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Conheça o INDEX (Livros Proibidos) da Esquerda

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 20 de dezembro de 2016 | 01:02





LIVROS PROIBIDOS DE SEREM VENDIDOS EM LIVRARIAS PELOS DESGOVERNOS SOCIALISTAS QUE NÃO QUEREM QUE VOCÊ SAIBA A VERDADE.




Criticam a Igreja católica por no passado medieval ter feito seu index, mas atualmente a esquerda também tem seus LIVROS PROIBIDOS pelas suas lideranças, de serem lidos pela sua militância. Apesar do “direito à vida cultural” constar na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, e em muitas constituições ao redor do mundo, incluindo a brasileira, diversos foram os países onde esse direito existiu somente no papel. Por motivos políticos ou morais, governos proibiram e censuraram livros durante séculos – e por mais medieval que isso soe, essa ainda é uma prática comum até nos dias de hoje. Preparamos uma lista de alguns livros famosos e desconhecidos que um dia foram proibidos em alguma parte do mundo.




Confira os livros que você provavelmente nem sabia que foram censurados pela esquerda:




1)- Arquipélago Gulag, Alexander Solzhenitsyn




Arquipélago Gulag traz relatos reais de seu autor, Alexander Solzhenitsyn, sobre os campos de trabalho forçado da extinta URSS. Alexander esteve preso por 11 anos nesses campos e descreve o que viu e ouviu nas cerca de 600 páginas do livro. Além de sua própria visão, o livro também apresenta relatos de mais de duzentas pessoas que presenciaram o cotidiano dos campos de trabalho.Após a publicação, a obra foi censurada na União Soviética. Lançada no ocidente em 1973, Arquipélago Gulag circulou ilegalmente por 16 anos nas repúblicas socialistas, até ser oficialmente aceito no governo de Mikhail Gorbachev. Hoje, tornou-se um dos livros mais famosos sobre as prisões soviéticas e é considerado elemento fundamental do currículo das escolas Russas desde 2009.Alexander também teve seu romance “Um Dia na Vida de Ivan Denisovich” censurado pelo governo soviético. O romance narra um dia da vida de um prisioneiro de um campo de trabalho forçado soviético.



2)- A Riqueza das Nações, Adam Smith


Um dos livros responsáveis por teorizar as bases da economia moderna, escrito por um dos mais aclamados economistas de todos os tempos, também foi um dos mais criticados. Após concentrar sua defesa na liberdade de comércio e propriedade, o economista Adam Smith viu sua obra ser proibida pela aristocracia do século XVIII por suas críticas ao mercantilismo.Anos mais tarde, o livro foi acusado de ser muito capitalista acabou banido das prateleiras dos países socialistas.



3)- Death Note, Tsugumi Ohba


O famoso mangá japonês Death Note que deu origem ao anime homônimo também sofreu censuras. Na China o livro foi proibido pelas autoridades. O motivo? “Proteger a saúde física e mental” dos estudantes.Os governantes também acusaram a obra de “enganar crianças inocentes e distorcer sua mente e seu espírito”.



4)- 1984, George Orwell



A distopia (talvez não tão distópica) de Orwell já foi eleita pela TIME como um dos livros mais perseguidos ao redor do mundo, e não é pra menos. Em 1950, Joseph Stalin censurou o livro na União Soviética por considerar que a obra era uma crítica direcionada ao seu governo; ironicamente, um dos temas centrais do romance é a crítica à censura.Além da URSS, os Estados Unidos e o Reino Unido quase deram uma de “Ministério da Verdade”, censurando o livro durante a crise dos mísseis de 1960.



5)- A Revolução dos Bichos, George Orwell


Outro livro de Orwell que sofreu repressões, A Revolução dos Bichos (Animal Farm, no original), teve problemas já em 1943, logo após finalizado, quando nenhuma editora britânica se dispôs a publicar o livro temendo sofrer repressões do governo, então aliado da URSS. Após conseguir publicar as primeiras edições, Orwell teve sua obra rapidamente proibida na União Soviética e em outros países socialistas.Até hoje o livro é censurado em Cuba, na Coreia do Norte e na China.


6)- Bônus: o cordel que o INSS censurou



O cordelista pernambucano Davi Teixeira teve seu cordel “A Lei da Previdência” censurado pela INSS ano passado. O cordel chegou até o Grupo de Proteção de Imagens das Autarquias e Fundações Públicas Federais, que levou a publicação até o INSS. O INSS apurou que a obra passava um conteúdo depreciativo à imagem do Instituto e coagiu Davi a muda-la.O cordelista, que vendia seus cordeis como fonte de renda, chegou a queimar 600 exemplares, com medo de ser preso. A obra só foi liberada para circulação depois que Davi pediu auxílio de um advogado, que entrou com uma ação na justiça. Só então, com o aval do juiz da 3ª Vara Federal, os poemas que criticavam o sistema da previdência puderam ser novamente vendidos pelo autor.


7)- O CHEFE



O jornalista Ivo Patarra levou 'O Chefe' a duas editoras, que recusaram a publicação do livro.O livro sobre as falcatruas do Lula, que foi proibido está disponível para leitura na Internet. O livro que compila todos os escândalos do desastroso governo Lula, não conseguiu ser publicado.



JÁ QUE TODOS SE NEGARAM A PUBLICÁ-LO, O AUTOR O COLOCA “GRÁTIS” NA INTERNET, E PARA LER E BAIXAR O LIVRO ACESSE:


www.escandalodomensalao.com.br


http://www.4shared.com/office/SLSKfcVO/ochefe.html



8)- O QUE A ESQUERDA ESCONDEU DE 1964


Caso ainda não tenha acesso a esse documento, segue o link, livro de 995 páginas, com a verdade sobre o regime militar. Seja rápido pois esta sendo retirado da net aos poucos, portanto, baixe-o, leia, e repasse para que o maior número de pessoas tenham acesso a este documento:


http://www.4shared.com/office/diLeSOLs/oqueaesquerdaescondeude1964.html


http://www.4shared.com/office/KM9PnNK6/O_QUE_A_ESQUERDA_ESCONDEU_DE_1.html


9)- ORVIL - TENTATIVAS DE TOMADA DO PODER



As tentativas de tomada do poder pelos comunistas em nosso país permanecem vivas na memória das Forças Armadas, que a elas se opuseram, em consonância com a vontade nacional.



“Nos postos de mando alinham-se, despudoradamente, terroristas, sequestradores, assaltantes de banco, criminosos todos, que se locupletam gulosamente de bolsas fartamente endinheiradas.”



Mas, o que é sumamente grave, novas urdiduras estão em marcha acelerada, pois a partir dos anos 1980, a revolução comunista no Brasil ganhou uma nova vertente inspirada na revolução Gramsciana de transição para o socialismo.Sua convivência com pensamento e a práxis política marxista-leninista de alguns partidos caracteriza uma postura tática de pluralismo das esquerdas. O êxito, já alcançado na penetração intelectual e moral do corpo social, é inegável. Chega a um estágio que se teme possa ser irreversível.Gen Aricildes de Moraes Motta, no ORVIL, leia ele aqui o quanto antes:


http://www.4shared.com/office/jsFsQO1r/ORVIL.html


10)- A VERDADE SUFOCADA - C.A.B USTRA


O outro lado da história que a esquerda não quer que o BRASIL conheça.


11)- ROMPENDO O SILÊNCIO - C.A.B USTRA

Leia aqui:






12)- O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO, CRIMES, TERROR E REPRESSÃO


Leia aqui:







13)- O QUE E CONSERVADORISMO (ROGER SCRUTON): Os capítulos deste livro seguem um critério de exposição analítica dos elementos principais do pensamento conservador. Por isso começa por explicar a atitude conservadora para depois esclarecer de que forma o conservadorismo se alicerça na ideia de autoridade, o que permite entender a importância da Constituição e o papel do Estado como defensor dos diferentes modos de vida de uma sociedade ordeira. A partir disso, é possível compreender a perspectiva conservadora a respeito da lei e da liberdade, que não é vista de forma abstrata nem absoluta, e da propriedade, que exerce uma função consagradora dentro da sociedade. Nos capítulos seguintes, o autor apresenta uma crítica à ideia de alienação do trabalho, faz uma defesa da existência e do funcionamento das instituições autônomas (família, instituições de educação, esportes competitivos), explica a aliança entre poder e autoridade para a composição do establishment (o grande objetivo interno da política e do governo) e apresenta a sua concepção de mundo público, formado pelo estado-nação, pelo estadista e pela política externa. Para encerrar a obra, é apresentada a contraposição entre liberalismo e conservadorismo.




14)- A Mentalidade Conservadora (Russell Kirk ) - Entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012, a editora paulistana É Realizações lançou pela primeira vez no Brasil quatro livros do filósofo americano Russell Kirk (1918-1994): “A Era de T. S. Eliot: A Imaginação Moral do Século XX” (com tradução de Márcia Xavier de Brito), “A Política da Prudência” (tradução de Gustavo Santos), “A Mentalidade Conservadora: De Edmund Burke a T. S. Eliot” (tradução de Eduardo Wolf) e “Edmund Burke: Redescobrindo um Gênio” (tradução de Márcia Xavier de Brito), segundo a ordem de lançamento prevista pela editora. A pedido da viúva do filósofo, Annette Kirk, a revisão técnica das edições nacionais ficou a cargo do historiador e pesquisador Alex Catharino, professor, vice-presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP) e editor da versão brasileira da revista de teologia e cultura “Communio“, que desde 2008 vem realizando pesquisas no Russell Kirk Center for Cultural Renewal (RKC), no estado natal de Kirk, Michigan (EUA). Catharino ficou responsável, também, pela escolha da ordem das obras a serem publicadas e, a pedido do editor da É Realizações, Edson Manoel de Oliveira Filho, escreveu os ensaios introdutórios de cada uma delas.



Na entrevista a seguir, Catharino analisa minuciosamente o pensamento de Kirk, sua influência na tradição conservadora e na política americana, esmiúça os principais aspectos de sua obra e a relaciona com a realidade cultural brasileira. Não é nenhum exagero dizer que esta conversa é uma excelente introdução ao pensamento do homem que ajudou a colocar Ronald Reagan na presidência dos Estados Unidos:


Provavelmente, “A Mentalidade Conservadora”, publicado originalmente em 1953, é o livro mais importante – ou, pelo menos, mais conhecido – de Kirk. Você poderia explicar quais foram os fatores que impulsionaram o livro?


Sem dúvida, “A Mentalidade Conservadora” é a obra mais conhecida de Russell Kirk, no entanto não a considero mais importante que os livros “A Era de T. S. Eliot” de 1971 e “As Raízes da Ordem Americana” de 1974. Creio que a verdadeira obra prima de Russell Kirk é o livro “A Era de T. S. Eliot”, visto que, ao utilizar como fio condutor a vida e o pensamento de T. S. Eliot, assim como o contexto histórico do período em que viveu o poeta, o livro consegue estruturar e condensar vários aspectos fundamentais do próprio pensamento kirkeano sobre natureza humana, cultura, religião, imaginação, história, educação, crítica literária, questões sociais, política e economia, assim como fazer uma leitura “danteana” da poesia do renomado autor. Já a grande notoriedade de “A Mentalidade Conservadora”, uma obra que também gosto muito, se deve ao fato dela ser considerada pela maioria dos analistas como o “gênesis” do pensamento conservador norte-americano por sistematizar e expor os princípios fundamentais do conservadorismo, apresentar a genealogia dessa corrente política na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, além de recuperar a dignidade da mesma junto à opinião pública. O livro tem como base as pesquisas realizadas pelo autor – sem a orientação de nenhum professor, diga-se de passagem -, para a obtenção do título de “Literatum Doctorem” pela University of St. Andrews, o grau mais elevado concedido por essa que é a mais antiga instituição de ensino superior da Escócia.


Qual foi, mais especificamente, a importância de “A Mentalidade Conservadora” para o conservadorismo americano?


No livro “The Conservative Intellectual Movement in America: Since 1945” (ISI Books, 1996), o historiador George H. Nash demonstra que o movimento conservador norte-americano se estrutura, principalmente, a partir da coalizão de três grupos distintos, cada um deles guiado por uma obra de referência. O primeiro é o grupo dos libertários, cujo livro “O Caminho da Servidão”, de Friedrich August von Hayek, publicado em 1944, demonstra como o modelo econômico intervencionista adotado pelas democracias ocidentais conduzirá necessariamente à redução e até mesmo à perda das liberdades individuais e políticas. Na segunda vertente encontramos o grupo dos anticomunistas, guiados pela denúncia feita em 1952 pelo ex-editor do “Time” e ex-espião soviético, Whittaker Chambers, na obra “Witness”, em que descreve como agentes comunistas estavam se infiltrando em vários escalões da sociedade norte-americana. O terceiro e, provavelmente, mais importante desses grupos é o dos chamados tradicionalistas, que, em torno da análise acadêmica apresentada em “A Mentalidade Conservadora”, tentaram recuperar os princípios tradicionais da experiência cultural e política britânica e norte-americana como meio de resistência aos avanços revolucionários promovidos por diferentes modelos ideológicos.



Lee Edwards explica que a vitória de Ronald Reagan para a presidência dos Estados Unidos é fruto de um processo iniciado com a publicação de ‘A Mentalidade Conservadora’, o que transforma Kirk no principal teórico do movimento.



Que impacto concreto exerceu “A Mentalidade Conservadora” na vida política americana?



Ronald Reagan, eleito presidente dos Estados Unidos em 1965 graças ao apoio intelectual originado em A Mentalidade Conservadora.Tanto Russell Kirk, no livro “A Política da Prudência”, quanto George H. Nash e Lee Edwards consideram a vitória eleitoral de Ronald Reagan para a presidência dos Estados Unidos um acontecimento decisivo para o movimento conservador. Em “The Conservative Revolution: The Movement That Remade America” (Free Press, 1999), Lee Edwards explica que tal vitória política é fruto de um processo iniciado com a publicação de “A Mentalidade Conservadora”, o que transforma Kirk no principal teórico do movimento. Antes da publicação de “A Mentalidade Conservadora”, as forças que se opunham à agenda liberal do New Deal, cujas políticas econômicas e sociais eram altamente intervencionistas, e ao avanço revolucionário das ideologias esquerdistas mais radicais, estavam dispersas. O livro de Kirk serviu como um grande catalizador para as políticas de coalizão em torno de causas específicas, uma das características distintivas do movimento conservador norte-americano, ressaltando a importância da preservação da tradição.


Há quem entenda “A Mentalidade Conservadora” como um tipo de “manual” de direita. Você acredita que a obra pode ser resumida assim sem maiores prejuízos?



Creio que uma leitura voltada apenas para os aspectos políticos do livro perverte o projeto original do autor. O intento de Kirk, pelo menos nesta obra, não era criar um manual para a “direita” norte-americana, uma espécie de guia ideológico. A obra é, acima de tudo, um profundo estudo de história das ideias, que apresenta o desenvolvimento do conservadorismo britânico e norte-americano, tanto cultural como político, a partir do pensamento conservador de Edmund Burke. É por isso que o livro se dedica de forma impressionante ao legado de literatos como Sir Walter Scott, Samuel Taylor Coleridge, James Fenimore Cooper, Nathaniel Hawthorne, George Gissing, G. K. Cherterton, T. S. Eliot, C. S. Lewis e Robert Frost.



Quais foram os maiores contributos de Kirk para a tradição conservadora americana, da qual ele é considerado um dos seus grandes teorizadores?



Não é exagero afirmar que Russell Kirk está para o pensamento conservador norte-americano como Edmund Burke para o conservadorismo britânico. No entanto, não devemos reduzir o pensamento kirkeano apenas aos aspectos políticos. A preocupação principal da obra de Kirk era cultural. No plano político, os adversários de Kirk eram as modernas ideologias secularistas, tanto de esquerda quanto de direita, que, ao propagarem concepções errôneas sobre a natureza da pessoa e da sociedade, criavam – e ainda criam – o que ele denominou de “desagregação normativa”, que passa a perverter a ordem interna da alma e a ordem externa da república. O remédio para tais males, segundo Kirk, se encontra na redescoberta das antigas verdades propagadas pela “imaginação moral” e pela educação liberal. A leitura dos clássicos – uma insistência constante do autor – permite romper os grilhões do cativeiro do tempo e do espaço e nos permite ter uma visão mais ampla, nos permitindo entender o que é ser plenamente humano e nos capacitando como transmissores, para as gerações vindouras, do patrimônio comum de nossa cultura. É nesse sentido que Russell Kirk recupera as verdades legadas por importantes autores da tradição conservadora num erudito trabalho acadêmico que não deixa de ter beleza estilística, rigor lógico e clareza na exposição das ideias. Os seis cânones do pensamento conservador apresentados em “A Mentalidade Conservadora” são uma síntese dos princípios fundamentais para a manutenção da vida em sociedade cuja base está nas experiências oriundas do desenvolvimento orgânico de diferentes gerações, algo bem diferente das prescrições ideológicas de alguns pensadores modernos.


De que forma o pensamento de Kirk dialogou com as bases precedentes e fundadoras da sociedade americana?



Antes da publicação de “A Mentalidade Conservadora”, havia uma hegemonia da chamada imaginação liberal, tal como advogada por Lionel Trilling. Havia duas posições possíveis: na primeira a cultura norte-americana era tida como progressista, no sentido de estar pautada nos ideais do utilitarismo liberal tal como defendia, na época, a maioria dos membros do Partido Republicano, e na segunda tal cultura política era tida como um tipo de social democracia, mentalidade dominante no Partido Democrata, que se tornara a orientação política do país, principalmente, a partir das administrações presidenciais de Woodrow Wilson e de Franklin Delano Roosevelt. Russell Kirk rompe tais visões estereotipadas e recupera a tradição conservadora nos Estados Unidos, ao ressaltar a influência do pensamento de Edmund Burke sobre os “Fouding Fathers” e demonstrar que a sociedade norte-americana, como herdeira da civilização judaico-cristã europeia, sempre teve importantes pensadores e estadistas comprometidos com a preservação da liberdade ordenada, tal como se verifica nos escritos e na atuação pública de John Adams, John Randolph of Roanoke, John C. Calhoun, Orestes Brownson e Henry Adams, dentre outros.O filósofo britânico Roger Scruton, um dos conservadores ingleses da segunda metade do Séc. XX que mais se aproximam das concepções kirkeanas de conservadorismo.



Kirk é um herdeiro do conservadorismo britânico, mas tornou-se um dos pilares do conservadorismo americano. Em sua  opinião, em que sentido o conservadorismo britânico se diferencia do americano hoje e na época de Kirk?



Há uma grande diferença entre o conservadorismo britânico no final do século XVIII, época de Edmund Burke e de Samuel Johnson, e a forma assumida pela corrente intelectual do final do século XIX e início do século XX. Um exemplo dessa diferença é expresso por G. K. Chesterton quando afirma que “O mundo moderno se divide em conservadores e progressistas. O negócio dos progressistas é continuar a cometer erros. O negócio dos conservadores é evitar que os erros sejam corrigidos”. Num ensaio de 1929, T. S. Eliot fez uma crítica ao Partido Conservador britânico afirmando que este “desfruta de algo que nenhum outro partido político atual possui, um completo vácuo mental: uma ausência que pode ser preenchida com qualquer coisa, até mesmo com algo de valor”. Anos depois, numa carta para Eliot, Kirk citou a definição do escritor Ambrose Bierce, segundo a qual o conservador é o “estadista enamorado pelos males que existem, bem diferente do liberal, que deseja substituí-los por outros”. Acredito que a grande mudança do pensamento conservador britânico entre a época de Burke e Johnson e o período de Chesterton e Eliot se deve ao fato da politica inglesa na segunda metade do século XIX e no início do século XX ter sido profundamente influenciada pelas ideias utilitaristas e pelo movimento fabiano. A polarização da política britânica entre as duas posturas fez com que os conservadores ingleses, para opor ao socialismo moderado dos fabianos, fossem, gradativamente, adotando o racionalismo dos utilitaristas, tal como podemos notar, por exemplo, nas reflexões do filósofo Michael Oakeshott, um contemporâneo de Russell Kirk, que escreveu uma elogiosa resenha sobre “A Mentalidade Conservadora”, mas cuja obra carece de uma maior abertura à questão da imaginação. De certa forma, os escritores conservadores ingleses na segunda metade do século XX que se aproximam mais das concepções kirkeanas de conservadorismo foram o ensaísta e satirista Malcolm Muggeridge e o filósofo Roger Scruton, ambos amigos de Kirk.




E como você situa o moderno pensamento conservador americano dentro desta corrente de mudanças e adaptações?



O moderno conservadorismo norte-americano no período posterior à Segunda Guerra Mundial assumiu um caráter mais amplo que o professado pelos ingleses na mesma época, além de congregar um número maior de intelectuais, tal como podemos verificar nos escritos de Peter Viereck, Donald Davidson, Richard Weaver, Eric Voegelin, Russell Kirk, Robert Nisbet e de tantos outros. A riqueza intelectual, voltando-se mais para a cultura que para a política, explica o porquê de o movimento conservador norte-americano ser uma importante força na sociedade dos Estados Unidos, ao passo que na Grã-Bretanha não encontramos nada similar. Acredito que o majoritário laicismo britânico, distinto da característica base cristã da sociedade norte-americana, é um fator que, também, devemos levar em consideração na tentativa de melhor entender tais diferenças.



Você acredita que o estudo de Edmund Burke, que foi um dos objetos de pesquisa mais importantes de Kirk, é fundamental para compreender a obra deste?


O pensamento de Edmund Burke é uma das bases que sustenta a obra de Kirk. Ao lado dos estudos do padre Francis Canavan S.J. e do professor Peter J. Stanlis, os escritos de Russell Kirk foram fundamentais para o renascimento na segunda metade do século XX, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, das pesquisas sobre a obra de Edmund Burke. Nesse sentido, o entendimento de várias concepções burkeanas é imprescindível para um correto entendimento do conservadorismo kirkeano. Os livros “A Mentalidade Conservadora” e “Edmund Burke: Redescobrindo um Gênio”, ambos escritos por Kirk, são excelentes introduções ao pensamento de Burke. Mas não podemos reduzir os escritos de Russell Kirk aos fundamentos burkeanos que estruturaram sua produção intelectual. O pensamento kirkeano é extremamente complexo em diferentes aspetos e não pode ser facilmente reduzido aos esquemas ideológicos com os quais a mente moderna está acostumada. Um entendimento mais amplo e proveitoso do conservadorismo kirkeano necessita não apenas das obras de Edmund Burke, mas, também, do modo como Kirk entendeu inúmeras concepções de escritores como o cardeal John Henry Newman, Alexis de Tocqueville, Paul Elmer More, Irving Babbitt, Christopher Dawson, Eric Voegelin e, sobretudo, T. S. Eliot. A leitura do livro “A Era de T. S. Eliot”, publicado em português pela É Realizações, numa excelente tradução crítica feita por Márcia Xavier de Brito, é o melhor ponto de partida para uma compreensão mais ampla do pensamento de Russell Kirk.


“Na concepção kirkeana, a imaginação moral é a capacidade distintamente humana de conceber a pessoa como um ser moral, e vem a ser o próprio processo pelo qual o eu cria metáforas a partir das imagens captadas pelos sentidos e guardadas na mente, empregadas para descobrir e julgar correspondências morais na experiência”.



Um dos conceitos centrais de Kirk, retirado de Burke, é a “imaginação moral”. Qual é a importância deste conceito para entender a cultura e mentalidade de um povo?


O termo “imaginação moral” foi apresentado originalmente por Edmund Burke na obra “Reflexões sobre a Revolução em França” como uma metáfora para descrever a maneira como os revolucionários franceses, pautados em ideias abstratas, estavam promovendo a destruição dos costumes civilizatórios tradicionais que durante gerações foram sustentados pelo espírito religioso e pelo senso de cavalheirismo. A expressão tomou dimensões mais amplas nas reflexões de Russell Kirk, que desenvolveu um novo conceito ao relacionar o “insight” burkeano com as ideias de “sentido ilativo” do cardeal John Henry Newman, de “ética dos contos de fadas” de G. K. Chesterton, de “imaginação idílica” de Irving Babbitt e de “imaginação diabólica” de T. S. Eliot. Na concepção kirkeana a imaginação moral é a capacidade distintamente humana de conceber a pessoa como um ser moral, e vem a ser o próprio processo pelo qual o eu cria metáforas a partir das imagens captadas pelos sentidos e guardadas na mente, empregadas para descobrir e julgar correspondências morais na experiência. Em linhas gerais o conceito kirkeano de imaginação moral se assemelha à noção de “Tao” descrita na obra “A Abolição do Homem”, de C. S. Lewis, ou seja, os princípios expressos pela Lei Natural, denominados também como moral tradicional, primeiros princípios da razão prática ou primeiros lugares-comuns. A temática da imaginação perpassa a vasta produção intelectual de Russell Kirk, que na autobiografia “The Sword of Imagination”, publicada postumamente em 1995, afirmou: “o mundo é governado, em qualquer época, não pela racionalidade, mas pela fé: pelo amor, lealdade e imaginação”. A correta compreensão das noções kirkeana de imaginação é a chave que torna possível entender o seu pensamento.



Quais foram, para Kirk, os grandes modelos da imaginação moral?


O poeta T.S. Eliot, um dos grandes objetos de estudo de Kirk e pedra fundamental de “A Era de T.S. Eliot”, primeiro livro do pensador americano a sair no Brasil, em dezembro.Ele via como modelos de imaginação moral os contos de fada dos irmãos Grimm e de Hans Cristopher Andersen, as estórias de Sir Walter Scott e Nathaniel Hawthorne, a fantasia mitopoética de J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis, os poemas e as peças de T. S. Eliot, e os poemas de Robert Frost e William Faulkner, assim como as obras clássicas de Sófocles, Aristófanes, Virgílio, Dante Alighieri, Geoffrey Chaucer, Miguel de Cervantes, William Shakespeare, John Milton e tantos outros poetas, dramaturgos e romancistas em diferentes tradições culturais. Outras fontes fundamentais para alimentarmos a imaginação moral das gerações vindouras são as narrativas históricas de Heródoto, Tucídides, Políbio, Tito Lívio e Tácito, assim como os escritos filosóficos e teológicos de Platão, Aristóteles, Cícero, Sêneca, São Paulo, Marco Aurélio e Santo Agostinho.


“Encontramos, no Brasil, uma separação entre os princípios cristãos professados por uma parcela da população e a produção das elites literárias, mais progressistas. O cultivo das letras, em grande parte, se tornou algo elitista, separado do imaginário mais conservador professado pelo homem comum”



Você acredita que alguns homens de letras no Brasil promoveram a imaginação moral no sentido kirkeano?



A imaginação moral é inerente à natureza humana. Ao acreditarmos na visão católica, podemos afirmar que o mal não existe por si mesmo, mas é uma ausência do bem. Da mesma forma, podemos encontrar reflexos da imaginação moral, mesmo em obras marcadas principalmente pelas formas corrompidas de imaginação, a “imaginação idílica” e a “imaginação diabólica”. Infelizmente, em nosso país não temos um grande comprometimento com o estudo dos clássicos e não há uma tradição literária voltada para o público infantil. A literatura brasileira está muito ligada à forma de imaginação idílica propagada pelo romantismo ou pelo realismo do movimento modernista, que, algumas vezes, abre espaço para as imaginações idílica e demoníaca. Nesse sentido, encontramos uma separação entre os princípios cristãos professados por uma parcela da população e a produção das elites literárias, mais progressistas. O cultivo das letras, em grande parte, se tornou algo elitista, separado do imaginário mais conservador professado pelo homem comum. Tal desvio na literatura deixa reflexos em quase toda a produção dos homens de letras nas demais áreas das chamadas humanidades. De certa forma, os homens de letras brasileiros que possuem um maior senso de imaginação moral embasam suas visões, principalmente, em autores norte-americanos e europeus. Todavia, ressalto a importância dos intelectuais se voltarem ao mesmo tempo tanto para os clássicos universais quanto para algumas das obras nacionais que possam explicar as verdadeiras bases de nossa cultura luso-brasileira, como os trabalhos de Gilberto Freyre, assim como para as narrativas de Lima Barreto e Nelson Rodrigues ou os poemas de Cecilia Meireles, Manuel Bandeira, Augusto Frederico Schmidt, Bruno Tolentino e Ivan Junqueira, dentre outros expoentes literários nacionais.Nelson Rodrigues, um autor que se aproxima por vias tortuosas ao conceito de imaginação moral de Kirk.



Em que sentido um autor como Nelson Rodrigues expressa o conceito de imaginação moral?



O caso específico de incluir Nelson Rodrigues nessa lista, admito, nem sempre é unânime e recordo a opinião de meu amigo Renato Moraes a respeito desse autor, ao apresentar as mesmas ressalvas que T. S. Eliot fez em relação aos escritos de Flannery O’Connor. Tanto o literato brasileiro quanto a escritora norte-americana se utilizam de incidentes e acontecimentos grotescos para demonstrar a tragédia das pessoas que abandonam as normas permanentes da moral cristã. No entanto, há um enorme risco nessa forma de denunciar os erros de nossa época, pois os receptores de tais mensagens moralizantes podem assumir como valores os vícios criticados pelos autores, transformando assim uma obra pautada na imaginação moral num meio de propagação da imaginação diabólica. De uma controversa obra de T. S. Eliot, Russell Kirk retirou o termo “imaginação diabólica” para definir o imaginário corrompido. Tal corrupção se dá pela perda do conceito de pecado e pela admissão da natureza humana como algo infinitamente maleável e mutável, assim o sujeito passa a entender as normas morais como valores relativos às preferências individuais subjetivas ou à transitoriedade dos diferentes contextos culturais, e assume a defesa da abolição de qualquer norma objetiva.



Qual aspecto da obra de Kirk você acredita que mais está ausente da tradição política e brasileira em geral e que, se fosse adotado, teria efeitos positivos sobre ela?



Em termos políticos a maior lição que os conservadores brasileiros podem receber da leitura de Russell Kirk é a rejeição das concepções ideológicas simplificadoras da realidade. No entanto, acho que, acima de tudo, é necessário superar a preocupação excessiva com as questões políticas e abrir nosso campo de visão para horizontes mais amplos. Foi para evitar o vício do ativismo político, inerente a um número significativo de conservadores brasileiros, que Márcia Xavier de Brito e eu sugerimos ao Edson Manoel de Oliveira Filho [editor da É Realizações] que iniciasse a publicação das obras de Kirk em português com o livro “A Era de T. S. Eliot”, e não com “A Mentalidade Conservadora”, evitando assim que as contribuições intelectuais kirkeanas fossem tomadas como um dogma ideológico capaz de fundamentar apenas o ativismo político dos conservadores brasileiros. O grande mal de uma parcela significativa dos conservadores brasileiros é que na luta contra o racionalismo construtivista das esquerdas ou contra o relativismo dos pós-modernos, a maioria acaba assumindo uma postura ideológica dogmática e reacionária, deixando-se guiar pelos transitórios profetas da moda. O paradoxal nesse aspecto é ver algumas pessoas tentando conservar princípios inexistentes na cultura brasileira, assumindo, assim, uma postura revolucionária, e, portanto, idílica, em nome de um conservadorismo fictício.



Como o conservadorismo brasileiro pode se beneficiar da obra de Kirk?



Devemos ter em mente que, acima de tudo, o conservadorismo, tal como proposto por Russell Kirk, é uma defesa das tradições culturais da sociedade norte-americana, num plano particular, e da civilização ocidental, num espectro mais amplo, contra os desvios ideológicos da mentalidade moderna. No caso brasileiro, um conservador deverá fazer quatro perguntas básicas, a saber: 1ª) “Quais são as tradições fundamentais de nossa sociedade?”, 2ª) “Quais são os princípios e instituições que devemos conservar?”; 3ª) “Até que ponto será possível adotar modelos culturais e políticos estranhos ao nosso desenvolvimento histórico particular?”, 4ª) “Quais são os aspectos específicos de nossa cultura que precisaremos abandonar para nos adequarmos aos princípios universais da civilização judaico-cristã da qual fazemos parte?”. Não tenho respostas definitivas para essas questões. Todavia, creio que os conservadores brasileiros deverão se voltar de forma mais sistemática para a busca de tais respostas. Acredito que o passo inicial deva estar num melhor entendimento das bases culturais de nosso país. A compreensão das heranças portuguesa e espanhola, de forma particular, e européia católica de modo mais amplo, é fundamental na tentativa de responder as quatro perguntas que formulei, visto que não podemos ser conservadores importando de forma acrítica a cultura anglo-saxônica. Uma melhor compreensão de nossas tradições históricas possibilitará a construção de elos entre as particularidades da realidade brasileira e os princípios universais conservadores advogados por Russell Kirk e outros pensadores conservadores estrangeiros, que em última instância são pautados nas bases comuns que herdamos da civilização ocidental, constituída pela junção dos legados greco-romano e judaico-cristão.



“A cultura brasileira está muito associada aos erros do patrimonialismo ibérico, do cientificismo herdado do pensamento positivista e do intervencionismo econômico defendido tanto por keynesianos quanto por marxistas, criando, assim, uma forma de religião civil do Estado que devemos buscar superar”.



Como deveria agir o conservador brasileiro de acordo com o pensamento kirkeano?



O conservador, tal como nos ensinou Russell Kirk, não pode ser um formulador de ideias abstratas, mas um prudente observador das realidades moral, cultural, política e econômica que o cerca, buscando eliminar, por reformas gradativas, os erros legados pelo passado, e preservando os aspectos positivos da tradição. A cultura brasileira está muito associada aos erros do patrimonialismo ibérico, do cientificismo herdado do pensamento positivista e do intervencionismo econômico defendido tanto por keynesianos quanto por marxistas, criando, assim, uma forma de religião civil do Estado que devemos buscar superar. No plano econômico o conservador deverá, na maioria dos casos, assumir a defesa do livre mercado feita pelos libertários. Todavia, temos que ser intransigentes na luta pela preservação de certos princípios inalienáveis, herdados de nossa tradição católica, dentre os quais se destacam o reconhecimento da religião como principal fundamento da moral e da cultura, a defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural da pessoa, a importância das liberdades individuais como pré-condição da vida moral e principal motor do desenvolvimento social, bem como o respeito aos direitos de propriedade, tanto material quanto intelectual.




15)- A Democracia na América (Alexis de Tocqueville) - Livro obrigatório para quem estuda ciência política, A Democracia na América se mantém como uma obra fundamental para a compreensão do poder e da grandeza dos Estados Unidos. Tocqueville escreveu essa sua obra-prima com apenas 30 anos, e ele demonstrou um profundo entendimento das leis e instituições americanas depois de apenas algum tempo vivendo na América. O resultado é um livro que prova que a liberdade, a busca pela igualdade, o respeito pelos magistrados e à lei e o estabelecimento de instituições democráticas, aliadas a uma constituição que é conhecida e respeitada pelo povo, podem produzir uma nação sem paralelo em qualquer época da humanidade.



O que percebemos desde o início da história americana é que a Inglaterra não chegou a colonizar o país como fizeram o império português e espanhol nas províncias ao sul. Nunca houve o objetivo de se pilhar o país e de enviar cidadãos que não tivessem o menor interesse em estabelecer e  aprimorar às instituições da nova colônia inglesa. Na verdade, os Estados Unidos contaram um pouco com a sorte porque os peregrinos ( os puritanos expulsos da Inglaterra) não tinham o objetivo de retornarem à metrópole, dessa forma, o que restava a fazer era criar uma nova civilização que fosse original, independente e com leis estáveis. Para quem já leu a Ética protestante e o Espírito do Capitalismo, um resumo da mentalidade puritana é desnecessário, mas creio ser preciso enfatizar a busca dessa seita religiosa pela educação, por um capitalismo ético e pelo respeito à lei.


Se nas colônias ibéricas nunca existiu a crença de que a educação fosse para todos, na nova colônia americana a educação e a propagação de escolas e universidades eram quase que artigo de fé. É de impressionar a religiosidade de seus primeiros imigrantes e seu estranho fundamentalismo baseado no antigo testamento, mas que para a sorte da futura nação americana, nunca foi aplicado na prática.


Outro aspecto que devemos estudar é o lugar que os magistrados ocupavam na sociedade. Como percebeu Tocqueville, quando acontecia algum crime como um assassinato ou um leve desvio da lei por algum cidadão, era como se tivesse ocorrido um crime contra toda a nação, de forma que toda a comunidade se unia para capturar o criminoso e julgá-lo. Isso pode ser observado ainda hoje naquele país.



Tocqueville acredita que uma importante diferença da jovem nação americana para os países europeus é que os americanos praticavam uma centralização governamental e uma descentralização administrativa, enquanto os Estados europeus como a França, praticavam tanto a centralização governamental quanto a administrativa. Tocqueville defende   o modelo americano e faz um longo estudo sobre a comuna nesse país que concedia grande liberdade para as cidades e Estados da federação.



Dentro desse excelente livro, o autor ainda destacou algumas crenças que produziram a força da América e também suas fraquezas, como a paixão pela liberdade de imprensa e a livre circulação dos jornais; um clero esclarecido e que tinha como princípio o respeito pela separação da esfera religiosa do poder civil; funcionários públicos respeitados por uma população que os vigiava e cobrava eficiência, de forma que o funcionalismo público na América não buscava vantagens pessoais ou “estabilidade”, mas que tinha consciência dos seus deveres e obrigações.


Quanto à questão da tirania da maioria, Tocqueville foi profético da mesma forma que foi quanto à questão da futura guerra civil americana. Alguns podem se perguntar:  em relação aos direitos das minorias, não seria o caso que a democracia exerceria uma opressão quanto a esses grupos? A história demonstrou que não. As minorias se organizando em pequenos grupos que no início só aparentemente eram revolucionários, conseguiram alcançar o poder pela conquista da maioria da opinião pública, que nas democracias é o verdadeiro deus a ser adorado.



O estudo de Tocqueville sobre as populações indígenas e negras nos Estados Unidos como algo bastante original. O indígena, como o autor previu, foi quase exterminado, porque ao contrário do escravo negro, possuía um orgulho de se achar superior aos brancos, de maneira que nunca esteve disposto a se integrar na sociedade americana e a adotar os meios de produção dos homens brancos, como a agricultura, a organização religiosa e a indústria. Os negros fizeram exatamente o oposto dos indígenas, porque desde o início adotaram as práticas das populações europeias, mas sempre sofreram porque mesmo tentando ser como os  europeus, nunca foram vistos pelos brancos como seres humanos iguais àqueles.



Na segunda parte do livro escrita cinco anos depois da primeira, Tocqueville faz um estudo mais amplo a respeito da democracia, incluindo suas opiniões sobre o estado das artes e da ciência, como a poesia, o teatro e a filosofia sob um governo democrático em comparação com um governo aristocrático. Certas passagens na segunda parte reforçam as observações feitas pelo autor no primeiro livro, como o espírito democrático das várias seitas religiosas do país, a fé que os americanos demonstram pela liberdade de imprensa e a livre circulação dos jornais, e Tocqueville ainda acrescenta algo importante: a liberdade das mulheres que vivem na democracia americana. Essa parte é interessante porque o autor demonstra a educação e a autoconfiança das mulheres americanas.


Quase no final do livro existe uma previsão errônea do autor e também um grande acerto dele. O erro de Tocqueville foi de achar que a era das revoluções estava chegando ao fim por causa da crescente onda democrática do século XIX. Quem conhece a história sabe que desde 1848, na chamada primavera dos povos, até hoje em dia, as revoluções sucedem umas às outras. A grande previsão de Tocqueville que se confirmou foi a que se a revolução e a guerra tomassem conta dos Estados Unidos seria pelo fato do norte ser industrial e o sul escravagista.




16)- Os Intelectuais e a Sociedade  (Thomas Sowell) Este é um estudo sobre o grande peso que têm os intelectuais, cujas atividades afetam sobejamente, como classe organizada, as sociedades modernas, moldando o clima de opinião pública de forma decisiva, sob cuja influência são desenvolvidas as políticas oficiais sobre as mais variadas questões, abarcando os campos da economia, do direito, da guerra e da paz. No livro “Os Intelectuais e a Sociedade”, o economista americano Thomas Sowell reflete sobre a maneira como os formadores de opinião se relacionam com o mundo. Para isso, o autor analisa as interferências e respectivas consequências das atividades intelectuais na história recente. De acordo com o economista, por meio do poder que possuem de alterar o clima da opinião pública com suas falas, os intelectuais, como classe, são capazes de influenciar e sujeitar até os governantes e suas decisões. Assim, conseguem interferir nos mais diversos campos como o direito, a saúde, a economia e até em questões nevrálgicas como a guerra.


No entanto, alerta Sowell, as intervenções destes “opinadores” foram desastrosas e trouxeram muito mais prejuízos do que conquistas para a sociedade na maior parte das vezes. Para piorar o cenário, o pensador aponta certa tendência do grupo de persistir com ideias que já se provaram equivocadas, apenas reciclando-as. Com suas reflexões e análises, “Os Intelectuais e a Sociedade” pretende oferecer um olhar critico sobre a maneira como os intelectuais intervêm no mundo como conhecemos, nem sempre da forma mais produtiva e proveitosa.


Sobre o autor Thomas Sowell: Um dos mais influentes economistas americanos em atividade, é um destacado defensor da economia de mercado. Graduou-se em Harvard, obteve o título de mestre na Universidade de Columbia e o de doutor na Universidade de Chicago. Como intelectual público, ganhou notoriedade por, sendo negro, opor-se a ações afirmativas como cotas raciais. Escreveu mais de 30 livros e lecionou em Cornell, California, UCLA, Stanford, entre outras universidades. Colabora com The Wall Street Journal e as revistas Forbes e Fortune.


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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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