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Homo sum: nihil humani a me alienum puto: “Sou humano e nada do que é humano me é estranho...” - (Publio Terêncio Afro)

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 19 de junho de 2014 | 10:44





A frase é de autoria de Publio Terêncio Afro, dramaturgo e poeta romano, nascido entre 195-185 a.C. e falecido por volta de 159 a.C., que a escreveu na obra intitulada Heaautontimorumenos.

Dentre os muitos escritores que ao longo dos séculos citaram a frase o autor do texto que eu li destacava Machado de Assis, que, segundo afirmou, tinha por ela uma predileção toda especial, fazendo uso dela mais de uma vez.

No caso do autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, porém, ele tinha por hábito escrever a frase de forma incompleta, pois, por temor de que os leitores a interpretassem mal, quando a citava não escrevia o último vocábulo, puto, embora essa palavra não tenha qualquer relação com sua correspondente feminina na língua portuguesa.



Essa é uma daquelas frases que, uma vez dela tendo tomado conhecimento, logo a transformamos em máxima de vida, nunca mais deixando de remorá-la em diversas ocasiões pela existência a fora.  Gosto dela por suas muitas implicações filosóficas, dentre as quais eu destacaria duas:

1)- Uma  primeira perspectiva filosófica seria a seguinte:  enquanto humanos, somos todos muito semelhantes, o que leva a concluir que nada do que aconteça  a qualquer pessoa, por mais distante ou estranha a mim que ela seja, deve ser sentido como se a mim próprio acontecesse, pois estamos todos  irmanados pelo puro e simples fato de pertencermos à espécie humana. A consequência natural dessa conclusão é o despertar de uma compaixão natural por todas as pessoas.


2)- A segunda perspectiva  me parece não menos interessante e merecedora de consideração. Trata-se da constatação de que, sendo humano, nada do que aconteça a qualquer ser humano deve me surpreender, pois o mesmo poderia perfeitamente suceder a mim próprio. Refiro-me a atos porventura cometidos. Quanto a isso, nunca poderemos ter certeza absoluta de que, dadas determinad circunstâncias oportunas e necessárias, não fosse qualquer um de nós capaz de cometer atos desde os mais heroicos até os mais vis e deploráveis.    


Em cada um de nós habita, simultaneamente, um herói e um vilão, ambos prontos para entrar em ação tão logo as circunstâncias o exijam.





Ninguém se jacte de ter controle absoluto sobre si mesmo e seus atos. Com isso não estou querendo dizer que um certo autocontrole não seja não somente possível quanto necessário, do contrário não poderíamos viver em grupo.


É a repressão e o controle de uma boa quantidade de impulsos nem sempre os mais elogiáveis que sustentam a possibilidade de vida em sociedade. Entretanto, nem por isso podemos esquecer que o vilão ao qual chamamos de homem velho está sempre à espreita.


Por isso, em consonância com a sábia premissa terenciana, assumi como princípio não me deixar surpreender por ato algum emanado de qualquer ser humano, uma vez que eu próprio não posso me julgar absolutamente imune à possibilidade de proceder de maneira semelhante, ou talvez até pior.


Nos nossos tempos ego-narcísicos, estamos perdendo as perspectivas de construção de uma convivência humana irmanada; cada vez mais ganham destaque outros ditados como:


"Cada um por si e Deus por todos", "Cada macaco no seu galho", Mateus primeiro o meus, ou ainda "Quem pariu Mateus que o embale".



A peça "O Atormentador de Si Mesmo", obra de Terêncio, comediógrafo latino do século 2 a.C., na qual se relata a história, ocorrida em Atenas, de um vizinho abelhudo que se intromete na vida dos outros sem perceber que coisas piores estão acontecendo dentro da própria casa dele. Como justificativa para os contínuos e inoportunos palpites que dava, esse vizinho fala:


"Homo sum: humani nil a me alienum puto", isto é, sou homem e nada do que toca o homem julgo que me seja alheio...”




O sentido da frase, nessa comédia, é totalmente diverso e muito menos honroso do que aquele propugnado por Marx, mas, infelizmente, muito mais próximo de nós, nos tempos atuais. A intenção marxiana é ressaltar o dever de compreender a noção de humanidade como a prática de uma espécie de "um por todos, todos por um".


Já na acepção original e, agora, contemporânea, é a defesa do direito à futrica, à fofoca e ao voyeurismo desenfreado que assola um certo tipo de mídia, altamente rentável, especializada na exposição impressa ou televisiva do espetáculo proporcionado pelas delícias vividas pelos apaniguados e supostamente protegidos pelo destino e o inferno cotidiano dos fatalmente miseráveis e desgraçados.



Nada do que é humano nos é estranho?


Nem sempre, dado que até a maioria dos odores humanos naturais nos desagrada. Não nos incomodamos em acariciar o dorso suado de um cavalo ou caminhar em meio aos cheiros que exalam de uma estrebaria ou curral (alguns proclamam apreciar esses aromas); porém a fragrância do suor humano incomoda, assim como muitos consideram insuportáveis os fluidos emanados de um banheiro (limpar banheiro é sinônimo de castigo!). Somos capazes de, ao caminhar pelas ruas, desviar sem problema de fezes caninas ou felinas; contudo encontrar fezes humanas é motivo de asco, repugnância ou distanciamento, tal como quando nos deparamos com mendigos, doentes crônicos, menores abandonados etc.



É por isso que, para não poucos, o sonho de paz e vida feliz é poder retirar-se para uma ilha paradisíaca, distante de tudo e afastada do maior número possível de humanos e humanas, isto é, isolar-se: ilha, condomínio fechado, alto da montanha, praia privativa, local inacessível; no máximo, horrorizar-se ou alegrar-se virtualmente com o que acontece com a humanidade, mas sem chegar muito perto.Talvez, parodiando Nietzsche, seja preciso lamentar que, por enquanto, tudo isso seja humano, demasiado humano.

"Sou humano e nada do que é humano NÂO me é estranho" 


Significa que para  mim nada praticado pelo ser humano de bom ou ruim me é estranho, pois  somos da mesma especie , ou seja o que você faz eu também posso fazer  igualmente de bom ou ruim.



Pode significar também que o seu comportamento não é diferente do meu, pois faria a mesma coisa que você se estivesse no seu lugar, ou nas mesmas condições às quais você foi submetido antes e durante o evento.



Pelo fato de ser humano você compreende, as vezes se identifica, com coisas humanas, nem sempre se escandalizando pelas atitudes humanas (quando estas forem atípicas, anormais, esquisitas), já que sabe que é passível também do estranho, pelo fato de possuir a mesma maquinaria biológica, os mesmos miólos regendo a forma como interpreta o mundo e reage a suas ações.


Na minha imperfeita e limitada opinião, acho que quer dizer que nada que as pessoas fazem por mais belo ou mais horrível que seja, deixa de ser humano. Exemplo: dizer algo como "Ele(a) é um monstro" apenas rotula, mas não desumanisa, pois somos eternamente imagem e semelhança de Deus,porque no fim das contas é apenas o humano,que assim agiu sob diversas circunstâncias agravantes para o mal, ou atenuantes e favoráveis para o bem.





Santo João Paulo II dizia que sec o XXI e por censequência o mundo,será evangelizado pela misericórdia de Deus.

1 Co 10,12: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuida para que não caia...”


Não existe nada de pior no ser humano quando deixa de ver as qualidades de seu próximo, dando um lugar maior em seu olhar para as imperfeições alheia.Isso sempre acontece quando nos colocamos em um patamar superior de caráter, e não olhamos para dentro de nós mesmo e não reconhecemos que podemos ser igual ou até pior para quem estamos olhando, que geralmente é uma pessoa que errou ou esta caída precisando de ajuda e não de criticas, precisando de amor e não de ser repugnado, precisando de perdão, de uma nova chance.



Isso acontece muito também no meio Cristão, para infelicidade de muitos que se diz estar em pé olhando para o lado errado, mas caído para dentro de si mesmo em uma carência de crescimento e discernimento espiritual.



Nada pior do que julgar estar em Pé caído, Jesus nos mostrou isso quando dois homens entraram no templo para orar, um fariseu e um publicano:



“Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: ” Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: ” Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18,9-14)”.



O fariseu estando em “PÉ” não orava se justificava e apresentava a Deus seu currículo.E nós no alto de nosso farisaísmo temos apresentado o que para Deus?


Presenciei certa vez um evento terrível e marcado pela violência, em que familiares de uma irmã em um retiro espiritual da Comunidade Católica Shalom, foram baleados em uma tentativa de assalto. Após todo episódio ter sido apasiguado e graças a Deus sem mortes,testemunhei algo que só a graça de Deus é capaz de dar esta compreensão e fazer aquela mãe que estava em retiro e teve seus familiares feridos a bala dizer:



“Estes são os alvos da misericórdia de Deus aos quais Deus me chama a perdoa-los, amá-los e a evangelizá-los quando eu sair daqui...”


Santa Tereza D’Avila dizia às suas filhas espirituais:

“Minha filhas quando virem alguem em pecado mortal,não a julguem, mas batam no peito e digam com toda siceridade: Não faço igual o pior por pura graça e misericórdia de Deus...”




“LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”
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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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