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Por que Freud rejeitou Deus?

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 11 de outubro de 2011 | 14:33



(Entrevista Ana-Maria Rizzuto)


No livro Por que Freud rejeitou Deus ? a psicanalista Ana Maria Rizzuto interpreta elementos contidos na teoria freudiana e em seu desenvolvimento para mostrar as razões que fizeram de Freud um opositor ferrenho da religiosidade e suas instituições.

Na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Ana diz que “circunstâncias pessoais da vida de Freud, durante seu crescimento, não lhe permitiram a experiência da sensação de proteção”.

*Ana-Maria Rizzuto é psicanalista latino-americana radicada nos Estados Unidos. Trabalha criticamente as teorias de Sigmund Freud. 

1)- IHU On-Line – Por que Freud rejeitou Deus?

Ana-Maria Rizzuto – Circunstâncias pessoais da vida de Freud, durante seu crescimento, não lhe permitiram a experiência da sensação de proteção. Seus primeiros anos de vida foram marcados por mortes significativas: seu avô paterno, seu tio e seu irmão Julius. A última morte marcou a experiência psíquica de Freud para toda a vida. Ele teve outras perdas: sua babá, a quem foi superapegado, desapareceu de sua vida sem dar notícia.

Freud, quando era pequeno, saiu de sua cidade natal, e seu pai perdeu o emprego. Depois, entrou para a escola pública, e pegaram seu tio favorito contrabandeando, prenderam-no e julgaram-no. Em suma, nenhum dos adultos com os quais Freud precisou contar foram capazes de oferecer-lhe proteção e segurança.

Eles falharam com Freud de uma maneira ou de outra. Meus estudos mostram que crianças precisam de modelos de confiança e figuras adultas para dar forma a uma representação de Deus que seja acreditável.

Freud não teve essa experiência. Ele sentiu que tinha que tomar conta dele mesmo, sozinho. Para ele, em suas palavras, “não há nenhuma Providência” para prestar atenção nele.

Como cientista, ele acreditou apenas nos métodos científicos que implica que tudo que não é provado cientificamente não existe. Esse segundo fator contribuiu para consolidar sua descrença na existência divina.


2)- IHU On-Line – Qual a imagem que Freud tinha de Deus?

Ana-Maria Rizzuto – Eu não analisei Freud. Minha resposta não vem da exploração de sua mente, mas dos acessos indiretos que tive a seus escritos. De sua experiência, Freud concluiu que Deus descrito pela religião como uma divindade que nos protege, não existe.

Na consciência dele, a representação de Deus clamava por um aspecto de proteção. A experiência emocional de Freud indicava para ele que nenhuma das figuras paternas nem os adultos de sua vida foram capazes de protegê-lo das perdas profundas e do sofrimento.

Ele não teve experiências para formar sua crença na representação da providência e proteção de Deus.

3)- IHU On-Line - Quem é Deus para Freud? Como definir Deus pelo olhar da psicanálise?

Ana-Maria Rizzuto – Freud demonstrou com material clínico que Deus e a opinião religiosa eram formadas como resultado da transformação das representações paternas, assim como no complexo de Édipo.

Tal conclusão foi a mais significativa contribuição de Freud para a psicologia da religião. Pesquisas no mundo todo confirmaram as conclusões de Freud. Para Freud, Deus é construído sobre a representação do pai. Ele dizia que Deus é “uma exaltação do pai”, “uma sublimação do pai”, “um substituto do pai”, “uma cópia do pai” e finalmente que “Deus é o pai”.

Freud negligenciou examinar o significado da mãe na formação da representação de Deus. Psicanálise é uma disciplina empírica e teórica. Sua metodologia não permite nenhuma conclusão sobre a existência de alguma divindade, pois tal divindade não pode ser sujeitada à pesquisa empírica.

Apesar de tudo, psicanalistas observam que as pessoas acreditam em Deus ou que elas rejeitam Deus. Isso significa que elas têm uma representação de Deus que foi formada em suas mentes durante seu processo de crescimento.

Acreditando ou não, a real existência de Deus não faz parte da psicanálise. E isso está diretamente relacionado com a qualidade das nossas relações emocionais com nossos pais, adultos e figuras religiosas.

4)- IHU On-Line - Deus e Freud estão em campos opostos?

Ana-Maria Rizzuto – Não. Freud elucidou as Escolas de Psicologia da crença em Deus e a elaboração psíquica da representação da divindade. Freud, o homem, poderia não acreditar por causa de suas próprias experiências, cultura e circunstâncias científicas.

Ele foi convencido de que a religião era essencialmente uma defesa baseada na projeção da figura paterna dentro de uma proteção e providência de Deus.

Ele acreditou que a ciência poderia ajudar seres humanos a desistir da religião e renunciar ao desejo por proteção, como ele escreveu em The Future of an Illusion.

Nas últimas décadas, a psicanálise aceitou e ampliou as dinâmicas freudianas no entendimento da formação da representação de Deus e aceitou que crença e necessidades espirituais são componentes significativos dos seres humanos.


ANÁLISE DA OBRA : “POR QUE FREUD REJEITOU DEUS ?”
( Entendendo Freud a Partir dele mesmo e da sua Psicanálise)
*Prof. Edênio Valle

Esta foi a pergunta motivadora que levou Ana-Maria Rizzuto a empreender uma pesquisa sobre o assunto, com resultados muito interessantes, disponibilizados ao público no livro sob o mesmo título.

Rizzuto conta que a busca por resposta à pergunta “por que Freud rejeitou Deus” começou quando se preparava para fazer uma palestra para a qual foi convidada, durante a exposição “As antiguidades de Sigmund Freud: fragmentos de um passado esquecido”, promovido pelo Freud Museum de Londres em comemoração ao qüinquagésimo aniversário da morte de Freud, no período de 28 de fevereiro a 5 de abril de 1992.

Ao aceitar o convite, Rizzuto decidiu olhar mais de perto as coleções de Freud e ficou impressionada com a seguinte constatação: as “similaridades entre os objetos reproduzidos no catálogo [da exposição] e as ilustrações da Bíblia” que pertencia a Freud, presenteada por seu pai.

Essa bíblia de Freud “continha mais de 500 gravuras de animais, árvores, objetos e paisagens mencionados no texto” – tratava-se, na verdade, de três volumes. Rizzuto então afirma:

Diante de mim estavam centenas de ilustrações bíblicas. Os objetos em exposição representavam apenas pouco mais de três por cento da coleção de Freud. Isso tornava ainda mais surpreendente o fato de que tantos objetos na mostra evocassem as ilustrações bíblicas. (…) As ilustrações bíblicas devem ter influenciado Freud na escolha dos objetos e talvez até mesmo em sua paixão por colecionar” (p. 13).

A partir dessa observação intrigante, Rizzuto toma então como sua tarefa “apresentar uma explicação psicanalítica para as similaridades”.
Assim,seguindo o método de investigação do próprio Freud, explorei as circunstâncias de seu colecionamento, o significado pessoal explícito dos objetos, seus prováveis motivos inconscientes e a satisfação consciente que os objetos proporcionavam ao seu proprietário (p. 13).

No percurso de sua investigação, a autora dá-se conta de que a tese freudiana de que a religião perpetua a ilusão infantil de estar protegido por um pai bondoso levou-o a uma busca de libertação desse anseio considerado, por ele, como infantil.

Rizzuto descobre que Freud, quando criança, formara em sua mente uma certa representação de Deus que merecia ser pregado e louvado. A partir dessa observação, sua tarefa passou a ser, então, a de descobrir as mudanças intrapsíquicas que transformaram a imagem de Deus que ele possuía quando criança, “em sua denúncia adulta de Deus como um produtor de desejos infantis” (p. 14).

O processo investigatório de Ana-Maria Rizzuto traz-lhe surpresas inusitadas acerca da relação de Freud com a bíblia e com o seu pai. O livro descreve o curso de suas investigações e revela os resultados.

Rizzuto mostra, assim, que foi a partir da relação construída com seu pai (de onde provém a idéia de Deus, segundo o próprio Freud) que torna-se impossível a Freud desenvolver uma relação com Deus.

A Freud restava uma única escolha, segundo Rizzuto: a de “aceitar que estava sozinho, desprotegido, sem modelo, e que a evidente afeição de seus pais não podia ajudá-lo. (…) O único consolo para ele e para a raça humana era ser estoicamente auto-confiantes” (p. 252).


Para Rizzuto, a dor da pequena criança [de Freud quando criança] levou à insistência veemente em que todos devemosdesistir de um Pai-Deus, incapaz de proporcionar qualquer proteção ou consolo.

O sofrimento pessoal de Freud se tornara articulado em sua teoria sobre a religião para toda a humanidade. (…) Sua descrença desafiadora expressava a dimensão de sua integridade psíquica e também de sua coragem e de sua capacidade de sublimação: transformar o profundo sofrimento da criança e do adolescente numa nova ciência que abriu os horizontes inexplorados da mente humana. Deus fora substituído pela razão de Freud. O homem desprotegido criara sua própria autoproteção” (p. 252).


Freud generalizou sua experiência pessoal acreditando que esta deveria ser normativa.


“Ao perder a perspectiva a respeito do seu próprio sofrimento pessoal, ficou cego para a ‘variedade das experiências religiosas’”, descrita tão bem por William James, seu contemporâneo.


Enfim, a autora concluiu que as experiências infantis de Freud não lhe proporcionaram as condições psíquicas para a crença em Deus.

“Seu Deus pessoal não tinha confiabilidade, não merecia crença. Uma forte descrença era a única proteção contra a dor intensa causada pelos anseios não-satisfeitos da criança, do adolescente e do adulto” (p. 253).

Rizzuto pontua que Freud dominou seu sofrimento e sua raiva transformando-os em “obras-primas”. Em outras palavras, poderíamos dizer que ao invés de se configurar um narcisismo reativo em sua subjetividade, as forças ativas, de criação e de afirmação da vida foram as que predominaram.

Entretanto, esse modo como sua subjetividade compôs as forças de narcisação “não deixa de revelar, de forma disfarçada e sublimada, sua premente necessidade de uma proteção não conseguida” (p. 253).

*O Prof. Edênio Valle publicou uma resenha desse livro de Rizzuto na REVER. 

http://psicologiadareligiao.wordpress.com/2007/09/17/por-que-freud-rejeitou-deus/ 
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27 de outubro de 2013 07:20

Enquanto o ateu consegue tomar conta dele mesmo, sozinho, e entende que Não há nenhuma divindade prestando atenção nos humanos.

Tanto as crianças como os adultos emocionas com cérebro mágico precisam de MODELOS DE CONFIANÇA, de ídolos, ou de alguma representação de Deus que seja acreditável.
Pois é a fraqueza emocional do religioso que o obriga se agarrar em amigos imaginários.

Resumindo, os “Arquétipos” são formas de reverenciar grandes heróis, ou de recontar épicos extraordinários...

A explicação para que o religioso cascudo, ou fundamentalista se agarre nas mitologias jurássicas, que sobrevive à custa do atraso, das expectativas infantis, e da crença mágica num futuro paradisíaco “DEPOIS DA MORTE”...

Estaria no fato de que embora o cérebro humano tenha evoluído em resposta a PRESSÃO DE SELEÇÃO, aos DESAFIOS a que fomos submetidos, e devido as MUTAÇÕES VANTAJOSAS; foram necessários milhões de anos para que o cérebro humano passasse de 350 C.C. para os 1250 Centímetros Cúbicos atuais...

Todavia, como nos 2 últimos milênios o meio ambiente dos humanos quase não mudou; as massas ficaram estagnadas; e no quesito ateísmo as estruturas psicológicas do religioso fundamentalista ainda não aceita que vida termina junto com a morte.

Até porque, tanto a crença na “Vida depois da morte”, como a “Síndrome do medo de morrer”, estão relacionados com o desequilíbrio psicológico do individuo que por ser do tipo emocionalmente fraco não consegue resolver os seus conflitos interpessoais, e é vulnerável as pressões socioculturais.

Pois as religiões são o “casulo” onde se esconde os indivíduos fúteis; exteriores; que passam a vida em algum equilíbrio precário, mas procura manter uma fachada de aparente normalidade; que não consegue aceitar que a MORTE é um fenômeno natural; e que ainda precisa se agarrar em algum mitológico Papai do Céu...

Lisandro Hubris (ou Caçador de erros bíblicos).



27 de outubro de 2013 09:02

O que tornou Freud ateu foi a sua excepcional inteligência Intrapessoal; e não alguma decepção com o tio, ou com o pai...
Milhões de indivíduos têm decepções ou mesmo “Síndrome do abandono”, mas por ser do tipo que como as crianças, ao ficar assustada correr para os braços da mãe...
Continuam acreditando em algum Deus.

27 de outubro de 2013 21:02

Lisandro,

Na sua lógica então Albert Eistein era um burro!!! Pois ele apesar de não acreditar no Deus bíblico, mas acreditava na divindade.

ALBERT EINSTEIN ERA ATEU ???


“A opinião comum de que sou ateu repousa sobre grave erro. Quem a pretende deduzir de minhas teorias científicas não as entendeu. Creio em um Deus pessoal e posso dizer que, nunca, em minha vida, cedi a uma ideologia atéia.


Não há oposição entre a ciência e a religião. Apenas há cientistas atrasados, que professam ideias que datam de 1880.


Aos dezoito anos, eu já considerava as teorias sobre o evolucionismo mecanicista e casualista como irremediavelmente antiquadas. No interior do átomo não reinam a harmonia e a regularidade que estes cientistas costumam pressupor. Nele se depreendem apenas leis prováveis, formuladas na base de estatísticas reformáveis. Ora, essa indeterminação, no plano da matéria, abre lugar à intervenção de uma causa, que produza o equilíbrio e a harmonia dessas reações dessemelhantes e contraditórias da matéria.

Há, porém, várias maneiras de se representar Deus.


Alguns o representam como o Deus mecânico, que intervém no mundo para modificar as leis da natureza e o curso dos acontecimentos. Querem pô-lo a seu serviço, por meio de fórmulas mágicas. É o Deus de certos primitivos, antigos ou modernos.


Outros o representam como o Deus jurídico, legislador e agente policial da moralidade, que impõe o medo e estabelece distâncias.


Outros, enfim, como o Deus interior, que dirige por dentro todas as coisas e que se revela aos homens no mais íntimo da consciência.”



A mais bela e profunda emoção que se pode experimentar é a sensação do místico. Este é o semeador da verdadeira ciência. Aquele a quem seja estranha tal sensação, aquele que não mais possa devanear e ser empolgado pelo encantamento, não passa, em verdade, de um morto.


Saber que realmente existe aquilo que é impenetrável a nós, e que se manifesta como a mais alta das sabedorias e a mais radiosa das belezas, que as nossas faculdades embotadas só podem entender em suas formas mais primitivas, esse conhecimento, esse sentimento está no centro mesmo da verdadeira religiosidade.


A experiência cósmica religiosa é a mais forte e a mais nobre fonte de pesquisa científica.


Minha religião consiste em humilde admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que podemos perceber em nossos espíritos frágeis e incertos. Essa convicção, profundamente emocional na presença de um poder racionalmente superior, que se revela no incompreensível universo, é a ideias que faço de Deus.”



ALBERT EINSTEIN (1879-1955)


"Aquele que não raciocina é um intolerante. Aquele que não pode raciocinar é um tolo. Aquele que não ousa raciocinar é um escravo." (William Drummond).

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