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O Martírio de Santa Luzia : " Sêde meus imitadores como eu sou de Cristo" I Coríntios 11,1

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 13 de dezembro de 2011 | 16:20







 A INTERCESSÃO NO ANTIGO TESTAMENTO :


Para os antigos o SANGUE ERA A VIDA ( ALMA ) – Pode o sangue falar com Deus ? ( Ou a alma do fiel ? ) vejamos isto lendo: Gen. 4,10.



II Reis 13,20-21 : Acontece um milagre pela intervenção de um já falecido.



A INTERCESSÃO (NÃO MEDIAÇÃO) NO NOVO TESTAMENTO





O Fenômeno da intercessão dos santos começa de maneira definitiva com a Ressureissão de Cristo, que abre os céus e leva consigo a alma dos fieis ( Lc 23,43) que perseveraram na fé. Antes os céus estavam fechaados e ninguém ainda havia subido (João 3,13), e as almas dos fieis estavam no Sheol, ou Hades ( Habitação dos mortos ), que após a ressurreição de Cristo são levados com Ele após sua pregação na prisão do Hades conforme : I Ped. 3,18-20




Com o martírio dos 1º Cristãos começa haver a intercessão propriamente dita, pois os Cristão tinham a certeza de que estes Mártires pela revelação de João no livro do Apocalipse, pela perseverança da fé até o fim , iriam para junto de Cristo em Espírito e em verdade ( Apoc.2,26; 3,21 )


Diferença de cultos: latria, dulia e hiperdulia ?



Alguns protestantes confundem o culto que os católicos tributam aos santos com o culto que se deve a Deus. Para introduzir o assunto da intercessão dos santos é necessário esclarecer a diferença que existe entre os cultos de "dulia", "hiperdulia" e "latria".


Em grego, o termo "douleuo" significa "honrar" e não "adorar".


No sentido verbal, adorar (ad orare) significa simplesmente orar ou reverenciar a alguém.A Sagrada Escritura usa o termo "adorar" em várias acepções, tanto no sentido de douleuo como de latreuo, como demonstrarei através da "Vulgata", Bíblia católica original e escrita em latim.


"Tu adorarás o teu Deus" (Mt 4, 10)


"Abraão, levantando os olhos, viu três varões em pé, junto a ele. Tanto que ele os viu, correu da porta da tenda a recebê-los e prostrando em terra os adorou" (Gn. 18,2).



Eis os dois sentidos bem indicados pela própria Bíblia: adoração suprema, devida só a Deus; adoração de reverência(Veneração), devida a outras pessoas.


A Igreja católica, no seu ensino teológico, determina tudo isso com uma exatidão matemática - A adoração, do lado de seu objeto, divide-se em três classes de culto:



1. culto de latria (grego: "latreuo") quer dizer adorar - É o culto reservado a Deus


2. culto de dulia (grego: "douleuo") quer dizer honrar.


3. culto de hiperdulia (grego: hyper, acima de; douleuo, honra) ou acima do culto de honra, sem atingir o culto de adoração.


A latria é o culto que se deve somente a Deus:

Consiste em reconhecer  Nele a divindade:como único ser incriado, Onipotente, Onisciente e Onipresente, supremamente: Justo, verdadeiro e misericordioso, único capaz de por si mesmo nos salvar. Único que devemos prestar uma homenagem absoluta e suprema, como criador e redentor dos homens. Ou seja, reconhecer que ele é o Senhor de todas as coisas e criador de todos nós, etc.



O culto de dulia(respeito/honra) é especial aos santos, como sendo amigos de Deus.


O culto de hiperdulia é o culto especial devido a Maria Santíssima, como Mãe de Deus.



Alguns protestantes protestam dizendo que toda a "inclinação", "genoflexão", etc, é um ato eminentemente de "adoração", só devido à Deus.Já demonstramos, com o trecho do Gênesis, que isso não procede. Todavia, para deixar mais claro o problema, devemos recordar que o culto de "latria" (ou de "dulia") é um ato interno da alma.


A adoração é, eminentemente, um ato interior do homem, mais que o exterior,que pode se manifestar de formas variadas, conforme as circunstâncias e as disposições de alma de cada um.



Os atos exteriores tais como: genoflexão, inclinação, etc -, são classificados tendo em vista o "objeto" a que se destinam, e não ao objeto em si mesmo. Se é aos santos que se presta a inclinação, é claro que se trata de um culto de dulia. Se é a Deus, o culto é de latria, simples assim.




Aliás, a inclinação pode ser até um ato de agressão, como no caso dos soldados de Pilatos que, zombando de Nosso Senhor, "lhe cuspiram no rosto e, prostando-se de joelhos, o adoraram" (Mc 15, 19). A objeção protestante, dessa forma, cai por terra.



Ou eles teriam que afirmar que havia uma "adoração" por parte dos soldados de pilatos, o que é absurdo! Eles simulavam uma adoração (ou veneração ao "Rei dos Judeus), através de atos exteriores, mas seu desejo era de zombaria.




A mediação intercessora dos santos é por Cristo e em Cristo:



"Orai uns pelos outros, para serdes salvos, porque a oração do justo, sendo fervorosa, pode muito"(Tg 5, 16)


Orar quer dizer prestar homenagem, louvar, exaltar, suplicar, embora nem toda homenagem seja uma oração, como já vimos.


"Tomai sete touros... e ide a meu servo Job... o meu servo Job... orará por vós e admitirei propício a sua face" (Job 42, 8).


Neste trecho, Deus não apenas permite, mas ordena "ide", e promete escutar a prece que Jó há de fazer em favor dos seus amigos.

Nosso Senhor nos manda "Orar uns pelos outros" (MT 5, 44). S. Tiago nos ordena de "orar uns pelos outros" (Tgo. 5, 16). S. Paulo diz que "ora pelos colossenses" (Col. 1, 3).



No evangelho de S. Mateus (20, 30), Jesus Cristo ensina que os "santos são como os anjos de Deus no céu":


Zacarias diz: "que o anjo intercedeu por Jerusalém ao Senhor dos exércitos" (Zac 1, 12 -13).



Os justos, os santos e os anjos do Céu se interessam pelos homens, intercedem pelos homens, e devem ser invocados e louvados.O arcanjo Rafael diz a Tobias: "Quando rezavas com lágrimas, e sepultavas os mortos, eu oferecia tua oração a Deus" (Tob. 7, 12) (Os protestantes tiraram esse livro do Cânon bíblico).



S. Paulo, na mesma carta em que declara Jesus como único mediador entre Deus e os homens, indica também mediadores 'secundários' (I Tm 2, 1-5):

"Recomenda que façam preces, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens..."


Pois, fazer orações por outros, é de fato, ser intercessor e mediador entre Deus e os outros.A própria Bíblia aplica o título de mediador também a Moisés:

(Dt 5, 5): "Eu fui naquele tempo intérprete e mediador entre o Senhor e vós".



Quando a Sagrada Escritura diz que Nosso Senhor é o único caminho entre os homens e Deus, não quer dizer que entre os homens e Nosso Senhor não possa haver intercessores. É claro, só Nosso Senhor é o único MEDIADOR  entre nós e Deus Pai, mas não significa que entre nós e Cristo não existam pessoas que O conheceram, amaram e serviram de forma exemplar.



É por isso que a doutrina católica chama Nossa Senhora de "Mediatrix ad Christum mediatorem", isto é, "Medianeira junto a Cristo mediador".


Deste modo, Cristo fica como único mediador entre Deus e os homens; e a Virgem Maria fica uma "medianeira junto a Cristo".



O poder de interceder está expresso em diversas passagens das Sagradas Escrituras, como nas Bodas de Caná, onde Nosso Senhor não queria fazer o milagre, pois "ainda não havia chegado Sua hora" e "o que temos nós a ver com isso (com a falta de vinho)?".


Bastou Nossa Senhora pedir para que seu Filho fizesse o milagre, que Ele adiantou sua hora para atender à intercessão de sua Mãe Santíssima. Que tamanho poder de intercessão têm Nossa Senhora! Fazer com que Deus, por assim dizer, mudasse seus planos? É tal o poder de Nossa Senhora que a doutrina católica a chama de onipotência suplicante, ou seja, Aquela que tem, por meio da súplica a seu Filho, o poder onipotente!



Existem diversas passagens da Sagrada Escritura em que Deus só atende por meio da intercessão dos santos, como no caso de Jó (já visto), em que Deus expressamente mandou que o fiel pedisse através de seu servo Jó. Ou mesmo o caso do discípulo de Santo Elias, que só fazia milagres quando pedia através do Deus de Elias.



Ora, é natural que Deus atenda àqueles que estão mais perto dele do que àqueles que estão mais distantes.



Quanto maior a virtude de uma pessoa, tanto mais perto de Deus ela está e tanto mais pode interceder por nós.Portanto, fica comprovado que é útil a intercessão dos santos junto à Nosso Senhor Jesus Cristo, único mediador entre os homens e Deus-Pai.


Os Santos não dormem após a morte, pois "Deus é Deus dos vivos" e não dos adormecidos



Eis algumas passagens que demonstram a falsidade do argumento daqueles que defendem a tese de que os homens estão "dormindo" após a morte:


1) Na transfiguração do Tabor, Nosso Senhor aparece ao lado de Elias e de Moisés. Elias está no Paraíso terrestre (ele não morreu e deve voltar no fim do mundo) e Moisés já estava morto (Lc 9, 28 ss). Ora, como alguém que esteja dormindo pode aparecer "acordado" ao lado de Nosso Senhor?.


2) Na parábola do "rico avarento", este pedia, após sua morte, para voltar à terra e avisar os seus amigos (Lc 16, 19 e ss). Pergunta-se, como um ser que dormia podia pedir para 'interceder' pelos seus?.


3) Veja essa outra citação: "santos são como os anjos de Deus no céu" (S. Mateus 22, 30). Será que os anjos também estão dormindo? E o nosso anjo da guarda? E os anjos que governam os astros?



Ora, é muita contradição defender que os santos estão dormindo, mesmo porque, Deus, voltando-se ao bom ladrão, disse:


"Em verdade, em verdade vos digo, ainda hoje estarás comigo no paraíso".


Ora, ele não disse que após adormecer e após a ressurreição dos corpos S. Dimas estaria no paraíso. Ele estava 'no tempo', vivo, quando disse essas palavras, indicando a morte próxima de S. Dimas e a entrada deste primeiro santo canonizado da Igreja.




Em outro trecho, quando discutia com os Saduceus,(Que não acreditavam na ressurreição), o próprio Cristo confirma a ressurreição imediata da alma pós morte:



"Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus nos declarou? Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos" (Mateus 22, 31-33). Logo, Abraão, Isaac e Jacob estão vivos e não "adormecidos".



No Novo Testamento é nítida a afirmação de que, após a morte, os justos gozam de vida consciente e bem-aventurança:


Assim, S. Paulo desejava morrer para estar com Cristo - o que lhe parecei melhor do que ficar na vida presente: "Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro... Sinto-me num dilema: meu desejo é partir e estar com Cristo, pois isto me é muito melhor...."(Fl 1, 21, 23) - Se é para estar com Cristo, ou Nosso Senhor está dormindo, ou os santos não estão dormindo após a morte.



Mais: em Ap. 6, 9s, as almas dos mártires já mortos, junto ao altar de Deus nos céus, clamam em alta voz:


"Até quando, ó Senhor Santo e verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?" Como se vê, os justos estão conscientes após a morte!



A palavra "dormir" é utilizada em sentido figurado, como eufemismo, significando aqueles que morreram.


Em outro trecho, a palavra 'despertar' significa 'ressuscitar'. Quando Nosso Senhor fala, por exemplo: "Pelos frutos conhecereis a árvore". A qual árvore Ele está se referindo? É claro que é uma expressão em sentido figurado. Ele está dizendo que pelos "frutos" (boas obras) conhecereis a "árvore" (quem, de fato, é a pessoa, a instituição etc).




A intercessão dos Santos Após a Morte - Alguns exemplos:


Jeremias: "E o Senhor disse-me: ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, a minha alma não se inclinaria para este povo; tira-os da minha face e retirem-se" (Jer 15, 1 ss).


No tempo de Jeremias, estavam mortos Moisés e Samuel, mas sua possível intercessão é confirmada pelas palavras do próprio Deus: "ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim...", quer dizer que eles poderiam se colocar diante de Deus para pedir clemência para com aquele povo. Em outras palavras, Deus deixa clara a possibilidade da intercessão após a morte.



Os "santos são como os anjos de Deus no céu" (S. Mateus 22, 30). Zacarias diz: "que o anjo intercedeu por Jerusalém ao Senhor dos exércitos" (1, 12 -13).



Em II Mac 15, 12-15 lemos: "Parecia-lhe (a Judas Macabeu) que Onias, sumo sacerdote (já falecido!)... orava de mãos estendidas por todo o povo judeu... Onias apontando para ele, disse: 'Este é amigo de seus irmãos e do povo de Israel; é Jeremias (falecido), profeta de Deus, que ora muito pelo povo e por toda a cidade santa".



No Apocalipse (6, 9s), os mártires, junto ao altar de Deus nos céus, clamam em alta voz: "Até quando, ó Senhor Santo e verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?"



Portanto,todos estes trechos demonstram, inequivocamente, a intercessão dos santos após a morte.



As Relíquias dos Santos e o Incenso


Era comum, já nas catacumbas, a reprodução de imagens e a guarda das relíquias dos santos. Qualquer um que visitar Roma verá as catacumbas com pinturas, inclusive da Mãe de Deus. S. Lucas, um dos evangelistas, pintou imagens de Nossa Senhora (fala-se em três pinturas). Uma das quais está exposta à veneração dos fiéis na igreja de Loreto, Itália.


O incenso era utilizado como ritual desde o Antigo Testamento. Os capítulos 25 a 31 do Êxodo são a enumeração de todos os objetos que Deus manda fazer e reservar para o seu culto.E não somente Deus manda separar estes objetos, mas exige que sejam "consagrados, bentos ou ungidos" com uma unção especial.

Salmo 140: “ Que a minha prece feita a tí, se eleve como incenso...”


Ele mesmo manda fazer o azeite da santa unção e diz: "E com ele ungirás a tenda da reunião e a arca do testamento, e a mesa com todos os seus vasos, o altar do incenso e a pia com a sua base" (Ex 30, 26-30)



Eis a origem da benção dos objetos e das pessoas consagradas a Deus. E na categoria de objetos entram as imagens, as estátuas, que são objetos de culto, enquanto nos lembram as virtudes dos santos que representam.



Sobre relíquias, devemos explicar o seu significado:



Relíquia é aquilo que resta dos corpos dos santos, ou os objetos que estiveram em contato com Cristo ou com os santos. As relíquias são veneráveis porque os corpos dos santos foram templos e instrumentos do Espírito Santo e ressuscitarão um dia na glória (Conc. de Tr. 25).


O culto das relíquias é inato no homem: gostamos de conservar como recordação os objetos que pertenceram aos homens ilustres, as armaduras dos grandes guerreiros, por exemplo. O mesmo Deus honra as relíquias, porque se serve delas para operar milagres. Muitos corpos de santos permanecem incorruptos, exalando bom odor etc.



Já os hebreus tinham o saudável e salutar costume de conservarem religiosamente as relíquias:


Moisés levou do Egito o corpo de José (Ex. 13, 19); os cristãos imitaram-lhe o exemplo. Santo Inácio de Antioquia foi lançado no anfiteatro de Roma às feras, que lhe não deixaram senão ossos; os seus discípulos procuraram-nos de noite e levaram-nos para Antioquia (no ano 107).



O mesmo se fez a S. Policarpo, bispo de Esmirna (166), queimado vivo; os seus restos foram considerados jóias preciosas.



Os túmulos dos primeiros mártires Cristãos na grande perseguição do império Roamano ainda pagão, foram desde a mais alta antigüidade, os sítios onde se construíram Igrejas e altares para aí celebrar o Santo Sacrifício. Muitas relíquias se guardam em relicários de prata, como a Cruz de Cristo ("lignum crucis") e o presépio de Belém.



Santo Agostinho conta uma multidão de curas e a ressurreição de duas crianças obtidas na África do Norte pelas relíquias de S. Estevão.


Já no Antigo Testamento vemos um morto ressuscitar ao contato dos ossos do profeta Eliseu (4 Reis, 13, 21).



Nada de estranho há nisso, pois ao simples tocar da veste do Messias, quantos não foram curados (Mt 9, 22)? A simples passagem da sombra de S. Pedro curava doentes (At 5, 15), ou os lenços e aventais de S. Paulo (At 19, 12).





“É evidente que o milagre não é produzido materialmente pelas relíquias, mas pela vontade de Deus, e pelas necessidades dos fieis. Não há, pois, superstição alguma nas peregrinações do povo cristãos a certos lugares em que Deus obra milagres pelas relíquias ou imagens dos santos (S. Agostinho).”





SANTA LUZIA – VIRGEM E MÁRTIR


A Convicção dos Mártires: Filipenses 1.20-21 "Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho".


Do mesmo modo que a Igreja de Milão celebrava São Sebastião, honrava a memória de Santa Luzia. A Liturgia das Horas traz, para o dia de sua festa, um texto extraído doLivro sobre a Virgindade, de Santo Ambrósio, o maior dos arcebispos milaneses:


“Tu, uma do povo certamente uma das virgens que iluminam a graça do corpo com o esplendor da alma; tu, estando em teu aposento, mesmo durante a noite, meditas sempre sobre Cristo, esperando em todo momento sua vinda… Abraça então aquele que procuraste; aproxima-te dele e serás iluminada”.




HINO DE SANTA LUZIA:

Siracusa, terra de Santa Luzia



A Ilha da Sicília (hoje parte do território italiano), conquistada pelos anos em 212 a.C., era uma florescente província como centro comercial e cultural. Sua civilização era de origem grega, fazendo parte da Magna Grécia, e nela desenvolveu-se uma grande escola de filosofia e de arte. 

O cristianismo foi difundido ali na era apostólica por São Marciano, enviado à cidade de Siracusa por São Pedro. A mesma cidade hospedou o apóstolo Paulo por três dias, quando viajava para Roma. A fé cristã tinha forjado uma comunidade viva e até numerosa.


E foi em Siracusa, cidade abençoada pela presença apostólica, que, pelo ano de 281, nasceu Lúcia, que passaremos a chamar de Luzia. Lúcia significa “Luz”, em sua origem latina. Talvez o nome de seu pai, conforme a tradição romana, tenha sido Lúcio e já estaria morto quando Luzia estava com quinze anos. O nome de sua mãe é certo: Eutíquia.


Não era de família pobre: pela história de Luzia percebe-se que seus pais eram ricos proprietários de terra.


Um belo futuro para Luzia

Os pais sonham tudo para os filhos, ainda mais quando acumulam bens para dar-lhes como dote de casamento, como foi o caso de Lúcio e Eutíquia. Luzia, porém, cristã como seus pais, não sonhava com sucessos humanos. Secretamente tinha-se consagrado ao Senhor pelo voto de virgindade. 

Queria somente isso: pertencer inteiramente, corpo e alma, a Jesus. Na Igreja antiga, a virgindade era um estado de vida cristã considerado em grau eminente pela comunidade: do mesmo modo que os mártires davam a vida por Cristo, as virgens lhe entregavam também a vida e toda a riqueza dos afetos humanos.

O voto de Luzia era secreto. Sua mãe tomou conhecimento disso por acaso, numa peregrinação a Catânia, junto ao túmulo de Santa Águeda.


Santa Águeda, virgem e mártir de Catânia


Perto da cidade de Siracusa, em Catânia, havia um grande centro de peregrinação: o túmulo da virgem e mártir Santa Águeda. Santa muito popular, venerada por toda a Igreja e tendo o nome incluído na liturgia romana, ao lado das queridas e simpáticas virgens e mártires Inês, Cecília, Luzia e Anastácia.


Águeda (ou Ágata) era de nobre e rica família de Catânia. Numa jovem, riqueza e beleza atraem pretendentes, como aconteceu com nossa jovem: o cônsul Quintiano pediu sua mão em casamento, ignorando que ela tinha se consagrado ao Senhor pelo voto de virgindade. Quintiano não se conformou com a negação e buscou os serviços de uma maga, Afrodísia, que, com filtros amorosos e rituais mágicos, procurou mudar o coração de Águeda.


Nada tendo conseguido, devolveu a questão a Quintiano. Este, ferido em sua paixão e orgulho, passou à mais cruel vingança. Entregou a jovem virgem aos torturadores e pediu que nada poupassem para fazê-la sofrer. Cortaram-lhe os seios e ouviram de Águeda a conhecida exclamação: Cruel tirano, não te envergonhas de torturar numa mulher os seios dos quais tu mesmo, quando criança, mamaste sugando a vida.


Consumida por carvões acesos que passavam por seu corpo, Águeda expirou na terra e nasceu para os céus. Era o ano de 250, no tempo do imperador Décio, que decidira salvar o Império romano da ruína perseguindo os cristãos. A fama da nova santa logo se espalhou, especialmente quando o vulcão Etna poupou a cidade de Catânia de suas lavas incandescentes exatamente um ano após o martírio de Santa Águeda, ocorrida em 5 de fevereiro, hoje data de sua festa.

Luzia revela seu voto de consagração ao Senhor.No dia 5 de fevereiro de 301, Eutíquia e Luzia foram a Catânia, rezar junto ao túmulo de Santa Águeda. Há mais de 40 anos, Eutíquia sofria de graves hemorragias. Naquele dia, o Evangelho proclamado foi o da mulher que sofria de fluxo de sangue e que fora curada por Jesus. Luzia pensou: Se Jesus curou aquela mulher que lhe tocou o manto, por que Santa Águeda não pedirá o mesmo para a cura de minha mãe? Falou disso para sua mãe: tocariam no túmulo como aquela mulher tocara nas veste do Senhor. Ficaram na igreja, esperando que todos saíssem. E foi tanta gente que o sono dominou Luzia. Teve um sonho: legiões de anjos rodeavam a virgem Santa Águeda. Águeda olhou e, sorrindo, lhe disse: Luzia, minha irmã, virgem de Deus, por que pedes a mim aquilo que tu mesma podes conceder? Deus olhou para tua fé e curou tua mãe.


Acordada, revelou o sonho a Eutíquia e, de fato, ela estava curada. Luzia aproveitou o momento e narrou a sua mãe o voto que tinha feito de consagrar ao Senhor sua virgindade. Eutíquia escutou-a serenamente e lhe respondeu: Tudo o que temos é para ti e, após minha morte, farás destes bens o que bem entenderes. Luzia não se contentou com isso e sugeriu a mãe: Por que, mamãe, não fazermos destes bem algo mais belo e útil como vendê-los e doá-los aos pobres? Eutíquia consentiu.


Retorna de Siracusa, começaram a vender os bens e a dar aos pobres o dinheiro conseguido. O gesto chamou a atenção de todos, especialmente dos pagãos, que sabiam que somente os cristãos eram capazes de desprezar de tal modo os bens terrenos dando-os aos pobres.

Um pretendente enciumado denuncia a fé de Luzia.Um jovem siracusano ardia de paixão por Luzia e não estava livre de interesse pelos bens que herdaria casando-se com ela. Furtivamente foi falar com Eutíquia para saber o motivo pelo qual vendiam terras, jóias, ricos tecidos, esbanjando assim uma bela fortuna. Recebeu uma resposta evasiva: Luzia é muito previdente. Ela está vendendo o que temos porque encontrou propriedades melhores e mais lucrativas, que nunca perderão o valor. Vendemos estas e adquirimos outras, o que nos parece sensato.


O pretendente escutou o que foi dito, entendeu do seu modo e ficou sossegado.Com o tempo, percebendo que as doações continuavam e que os bens estavam sendo dilapidados, teve a certeza de que Luzia era cristã. Adiantando-se à perda de tudo, pediu Luzia em casamento, recebendo uma firme resposta negativa.Nada mais tinha a perder e, cheio de frustração e ódio, denunciou-a às autoridades.



Estamos no tempo da grande perseguição de Diocleciano, o mesmo imperador responsável pelo martírio de São Sebastião.


Luzia diante do tribunal imperial


Como já vimos, tentando segurar a inevitável crise do Império, Diocleciano iniciara diversas reformas administrativas e econômicas. Queria também reformar as consciências restaurando o culto imperial e dos deuses romanos. Decidido a por fim ao crescimento do cristianismo, em 24 de fevereiro de 303 publicou o primeiro Edito de perseguição, ao qual seguiram-se outros. Foi o mais feroz ataque do Império ao cristianismo e também o último. Em 313, o cristianismo ganharia a liberdade, sob o imperador Constantino. O número de cristãos é calculado entre 7 a 10 milhões numa população de 50 milhões. Entre eles estavam as melhores forças morais e intelectuais do Império e Constantino soube perceber isso.


Não sabemos o nome do pretendente de Luzia, mas conhecemos o do prefeito da cidade, Pascásio. Como autoridade romana, devia cumprir as ordens. Tendo diante de si a jovem Luzia, perguntou-lhe se era cristã, tendo clara resposta positiva. Seguindo o procedimento jurídico, ordenou que sacrificasse aos deuses. Ao que Luzia prontamente se negou.

Transcrevemos, a seguir, a íntegra do diálogo que se travou entre Pascásio e Luzia e que chegou até nós pelas atas e vidas de mártires:

Luzia: “Diante de Deus o sacrifício puro consiste em visitar as viúvas, os órfãos e os peregrinos que vivem na aflição e na necessidade. Já estou fazendo isso pelo terceiro ano, oferecendo a Cristo Deus esse sacrifício, doando todo o meu patrimônio”.

Com ironia, Pascásio a interrompeu: “Vai contar essas lorotas aos tolos como tu, porque eu sigo as ordens dos Césares e não posso gastar o tempo ouvindo essas tolices”.


Firme, Luzia retrucou: “Tu observas os decretos dos Césares como também noite e dia eu sou fiel à lei de meu Deus; temes as leis dos Césares, como eu também reverencio a meu Deus: se tu não desrespeitarás as autoridades, do mesmo modo, como eu ousarei contradizer o meu Deus? Tu te esforças de lhes ser agradável e eu me esforço de agradar a Deus: então, faze tu o que deves julgar melhor e eu o farei segundo a minha consciência”.

O prefeito Pascásio continuou: “Tu esbanjaste tuas riquezas com homens vazios e vagabundos”.

Entre os pagãos corria a acusação de que os cristãos praticavam rituais dissolutos como acontecia com outros cultos pagãos. Por isso, Pascásio falou em “esbanjaste”.

Luzia logo o desmentiu: “Eu coloquei meus bens ao seguro e minha pessoa não se envolveu com perversidades”.

Para humilhá-la, Pascásio acrescentou: “Tu és a vagabundagem em corpo e alma”.

Respondeu-lhe Luzia: “Vós, sim, sois a corrupção do mundo”.

Vendo que não a convencia, Pascásio encerrou o interrogatório: Ou encerras o teu palavrório ou passaremos às torturas!

Replicou-lhe Luzia: É impossível deixar no silêncio as palavras do Senhor.

Espantado, o prefeito replicou: Então tu és um Deus?

E Luzia: Eu sou serva do Deus eterno, e Ele disse: quando estiverdes diante dos reis e dos príncipes não vos preocupeis com o que ou como falar aquilo que tiverdes de dizer, pois não sereis vós quem falará, mas o Espírito Santo que fala em vós.

Pascásio não se converte: Então, dentro de ti está o Espírito Santo?

Luzia respondeu: Aqueles que vivem casta e piedosamente são templo de Deus e neles habita o Espírito Santo.

Concluiu Pascásio: Farei com que sejas conduzida a um lugar de prostituição e deste modo o Espírito Santo fugirá de ti.

O cruel recurso era utilizado contra outras virgens cristãs: leva-las a casas de prostituição. Tanto isso é verdade que Tertuliano dizia que as virgens temiam mais o lenocínio (crimes contra os costumes) do que os leões; temiam mais a prova contra a sua virtude do que os animais ferozes.

O tribunal e o martírio

Pascásio então chama homens da pior espécie, sedentos daquela carne bela e virgem e ordena-lhes levarem Luzia para seus antros de perdição. Mas, Deus não se ausentou de sua filha, neste momento: ninguém conseguia tirá-la do lugar. Nem mesmo uma junta de bois amarrados a ela. Seu peso era tal que muitos soldados chamados para a tarefa retiraram-se envergonhados.


Julgando que Luzia não passava de uma bruxa exercendo suas bruxarias, o prefeito decidiu que trouxessem lenha e armassem uma fogueira em torno da jovem, recurso usado para as suspeitas de artes mágicas. Falou-lhe Luzia: Rogarei ao meu Senhor para que esse fogo não me faça mal.

Feito isso, o fogo foi ateado, mas suas chamas milagrosamente não tocaram o corpo de Luzia: nem o breu derretido que lhe lançavam ao rosto.


Pascásio explodia de ira. Seus amigos, para impedir que ele não fosse mais exposto ao ridículo pelos prodígios da Santa, tiraram-na da fogueira para que fosse morta pela espada.

A virgem Luzia compreendeu, então, que tinha chegado sua hora de confessar o nome de Cristo com o martírio. Diante da multidão que se reunira em torno da cena, ajoelhou-se e profetizou que estava terminando o tempo de Diocleciano, viria a paz para a Igreja e o cristianismo continuaria a expandir-se por todo o mundo.

Mal terminara de falar, um golpe certeiro de espada decepou-lhe a cabeça: sua virgindade fora consagrada com o martírio.

Era o dia 13 de dezembro de 304. Os cristãos recolheram seus despojos e os sepultaram nas catacumbas. Seu sepulcro logo se transformou em centro de peregrinação e devoção, passando Siracusa a ser a cidade de Santa Luzia e Luzia a Santa de Siracusa.

O culto a Santa Luzia


Em 1894, foi encontrada nas catacumbas de Siracusa, junto ao sepulcro de Santa Luzia, uma inscrição grega que falava de Luzia carinhosamente como “a nossa Luzia”. A inscrição tinha sido feita para uma outra sepultura, pois os siracusanos gostavam de ser sepultados perto de “sua” Santa. Escrita em grego, assim reza:Eusquia, a irrepreensível, que viveu boa e pura por cerca de 25 anos, morreu na festa de minha Santa Luzia, para a qual não há elogio à altura: (foi) cristã, fiel, perfeita, grata a seu marido com muita gratidão. Certamente para o anônimo viúvo tinha sido um bom presságio que sua esposa morresse no dia de Santa Luzia, 13 de dezembro.

O culto a Santa Luzia ultrapassou a cidade de Siracusa e estendeu-se pelo norte da Itália, onde está retratada num mosaico em Ravena, e por toda a Igreja. Muitos séculos depois veio para a América, onde é muito invocada especialmente contra os males das vistas.

É bom dizer que não há nenhum fundamento para a história de que tivessem sido arrancados os olhos de Luzia, como está simbolizado em muitas pinturas e imagens: é lenda sem fundamento. O imortal poeta italiano Dante Alighieri agradeceu a Santa Luzia a cura de uma doença nas vistas. Que seja invocada para a cura dos males da visão entende-se pelo significado de seu nome: Luzia – Lúcia – luz. Assim como a fé é luz para nossos olhos, Santa Luzia pede a Deus olhos para enxergarmos tanto os mistérios de nossa fé, as necessidades de nossos irmãos, como também a beleza da criação.

Santa Luzia deu o nome a muitas cidades, igrejas e paróquias. É a Santa que mais denomina cidades e vilas na Itália. Sua festa, em 13 de dezembro, é muito popular, pois se afirma que a noite de 12 para 13 é a menor do ano, sendo o dia 13 o maior, o de mais “luz-Luzia”.

As relíquias de Santa Luzia


Os restos mortais de Santa Luzia, suas preciosas relíquias, por um tempo se identificaram com os destinos de Siracusa. Quando, em 878, os árabes conquistaram a ilha da Sicília, o corpo foi escondido. Em 1039, logo que o exército bizantino reconquistou a ilha e a cidade, levou as relíquias para Constantinopla. Ali permaneceram até 1204. Neste ano, os participantes da quarta Cruzada inexplicavelmente apoderaram-se de Constantinopla, profanaram suas igrejas, causando profunda dor, que se prolonga até os dias de hoje, à Igreja do Oriente. O doge veneziano, Enrico Dandolo, comandante das tropas, apossou-se das relíquias de Santa Luzia e trouxe-as para Veneza, onde hoje se encontram na igreja de São Jeremias e Santa Luzia.

Em 1939, seu corpo, bastante conservado, foi colocado numa urna nova. O patriarca Ângelo Roncalli, depois papa João XXIII, em 1955 fez com que se confeccionasse uma máscara de prata para envolver as santas relíquias.

CORPO DE SANTA LUZIA:


Fazemos nossas as palavras que estão inscritas na capela das relíquias:


“Luzia, Virgem de siracusa,Neste templo repousa.Interceda pela ItáliaE pelo mundo...”

Fonte: Pe. José Artulino Besen
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