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Como confirmar algo que “supostamente” foi revelado por Deus em jejum e oração?

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 9 de agosto de 2018 | 21:53





É suficiente, apenas orando individualmente a Deus, ou consultando as colunas da Igreja para confirmar o que foi revelado na oração? É muito comum por parte daqueles que fizeram uma experiência sincera com Deus, diante de alguma dificuldade dizer: Vou jejuar e orar a Deus, para ouvir d’Ele o que Ele me revela, e qual seu direcionamento para determinada situação. Mas quem pode garantir e assegurar, que o que você vai ouvir, não venha apenas de suas próprias convicções, e ou, ainda pior, do demônio, que se disfarça de anjo de luz para enganar até os eleitos de Deus? (Conf. II Cor 11,14). Sabemos que mesmo a pessoa sendo sincera, a sinceridade por si só, não é o critério da verdade, pois uma pessoa pode estar, ou ficar sinceramente enganada pelas suas próprias convicções, ou inspirações do demônio, como ele fez a Eva no paraíso. E tanto Eva como Adão, eram sinceros e tinham intimidade com Deus, com os quais se encontrava com eles todos dias, na brisa suave da tarde, no jardim do Éden, conforme podemos ler em Gênesis 3,8.




Neste vídeo abaixo de uma matéria do “Fantástico” na rede Globo, mostra um pastor protestante, sua esposa, e um casal da igreja deste mesmo pastor, caindo neste engano de revelações e escuta da suposta voz de Deus, apesar da sinceridade dos mesmos, em orar a Ele, antes de cometerem este fato gravíssimo! (copie e cole o link abaixo para ver):






UMA FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA INTRODUTÓRIA:



Leiamos os capítulos de 1- 6 da carta de São Paulo aos Gálatas:



1/2 Eu, Paulo, chamado para ser apóstolo, não por qualquer organização ou autoridade humanas, mas por Jesus Cristo e por Deus o Pai, que ressuscitou Jesus da morte, dirijo esta carta às igrejas da Galácia, na companhia de todos os cristãos daqui, nossos irmãos na mesma fé.3 Desejo que vos sejam dadas a graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, 4 o qual se deu a si mesmo, sofrendo o castigo dos nossos pecados, de acordo com o plano de Deus, para nos livrar deste mundo mau. 5 Assim, damos toda a honra a Deus por toda a eternidade. Amém.


Há um só evangelho



6/7 Estou muito admirado da rapidez com que vocês se desviaram de Deus, que na sua misericórdia vos chamou a participar da vida eterna através de Cristo. Afinal, estão a seguir outro evangelho, que aliás nem sequer é evangelho algum. Há quem ande a enganar­vos, torcendo o sentido do evangelho de Cristo.8 Se alguém,ainda que seja eu próprio ou mesmo um anjo do céu, vier pregar­vos, sob o nome de evangelho, outra mensagem além do que já vos temos anunciado, que seja maldito. 9 Já antes vos tinha dito o mesmo, e repito agora: se alguém vier pregar­vos outras boas novas diferentes daquelas que vocês já uma vez aceitaram, que seja amaldiçoado.10 Se eu falo assim, lembrem­se que é porque procuro agradar não a pessoas mas a Deus. Se procurasse conformar­me às opiniões de homens não poderia ser servo de Cristo.


Paulo foi chamado diretamente por Deus para o apostolado



11/12 Posso garantir­vos, irmãos, que este caminho para Deus, que vos tenho anunciado, não é de origem humana, não foi arquitetado pelo pensamento humano. Também nem sequer foi de homens que o recebi. Mas foi antes Jesus Cristo mesmo quem me revelou.13/14 Vocês sabem como eu era quando seguia a religião judaica, e como perseguia sem misericórdia a igreja de Deus, procurando destruí­la. Na prática da religião judaica ultrapassava muitos da minha idade, meus compatriotas, e era extremamente zeloso no respeito das tradições de meus pais.15/17 Mas a vontade de Deus era outra! Mesmo antes de nascer, Deus já me tinha escolhido e designado, com uma bondade que eu não merecia, para revelar seu Filho em mim, a fim de que o pregasse entre os gentios. Pois quando chegou o momento de cumprir esse mandato, não hesitei nem fui procurar a opinião de ninguém; nem sequer voltei a Jerusalém para trocar impressões com os que já antes de mim eram apóstolos. Mas antes parti para a Arábia, regressando depois a Damasco.18/19 Foi só passados três anos que tornei a ir a Jerusalém para contactar pessoalmente com Pedro, tendo ficado com ele durante quinze dias. E não vi nenhum outro dos apóstolos, senão Tiago, irmão do Senhor. 20 Acreditem de que isto que aqui vos escrevo é a verdade; Deus é testemunha disso. 21/24 E depois dessa visita parti para a Síria e para a Cilícia. E entretanto os crentes das igrejas da Judeia continuavam sem me conhecerem pessoalmente; apenas tinham ouvido dizer que aquele que perseguia os cristãos anunciava agora a fé que antes procurava destruir. E davam louvores a Deus por minha causa.


Apesar de ter sido chamado diretamente por Deus, o ministério de Paulo é submetido e confirmado pelos apóstolos (colunas da Igreja)



2 Depois, passados catorze anos, voltei a Jerusalém na companhia de Barnabé, levando também Tito comigo. 2/3 Fiz essa viagem por uma ordem expressa de Deus. E foi assim que expus àqueles irmãos a mensagem de salvação que estava a pregar aos gentios. Sobre isto lhes falei, em especial aos que no meio deles tinham mais responsabilidades. Eu esperava que eles compreendessem e aceitassem a minha posição; senão o meu ministério teria sido em vão. E eles concordaram comigo. De facto, nem sequer Tito, meu companheiro, foi obrigado a circuncidar­se, embora fosse grego.4/5 Aliás essa questão não teria surgido se alguns falsos­cristãos não tivessem ali aparecido para espiar a nossa conduta, procurando pôr em causa a liberdade de que gozamos em Jesus Cristo e fazer­nos prisioneiros de regras e mandamentos judaicos. Mas de forma alguma lhes cedemos, nem nos sujeitámos às suas imposições, porque convinha que a mensagem do evangelho na sua verdade total fosse bem compreendida por vocês.6 E quanto àqueles que gozavam de mais consideração entre eles, aliás o que essas pessoas tenham sido não me interessa, visto que perante Deus somos todos iguais, o facto é que esses nada tiveram a dizer em relação à mensagem que eu estava a pregar. 7/10 Antes pelo contrário, quando Pedro, Tiago e João, que eram considerados como as colunas de apoio do edifício espiritual da igreja, viram como Deus me tinha dado a sua ajuda na comunicação das boas novas aos não­judeus, sem imposição de preceitos da lei, tal como a Pedro também pelo seu lado tinha sido confiada a missão de pregar o evangelho aos judeus, deram­nos então as mãos, demonstrando­nos o seu apoio e solidariedade, a mim e a Barnabé. Porque no fundo foi o mesmo Deus que deu a Pedro capacidade de serviço junto dos judeus, e que me preparou a mim para trabalhar eficazmente no meio dos não­judeus. Ficou então assente que nós continuaríamos a nossa missão junto dos não­judeus e eles no meio dos judeus. Recomendando­nos em todo o caso que nos lembrássemos dos mais desfavorecidos, o que aliás sempre procurei fazer com toda a dedicação.



Paulo critica não a doutrina, mas a atitude de Pedro perante os Judeus


11 Contudo, quando Pedro veio depois a Antioquia, tive que tomar posição contra ele, com firmeza, porque estava a atuar de uma forma censurável. 12 Pois ao chegar lá, a princípio comia com os cristãos não­judeus. Mas depois que chegaram também certas pessoas das relações de Tiago, começou a evitar esses contatos, afastando­se deles, com receio desses cristãos partidários da circuncisão. 13 E de tal forma que até os outros judeus convertidos começaram também a andar com dissimulação, e a ponto de mesmo Barnabé se deixar levar por eles.14 Quando vi que não era correta essa maneira de proceder, nem era uma forma honesta de se conformarem com a verdade do evangelho, disse a Pedro, na presença de todos, que se ele, sendo judeu, tinha já posto de parte os costumes judaicos e vivia praticamente como um gentio, não era justo que obrigasse os não­judeus a viverem como judeus.15/16 É verdade que somos judeus de nascimento, e não fazemos parte daqueles a que chamam os pecadores gentios; no entanto sabemos muito bem que uma pessoa não se torna justa diante de Deus pela obediência às obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo. Assim, confiando e entregando­nos a Cristo, somos perdoados e aceites por Deus. Mas isso não é devido à obediência à lei, pois ninguém poderá salvar­se por observar a lei.17/19 Se viessem agora dizer­nos a nós, que confiamos em Cristo para nos perdoar e salvar, que errámos, e que não podemos tornarmo­nos justos diante de Deus se não for pela obediência à lei, teríamos que concluir daí que Cristo afinal nos levou ao erro! Seria uma conclusão absolutamente absurda. Evidentemente que se me ponho a construir de novo um sistema de justificação, o qual antes tinha sido destruído, torno­me transgressor. Foi através da lei que eu fui levado a reconhecer que estava morto perante ela; e consequentemente fiquei livre para viver para Deus. 20/21 Eu estou crucificado com Cristo; e apesar de continuar a viver, já não é o meu eu quem domina, mas é Cristo quem vive em mim. E o resto da minha existência nesta terra é o resultado da fé que eu tenho no Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim. Se pudéssemos ser salvos da culpa do nosso pecado pela obediência à lei, é claro que a morte de Cristo teria sido inútil. Se eu seguisse este pensamento estaria a desprezar a dádiva de Deus.


As obras da fé em Cristo, ou as obras da lei Mosaica?


3 Ó Gálatas insensatos! Quem foi que vos fascinou, a vocês perante quem Cristo crucificado foi apresentado como se tivesse sido pregado na cruz mesmo sob os vossos olhos? 2/4 Só queria que me respondessem a isto: receberam o Espírito Santo através do cumprimento dos mandamentos da lei? Não, porque o Espírito Santo veio sobre vocês somente depois de terem crido na mensagem do evangelho que vocês ouviram e receberam com fé. Falta­vos assim tanto a compreensão espiritual destas coisas que, tendo começado pelo Espírito de Deus, pensem agora aperfeiçoá­la através dos vossos esforços humanos? Será que tudo aquilo que vocês já sofreram por causa do evangelho foi inútil? Certamente que não.5 Deus, que vos dá o Espírito Santo, actuando com milagres no vosso meio, faz isso em consequência da vossa obediência à lei judaica? Claro que não. É sim em resultado da fé com que aceitaram a pregação do evangelho.6/7 E assim como Abraão creu em Deus, e isso fez com que Deus o considerasse justo, da mesma forma, só os que têm a mesma fé em Deus é que são os verdadeiros filhos de Abraão.8 E as Escrituras previram que Deus havia de perdoar e aceitar os gentios em resultado da sua fé, quando dizem que Deus se dirigiu a Abraão com estas palavras: “Abençoarei por ti todos os povos.” 9 E, por isso, todos os que põem a sua fé em Cristo beneficiam da mesma bênção que Abraão.10 Por outro lado, todos aqueles que se apoiam nas suas próprias obras, feitas em obediência à lei judaica, estão debaixo da maldição, porque está escrito: “Maldito todo aquele que não cumprir tudo o que está escrito neste livro da lei de Deus.” 11 É portanto evidente que pela lei ninguém poderá ser aceite por Deus. Porque a Escritura diz: “O justo viverá pela fé.” 12/13 Ora lei e fé são duas coisas incompatíveis. Pois a lei diz: “Quem cumprir estas prescrições viverá por elas.” Mas Cristo pagou o preço necessário para nos libertar desse sistema legal, que nos mantinha debaixo da maldição, e colocou­se ele próprio sob a maldição divina, tomando sobre si a culpa dos nossos pecados. Até porque está escrito também na Escritura: “Maldito todo aquele que for pendurado no poste de madeira.” 14 E assim a bênção que Deus prometeu a Abraão pode chegar também até aos gentios por meio do sacrifício de Jesus Cristo; e nós, os cristãos, podemos receber o Espírito Santo prometido aos que têm a fé.


A lei Mosaica e a promessa



15 Irmãos, mesmo na vida corrente, se alguém prometer seja o que for a outra pessoa, e essa promessa estiver escrita e assinada, ninguém a poderá alterar nem anular. 16 Ora Deus fez promessas a Abraão e a Escritura diz que foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não se refere a descendentes, como seria se estivesse a falar de muitos; mas fala antes no singular, descendência, referindo­se a Cristo.17 O que estou a dizer é isto: O pacto que Deus fez com Abraão não podia ser anulado quatrocentos e trinta anos mais tarde quando Deus deu a lei a Moisés. Isso seria Deus a quebrar a sua promessa. 18 Se a herança de vida dependesse do cumprimento desse código legal, deixaria de ser, como é evidente, uma promessa de Deus, na qual os crentes apoiassem a sua fé. Mas não, ela é algo que Deus garantiu a Moisés, gratuitamente, sem lhe pedir em troca submissão a uma lei.19 Então para que serve a lei? Ela teve de ser ordenada a fim de tornar os homens conscientes do seu pecado. Mas esse sistema era apenas até à vinda do descendente de Abraão (ou seja Cristo), a quem a promessa dizia respeito. E há uma outra diferença. Deus deu as suas leis aos anjos para as dar a Moisés, que foi o mediador entre Deus e o povo. 20 Ora, um mediador é necessário se duas pessoas entram num acordo; mas Deus agiu por si próprio quando ele fez a sua promessa a Abraão.21 Então a lei é contra as promessas divinas? De maneira nenhuma! Porque se uma lei tivesse sido dada que pudesse transmitir vida, então a justificação viria certamente pela observância da lei. 22 Mas as Escrituras declaram que todos nós somos prisioneiros de pecado. Sendo assim, a única saída para a nossa salvação é a fé em Jesus Cristo. Por ele é que a promessa de vida, da parte de Deus, foi dada aos crentes.23 Mas antes que chegasse esse tempo em que a fé em Cristo nos abriu a entrada junto de Deus, nós estávamos como que guardados e vigiados pela lei, esperando o momento em que, pela fé, pudéssemos crer no Salvador, que havia de vir.


Quem são os filhos de Deus?



24 Dito de outra maneira: a lei foi como que um educador que nos conduziu até Cristo. Aí por meio da fé, pudemos estabelecer a nossa relação com Deus. 25/26 E agora que Cristo já veio, já não há mais razão para continuarmos a viver sob esse educador, pois que agora somos muito mais do que alunos, somos filhos de Deus, pela fé em Cristo Jesus. 27 E todos quantos fomos batizados em nome de Cristo, identificados com a sua morte, ficámos assim semelhantes a ele. 28 E aqui não há lugar para diferenças: tanto judeus, como não­judeus, humildes e poderosos, homens ou mulheres, todos, em Cristo Jesus formam um só povo. 29 E, se somos de Cristo, somos então descendência de Abraão, e herdeiros da mesma promessa.4 Pensem assim: Um herdeiro, enquanto for criança, não tem vantagens, em relação aos criados da casa, no que diz respeito às riquezas que virá a receber mais tarde. 2 Na realidade ele continua dependente da autoridade dos administradores dos bens e dos seus educadores, até ao tempo determinado pelo pai.3 Assim acontecia conosco quando éramos como essa criança: Estávamos submetidos à força das leis e cerimónias judaicas e àqueles princípios rudimentares pelos quais se regem os não­cristãos. 4/5 Mas quando chegou o tempo determinado, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, e sujeito à lei judaica, para comprar a liberdade para nós que estávamos sob as imposições dessa lei, a fim de poder adotar­nos como filhos. 6 E visto que agora somos seus filhos, Deus mandou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, pelo qual temos o direito de nos dirigirmos a Deus e de lhe falar como a um Pai a quem amamos. 7 É assim que já não somos como meros criados, mas somos filhos. E toda a herança de Deus nos pertence.


A preocupação de Paulo pelos gálatas


8 Antes de conhecerem Deus, vocês os gentios serviam, como escravos, os que por natureza não são deuses. 9 Mas agora que conhecem o verdadeiro Deus (ou melhor até, que Deus vos reconhece como seus filhos), como é possível que queiram voltar atrás e tornarem­se escravos, de novo, dessas exigências fracas e sem valor? 10/11 Respeitam determinados dias e meses, períodos lunares e anos! Receio bem que todo o meu trabalho em vosso benefício tenha sido em vão!12 Irmãos, peço­vos que se libertem, como eu, que também fui um escravo dessas coisas como vocês. Sempre nos entendemos bem. 13 Lembram­se que nessa altura me encontrava muito doente, quando vos anunciei o evangelho pela primeira vez. 14 E vocês até podiam ter sido levados a não se interessarem e a afastarem­se de uma pessoa enfraquecida, como era o meu caso. Mas não. Antes me receberam e cuidaram de mim como se eu fosse um anjo de Deus, como se fosse Jesus Cristo mesmo. 15 E então, que é feito desses tempos felizes que vivemos juntos? Não estou a exagerar; naquela altura senti bem que vocês teriam até dado os vossos próprios olhos, se isso fosse possível. 16 Seria então agora que vocês iriam considerar­me vosso inimigo pelo facto de eu vos dizer a verdade?17 Podem ter a certeza que essa gente que anda fazendo tudo para vos ganhar as simpatias não está a agir para o vosso bem. No fundo o que pretendem é fazer com que vocês se afastem de mim e que o vosso zelo se concentre nas pessoas deles. 18 Na verdade é bom ser­se zeloso para fazer o bem, especialmente quando eu não estou presente. 19 Eu estou a sofrer de novo por vossa causa, meus filhos, como uma mãe que espera o seu filho que vai nascer; pois desejo ardentemente que Cristo viva de novo na vossa vida. 20 Bem gostaria de estar agora junto de vocês, e aí eu saberia encontrar a melhor maneira de vos falar. Porque na verdade eu nem sei o que pense a vosso respeito.


Os filhos de Agar e Sara



21 Digam­me, os que insistem em se submeter à obediência à lei judaica: não compreendem vocês o seu verdadeiro significado? 22 Diz lá que Abraão teve dois filhos: um da escrava e outro de sua mulher que era livre. Mas houve uma diferença entre o nascimento do filho desta última e o da escrava: 23 o filho da mulher escrava nasceu duma tentativa humana para fazer cumprir a promessa de Deus. Mas o filho da mulher livre nasceu como o cumprimento do próprio Deus da sua promessa.24 Ora estas duas mulheres representam os dois pactos que Deus fez com o povo. Agar, a mulher escrava, representa o Monte Sinai, onde o povo inicialmente se tornou escravo da lei. 25 E agora Jerusalém é exatamente como o Monte Sinai, na Arábia, porque ela e seus filhos vivem na escravidão. 26 Mas Sara, a mulher livre, representa a Jerusalém celestial. Ela é a nossa mãe. 27 Isto é o que Isaías profetizou:


“Alegra­te tu, mulher que não tiveste filhos. Expande a tua alegria com cânticos, tu que não estás de parto! Porque tu que foste abandonada terás mais filhos do que a que tem marido.”


28/29 Pois vocês, irmãos, são esses filhos prometidos por Deus, tal como Isaque. E tal como acontecia naquele tempo, em que o filho nascido segundo a ordem natural perseguia aquele que veio ao mundo segundo o Espírito de Deus, assim é também agora.30 Mas que diz a Escritura? “Manda embora a escrava mais o seu filho, pois que este não poderá herdar juntamente com o filho da mulher livre.” 31 Portanto, meus irmãos, nós não somos filhos da escrava, mas da livre.



A verdadeira liberdade em Cristo



5 Procurem então, com firmeza, permanecer livres, beneficiando da liberdade com que Cristo nos libertou, e não se deixem prender de novo a cadeias de sujeição.2 Eu, Paulo, solenemente vos declaro que, se confiarem na circuncisão para serem aceites por Deus, Cristo nada poderá fazer para a vossa salvação. 3 E aliás insisto também no seguinte: é que quando alguém se sujeita a esse rito, fica automaticamente obrigado a obedecer a todas as outras leis. 4 E se confiam no vosso cumprimento da lei para terem uma relação justa com Deus, então excluem­se a si mesmos do benefício da sua graça.5 Mas nós é por meio da fé, e através do poder do Espírito Santo, que contamos tornarmo­nos justos diante de Deus. 6 Para nós, que recebemos Jesus Cristo, não faz diferença para Deus estar circuncidado ou não. O que importa é sim a fé que se traduz por atos realizados com o amor de Deus.7 Vocês estavam a correr bem. Quem é que vos tem impedido de obedecer à verdade? 8/9 Essa influência não vem de Deus, que foi quem vos chamou à liberdade. E um pouco de fermento é o suficiente para levedar toda a massa. 10 Mas eu estou convencido de que, com a ajuda do Senhor, vocês vão compreender as coisas de forma correta. E seja quem for que vos está a perturbar, certamente que não há­de escapar à condenação.11 Meus irmãos, se eu ainda estivesse a pregar que nós nos devíamos circuncidar, como alguns dizem que eu faço, porque é que os judeus me perseguem? O facto que eu ainda estou a ser perseguido prova que eu estou ainda a pregar a salvação somente através da cruz de Cristo. 12 Oxalá aqueles que vos andam a incomodar fossem castrados.13 Sim, meus irmãos, vocês foram chamados por Deus para viverem na liberdade. Não deixem então que essa liberdade seja um pretexto para que a vossa natureza carnal vos leve à prática do mal; antes pelo contrário que ela vos incite a trabalhar, por amor, a favor dos outros. 14 Porque afinal toda a lei se resume num só mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. 15 Mas se pelo contrário vocês se andam a criticar e a insultar uns aos outros, tenham cuidado, porque dessa maneira podem chegar a destruir totalmente a vida espiritual uns dos outros.16 E eis o conselho que vos dou: Andem debaixo da direção do Espírito, e dessa forma não darão satisfação aos apelos dos vossos instintos. 17 Porque a nossa natureza pecaminosa é oposta à vida do Espírito e vice­versa: o Espírito opõe­se aos instintos naturais. Estas duas forças estão a lutar uma contra a outra e desta forma não fazemos o que gostaríamos. 18 Mas se nos deixarmos guiar pelo Espírito, já não estamos sujeitados à lei.19/21 Porque os resultados de uma vida que se entrega aos seus instintos naturais são bem conhecidos: são a imoralidade e sensualidade, são a ânsia insaciável de prazeres carnais; é também o culto a ídolos, a prática de bruxarias; e inimizades, disputas, invejas, irritações, sectarismo, falsas doutrinas; críticas e ódios que trazem a morte e o assassínio, bebedeiras e glutonarias, e tudo o mais semelhante a estas coisas, sobre as quais já vos disse, e repito, que os que praticam e se entregam a elas nunca poderão herdar o reino de Deus.22/23 Mas o fruto que o Espírito produz em nós é: o amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a delicadeza no trato com os outros, a fidelidade, a brandura, o domínio de si próprio. Em relação àqueles que vivem desta maneira, a lei nem sequer tem necessidade de existir. 24 E a razão é que os que pertencem a Cristo crucificaram com ele a sua velha natureza com as suas paixões e baixos instintos. 25 Portanto, se realmente vivemos sob a ação do Espírito, sigamos fielmente as suas indicações, a sua inspiração. 26 Não sejamos egoístas, nem nos irritemos uns aos outros, nem tenhamos inveja uns dos outros.


Fazer o bem a todos


6 Meus irmãos, se alguém vier a cometer pecado, aqueles de entre vocês que possuem uma mente espiritual procurem encaminhá­lo com bondade; e sem qualquer sentimento de superioridade, pois cada um de nós está sujeito a ser tentado. 2 Partilhem uns com os outros o peso das vossas dificuldades, e assim cumprirão o mandamento de Cristo. 3 Se alguém se julga importante demais para ajudar a levar os fardos dos outros, está a iludir­se a si próprio.4 Que cada um verifique a sua própria conduta; e se houver razão para estar satisfeito, guarde esse sentimento para si, sem se comparar com os outros. 5 Cada um terá de suportar as suas próprias responsabilidades.6 Aqueles que recebem instrução sobre a palavra de Deus devem repartir os seus recursos com os que os instruem.7/8 Não se iludam: Deus não se deixa enganar,toda a gente virá a ceifar aquilo que tiver semeado. Os que semeiam atos que resultam só de desejos e ambições humanas, virão a ceifar a corrupção. Mas os que semeiam coisas do domínio do Espírito, receberão do Espírito a vida eterna.9 Não nos cansemos então de fazer o bem, porque a seu tempo viremos a recolher muitas bênçãos, se formos perseverantes. 10 E assim, sempre que tenhamos oportunidade, pratiquemos o bem para com todos, mas primeiramente para com os que têm a mesma fé que nós...”



APROFUNDAMENTO TEOLÓGICO SOBRE O TEMA DA REVELAÇÃO E DA GUARDA DA VERDADE



Para levar os homens à salvação, pelo “conhecimento da verdade” (1Tm 3,15), o Senhor garantiu a Igreja, por meio do sagrado Magistério “a infalibilidade naquilo, e tão somente naquilo, que se refere à salvação dos fiéis; isto é, nos ensinamentos doutrinários (fé e moral)”.Assim, a mensagem do Evangelho não ficaria à mercê da manipulação dos homens, como sempre se tentou na história da Igreja.Sem a garantia da infalibilidade para o Magistério da Igreja, podemos dizer que teria sido inútil a Revelação Divina, pois ela seria deteriorada ao chegar até nós, e não teria a força da salvação.


O Papa João Paulo II ao apresentar o novo Catecismo disse:



“Guardar o depósito da fé é a missão que o Senhor confiou à Sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos” (FD, introdução).


Esta é portanto “a missão” sagrada que a Igreja recebeu do Senhor: “guardar o depósito da fé”, intacto; e isto a Igreja sempre fez e faz.É com esta finalidade que a Santa Sé possui a “Sagrada Congregação Para a Doutrina da Fé”, encarregada de zelar pela pureza da doutrina em todo o mundo católico.A Igreja tem a missão de fazer “resplandecer a verdade plena e INTEGRAL do Evangelho”, enão apenas aquilo que nós é simpático e que nos interessa.A grande preocupação da Igreja sempre foi ser fiel ao seu Senhor, guardando intacto aquilo que dEle recebeu, o “depositum fidei” (depósito da fé), ou, como dizia São Paulo a Timóteo e a Tito, a “sã doutrina” (1Tm 4,6; 2Tm 1,14; 4,3; Tt 1,9; 2,7).Podemos notar que nas Cartas pastorais que São Paulo escreveu a S. Timóteo e a S. Tito, a quem ordenou bispos, a grande preocupação do Apóstolo é com a doutrina, para que essa não se corrompesse com o passar do tempo e com a transmissão oral ou escrita. Veja essas passagens:


“Torno a lembrar-te a recomendação que te dei (…) para impedir que certas pessoas andassem a ensinar doutrinas extravagantes (…)” (1Tm1,3).

“Recomenda esta doutrina aos irmãos, e serás bom ministro de Jesus Cristo, alimentando com as palavras da fé e da sã doutrina (…)” (1Tm 4,6).

“Quem ensina de outra forma (…) é um obcecado pelo orgulho, um ignorante (…)” (1Tm 6,3-4).

“Ó Timóteo, guarda o bem que te foi confiado!” (1 Tm 6,20).

“Guarda o precioso depósito!” (2 Tm1,14).

“Porque virá tempo que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação” (2Tm 4,3).


A Tito, vemos as mesmas recomendações de S. Paulo. Falando das qualidades que deve ter o bispo, ele diz:



“(…) firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem” (Tt 1,9).

“O teu ensinamento, porém, seja conforme a sã doutrina (…)” (Tt 2,1).

“…mostra-te em tudo modelo de bom comportamento: pela integridade da doutrina (…)” (Tt 2,7).

“Certa é esta doutrina, e quero que a ensines com constância e firmeza (…)” (Tt 3,8).



Na sua grande preocupação com a “sã doutrina”, S. Paulo como vimos acima na sua carta aos gálatas, diz com toda severidade:



“Não há dois evangelhos: há pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém “nós, ou um anjo baixado do céu” vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema [maldito]. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!” (Gl 1,7-10).


Ao longo da sua história a Igreja realizou 21 Concílios Ecumênicos (universais) para manter integralmente intacta essa “sã doutrina”. Foram muitas vezes momentos difíceis para a Igreja, porque, por não aceitar a verdade muitos irmãos se separaram da unidade católica; mas também foram momentos de luzes e confirmação para a continuidade da caminhada da Igreja.Falando desses Concílios, disse o Papa João Paulo II:


“Os grandes Concílios foram momentos de graça para a vida da Igreja universal (…). Eles representam um ponto de referência indiscutível para a Igreja universal”.


“Esses foram momentos de graça, através dos quais o Espírito de Deus concedeu luzes abundantes sobre os mistérios fundamentais da fé cristã” (LR, nº 28, 13/7/96).



É sobretudo nos Concílios que a Igreja exerce a sua infalibilidade em matéria de fé e de moral. Não se conhece na história da Igreja (de mais de 2000 anos) uma verdade de fé solenemente proclamada como DOGMA, que um dos Concílios, legítimos, tenha proclamado oficialmente, e que outro concílio o tenha revogado. Essa ocorrência doutrinária é uma prova da infalibilidade, já que o Espírito Santo, o grande Mestre da Igreja, não se contradiz. Ele não pode revelar à Igreja uma verdade hoje, que seja diferente, na essência, daquilo que Ele revelou ontem.



Um dia Jesus disse aos Apóstolos:



“Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado no céu” (Mt 18,18).



Essa mesma grande promessa que Ele já tinha feito a Pedro, como Cabeça visível da Igreja (cf. Mt 16,18), estende para todo o Colégio Apostólico unido e submisso a Pedro.E ainda mais, Jesus disse aos Apóstolos:


“Quem vos ouve, a Mim ouve, e quem vos rejeita, a Mim rejeita, e quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou” (Lc 10,16).



Nós católicos ouvimos os apóstolos hoje, através do Papa, bispos e dos presbíteros que são seus legítimos sucessores, por isso ouvimos Jesus. Na Bíblia está escrito também que: "Nenhuma profecia é de interpretação particular" (II Ped 1, 20) portanto, o exame das escrituras só deve ser feito por alguém com a autoridade dada por Cristo de ligar e desligar. Foi por isso que Cristo disse a Pedro: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e tudo o que ligares na terra será ligado também nos céus; e tudo o que desatares na terra, será desatado também nos céus" (Mat 16, 17-20). Dai se conclui que, somente Pedro e seus legítimos sucessores (Os papas e o Colégio dos bispos) o podem fazê-lo .



Como entender a infalibilidade da Igreja ?


Jesus garante que a palavra da Igreja é a Sua palavra. Quem rejeita o ensinamento dos Apóstolos, rejeita o próprio Senhor e o Pai que o enviou. Isto é muitíssimo sério. Rejeitar o que ensina a Igreja é rejeitar o que Jesus ensina, é rejeitar o que o Pai ensina; é rejeitar Jesus e o Pai.Antes de voltar ao Céu, na Ascensão, Jesus disse aos Apóstolos (à Igreja):



“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações… Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi” (Mt 28, 19-20).



Jesus envia a Igreja, que nascia com os Apóstolos, a “ensinar a todas as nações” a Sua doutrina. Sabemos que Deus sempre dá a graça necessária para se poder cumprir uma missão que Ele ordena. A graça, neste caso, foi a assistência do Espírito Santo para que a Igreja ensinasse sem erro. Antes de subir ao céu o Senhor garantiu:



“Eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20).


Esta é a última promessa de Jesus no Evangelho de S. Mateus, e ela nos garante que o próprio Senhor está no seio da sua Igreja, através do Espírito Santo, prometido e enviado em Pentecostes, para impedi-la de errar em matéria fundamental para a salvação dos homens.Para aceitar que a Igreja, nesses mais de 2000 anos possa ter errado o “caminho da salvação”, e desvirtuado o Evangelho, como querem os protestantes, seria preciso aceitar antes, que Jesus a abandonou, e não cumpriu a Promessa de estar sempre com a Igreja até o fim do mundo. Mas isto jamais; Jesus é fiel e ama a sua Igreja como Esposa, com amor indissolúvel, pela qual deu a Sua vida (conf. Ef 5,25).E ainda que tivéssemos desviado, e sido infiéis, Ele jamais abandonaria sua Igreja, pois assim está revelado nas escrituras:


“Se lhe formos infiéis, Ele permanece fiel; pois Ele não pode negar-se a si mesmo...” (II Tim 2,13)




Como então, admitir que a Igreja errou o caminho da salvação como quiseram propor os protagonistas da dividida Reforma Protestante?



É muito importante notar o que São Paulo disse a S. Timóteo:

“Deus quer que todos se salvem, e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2,4).


Para o Apóstolo, chegar à salvação é o mesmo que “chegar ao conhecimento da verdade”. É essa verdade (a sã doutrina), que Jesus confiou aos Apóstolos, e lhes incumbiu de ensinar a todas as nações, que leva à salvação. Em seguida S. Paulo vai dizer ao seu discípulo fiel que:


“A Igreja do Deus vivo é a coluna e o sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15).



Dizer que a Igreja é a “coluna e o sustentáculo da verdade”, é o mesmo que dizer que sem ela a verdade não fica de pé, não se sustenta.É o mesmo que dizer que a Igreja é infalível, através do seu Magistério. Sem ela a doutrina de Jesus não teria chegado intacta até nós. Como disse Teilhard de Chardin:


“Sem a Igreja, o Cristo se evapora, se esfacela ou se anula”.



Jesus insistiu sobre a importância da Verdade. Disse a Pilatos, que Ele veio ao mundo “para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37).Aos judeus que nele creram ele disse:

“Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,32).

Aos discípulos Ele afirmou:

“Eu sou a Verdade” (Jo 14,6).

Na oração sacerdotal Ele pede ao Pai:

“Santifica”os na verdade” (Jo 17,17).



São Paulo alerta os tessalonicenses que aqueles que se perderem diante das tribulações que a Igreja terá que atravessar antes da volta do Senhor, será “por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar”(2Tes 2,10).

“Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal” (2 Tes 2,12).

São Paulo deixa claro aqui que se perderão aqueles que diante das falsas doutrinas, preferirem os ensinamentos dos homens à verdade de Deus, ensinada pela Igreja. “Não deram crédito à verdade”.É preciso relembrar aqui, mais uma vez o que disse o Apóstolo:

“A Igreja do Deus vivo é a coluna e o sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15).



Não existe portanto ninguém, e nenhuma outra instituição, fora da Igreja católica, que detenha a verdade infalível, em matéria de fé e de moral. Todas essas passagens mostram a importância da verdade, a qual vivida, liberta do mal e salva. É essa verdade que Jesus garantiu à Igreja ensinar sem erro até o fim do mundo.E o nosso Catecismo, com todas as letras, confirma isso:



“Deus quer a salvação pelo conhecimento da verdade. A salvação está na verdade. Os que obedecerem à moção do Espírito de verdade já estão no caminho da salvação; mas a Igreja, a quem esta verdade foi confiada, deve ir ao encontro do seu anseio levando-lhes a mesma verdade” (CIC, 851).



Na última vez que Jesus esteve com os seus Apóstolos, na última Ceia, na hora do adeus, antes de sofrer a sua paixão, garantiu-lhes a infalibilidade para conhecer e ensinar a verdade que salva.Desde o capítulo 13 até o 17 São João narra no seu Evangelho tudo o que aconteceu naquela Ceia memorável onde o Senhor instituiu o Sacerdócio e a Eucaristia. Esses cinco capítulos (13 a 17) revestem-se de uma importância especial, já que são as últimas palavras e recomendações de Jesus à Igreja. É fácil compreender a sublimidade desta hora. Pois bem, nesta noite sagrada o Senhor lhes garantiu a infalibilidade por três vezes, segundo narra São João, testemunha ocular daqueles acontecimentos. Jesus começa dizendo aos Apóstolos:



“Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Advogado, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós” (Jo 14,16-17).



Que garantia maior de infalibilidade Jesus poderia ter dado à Sua Igreja, do que deixando nela o seu próprio Espírito, que Ele chama de Espírito da Verdade? Se Ele permanecerá com a Igreja, como ela poderia errar em matérias essenciais a salvação?É preciso notar que Jesus disse que o Espírito Santo seria dado “para que fique eternamente convosco”. E garantiu ainda que Ele ficaria com a Igreja e estaria na Igreja. “Permanecerá convosco e estará em vós”.Para aceitarmos que a Igreja tenha errado o caminho da verdade, como quiseram Lutero e seus seguidores, depois de 1517 anos, seria preciso antes concordar que o Espírito Santo, “o Espírito da Verdade”, tenha abandonado a Igreja. Mas isto jamais poderia ter acontecido, pois Ele foi dado para ficar “eternamente convosco” (Jo 14, 16-17).As promessas de Jesus para a Sua Igreja são infalíveis, porque Jesus não é um farsante e nem um mentiroso. Naquela hora memorável que antecedia a Sua paixão, Ele não estava brincando com os seus Apóstolos e com a Sua Igreja. Ele se despedia dela com as suas últimas e mais importantes promessas, para em seguida sofrer, por amor a ela, a sua dolorosa paixão. Naquela mesma noite memorável Jesus diz mais uma vez aos Apóstolos:



“Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Advogado, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á TODAS as coisas, e vos recordará TUDO o que vos tenho dito” (Jo 14,25-26).



Que garantia maior de infalibilidade Jesus poderia ter dado à Igreja do que essa Promessa de que o Espírito Santo “ensinar-vos-à todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos tenho dito”?Como, então, a Igreja poderia se enganar? Para aceitar a Reforma Protestante, que negou “quinze séculos” de caminhada da Igreja, guiada dia a dia pelo Espírito Santo, seria preciso aceitar antes, que Jesus enganou a Sua Igreja, mentiu para ela e não cumpriu a promessa de assisti-la sempre com a Verdade. Mas isto nunca! Jesus é o Esposo da Igreja; Ele deu a sua vida por ela (Ef 5,25), e jamais a abandonou nem a abandonará até o fim dos tempos (conf. Mt 28,18).



A Reforma protestante negou os dogmas, que todos, sem exceções, são fundamentados na escrituras:  os sacramentos, a Igreja como instituição divina, a Sagrada Tradição, o Sagrado Magistério, a Sagrada Hierarquia, as sagradas devoções católicas, enfim, toda a Tradição apostólica (de quinze séculos!), testemunhada pelo sangue dos Mártires e dos Confessores e confirmada pelos Papas. Será que os Apóstolos se enganaram? Será que os mártires, testemunhas de Cristo com o próprio sangue, se enganaram? Será que os Santos Padres nos mentiram? Será que os santos doutores erraram o caminho da fé?Aí está a garantia de tudo que a Igreja ensina e que o Espírito Santo, o Seu Mestre, lhe ensinou nestes 20 séculos: os dogmas do Credo, as verdades sobre a Virgem Maria, os Sacramentos, a Moral católica, etc. Repito mais uma vez, com toda a convicção: negar que os ensinamentos do Magistério da Igreja são verdadeiros, é o mesmo que negar as promessas de Jesus aos Apóstolos na última Ceia.Enfim, pela terceira vez, naquela Ceia inesquecível, o Senhor afirma mais uma vez à sua Igreja, de maneira mais forte ainda:



“Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Advogado, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á TODA a verdade (…)” (Jo 16,12).



Que promessa maravilhosa de Jesus para a Igreja: O Espírito da Verdade ensinar-vos á TODA a verdade.Naquela hora Jesus sabia que os Apóstolos já não tinham mais condições psicológicas para aprenderem novos ensinamentos. “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos”. Isso mostra claro que Jesus não ensinou tudo para os Apóstolos, mas deixou o Espírito Santo para conduzi-los a toda a verdade. Com o passar dos anos e dos séculos, com muita oração, meditação, Concílios e provações, o Espírito Santo foi guiando, e vai guiando hoje, a Igreja, a descobrir, lentamente, “toda a verdade”. Não apenas uma parte da verdade, mas “TODA a verdade”.




São Vicente de Lerins (+450), afirmava:

“É necessário que cresçam e vigorosamente progridam a compreensão, a ciência e a sabedoria da parte de cada um e de todos, seja de um só homem como de toda a Igreja, à medida que passam as idades e os séculos” (Communitorium).


Vemos assim que, de maneira muito marcante, na última noite, na hora solene do Adeus, Jesus garantiu à Igreja a assistência infalível do “Espírito da Verdade” para conduzi-la sempre à verdade que liberta e salva:

“Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Advogado, para que fique eternamente convosco” (Jo 14,16).



O grande Santo Ireneu (+202), que combateu com zelo as heresias do seu tempo, nos assegura:



“É realmente verdadeira e firme a pregação da Igreja, onde aparece a única via de salvação em todo o mundo. Com efeito à Igreja foi confiada a luz de Deus, e portanto a “sabedoria” de Deus, pela qual Ele salva os homens…. Por toda a parte a Igreja anuncia a verdade: ela é o candelabro de sete luzes (Ap 2,1) que transporta a luz de Cristo…convém refugiar-se na Igreja e ser educado em seu grêmio, nutrido com as santas Escrituras do Senhor. Pois a Igreja está plantada neste mundo como o Paraíso” (Contra as Heresias, liv. V, cap. 20).



Podemos garantir, em Nome do Espírito Santo, que o Catecismo da Igreja, os documentos dos Concílios, os ensinamentos dos Papas, são a mais pura verdade de Deus. É por isso que o Apóstolo garante:“A Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15).O bom católico, o católico fiel e convicto, não pode duvidar de nada que a Santa Igreja Católica ensina. São maus filhos da Igreja aqueles que discordam dos seus ensinamentos oficiais. Discordar da Igreja nesses pontos é o mesmo que discordar de Jesus e desconfiar da assistência infalível que o Espírito Santo presta à Igreja, por promessa de Jesus. Longe, muito longe de nós esta terrível tentação.Quando a Igreja nos ensina qualquer verdade de fé ou de Moral, é porque ela estudou muito a fundo a questão, orou muito sobre isto, perscrutou o que o Espírito Santo lhe tinha a dizer, antes de nos ensinar. As verdades reveladas, muitas vezes incompreensíveis para quem não estudou teologia, não devem ser para nós motivo de discordância ou de desconfiança, por se tratarem de dogmas. Pelo contrário, todo e qualquer ensinamento do Magistério da Igreja deve ser recebido com gratidão e alegria, e imediatamente colocado em prática, como algo vindo a nós do próprio Jesus. É lamentável que muitos católicos se deixem abalar quando pessoas de outras religiões neguem as verdades de nossa fé, solidamente consolidadas. Eis aí uma questão que nos deve fazer estudar e aprofundar a nossa fé. São Pedro já dizia aos cristãos do seu tempo:


“Estai preparados para apresentar aos outros a razão da vossa esperança” (1Pd 3,15).



Gostaria de insistir neste ponto: mesmo que eu não compreenda bem aquilo que a Igreja nos ensina, devo acatar de imediato, e buscar compreender o que significa o que nos foi ensinado.Certa vez o Cardeal Ratzinger, Prefeito da Sagrada Congregação da Fé, disse que “os dogmas de nossa fé não são cadeias, ao contrário, são janelas que se abrem para o infinito”.É lamentável que vez ou outra surja um teólogo moderno (talvez mais moderno do que verdadeiramente teólogo!), ousando desafiar a perenidade do dogma ou contestando a sua verdade.É preciso compreender que infalibilidade não quer dizer impecabilidade. Sabemos que há pecados entre os membros da Igreja, contra a sua vontade, mas isto não impede que ela seja infalível quando conduz os seus filhos no caminho da verdade que salva. Mediante o Espírito Santo, enviado por Jesus à Igreja, de maneira permanente, Ele garante ao Papa não cometer erros de doutrina, quando ensina “ex-cátedra”, isto é, em caráter decisivo e definitivo, alguma matéria de fé ou moral. Assim explica o Catecismo:



“Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos apóstolos, Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, ele que é a Verdade. Pelo “sentido sobrenatural da fé”, o Povo de Deus se atém “indefectivelmente à fé” sobre a guia do Magistério vivo da Igreja” (LG, 12; DV,10; CIC 889-892).



“Goza desta infalibilidade o Pontífice Romano, chefe do colégio dos Bispos, por força do seu cargo quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis, e encarregado de confirmar seus irmãos na fé, por um ato definitivo, um ponto de doutrina que concerne à fé e aos costumes… A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro, sobretudo em Concílio Ecumênico...Quando, pelo seu Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa a crer como sendo revelada por Deus, e como ensinamento de Cristo, é preciso aderir na obediência da fé a tais definições. Esta infalibilidade tem a mesma extensão que o próprio depósito da Revelação divina” (LG,25).



A infalibilidade não se estende aos assuntos científicos: física, química, matemática, astronomia, etc. Somente nos assuntos de fé e de moral, propostos aos fiéis como obrigatórios, é a que Igreja goza da assistência infalível do Espírito Santo. Exemplos disso são os dogmas proclamados pelos Papas ou por algum Concílio. Por exemplo, em 1854, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora; em 1950, o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, de corpo e de alma; em 22/05/94, o Papa João Paulo II pronunciou em caráter definitivo e irrevogável, através da Carta Apostólica “Ordinatio Sacerdotalis”, a proibição de ordenação sacerdotal de mulheres.A infalibilidade do Papa foi definida no Concílio Vaticano I, em 1870, embora a Igreja, desde os seus primórdios já acreditasse nisso:



“Aderindo fielmente à tradição recebida desde o princípio da fé cristã…, declaramos e definimos, como dogma de fé divinamente revelado, que o Pontífice Romano, quando fala “ex-cathedra”, isto é quando, no desempenho do seu múnus de pastor e doutor de todos os cristãos, define, com a sua suprema autoridade Apostólica, doutrina respeitante à fé e à moral, que deva ser crida pela Igreja universal, pois possui, em virtude da assistência divina, que lhe foi prometida na pessoa do Bem-aventurado Pedro, a infalibilidade de que o Divino Redentor revestiu a sua Igreja, ao definir doutrina atinente à fé e à moral; e que, portanto, as definições do Romano Pontífice são irrefragáveis por si mesmas, e não em virtude do consenso da Igreja” (De Ecclesia Christi, c.IV).



O Concílio Vaticano II, quase 100 anos depois, reafirmou este mesmo dogma, dizendo que:



“O Romano pontífice, cabeça do Colégio Episcopal, goza desta infalibilidade em virtude do seu ofício, quando define uma doutrina de fé ou de costumes, como Supremo Pastor e Doutor de todos os cristãos, confirmando na fé os irmãos (cf Lc 22,32). Por isso, as suas definições são irreformáveis só por si, sem necessidade do consentimento da Igreja, uma vez que são pronunciadas sob a assistência do Espírito Santo, prometida ao Papa na pessoa de Pedro; não precisam da aprovação de ninguém, nem admitem qualquer apelo a outro juízo. É que nestes casos, o Romano Pontífice não dá uma opinião como qualquer pessoa privada, mas propõe ou defende a doutrina da fé como Mestre Supremo da Igreja Universal, dotado pessoalmente do carisma da infalibilidade que pertence à própria Igreja” (LG 25).



É preciso ter em mente que uma definição papal nunca é uma decisão rápida, pouco pensada, ou que dispense longos anos de estudo e oração. Essas definições são a conclusão de um processo lento, durante o qual uma verdade contida no depósito da Revelação vai se tornando “visível” à hierarquia e ao povo de Deus. É apenas a proclamação explícita de uma verdade que ainda não era conhecida mas que já pertencia ao depósito da fé.O que leva algumas vezes o Magistério da Igreja a fazer a proclamação de uma verdade de fé, é o surgimento de alguma heresia ou contestação a essa verdade já aceita pela Igreja. Portanto, as definições “ex-cathedra”, pronunciadas pelo Papa, são raras. O Magistério ordinário da Igreja, exercido pelos bispos quando ensinam em comunhão com o Papa é o caminho normal pelo qual a Igreja nos ensina. Não é necessário que uma verdade seja solenemente definida pelo sucessor de Pedro, para que pertença ao depósito da fé; basta que esta verdade tenha sido sempre e em toda parte professada pelos cristãos.


Três condições são necessárias para que uma definição do Papa tenha caráter de dogma, sentença infalível:



1. É necessário que ele fale “ex-cathedra”, isto é, de maneira decisiva, como Pastor e Mestre dos cristãos, e não apenas de modo particular. Ele não é obrigado a consultar algum Concílio e ninguém, embora possa fazê-lo, e quase sempre o faz.


2. A matéria a ser definida se refira apenas à fé e à moral; isto é, se relacione com a crença e o comportamento dos cristãos.


3. Que o Sumo Pontífice queira proferir uma sentença definitória e definitiva, irrevogável, imutável, sobre o assunto em questão.



Somente a sentença final é objeto da infalibilidade, e não os argumentos e as conclusões derivadas da sentença proclamada. E não há uma fórmula única de redação para a definição dogmática. Os termos normalmente usados pelos Papas são: “pronunciamos”, “definimos”, “decretamos”, “declaramos”, etc.Em 8/12/1854, ao proclamar o dogma da Imaculada Conceição de Maria, o Papa Pio IX, na Bula “Inefabilis Deus” disse:



“Nós declaramos, decretamos e definimos que a doutrina segundo a qual, por uma graça e um privilégio especial de Deus Todo Poderoso e em virtude dos méritos de Jesus Cristo, salvador do mundo, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada de toda mancha do pecado original no primeiro instante de sua Conceição, foi revelada por Deus e deve, por conseguinte, ser crida firmemente e constantemente por todos os fiéis”.



Note que o Papa afirma que essa verdade “foi revelada por Deus”; isto é, sempre esteve no depósito da fé, embora não apareça de maneira explícita, mas implícita, na Bíblia. Na proclamação do dogma da Assunção de Maria ao céu, o Papa Pio XII na Constituição Apostólica “Munificientíssimus Deus”, no dia 1/11/1950:



“Depois de haver mais uma vez elevado a Deus nossas súplicas e invocado as luzes do Espírito Santo (…), pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma de fé revelado por Deus que: a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma”.



Também aqui o Papa repete a expressão “foi revelado por Deus”. Alguém poderia perguntar como foi revelado por Deus, se isto não está explicitamente na Bíblia? Pode não estar na Revelação da Palavra de Deus escrita, mas está na Revelação oral como nos mostra a vida da Igreja. Aqueles que rejeitaram a Tradição oral não conseguem entender isto.Ao longo da História da Igreja, o sagrado Magistério, guiado pelo Espírito Santo, conforme esta solene promessa de Jesus, foi identificando os pontos imutáveis da doutrina. Assim explica o nosso Catecismo:



“O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma fórmula que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com elas têm uma conexão necessária. Há uma conexão orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas.Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé, que iluminam e tornam seguro. Se a nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé (Jo 8, 31-32)” (CIC n.88).








CONCLUSÃO




Nada agrada mais a Deus do que trocarmos, consciente e livremente, a nossa vontade pela d ‘Ele. Quando damos esse passo, na fé, Ele substitui a nossa miséria pelo seu poder infinito. Portanto, é preciso a cada dia, a cada passo, em cada acontecimento da vida, ir fazendo esse exercício contínuo de aceitar a vontade do Senhor, que sabe o que faz.


São Bernardo disse:


“Se os homens fizessem guerra à vontade própria, ninguém se condenaria”.


Este é o segredo para se abandonar aos desígnios de Deus: ele é Pai, ele nos ama, ele quer só o nosso bem, por mais adversas e incompreensíveis que sejam a situação que vivemos. Ele está no leme do barco da nossa vida.


O profeta de Deus Isaías disse:


“Meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor, mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos” (Is 55, 8-9).


A lógica de Deus é diferente da nossa:


Ele vê todas as coisas, perfeitamente, enquanto a nossa visão é míope e limitada. É como se olhássemos a vida como um belo tapete persa, só que pelo lado do avesso. Não podemos duvidar de que a vontade de Deus para nós “é a melhor possível”, mesmo que nos seja incompreensível no momento.

Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja, resumia tudo dizendo:

“Fazer o que Deus quer, e querer o que Deus faz”.

Ninguém chegará à santidade se não amar a vontade de Deus e se não glorificá”la. É o que levava São Paulo a ensinar:


“Em todas as circunstâncias dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus” (1 Tes 5,18). O Apóstolo insistia muito nisso; dar graças a Deus em tudo é o que alegra ao Senhor sobremaneira, pois é o melhor testemunho de fé que lhe damos. Esta atitude consciente elimina a tristeza da nossa vida, arranca do nosso coração o mau humor, a impaciência, a grosseria com os outros, etc. É nessa perspectiva que S. Paulo dizia: “Ficai sempre alegres, orai sem cessar”. Por tudo dar graças..(1 Tess 5,16).


Não seremos felizes de verdade e não teremos paz duradoura, sustentada, enquanto não nos rendermos à santa e perfeita vontade de Deus.


O santo vive na paz e na perene alegria, embora caminhando sobre brasas muitas vezes. São João Bosco dizia que “um santo triste é um triste santo”, e o seu discípulo, São Domingos Sávio, dizia que a santidade consiste em “cumprir bem o próprio dever e ser alegre”. Essa alegria, muitas vezes inexplicável para nós, é sustentada no abandono nas mãos de Deus, como a fé do salmista que exclamava:


“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Sl 22,1)




Jesus ensina o que é essencial:


“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua Justiça” (6,33), isto é, fazer a vontade de Deus. Nisto se resumia a vida de Jesus. Muitas vezes ele falou sobre isso aos discípulos: “Desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que me enviou” (Jo 6,38).



Em outra ocasião Jesus disse aos discípulos:



“Não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5,30). E mais: “O mundo deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai me ordenou” (Jo 14,31). E constantemente relembrava aos seus discípulos isso: “Pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).



A total disponibilidade de si mesmo para cumprir perfeitamente o desejo do Pai, fazia-o esquecer-se completamente de Si. Àquele homem que quis segui-lo, Ele disse:



 “As raposas têm as tocas, e as aves do céu, ninho; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20); isto é, não tem tempo para si mesmo, mas apenas para o Pai.




No Sermão da Montanha, Ele foi claro:



“Nem todo aquele que me diz “Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). E Jesus diz que a esses, mesmos que tenham profetizado em seu nome, expulsado demônios e feitos muitos milagres, mesmo assim Ele lhes diria: “Apartai-vos de mim, operários maus” (7,22-23); isto é, fazendo todas estas coisas, não fizestes a vontade de Deus, mas através delas, tinhas como fim a vossa vontade, portanto, já recebestes o vosso galardão.



Sobretudo é na hora da sua sagrada Paixão que Jesus cumpre perfeitamente a vontade do Pai:



“Pai, se é de teu agrado, afasta de mim esse cálice” ! Não se faça todavia, a minha vontade, mas sim a tua! (Lc 22,42).



Tudo pela Vontade do Pai!



Quando ensinou os discípulos a rezarem, entre os sete pedidos do Pai-Nosso colocou este: “Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6,10). A vontade do Pai deve ser perfeitamente realizada na terra como é no céu. Quando isto acontecer, então o Reino dos céus estará na terra plenamente.Com a sua vida e o seu exemplo o Senhor deixou claro o eixo principal da santificação: cumprir a vontade de Deus.



Os santos aprenderam essa lição muito bem, e a viveram. Santo Afonso de Ligório dizia que:



“Se estivermos unidos à vontade divina em todas as tribulações, é certo, vamos nos tornar santos e seremos os mais felizes do mundo”. E aconselhava:



“Não se preocupe em fazer muitas coisas, mas procura realizar perfeitamente aquilo que ache ser a vontade de Deus”



E quando definia o que era a santidade, afirmava:


“A santidade consiste: primeiro, numa verdadeira renúncia de si mesmo; segundo, numa total mortificação das próprias paixões; terceiro, numa perfeita conformidade com a vontade de Deus!”



E não se cansava de ensinar aos seus filhos:



Para cumprir bem a vontade de Deus é preciso duas coisas: primeiro, viver os seus mandamentos; segundo, aceitar os acontecimentos da vida, com fé e sadia resignação.



O que nos faz sofrer nesta vida é o apego à nossa vontade. Sofremos quando não conseguimos realiza-la. São Bernardo disse que:



“Quando se vê uma pessoa perturbada, a causa da preocupação não é outra coisa senão a incapacidade de realizar a própria vontade”.


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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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