apesar de a possuir, cf. 1Pe 4,14), mas, sim, a glória de Cristo:



“Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. (João 16,12-15).



O que nos enche de alegria e mostra a nossa relação íntima com a Trindade, é o fato de que em Cristo, pelo Espírito, podermos nos dirigir ao Pai, como filhos adotivos de Deus. Orar como convém é orar segundo a vontade de Deus, colocando os nossos desejos em harmonia com o santo propósito de Deus; isto só é possível pelo Espírito de Deus que se conhece perfeitamente (1Co 2,10-12). Assim, toda oração genuína é aquela  sob a orientação e direção do Espírito (Ef 6,18; Jd 20). O Espírito Santo ora conosco e por nós; Ele juntamente com Cristo, em esferas diferentes, intercede por nós:



“Cristo intercede por nós ao Pai no céu à sua direta, e o Espírito Santo na terra por nós e em nós.  Cristo nosso Santo Cabeça, estando ausente de nós, intercede fora de nós; o Espírito Santo nosso Consolador intercede em nosso próprio coração quando Ele o santifica como seu templo...” (Abraham Kuyper, “The Work of The Holy Spirit”, p. 670).



O Papa São João Paulo II pareceu não se preocupar se o modelo bíblico de oração permite ou não orar ao Espírito Santo e afirmou categoricamente, que devemos sim orar ao Espírito Santo:


"A Missão da cidade prepara-nos, a nós mesmos e aos nossos fiéis, para viver estes eventos no seu verdadeiro significado de graça, de fé e de conversão. Por isso devemos orar insistentemente ao Espírito Santo, pois sabemos bem que só Ele é capaz de converter os corações e de conceder a fé e a graça. A invocação ao Espírito Santo, não pode portanto, estar desvinculada da consagração a Maria sua esposa...” (“Discurso do santo padre ao Clero de Roma, por ocasião do início da quaresma” - Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 1998).







Podemos concluir que nos relacionar, orar, louvar e adorar o Espírito Santo não é contrário às Escrituras,até mesmo porque não existe em lugar algum esta proibição, pelo contrário, existe condenação para quem blasfemá-lo. E já que as escrituras sagradas nos revelam que o Espírito Santo é totalmente Deus, Ele também é digno de honra, louvor e adoração, igualmente ao Pai e ao Filho,portanto oremos:



Trindade Una, eterna e Gloriosa: Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.” Amém!


Apostolado Berakash




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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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