“...O Amor nasce aí, na diferença de ser. O Amor quer surgir no que sou sem fingir. No respeito pelo amigo que coloca de seu jeito, confissões diferentes do que há no seu peito. Um sujeito não se faz de uma forma padrão. O sujeito se constrói nas mãos de Deus e com o olhar de amor dos irmãos...” (Fernanda Pontes).
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FESTA DE PADROEIROS FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA E ORIGEM - Você Conhece ?

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 5 de junho de 2013 | 15:12






Caros amigos,sabemos muito bem que nossos irmãos protestantes e até mesmo alguns católicos desinformados contestam a verdade de fé que é a intercessão dos santos,de Nossa Senhora e dos anjos.


Essas pessoas dizem que ´´não está na Bíblia``,mas é justamente através da Bíblia que provamos  que a intercessão dos santos existe:

Quatro passagens no livro do Apocalipse mostram de forma muito clara a veracidade desta doutrina:


1)- Apocalipse 8,3-4:“E veio outro anjo junto ao altar com um incensário de ouro.Foi dado ao anjo muito incenso,para colocar junto das orações de todos os santos ,junto ao altar de ouro,que está diante do trono.E a fumaça do incenso com todas as orações dos santos subiu das mãos do anjo até Deus...”


2)- Apocalipse 6,9-11:"E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador [Poderoso Deus], não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram. "



3)- Apocalipse 7,13-14: “E um dos anciãos me perguntou: Estes que trajam as compridas vestes brancas, quem são eles e donde vieram?  Respondi-lhe: Meu Senhor, tu sabes. Disse-me ele: Estes são os que vêm da grande tribulação, e levaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.”


Apocalipse 2,26-28:“Aos que conseguirem a vitória e continuarem a fazer até o fim a minha vontade eu darei a mesma autoridade que recebi do meu Pai: autoridade sobre as nações para governá-las com uma barra de ferro e quebrá-las em pedaços como se fossem potes de barro. Eu lhes darei a estrela da manhã.”


Portanto,contra fatos não existem argumentos contrários, só não ver quem não quer, e sabemos que o pior cego não é quem não ver, mas quem não quer ver.



Ora meus amados,se Jesus foi e pregou aos espíritos já mortos no passado e que estavam em prisão (conf.1 Pedro 3:19) Como podiam estar dormindo ?


Segue a passagem: I Pedro 3,19-20: "É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água."


Atenção !!! Atenção : Rebeldes nos dias de Noé!!!??? – Lógico que foram os que não entraram na Arca e pereceram – É simples, não compliquem.


Quer dizer que depois Jesus, balançou eles, cantou uma canção de ninar e botou todos pra dormir logo após ter pregado a estes espíritos é ?Ora, Quanta ignorância, haja paciência !!!Realmente o pior cego é o que não quer ver !!!



PERGUNTAS QUE NÃO QUERM CALAR:

1)- “Ora se os Protestantes pedem a intercessão de seus pastores,da Igreja e a oração de intercessão dos irmãos uns pelos outros, por que os Católicos não pode pedir a intercessão dos Santos que já estão junto a Cristo, que é muito mais eficaz ?”

Só os santos podem dizer como o apóstolo mais querido dos protestantes Paulo: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo (1 Coríntios 11:1).

Os Santos não são o caminho, pois o caminho para o Pai é Cristo, mas são setas, placas ao longo do caminho que apontam para Cristo. São para serem honrados e seguidos em seus exemplos de santidade como disse acima o apóstolo Paulo.


2)- Se Jesus não precisa de intercessores e nem de ajudantes, porque ele escolheu os 12 apostolos?

Agora vejam a contradição destes mesmos protestantes quando cantam em várias DENOMINAÇÕES  pentecostais no Brasil:


“Estou andando para o Céu, onde os santos já estão...”

E como alguns dizem que Maria e os Santos não estão  no céu? – Isto não é uma contradição ?Trata-se do Hino número 485 da Harpa Cristã, autoria de Joel Carlson, do HINÁRIO  da denominação Cristã : ASSEMBLEIA DE DEUS , adotado também  por outras DENOMINAÇÕES PENTECOSTAIS.


A INTERCESSÃO NAS ESCRITURAS SAGRADAS:



A transfiguração - onde está descrita a morte de Moisés e Elias?: Mt 17; Mc 9.
Corpo de Cristo: 1Cor 12,25-27; Rm 12,4-5.
Deus não é o Deus dos mortos, mas dos vivos: Mc 12,26-27.
Intercessão de Moisés e Samuel: Jr 15,1.
O aviso é para não evocar os mortos, mas os santos podem ser invocados pois estão vivos para Deus: Dt 18,10.
Oração intercessória: Ef 6,18; Rm 15,30; Cl 4,3; 1Ts 1,11.
Os falecidos Onias e Jeremias intercedem pelos judeus: 2Mc 15,11-16.
Os santos estão unidos com Deus: 1Cor 13,12; 1Jo 3,2.
Os santos são reerguidos na ressurreição e circulam por Jerusalém: Mt 27,52; Ef 2,19.
Veneração de anjos e Santos unidos com Deus: Js 5,14; Dn 8,17; Tb 12,16; Mt 18,10.


Se tomo ao pé da letra a passagem : I Tim2, 5 e digo que só Cristo pode interceder, conclusão eu afirmar que posso orar, rezar por outra pessoa como está escrito em : Rom 15,3; II Tessa 3,1; Heb 13,18 SERIA FALSO, OU ESTÁ HAVENDO UMA FALSA INTERPRETAÇÃO DO TEXTO!!!


Se tomo ao pé da letra que a alma fica dormindo após a morte como supõe a interpretação protestante de I Cor 15,51-52. Seria falsa as escrituras ao provar que após a morte a alma fica consciente como mostra as passagens : Luc.16,24 ?

II Ped. 1,13-15; I Cor 5,6-9; Fl 1,23 e Mat.17, 1-8


I Tessa. 3,13 : Com esta passagem fazemos a pergunta : É POSSÍVEL VOLTA DOS QUE NÃO FORAM ?


Moisés e Elias (Já mortos ) falam com Jesus : Mc 9.2-4

A Intercessão dos anjos : Mateus 18,10

6)- A INTERCESSÃO NO ANTIGO TESTAMENTO :

Para os antigos o SANGUE ERA A VIDA ( ALMA ) – Pode o sangue falar com Deus ? ( Ou a alma do fiel ? ) – Gen. 4,10.

II Reis 13,20-21 : Um milagre pela intervenção de um já falecido.


A INTERCESSÃO NO NOVO TESTAMENTO

O Fenômeno da intercessão dos santos começa de  maneira definitiva com a Ressureissão de Cristo, que abre os céus e leva consigo a alma dos fieis ( Lc 23,43) que perseveraram na fé. Antes os céus estavam fexados e ninguém ainda havia subido (João 3,13) e as almas dos fieis estavam no Sheol, ou Hades ( Habitação dos mortos ), que após a ressurreição de Cristo são levados com Ele após sua pregação na prisão do Hades conforme :  I Ped. 3,18-20

Com o martírio dos 1º Cristãos começa haver a intercessão propriamente dita, pois os Cristão tinham a certeza de que estes Mártires  pela revelação de João no livro do Apocalipse na perseverança da fé até o fim , iriam pra junto de Cristo em Espírito e em verdade ( Apoc.2,26; 3,21 )


ORAÇÃO PERFEITA DE INTERCESSÃO À SANTA TERESINHA POR MEIO DA TRINDADE SANTA:


"Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu Vos agradeço todos os favores, todas as graças com que enriquecestes a alma de Vossa serva Santa Terezinha do Menino Jesus, durante os 24 anos que passou na terra e, pelos méritos de tão querida Santinha, concedei-me a graça que ardentemente Vos peço (faça o pedido da graça que deseja) - se for conforme a Vossa Santíssima vontade e para salvação de minha alma. Ajudai minha fé e minha esperança, ó Santa Terezinha, cumprindo mais uma vez sua promessa de que ninguém Vos invocaria em vão, fazendo-me ganhar uma rosa, sinal de que alcançarei a graça pedida. "Reza-se em seguida 24 vezes: "Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos, amém."

Santa Terezinha do Menino Jesus, rogai por nós.

Rezar 1 Pai-Nosso, 1 Ave Maria


Cada dia que passa me convenço que: "Um Católico, ateu, ou leigo  ignorante tende a ser um futuro Protestante."


As promessas que se fazem e se cumprem aos santos, resultam da fé, da devoção e do culto religioso que o povo presta aos oragos de um lugar, de uma aldeia, de uma vila ou de uma cidade ou, tão-só, ao titular de uma igreja ou de uma capela.

Anteriormente ao século VII, as catedrais, igrejas ou localidades não possuíam santos titulares ou padroeiros, com exceção da Catedrais Marianas.


Apenas as basílicas e igrejas que conservavam as relíquias de um santo mártir podiam adoptar o seu nome como santo padroeiro ou titular desses lugares sagrados.


A partir desse século (VII), quase todas as igrejas começam a organizar-se no sentido de elegerem os seus padroeiros, sendo escolhidos, em primeiro lugar, naturalmente, as figuras do Divino Salvador e da Virgem Maria, seguidas dos Santos Mártires.


Por altura da conquista da Espanha pelos Árabes, já todas as igrejas possuíam um santo padroeiro, a dar o seu nome ao templo e a servir de patrono às comunidades.Reposto o culto cristão após a Reconquista, reatou-se esta tradição cristã (que nunca deixou de manter-se), a englobar capelas, igrejas, mosteiros e lugares, numa reafirmação da religiosidade popular.


Os novos colonos das comunidades, que tomaram para si as terras abandonadas pelos Mouros, no sentido de as povoar e cultivar, acabaram por ser eles próprios a contribuir para devolver às populações as práticas da devoção Cristã, incluindo as do culto prestado aos seus santos padroeiros, procedendo à reconstrução ou edificação de capelas e igrejas, entretanto destruídas, de modo a que o povo pudesse praticar os preceitos religiosos da sua devoção em locais sagrados.


À frente dos templos, como responsáveis e orientadores pastorais dessas mesmas comunidades, eram colocados sacerdotes, por esse tempo a designarem os fiéis por fili eclesiae («fregueses»), designação que se estendia à localidade, dando-se-lhe o nome de  «freguesia», a substituir a anterior denominação, «paróquia», atualmente recuperada, embora de certa forma circunscrita às atividades paroquiais (religiosas) de cada terra.

O processo de reorganização e formação das comunidades rurais, conquanto moroso (vai do século V ao século XI), é retomado a partir de então, agora com a igreja ou a capela sob a invocação dos santos a associar-se, em estreita união com as populações, no sentido de passar a celebrar-se em data fixa o dia dedicado ao Santo protetor e intercessor. A data recaia  no seu dia litúrgico, estipulado pela Igreja Católica, ou em datas ligadas a acontecimentos importantes ocorridos no seio das comunidades e relacionados com a figura do santo.


Por outro lado, a origem das romarias deriva, supostamente, das peregrinações da era apostólica ao túmulo de Jesus, aos lugares Santos de Jerusalém, às quais se seguiram as peregrinações a Roma, capital da Igreja Católica, com grupos de peregrinos em cumprimento de promessas aos túmulos dos apóstolos São Pedro e São Paulo e tantos outros mártires Cristãos.



Às peregrinações a Roma e a outros santuários de invocação a Cristo ou à Virgem Maria, associaram-se depois as de veneração aos santos, acrescentando-lhe o povo a parte profana, a festa e a diversão, ou, simplesmente, mantendo-a, já oriunda de épocas pré-cristãs.


Com o passar do tempo, em certas localidades, alguns dos antigos padroeiros acabaram por ter pouco significado, verificando-se, mesmo, a extinção da sua festa, quer por motivos da ruína dos templos e consequente desinteresse das populações, quer por terem sido ultrapassados, no decorrer dos anos, por uma devoção maior a outro santo.


Símbolo da fé do povo e sinónimo de proteção e intercessão à comunidade paroquial  a delimitar, por vezes, o próprio território que lhe cabe, como guardião das terras e dos seus respectivos habitantes , o santo padroeiro significa o amparo a  aquele que, por sua intercessão junto de Deus, tem a faculdade e a missão de defender e obter para quem a ele recorre, o louva e nele se confia, as graças pedidas em oração comprometidas de promessas particularmente, nas alturas mais precisas e difíceis da vida de cada um: Doenças, pestes,perseguições, fome, guerras e calamidades naturais.


ORIGEM:

Para tratar dessas festas fora do Brasil, buscou-se sua proximidade com algumas festividades realizadas no país. Opta-se, inicialmente, por mostrar as festas na Europa,considerando aquele continente como centro difusor da religião católica. Atualmente, a Europa integra roteiros internacionais em termos de peregrinações, festas e cultos que em muito representam parte da herança religiosa vivenciada no Brasil.


Após a abordagem europeia, o continente latino-americano torna-se o foco dos estudos, pois é considerada a principal área colonizada pelas culturas europeias, onde ainda se percebe o poderio da crença religiosa católica.

É válido destacar que a bibliografia existente sobre a temática apresenta uma diversidade teórica. Em decorrência dessa diversidade, prestigiam-se as publicações no país sobre o período da implantação e expansão colonial, bem como artigos publicados na internet.

As festas e celebrações estão presentes na sociedade humana desde os seus primórdios:

Na Grécia e Roma antigas, os deuses eram adorados com festas estabelecidas em um calendário anual. Havia festas do fundador, dos muros, dos limites do território, do campo, do trabalho, das sementeiras,da floração e das vindimas. Toda cidade tinha suas festas para as divindades protetoras (Coulanges, 1975).

A Igreja Católica adotou de forma estratégica e inculturada, para a evangelização destes povos o princípio das festas pagãs para homenagear e cultuar os seus santos.

Elas têm o objetivo de louvar e agradecer as graças concedidas aos homens pela divindade protetora escolhida que,no universo dos primeiros Cristãos e atualmente no católicismo, correspondem a Jesus, à Virgem Maria, ao Espírito Santo e aos santos de maneira geral.

O culto a Maria já tem início nos primeiros séculos do Cristianismo,e firma-se  principalmente no primeiro concílio de Éfeso em 431 que declara a maternidade divina de Maria(Teotokos), e cresce no período medieval, como tentativa de cristianizar as festas agropastoris em homenagem à Primavera.

Na igreja, os santos foram surgindo de acordo com os seus feitos e com as posições doutrinárias católicas. Essa postura possibilitou o aparecimento de inúmeros santos que chegaram ao Brasil na bagagem dos colonizadores.

Neste artigo, apresenta-se brevemente a tradição das festas dedicadas aos santos padroeiros fora das terras brasileiras, que influenciaram o culto no Brasil, sendo consagrados como padroeiros de inúmeras paróquias,capelas, vilas e cidades. Para tratar das festas de padroeiros fora do Brasil, buscou-se a proximidade destas com algumas realizadas no país.
Optamos  inicialmente, por mostrar as festas na Europa, considerando aquele continente como centro difusor da religião católica,o que explica o fato de a Europa, hoje, integrar roteiros internacionais em termos de peregrinações, festas e cultos ligados a santos padroeiros.

Santos Padroeiros - Origens e difusão das festas:


A Europa, principalmente a cidade de Roma, foi o centro das atividades religiosas cristãs. Neste artigo, os santos padroeiros foram escolhidos considerando-se dois países europeus (Portugal e Espanha) e exemplos latino-americanos.

A escolha desses países decorre dos fatos históricos que diretamente os associam ao Brasil, a saber: sua situação como centros da colonização, como áreas principais da territorialização e difusão da religião católica no mundo. Outro aspecto relevante é que os padroeiros foram relacionados aos países citados considerando sua maior visibilidade em relação às festas e à imagem simbólica já associada ao país e ao santo.


Portugal, o berço das festas de padroeiros brasileiras:

As festas, de acordo com Del Priore (1994), têm uma certa relação comum , porém não direta, da cultura europeia com base nos cultos, celebrações religiosas aos deuses protetores das plantações, do ciclos agrícolas de plantio e colheita, proteção das pestes, fomes, guerras e calamidades naturais.

As solenidades pagãs foram inculturadas pelo Cristianismo, com a expansão e homogeneização do cristianismo como religião predominante. As festas pagãs receberam nova roupagem e controle da igreja, que “determinou dias que fossem dedicados ao culto divino considerando-os dias de festa, os quais formavam em seu conjunto o ano eclesiástico” (Del Priore, 1994, p. 13).

Dessa ação primordial da igreja cristã, foram estabelecidos e distribuídos os grupos de festas: as festas do Senhor (Paixão de Cristo e demais episódios de suavida) e os dias comemorativos dos santos (apóstolos, pontífices, virgens,mártires, Virgem Maria e padroeiros).

Essas festas foram transvertidas pelo cristianismo e suas marcas estavam presentes nas festas portuguesas. Essas marcas, segundo Cascudo(1972), eram perceptíveis nas festas do “Mês de Maria”, substituindo forma estratégica pela Cristandade a festa de Afrodite, nas quais os portugueses penduravam “giestas2 à porta”.

As festas do “Divino” foram propositalmente comemoradas em maio para evitar as Marias,3 comemoradas na rua. Para disciplinar essas festas,instituíram-se procissões obrigatórias, por meio de acordo da Câmara de Lisboa, as quais não foram suficientes para evitar os ritos gentílicos.Assim, a festa “do nosso passado colonial talvez nos ajude a entender porque e o que ainda hoje tanto festejamos”, afirma Del Priore (1994 p. 15).

AS FESTAS PORTUGUESAS:

De acordo com a autora, citando o Vocabulário português e latino de Rafael Bluteau, as festas cristãs portuguesas eram “as dos patronos, as dos mártires e as da Epifania do Senhor.

Ainda se celebram, em Portugal, com singular solenidade:

Corpo de Deus de Lisboa, Santo Espírito de Alenquer,ladainhas de Coimbra, Trindade de Évora, Ressurreição de Beja e Ramos.
Ao estudar as romarias portuguesas, apresenta variedades de santos cultuados em Portugal. Ele identifica 216 romarias distribuídas pelo território português. Dessas, 99 são consagradas ao culto de Nossa Senhora, 83 a um santo ou santa, 20 a Cristo; já o Espírito Santo é celebrado em 14 santuários portugueses.

Destaca-se a invocação à Virgem Maira sob 68 títulos diferentes.O autor faz uma distinção regional da representação espacial dos santuários de devoção mariana.
Na região Norte (essencialmente Douro Litoral e Minho, acessoriamente Trás-os-Montes), a Virgem é invocada em razão da proteção que concede à existência e à atividade humana: santuários dedicados a Nossa Senhora da Saúde, Nossa Senhora dos Remédios.No Sul (Alentejo e acessoriamente Algarve), as invocações se referem a um “Mistério de Maria”, a um de seus títulos de glória: Santa Maria, Nossa Senhora do Mundo Inteiro, Nossa Senhora do Rosário.

Esse fato, julga o autor, “é indicativo de uma diferença de sentimentos religiosos entre as duas regiões e, mais profundamente, das personalidades de base dos dois povos” (Sanchis, 1992, p. 46).

Para os santos venerados, também se apresentam diferenças conforme os lugares. Os três santos mais populares de devoção geral em Portugal são: São João, São Pedro e Santo Antônio. Além desses, há um santo que aparece como centralizador de um grande número de peregrinações ligado às implantações monásticas: São Bento,com oito santuários no Norte e apenas um no Sul de Portugal.

Ainda no Norte, aparece o culto de Santa Maria em quatro santuários, seguido de São Bartolomeu, venerado em três locais de devoção. Sanchis ressalta que o culto de São Sebastião parece ser um ponto comum às três áreas consideradas em Portugal, e que estão dispostas em número de santuários como segue: três ao Norte, um no Centro e dois ao Sul. No que se refere ao santuário da Rainha Santa, é mais comum na região central do país onde se destacam três santuários, além de um situado no Sul.

São Lourenço,São Miguel, São Gonçalo, São Roque, Santa Bárbara, São Marcos,Santa Lúcia e São Cristóvão estão representados por mais de um santuário.
Nessas representações, percebe-se a intensidade da espacialização ocorrida em Portugal e a constituição de uma paisagem religiosa marcada pela devoção aos santos. Essa distribuição de monumentos religiosos pelo território português caracteriza o que Sack (1986) afirma sobre as territorialidades como uma ação geradora de controle.
Os autores demonstram as tendências evolutivas da piedade popular em Portugal. Na investigação, são usadas como ponto de partida as romarias de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, e de São Bartolomeu, na freguesia do mar, em Concelho de Esposende.

A SECULARIZAÇÃO DAS FESTAS DE PADROEIROS:

De acordo com a metodologia adotada pelos pesquisadores citados,a festa da Senhora da Agonia se inscreve no modelo de secularização,ao passo que a festa de São Bartolomeu se integra ao modelo de clericalização.

O primeiro modelo caracteriza-se pela hipertrofia do profano policentrado nos fogos de artifício, no cortejo folclórico e na feira, isto é, pelo crescimento e diversificação das práticas profanas e da sociabilidade secular. Nesse modelo, há uma preocupação maior com as atividades profanas na festa, o espaço/tempo é maior para essas atividades.

Segundo os autores, isso decorre da cristalização do cerimonial sagrado oficial e da expansão do profano na festa. Essa condição de secularização apresenta--se em razão da industrialização, do urbano e da separação Igreja-Estado.

Conforme descrito no estudo de Costa e Costa (s.d.), o modelo de clericalização estudado na Festa de São Bartolomeu exprime uma hipertrofia do sagrado, centrada na missa, na procissão, no sermão e no banho santo,que permanecem como elementos nucleares e mobilizadores da romaria até a atualidade. Está presente, nessa festa, o controle do clero em relação à organização espaço/temporal, bem como um forte elemento da devoção popular e a procura pela cura de doenças e males.

Na festa, há uma hipotrofia dos elementos do profano com distinção do espaço/tempo sagrados e profanos.

O componente social presente na festa está sob a influência da mentalidade camponesa que, mesmo frente à modernização, “realiza na sua acção quotidiana uma relação de parentesco com o sagrado renovada naquela ocasião festiva [...] na festa de São Bartolomeu se manifesta com grande intensidade, a busca do sentido da vida” (Costa e Costa, s.d., p. 4).

Os autores concluem a síntese apresentando o modelo de secularização abrangendo os fenômenos festivos populares que evoluem sob o signo da cultura oficial profana caracterizada pela pluralidade dos centros de criação cultural e pela descentralização dos sistemas de significações, dos agentes e dos veículos culturais.

O modelo de clericalização, por sua vez, desenvolve-se em um contexto geográfico-cultural próprio da civilização tradicional, onde predomina uma vivência caracterizada por uma relativa estabilidade que favorece a manutenção de uma forma de vida associada a uma mentalidade na qual avultam as crenças e práticas destinadas a curar e a proteger os homens contra tudo o que escapa ao domínio do poder humano. (Costa e Costa,s.d., p. 20).

Os dois modelos apresentados para as festas religiosas constituem um norte e fornecem um instrumento metodológico de pesquisa contemplando suas estruturas e sua evolução histórica. As festas de padroeiros portuguesas, em sua maioria, foram transportadas para o Brasil e, no longo processo de expansão do povoamento e ocupação do território nacional,foram incorporadas, nos mais longínquos rincões desse território,por imposição da coroa portuguesa.

Algumas destas festas resistiram ao tempo e fazem-se presentes no cotidiano do século XXI, no Brasil e em Goiás, como frutos da herança cultural portuguesa.

A Espanha e suas festas de padroeiros:
A Espanha também figura como um país de fortes tradições religiosas católicas que promove inúmeras festas de padroeiros em seu território. Na sociedade estratificada espanhola, as festas tinham o poder de promover a ordem estabelecida.
As festas consideradas súbitas e repentinas, cujo nascimento revela íntima relação com a estratificação estatal, já que os prazeres e sofrimentos do rei representado eram compartilhados e seguidos pelos súditos em cada área dominada estavam diretamente ligadas à manifestação do rei o soberano, ou um seu representante.

DO HASTEAMENTO DAS BANDEIRAS:

Essas festas tinham um denominador comum: uma recordação coletiva e a consciência religiosa da sociedade. Em seu estudo, Cantos destaca a festa anual do padroeiro como forma rememorativa da soberania do rei junto à população. Para tal feito, era obrigado, pelo menos uma vez por ano, o hasteamento da bandeira monárquica e esse ato culminava na festa do padroeiro.A coexistência dos poderes religioso e político marca presença nas festas religiosas tanto de herança espanhola quanto de herança portuguesa.Nota-se a participação de autoridades e lideranças políticas, em maior ou menor expressão, presentes nessas festas.A territorialidade presente nessa festa estabelece uma identidade religiosa no município.

Ao dar continuidade às reflexões já expostas, notamos certa proximidade entre as festas de padroeiros da América Latina e as festas de padroeiros brasileiras:


Festa de padroeiros na América Espanhola: um exemplo mexicano Na América, após a conquista dos territórios coloniais pelos espanhóis,as festas religiosas foram um prolongamento das festas espanholas.

Eram de suma importância para manter a ordem e impor o culto católico aos habitantes primitivos da colônia. Na América Espanhola, a duração dos festejos estava diretamente ligada à importância das festas; as festas de padroeiros tinham uma duração e uma concorrência maior de pessoas, conforme afirma Cantos (1992, p. 53).
Muito semelhantes entre si, as festas na América Espanhola conseguiam fazer convergir o poder do Estado e o poder eclesiástico e representá- lo com toda distinção possível dentro das tradições herdadas da Península Ibérica.

A escolha dos santos padroeiros deve-se ao papel que o culto aos santos desempenha na formação de uma consciência identitária. Assim, na fundação de San Francisco de Campeche, os espanhóis trouxeram a religião como um dos principais elementos definidores de sua identidade.

O santo padroeiro fortalecia as relações comunitárias e afinava os laços de pertença a uma comunidade.A relação entre o santo e o povo era mediada pelo poder eclesiástico,criando um modo de religiosidade que coadunava com a ideia de organização da sociedade em funções distintas e consequentemente desiguais.


Na dinâmica de ocupação espacial da América foi priorizada a formação urbana com bairros, praças e paróquias. No pensamento de Salas, essa ordenação espacial possibilitava, em Campeche, uma competição e distribuição de vários santos padroeiros, além de São Francisco de Assis.

Em 1649, apareceu a imagem da Virgem do Rosário, que foi levada em grande procissão ao convento franciscano da vila. Essa aparição carregada de simbolismo trouxe para a vila de Campeche, de acordo com a autora, a possibilidade de um santo padroeiro que a representasse.A consciência identitária limitou-se aos bairros e a seus santos padroeiros locais.

RESUMO FINAL:

A tradição das festas de padroeiros na Europa e, posteriormente, na América Latina e Brasil, resultaram de um longo processo da influência católica no mundo; em nosso país, a espacialização dessas festas deu-se em virtude da presença do Estado aliado à Igreja Católica num amálgama produzido pela junção do Estado e da Igreja para a organização territorial do Brasil.

As dinâmicas e as transmutações que podem ocorrer nessas festas, em quaisquer lugares onde aconteçam, seja fora ou dentro do território nacional, refletem a criação de uma identidade católica de forte expressão ainda presente na sociedade atual.

A escolha dos santos padroeiros deve-se ao papel que o culto aos santos desempenha na formação de uma consciência identitária. O santo padroeiro fortalecia as relações comunitárias e afinava os laços de pertencimento da comunidade. Por isso, a consagração de capelas, igrejas e paróquias faz parte de ações práticas da Igreja Católica.


Essa prática, adotada no Brasil pelos colonizadores, disseminou-se e pode-se dizer que reproduz, conforme afirmam Costa e Costa, o modelo ainda em vigor em Portugal. Há festas em que a hipertrofia do sagrado supera a do profano e vice versa; entre a secularização e a clericalização, a presença da igreja se impõe, mediando a religiosidade popular e o culto aos santos padroeiros. Essas festas, tanto as de origem portuguesa quanto as de origem espanhola, trouxeram elementos essenciais que influenciaram as louvações ainda presentes no século XXI, no Brasil e em Goiás.

Bibliografia:

1)- CANTOS, Ángel López L. Juegos, fiestas y diversiones en la América Española.Madrid: Editorial Mapfre, 1992.

2)- CASCUDO, Luis da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. Rio de Janeiro:Ediouro, 1972.

3)- COSTA, Rui Afonso da e COSTA, Hamilton. Tendências evolutivas da piedade popular:modelos de secularização e clericalização. Centro de Cultura UniversidadeNova Lisboa, Portugal, s.d., 24p.

4)- SANCHIS, Pierre. Arraial, festa de um povo: as romarias portuguesas. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1992.

5)- Festas e Tradições Portuguesas: Vol.VI - Ed. Círculo de Leitores

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