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Por que a Verdadeira Igreja de Cristo subsiste na Católica Romana ?

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 18 de maio de 2016 | 11:07






A igreja de Jesus não pode ser dividida em diferentes ideologias, pois a igreja de Deus deve ser UM SÓ CORPO (Ef 4,4).



A peregrinação dos apóstolos para formar a igreja de Deus está descrita no livro de Atos e mostra que o próprio Deus indicou o local para formar sua igreja em Atos 23,11:




“E, na noite seguinte, apresentando-se-lhe o SENHOR, disse: Paulo, tem ânimo! Porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em ROMA...” e o livro de Atos só termina quando se chega ao destino que Deus quer para formar sua igreja em Roma (ROMANA) (Atos 28,14-31). E em At 28,30 mostra que Paulo PREGOU LIVREMENTE EM ROMA E SE ESTABELECEU.






Muitos comentam que a igreja católica foi fundada por Constantino (Imperador no ano 306), mas já existira 29 papas antes do ano 306.Pergunta que não cala: A qual Igreja pertencia então estes 29 papas anteriores a Constantino ?



Para quem foi escrita a carta aos Romanos?


Alguns dizem que a igreja de Romanos foi aniquilada, mas o evangelho diz que não. Se a obra é de Deus não pode ser aniquilada At 5,39: “Se vem de Deus, não conseguireis destruí-los”.




Então a igreja de Romanos que estava no evangelho está viva até hoje!!! A maior prova que a igreja de Romanos é a mesma Católica de hoje é que tem várias citações provando AS LOCALIDADES QUE FAZIAM PARTE DO IMPÉRIO:




Roma – Centro do Império (Rm 15,24 e 28), Ilírico (Rm 15,19), Macedônia e Acáia (Rm 15,26), Cencréria (Rm 16,1).





O evangelho mostra bem que tanto Pedro como Paulo iniciam a igreja através dos pagãos. 1Pedro 2,10a “Vós que outrora não éreis seu povo, mas agora sois povo de Deus”.




Qualquer outra obra que tire as pessoas desse rebanho causando facções ou divisões não vem de Deus, e sim da carne:



Gálatas 5,19-20 “Ora, as obras da carne são estas: Imoralidade sexual, impureza, devassidão, idolatria, feitiçaria, inimizade, CONTENDA, ciúmes, iras, INTRIGAS, DISCÓRDIAS e FACÇÕES”.




As facções e as discórdias geram divisões como congregações divididas em facções:




Mt 12,25: “TODO REINO INTERNAMENTE DIVIDIDO FICARÁ DESTRUÍDO”. Mt 12,30: “Quem não está comigo é contra mim; QUEM NÃO RECOLHE COMIGO, ESPALHA”.




Se for dividido da igreja fundada por Cristo não faz mais parte da videira, pois foi plantada por homens:



Quando uma igreja não é uma igreja? Esta questão gerou várias respostas ao longo da história, dependendo da perspectiva e da avaliação que se faz sobre certos grupos. Na ortodoxia cristã clássica, certos padrões emergiram e definiram o que chamamos de cristianismo “católico” ou universal. Este cristianismo universal aponta para as verdades essenciais que foram estabelecidas historicamente nos credos ecumênicos do primeiro milênio e que historicamente fazem parte da confissão de praticamente todas as denominações cristãs.


Entretanto, há pelo menos duas maneiras pelas quais um grupo religioso deixa de satisfazer os padrões de ser uma igreja Cristã autêntica:



1)- A primeira é quando caem num estado de apostasia. A apostasia ocorre quando uma igreja larga suas amarras históricas, abandona sua posição confessional histórica e degenera a um estado no qual ou as verdades cristãs essenciais são flagrantemente negadas, ou a negação de tais verdades é amplamente tolerada.Outro teste de apostasia está no nível moral. A igreja torna-se apóstata “de facto” quando sanciona e encoraja pecados graves e hediondos(Abortos, eutanásias, uniões homoafetivas, Cultura gay,pesquisas com embriões humanos, etc) Algumas destas práticas podem hoje ser encontradas nos controversos sistemas denominacionais, tais como  no Anglicanismo, episcopalismo e o presbiterianismo tradicionais, em que ambas se afastaram de suas amarras confessionais históricas, bem como de suas posições confessionais sobre questões éticas básicas.


Quando tocamos neste assunto,o que vem à mente também, são as distorções radicais em grupos marginais, como o fenômeno Jonestown. Lá, um grupo de devotos se apegou ao seu líder megalomaníaco, Jim Jones, e ilustrou sua devoção a um tal grau, que se submeteram voluntariamente à orientação de Jones para tomar seu suco em pó misturado com cianureto. Isto é um comportamento de culto extremo.


O mesmo tipo de coisa poderia ser visto entre o Ramo Davidiano, os seguidores do Pai Divino em Filadélfia e outros grupos menores ditos Cristãos que surgiram e desapareceram ao longo da história da igreja.


Quando olhamos para grupos como os mórmons e os testemunhas de Jeová, encontramos elementos de verdade dentro de suas confissões. Mas, ao mesmo tempo, elas claramente negam o que pode ser considerado historicamente como verdades essenciais da fé cristã. Isso inclui certamente:


A negaçāo da divindade de Cristo, que é feita sem hesitação por estas seitas. Os testemunhas de Jeová e os mórmons compartilham esta negaçāo. Embora ambos coloquem Jesus numa posição exaltada em suas respectivas crenças, Ele não atinge o nível de divindade. Ambos consideram a Cristo como uma criatura exaltada. Seguindo o pensamento do antigo herege Ário, mórmons e testemunhas de Jeová afirmam que o Novo Testamento não ensina a divindade de Cristo; em vez disso, argumentam que o Novo Testamento ensina que Ele é o primogênito exaltado de toda a criação. Consideram que Ele é a primeira criatura feita por Deus, a quem depois é dado poder superior e autoridade sobre o resto da criação. Embora Jesus ocupe uma posição exaltada em tal Cristologia sectária, ela ainda está muito longe da ortodoxia cristã, que confessa a divindade de Cristo. Passagens do Novo Testamento, tais como Jesus ser “gerado” e de ser Ele “o primogênito da criação”, são indevidamente utilizadas para justificar essa definição de Cristo como mera criatura.



Nos primeiros três séculos de história cristã, a passagem bíblica que dominou a reflexão do entendimento da igreja sobre Cristo foi o prólogo do Evangelho de João:


Este prólogo contém a afirmação de Cristo ser o Verbo ou a Palavra eterna de Deus. João declara em seu evangelho que o Verbo estava “com Deus no princípio, e era Deus.” Este “com Deus” sugere uma distinção entre o Verbo e Deus, mas a identificação pelo verbo de ligação “era” indica uma identidade entre o Verbo e Deus. A maneira pela qual essa identidade é negada por mórmons, testemunhas de Jeová e outras seitas, é pela substituição por um artigo indefinido no texto, reinterpretando-o de forma que o Verbo seja “um deus”.


A fim de arrancar essa interpretação do texto, é preciso ter uma suposição prévia de alguma forma de politeísmo. Tal politeísmo é totalmente estranho à teologia judaico-cristã, em que a divindade é entendida em termos monoteístas. A ameaça das distorções do culto é algo que a Igreja deve lutar em cada geração e em cada época.


É importante compreender também que mesmo igrejas legítimas podem conter em si, práticas que refletem comportamento de seitas:


Seitas podem emergir dentro das estruturas de certas igrejas até de caráter Cristãs. Antes de haver heresias expressamente formuladas, já alguns propagadores do evangelho pregavam coisas um tanto heréticas. Se exagerava, por exemplo, no papel dos anjos, ou mesmo Jesus, que era qualificado como um simples anjo. Por um desmesurado desprezo da matéria, ou mais propriamente do corpo, alguns ensinavam que o Senhor só havia tido corpo aparente (docetismo) ou condenavam como pecaminoso o matrimônio(Os ditos Cristãos Cátaros) e o comer carne (como já sucedeu com os Cristãos Judaizantes nas comunidades paulinas, 1Tim 4:3).


O judaísmo não conhecia mais que uma forma de monoteísmo: o da fé em um só e único Deus. Jesus, plenamente imerso na tradição judaica da fé monoteísta, havia trazido a mensagem do Pai; enquanto o Messias, se havia colocado a seu lado como Filho e já anuncia a revelação da terceira Pessoa da Santíssima Trindade: o Espírito Santo.


Sobre as relações íntimas destas três pessoas a revelação ainda não estava bem esclarecida para os primeiros Cristãos:


Eu e o Pai somos um (Jo 8,16); o Pai é maior que eu (Mt 24,36); quando vir o Espírito de verdade (Jo 16,13). E, ademais, o mandato de batizar, que põe aos três em igualdade, um junto a outro (Mt 28,19). Segundo esta pregação, Jesus ensinou a Igreja a crer em um Deus Pai, criador do céu e da terra, no Deus Filho e no Deus Espírito Santo, no Deus uno e trino. Surgiu o problema de como Deus é uno, sendo Deus tanto o Pai como o Filho e o Espírito Santo ? Isto passa serem questões amplamente debatidas a partir do século II, tornando-se o centro das controvérsias doutrinais.



A primeira tentativa de explicação, fizeram os apologetas (especialmente Tertuliano). Mantendo inquebrantável a plena divindade do Filho, não se apartaram nem um ápice da norma da fé ortodoxa. Mas em seu empenho por encontrar a formulação científica de sua profissão de fé, consideraram ao Filho subordinado de algum modo ao Pai (subordinacionismo). A idéia básica da Escritura, que sempre apresenta ao Pai como único Senhor e concessor do reino dos céus e à vontade do Pai como a ultimamente determinante, parece que reclamava, ao igual que certas expressões isoladas, estes conceitos monárquicos. A fé era irreprovável, mas sua formulação explicativa defeituosa.



Outros, pelo contrário, chegaram a rebaixar e negar a plena divindade do Filho ou consideraram ao Filho como uma simples aparência do Pai (modalistas, patripasianos). Estas heresias não tiveram grande difusão nos séculos II e III, mas com a aparição de Ário (§ 26) constituíram uma verdadeira ameaça.



Não faltaram escritores que, combatendo uma heresia manifesta em um determinado ponto, não souberam evitar cair em erros doutrinais em outros pontos. Praxeas (+ 217), que combateu o montanismo, difundiu por sua vez uma doutrina herética do tipo monarquiano-patripasiana.


Porém,o maior perigo para a jovem e gentil Igreja cristã, talvez o máximo com que jamais se havia enfrentado, foi a gnosis (ou o gnosticismo).Essencialmente se trata de um movimento religioso pagão dos primeiros séculos de nossa era. A gnose herético-cristã, que é a única que interessa à historia da Igreja, é só uma parte deste vasto e complexo movimento, que no fundo não é mais que uma mistura de religiões (sincretismo).



Este sincretismo, com sua quase sempre inextrincável e confusa proliferação, suas múltiplas variedades e sua mistura de idéias religiosas, tem sido uma das forças determinantes da vida psíquico-espiritual da humanidade do ecumene a partir da expedição de Alexandre Magno até ao Oriente, logo como rejeitou desde o Oriente até o Ocidente e, novamente, como consequência da expansão do Império romano nas antigas zonas culturais do Oriente (§ 4). Durante este processo, que durou séculos, as religiões populares como as ideias  filosóficas se penetraram mutuamente: se intercambiaram nomes, imagens, figuras e mitos ou interpretações de origem do cosmos, da purificação do pecado e do perdão. Tudo andava misturado e mal interpretado pelos homens cultos, tão ascéticos como ansiosos de novidades explicativas que lhes agradassem os ouvidos.




O sincretismo, donde queira que de uma ou outra maneira se ocupou das finalizações metafísicas, facilmente se fez panteísta ou quando menos panteizante. Mas nos processos cósmicos descritos o elemento panteísta não se apresentava como amorfo, senão com caráter gradual; ao qual se aplicava tanto aos eons emanantes de dois em dois como às três distintas classes de homens movidos pelo poder divino: gnósticos, písticos, hílicos.Quando a gnosis trabalha con elementos cristãos, o processo de mistificação se evidência a si mesmo na reelaboração da literatura apostólica recebida, que "é consertada, recopilada e completada com produtos próprios" (Schubert). E este serve tanto para a gnósis siríaca, que fez uma seleção puramente arbitrária, como para os sistemas especulativos muito mais exigentes (como, por exemplo, o de Basílides).





Gnose significa "conhecimento." Nos movimentos religiosos pagãos dos séculos I e II como na heresia cristã que denominamos gnose, a palavra não significa conhecimento em geral, senão conhecimento salvífico, conhecimento de índole religiosa. Já Paulo se havia esforçado para que suas comunidades construíssem sobre o primeiro fundamento da pregação um edifício mais alto, até chegar a uma "epignosis" (conceito superior) do evangelho (Ef 1,16ss).


Mas entre este conhecimento superior estava, segundo Paulo, destinado a TODOS  os cristãos, porém, no século II apareceram dentro do cristianismo pregadores de uma nova doutrina, que afirmavam que existia um misterioso conhecimento salvífico que era só acessível a uns poucos, é dizer, aos "iluminados" (= gnósticos), e que esta gnose era diferente da fé (pistis) e superior a ela 48. Em um hino gnóstico disse Jesus ao povo: "Eu darei a conhecer o escondido do caminho santo e o chamarei gnose."( UMA SALVAÇÃO PELA VIA DO CONHECIMENTO).Um traço característico da gnose, que também era efetivo frente a outras religiões, consistia em não tomar o evangelho tal como era comunicado aos demais fieis; buscavam significados profundos, algo especial só para iniciados. E isto, por suposto, o pretendiam desde o ponto de vista religioso, ao qual, no fundo, é tanto como dizer desde o ponto de vista de uma doutrina redentora.



O conhecimento misterioso — esta era sua opinião — não só obra a salvação; ele mesmo é a própria redenção:


E esta se verifica, de um ou outro modo, no âmbito do anímico, ainda que primordialmente está condicionada pelo cósmico: ao proto-Deus e às forças divinas (lumínicas) que dele dimanam se opõe à matéria, má por si. Aqui nós falamos, pelo conseguinte, ante um conceito dualístico do mundo, tal como claramente havia sido definido pela primeira vez por Zaratustra, a dizer, que os gnósticos admitem junto a Deus bom e eterno a existência da matéria má, igualmente eterna. O mal do homem consiste em que sua melhor parte se separou da esfera do bom Deus (luz) intrincando-se na matéria.


Por isso a redenção gnóstica significa que essa melhor parte, a luminosa, seja liberada da matéria e conduzida de novo à esfera do sumo Deus (= subida). Na gnose cristã, o papel de mediador corresponde a um ser celeste que se chama Cristo, do qual se afirma que o bem habitou no homem real Jesus ou tomou um corpo aparente (docetismo).



Às vezes a misteriosa doutrina redentora vem acompanhada de ritos similares aos sacramentos:


Aqui se faz patente a diferença entre autêntico sacramento e magia: uma misteriosa fórmula ou cifra, por exemplo, converte ao iniciado em homem redimido aqui ou depois de sua morte. Sobre tudo neste ponto central da doutrina cristã, no conceito de redenção, se evidencia a grave deformação, a arbitrária e fantástica tergiversação dos elementos cristãos adotados pela gnose. Porque do que aqui se trata sensivelmente, como se tem dito, é que o espírito se libere da matéria que o cerca, e não de que a alma caia interiormente livre do pecado.



Houve até trinta sistemas diferentes de gnose paralelos à revelação Cristã:


Só possuímos resíduos de sua literatura original; muitas coisas as sabemos unicamente através de fontes cristãs. Ensinamentos altamente instrutivos e em sua maior parte autênticas nos oferecem as recentes descobertas, já estudados em parte, de Nag'Hammadi no Egito. Estas descobertas nos dão a oportunidade de escutar aos mesmos gnósticos e comprovar o valor das exposições dos escritores eclesiásticos ( sendo eles: Ireneu, Hipólito e Epifânio).




Em todos os sistemas há pensamentos da história da revelação judeu-cristã e elementos da filosofía da religião greco-oriental. A mistura é muito variada. Em alguns sistemas predomina o elemento cristão, mas, como já se tem dito antes, o principal não é a humilde aceitação do anúncio da fé, senão que sempre vá por diante a tentativa de construir uma imagem do mundo mediante a razão, que livremente decide.


Não raras vezes a razão é substituída pela fantasia e a extravagância (especialmente na gnosis oriental propriamente dita). Característico é o modo e maneira como as sensíveis palavras da Escritura são inchadas, selecionadas e misteriosamente retocadas.



Alguns gnósticos eminentes:


1)- Basílides, que provavelmente ensinou na primeira metade do século II no Egito, especialmente em Alexandria.

2)- Seu discípulo foi Valentino, que deu seu nome a uma importante seita. Nascido em Alexandria, ensinou em Roma entre 130 e 160 e ali, por volta de 140, pretendeu a sede episcopal.

3)- Idéias mais moderadas foram as de Bardesanes de Edessa (+ 222), que o parecer não foi partidário incondicional do dualismo.


4)- De particular importância foram também, ao que parece, os setianos (que tomam o nome de Set, o filho "bom" de Adão, considerado como pai dos autênticos filhos de Deus). De seu círculo procede provavelmente a mencionada coleção de Nag'Hammadi.




A gnose foi uma degradação radical da intangível revelação religiosa de Jesus, fazendo dela uma filosofía, uma aguda helenização do cristianismo, uma falsificação de sua essência em suma. Seu grande êxito se deve:


1) A seu inegável conteúdo filosófico-religioso, enormemente atraente sobre tudo para a fantasia humana, ávida por escutar novidades.


2) A grandiosidade de sua imagem do mundo.


3) A sua tentativa de fazer do próprio pensamento do homem o elemento determinante da interpretação da realidade, ainda que dentro de uma revelação.




A declarada oposição entre cristianismo e gnose se faz particularmente aguda quando a hostilidade gnóstica contra a matéria desemboca em zelo exagerado e nas consequentes restrições rigoristas (recusa do matrimônio, do uso da carne e do vinho). Isto é precisamente o que encontramos em Taciano o Assírio, apologeta (§ 14) e fundador dos "encratitas" (= os rigorosos).




O enorme alcance deste fenômeno comumente chamado gnose se demonstra, desde um ponto de vista totalmente oposto, em Marcion:



Nesta gnose herética se exclui de ver de um modo desconcertante, e mais intensamente que em qualquer outra parte, a incrível vitalidade interna do paganismo durante os séculos II e III. Quantitativamente, os escritos heréticos cristãos-gnósticos superam aos escritos ortodoxos. Mas muitas coisas nelas são tão grosseiramente pagãs e contradizem tão claramente os atos e as doutrinas cristãs fundamentais que resulta difícil compreender que semelhantes ideias puderam fazer séria concorrência ao evangelho de Cristo. Mas isto demonstra-o arraigadas que no solo pagão estavam então, através de mil e uma fibras, as idéias das pessoas cultas (das que aqui principalmente se trata). No sincretismo, principal suporte da gnose, como temos dito, sustentavam uma espécie de crescente epidemia espiritual. Seu instrumento literário-teológico consistia em uma exegese alegórico - fantasista, fruto da especulação da criatividade humana



O sistema gnóstico mais cristão e ao mesmo tempo mais sério desde o ângulo religioso e moral, e no que mais fortemente se acusou o perigo que este movimento entranhava para a Igreja, foi a doutrina de Marcion. Seu próprio pai, bispo de Sinope, junto ao Mar Negro, o havia excomungado. Logo, primeiramente se refugiou (139) na comunidade de Roma, mas foi expulso dela em 144.


Marción não era somente um teólogo, senão também um político.Havia compreendido que a pura interioridade, que uma doutrina verdadeira só para si mesma não tem suficiente efetividade. Compreende que como todo valor que queira adquirir grandes proporções e Perdurar, a verdade e a mensagem cristã devem apresentarem-se em uma forma clara e eficiente; se tem de poder governar e administrar. Por isso Marcion fundou em Roma (em 146) sua própria Igreja. Apartir do século III adquiriu uma enorme difusão desde a Gália até o Eufrates: era uma Igreja com seus próprios bispos, sacerdotes, templos, liturgia e inclusive mártires. Unicamente desta forma pode a doutrina heterodoxa de Marcion constituir um sério perigo para a Igreja Católica Apostólica Romana.



Marcion defendia o isolamento parcial das idéias específicamente paulinas, suprimindo todos aqueles elementos suspeitosos de recaída no judaísmo (no qual, segundo sua opinião, haviam caído todos os apóstolos, a exceção do "verdadeiro" Paulo e uma parte de Lucas). Fez que a aversão à lei chegasse até a contradição absoluta entre o Antigo e o Novo Testamento: há duas divindades, o Deus bom, que só sabe de amor e de misericórdia, a dizer, o Pai de Jesus, e o Deus mal, o Deus da criação, o Deus da fé judia. Para quebrantar o poder deste, o Deus bom enviou a Cristo em um corpo aparente para trazer-nos a salvação, a qual só se pode conseguir pela fé no enviado.




Para apoiar sua doutrina, Marcion confeccionou um Novo Testamento conforme a suas idéias básicas (anematizou por exemplo, o princípio do Evangelho de Lucas, a epístola aos Hebreus e as cartas pastorais). O sistema de Marcion, apesar de seus princípios gnósticos-dualistas, era uma tentativa de salvar o cristianismo precisamente das redes ameaçantes desta gnose. Houve outra tentativa no campo da vida moral, empreendido por Montano (§ 17). Ambos fracassaram. A única oposição vitoriosa foi a da Igreja, diante de tudo por haver conservado com humildade e fidelidade a herança apostólica.




Naqueles séculos, a impaciente busca da redenção, de purificação espiritual e de conhecimento profundo sempre constituiu no campo cristão uma intensa luta por expor a doutrina de Jesus Cristo em sua genuína pureza. Como Marcion, também Mani, fundador do maniqueísmo (crucificado em 276), acreditava que se havia perdido a verdadeira doutrina de Jesus. Se considerava enviado de Jesus Cristo (O Paráclito anunciado por este) para trazer-nos de novo, como última revelação de Deus, a esquecida verdade de Jesus.




No conjunto dos movimentos gnósticos talvez é este ponto o que apresenta maior perigo:


O abuso do nome de Jesus e de sua mensagem, oferecido como interpretação mais profunda. Também isto é aplicável ao maniqueísmo, ainda que este, por mais, sustentar um rigoroso dualismo: a luz é a força do bem; toda matéria é mal. Por isso se prescreve a absoluta abstinência de todo o material (carne, vinho) e se condena o matrimônio.




O maniqueísmo teve um alcance mundial:


Havia seguidores seus desde a África até a China. Repercussões desta religiosidade oriental as encontramos todavia na Idade Média (os cátaros).



Os hereges ensinavam doutrinas em aberta contradição com a consciência geral da fé da Igreja apostólica Romana. Também eles sabiam perfeitamente que para o cristianismo só podiam considerar-se como válidas, as verdades respaldadas pela pregação apostólica. Por isso, para garantir suas novas opiniões, invocavam uma oculta tradição apostólica. Junto com a já mencionada mutilação das Sagradas Escrituras, criaram uma rica literatura de novos evangelhos (apócrifos) e escritos ditos apostólicos.Ademais, dado que os gnósticos, com seu desprezo pelo histórico, e com sua tendência à interiorização exagerada (espiritualização) e seu docetismo, ameaçavam com liquidar a vida histórica de Jesus, a tarefa dos adversários do gnosticismo estava já previamente traçada.



A impugnação científico-literária da gnose (por exemplo, por Tertuliano), apesar de sua grande importância, partiu sempre mais ou menos da iniciativa privada dos respectivos escritores, a não ser que foram precisamente bispos, como Irineu. Mais importante foi a refutação oficial da Igreja, duplamente importante e eficaz porque se verificou em forma de positiva confissão de fé. A peça mais essencial dela é para nós a concessão batismal oficial. A confissão romana mais antiga que conhecemos ( 125), que corresponde mais ou menos a nossa "confissão de fé apostólica," se opõe claramente a tentativa de volatilizar ou espiritualizar a pessoa e a vida de Jesus: reconhece a encarnação real de Deus na história, em Maria a Virgem, isto é, Jesus Cristo, que padeceu e foi crucificado em um tempo concreto e determinado, "sob Pôncio Pilatos."



Todavia mais importante foi a fixação do cânon oficial do Novo Testamento:


Se o Antigo Testamento era o livro sagrado da comunidade primitiva, os escritos dos apóstolos e de seus discípulos imediatos (Marcos e Lucas), surgidos como escritos ocasionais, ganharam uma alta consideração geral nos lugares donde não se podia (e tão logo como não se podia) escutar a pregação dos apóstolos. As cartas de Paulo se intercambiavam nada mais a serem escritas (Col 4,16) e chegaram a serem colecionadas (cf. 2 Pe 3,15ss). Seu emprego no culto, por uma parte, e os recortes da revelação, por outra (Marcion e Montano), urgiam uma fixação, tanto mais quanto que outros escritos não autênticos (apócrifos) tratavam de conseguir autoridade valendo-se do nome dos apóstolos.


Por diversas alusões sabemos que até o ano 200 o patrimônio neotestamentário estava substancialmente fixado (Fragmento Muratoriano de finais do século II). Certo que varia a ordem de sucessão, como também se citam alguns escritos não apostólicos da Igreja primitiva umas vezes como obrigatórios e outras como discutidos. Mas seu emprego na liturgia e seus primeiros comentários fizeram em seguida que se destacassem definitivamente os escritos inspirados.


Deste modo, Atanásio em sua 39ª carta pascal (367), recolhe um índice de nossos vinte e sete livros do Novo Testamento. Um Sínodo de Roma confirma este cânon no ano 387, e a ele se aderem uns anos mais tarde os sínodos africanos de Hipona e de Cartago.



Nestes atos encontramos um caso típico de como se formavam os dogmas no princípio:


A diversidade de opiniões no interior ou os ataques do exterior fazem necessária uma explicação; segue uma resposta imediata da Igreja por meio de seus pastores. A discussão posterior aclara a resposta, dando-o validade universal. Si se logra um verdadeiro consenso, quer dizer que o magistério dos bispos também a aprova e a resposta passa a formar parte da pregação ordinária. Se não se logra o consenso em importantes questões doutrinarias, então o magistério dos bispos, em comunhão com o bispo de Roma (às vezes atrás de um considerável lapso de tempo), aclara os termos do pensamento da Igreja, fixando-os assim definitivamente.




Dado que a formação do cânon é uma decisão doutrinal intra-eclesial, a apelação à Bíblia enquanto palavra de Deus posto por escrito implica em si mesma o reconhecimento tanto dos dons da graça como do ministério da Igreja primitiva, à que o Espírito Santo tem eleito como instrumentos de composição, seleção e tradição da Escritura.


Se a gênese da Sagrada Escritura em sua forma atual não é compreensível sem a intervenção da Igreja, também sua compreensão correta brota da fé de toda a Igreja, ao qual, por outra parte, sempre requer um encontro pessoal com a palavra de Deus.


Tanto nos evangelhos (S. Mateus, João) como na profissão de fé se dizia expressamente que a doutrina tinha que ser interpretada segundo os profetas e, em geral, segundo a Escritura; a mesma profissão de fé era a norma segundo a qual devia ser exposta a doutrina e, consequentemente, também interpretada a Escritura. A comunhão eucarística com os sucessores dos apóstolos constituía uma garantia especial da pureza da doutrina. Por isso se exigiu muito logo a conexão ininterrompida dos chefes com a pregação apostólica. A ortodoxia estava particularmente assegurada com a sucessão apostólica dos bispos.




Desde o momento em que a Igreja venceu a gnose, se fez impossível de uma vez para sempre a dissolução da religião cristã em uma filosofia. Foi uma solução decisiva para todos os tempos.





Falando da Igreja o Concílio Vaticano II nos ensina que:



´Esta é a ÚNICA Igreja de Cristo que no símbolo confessamos una, santa, católica e apostólica´ (LG, 8). Esses atributos indicam os traços essenciais, característicos, da Igreja e da sua missão, e foi Cristo que assim o quis para ela. Sem essas quatro condições não existe a igreja de Cristo, pois foram dadas por Ele mesmo. São essas características da Igreja que garantem a sua credibilidade de dois mil anos, e a certeza de sua missão divina. A unidade e unicidade da Igreja vem da própria unidade da Trindade Santa. O único povo de Deus no Antigo Testamento (Israel), se prolonga no único povo de Deus no Novo Testamento ( a Igreja). Cristo tem um só Corpo e uma só Esposa, daí vem a exigência monogâmica do matrimônio cristão, que é espelho da união de Cristo com a sua única Esposa. ´ Deste mistério, o modelo Supremo e o princípio é a unidade de um só Deus na Trindade de Pessoas, Pai e Filho no Espírito Santo´ (UR ,2).




Jesus, com a sua cruz, reconciliou os homens todos com Deus, restabelecendo a união de todos com o Pai em uma só ´família de Deus´(Ef 2,20). É o Espírito Santo que realiza essa unidade, habitando em cada batizado, os une intimamente a Cristo num só Corpo, formando um só Povo. São Clemente de Alexandria (†215) expressou bem esse mistério dizendo:



´Que estupendo mistério! Há um único Pai do universo, um único Logos do universo e também um único Espírito Santo, idêntico em todo lugar; há também uma única virgem que se tornou mãe, e me agrada chamá´la Igreja´ (CIC nº 813).




São Paulo também expressa de muitas maneiras a unidade da Igreja. Aos coríntios ele afirma:



´Por isso, se um membro sofre, todos os membros padecem com ele; ou se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele´ (1Cor 12,26).


Na Igreja portanto, não há lugar para ciúmes, competições e rivalidades, pois formamos um só Corpo de Cristo. ´Ora vós sois o Corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros´ (1Cor 12,27).



Aos gálatas o Apóstolo afirma a mesma unidade, que deve vencer todas as divisões humanas, que são as piores chagas na Igreja:


´Todos vós, com efeito, que fostes batizados em Cristo, vos vestistes de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo , não há homem nem mulher; pois todos vós sois um só em Cristo Jesus´ (Gal 3,27- 28).




De modo muito especial é pelo Batismo e pela Eucaristia que Cristo nos faz unidos a Ele. Pelo Batismo participamos verdadeiramente de Sua morte e Ressurreição, de uma forma misteriosa mas real (cf Rom 6,3s); e pela Eucaristia o Senhor nos faz participar realmente do Seu Corpo. Por ela nos tornamos consangüíneos e concorpóreos com Jesus. Aí então somos, pelo Espírito Santo, levados à comunhão íntima com Cristo e com todos os irmãos, formando um só Corpo.



A diversidade de membros do Corpo místico não destrói a sua unidade. É a ´unidade na diversidade´, como ensina São Paulo: ´Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz. Porque, como o corpo é um tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos formam um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos todos batizados para formar, um só corpo...´ (1Cor 12,11-12).




São Paulo insiste neste ponto também aos romanos:



´Pois, como em um só corpo temos muitos membros e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim nós, embora sejamos muitos membros, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro´ (Rom 12,4´5).


Essa maravilha de Deus para a Igreja, isto é, a ´unidade na diversidade´, tem, entre outras vantagens, a de alimentar a caridade recíproca entre os membros do mesmo corpo. Cada um na Igreja recebe de Deus um dom próprio que o capacita ao serviço aos irmãos e à Igreja, de modo que ninguém se torne auto´suficiente e possa achar que tem condições de fazer tudo sozinho, sem precisar da ajuda dos outros. Deus fez a Igreja como uma Comunidade, uma família, onde cada um serve e é servido pelos outros. É o que São Paulo ensina quando diz que ´cada um de nós é membro um do outro´ (Rom 12,5).


Sem essa colaboração mútua, que faz a caridade ser exercitada e crescer, nenhuma comunidade é forte, viva e edificante. É no somatório das riquezas que Deus deu a cada um, que a Igreja se torna rica e salvífica para o mundo. É nesse sentido que o Apóstolo diz aos corintios: ´Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfato? ... O olho não pode dizer à mão: ´Eu não preciso de ti ´; nem a cabeça aos pés: ´Não necessito de vós´ (1Cor 12, 17´21). É relevante perceber que o Apóstolo afirma que ´os membros tenham o mesmo cuidado uns para com os outros´ (V.25). Ninguém na Igreja pode querer fazer algo sozinho, de maneira auto´suficiente e presunçosa; seria a própria negação da natureza que Deus quis para a Igreja.


Quando dependemos uns dos outros para fazer a evangelização acontecer, então somos, de fato, Igreja. Essa dependência mútua, muitas vezes difícil de ser vivida por causa dos defeitos de cada um, exercita a humildade de cada um dos membros. O Apóstolo pede aos romanos; ´Adiantai´vos a honrar uns aos outros´ (Rom 12,10). ´Recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior do que convém´ (Rom 12,3). ´Que vossa caridade não seja fingida´ (V.9). Nada pior para um membro do Corpo de Cristo do que a presunção; isto é, achar´se melhor do que os outros; ou, pior ainda, ´indispensável´ para a comunidade e o serviço da Igreja. Nada é mais importante para a Igreja do que a sua unidade.


O Senhor, antes de sofrer a Paixão, na sua Oração sacerdotal, rogou ao Pai com toda ênfase:



´Pai santo, guarda´os em teu nome... a fim de que sejam um como nós´ (Jo 17,11). ´Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste´ (V.21).


É importantíssimo notar o que Jesus diz nesta oração. Se não houver unidade entre os que anunciam o seu nome, o mundo não poderá crer que Ele é o enviado do Pai para salvar os homens. Unidade e conversão dos fiéis estão intimamente relacionadas por Jesus. Por isso, como diz o Papa João Paulo II, a quebra da unidade é o maior escândalo hoje para o cristianismo. ´Dei´lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim´ (V.22´23).


Não podemos nos esquecer jamais dessa palavra do Senhor: ´para que sejam perfeitos na unidade´. Tudo estará perdido na Igreja se a unidade não for guardada com todo carinho. Mas ela é o fruto doce de uma comunidade humilde, simples, serviçal, onde cada um morreu para si mesmo, sem que ninguém queira aparecer, se exibir, e todos saibam perdoar e compreender os mais fracos. São Paulo recomenda aos efésios ´conservar a unidade do espírito no vínculo da paz´ (Ef 4,3). Esse vínculo da paz é a caridade que é ´o vínculo da perfeição´ (Cl 3,14).


Essa era a grande preocupação do Apóstolo: Aos efésios ele pede:




´Exorto´vos, pois ´ que leveis uma vida digna da vocação a qual fostes chamados, com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando´vos mutuamente na caridade. Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz´ (Ef 4,1´3).


O Apóstolo é realista; ele sabe que não é fácil a vida em comunidade, onde os defeitos de cada um geram problemas e divisões:


Em nome da ´unidade do Espírito´, ele suplica que os fiéis ´suportem´se mutuamente´. Aos filipenses ele pede também: ´Tornais então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro´ (Fil 2,1´4). Essas palavras do Apóstolo mostram bem o que fere a unidade: competições e vangloria; e dá o remédio: humildade. Aos corintios São Paulo pede: ´Eu vos exorto, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo; guardai a concórdia uns com os outros, de sorte que não haja divisões entre vós, sede, estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar´ (1Cor 1,10). Aos romanos ele insiste: ´O Deus da perseverança e da consolação vos conceda terdes os mesmos sentimentos uns para com os outros, a exemplo de Cristo Jesus, a fim de que, com um só coração e uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo´ (Rom 15,5).


Como poderemos glorificar a Deus num só coração e numa só voz se as nossas almas estiverem divididas?


As feridas da unidade da Igreja sempre foram e sempre serão as mais dolorosas e prejudiciais para a sua vida. Muitas separações e cismas .aconteceram por causa dos pecados dos homens, como dizia Orígenes(184´254): ´Onde estão os pecados, aí está a multiplicidade, aí o cisma, aí as heresias, aí as controvérsias. Onde, porém, a virtude, aí a unidade, aí a comunhão, em força da qual os crentes eram um só coração e uma só alma (At 4,32)´ (CIC nº 817). Talvez ninguém melhor do que São Cipriano (†258), bispo de Cartago, tenha escrito sobre a importância da unidade da Igreja. Nos seus escritos ele mostra como o demônio age para dividir a Igreja. Ouçamos o que ele ensina:



´ O inimigo, desmascarado e derrotado pela vinda de Cristo, ... trama nova emboscada para iludir os incautos, sob o rótulo do próprio nome de cristãos. Inventa heresias e cismas para subverter a fé, corromper a verdade e quebrar a unidade...Rouba homens da própria Igreja e os imerge, inconscientes, em outras trevas, deixando´os pensar que se aproximam da luz e escapam à noite do século. Continuam a se dizerem cristãos sem guardarem a boa nova de Cristo, os seus preceitos e as suas leis! Julgam ter luz e caminham nas trevas! O inimigo sedutor e mentiroso que, nas palavras do apóstolo, se transforma em anjo de luz, apresentando seus ministros como ministros da justiça, anunciando a noite como o dia, a perdição como salvação,...o Anticristo sob o nome de Cristo, lhes escurece e frustra a verdade pela sutileza, propondo como verdadeiras coisas ilusórias. Isto se dá, caríssimos irmãos, porque não mais se volta à origem da verdade, não se vai mais à sua fonte, nem se guarda a doutrina do magistério celeste´ ( Sobre a Unidade da Igreja).


E o grande bispo de Cartago pergunta, desde o terceiro século:


´Julga conservar a fé, quem não conserva esta unidade recomendada por Paulo? (Ef 4,4´6). Confia estar na Igreja, quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja? E continua a discorrer sobre a importância capital da unidade da Igreja. Vale a pena ler com atenção os seus escritos de mais de 17 séculos: ´Principalmente nós, que presidimos a Igreja como bispos, devemos manter e defender firmemente esta unidade, dando provas da união e indivisibilidade do episcopado...O episcopado é único e dele possui por inteiro cada bispo a sua porção. A Igreja é uma só, embora abranja uma multidão pelo contínuo aumento de sua fecundidade. Assim como há uma luz nos muitos raios do sol, uma árvore em muitos ramos, um só tronco fundamentado em raízes tenazes, muitos rios de uma única fonte, assim também esta multidão guarda a unidade de origem, se bem que pareça dividida por causa da inumerável profusão dos que nascem. A unidade da luz não comporta que se separe um raio do centro solar; um ramo quebrado da árvore não cresce, cortado da fonte o rio seca imediatamente. Do mesmo modo a Igreja do Senhor, como luz derramada estende os seus raios em todo o mundo, e é uma única luz que se difunde sem perder a própria unidade. Ela desdobra os ramos por toda a terra, com grande fecundidade; estende´se ao longo dos rios, com toda liberalidade, e no entanto é uma na cabeça, uma pela origem, uma só mãe imensamente fecunda. Nascemos todos de seu ventre, somos nutridos com seu leite e animados por seu espírito.´




A esposa de Cristo não pode ser adulterada, ela é incorrupta e pura, não conhece mais que uma só casa, guarda com casto pudor a santidade do único tálamo. Ela nos conserva para Deus, entrega ao Reino os filhos que gerou. Quem se aparta da Igreja e se junta a uma adúltera, separa´se das promessas da Igreja. Quem deixa a Igreja de Cristo não alcançará os prêmios de Cristo. É um estranho, um profano, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Se alguém se pôde salvar dos que ficaram fora da arca de Noé, também se salvará os que estiverem fora da Igreja. O Senhor nos admoesta e diz: ´Quem não está comigo está contra mim, e quem não ajunta comigo, dispersa´( Mt 12,30). Torna´se adversário de Cristo quem rompe a paz e a concórdia de Cristo; aquele que noutra parte recolhe, fora da Igreja, dispersa a Igreja de Cristo.´


A Igreja católica olha com respeito os cristãos que estão fora dos seus limites - O Catecismo nos ensina algo muito importante sobre isso:


´Os que hoje em dia nascem em comunidades que surgiram de tais rupturas e estão imbuídos da fé em Cristo não podem ser arguidos de pecado de separação, e a Igreja católica os abraça com fraterna reverência e amor... Justificados pela fé recebida no Batismo, estão incorporados em Cristo, e por isso com razão são chamados com o nome de cristãos, e merecidamente reconhecidos pelos filhos da igreja católica como irmãos no Senhor´ (UR,3), (CIC nº 818). A Igreja também reconhece que: ´Muitos elementos de santificação e de verdade existem fora dos limites visíveis da Igreja Católica´: a palavra escrita de Deus, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade e outros dons do Espírito Santo´ (UR, 3). O Catecismo ainda afirma que: ´O Espírito Santo de Cristo serve´se dessas igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica. Todos esses bens provêm de Cristo e levam a Ele e impelem à ´unidade católica´ (LG, 8).




Essas palavras não querem de forma alguma dizer que podemos aceitar essa triste realidade dos irmãos separados da fé católica, ´como se tudo estivesse bem´:


Não. O verdadeiro ecumenismo nunca será uma forçada justaposição de muitas igrejas, mas o reconhecimento de que só há uma Igreja fundada por Jesus e que contém com garantia todo o ´depósito da fé´ e ´a plenitude dos meios da salvação´. Infelizmente ocorreram rupturas na unidade da Igreja. São os cismas; a quebra da comunhão com o Papa, sem que haja necessariamente uma heresia. É a divisão do Corpo místico; é como que o rasgar a túnica inconsútil (sem costura) de Cristo. Aquele manto que os soldados sortearam (Mt 27,35), sem rasgá´lo, sempre foi visto pela Igreja como um símbolo forte da unidade querida por Cristo para ela. ´Repartiram entre si minhas vestes e sobre Meu manto lançaram a sorte´ (Sl 21,19). Essa túnica de Cristo foi rasgada várias vezes na história da Igreja, e esses foram os momentos de maior sofrimento para ela.


No entanto, consola´nos as palavras de Santo Hilário de Poitiers (†367):


´Foi sempre privilégio da Igreja vencer quando é ferida, progredir quando é abandonada, crescer em ciência quando é atacada´.


Foi exatamente nos tempos de lutas contra as piores heresias, surgidas dentro da própria Igreja, que ela desenvolveu a solidez de sua doutrina tal qual a temos hoje e professamos no Credo. Cristo e os Apóstolos já tinham alertado os discípulos para o perigo dos falsos doutores e falsos profetas. No Sermão da Montanha, Jesus avisou desde cedo: ´Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores´(Mt 7,15).


Ao se despedir dos anciãos e bispos de Éfeso, São Paulo recomendava:



´Cuidai de vós mesmos e do rebanho que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o seu próprio sangue. Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos. Vigiai... ´( At 20,28).


Note que São Paulo diz que é de dentro do próprio rebanho que surgirão os lobos. Com a mesma ênfase São Pedro alertou: ´Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também, haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas´(2 Pe 2,1). É muito importante notar que Pedro já falava das ´seitas perniciosas´, que hoje são tão abundantes.


As piores heresias que surgiram na vida da Igreja foram enfrentadas e vencidas nos grandes Concílios(Ou seja em unidade):


Nos primeiros séculos a Igreja foi perturbada fortemente pelo gnosticismo dualista que acreditava que a matéria era obra do mal e que portanto Jesus jamais poderia ter assumido de fato um corpo humano material. Negava assim a Encarnação e a salvação dos homens pela morte e ressurreição de Jesus. Era o também chamado docetismo, que ensinava hereticamente que a encarnação do Verbo tinha sido apenas aparente. Esta heresia, que penetrou na Igreja vindo da Pérsia, foi combatida pelos próprios Apóstolos (cf Col 2,9; 1Jo 4,2; 2Jo7) e principalmente por Santo Ireneu († 202).Talvez tenha sido a pior heresia dos primeiros tempos. Ainda nos séculos II e III surgiram as heresias do tipo monarquianista (adopcionismo, subordinacionismo), que negavam a Santíssima Trindade, não aceitando as três Pessoas divinas como distintas.O Filho e o Espírito Santo seriam apenas manifestações do próprio Pai, ou subordinadas ao Pai, e não Pessoas igualmente divinas e distintas, na única Trindade.



Depois das heresias Trinitárias, surgiram as heresias Cristológicas:


1´ Arianismo ´ Ário, de Alexandria († 334), defendia que Cristo era apenas uma criatura do Pai; a maior de todas, através da qual o Pai tinha criado as demais. Foi combatida por Santo Atanásio e condenada no primeiro Concílio da Igreja, o de Nicéia (325), que ensinou ser Jesus ´Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai´.


2´ Apolinarismo ´ Apolinário (300´390), bispo de Laodicéia, defendia que Cristo não tinha uma alma humana; era Deus, mas com uma natureza humana mutilada. Foi combatido principalmente pelos Santos Padres São Gregório de Nazianzo (329´390) e São Gregório de Nissa (†394), segundo o princípio de que ´o que não foi assumido pelo Verbo não foi redimido´.


3´ Macedonismo ´ Macedônio, bispo de Constantinopla, defendia que o Espírito Santo não era Deus, mas mera criatura do Pai. Esta heresia foi condenada no Concílio de Constantinopla II (381), que ensinou ser o Espírito Santo uma Pessoa divina. ´Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho;e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado´ (Símbolo Niceno´Constantinopolitano).


4´ Nestorianismo ´ Nestório (†426), patriarca de Constantinopla, que defendia herroneamente que em Jesus havia duas pessoas (humana e divina) e duas naturezas; Maria seria apenas a mãe de Jesus homem, mas não Mãe de Deus (como querem os protestantes), como se existissem dois Eu(s) em Jesus. Desde o primeiro século os cristãos chamavam Maria de ´Theotokos´ (Mãe de Deus). Essa heresia foi condenada no Concílio de Éfeso (431), principalmente pelo trabalho de S.Cirilo de Alexandria(†444). O Concílio ensinou que em Jesus há uma só Pessoa (divina), o Eu de Jesus é divino, mas há duas naturezas( humana e divina) unidas e distintas, harmoniosamente, nesta única Pessoa, que é a do Verbo. Confirmou firmemente a crença dos cristãos desde os primeiros século, de que Maria é a Santa ´THEOTOKOS´.


5´ Monofisismo ´ Defendida por Êutiques de Constantinopla e Dionísio de Alexandria, foi uma réplica exagerada ao Nestorianismo, caindo em erro oposto; dizia que em Jesus havia apenas uma Pessoa e uma Natureza. Defendia que a natureza divina teria absorvido a humana, e assim Jesus não seria perfeitamente homem. Esta heresia foi condenada no Concílio de Calcedônia (451), que reafirmou haver em Jesus uma só Pessoa (divina), mas nela há duas naturezas(divina e humana).


6´ Monotelitismo ou Monoenergismo ´ Sérgio, patriarca de Constantinopla (sec.VII), defendia que em Jesus havia uma só Pessoa, duas naturezas, mas uma só vontade(´theletes´, em grego) e uma só operação. Isto também negava que Jesus fosse perfeitamente homem. Essa heresia foi condenada no Concílio de Constantinopla III (681); que ensinou haver em Jesus uma só Pessoa, duas naturezas, duas vontades e operações. Isto quer dizer que Jesus é inteiramente Deus e inteiramente homem. Na terra, quando queria agia como Deus (milagres), mas redimiu os homens assumindo totalmente, integralmente, a natureza humana. Diz a carta aos hebreus que Jesus:

´...passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado´(Hb 4,15). ´...em tudo semelhante aos seus irmãos´(Hb 2,17).


Aqui estão alguns casos de cismas que ocorreram na Igreja:


1)- No ano de 431 houve o cisma dos Nestorianos, seguidores de Nestório, bispo de Constantinopla, que não aceitaram as decisões do Concílio de Éfeso.


2)- Em 451 houve o cisma dos Monofisitas, que não aceitaram as decisões do Concílio de Calcedônia sobre as duas naturezas distintas de Jesus.

3)- Em 1054 houve o grande cisma de Miguel Cerulário e dos orientais ortodoxos;

4)- Em 1517, o de Martinho Lutero e do Protestantismo;

5)- Em 1534, o de Henrique VIII, rei da Inglaterra, e o Anglicanismo.

6)- Aqui no Brasil houve o cisma em 06/07/1945 que originou as Igrejas Católicas Brasileiras.


Nos cismas nem sempre está presente a heresia, que é uma doutrina contrária à verdade revelada por Deus e proposta pela Igreja. O herege é aquele que não aceita a correção da Igreja e permanece intransigente no seu engano.


É interessante notarmos aqui uma observação de Santo Agostinho:


´Não penses que as heresias são produto de mentes obtusas. É necessário uma mente brilhante para conceber e gerar uma heresia. Quanto maior o brilho da mente, e a confiança da Igreja ao herege, maiores suas aberrações´.


TIPOS DE HEREGES:

1)- Os hereges ´formais´ são os que cometem pessoalmente o pecado da heresia e do cisma, e excluem´se da comunhão da Igreja, embora conservem o caráter batismal.


2)- Os hereges e cismáticos ´materiais´ são os que nascem no seio de comunidades heréticas e cismáticas mas não são autores de heresia e cisma. Esses pertencem à comunhão imperfeita com a única Igreja de Cristo.


Muitas vezes se pergunta sobre a salvação dos adultos que morram sem o Batismo ou morram com o Batismo recebido fora da perfeita comunhão com a Igreja Católica ?


Sabemos que o Sacramento do Batismo é o caminho normal que Deus quis para a salvação de todos (cf Mc 16,16). Mas, logo no início do cristianismo a Igreja reconheceu outros meios, que são o martírio e o ´desejo explícito´ de Batismo. A partir do século XVI a Igreja passou a admitir também o ´desejo implícito de Batismo´; isto é:


“se uma pessoa é pagã, não recebeu o anúncio de Cristo, mas se recebeu, é dominada pela Ignorância invencível, ou não adere a fé pelo contra testemunho dos Cristãos, mas vive de boa fé, mesmo segundo crenças não católicas e Cristãs, e é tão dócil a Deus que, eliminadas as condições anteriores, soubesse da necessidade do Batismo e adesão a Cristo para a sua salvação, ela o pediria, neste caso o desejo do Batismo está implícito na vida da pessoa e, por isso, ela pode ser salva.”




O Catecismo da Igreja diz assim:


´Para os catecúmenos que morrem antes de seu Batismo, seu desejo explícito de recebe´lo, juntamente com o arrependimento dos seus pecados e com a caridade, garante´lhes a salvação que não puderam receber pelo Sacramento´ (nº 1259). ´Todo homem que, desconhecendo o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, procura a verdade e prática a vontade de Deus segundo o seu conhecimento dela, pode ser salvo. Pode´se supor que tais pessoas teriam desejado explicitamente o batismo se tivessem tido o conhecimento da necessidade dele´ (nº 1260). O Concílio Vaticano II confirma essa doutrina precisamente. Diz a ´Lumen Gentium´: ´O Salvador quer que todos os homens se salvem. Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus de coração sincero e tentam sob o influxo da graça cumprir por obras a sua vontade conhecida através dos ditames da consciência, podem conseguir a salvação eterna. A Divina Providência não nega os auxílios necessários à salvação àqueles que sem culpa ainda não chegaram ao conhecimento expresso de Deus, e se esforçam, não sem a divina graça, por levar uma vida reta´ (LG 16).



Embora reconheça tudo isso, a Igreja católica tem consciência de que ela possui, como disse o Papa João Paulo II, ´por vontade expressa de Deus, a plenitude dos meios da salvação´, ou seja ´todos os instrumentos da graça´(UR,3 e 4).


Nossos irmãos separados da fé católica que já nasceram nas igrejas ditas evangélicas não podem ser culpados pela separação havida no passado; contudo, estão desprovidos de muitos meios de salvação e santificação que Jesus nos deixou: Sacramentos, devoção a Maria, aos santos, sacramentais, etc. É preciso lembrar aqui que quando a Igreja Católica se refere às igrejas protestantes, ela pensa naquelas tradicionais e históricas (luterana, presbiteriana, batista, anglicana, ortodoxa, congregacionalista, etc), e não nesta multidão incontável de seitas que se multiplicam a cada dia, de maneira incontrolável e independente.


O ecumenismo é buscado com as igrejas protestantes históricas; não com as seitas que se pulverizam em divisões a cada dia mais. A ´Lumen Gentium´ deixa bem claro que:


´A única Igreja de Cristo ... é aquela que nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, entregou a Pedro para apascentar e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá´la e regê´la... Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele´ (LG, 8).


Diz ainda o decreto do Concílio sobre o Ecumenismo:


´Pois somente através da Igreja católica de Cristo, auxílio geral de salvação, pode ser atingida toda a plenitude dos meios de salvação. Cremos que o Senhor confiou todos os bens do Novo Testamento ao único Colégio Apostólico, de que Pedro é o chefe, a fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que se incorporem plenamente todos os que, de alguma forma, já pertencem ao Povo de Deus´ (UR,3).



A unidade da Igreja se revela também por vários fatores:


Doutrina, liturgia, governo, sucessão apostólica, etc. A Igreja possui uma única doutrina, um único Credo, a profissão de uma única fé recebida dos Apóstolos. Ninguém pode se dizer católico se não crê nessas verdades da fé. Especialmente hoje, com o novo Catecismo aprovado pelo Papa em 1992, ficou ainda mais claro e visível para a Igreja no mundo todo, a mesma doutrina, tanto em termos dos dogmas quanto da moral.


A celebração litúrgica, sobretudo dos sacramentos, é outro ponto forte de unidade da Igreja:


Em qualquer parte do planeta vivemos o mesmo Calendário Litúrgico, a mesma Missa, as mesmas festas litúrgicas, com pequenas variações.


Outro fator de unidade é a sagrada hierarquia implantada por Jesus:


A sucessão apostólica, através do Sacramento da Ordem, garante a ordem fraterna na Igreja e é a salvaguarda da unidade. O principal fator, a ´pedra da unidade´ é o Papa, ao qual são submissos todos os bispos, sacerdotes e leigos. Os grandes filhos da Igreja sempre se guiaram por este lema: ´Cum Petro et sub Petro.´ Essa providência do Senhor nunca faltou à Igreja. Já tivemos 264 Papas, e a Igreja sempre teve a sua Cabeça Visível. É o Vigário de Cristo na terra; ou, como disse Santa Catarina de Sena, o ´doce Cristo na terra.´


Já tivemos até cerca de 50 anti´papas, papas ilegítimos,bem como papas que não honraram e não foram dígnos do cargo,fruto das fraquezas humanas, mas não ficamos sem o Papa verdadeiro, em que pese todos os pecados dos homens, e  nenhum deles por mais pecadores que fossem jamais revogaram, ou questionaram um dogma sequer pronunciado pela Igreja até ele.




Mateus 15,13: “Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai Celeste será arrancada”.




Cabe a nós cristãos incentivar a conversão; não existe cristianismo sem santidade e caridade. Muitos acham que ser cristão é só ir à missa aos domingos, ou frequentar cultos. Temos que ir à missa, mas imitemos os exemplos dos santos,que foram pobres, castos e obedientes a Cristo e a Igreja, como recomenda Paulo: “ Sede meus imitadores como eu sou de Cristo ( 1 Cor 11,1). Eles foram nosso grande exemplo de sacerdócio real como Santa Rita de Cássia, Santo Antônio de Pádua e São Francisco de Assis, que buscou a perfeição segundo Cristo. Mateus 19,21: “Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me”.





“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo !!!”

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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