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O enigma da face de Jesus

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 14 de abril de 2010 | 09:01

O enigma da face de Jesus


Entrevista com o jornalista Saverio Gaeta


Por Jesús Colina


ROMA, terça-feira, 13 de abril de 2010 (ZENIT.org) .

Uma áura de mistério envolve o assim chamado “véu de Verônica”, relíquia que mostra a imagem do rosto de Cristo. Não se trata de um segundo sudário em contraposição com aquele de Turim, mas de um tecido funerário complementar, que o Evangelho de João identifica como “o sudário, que estava sobre sua cabeça”.



De acordo com o jornalista Saverio Gaeta, é esta a verdadeira essência da “Santo Rosto”, o finíssimo véu atualmente sob custódia no santuário de Manoppello.



Gaeta, redator-chefe da Famiglia Cristiana e autor de vários ensaios de cunho religioso, aprofundou esta temática fascinante em seu livro L’enigma del volto di Gesù (“O enigma da face de Jesus”, publicado em italiano pela editora Rizzoli).



- Segundo suas pesquisas, de que modo estas duas relíquias conviveram no Oriente Médio nos primeiros séculos da era cristã?



- Gaeta: Na metade do primeiro milênio, o que hoje chamamos Sudário era conhecido como Mandylion, e se encontrava em Edessa (hoje Urfa, na Turquia), enquanto que o Santo Rosto estava em Camúlia (próximo à atual cidade turca de Kayseri).Sua relação é demonstrada por uma série de moedas de Constantinopla. Em 692, o imperador bizantino Justiniano II cunhou moedas com um rosto de Cristo do tipo “semítico”, como aquele de Manoppello.
Em 705, após o véu ter sido levado a Roma pelo patriarca Callinico, o rosto cunhado se tornou mais parecido com as feições dos deuses helenísticos. Em 869, com o fim das lutas iconoclastas, passou a prevalecer nas moedas a imagem do Homem do Sudário, como se vê no solidus aureo de Basílio I.Isto é evidenciado pela posição dos pés que se projetam do manto original, o esquerdo inclinado para frente e o direito girado em 90o: exatamente como na imagem do Sudário, no qual uma das pernas parece mais curta que a outra devido à rigidez cadavérica.


- Há uma ligação do Sudário e o Santo Rosto com a iconografia de Jesus?


- Gaeta: Certamente. São justamente estas duas imagens que estão na origem da iconografia cristã, como demonstrou o padre Heinrich Pfeiffer, professor de história da arte cristã na Pontifícia Universidade Gregoriana, que documentou como o rosto do Sudário destaca a estrutura óssea, enquanto o rosto de Manoppello tem feições mais redondas. Assim, todos os mosaicos do Cristo Pantocrator em Constantinopla, na Grécia e na Sicília representam tipos semelhantes ao que aparece no Sudário. As imagens de Cristo da arte flamenga do século XV são, por sua vez, mais próximas da imagem de Manoppello.


- A capa de seu livro mostra uma sobreposição do rosto do Sudário e o Santo Rosto. Do que se trata?



- Gaeta: Trata-se de uma descoberta feita pela trapista Blandina Schlomer, que encontrou várias correspondências entre os rostos de Manoppello e o do Sudário: a assimetria do rosto, a barba rala e de ponta dupla, as aletas assimétricas do nariz, a órbita ocular visível abaixo da íris, a mecha de cabelo no meio da fronte. Posteriormente, o padre Andreas Resch, fazendo uso de recursos computacionais, refinou ainda mais a sobreposição, delimitando diversas áreas que representam “pontos de correspondência”, úteis também para comparar as duas imagens com representações artísticas antigas. Assim foi possível alcançar uma sobreposição perfeita das duas imagens, que evidencia uma verdadeira fusão das mesmas.



- De acordo com suas pesquisas, o Rosto Santo chegou a Roma no século VII e passou a ser exposto em São Pedro a partir do século XIII. O que ocorreu em seguida?



- Gaeta: No imaginário coletivo, o Rosto Santo sempre esteve revestido de grande importância. Foi assim principalmente a partir de 1300, ocasião em que foi proclamado o primeiro Jubileu da história cristã, o qual teve justamente na exposição pública do assim chamado “véu de Verônica” um de seus aspectos mais marcantes. Em 6 de maio de 1527 ocorreu o grande saque de Roma, no qual muitos objetos preciosos desapareceram, inclusive de São Pedro; entre eles estava com certeza o Rosto Santo. O Vaticano, entretanto, jamais admitiu o roubo, uma vez que estava em curso a construção da nova basílica e era necessário manter o afluxo de peregrinos, cujas oferendas eram indispensáveis para custeio das obras.



- Enquanto isso, o véu chegou aos Abruzos?



- Gaeta: Sim. A verdadeira imagem de Cristo, após alguns percalços, chegou finalmente em Manoppello em 1618, adquirida por Donato Antonio De Fabritiis, que a doou em 1638 aos capuchinhos. Em 6 de abril de 1646, foi exposta pela primeira vez à veneração pública. Em setembro de 2006, durante
sua visita ao santuário, Bento XVI foi o primeiro Papa a poder novamente venerar a relíquia, meio milênio após seu desaparecimento da Basílica de São Pedro.



- Há provas científicas que confirmam as características extraordinárias do tecido?



- Gaeta: De fato, foram realizadas diversas análises do material do véu. O professor Donato Vittore mostrou que no espaço entre os fios da trama não há vestígios de pigmentos. O professor Giulio Fanti, da Universidade de Pádova, revelou que as imagens dos dois lados do véu não são idênticas. Por exemplo, a mecha de cabelo sobre a testa é um dos indícios a favor da ideia de que a imagem não poderia ter sido confeccionada por mãos humanas. Não se explica como um artista poderia ter pintado um sinal no rosto de um dos lados deste véu tão fino e um sinal diferente do outro lado. Análises usando a lâmpada de Wood permitem afirmar que não há vestígios de substâncias orgânicas naturais como óleos, gorduras ou ceras, tradicionais aglutinantes empregados em pintura, enquanto que estudos por espectroscopia Raman evidenciaram que as fibras são do tipo protéico (semelhante às da seda marinha, extraída do molusco Pinna nobilis do mar Mediterrâneo) e não vegetal, como seria o caso do linho.


O Sudário de Oviedo



Segundo uma tradição, a antiga capital das Astúrias conserva desde o século VIII o “Sudário do Senhor”.


Pesquisas científicas reconheceram nele manchas de sangue compatíveis com as do Sudário de Turim de Lorenzo Bianchi

O Sudário de Oviedo (Astúrias, Espanha). Segundo uma tradição, é o lenço com que foi coberto o rosto de Jesus durante a deposição da cruz e o transporte para o sepulcro. As manchas de sangue nele impressas são compatíveis, no que diz respeito à composição, ao tipo sanguíneo e à difusão geométrica, com as encontradas no Sudário de Turim



Realizam-se há vários anos, embora pouco conhecidas pela maioria, pesquisas científicas sobre o sudário conservado na Catedral de São Salvador de Oviedo (Astúrias, norte da Espanha). Trata-se de uma peça de tecido retangular, parcialmente regular, de linho, com cerca de 53 por 86 centímetros, de composição igual à do Sudário de Turim, no que diz respeito às dimensões das fibras, à fiadura e à torcedura, com exceção da trama, cuja urdidura é ortogonal, enquanto a do Sudário de Turim é no formato de espinha de peixe. A olho nu, vemos apenas manchas de cor castanho-claro, de variada intensidade, que revelaram-se oriundas de sangue humano; exames microscópicos mostraram também outras manchas de sangue (algumas puntiformes), além de vestígios de pólen, de aloé e de mirra. Fontes históricas tradicionalmente relacionam o Sudário com a paixão de Jesus; o Sudário é exposto aos fiéis três dias por ano: na Sexta-Feira Santa e no primeiro e no último dia do Jubileu da Santa Cruz, ou seja, em 14 de setembro (festa da Santa Cruz) e 21 de setembro (festa de São Mateus).



A história As notícias que nos chegaram a respeito de sua história derivam sobretudo da reconstrução medieval feita no Liber Testamentorum por Pelágio, bispo de Oviedo de 1101 a 1130 (ano em que foi deposto), e que morreu em 1153. Pelágio afirma que o Sudário, proveniente do sepulcro de Jesus, foi preservado em Jerusalém, com outras relíquias, numa arca de madeira de cedro, e que ali permaneceu até a época da conquista da cidade pelas mãos dos persas de Cosroes II, em 614, quando um monge de nome Filipe fugiu, levando-a para Alexandria do Egito. Quando os persas chegaram também ali, em 616, Filipe transportou a arca do Norte da África para a Península Ibérica, entregando-a a São Fulgêncio, bispo de Ecija, que a deu a seu irmão, São Leandro, bispo de Sevilha (na realidade, Leandro morreu por volta do ano 600). Santo Isidoro, também irmão de Leandro e seu sucessor, doou-a a seu aluno Santo Ildefonso (607-667), que, quando foi consagrado bispo de Toledo, em 657, levou-a consigo para a capital do reino hispano-visigótico.



Podemos acrescentar a essas notícias de Pelágio uma referência feita ao “Sudário do sepulcro de Cristo” em 570 pelo peregrino Antonino de Piacenza, que sabia de seu paradeiro na gruta de um mosteiro localizado às margens do rio Jordão, perto de Jericó (mas não afirma tê-lo visto); ao mesmo tempo, São Bráulio, bispo de Saragoza de 631 a 651, fala de ter reencontrado o Sudário (não fica claro onde, mas, provavelmente, na Espanha). Outro peregrino, porém, o bispo Algulfo, diz ter visto o Sudário em Jerusalém em 670.



Ainda segundo Pelágio, de Toledo, por medo dos árabes, que tinham começado a invasão da Espanha em 711, o Sudário e as outras relíquias, postos numa nova arca de carvalho, foram transferidos diretamente para Oviedo, nas Astúrias. Uma outra tradição, talvez mais confiável, diz que nessa ocasião o Sudário e as relíquias foram escondidos num eremitério no alto do Monsacro, uma montanha a dez quilômetros de Oviedo. Só por volta de 840 o rei das Astúrias Afonso II, o Casto (791-842), teria levado esses objetos para Oviedo: para tanto, mandou construir dentro de seu palácio a “Câmara Santa”, uma capela que desde então hospeda a arca com as relíquias (atualmente, a capela está incorporada ao interior da catedral gótica de São Salvador, construída no século XIV).



Depois de uma possível abertura da arca que talvez tenha ocorrido nas primeiras décadas do século XI, um documento de 14 de março de 1075 (do qual se conserva uma cópia do século XIII no arquivo da Catedral de Oviedo) atesta um reconhecimento que teria ocorrido no dia anterior, na presença do rei de Castela e de Leão Afonso VI (1065-1109), e nos fornece o primeiro inventário do conteúdo da arca, mencionando expressamente “de Sudario eius [Domini]”. Essa menção aparece também no revestimento de prata da arca, encomendado pelo mesmo Afonso VI e realizado alguns anos depois de sua morte, como testemunha a data gravada no metal (1113).



Outro reconhecimento do conteúdo da arca ocorreu no tempo do bispo Diego Aponte de Quiñones (1585-1598), quando o rei Filipe II ordenou um novo inventário das relíquias, na presença de seu enviado Ambrosio de Morales.



A história do Sudário, portanto, tendo como fonte substancialmente a um testemunho muito tardio (de pleno século XII), pareceria não ter muitos requisitos de confiabilidade. No entanto, contra todas as expectativas, as pesquisas científicas não a contradisseram, antes reforçaram.
A Catedral de São Salvador de Oviedo (século XIV), que contém a “Câmara Santa” dentro da qual se encontra a arca que guarda as relíquias trazidas para Oviedo no século VIII: entre essas relíquias, o “Sudário do sepulcro de Cristo”



Investigações científicas Os primeiros estudos sobre o Sudário se devem, a partir de 1965, a monsenhor Giulio Ricci, que levantou analogias desse objeto com o Sudário de Turim, que estudara em profundidade. Pesquisas mais recentes (o último congresso internacional de estudos sobre o Sudário realizou-se em Oviedo em abril de 2007), realizadas ainda hoje pelo Edices (Equipo de Investigación del Centro Español de Sindonología), puderam averiguar, em primeiro lugar, que o tecido foi depositado sobre o rosto de um homem, já morto, dobrado e fixado atrás de sua cabeça. Uma série de quatro manchas, especulares em ambos os lados do pano dobrado, mostrou-se composta por uma parte de sangue e seis partes de líquido hedemático pulmonar, substância que se acumula nos pulmões em razão da morte por sufocamento, como a que acontece depois de uma crucifixão.



O homem a quem pertence o sangue presente no Sudário de Oviedo morreu, portanto, das mesmas causas do homem do Sudário de Turim. Algumas das manchas se sobrepõem a outras, de modo que fica claro que estas já estavam secas quando se formaram aquelas; assim, os estudiosos puderam estabelecer também que o Sudário foi aplicado sobre o rosto do defunto em pelo menos dois momentos distintos. Entre as manchas, distinguem-se também impressões digitais, dispostas na região ao redor da boca e do nariz, provavelmente deixadas por alguém que procurava deter o fluxo de sangue do nariz, depois que o pano envolveu a cabeça. Além das manchas de líquido hedemático, aparecem outras, de um tipo diferente, entre as quais pontinhos de sangue causados por pequenos corpos pontiagudos, talvez espinhos.



Mas a coincidência mais notável é que as manchas no Sudário de Oviedo mostraram correspondência geométrica com as do Sudário de Turim, sendo, além disso, um pouco mais estendidas. A impressão do nariz, medida tanto no Sudário de Turim quanto no de Oviedo, apresenta o mesmo comprimento, de oito centímetros. Pesquisas realizadas em 1985 e repetidas em 1993 demonstraram que o sangue do Sudário de Oviedo pertence ao grupo AB, comum no Oriente Médio, mas raro na Europa, o mesmo encontrado no Sudário de Turim. Não obtiveram êxito, porém, os exames de DNA, cujo resultado foi fragmentado demais e, portanto, inutilizável, e de carbono 14, que deu uma datação do século VII d.C., considerada não confiável pelos próprios realizadores do teste, em razão da contaminação excessiva das amostras.



São também do Oriente Médio, como ocorre no caso do Sudário de Turim, os grãos de pólen encontrados no Sudário de Oviedo, estudados em 1979 pelo biólogo Max Frei, que demonstrou que são incompatíveis com o ambiente palestino do século I. Em particular, Frei encontrou vestígios de pólen provenientes de seis tipos de plantas. Duas eram características da Palestina: quercus calliprinos e tamarindus. Os outros grãos de pólen provinham do Norte da África e da Espanha, confirmando, inesperadamente, o itinerário do Sudário descrito pelo bispo Pelágio. Por fim, pertence também à Palestina do século I, igualmente ao que se dá no caso do Sudário de Turim, o tipo de lavor do linho, material de que é feito o objeto.



Todos os resultados científicos parecem, portanto, levar a concluir que o Sudário de Oviedo e o Sudário de Turim tenham estado em contato com a mesma pessoa. E isso teria acontecido em momentos próximos, mas diferentes: certamente, primeiro o Sudário de Oviedo, depois o de Turim, tanto porque a maior amplitude das marcas pressupõe um sangue mais fluido, quanto pelo fato de, no Sudário de Oviedo, só haver sangue, mas não uma imagem negativa como a que aparece no Sudário de Turim, que sabemos ter sido formada num momento posterior ao das manchas de sangue. Levando em conta o que foi possível observar, foi levantada a hipótese de que o Sudário de Oviedo possa ser o lenço que, segundo o uso judaico, serviu para cobrir o rosto de Jesus durante o transporte da cruz para o sepulcro, mas que foi retirado antes que o corpo fosse envolto pelo Santo Sudário; justamente por estar empastado de sangue, teve de ser deixado no sepulcro (em obediência às prescrições fúnebres judaicas). Não podemos, porém, estabelecer se esse é o sudário que João viu e de que fala em seu Evangelho.



Existe um outro objeto que apresenta correspondências geométricas extremamente notáveis tanto com o Sudário de Turim quanto com o de Oviedo: o Santo Rosto de Manoppello.



A visita de Bento XVI ao Santo Rosto de Manoppello

de Carmine CucinelliReitor do santuário de Manoppello

Bento XVI em visita ao santuário do Santo Rosto de Manoppello (Pescara), em 1º de setembro de 2006 [© Santuario di Manoppello]



Os capuchinhos e o Santo Rosto O convento dos capuchinhos foi fundado entre 1618 e 1620, época em que Donat’Antonio De Fabritiis mandava instalar o Santo Véu entre dois vidros. A igreja foi dedicada a São Miguel Arcanjo e ao Santo Rosto, que foi exposto à veneração popular em 6 de abril de 1646. Depois dessa data, não foi objeto de culto público por cerca de quarenta anos, mas guardado quase privadamente num nicho do lado direito do altar-mor.



Apenas em 1686 foi construída uma pequena capela do lado esquerdo da igreja, com um altar para o qual foi transferida a relíquia santa, quando da introdução da festa litúrgica de 6 de agosto, dia da Transfiguração do Senhor.



Um evento negativo seria o responsável pelo forte aumento do culto ao Santo Rosto. O ano de 1700 começara com uma série de fortes terremotos, que sacudiram a Úmbria, os Abruzos e o Sânio ininterruptamente. Assim, a partir de 1703, padre Bonifacio da Ascoli voltou a expor o Santo Rosto à veneração pública e começou a pensar numa procissão que conduzisse o santo véu para o recinto interior da cidade (procissão que teria início em 1712, no segundo domingo de maio).



A procissão expôs o problema da segurança e, para proteger melhor o Santo Rosto, padre Bonifacio da Ascoli decidiu trocar os vidros em 1703, o mesmo fazendo, em 1714, padre Antonio da Poschiano, que, além dos vidros, mandaria adornar o conjunto com uma moldura de prata. Em ambos os casos, quando os vidros eram separados, a imagem de Cristo desaparecia, voltando a resplandecer apenas quando o tecido era devolvido a seu estado anterior.



Em 1750, para evitar que coincidisse com a festa de São Justino, padroeiro de Chieti, a procissão foi postergada para o terceiro domingo de maio, data em que continuaria a ser realizada até hoje. O século XIX foi marcado por leis de supressão das ordens religiosas, de modo que os frades teria de deixar o convento por duas vezes. A primeira, em 6 de setembro de 1811; no mesmo dia, o Santo Rosto foi transportado para o convento das clarissas, situado no recinto interior da cidade. O convento dos capuchinhos ficou, então, deserto, e o santuário permaneceu fechado até 16 de maio de 1816, quando os frades retornaram. Já no domingo seguinte, 19 de maio, sendo celebrada a festa costumeira, o santo véu foi triunfalmente devolvido a seu santuário. Mas, em 27 de dezembro de 1866, uma nova lei expulsaria os frades do cenóbio; o Santo Rosto permaneceu no santuário fechado.



Os religiosos voltariam em 27 de outubro de 1869, para lá ficar até hoje. Enfim, em 1871, a nova capela acabou de ser construída. Em 1946, a comunidade de Manoppello doou uma nova urna, a que atualmente preserva o véu do Santo Rosto.




Bento XVI em Manoppello Em 2006, celebramos o quinquagésimo aniversário da chegada a Manoppello, segundo a tradição, do santo véu com a imagem de Cristo. Essa relíquia, sobretudo nos últimos anos, foi objeto de extraordinária notoriedade na Itália e no mundo todo, graças a estudos que confirmaram sua autenticidade.




E eis que em 1º de setembro de 2006 verificou-se um evento que certamente mudará a história dessa importante relíquia de toda a cristandade: a visita de Bento XVI ao santuário do Santo Rosto de Manoppello. O Papa entre nós, o Papa conosco – como escreveu dom Bruno Forte. “Foi assim que o encontramos, pai, amigo, irmão, alguém que não se poupava de cumprimentar a todos, de abençoar a todos. O Papa teólogo que nos abriu seu coração de homem de fé, comunicando-nos com transparência e simplicidade a experiência que viveu nos longos minutos de intensa oração diante desse Rosto. [...] O Papa que veio da grande cultura teológica e filosófica alemã, que não hesita em se apresentar como apaixonado pelo Senhor, que fez e faz disso uma experiência contínua”.




Depois de uma longa espera, que durou séculos e séculos, o primeiro Papa veio a Manoppello, muito pouco tempo depois de sua eleição ao trono de Pedro. É o que o padre Pfeiffer observa com acuidade; e ele também diz: “Estou convencido de que muitos de seus predecessores já viram essa imagem, quando esse mesmo Santo Rosto ainda era chamado de ‘Verônica’, sendo ligado à tradição legendária e à devoção popular de uma mulher piedosa com esse mesmo nome que teria enxugado o rosto de Cristo durante a sua caminhada para o Calvário.




Tem um significado enorme e benéfico o fato de o atual Papa ter visto e contemplado longamente, com seus próprios olhos, essa imagem de Cristo que foi venerada ao longo dos séculos como a relíquia mais importante da cristandade. [...] Além da alegria do encontro com o povo de Manoppello e de toda a região dos Abruzos, o longo tempo que Bento XVI passou diante da imagem-relíquia foi o gesto mais eloquente de sua visita. O Papa estava visivelmente tocado, e ficou em silêncio profundo diante da imagem de Cristo, como num encontro direto com Jesus, tornado possível por intermédio do Santo Rosto”.



Bento XVI com padre Carmine Cucinelli diante do Santo Rosto de Manoppello [© Santuario di Manoppello]



Basílica menor e indulgências Bento XVI, em 22 de setembro de 2006, poucos dias depois de sua peregrinação ao Santo Rosto, elevou o santuário a basílica menor. Que significado tem esse título?



Em geral, é elevada a basílica uma igreja que goza de certa celebridade em toda a diocese, por exemplo por ter sido construída e consagrada a Deus por ocasião de um evento histórico-religioso particularmente importante, ou porque nela está preservado o corpo ou uma relíquia insigne de um santo, ou por lá ser venerada de modo particular determinada imagem sacra. Em nosso caso, o motivo é ser preservada aqui a relíquia do véu sobre o qual está impresso o Santo Rosto de Jesus.




O Santo Padre, ao elevar a igreja do Santo Rosto a basílica, trouxe-a para mais perto dele mesmo, como se sua visita durasse até hoje. Isso beneficia também os peregrinos e os devotos, que podem sentir-se mais unidos ao Papa e ouvir com fé seus ensinamentos.



Os fiéis que visitam devotamente a basílica e nela participam de algum rito sacro ou ao menos rezam o Pai-Nosso e o Credo, podem lucrar a indulgência plenária sob as condições habituais (confissão, comunhão eucarística e oração segundo a intenção do sumo pontífice), nas seguintes datas: a) o aniversário da dedicação da basílica; b) o dia da celebração litúrgica do titular (terceiro domingo de maio e 6 de agosto); c) a solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo (29 de junho); d) o aniversário da concessão do título de basílica (22 de setembro); e) uma vez por ano, num dia a ser estabelecido pelo ordinário do lugar; f) uma vez por ano, num dia livremente escolhido por cada fiel.



Indícios da ressurreição de Jesus



O Sudário de Oviedo e o Véu de Manoppello:
Dois objetos que, venerados há séculos como relíquias da paixão de Jesus, mostram surpreendentes correspondências com o Sudário de Turim
de Lorenzo BianchiPesquisador do Conselho Nacionalde Pesquisas Italiano Instituto de Tecnologias Aplicadas aos Bens Culturais

À esquerda, o rosto do Sudário de Turim; à direita, o rosto do Véu de Manoppello. As dimensões das duas imagens têm uma correspondência geométrica precisa



A observação científica da imagem e das manchas de sangue presentes no Sudário de Turim e as pesquisas experimentais realizadas ao longo de décadas de estudos, como já escrevemos nestas páginas (“Pequenos indícios da ressurreição de Jesus”, in: 30Dias, nº 6/7, junho/julho de 2008, pp. 66-81), permitem-nos vislumbrar uma única explicação compatível com os dados levantados. E tal explicação ultrapassa o próprio conhecimento científico, a saber: que o corpo envolto pelo Sudário abandonou o invólucro que o continha simplesmente desaparecendo, ou se tornou mecanicamente transparente, atravessando e deixando vazio e intacto o invólucro. E é impressionante – como já sublinhamos – a correspondência entre o dado físico objetivo e o que encontramos escrito no Evangelho de João, que foi testemunha ocular: quando Pedro entra no sepulcro, o lençol e as faixas que envolveram Jesus (o Sudário) ainda estão em seu lugar, mas murcharam sobre a pedra sepulcral, pois aquilo que envolviam, o corpo de Jesus, já não está lá; o sudário usado para a cabeça também está em seu lugar, ainda na posição em que fora posto (o lenço disposto sobre a cabeça, por cima do Sudário).



Tudo, evidentemente, está intacto. “Então, entrou também o outro discípulo [João], que chegara primeiro ao sepulcro: e viu e creu (Jo 20, 8)”. São exatamente os mesmos termos que Jesus usa para definir bem-aventurados aqueles que, mesmo sem tê-Lo visto ressuscitado, observando pequenos indícios, como o apóstolo predileto, acreditaram (Jo 20, 29). Pequenos indícios, como talvez possamos reconhecer em outros dois objetos que a piedade cristã venerou por séculos como relíquias da paixão de Jesus. Objetos que mostram, pelos primeiros resultados de exames e estudos científicos, surpreendentes correspondências e relações com o Sudário de Turim: o Sudário de Oviedo e o Santo Rosto de Manoppello.




Depois da publicação do artigo sobre o Sudário de Turim, no número 6/7, de junho/julho de 2008, chegaram algumas cartas à redação; publicamos parte significativa de uma delas, como introdução a um novo artigo sobre os estudos atuais relativos a outras relíquias da paixão de Jesus, que dados históricos e físicos levam a considerar relacionadas com o Santo Sudário Saint-Jean-Cap-Ferrat (França), 2 de novembro de 2008



Senhor Lorenzo Bianchi Instituto de Tecnologias Aplicadas aos Bens Culturais Caro senhor, como há muitos anos me interesso pelo Santo Sudário, li com o maior interesse o excelente artigo que o senhor publicou em 30Dias, traduzido e difundido na França.



O senhor foi o primeiro, que eu saiba, que pôs em prática o conselho dado por João Paulo II, quando, por ocasião de sua visita pastoral a Turim, em maio de 1998, disse que a contemplação do Santo Sudário requer: “Em primeiro lugar o empenho de cada homem, em particular do pesquisador, para captar com humildade a mensagem profunda enviada à sua razão e à sua vida”. E acrescentou: “A Igreja exorta a encarar o estudo do Sudário sem posições preconcebidas, que considerem óbvios resultados que não o são; convida-os a agir com liberdade interior e zeloso respeito tanto pela metodologia científica quanto pela sensibilidade dos que creem”.




“O que conta, sobretudo, para o homem de fé é que o Sudário é espelho do Evangelho. De fato, ao refletirmos sobre o Sacro Lençol, não podemos prescindir da consideração de que a imagem nele presente tem uma relação tão profunda com os que os Evangelhos contam da paixão e morte de Jesus, que todo homem sensível se sente interiormente tocado e comovido ao contemplá-la.” Era uma condenação implícita da datação de 1988 e um convite aos pesquisadores para que meditassem baseando-se também nas indicações precisas oferecidas pelos Evangelhos.



O senhor seguiu esse conselho e pôs em evidência a concordância perfeita, “até os mínimos detalhes”, para retomar sua fórmula, entre os dados fornecidos pelas diversas ciências experimentais e [...] o relato dos Evangelhos [...]; e isso é de uma verdade surpreendente! Todavia, por meio dessa concordância o senhor enfrenta “um outro horizonte”, ou seja, a possível demonstração da ressurreição “física” de Jesus. Está justamente nisso o interesse todo especial de seu trabalho. [...]



É absolutamente necessário, portanto, e suplico-lhe que o faça, que o senhor dê continuidade a essa abordagem, ou melhor, que a aprofunde, ponto por ponto. Essa, creio eu, deverá ser a mensagem do século XXI! [...]



Até que tenha o prazer de relê-lo, receba, caro senhor, meus melhores cumprimentos.



Pierre Schultz presidente emérito da Ordem dos Advogados
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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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