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Cardeal Van Thuân - O Apóstolo da " Esperança"

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 23 de julho de 2011 | 11:01



François-Xavier Nguyên Van Thuân (Phanxicô Xaviê Nguyễn Văn Thuận) (Phu Cam, Huế,17 de abril de 1928 + Roma, 16 de setembro de 2002) foi um bispo e cardeal vietnamita daIgreja Católica.

1)- Biografia
Nasceu numa família que contava oito filhos. Vinha de uma família que contava com numerosos mártires da fé. Sua mãe, todas as noites, contava-lhe histórias bíblicas e narrava-lhe testemunhos de mártires, especialmente de seus antepassados.

Fez seus estudos no seminário menor e depois no seminário maior e foi ordenado sacerdote católico em 11 de junho de 1953. Continuou os seus estudos em Roma onde formou-se em Direito Canônico. Retornando ao Vietnam foi encarregado da formação dos padres da sua diocese como reitor e professor do seminário e, em 24 de junho de 1967 foi nomeado bispo da diocese de Nha Trang, no centro do Vietnam, diocese pela qual sempre confessou predileção.

Oito anos depois, o Papa Paulo VI o nomeou arcebispo coadjutor de Saigão. Ardoroso animador dos leigos e jovens, prepara-os para participarem dos conselhos pastorais.
O Cardeal vietnamita Van Thuan, que presidiu o Pontifício Conselho Justiça e Paz, deu início à publicação do Compêndio da Doutrina Social da Igreja publicado em 2004.

2)-Prisão do arcebispo

Em 1975 foi nomeado por Paulo VI arcebispo coadjutor de Saigão. Sua nomeação foi recusada pelo governo comunista, que no dia 15 de agosto de 1975 - dia de Nossa Senhora da Assunção - o convoca ao palácio do governo e após o coloca em prisão domiciliar. Posteriormente foi preso por treze anos. Em 1976 esteve no cárcere da prisão de Phu Khanh, após foi conduzido ao campo de reeducação de Vinh Phu no Vietnam do Norte, após em prisão domiciliar em Giang Xa e finalmente em Hanoi. Foi libertado em 21 de novembro de 1988e conduzido à residência do arcebispo de Hanói.
Sobre a sua prisão pelo regime comunista disse: "Disseram-me que minha nomeação era fruto de um complô entre o Vaticano e os imperialistas para organizar a luta contra o regime comunista", contava Van Thuan.
Rumo à prisão, tomou uma decisão:
Vinham-me à mente muitos pensamentos confusos: tristeza, abandono, cansaço depois de três meses de tensões… Porém, em minha mente surgiu claramente uma palavra que dispersou toda a escuridão, a palavra que Monsenhor John Walsh, Bispo missionário na China, pronunciou quando foi libertado depois de doze anos de cativeiro: ‘Passei a metade da minha vida esperando’. É verdadeiríssimo: todos os prisioneiros, inclusive eu, esperam a cada minuto sua libertação. Porém, depois decidi: ‘Eu não esperarei. Vou viver o momento presente, enchendo-o de amor.
De fato, foi o que fez: amou, amou, amou. As condições não eram favoráveis. Durante alguns meses esteve confinado numa cela minúscula, sem janela, úmida, que para respirar passava horas com o rosto enfiado num pequeno buraco no chão. A cama era coberta de fungos.
Os nove primeiros anos foram terríveis: "uma tortura mental, no vazio absoluto, sem trabalho, caminhando dentro da cela desde a manhã às nove e meia da noite para não ser destruído pela artrose, no limite da loucura".
Buscava conversar com os carcereiros, que resistiam, mas logo eram seduzidos por sua gentileza e inteligência. Contava-lhes sobre países e culturas diferentes. Isso chamava sua atenção e instigava a curiosidade. Logo começavam a fazer perguntas, o diálogo se estabelecia, a amizade se enraizava. Chegou a dar aulas de inglês e francês.
No começo, a cada semana os guardas eram substituídos, mas logo as autoridades, para evitar que o exército todo fosse "contaminado", deixou uma dupla de carcereiros fixa. Estes espantavam-se de como o prisioneiro pudesse chamar de amigos os seus carcereiros, mas ele afirmava que os amava porque esse era o ensinamento de Jesus.
3)- “O Caminho da Esperança"

Como o amor é criativo, Van Thuan encontrou também um jeito de se comunicar com seu rebanho:
Em outubro de 1975, fiz um sinal a um menino de sete anos, Quang, que regressava da missa às 5 horas, ainda escuro: Diz à tua mãe que me compre blocos velhos de calendários. Mais tarde, também na escuridão, Quang me traz os calendários, e em todas as noites de outubro e novembro de 1975 escrevi da prisão minha mensagem ao meu povo. Cada manhã o menino vinha recolher as folhas para levá-las à sua casa e fazer que seus irmãos e irmãs copiassem-na.
Assim foi escrito o livro "O Caminho da Esperança", posteriormente publicado em oito idiomas: vietnamita, inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, coreano e chinês.
Em 1980, na residência obrigatória de Giang-xá, no norte do Vietnam, sempre de noite e em segredo, escreveu seu segundo livro: ""O caminho da esperança à luz da Palavra de Deus e do Concílio Vaticano II""; depois o terceiro livro: ""Os peregrinos do caminho da esperança"".
Sempre inspirado pela criatividade amorosa, Van Thuan escreveu uma carta aos amigos pedindo que enviassem um pouco de vinho, como remédio para doenças estomacais. Assim, a cada dia, três gotas de vinho e uma de água eram suficientes para trazer "Jesus eucarístico" à prisão. Os pedacinhos de pão consagrado eram conservados em papel de cigarro, guardado no bolso com reverência. De madrugada, ele e os poucos católicos detidos ali davam um jeito de adorar o Senhor escondido com eles.
Um dia, enquanto trabalhava de lenhador, Van Thuan pediu ao amigo carcereiro: "Queria cortar um pedaço de madeira em forma de cruz… Feche os olhos, farei agora e serei muito cauteloso. Você vai andando e me deixa só." Assim, conseguiu como companheira aquela rústica cruz feita por ele mesmo. 
Para completar sua obra, pediu: "Amigo, você me consegue um pedaço de fio elétrico?" Este ficou espantado, sabia que quando prisioneiros conseguem fios, suicidam. Mas Van Thuan explicou: "Queria fazer uma correntinha para levar minha cruz." Saindo da prisão, com uma moldura de metal, aquele pedaço de madeira tornou-se sua cruz peitoral.
O Cardeal Van Thuan foi libertado no dia 21 de novembro de 1988. Em setembro de 1991 deixou o Vietnam e foi para Roma, onde presidiu oPontifício Conselho Justiça e Paz. Tão logo chegou a Roma foi-lhe dado conhecimento que o governo do Vietnam não desejava o seu retorno ao país.
Em 1994 foi nomeado vice-presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz e em 1995 foi nomeado postulador da Causa de beatificação de Marcel Van.
4)- Cardinalato
Escreveu mais um livro: "Testemunhas da esperança" (Retiro ministrado ao papa João Paulo II e a cúria romana pela passagem do Jubileu do Ano 2000) no qual relata sua experiência de prisioneiro. Fazia questão de dizer que não se trata de um livro para fazer denúncias, mas testemunhar o dom da esperança.

Em 21 de fevereiro de 2001 foi escolhido como cardeal pelo papa João Paulo II; o cardeal van Thuan foi levado em 16 de setembro de 2002 ao hospital romano Pio XI, padecendo de câncer, na idade de 74 anos, faleceu no dia 17 de setembro de 2002.[1] Seus funerais foram presididos pelo Papa João Paulo II na basílica vaticana em 20 de setembro de 2002.[2]

João Paulo II pediu-lhe que lhe pregasse o retiro espiritual da quaresma e à cúria romana no ano de 2000.[3]
5)- Beatificação
Em 18 de abril de 2007, Monsenhor Giampaolo Crepaldi, secretário do Pontifício Conselho Justiça e Paz anunciou a abertura da causa de beatificação do cardeal François-Xavier Nguyên Van Thuân.
No dia 17 de setembro de 2007 o Papa recebeu os integrantes do Pontifício Conselho Justiça e Paz por ocasião do V aniversário da morte do Cardeal Van Thuan cuja causa de beatificação se havia acabado de abrir. O Cardeal Renato Raffaele Martino nomeou a advogada Silvia Mônica Correale como postuladora do processo de beatificação. No dia 26 de janeiro de 2011 o cardeal Turkson, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, nomeou como novo potulador o Dr. Waldery Hilgeman.
6)- Citações
Bento XVI falando sobre ele destacou a sua
"cordialidade e capacidade que tinha de dialogar e de fazer-se próximo de todos; (…) seu fervoroso compromisso na difusão da doutrina social da Igreja entre os pobres do mundo, o anelo pela evangelização no seu continente, Ásia, a capacidade que tinha de coordenar as atividades de caridade e de promoção humana que promovia e sustentava nos lugares mais longínquos da terra".[4]
Disse ainda que
"era um homem de esperança, vivia de esperança e a difundia entre todos os que encontrava. Graças a esta energia espiritual resistiu a todas as dificuldades físicas e morais. A esperança o sustentou como bispo isolado durante treze anos de sua comunidade diocesana; a esperança o ajudou a perceber o absurdo dos eventos que lhe sucederam - nunca foi processado durante sua longa detenção - um desígnio providencial de Deus."[4]
Em 30 de novembro de 2007, comentando a sua encíclica Spe salvi, o Papa Bento XVI voltou a se referir a ele como exemplo de como a oração é modelo de esperança:
"Há outro testemunho de que, em uma situação de "desespero aparentemente total", a escuta de Deus e poder falar com ele foi uma força crescente de esperança: trata-se do servo de Deus, o cardeal vietnamita François-Xavier Nguyên Van Thuân (1928-2002), uma figura inesquecível."
"Treze anos nas prisões vietnamitas; deles, nove em isolamento: sua experiência de esperança, graças à oração, "lhe permitiu ser para os homens em todo o mundo uma testemunha da esperança, daquela grande esperança que não declina, mesmo nas noites da solidão".[5]

Fonte: Wikpedia

AS CINCO FRAQUESAS DE JESUS:

Um dia, enquanto trabalhava de lenhador, Van Thuan pediu ao amigo carcereiro: “Queria cortar um pedaço de madeira em forma de cruz... Feche os olhos, farei agora e serei muito cauteloso. Você vai andando e me deixa só”. Assim, conseguiu como companheira aquela rústica cruz feita por ele mesmo. 

Para completar sua obra, pediu: “Amigo, você me consegue um pedaço de fio elétrico?” Este ficou espantado, sabia que quando prisioneiros conseguem fios, suicidam-se. Mas Van Thuan explicou: “Queria fazer uma correntinha para levar minha cruz”. Saindo da prisão, com uma moldura de metal, aquele pedaço de madeira tornou-se sua cruz peitoral.

O Cardeal Van Thuan foi libertado no dia 21 de novembro de 1988. Em 1994 deixou o Vietnã e foi para Roma, onde presidiu o Pontifício Conselho Justiça e Paz. 

Foi criado Cardeal em 21 de fevereiro de 2001. Escreveu mais um livro: “Testemunhas da esperança”, no qual relata sua experiência de prisioneiro. Fazia questão de dizer que não se trata de um livro para fazer denúncias, mas testemunhar o dom da esperança. Vitimado pelo câncer, faleceu no dia 17 de setembro de 2002.
Os cinco defeitos de Jesus

Van Thuan declara-se apaixonado pelos defeitos de Jesus e os descreve no livro “Testemunhas da esperança”:
1)- PRIMEIRO DEFEITO: JESUS NÃO TEM MEMÓRIA

No calvário, no auge da indescritível agonia, Jesus ouve a voz do ladrão à sua direita: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino” (Lc 23,43). Se fosse eu, teria respondido: “Não vou esquecê-lo, mas seus crimes devem ser pagos por longos anos no purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “...hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). Jesus esqueceu todos os crimes desse homem.

Semelhante atitude Jesus teve com a pecadora que banhou os seus pés com perfume... Não faz nenhuma pergunta sobre seu escandaloso passado. Simplesmente diz: “Seus inúmeros pecados estão perdoados, porque muito amor demonstrou” (Lc 7,47)...

A memória de Jesus não é igual à minha...
2)- SEGUNDO DEFEITO: JESUS NÃO “SABE” MATEMÁTICA

Se Jesus tivesse se submetido a um exame de matemática, por certo teria sido reprovado... “Um pastor tinha 100 ovelhas. Uma se extravia. Ele, imediatamente, deixa as 99 no redil e vai em busca da desgarrada. Reencontra-a, coloca-a no ombro e volta feliz” (cf. Lc 15,4-7).

Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de noventa e nove e, talvez, até mais. Quem aceita tal procedimento? Sua misericórdia se estende de geração em geração...
3)- TERCEIRO DEFEITO: JESUS DESCONHECE A LÓGICA

Uma mulher possuía 10 dracmas. Perdeu uma. Acende a lâmpada; varre a casa... procura até encontrá-la. Quando a encontra convida suas amigas para partilhar sua alegria pelo reencontro da dracma... (Lc 15,8-10)... de fato, não tem lógica fazer festa por uma dracma... O coração tem motivações que a razão desconhece... Jesus deu uma pista: “Eu vos digo que haverá mais alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se converte...” (Lc 15,10).
4)- QUARTO DEFEITO: JESUS É AVENTUREIRO

Executivos, pessoas encarregadas do “marketing das empresas”, levam em suas pastas projetos, planos cuidadosamente elaborados... Em todas as instituições, organizações civis ou religiosas não faltam programas prioritários; objetivos, estratégias...


Nada semelhante acontece com Jesus. Humanamente analisando, seu projeto está destinado ao fracasso.


Aos apóstolos, que deixaram tudo para segui-lo, não garante sustento material, casa para morar, somente partilhar do seu estilo de vida. A um desejoso de unir-se aos seus, responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20)...

Os doze confiaram neste aventureiro. Milhões e milhões de outros igualmente. Já vão lá mais de dois mil anos e a incalculável multidão de seguidores continua a peregrinar. Galerias enormes de santos e santas, bem-aventurados, heróis e heroínas da aventura. No Universo inteiro esta abençoada romaria continua... Vai que este aventureiro tem razão...? Neste caso, a mais fantástica viagem na “contramão” da história será a verdadeira...! “A quem iremos?”...
5)- QUINTO DEFEITO: JESUS NÃO ENTENDE DE FINANÇAS NEM ECONOMIA

Se Jesus fosse o administrador da empresa, da comunidade, a falência seria uma questão de dias. Como entender um administrador que paga o mesmo salário a quem inicia o trabalho cedo e a outro que só trabalha uma hora? Um descuido? Jesus errou a conta? ... 


Por que Jesus tem esses defeitos? Porque é o Deus da Misericórdia e Amor Encarnado. Deus Amor (cf. 1Jo 4,16). Portanto, não um amor racional, calculista, que condiciona, recorda ofensas recebidas. Mas um amor doação, serviço, misericórdia, perdão, compreensão, acolhida... Em que medida? Infinita.

Os defeitos de Jesus são o caminho da felicidade. Por isso, damos graças a Deus. Para alegria e esperança da humanidade, esses defeitos são incorrigíveis.
http://www.comshalom.org/formacao/santos/van_thuan.html

O DOM DA EUCARISTIA

O encontro do sacerdote com Jesus na Eucaristia, fonte da Nova Evangelização - Por Cardeal Van Thuan


fonte: Revista Sacerdos

Edição Maio-Junho 2003
Muitas vezes pensamos que temos de ser santos para poder celebrar dignamente os santos mistérios: não ter pecado, santificar-se. Todas as manhãs reconhecemos que somos pecadores para celebrar dignamente. Contudo, poucas vezes pensamos, ou nunca, que a celebração da Eucaristia contribui para fazer do sacerdote um homem de Deus, um santo.

I. A minha experiência pessoal




A celebração faz do sacerdote um santo. É por causa disto que eu quero compartilhar com vocês a minha experiência eucarística, assim como a experiência de outras pessoas íntimas que me marcaram com a sua fé, com a sua devoção à Eucaristia.


No seminário, minha formação se inspirou na vida do Cura D´Ars, são João Maria Vianney, e do Padre Pio. Eles me acompanharam durante toda a vida sacerdotal. Quando eu celebrava sozinho na prisão, João e Pio estavam sempre diante de mim e celebravam comigo. Foi graças ao seu sacrifício e ao seu amor pela Eucaristia que eu pude sobreviver na prisão. Lembro-me de que o Padre Pio celebrava a missa não em vinte ou trinta minutos, mas em uma hora, uma hora e meia. Ninguém reclamava da duração da missa, porque todos estavam fascinados pela sua maneira de celebrar, inclusive os bispos que assistiam. Entretanto, algumas pessoas mal-intencionadas pediram ao Santo Ofício que o proibisse de celebrar a Eucaristia desta forma, e então o Padre Pio foi obrigado a celebrar a missa em no máximo 45 minutos. O Padre Pio obedeceu à ordem, mas os fiéis pediram à Santa Sé a permissão para o frade celebrar a missa como antes, e Pio XII deu a autorização.

Alguém perguntou a São João Maria Vianney porque às vezes ele chorava e outras vezes sorria quando celebrava a missa. Ele respondeu que sorria quando pensava no dom da presença de Jesus na Eucaristia e chorava quando pensava nos pecadores que não podem receber tal dom. Quando fui preso, retiraram todos os meus pertences, mas me permitiram escrever para casa e pedir roupa e remédios. Eu pedi que me enviassem vinho em frascos de remédio para o estômago. No dia seguinte, o diretor da prisão me chamou para perguntar se eu estava mal do estômago, e se tinha algum remédio. Depois de escutar as minhas respos-tas afirmativas, me entregou um pequeno frasco de vinho com uma etiqueta que dizia “remédio para a dor de estômago”.Este foi um dos dias mais felizes da minha vida! Desta forma eu pude celebrar a missa dia após dia, com três gotas de vinho e uma gota d´água na palma da mão e com um pouco de hóstia que me davam para a celebração, e que eu guardava com muito cuidado contra a umidade.


Depois, quando estava com outras pessoas de fé católica, era abastecido de vinho e de hóstias, que os seus familiares levavam quando iam visitá-los. De um modo ou de outro, eu quase sempre pude celebrar a missa, sozinho ou acompanhado. Celebrava depois das nove e meia da noite, porque a essa hora não havia luz e conseguíamos juntar umas seis pessoas. Todos dormiam numa cama comum, 25 em cada parte. Cada um dispunha de 50 centímetros: estávamos como sardinhas


Quando celebrava e dava a comunhão, secávamos o papel dos maços de cigarro dos prisioneiros e, com arroz, os pregávamos para fazer uma pequena bolsa na qual colocávamos o Santíssimo. Todas as sextas-feiras tínhamos uma aula de marxismo, e todos eram obrigados a participar. Depois havia um pequeno intervalo, e era quando os cinco católicos levavam o Santíssimo a outros grupos. Eu também o levava num pequeno pacote que colocava na minha bolsa, e assim a presença de Jesus me ajudava a ser corajoso, generoso, amável, e a dar testemunho de fé e de amor aos outros.

A presença de Jesus fazia maravilhas, porque entre os católicos também havia alguns que eram pouco fervorosos, menos praticantes... Havia ministros, coronéis, generais e, na prisão, cada um em particular fazia uma Hora Santa todas as tardes, uma hora de adoração e de oração diante de Jesus eucarístico. Assim, na solidão, na fome... uma fome terrível, foi possível sobreviver. Desta maneira dávamos testemunho na prisão. 


A semente tinha sido semeada. Ainda não sabíamos como ia germinar, mas pouco a pouco, um a um, budistas, membros de diversas religiões, inclusive fundamentalistas hostis ao catolicismo manifestavam o desejo de ser católicos. Nos tempos livres eu ensinava catecismo a todos juntos. Batizava às escondidas e... era até padrinho. A presença da Eucaristia mudou a prisão, que era lugar de vergonha, de tristeza, de ódio e que tinha se transformado em lugar de amizade, de reconciliação e em escola de catecismo. Sem saber, o governo tinha feito uma escola de catecismo! 


A presença da Eucaristia é muito forte, a presença de Jesus é irresistível. Eu e todos os meus companheiros de prisão somos testemunhas disto.

II. A Celebração Eucarística nos santifica


Não devemos ser santos para celebrar a Missa, mas celebrar a Missa para sermos santos.

1. In persona Christi


Quando celebramos a Santa Missa nos santificamos, porque o fazemos in persona Christi. Da mesma forma, as meditações, oração, a ação de graças, o louvor, a oblação e a intercessão. 


Somos intercessores e estas funções, in persona Christi, nos ajudam a ser santos. Estas funções renovam a lembrança da nossa ordenação. São Paulo pede que nós pensemos na nossa ordenação, no momento em que nos impuseram as mãos. In persona Christi não está somente a lembrança da nossa ordenação, mas a identificação com Cristo. E quando pronunciamos as palavras da consagração, nos sentimos mais do que nunca filhos de Maria. Todas as manhãs somos renovados porque começamos uma aliança nova, sempre mais nova e eterna, que não termina. Esta identificação nos ajuda a ser santos. Também nos santificamos porque a Eucaristia é fonte da nova evangelização.

2. Fonte da nova evangelização


A Eucaristia nos ajuda a realizar a nova evangelização por todo o mundo. No Vietnã, na fronteira entre Laos e China, há uma aldeia cujos habitantes falam pouco o vietnamita, mas o entendem. Um dia, um sacerdote que vivia muito longe de lá viu um grupo daquelas pessoas caminhando e lhes perguntou para onde iam. Responderam que iam se batizar.

O sacerdote perguntou como tinham aprendido o catecismo, pois não existia um catecismo na sua língua. Responderam que tinham escutado uma estação de rádio de Manila: “Fonte da vida”. O sacerdote sabia que era uma rádio protestante, mas a rádio protestante também faz católicos! O pároco lhes convidou a ficar alguns dias com ele, para rezar e se preparar para o batismo. Eles responderam que só podiam ficar dois dias porque já tinham empregado seis pelo caminho, a pé nos montes, e devendo gastar outros tantos para voltar só tinham arroz suficiente para ficar aquele período de tempo. Nesses dois dias, o pequeno grupo de pessoas se preparou para receber o batismo e a comunhão, e assistiram à Missa pela primeira vez. Depois voltaram felizes para a aldeia de onde tinham vindo. Os comunistas os perseguiam e não davam autorização para construírem uma igreja. Então eles se organizaram, em segredo, com outros habitantes da aldeia, para dividir o trabalho da construção. Alguns se encarregariam da porta, outros das janelas, outros do piso, outros do teto. E numa noite de lua, levantaram uma pequena igreja de madeira. No dia seguinte a polícia foi atrás dos construtores e ordenou que igreja fosse destruída. Porém, toda a aldeia de 400 pessoas foi solidária e assumiu a responsabilidade da construção da igreja, que não foi derrubada.

Os recém-convertidos ao catolicismo sempre têm um vivo desejo de também levar a Palavra de Deus aos outros e, para fazer isto, às vezes têm que lançar mão de planos muito engenhosos. De fato, no regime comunista há um grande controle sobre as pessoas, que devem denunciar se alguém sai da aldeia ou entra, mesmo que seja só durante um dia. Para solucionar essas proibições são organizadas falsas brigas, e culpam como responsáveis da desordem algumas famílias que são convidadas a sair da aldeia. Essas famílias são as que depois levarão o Evangelho a outras aldeias e se transformarão em catequistas. É como no tempo dos apóstolos. Quando eu saí da prisão muitos vieram me visitar. Eu tinha conseguido para eles um rádio, para eles poderem acompanhar a Missa na estação Véritas, enquanto trabalhavam nos campos ou com os búfalos. Às nove e meia paravam o trabalho e se reuniam para assistir à Missa, escutar a pregação e recobrar forças para a nova evangelização. Estas pessoas sofrem muito, mas a presença de Jesus as ajuda.

III. A Eucaristia é força que transforma




Durante a celebração é preciso concentrar-se plenamente nos textos que são lidos, nos gestos que se realizam. Todos vocês têm a oportunidade de ver como o Papa celebra a Missa. Está tão absorvido na oração que se esquece de tudo o que está ao seu redor. Com freqüência fazem um gesto depois da comunhão para avisá-lo de que deve concluir a Missa, porque ele está transformado pela presença de Jesus.

Um dia fui convidado pelo Cardeal polonês André Deskur, amigo pessoal do Papa. Quando estávamos comendo, ele me convidou para ir ver a sua pequena capela. Fui, mas não notei nada em particular. Então o cardeal me disse que enquanto todo o prédio tem o piso de mármore, o da capela é de madeira, porque ele mandou trocar com medo de o Papa pegar uma pneumonia. De fato, desde que era sacerdote, bispo, cardeal, o Santo Padre freqüentemente rezava durante longo tempo prostrado por terra com os braços em cruz. Seu secretário me disse que ele ia sete vezes à capela para adorar o Santíssimo. É como se o Papa visse Jesus. As pessoas podem encontrar Jesus em homens como João Paulo.
Quando eu era diácono, servi a um cardeal da Armênia. Durante a bênção com o Santíssimo eu ficava impressionado com os seus gestos. Profundamente impressionado, porque quando colocava o incenso ele não estava em silêncio como todos nós, mas cantava o Tantum Ergo com tamanha devoção que transformava aquele momento em algo inesquecível. Este é o tipo de pessoas de que precisamos, porque elas encontraram Jesus e ajudam os outros a encontrá-lo.

Tive a oportunidade de constatar como a Madre Teresa rezava na igreja diante do Santíssimo. É inesquecível. Nas sacristias das casas da Madre Teresa está escrito, para ajudar os sacerdotes: “Celebra cada Missa como se fosse a tua primeira, a tua única, a tua última Missa”. A Madre Teresa pediu que escrevessem isto para lembrar a todos os sacerdotes que celebram nas suas casas. É uma graça muito grande ver como a Madre Teresa rezava diante do Santíssimo!

A formação que recebemos no seminário ajuda muito. Me comovem profundamente, até o âmago, hinos como o Sacris Solemnis, o Pange Língua, o Lauda Sion. Vemos toda a teologia nestas palavras: a fé no Santíssimo, na Eucaristia... Quando eu canto o Pange Língua – “in supreme nocte Coene, recumbens cum fratribus, observata lege plene, cibis in legalibus, cibum turbae duodenae se dat suis manibus” -, eu sinto que Jesus está presente. “Suis manibus”, que nos dá o Santíssimo! Quando eu canto o Lauda Sion não posso conter as lágrimas, porque eu vejo a graça do Senhor: “Sumunt boni, sumunt mali, sorte tamen inaequali, vitae vel interitus. Mors est malis, vita bonis; vide paris sumptionis quam sit dispar exitus”. Trata-se de um tratado de teologia viva, narrativa. 


Então, o que devemos fazer com a nossa vida? 


“Eucaristizar”. Transformar tudo em Eucaristia, para podermos ter o homem eucarístico, a Igreja eucarística, a terra eucarística, e assim toda a vida será Eucaristia. O mundo eucarístico da Igreja que crê, que espera, que guia, que está destinada à Restauração, que proclama a Trindade, que sempre renova o mundo, a sociedade. E estes são os meus bons desejos e a minha oração por todos vocês. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

Nota:

O Cardeal Van Thuan foi presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz. Faleceu em Roma no dia 16 de setembro de 2002, depois de uma dolorosa doença. Estas meditações foram pregadas nos exercícios espirituais dirigidos aos membros do Centro Pastoral Logos, em fevereiro de 2002.

http://www.sociedadecatolica.com.br/uploads/smil48c9a8bdeae51.jpg

© Copyright Sociedade Católica

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Para citar:


Apostolado Sociedade Católica.
 O Dom da Eucaristia – Meditação Pregada pelo Cardeal Van Thuan em 2002. Disponível em:http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=236 desde 07/05/08


O Cardeal François-Xavier Nguyen Van Thuan faleceu, dia 16 de Setembro de 2002, em Roma, vítima de cancro. Com 74 anos de idade e tendo já sido submetido a duas intervenções cirúrgicas, o Cardeal vietnamita era Presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz. “Faleceu um santo”, assegurou D. Gianpaolo Crepaldi, Secretário desse Conselho Pontifício, ao anunciar o sucedido à Agência ZENIT.

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Anônimo
23 de julho de 2011 11:47

Os iludidos devem DESISTIR de ler os 06 PDFs “DESMASCARANDO a BÍBLIA”?
O link para download é http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/3062194
Nos 6 PDFs o Lisandro Hubris prova que:
Noé e os animais permaneceram na ARCA 375 DIAS!
NERO não torturou os cristãos no COLISEU.
A “BATALHA DE KADESH” virou JOSUÉ PAROU O SOL
A “GÁS PLANT” inspirou a lenda da “SARÇA ARDENTE”
O BATISMO DE JESUS por JOÃO BAPTISTA é só uma PSEUDOEPIGRAFIA
Foi um TRAUMATISMO CRANIANO que fez SAULO de Tarso virar “PAULO”.
Existiram humanos de outras raças, outra espécie ou “endêmicos”.
Sodoma foi destruída na época do Deus Enki, e não JAVÉ.
ANUNCIAÇÃO, CONCEPÇÃO, NASCIMENTO e ADORAÇÃO a HÓRUS.
A crença num “DEUS ÚNICO” é anterior a ABRAÃO.
Desmascarando a farsa dos patriarcas bíblicos terem vivido MUITO.

Os ILUDIDOS têm o beneficio da vantagem numérica...
E é quase impossível publicar PDF/livros ateístas como os livros:
Que tal ajudar divulgar os PDFs:
“DESMASCARANDO a BÍBLIA”?
“Moises é uma fraude”.
“O sudário de Turim foi fabricado pelo Da Vinci”.
Ou “Desmascarando a Bíblia” Volume i, II, III e IV.

25 de julho de 2011 10:39

Prezado Anônimo,

POR QUE O ATEÍSMO É TÃO “ ABORRECIDO e MAÇANTE ” ?


1)- “Aborrecido” - É talvez dos mais elegantes adjetivos que eu vi serem usados recentemente para se referir – com propriedade – ao ateísmo. A miséria intelectual auto-elevada – ridicularmente – ao patamar de única posição socialmente aceitável, provocando os maçantes jantares aos quais o filósofo Pondé se refere com tanto bom humor.

2)- Como se fossem uma decrépita cerimônia ritual onde os velhos fiéis de uma religião sem fé bajulam-se mutuamente, em um mecanismo de auto-afirmação que é a antítese perfeita dos cultos religiosos onde os fiéis confortam-se uns aos outros. Nem mesmo nisso eles são originais.Realmente, o diabo só faz mesmo tocar cover das canções do Céu aqui na terra.

3)-E o ateísmo é aborrecido, porque auto-limitado. Porque pobre, raso, estéril. Incapaz de satisfazer aos anseios humanos mais profundos – insistindo em ficar às margens e negar a existência do oceano que se descortina diante dele.

4)- Um bufão que se julga rei, emitindo ordens disparatadas em sua estultície e rasgando as vestes, espantado, ao perceber serem bem poucos os que o levam minimamente a sério para além das mesas dos “jantares inteligentes”,que é um mecanismo encontrado de auto-afirmação que é a antítese perfeita dos cultos religiosos onde os fiéis confortam-se uns aos outros.

Trocaram seis por meia dúzia.


Por gentileza, quando o último ateu responder e sair, apague a luz por favor.

Shalom !!!

Anônimo
29 de julho de 2011 17:14

tem sufrido... a religião deste mundo chega a ser vergonhosa. Mas graças a Deus existe um projeto eterno no qual estou!
graças a Deus o Senhor non me permitiu ser cega que nem vc
!

Anônimo
9 de outubro de 2011 16:08

A igreja católica vai acabar, as atitudes que o vaticano está tomando vai criar um buraco em suas doutrinas, se não começar a tomar atitudes éticas "logo" ninguém mais vai saber quem é jesus.

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CIDADÃO DO MUNDO, NORDESTINO COM ORGULHO, Brazil
Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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