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Será possível resgatar o diálogo na política?

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 5 de novembro de 2019 | 12:15





(Por: HELIO GUROVITZ )



Em “The righteous mind”, o psicólogo Jonathan Haidt enxerga diferenças profundas na forma como os dilemas morais se apresentam à direita e à esquerda.

Há um novo esporte na academia, na imprensa e entre os intelectuais: explicar a ascensão do nacionalismo populista e do conservadorismo, que tem surpreendido nas urnas mundo afora. Pode escolher: Donald Trump, Brexit, Farc e até mesmo João Doria em São Paulo. Em todas essas votações, saiu vencedor o campo que se convencionou associar à “direita”. Em todas, o eleitorado se dividiu de modo apaixonado e, incentivada pelas redes sociais, a polarização política atingiu níveis jamais vistos. Nos Estados Unidos, ambos os lados trocaram a civilidade e o respeito mútuo por ira, agressividade e repulsa ao adversário. Política se tornou assunto proibido em ceias de Natal, festas familiares e reuniões corporativas. Com tantas democracias rachadas, houve até quem argumentasse que a própria democracia rachou e, diante dos desafios contemporâneos, não funciona mais.



Duas linhas de pensamento foram adotadas para explicar a ascensão do novo populismo:



1)- Há aqueles que chamam a atenção para a economia. Dizem que a globalização, embora tenha tirado centenas de milhões da pobreza, não entregou o que prometeu à classe média dos países ricos. A reação natural foi o apoio a quem prometia fechar fronteiras, com políticas protecionistas e anti-imigração.


2)- Há, do outro lado, os que preferem destacar a cultura. Sustentam que as sociedades ocidentais foram incapazes de integrar milhões de imigrantes na utopia multicultural do pós-guerra. Afirmam que as políticas de ação afirmativa e proteção a minorias tiveram efeitos colaterais indesejados, exacerbaram racismo, preconceito e ressentimento na “maioria silenciosa”. A reação natural foi então o repúdio a qualquer medida classificada como “politicamente correta”, e o apoio a líderes autoritários.


Há algo de verdadeiro em ambas as explicações. Mas nenhuma delas responde por que tais reações têm ocorrido de modo tão violento, nem por que a polarização só faz crescer.


As redes sociais têm relevância nessa dinâmica:

1)- Primeiro, por contribuir para segregar a população em grupos homogêneos, onde divergências são combatidas com virulência.


2)- Segundo, por servir de veículo à disseminação de informações com viés partidário, não raro falsas, e também ao questionamento da imprensa profissional, que exerceu ao longo da história o papel de praça pública para o debate civilizado.


Mas mesmo as redes não explicam tudo. Se catalisaram uma reação química explosiva, é porque os reagentes já estavam lá. Há fatores mais relevantes. “Se trouxermos a psicologia moral para a história e a acrescentarmos às demais explicações, é possível dar conselhos para reduzir a onda recente de conflitos”, escreveu o psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade de Nova York, antes mesmo da vitória de Trump. Ele expõe suas ideias em The righteous mind (algo como A mente moral), lançado há meia década. Haidt enxerga diferenças profundas na forma como os dilemas morais se apresentam à direita e à esquerda (nos Estados Unidos, a “conservadores” e “liberais”).




Na narrativa esquerdista, a política deve corrigir injustiças sociais, combater desigualdades, miséria e opressão. É uma moral que se resume a duas dimensões: justiça (para todos) e liberdade (da opressão).


Na narrativa conservadora, a política deve resgatar o país das amarras burocráticas, destaque aos valores morais e religiosos, punir os criminosos, retirar privilégios distribuídos a quem não merece, pôr ênfase na estrutura familiar, cuidar dos símbolos nacionais e exercer o poder externo, quando necessário, por meio das armas. É uma moral que se irradia por múltiplas dimensões: justiça (para quem merece), liberdade (do governo), lealdade (à nação), autoridade (da tradição e da família) e sacralidade (religiosa). Como a paleta moral dos conservadores é mais ampla, diz Haidt, eles levam vantagem ao fazer política. “Os republicanos entendem a psicologia moral. Os democratas não”, escreve. “Os republicanos já perceberam há muito tempo que o elefante (a intuição) é quem comanda o comportamento político, não o cornaca (a razão), e eles sabem como elefantes funcionam.”




É uma ótima explicação para a eleição de Trump. E também para a dificuldade de cada lado para ouvir e entender os argumentos do outro. “Os obstáculos à empatia não são simétricos”, diz Haidt. Nos Estados Unidos, os esquerdistas resistem a compreender a moral da direita, simplesmente porque não valorizam na mesma medida as dimensões de autoridade, lealdade e sacralidade. No Brasil, a gama moral da esquerda talvez se estenda ao campo do sagrado – basta lembrar o culto a Getúlio ou Lula – e embasa uma narrativa de inegável sucesso num país de crônica desigualdade social. Mesmo assim, à medida que a narrativa conservadora ganha corpo também por aqui, a polarização crescerá ainda mais, e o diálogo entre os rivais será um desafio ainda mais complexo.



Revista Época



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