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O que é essencial da fé Cristã que pode unir Católicos e Protestantes? E o que não é importante ?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 14 de novembro de 2015 | 18:29








A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), tem os bispos e o Papa apenas como guardiões e transmissores, credenciados por Cristo, do depósito sagrado que receberam dos Apóstolos ( Conf. I Tim 3,15). Portanto, a fé da Igreja é simplesmente a fé dos Apóstolos; a Palavra que os seus bispos anunciam, há de ser aquela que os Apóstolos ensinaram por primeiro. Não se criam novos dogmas mas explicita-se o que está contido no depósito sagrado ou no tesouro “do qual se tiram coisas novas e velhas” (Mateus 13,52). A autoridade dos bispos, assim entendida, pode manter viva a Palavra que os Apóstolos trouxeram à Igreja primitiva, com uma vida tão pujante quanto a tinha naquele tempo.Ademais, no tocante a Pedro em particular, pode-se observar o seguinte: se Cristo o constituiu fundamento visível da sua Igreja (Mateus 16,16-19) e se a Igreja deve perdurar indefinidamente, apesar das investidas adversárias, é lógico que o fundamento de Pedro deverá perdurar em seus sucessores; em caso contrário, o edifício, sem fundamento, cairia por terra.







Podemos constatar que através de toda a história da Igreja, jamais e em documento algum aparece a idéia de que a autoridade, após os Apóstolos, passou a residir unicamente nos Livros Sagrados, até mesmo porque eles só foram escritos tempos depois de serem vividos. Todos os dizeres dos doutores e escritores primitivos professam que a verdade do Evangelho continua presente na Igreja por uma tradição viva, que passou do Pai a Cristo, de Cristo aos Apóstolos, dos Apóstolos aos seus primeiros sucessores, e depois de bispo para bispo, iluminando os escritos sagrados que procederam dessa Tradição Oral.



Os católicos observam que, a partir da própria Sagrada Escritura, tão cara aos protestantes, se pode demonstrar a necessidade e a existência real da Igreja com seu magistério assistido por Cristo. E que se os reformadores fossem coerentes consigo mesmos, não teriam abandonado a Igreja fundada por Cristo para garantir a incolumidade da Palavra; dizendo “não” à Igreja, expuseram as Escrituras à perda de sua vitalidade e ao arbítrio dos homens. Em suma, se os reformadores fossem, segundo a ICAR, conseqüentes consigo mesmos, continuariam católicos. 




Das páginas de qualquer cartilhinha de escola dominical, lemos: “Os Sacramentos são os 7 ritos pelos quais a graça do Pai, feita presente em Cristo e na Igreja, é aplicada a cada indivíduo desde o nascer até a morte“. Para os católicos, ser cristão não é apenas ser discípulo de Jesus, mas é ser “ramo do tronco de videira” (João 15,1-5) e membro do Corpo de Cristo (1Cor 12,12-27), isso significa: comungar com a vida mesma do Tronco ou da Cabeça.Com a vida de Cristo em e por Cristo Cristo, comungar com a vida do Pai, pela Graça do Espírito Santo.




Já no Protestantismo, a maneira como os católicos entendem os sacramentos é absolutamente rejeitada. Aliás, os protestantes guardaram apenas o do Batismo e o da Eucaristia e isto não de forma unânime, ou seja nem todas as denominações os consideram essenciais. O matrimônio no protestantismo é um contrato que o ministro ou pastor abençoa sem lhe atribuir o valor de sacramento.Mesmo em relação ao Batismo e à Santa Ceia os protestantes têm conceitos um tanto vagos: apontam a ordem explícita do Salvador, conforme dito em Mateus 28,18-20 e João 3, 3-5.



O Batismo, por exemplo, em algumas denominações protestantes, só é ministrado a jovens e adultos que “se tenham convertido”; é um testemunho da fé e da mudança de vida já existentes naquele que recebe o Batismo; é, portanto, mais um gesto do homem para Deus do que um gesto GRATUITO de Deus de eleição (Não fostes vós que me escolhestes, mas Eu que vos escolhi – João 15,16) de Deus em favor do homem. Os luteranos e as denominações mais antigas conservaram um conceito mais tradicional ou mais próximo do Catolicismo com relação a este sacramento.



A Santa Ceia, em caso nenhum para os protestantes é a perpetuação do sacrifício do Calvário. Lutero ainda admitiu a empanação ou a presença de Cristo dentro do pão consagrado; Calvino condicionou essa real presença à fé do comungante. Zwínglio, porém, rejeitou-a por completo. A Santa Ceia geralmente no Protestantismo é a memória ou a recordação simbólica da última refeição de Cristo, mediante a qual os crentes em sua fé e seu amor se unem a Cristo.Contradiz portanto o que Paulo ensina em I Cor 10,15-18:


“Falo isso a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que estou afirmando. Não é verdade que o cálice da bênção que abençoamos é a comunhão do sangue de Cristo? Acaso o pão que partimos não é nossa participação no Corpo de Cristo? Como há somente um pão, nós, que somos muitos, somos um só corpo, pois todos participamos de um único pão. Observai o povo de Israel: porventura os que comem dos sacrifícios não são participantes do altar?...”


Muitos perguntam por que o Protestantismo mostra-se muito diferente do Catolicismo. Realmente a piedade popular do fim da Idade Média se apegara demais às coisas ou aos sinais concretos: relíquias, medalhas e outros sacramentais eram objeto de estima por vezes excessiva, ao passo que o sentido da Eucaristia era menos compreendido e vivido pela piedade popular; as práticas religiosas assumiam caráter mecânico, desligadas que eram de uma perspectiva teológica mais profunda.



Na teologia católica, opus operatum é toda ação sagrada eficaz pela realização do próprio rito, independentemente dos méritos daquele que a efetua.



Assim são os sete sacramentos: algo de objetivo através deles se processa, desde que os sinais sagrados (água, pão, vinho, óleo e palavras) sejam aplicados aos fiéis por um ministro devidamente instituído, mesmo que este NÃO TENHA as qualidades morais desejáveis; pois, em tais casos, é Cristo quem opera os efeitos de santificação mediante o ministro, que é mero instrumento. É sempre Cristo quem batiza, quem consagra o pão e o vinho no seu corpo e no seu sangue, quem absolve os pecados.Por isto é que num hospital, quando uma criança está para morrer sem Batismo, qualquer pessoa (mesmo um ateu!) pode batizá-la, desde que tenha a intenção de fazer o que Cristo e a Igreja fazem no caso, e aplique água natural com as palavras: “Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Assim, os sete sacramentos não são obra nossa, mas obra de Deus nas mãos dos homens; são os mais belos dons da misericórdia divina. Os Reformadores, entretanto, não aceitam este conceito.


O que temos então no final das contas de essencial que une Católicos e Protestantes em uma só fé e esperança Cristã ?


Temos duas doutrinas baseadas no mesmo Princípio Criador: Deus, as mesmas bem-aventuranças e mesmo emissário de salvação e libertação do Pecado: Jesus Cristo. Mas, as semelhanças terminam aí. Cada vertente, do Catolicismo Ortodoxo até o Catolicismo Apostólico, dos Protestantes “Clássicos” aos “Modernos”, estes últimos entre si, e todos os anteriores, em contraposição um ao outro, NUNCA chegaram a um denominador comum, onde entram Intrigas, poder, doutrinas, dinheiro, controle das massas e autoridade legítima. É nisso em que sempre se baseou as divisões nas vertentes cristãs. Nada mais, nada menos.



O que tem sido confiado nas mãos da igreja é propriedade exclusiva da igreja; este testemunho e estas coisas não se encontram a não ser na igreja. Fora da igreja, estas coisas não são compreendidas, e até pior, são atacadas, e às vezes ferozmente, porque são incompreensíveis para quem não professa a fé Cristã.




Por isso, Satanás combate o que é próprio da igreja; às vezes abertamente – quando o faz pelo lado do ateísmo, do engano ou da incredulidade. Mas, às vezes se infiltra para combater o que é essencial, que foi confiado à igreja, de maneira ardilosa, por meio de heresias, de confusões, para tratar de invalidar o que nos tem sido confiado de forma Comum e que nos é essencial.As «coisas» essenciais não se encontram em outros monoteísmos; nem sequer no próprio monoteísmo judaico, se ficarmos somente no nível do Antigo Testamento. Certamente todo o Antigo Testamento é revelação de Deus, revelação verdadeira. O que está nele, desde Gênesis até Malaquias, é tudo de Deus; só que requeria ser cumprido e ser completado no Novo Testamento.



E por isso, de forma triste, temos que dizer que, inclusive o povo de Israel, que foi povo de Deus, realmente escolhido por Deus para um primeiro testemunho, uma primeira parte do testemunho, ou seja, até o próprio monoteísmo judaico por permissão providencial de Deus ficou míope para que nós tivéssemos acesso a UNIVERSALIDADE DA SALVAÇÃO:



Romanos 11,13-15.29-32 faz parte de um complexo maior que compreende os caps. 9-11 e trata da infidelidade de Israel e da misericórdia de Deus. A pergunta que move o apóstolo nesses três capítulos é: diante da incredulidade de Israel, poderá Deus ainda ser considerado fiel à sua promessa de libertar e salvar o seu povo? O cap. 11 responde: a incredulidade de Israel é temporária; quando chegar a plenitude dos gentios, todo o Israel será salvo (11,26).Dentro dessa temática geral, os dois trechos do texto poderiam ser assim intitulados:




Rom 11,13-15: O ministério aos gentios e a salvação de judeus.



Rom 11,29-32: Deus salva tanto judeus quanto gentios pela sua misericórdia.


Versículos de 13-15: Nestes versículos, o apóstolo dirige-se diretamente aos gentios da comunidade. O que ele afirma aos mesmos é que o seu ministério aos gentios na verdade quer ser, simultaneamente, um ministério aos judeus. De que maneira? Paulo responde afirmando que com a conversão dos gentios ele procura provocar ciúmes nos judeus, na esperança de salvar alguns deles. O ciúme provocado pelo ministério de Paulo aos gentios pode ser explicado da seguinte maneira: os gentios reconhecem em Jesus o Messias (= Ungido) prometido aos judeus e forniam o povo que o reverencia como seu Redentor. Nos gentios que aderem à fé cumpre-se, pois, a promessa outrora feita por Deus a Israel. Os cristãos passam a tomar parte das bênçãos do povo messiânico. Nesse sentido, podem provocar ciúmes em judeus e levá-los a uma conversão, a fim de não serem excluídos ou se excluírem da salvação oferecida.



Enquanto que no v. 14 o apóstolo vislumbra a possibilidade de provocar ciúmes e salvar alguns para a fé em Cristo, o v. 15 é escrito a partir de uma perspectiva mais abrangente. Agora se contrapõe a incredulidade dos judeus como povo à sua reintegração aos que crêem. Para o apóstolo, a rejeição do Messias pelo povo judeu foi providencial, uma vez que oportunizou o acesso dos pagãos à salvação. A rejeição de Cristo pelos judeus, no entanto, não é definitiva para Paulo. Ele acredita numa futura reintegração dos judeus ao povo messiânico. Esse evento representará uma novidade tão grandiosa que equivale à vida dentre os mortos. O sentido é que, como descrentes, os judeus podem ser comparados a mortos para a fé em Cristo. A passagem da incredulidade para a fé equivale à passagem de um estado de morte para outro de vida.



Versículos de 29-32: Paulo perguntara em 3.3, referindo-se aos judeus: E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? Agora, em 11,29, ele reitera sua convicção: Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. O apóstolo não pode imaginar Deus sendo infiel às suas próprias promessas. A consequência é que os judeus, mesmo que temporariamente desobedientes, não podem ser rejeitados por Deus para sempre. A convicção de Paulo é, pois, que os mesmos serão salvos. O motivo dado é o mesmo que justificara a salvação dos gentios: Deus usa e usará de misericórdia para com todos.



Dados um pouco mais concretos sobre essa salvação reservada aos judeus encontram-se em Rom 11,12-25. Paulo refere-se a uma salvação destinada à plenitude dos judeus (11,12), ou a todo o Israel, como se expressa em 11,25. Ambas as expressões significam a totalidade do povo eleito e sinalizam que a salvação de Deus não constitui uma grandeza meramente individual, mas sim corporativa e social, que, a partir da fé em Jesus, visa sanar e purificar tudo o que destrói a vivência da solidariedade entre a humanidade. Para Paulo, essa salvação só virá depois que haja entrado a plenitude dos gentios (11,25).


Versículos de 29-32 afirmam o que, com outras palavras, já havia sido dito em 1.18-3.20, ou seja, que tanto judeus quanto gentios foram desobedientes, tendo sido agraciados com a misericórdia divina. Como, porém, a misericórdia de Deus é mediada através da fé e a maioria dos judeus permanece incrédula, o apóstolo afirma que a misericórdia de Deus para os judeus haverá de manifestar-se unicamente no futuro. Paulo não vê nisto nenhuma tragédia, mas crê que o próprio Deus aproveita a incredulidade momentânea dos judeus para uma finalidade positiva, qual seja, a de oportunizar aos gentios o acesso à salvação.




Interessante notar que o demônio foi tão ardiloso com o Islã, que lhes deixou o mais que pode a respeito de Jesus Cristo no Alcorão, mas lhes tirou o coração. Eles chegaram a crer inclusive que Jesus é o filho, não o Filho de Deus, mas nascido da virgem Maria. Os muçulmanos chegam a reconhecer certos títulos a Jesus, embora lastimosamente sem entender o que significam. E por isso, por outro lado, negam o conteúdo desses títulos.A ascensão de Jesus é reconhecida pelo Islã; mas eles pensam em sua ascensão como nós podemos pensar no desaparecimento de Enoque, que caminhou com Deus e Deus o levou, ou Elias, que foi arrebatado ao céu em um carro de fogo. Assim, eles falam de Jesus como um profeta que foi para o céu, da mesma maneira que foi Enoque e Elias. Mas, segundo eles, devem retornar para morrer, porque não aceitam que Jesus é o Filho de Deus que morreu por nossos pecados na cruz. O inimigo lhes deixou quase tudo o que servia para que eles cressem que estavam com Deus, mas tirou-lhes a essência, a identidade do Senhor Jesus e o essencial da obra do Senhor e do evangelho. Para eles, a pior blasfêmia que os seus ouvidos podem ouvir é que Jesus é o Filho de Deus.



Mas para todos aquele que carregam o nome de Cristãos, tanto Católicos, protestantes e Ortodoxos, ao contrário, a grandeza é que Deus tem um Filho unigênito, que é o Filho de Deus, o Senhor Jesus. E o essencial da obra do Senhor Jesus não são os seus milagres.



O que a igreja possui, nem o meio acadêmico, nem a filosofia possuem. O que foi confiado à igreja é exclusivo; não está nas mãos do judaísmo nem do Islã, nem das outras religiões panteístas ou politeístas, nem nas mãos da ciência, nem da filosofia, nem da academia, nem de nenhuma ideologia. É testemunho exclusivo da igreja. Por isso, a igreja precisa conhecer esses elementos vitais do depósito de Deus, do testemunho da igreja, que Deus quer dar através da igreja e sua Palavra, a todo mundo.



O que são estas “Coisas” essenciais e coisas periféricas na Igreja ?



O que Deus revela à igreja, ele quer que todo mundo o tenha. Deus, com toda sinceridade, quer que todos os homens sejam salvos e venham ao pleno conhecimento da verdade. Mas os homens não querem. Muitos foram enganados, não crêem e se opõem. A igreja deve identificar os itens fundamentais do depósito que lhe foi confiado; porque às vezes nos perdemos em debates, acusações e excomunhões mútuas em assuntos periféricos e não distinguimos as coisas essenciais. E nisso, também o diabo tem ganho uma partida para os cristãos, em nos pôr a brigar uns com os outros a respeito das coisas periféricas, questões menores, que não são as essenciais à nossa Salvação.Agora, a própria palavra do Senhor nos ensina que, a respeito das coisas essenciais, devemos ser muito sérios e cuidadosos, e que devemos ser tolerantes a respeito das coisas periféricas.



O mesmo verbo «contender», pelo menos na tradução Reina-Valera, é usado de duas maneiras. Em Romanos, capítulo 14, o apóstolo Paulo diz: «…para não contender a respeito de opiniões porque um crê que de tudo se pode comer; outro que é fraco só come legumes; um faz caso do dia, outro julga iguais todos os dias». E o apóstolo nos diz que devemos receber inclusive o fraco na fé. Mas já está na fé, no essencial da fé. «Recebamos ao fraco na fé, sem contender sobre opiniões, porque Deus vai julgar a cada um». Deus conhece as intenções de cada um.



Mas o mesmo verbo «contender» é utilizado de maneira contrária, mas pelo mesmo Espírito Santo, o apóstolo Judas, parente de nosso Senhor Jesus e de Tiago. E assim como Paulo diz: «...para não contender sobre opiniões», Judas diz: «...contendais ardentemente pela fé que uma vez por todas foi dada aos santos». Então, anteriormente nos detivemos um pouquinho em enfatizar a existência daquilo que se chama «a fé que uma vez por todas foi dada aos santos», pela qual o Espírito Santo, através do apóstolo Judas, diz-nos para contender ardentemente, enquanto o apóstolo Paulo nos diz «quanto a opiniões, para não contender». Não contender a respeito de opiniões; mas, contender abertamente pela fé.



Ou seja, há uma diferença entre o que são coisas fundamentais, e vamos dizer, correspondem à essência da revelação divina e do evangelho, e as coisas que já dentro da fé permite pela amplitude de liberdade que têm os filhos de Deus, de pesquisar, de investigar, já dentro do fundamental, algumas coisas, e se formam escolas de opinião, mas estando todos na mesma base comum.




Então, temos que aprender a fazer diferença entre o que é fundamental, aquilo no qual os apóstolos nos chamam a atenção. Por um lado, Paulo nos diz, para receber aquele que o Senhor recebeu. E por outro lado, João nos diz, para não receber nem chamar bem-vindas a determinadas pessoas que estão dizendo determinadas coisas a respeito de Deus e de Jesus.



Não podemos confundir o que é essencial a Salvação com o que é periférico:



E o inimigo é muito ardiloso; ele quer chamar periférico e irrelevante ao que é extremamente sério, e por outro lado, quer que nós coemos os mosquitos, e quer que nós engulamos os camelos. Então, o Senhor tem que corrigir a ordem de prioridades em nossas consciências, nos ajudar a distinguir os assuntos fundamentais; porque esses não são só assuntos; são as palavras ensinadas pelo Espírito a respeito da administração de Deus.



As verdades fundamentais, ou dogmas essenciais da fé Cristã:


A palavra DOGMA possivelmente em nossa tradução da Bíblia não a encontramos, e por isso não nos parece bíblica. A palavra «dogma» é uma palavra bíblica; só que aparece traduzida de outras maneiras nas Escrituras, e por isso diante de uma tradução às vezes inadvertida, corremos o risco de tirar-lhe a importância.



Quando houve, em Jerusalém, o concílio apostólico, em Atos 15, não estava tratando somente de questões judaicas, não estava tratando somente de assuntos periféricos, embora eles estavessem implicados. O que estava sendo tratado era nada menos que a essência do evangelho. Somos salvos por fé, por graça, ou a salvação depende das obras da lei e ou da fé? e da circuncisão? Não era só se podíamos comer galinha ou gavião não.



Às vezes pensamos que o concílio de Jerusalém se ocupou tão somente de banalidades. Não, o tema era outro; o assunto era nada menos que a essência do evangelho.Quando eles chegaram a uma conclusão, vocês recordam o que diz ali?


«Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não lhes impor nenhuma outra coisa necessária…». E escreveram aquela carta, e a enviaram junto a alguns delegados deles os apóstolos Barnabé e Paulo, e acrescentaram a Silvano e a Judas Barsabás, para que também eles, com palavras, explicassem nas igrejas o sentido daquela carta.



E então a tradução literal é que os apóstolos foram pelas igrejas e lhes entregavam as ordenanças que os apóstolos tinham acordado, e as igrejas eram edificadas, etc. Essa palavra, que ali foi traduzida por  «ordenanças», no contexto dos decretos de Augusto César foi chamada «edito»; essa palavra, no original grego, é «DOGMA».



Às vezes nós, em nossa atitude anti-religiosa, nos excedemos. Está bem ser anti-religioso, ser anti-fariseu nesse sentido; mas ser antidogmático é mais delicado, diferente. A palavra de Deus fala de verdades fundamentais; nela não podemos tomar algumas coisas e as deixar, como se diz, à vontade de Deus. A palavra de Deus identifica de maneira clara e profunda algumas coisas. Por exemplo, a Palavra diz que o que não honra ao Filho como se honra ao Pai, não tem a Deus. Isso é uma coisa séria. «Quem não tem ao Filho, não tem ao Pai; quem nega o Filho, nega também o Pai». Então, todo o relativo à relação do Pai e o Filho, e quem é o Filho, são assuntos fundamentais.



Quando se tratava sobre o Filho, os apóstolos eram extremamente rigorosos. Não contemporizavam ou se acomodavam à cultura, porque isso tem que haver com o essencial da fé. Que Jesus Cristo é Deus com o Pai, isto é um dogma. Que Jesus Cristo é também Deus e homem verdadeiro é um dogma. Que a morte do Senhor Jesus na cruz é expiatória, e só na base dessa morte podemos ser salvos, é um dogma. Que a justificação é pela fé, somente por graça e não por obras da lei, é um dogma. São verdades fundamentais, que a igreja tem que aprender a distinguir e realçar e insistir constantemente nelas.


1)- A Trindade


Então, queria começar dizendo que uma primeira palavra, digamos, chave, inclusive não está na Bíblia; mas, ao que se refere, ela sim está na Bíblia, é a palavra Trindade. A primeira coisa da qual Deus falou, o tema central de Deus, junto com o restante, de onde brotam e aonde retornam todas as coisas, que lhe dá o começo e o sentido de Alfa e Ômega a todo o restante da revelação divina, é o que Deus revelou a respeito de Si mesmo. E, por isso, estamos resumindo toda essa revelação divina de Deus a respeito de Si mesmo, na palavra Trindade.



Deus é um só Deus, trino – Pai, Filho e Espírito Santo. O que tem relação com à Trindade de Deus é muito fundamental. Às vezes, nós podemos pensar que essa questão da Trindade não tem nada de prático; mas, se realmente víssemos o que significa conhecer a Deus em Trindade, aí descobriríamos que o mais prático que existe para tudo –para a vida da igreja, para a vida da família, para a saúde da sociedade–, o mais prático é conhecer a Deus em Trindade, no Espírito.É quando conhecemos a Deus, que Deus é um Deus que é amor, que o Pai é um Pai que tem um Filho e que deu ao Filho toda a plenitude, e como o Pai tem vida em si mesmo, quis que no Filho habitasse toda a plenitude, e que o Filho também tivesse vida em si mesmo, como o Pai. E quando vemos que tudo o que é do Pai é do Filho e tudo o que é do Filho é do Pai, e quando o Senhor estabelece a relação intratrinitaria como modelo e como conteúdo da igreja, aí podemos notar que este assunto da Trindade não é só uma indagação teológica de alguns medievais, ou do passado.



O Senhor Jesus disse, e claro que isso requer o maior desafio a todas as capacidades do homem, que sempre ficarão limitadas; por isso necessitamos de revelação, o Senhor Jesus disse:


«…como tu, Oh Pai, em mim e eu em ti, que eles sejam um em nós». Que frase tremenda! Sabemos de cor; mas, quando a entenderemos? «…como…» . Esse é o modelo, «…como tu em mim e eu em ti». O que significa isso? Necessitamos da revelação do Espírito Santo, para entender espiritualmente esse «como».



Como é que o Pai é no Filho, e o Filho é no Pai? «Que também eles», ou seja, a igreja, «sejam um». Fala da unidade da igreja, um tema precioso nestes tempos de divisão de igrejas; mas diz: «sejam um em nós». Esse nós da Trindade, esse nós do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nada mais prático, de resultados mais práticos para a vida da igreja, que ter uma revelação de Deus em Trindade, conhecer a Deus em sua Trindade.



O conceito Trinitário, mais que meramente teológico é extremamente prático também para a família. De onde o marido vai aprender? De onde se aprendem as relações fiéis, as relações justas, as relações suaves, cheias de amor, realizadoras do outro? Onde vamos aprendê-las, se não conhecermos a Deus em Trindade? Como uma sociedade vai aprender justiça, vai aprender solidariedade, vai aprender misericórdia, se não tiver cristãos que conheçam a Deus na Trindade?



Então, amados, o ‘assunto’ da Trindade não é um assunto medieval ou bizantino, ou somente teológico. Os apóstolos falaram disso. Muita porção da Palavra de Deus se dedica a nos dizer o que Deus é e como ele é. Deus é um Deus que quis revelar-se, como já enfatizamos, e que quis dar-se.



E nesse revelar-se é que nos damos conta –a igreja– que Deus é trino, depois que o irmão Tertuliano do século II cunhou a palavra trinitas. Isso não quer dizer que Tertuliano inventou a trindade. Não, a palavra trinitas ele aplicou à Trindade, à Trindade da Bíblia.( O mesmo vale para os dogmas, sobre o Céu, inferno e Purgatório, etc...Eles não passaram a existir, ou foram criados pelos dogmas, mas já existiam, a Igreja apenas os esclareceu a toda Igreja de forma definitiva e irrevogável).



Há outro irmão que falou maravilhas da Trindade na igreja primitiva, e nunca mencionou a palavra Trindade. Hoje, no seu livro puseram o título A Trindade, mas quando ele escreveu não o chamou assim. Era um irmão chamado Novaciano, também entre o século II e o III, um dos livros da igreja primitiva mais preciosos a respeito da Trindade.



Mas Tertuliano quando o seguimos atentamente, está falando o que a Bíblia fala de Deus. Então, na divindade, o Pai é Deus. Bem, isso foi muito difícil dento do contexto Monoteísta Judaico, assim como aplicar a Deus a palavra Pai foi muito difícil para o Islã. Israel, pelo menos, a aplica em um sentido mais suave, porque o próprio Deus se apresentava como um pai a Israel; às vezes, também como um marido. Assim, quanto à divindade do Pai, não houve maior problema dentro do contexto monoteísta.


Mas a própria confissão da igreja é a divindade do Filho junto com a do Pai. O Filho é Deus com o Pai. Que, antes da fundação do mundo, o Verbo estava com Deus e era Deus, e todas as coisas foram feitas por meio dele e que sem ele nada do que foi feito se fez. Que o Filho é Deus com o Pai - essa é a própria confissão da igreja. É a igreja que sustenta a confissão da divindade do Filho de Deus.Houve épocas onde isto foi combatido terrivelmente. Antes, durante e depois do concílio de Nicéia, onde se proclamou abertamente a divindade do Filho, houve ataques imperiais, teológicos, confusões de dentro, repressões de fora.


Nosso irmão Atanásio de Alexandria, que foi um baluarte na época para confessar o que a igreja confessa a respeito da divindade do Filho, teve que sair cinco vezes exilado, teve que esconder-se entre os monges do deserto e escrever cartas escondidas aos irmãos, porque Satanás estava tratando de apagar essa grande verdade do coração da igreja: o Filho de Deus é Deus com o Pai, e aquele que não honra o Filho como o Pai, também não tem o Pai.





Em tempos de ambigüidade e astúcia, Satanás se esconde, mas o Espírito Santo discerne; o Espírito Santo foi chamado para que abra os olhos da igreja. E a serpente apresenta outro Jesus, outro evangelho e outro espírito. E Paulo diz aos santos, lá em Corinto: «Mas temo que vocês estejam tolerando em demasia. Vem alguém apresentando a outro Jesus, outro espírito, outro evangelho e vocês o toleram».



Como vocês vão tolerar se lhes falam de outro Jesus, se a serpente quer distorcer a verdade sobre o Senhor Jesus? Primeiro, quanto a Sua divindade ou a Sua humanidade, ou quanto à relação de Sua divindade e Sua humanidade, ou na relação do Filho com o Pai ou a Sua relação conosco, Satanás sempre procurou apresentar outro Jesus, e hoje as livrarias estão cheias de apócrifos. Hoje em dia os apócrifos estão em moda. Há pessoas que não lêem a Bíblia, mas leem toda literatura apócrifa e pagã como se fosse o verdadeiro evangelho de Cristo.



Então, tudo o que é relacionado com à Trindade, o que a Palavra diz a respeito dela, é item fundamental do testemunho da igreja.A igreja tem que confessar a divindade do Filho junto com o Pai, tem que confessar a divindade do Espírito Santo junto com a do Filho e do Pai. São Pedro diz que mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus. Como o Espírito de Deus não vai ser divino? Como Deus pode ter um Espírito que seja algo menos que divino? Como que o próprio Espírito de Deus também não vai ser Deus?



2)- A Encarnação do Verbo (Deus se fez Carne):



O segundo segundo DOGMA essencial, assim como o primeira que é A Trindade, o segundo grande dogma que tem sido confiado à igreja, a verdade fundamental da revelação guardada pela Igreja, é a encarnação do Verbo de Deus.O primeiro grande espetáculo –porque não existe no universo outro maior é a Trindade. O segundo grande capítulo, a segunda cena, o segundo grande espetáculo, é a encarnação.



O Verbo de Deus, o Verbo que estava com o Pai e era com Deus e era Deus, por meio de quem Deus fez todas as coisas, que estava com o Pai antes da fundação do mundo, que compartilhava com o Pai a glória, sendo o próprio resplendor dela, o Filho, que disse: «Pai glorifica-me tu, ao teu lado, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse»; o que disse: «Antes que Abraão existisse, eu sou»; ele, aquele Verbo, se fez carne, se fez um homem semelhante a nós, tentado em tudo conforme a nossa semelhança, com espírito humano, com alma humana, com corpo humano, perfeitamente humano, um homem verdadeiro como você e eu. Porque, se não fosse um homem, como iria te redimir, como iria pagar o preço pelos homens e como iria realizar a nossa humanidade, se ele não a assumiu?




Mas ele disse: «Pai por eles, a mim mesmo me santifico». Ou seja, ele se vestiu de nossa humanidade, para conduzir a nossa humanidade à estatura de varão perfeito, realizar as possibilidades da humanidade em sua própria encarnação, para em seguida converter-se no pão da vida. «O pão que eu darei é a minha carne. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu lhe ressuscitarei no último dia». Mas, se ele não se fez homem, se foi só um fantasma, como diziam os docetistas, ou alguma lenda ou mito, como estão dizendo hoje os modernos, ou estão querendo fazer diferenças entre o Jesus histórico e o Cristo da fé, sem confessar que Jesus é o Cristo; irmãos, sem essa grande verdade,se destrói a fé Cristã em seu fundamento essencial.



A segunda grande verdade da igreja, pela qual a igreja é igreja, e pela qual e para a qual a igreja vive, é que o Filho de Deus, o Verbo que estava com o Pai, fez-se homem, semelhante a nós em tudo. Cresceu como crescem os homens, porque ele, como Deus, não tem que crescer; ele, como Deus não tem nada que aprender. Mas, como homem, ele cresceu em estatura, cresceu em graça, cresceu em sabedoria diante de Deus e dos homens, e pelo que padeceu, aprendeu a obediência, e foi tentado em tudo conforme a nossa semelhança, mas sem pecado.



«Quem não confessa que Jesus Cristo é vindo em carne», diz João, «esse é o espírito do anticristo, do qual vós ouvistes que vem, e já tem saído muitos anticristos». O anticristo final é um personagem; mas anticristos, no plural, diz João que há muitos espíritos de anticristo, que não confessam que Jesus Cristo é vindo em carne.Os falsos cristos de hoje, desencarnam o Senhor Jesus, despacham a encarnação, porque eles pretendem dizer: ‘Bom, aquele Verbo, aquele Cristo, só é chamado de Cristo a unção que estava nesse homem, Jesus’, sem confessar que Jesus é o próprio Cristo, mas eles dizem: ‘Não, não! Porque é como um AVATAR’, eles dizem, ‘veio sobre um e agora vem sobre outro; mas é o mesmo’.



O Senhor Jesus ressuscitou como homem. «Um espírito não tem carne nem ossos, como vêem que eu tenho. Têm algo de comer? Venham, comamos juntos». E comeu. «Tomam, vêem, ponha aqui o seu dedo, ponha aqui a sua mão».«O que os nossos olhos viram, e os nossos ouvidos ouviram, e as nossas mãos apalparam referente ao Verbo da vida». Eles deram testemunho do Senhor Jesus Cristo em carne, como homem, depois da ressurreição. Não só espírito. E subiu à vista deles, e os anjos disseram: «Este mesmo Jesus…».



Por que são enganados? Muitos serão enganados, porque não conhecem a verdade. Dizem que os maiores especialistas nos dólares falsos são os que conhecem os dólares verdadeiros. Eles conhecem os verdadeiros, e quando vem um meio estranho, embora nunca tenha estudado a respeito desses outros, ao compará-lo com o verdadeiro, se dão conta que o outro é falso.



Jesus Cristo como homem, foi provado em tudo; como homem, ele venceu as provações; como homem, ele venceu a Satanás. Por isso, Satanás, quando aparecia nas sinagogas, estava disposto a confessar que Jesus era o Santo de Deus, o Filho de Deus. Mas não queria dizer que veio em carne, porque foi em carne que Jesus o venceu; em sua carne, o Senhor condenou o pecado; em sua carne, como homem, foi que Jesus venceu a Satanás. Essa é a grande verdade da igreja. Não há outra vida que viveu como a vida do Senhor Jesus. Esse é o testemunho da igreja. A encarnação é um segundo ponto essencial da fé Cristã.



3) - A Expiação



Um terceiro dogma essencial é a expiação. No coração do testemunho da igreja está a morte expiatória por nossos pecados, do Filho de Deus, que chegou também a ser o Filho do Homem. Deus quando Verbo, homem quando se encarnou, assumindo integralmente a nossa natureza humana, só que sem pecado. E, logo depois de ser seriamente provado, e tendo vencido, tendo recebido do Pai a aprovação, no batismo, no monte da transfiguração e na ressurreição, Deus demonstrou que esse é seu Filho amado. «Este é meu Filho amado no qual tenho contentamento, a ele ouvi».



Deus o vindicou como Filho de Deus na ressurreição, depois de morrer uma morte expiatória. A expiação é grande tema central das escrituras velho e neotestamentárias, portanto, é matéria relevante e essencial à Salvação.



Quando você vê o tabernáculo, o que estava no Lugar Santíssimo, no centro do Lugar Santíssimo, era a arca do testemunho, e ainda por cima, o propiciatório. Do que ela nos fala? Da pessoa e obra fundamental do Senhor Jesus. O ouro por dentro e por fora da arca, e a madeira da arca, fala-nos da pessoa divina e humana do Senhor Jesus. O ouro, por dentro, fala-nos de sua identidade eterna como Filho de Deus; porque o ouro representa a natureza divina. E ele, antes da fundação do mundo, estava com o Pai, e portanto, dentro da arca. A sua identidade mais íntima é a de Filho de Deus.



Há um homem, um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem; que viveu, morreu, ressuscitou e ao mesmo tempo glorificado para nossa Salvação. Em cima da arca, estava o propiciatório, onde se fazia propiciação ou expiação, onde se derramava o sangue do cordeiro. 



Essas são as três primeiras grandes verdades dogmáticas da igreja:


1)- Jesus como Filho de Deus, divino como o Pai, segunda pessoa da Trindade divina.


2)-Feito homem, provado em tudo, mas sem pecado.


3)- Glorioso, e morto na cruz por nossos pecados.


Quando o apóstolo Paulo recordava à igreja em Corinto, os primórdios do evangelho, ele lhes diz: «Declaro-vos, irmãos, o evangelho que vos preguei, no qual recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se é que não crestes em vão». Então, Paulo lhes diz: «Declaro-vos este evangelho…». E começa a declarar a essência do evangelho. Fundamento; não há outro fundamento. E a primeira palavra que diz é: «Cristo». E a segunda palavra diz: «morreu por nossos pecados, conforme as Escrituras e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras e apareceu…».Paulo diz que essa é a essência do evangelho; a primeira coisa que ele ensinou. Esse era o fundamento que ele, como perito arquiteto, colocava na igreja. Cada irmão deve estar fundamentado sobre esse fundamento: Quem é o Filho de Deus, a sua pessoa divina e humana, e primeiramente a sua morte expiatória. Então, agora sim vem a ressurreição, agora sim vem a ascensão.


4)- A justificação pela fé e já não mais pelas OBRAS DA LEI:



Então de sua morte e da expiação, deriva-se outra grande verdade que é a justificação pela fé e obras da fé as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nela, conforme foi assinado acordo entre Católicos e Luteranos baseados na passagem abaixo depois de séculos de embates teológicos:



“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.”(Efésios 2,4-10)




Expiação e justificação pela fé e obras da fé são as grandes verdades dogmáticas da igreja. Claro que também, junto com a morte, está a ressurreição. A ressurreição integral, com espírito, alma e corpo, do Senhor Jesus. Ele não ressuscitou só em espírito. Hoje em dia, alguns enfatizam que ele se tornou espírito, como se ele tivesse desaparecido como homem. Mas ele é homem, ele ressuscitou como homem. Inclusive quis conservar as cicatrizes, para que não houvesse dúvida. «De onde tem estas feridas? Com elas fui ferido na casa dos meus amigos». Ele conservou as suas cicatrizes. Ele já sabia que Tomé ia dizer isto: «Se não colocar o meu dedo em suas chagas, não vou crer». Então, conservou-as, como uma grande honra.



Aí está a essência:Você tem ressurreição, ascensão, derramamento do Espírito. Essas são grandes verdades dogmáticas essenciais, e de cada uma dessas verdades, a igreja obtém imensos benefícios.



As Sete festas de Israel, como diz Paulo aos Colossenses, eram sombras de Cristo, mostravam algum aspecto fundamental de Cristo:




1)- A páscoa mostrava a Cristo crucificado;

2)- Os ázimos, a Cristo repartido;

3)- As primícias, a Cristo ressuscitado;

4)- Pentecostes, ao Espírito de Cristo derramado;

5)- As trombetas, a Cristo anunciado, pregado aos gentios, crido no mundo, o testemunho da igreja,

6)- A festa da expiação, Cristo advogado, à mão direita do Pai, intercedendo por nós.

7)- E então, a festa final, a do reino, a das cabanas ou tabernáculos, Sucote, Cristo voltando, estabelecendo o reino do Pai.


As grandes verdades a respeito de Cristo; esse é o tema da igreja, é o gozo da igreja, é a comida da igreja. Agora sim podemos falar da igreja. Mas antes, ainda não. Até não chegar ao século XVI, o Espírito Santo não tinha enfatizado o assunto da igreja. Se você olhar para a história dos temas que o Espírito Santo enfatizou, vai notar que ele seguiu uma ordem sistemática.



O que os irmãos dos três ou quatro primeiros séculos falavam?


De muitas coisas, mas o assunto principal que o Espírito Santo os tinha embebido era: Quem é Jesus? Que relação tem Jesus com o Pai? É de outra substância ou é da mesma substância? É consubstancial ou é parecido? Isso era o que eles queriam saber, e pesquisavam as Escrituras em oração. E de repente saltavam das Escrituras as palavras do próprio Deus a respeito de seu Filho e do próprio Filho a respeito de si mesmo, e do Espírito pelos profetas e apóstolos sobre o Filho. Quem era o Filho? Esse era o tema da igreja nos primeiros quatro séculos.Depois que já tinha ficado claro que o Filho era tão Deus como o Pai, então agora o assunto era: É também homem? Como se relaciona a sua divindade e a sua humanidade? São duas naturezas na mesma pessoa, ou são duas pessoas? Ou é metade Deus e metade homem? Esses eram os assuntos deles. E se atrasaram vários séculos, até o final da época patrística. O último dos patrísticos foi João Damasceno. A cristologia era ainda o seu tema, até o século VIII.


Depois, na Idade Média, no século X, começou o assunto da expiação a ser trazido outra vez pelo Espírito Santo. Os apóstolos tinham falado de maneira clara, mas no início da Idade Média não estava bem esclarecido pela teologia por que Jesus Cristo tinha morrido. Quando lemos o Novo Testamento, é claro. Mas depois de dez anos de história da igreja, ainda um grande teólogo chamado Pedro Abelardo declarava que o Senhor Jesus morreu na cruz para nos dar exemplo de martírio, para nos dar exemplo que nós também temos que nos deixar ser morto por Deus. Será que é para isso que o Senhor Jesus morreu na cruz? Claro que isso também está incluído, mas, seria esse o ponto principal ? Hoje, há coisas que nos parecem uma loucura, tais como quando os teólogos espanhóis discutiam se os indígenas e os negros tinham alma, apesar de não esquecermos que tivemos grandes testemunhos de Santos Negros na história da Igreja.Alguém poderia pensar: meu Deus, era isto que discutíamos teólogos? Exatamente, claro que não era somente isto, mas perdia-se muito tempo nestas discussões irrelevantes. Pior ainda eram os bizantinos discutindo quantos anjos cabiam na ponta de uma agulha, ou de que cor eram os olhos da virgem Maria? Paralelo a isto esfriava-se a fé das massas.Os muçulmanos aproveitaram-se desta oportunidade histórica oferecida a eles, e acabaram por tomar e impor pela força sua religião em todo o império oriental e parte do ocidente com muita facilidade.



Realmente satanás nos distrai com as coisas desnecessárias e nos tira o essencial. Então, na Idade Média, por fim o Senhor levanta o grande Anselmo de Canterbury, que escreveu a obra por que Cristo morreu. E aí começa a trazer luz outra vez do que sempre esteve na Bíblia, mas que lhes tinha desaparecido.Por fim, começaram a pensar que ele tinha morrido para expiar os nossos pecados, e procuraram entender a expiação. Agora sim, veio a tona o grande tema da expiação, verdade fundamental da Carta de São Paulo aos Romanos. E qui vale a pena colocar o acordo Teológico entre Católicos e os Luteranos sobre este tema de natureza essencial para os Cristãos que na realidade é um desdobramento mais detalhado sobre as decisões do grande Concílio de Trento:


Declaração conjunta entre Católicos e Protestantes Luteranos Reformados sobre a DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO:




Preâmbulo



1. A doutrina da justificação teve importância central para a Reforma luterana do século XVI. Era considerada o "primeiro e principal artigo" [1] e simultaneamente "regente e juiz sobre todas as partes da doutrina cristã" [2].


A doutrina da justificação foi particularmente sustentada e defendida em sua expressão reformatória e sua relevância especial face à teologia e à Igreja católica romana de então as quais, por sua vez, sustentavam e defendiam uma doutrina da justificação com características diferentes.



Aqui, segundo a prospectiva reformatória, residia o cerne de todas as confrontações. Elas resultaram em condenações doutrinais nos escritos confessionais luteranos [3] e no Concílio de Trento da Igreja católica romana. Essas condenações vigoram até hoje e têm efeito divisor entre as Igrejas.




2. Para a tradição luterana a doutrina da justificação conservou essa relevância especial. Por isso, desde o início, ela também ocupou um lugar importante no diálogo oficial luterano-católico.




3. Remetemos em especial aos relatórios "O evangelho e a Igreja" (1972) [4] e "Igreja e justificação" (1994) [5], da Comissão Mista católica romana/evangélica luterana internacional, ao relatório "Justificação pela fé" (1983) [6], do diálogo católico-luterano nos Estados Unidos, e ao estudo "Condenações doutrinais - divisoras das Igrejas?" (1986) [7], do Grupo de Trabalho Ecumênico de teólogos evangélicos e católicos na Alemanha. Alguns destes relatórios de diálogo obtiveram recepção oficial. Exemplo importante constitui o posicionamento compromissivo emitido pela Igreja Evangélico-Luterana Unida da Alemanha, juntamente com as outras Igrejas pertencentes à Igreja Evangélica na Alemanha, com o máximo grau possível de reconhecimento eclesiástico do estudo sobre as condenações doutrinais (1994) [8].




4. Todos os relatórios de diálogo citados, bem como os posicionamentos a seu respeito, revelam em seu tratamento da doutrina da justificação, alto grau de orientação e juízos comuns. Por isso está na hora de fazer um balanço e de resumir os resultados dos diálogos sobre a justificação, de modo a informar nossas Igrejas, com a devida precisão e brevidade, sobre o resultado geral desse diálogo e de dar-lhes, ao mesmo tempo, condições de se posicionarem de modo compromissivo a respeito.




5. É isso o que pretende a presente Declaração Conjunta. Ela quer mostrar que, com base no diálogo, as Igrejas luteranas signatárias e a Igreja católica romana [9] estão agora em condições de articular uma compreensão comum de nossa justificação pela graça de Deus na féem Cristo. Esta Declaração Comum (DC) não contém tudo o que é ensinado sobre justificação em cada uma das Igrejas, mas abarca um consenso em verdades básicas da doutrina da justificação e mostra que os desdobramentos distintos ainda existentes não constituem mais motivo de condenações doutrinais.



6. Nossa DC não é uma exposição nova e independente, ao lado dos relatórios de diálogo e documentos já existentes, nem pretende, muito menos, substitui-los. Ela se reporta, antes, a esses textos e sua argumentação.




7. Assim como os próprios diálogos, também esta DC se baseia na convicção de que uma superação de questões controversas e de condenações doutrinárias até agora vigentes não minimiza as divisões e condenações nem desautoriza o passado da própria Igreja. Repousa, porém, sobre a convicção de que no decorrer da história nossas Igrejas chegam a novas percepções e de que ocorrem desdobramentos que não só lhes permitem, mas ao mesmo tempo também exigem, que as questões e condenações divisoras sejam examinadas e vistas sob uma nova luz.



1. A mensagem bíblica da justificação


8. Fomos levados a essas novas percepções por nossa maneira conjunta de escutar a palavra de Deus nas Escrituras Sagradas. Juntos ouvimos o evangelho de que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). Esta Boa Nova é exposta de diferentes maneiras nas Escrituras Sagradas. No Antigo Testamento ouvimos a palavra de Deus sobre a pecaminosidade humana (cf. Sl 51, 1-5; Dn9, 5 s.; Ecl 8, 9 s.; Esd 9, 6 s.) e sobre a desobediência humana (cf. Gn 3, 1-19; Ne 9, 16 s.26), bem como sobre a justiça (cf. Is 46, 13; 51, 5-8; 56, 1 [cf. 53, 11]; Jr 9, 24) e o juízo de Deus (cf.Ecl 12, 14; Sl 9, 5 s.; 76, 7-9).




9. No Novo Testamento os temas "justiça" e "justificação" são abordados de maneira diferenciada em Mateus (cf. 5, 10; 6, 33; 21, 32), em João (cf. 16, 8-11), na Epístola aos Hebreus (cf. 5, 13; 10, 37 s.) e na Epístola de Tiago (cf. 2, 14-26). [10] Também nas cartas paulinas o dom da salvação é descrito de diferentes modos, entre outros como "libertação para a liberdade" (Gl 5, 1-13; cf. Rm 6, 7), como "reconciliação com Deus" (2 Cor 5, 18-21; cf. Rm 5, 11), como "paz com Deus" (Rm 5, 1), como "nova criação" (2 Cor 5, 17), como "vida para Deus em Cristo Jesus" (Rm 6, 11-23) ou como "santificação  em  Cristo Jesus"  (cf.  1  Cor  1, 2; 1, 30; 2 Cor 1, 1). Salienta-se entre esses conceitos a descrição como "justificação" do pecador pela graça de Deus na fé (cf. Rm 3, 23-25), que foi destacada de maneira especial no tempo da Reforma.




10. Paulo descreve o evangelho como poder de Deus para a salvação do ser humano caído sob o poder do pecado:  como mensagem que proclama a "justiça de Deus de fé em fé" (Rm 1, 16 s.) e que presenteia a "justificação" (Rm 3, 21-31). Ele anuncia Cristo como "nossa justiça" (1 Cor 1, 30) ao aplicar ao Senhor ressuscitado o que Jeremias disse acerca do próprio Deus (cf. 23, 6). Na morte e na ressurreição de Cristo estão enraizadas todas as dimensões de sua obra redentora, porque "nosso Senhor foi entregue por causa de nossas transgressões e ressuscitou por causa de nossa justificação" (Rm 4, 25). Todos os seres humanos necessitam da justiça de Deus, "pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3, 23; cf. Rm 1, 18-3.22; 11, 32; Gl 3, 22). Nas cartas aos Gálatas (cf. 3, 6) e aos Romanos (cf. 4, 3-9) Paulo entende a fé de Abraão (cf. Gn 15, 6) como fé no Deus que justifica o pecador (cf. Rm 4, 5) e invoca o testemunho do Antigo Testamento para sublinhar seu evangelho de que aquela justiça será imputada a todos os que, como Abraão, confiam na promessa de Deus. "O justo viverá pela fé" (Hab 2, 4; cf. Gl 3, 11; Rm 1, 17). Nas cartas paulinas a justiça de Deus é simultaneamente o poder de Deus para cada crente (cf. Rm 1, 16 s.). Em Cristo ele faz com que ela seja nossa justiça (cf. 2 Cor 5, 21). Recebemos a justificação por Cristo Jesus, "a quem Deus propôs, em seu sangue, como propiciação [eficaz] mediante a fé" (Rm 3, 25; cf. 3, 21-28). "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras" (Ef 2, 8 s.).




11. Justificação é perdão dos pecados (cf. Rm 3, 23-25; At 13, 39; Lc 18, 14), libertação do poder dominante do pecado e da morte (cf. Rm 5, 12-21) e da maldição da lei (cf. Gl 3, 10-14). Ela significa acolhida na comunhão com Deus, já agora, mas de forma plena no reino vindouro de Deus (cf. Rm 5, 1 s.). Une com Cristo e sua morte e ressurreição (cf. Rm 6, 5). Acontece no recebimento do Espírito Santo no batismo como incorporação no corpo uno (cf. Rm 8, 1 s., 9 s.; 1 Cor 12, 12 s.). Tudo isso provém somente de Deus, por amor de Cristo, por graça, pela fé no "evangelho de Deus com respeito a seu Filho" (cf. Rm 1, 1-3).




12. As pessoas justificadas vivem a partir da fé que provém da palavra de Cristo (cf. Rm 10, 17) e que atua no amor (cf. Gl 5, 6), o qual é fruto do Espírito (cf. Gl 5, 22 s.). Mas, visto que poderes e ambições atribulam as pessoas crentes por fora e por dentro (cf. Rm 8, 35-39; Gl 5, 16-21) e elas caem em pecado (cf. 1 Jo 1, 8.10), precisam repetidamente ouvir as promissões de Deus, confessar seus pecados (cf. 1 Jo 1, 9), participar do corpo e do sangue de Cristo e ser exortadas a viver uma vida justa em conformidade com a vontade de Deus. Por isso o apóstolo diz às pessoas justificadas:  "Desenvolvei vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua vontade" (Fl 2, 12 s.). Permanece, porém, a Boa Nova:  "Já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8, 1) e nos quais Cristo vive (cf.Gl 2, 20). Por intermédio da obra justa de Cristo haverá justificação que dá vida para todos os seres humanos (cf. Rm 5, 18).

2. A doutrina da justificação como problema ecumênico



13. No século XVI, a interpretação e aplicação contrastantes da mensagem bíblica da justificação constituíram uma das causas principais da divisão da Igreja ocidental, o que também se expressou em condenações doutrinais. Por isso, para superar a divisão na Igreja, uma compreensão comum da justificação é fundamental e indispensável. Acolhendo resultados da pesquisa bíblica e percepções da história da teologia e dos dogmas, desenvolveu-se no diálogo ecumênico desde o Concílio Vaticano II uma nítida aproximação no que diz respeito à doutrina da justificação, de modo que a presente DC pode formular um consenso em verdades básicas da doutrina da justificação a cuja luz as correspondentes condenações doutrinais do século XVI não mais se aplicam ao parceiro de hoje.



3. A compreensão comum da justificação



14. O ouvir comum da Boa Nova proclamada nas Sagradas Escrituras e, não por último, os diálogos teológicos de anos recentes entre as Igrejas luteranas e a Igreja católica romana levaram a uma concordância na compreensão da justificação. Ela abarca um consenso nas verdades básicas; os desdobramentos distintos nas afirmações específicas são compatíveis com ela.




15. É nossa fé comum que a justificação é obra do Deus uno e trino. O Pai enviou seu Filho ao mundo para a salvação dos pecadores. A encarnação, a morte e a ressurreição de Cristo são fundamento e pressuposto da justificação. Por isso justificação significa que o próprio Cristo é nossa justiça, da qual nos tornamos participantes através do Espírito Santo segundo a vontade do Pai. Confessamos juntos:  somente por graça, na fé na obra salvífica de Cristo, e não por causa de nosso mérito, somos aceitos por Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos renova os corações e nos capacita e chama para a prática das boas obras [11].



16. Todas as pessoas são chamadas por Deus para a salvação em Cristo. Somos justificados somente por Cristo ao recebermos essa salvação na fé. A própria fé, por sua vez, é presente de Deus através do Espírito Santo, que atua na palavra e nos sacramentos na comunhão dos crentes e que, ao mesmo tempo, conduz os crentes àquela renovação de sua vida que Deus consuma na vida eterna.



17. Compartilhamos a convicção de que a mensagem da justificação nos remete de forma especial ao centro de testemunho neotestamentário da ação salvífica de Deus em Cristo:  ela nos diz que como pecadores devemos nossa vida nova unicamente à misericórdia perdoadora e renovadora de Deus, misericórdia esta com a qual só podemos ser presenteados e que só podemos receber na fé, mas que nunca - de qualquer forma que seja - podemos fazer por merecer.



18. Por isso a doutrina da justificação, que assume e desdobra essa mensagem, não é apenas um aspecto parcial da doutrina cristã. Ela se encontra numa relação essencial com todas as verdades da fé, as quais devem ser vistas numa conexão interna entre si. Ela é um critério indispensável que visa orientar toda a doutrina e prática da Igreja incessantemente para Cristo. Quando luteranos acentuam a importância singular desse critério, não negam a conexão e a importância de todas as verdades da fé. Quando católicos se sentem comprometidos com vários critérios, não negam a função especial da mensagem da justificação. Luteranos e católicos compartilham o alvo comum de confessar em tudo a Cristo, ao qual unicamente importa confiar, acima de todas as coisas, como mediador uno (cf. 1 Tm2, 5 s.) pelo qual Deus, no Espírito Santo, dá a si mesmo e derrama seus dons renovadores.

4. O desdobramento da compreensão comum da justificação


4.1. Incapacidade e pecado humanos face à justificação



19. Confessamos juntos que o ser humano, no concernente à sua salvação, depende completamente da graça salvadora de Deus. A liberdade que ele possui para com as pessoas e coisas do mundo não é liberdade com relação à salvação. Isto quer dizer que, como pecador, ele se encontra sob o juízo de Deus, sendo por si só incapaz de se voltar a Deus em busca de salvamento, ou de merecer sua justificação perante Deus, ou de alcançar a salvação pela própria força. Justificação acontece somente por graça. Porque católicos e luteranos confessam isso conjuntamente, deve-se dizer:



20. Quando católicos dizem que o ser humano "coopera" no preparo e na aceitação da justificação por assentir à ação justificadora de Deus, eles vêem mesmo nesse assentimento pessoal um efeito da graça, e não uma ação humana a partir de forças próprias.



21. Segundo a concepção luterana o ser humano é incapaz de cooperar em sua salvação, porque como pecador ele resiste ativamente a Deus e à sua ação salvadora. Luteranos não negam que o ser humano possa rejeitar a atuação da graça. Quando sublinham que o ser humano pode tão-somente receber (mere passive) a justificação, rejeitam com isso qualquer possibilidade de uma contribuição própria do ser humano para sua justificação, mas não negam sua plena participação pessoal na fé, que é operada pela própria palavra de Deus.



4.2. Justificação como perdão de pecados e ato de tornar justo



22. Confessamos juntos que Deus, por graça, perdoa ao ser humano o pecado, e o liberta ao mesmo tempo do poder escravizador do pecado em sua vida e lhe presenteia a nova vida em Cristo. Quando o ser humano tem parte em Cristo na fé, Deus não lhe imputa seu pecado e, pelo Espírito Santo, opera nele um amor ativo. Ambos os aspectos da ação graciosa de Deus não devem ser separados. Eles estão correlacionados de tal maneira que o ser humano, na fé, é unido com Cristo que em sua pessoa é nossa justiça (cf. 1 Cor 1, 30):  tanto o perdão dos pecados quanto a presença santificadora de Deus. Porque católicos e luteranos confessam isso conjuntamente, deve-se dizer:



23. Quando luteranos enfatizam que a justiça de Cristo é nossa justiça, querem sobretudo assegurar que ao pecador, pelo anúncio do perdão, é representada a justiça perante Deus em Cristo e que sua vida é renovada somente em união com Cristo. Quando dizem que a graça de Deus é amor que perdoa ("favor de Deus") [12], não negam com isso a renovação da vida do cristão, mas querem expressar que a justificação permanece livre de cooperação humana, tampouco dependendo do efeito renovador de vida que a graça produz no ser humano.



24. Quando católicos enfatizam que ao crente é presenteada a renovação da pessoa interior pelo recebimento da graça, [13] querem assegurar que a graça perdoadora de Deus sempre está ligada ao presente de uma nova vida, que no Espírito Santo se torna efetiva em amor ativo; mas não negam com isso que o dom da graça divina na justificação permanece independente de cooperação humana.



4.3. Justificação por fé e por graça



25. Confessamos juntos que o pecador é justificado pela fé na ação salvífica de Deus em Cristo; essa salvação lhe é presenteada pelo Espírito Santo no batismo como fundamento de toda a sua vida cristã. Na fé justificadora o ser humano confia na promessa graciosa de Deus; nessa fé estão compreendidos a esperança em Deus e o amor a Ele. Essa fé atua pelo amor; por isso o cristão não pode e não deve ficar sem obras. Mas tudo o que, no ser humano, precede ou se segue ao livre presente da fé não é fundamento da justificação nem a faz merecer.



26. Segundo a compreensão luterana, Deus justifica o pecador somente na fé (sola fide). Na fé o ser humano confia inteiramente em seu Criador e Redentor e está assim em comunhão com ele. Deus mesmo é quem opera a fé ao produzir tal confiança por sua palavra criadora. Porque essa ação divina constitui uma nova criação, afeta todas as dimensões da pessoa e conduz a uma vida em esperança e amor. Assim, na doutrina da "justificação somente pela fé", a renovação da conduta de vida que necessariamente se segue à justificação, e sem a qual não pode haver fé, é distinguida da justificação, mas não é separada dela. Com isso é indicado, antes, o fundamento do qual provém tal renovação. Do amor de Deus, que é presenteado ao ser humano na justificação, provém a renovação da vida. A justificação e a renovação estão ligadas pelo Cristo presente na fé.




27. Também segundo a compreensão católica a fé é fundamental para a justificação, pois sem fé não pode haver justificação. Como ouvinte da palavra e crente o ser humano é justificado por meio do batismo. A justificação do pecador é perdão dos pecados e ato que torna justo através da graça justificadora, que nos torna filhos e filhas de Deus. Na justificação as pessoas justificadas recebem de Cristo fé, esperança e amor e são assim acolhidas na comunhão com Ele. [14] Essa nova relação pessoal com Deus se baseia inteiramente na graciosidade divina e fica sempre dependente da atuação criadora de salvação do Deus gracioso, que permanece fiel a si mesmo e no qual o ser humano pode por isso confiar. Por esta razão a graça justificadora nunca se converte em posse do ser humano, à qual ele pudesse apelar diante de Deus. Quando, segundo a compreensão católica, se acentua a renovação da vida através da graça justificadora, essa renovação em fé, esperança e amor sempre depende da graça inescrutável de Deus e não representa qualquer contribuição para a justificação da qual pudéssemos orgulhar-nos diante de Deus (cf. Rm 3, 27).




4.4. A  pessoa  justificada  como  pecadora





28. Confessamos juntos que no batismo o Espírito Santo une a pessoa com Cristo, a justifica e realmente a renova. Não obstante, a pessoa justificada durante toda a vida permanece incessantemente dependente da graça de Deus que justifica de modo incondicional. Também ela está continuamente exposta ao poder do pecado e suas investidas (cf. Rm 6, 12-14), não estando isenta da luta vitalícia contra a oposição a Deus em termos de cobiça egoísta do velho Adão (cf. Gl 5, 16;Rm 7, 7.10). Também a pessoa justificada precisa pedir, como no Pai Nosso, a cada dia, o perdão de Deus (cf. Mt 6, 12; 1 Jo 1, 9), é chamada constantemente à conversão e ao arrependimento e recebe continuamente o perdão.





29. Luteranos entendem isso no sentido de que a pessoa cristã é "ao mesmo tempo justa e pecadora":  ela é totalmente justa porque Deus, por palavra e sacramento, lhe perdoa o pecado e lhe concede a justiça de Cristo, da qual ela se apropria pela fé e a qual em Cristo a torna justa diante de Deus. Olhando, porém, para si mesma através da lei, ela reconhece que continua ao mesmo tempo totalmente pecadora, que o pecado ainda habita nela (cf. 1 Jo 1, 8; Rm 7, 17.20):  porque reiteradamente confia em falsos deuses e não ama a Deus com aquele amor indiviso que Deus como seu criador dela exige (cf. Dt 6, 5; Mt 22, 36-40). Essa oposição a Deus é, como tal, verdadeiramente pecado. Não obstante, graças ao mérito de Cristo, o poder escravizante do pecado está rompido:  já não é pecado que "domina" a pessoa cristã por estar "dominado" por Cristo, com o qual a pessoa justificada está unida na fé; assim a pessoa cristã, enquanto vive na terra, pode ao menos em parte viver uma vida em justiça. E, a despeito do pecado, não está mais separada de Deus, porque no retorno diário ao batismo ela, que renasceu pelo batismo e pelo Espírito Santo, tem seu pecado perdoado, de sorte que seu pecado já não lhe acarreta condenação e morte eterna. [15] Portanto, quando luteranos dizem que a pessoa justificada é também pecadora e que sua oposição a Deus é verdadeiramente pecado, não negam que, a despeito do pecado, ela está inseparada de Deus em Cristo e que seu pecado é pecado dominado. Neste último aspecto estão em concordância com os católicos romanos, apesar das diferenças na compreensão do pecado da pessoa justificada.





30. Segundo a concepção católica, a graça de Jesus Cristo concedida no batismo apaga tudo o que é "realmente" pecado, o que é "digno de condenação" (Rm 8, 1),[16] mas que permanece na pessoa uma inclinação (concupiscência) proveniente do pecado e tendente ao pecado. Uma vez que, conforme a convicção católica, o surgimento dos pecados humanos sempre implica um elemento pessoal, e como este elemento falta naquela inclinação contrária a Deus, católicos não vêem nela pecado em sentido autêntico. Com isso não querem negar que essa inclinação não corresponde ao desígnio original de Deus para a humanidade nem que é objetivamente oposição a Deus e que permanece objeto de luta vitalícia; em gratidão pela redenção por intermédio de Cristo querem destacar que a inclinação contrária a Deus não merece o castigo de morte eterna [17] e não separa a pessoa justificada de Deus. Quando, porém, a pessoa justificada se separa voluntariamente de Deus, não basta voltar a observar os mandamentos, mas ela precisa receber, no sacramento da reconciliação, perdão e paz pela palavra do perdão que lhe é conferida por força da obra reconciliadora de Deus em Cristo.




4.5. Lei e evangelho





31. Confessamos juntos que o ser humano é justificado na fé no evangelho "independentemente de obras da lei" (Rm 3, 28). Cristo cumpriu a lei e, por sua morte e ressurreição, a superou como caminho para a salvação. Confessamos ao mesmo tempo que os mandamentos de Deus permanecem em vigor para a pessoa justificada e que Cristo, em sua palavra e sua vida, expressa a vontade de Deus, que constitui padrão de conduta também para a pessoa justificada.




32. Os luteranos sustentam que a distinção e a correta correlação de lei e evangelho é essencial para a compreensão da justificação. A lei, em seu uso teológico, é exigência e acusação às quais está sujeita durante a vida inteira toda pessoa, também pessoa cristã, na medida em que é pecadora; e a lei põe a descoberto seu pecado para que na fé no evangelho, ela se volte inteiramente para a misericórdia de Deus em Cristo, a qual unicamente a justifica.




33. Uma vez que a lei como caminho de salvação foi cumprida e superada pelo evangelho, católicos podem dizer que Cristo não é um legislador à maneira de Moisés. Quando católicos acentuam que a pessoa justificada é obrigada a observar os mandamentos de Deus, não negam com isso que a graça da vida eterna é misericordiosamente prometida aos filhos e filhas de Deus por Jesus Cristo [18].




4.6. Certeza de salvação



34. Confessamos  juntos  que  as pessoas  crentes  podem  confiar  na  misericórdia e nas promissões de Deus. Também em face de sua própria fraqueza e de muitas ameaças para sua fé, podem basear-se - graças à morte e ressurreição de Cristo - na promessa eficaz da graça de Deus em palavra e sacramento e, assim, ter certeza desta graça.




35. Isto foi acentuado de maneira especial pelos reformadores:  em meio à tribulação a pessoa crente não deve olhar para si mesma, mas inteiramente para Cristo e confiar somente nele. Assim, na confiança na promissão de Deus, ela tem certeza de sua salvação, mesmo que, olhando para si mesma, nunca esteja segura.




36. Católicos podem compartilhar da preocupação dos reformadores de basear a fé na realidade objetiva da promessa de Cristo, desconsiderando a própria experiência e confiando somente na palavra promitente de Cristo (cf. Mt 16, 19; 18, 18). Com o Concílio Vaticano II os católicos sustentam:  crer significa confiar-se inteiramente a Deus, [19] que nos liberta das trevas do pecado e da morte e nos desperta para a vida eterna. [20] Neste sentido não se pode crer em Deus e, ao mesmo tempo, não considerar confiável a promessa divina. Ninguém deve duvidar da misericórdia de Deus e do mérito de Cristo. Mas toda pessoa pode estar preocupada com sua salvação quando olha para suas próprias fraquezas e insuficiências. Mesmo inteiramente consciente de seu próprio fracasso, contudo, a pessoa crente pode ter certeza de que Deus quer sua salvação.




4.7. As boas obras da pessoa justificada




37. Confessamos juntos que boas obras - uma vida cristã em fé, esperança e amor - se seguem à justificação e são frutos da justificação. Quando a pessoa justificada vive em Cristo e atua na graça recebida produz, biblicamente falando, bom fruto. Essa conseqüência da justificação é ao mesmo tempo uma obrigação a ser cumprida pelo cristão, na medida em que luta contra o pecado durante a vida toda; por isso Jesus e os escritos apostólicos admoestam os cristãos a realizar obras de amor.




38. De acordo com a concepção católica, as boas obras, tornadas possíveis pela graça e pela ação do Espírito Santo, contribuem para um crescimento na graça de tal modo que a justiça recebida de Deus é conservada e a comunhão com Cristo, aprofundada. Quando católicos sustentam o caráter "meritório" das boas obras, querem dizer que, segundo o testemunho bíblico, essas obras têm a promessa de recompensa no céu. Querem destacar a responsabilidade do ser humano por seus atos, mas não contestar com isso o caráter de presente das boas obras nem, muito menos, negar que a justificação como tal permanece sendo sempre presente imerecido da graça.




39. Também entre os luteranos existe a idéia de uma preservação da graça e de um crescimento em graça e fé. Acentuam, contudo, que a justiça como aceitação da parte de Deus e participação na justiça de Cristo, sempre é perfeita; mas dizem ao mesmo tempo que seu efeito na vida cristã pode crescer. Quando vêem as boas obras da pessoa cristã como "frutos" e "sinais" da justificação, não como "méritos" próprios, não deixam, no entanto, de entender a vida eterna, conforme o Novo Testamento, como "galardão" imerecido no sentido do cumprimento da promessa divina aos crentes.



5. O significado e o alcance do consenso obtido



40. A compreensão da doutrina da justificação exposta nesta DC mostra que entre luteranos e católicos existe um consenso em verdades básicas da doutrina da justificação. À luz desse consenso as diferenças remanescentes na terminologia, na articulação teológica e na ênfase da compreensão da justificação descritas nos parágrafos 18 a 39 são aceitáveis. Por isso as formas distintas pelas quais luteranos e católicos articulam a fé na justificação estão abertas uma para a outra e não anulam o consenso nas verdades básicas.




41. Com isso também as condenações doutrinais do século XVI, na medida em que dizem respeito à doutrina da justificação, aparecem sob uma nova luz:  a doutrina das Igrejas luteranas apresentada nesta Declaração não é atingida pelas condenações do Concílio de Trento. As condenações contidas nos escritos confessionais luteranos não atingem a doutrina da Igreja católica romana exposta nesta Declaração.




42. Com isso não se tira nada da seriedade das condenações doutrinais referentes à doutrina da justificação. Algumas delas não eram simplesmente infundadas; elas conservam para nós "o significado de advertências salutares", que devemos observar na doutrina e na prática [21].




43. Nosso consenso em verdades básicas da doutrina da justificação precisa surtir efeitos e comprovar-se na vida e na doutrina das Igrejas. A respeito existem ainda questões de importância diversificada que exigem ulteriores esclarecimentos. Entre outras, por exemplo, a relação entre a palavra de Deus e doutrina eclesiástica, bem como a doutrina a respeito da Igreja, da autoridade na Igreja, de sua unidade, do ministério e dos sacramentos, e finalmente a doutrina da relação entre justificação e ética social. Temos a convicção de que a compreensão comum obtida oferece uma base sólida para esse esclarecimento. As Igrejas luteranas e a Igreja católica romana continuarão se empenhando por aprofundar a compreensão comum e fazê-la frutificar na doutrina e na vida eclesiais.


44. Damos graças ao Senhor por este passo decisivo rumo à superação da divisão da Igreja. Rogamos ao Espírito Santo que nos conduza adiante para aquela unidade visível que é a vontade de Cristo.






5)- A Igreja




Agora sim, depois da época da Reforma, quando já ficou claro quem é salvo e quem está a caminho da condenação,agora sim se pode falar da igreja, agora sim o Espírito Santo pode-se começar a falar da natureza da igreja, da inclusividade da igreja, do corpo de Cristo. E o movimento da visão da igreja foi introduzido na história da igreja pelo Espírito Santo.


Nos século XVIII e XIX, XX e XXI, o Espírito Santo está levando a igreja a compreender-se a si mesma, mas à luz da salvação, à luz de Cristo. Ou seja, a eclesiologia não é o primeiro capítulo, é o penúltimo. O último é a escatologia, as últimas coisas.Novo céu, nova terra, essa síntese que começa por: «Cristo em vós, a esperança da glória». Aí sim, chegamos à escatologia, a esperança, a bendita esperança, uma mesma esperança, «a esperança de glória».



Agora sim, depois do reino, temos a eternidade, o propósito eterno de Deus. Essas são palavras chaves que não devemos esquecer dentro do depósito de Deus. Dentro do conselho de Deus, há assuntos essenciais que têm uma ordem lógica, uma ordem espiritual, que um é o que te leva ao outro. E assim, o Espírito Santo, conforme a promessa de Jesus, conduziu à igreja. Porque ele disse:


«O Espírito vos guiará a toda verdade». E o Espírito Santo, como em um parto, dirigiu esse parto da igreja que é como aquela mulher em trabalho de parto para dar a luz esse menino, esse filho varão – Cristo formando-se na igreja.



O Espírito Santo foi revelando à igreja, com a mesma Palavra de sempre, a mesma Bíblia de sempre. Mas, cada vez, ele vai abrindo mais, primeiro a respeito do próprio Deus e a respeito de Cristo, porque é por meio de Cristo que conhecemos a Deus, é por meio de Cristo que conhecemos o homem, é por meio de Cristo que conhecemos a salvação e é por meio de Cristo que conhecemos a igreja e o reino e o propósito eterno de Deus.Todas estas coisas estão integradas em uma ordem lógica que vem da eternidade e que vai até a eternidade, e que assim foram ensinadas pelo Espírito Santo conforme o seu ministério, ao longo de vinte e um séculos de história eclesiástica. O Espírito Santo enfatizando estas coisas, porque era necessário que primeiro houvesse algumas coisas que fossem clareadas, para que sobre elas o Espírito pudesse nos ajudar a dar um passo mais à frente.Então, irmãos, digamos que a história da igreja se recapitula na revelação final que a igreja do fim tem que levar. Porque diz a palavra de Deus que o melhor estar por vir pois como nas bodas de Caná Deus sempre serve o melhor vinho nofinal e não no começo.Porque os patriarcas trabalharam para nós, Moisés trabalhou para nós; Josué, os juízes, os reis, os profetas, todo o Israel trabalhou para nós. Os apóstolos trabalharam para nós.



Nós estamos em cima da patrística, sobre os ombros dos escolásticos, sobre os ombros dos grandes missionários, e se enxergamos hoje mais que nossos irmãos do passado é porque estamos nos ombros de gigantes da fé.Todo o trabalho do Espírito ao longo de vinte e um séculos, era para nos passar isso. Todo esse depósito. Somos herdeiros dele. Foi mastigado por longos séculos. Às vezes, um assunto necessitava de quatro séculos de mastigação para ficar decantado no coração da igreja para poder o Espírito Santo passar a um ponto seguinte.Somos os herdeiros de toda essa riqueza, de todo esse processo. Se o depósito de Deus era grande no princípio, quando não tinha sido digerido, imagine agora que foi digerido por vinte e um séculos de história da igreja! Quantos irmãos tratando de mastigar por um lado e pelo outro, e clarear e conversar, para que fosse chegando a nós algo mais definido, mais decantado, mais claro, mais lúcido. Estamos nos ombros deles; devemos a eles gratidão e respeito, mas cada geração tem que ser fiel a sua própria missão. Nós devemos, sobre os ombros dos nossos irmãos, dar um testemunho autêntico da fé às próximas gerações também, para que elas sejam gratas a nós sabendo que tudo é graça, pois assim nos revela as escrituras:


“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o devido crescimento...” (1Co 3,6)




Notas


 1) Os artigos de Esmalcalde II, 1 (Livro de concórdia:  as confissões da Igreja Evangélica Luterana, 3ª ed., São Leopoldo, Sinodal, Porto Alegre:  Concórdia, 1983, pág. 312).
 2) "Rector et iudex omnia genera doctrinarum" (Edição de Weimar das obras de Lutero, 39/I, 205).
 3) Note-se que uma série de Igrejas luteranas adotaram como base doutrinária compromissiva somente a Confissão de Ausburgo e o Catecismo Menor de Lutero. Estes escritos confessionais não contêm condenações doutrinais referentes à doutrina da justificação em relação à Igreja católica romana.
 4) COMISSÃO MISTA NACIONAL CATÓLICO-LUTERANA, O evangelho e a Igreja, s.d.
 5) GEMEINSAME RÖMISCH-KATHOLISCHE/EVANGELISCH-LUTHERISCHE KOMMISSION (ed.), Kirche und rechtfertigung:  Das Verständnis der Kirche im Licht der Rechtfertigungslehre, Paderborn/Frankfurt, 1994.
 6) Lutherish/Römisch-Katholischer Dialog in den USA:  Rechtfertigung durch den Glauben (1983), in:  Harding MEYER, Günther GASSMAN (eds.), Rechtfertigung im ökumenischen Dialog: Dokumente und Einführung, Frankfurt, 1987, pp. 107-200. Em ingles:  Lutherans and Catholics in Dialogue, Minneapolis, 1985, vol. VIII.
 7) Lehrverurteilungen - Kirchentrennend?:  vol. I:  Karl LEHMANN, Wolfhart PANNENBERG (eds.), Rechtfertigung, Sakramente und Amt im Zeitalter der Reformation und heute, Friburgo/Göttingen, 1986.
 8) Gemeinsame Stellungnahme der Arnolshainer Konferenz, der Vereinigten Kirche und des Deutschen Nationalkomitees des Lutherischen Weltbundes zum Dokument "Lehrverteilungen - kirchentrennend?", Ökumenische Rundschau, v. 44, pp. 99-102, 1995; incluindo os posicionamentos que servem de base a essa resoluçao, cf. Lehrveruteilungen im Gespräch:  Die ersten ofiziellen Stellungnahmen aus den evangelischen Kirchen in Deustschland, Göttingen, 1983.
 9) Na presente DC a palavra "Igreja" reproduz a respectiva autocompreensao das Igrejas participantes, sem que com isso se queira considerar resolvidas todas as questoes eclesiológicas a ela associadas.
10) Cf. Relatório de Malta nn. 26-30; Rechtfertigung durch den Glauben, nn. 122-147. Por incumbencia do diálogo sobre a justificaçao nos EUA, os testemunhos neotestamentários nao-paulinos foram examinados por John REUMANN, Righteousness in the New Testament, com reaçoes de Joseph A. FITZMEYER e Jerome D. QUINN (Filadélfia/Nova Iorque, 1982), pp. 124-180. Os resultados deste estudo estao compilados no relatório de diálogo Justification by Faith[em alemao:  Rechtfertigung durch den Glauben], nos nn. 139-142.
11) Cf. "Alle unter einem Christus", n. 14, in:  Dokumente wachsender Übereinstimmung, vol.I, pp. 323-328.
12) Cf. WA 8, 106.
13) Cf. DS 1528.
14) Cf. DS 1530.
15) Cf. Apologia da Confissao de Ausburgo II, 38-45.
16) Cf. DS 1515.
17) Cf. DS 1515.
18) Cf. DS 1545.
19) Cf. DV 5.
20) Cf. DV 4.
21) Lehrverurteilungen - Kirchentrennend?, 32.


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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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