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Será que vamos ter agora uma INQUISIÇÃO SOCIALISTA ?

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 6 de junho de 2016 | 16:05








Milhões de pessoas foram mortas por regimes comunistas no século XX. Só pra lembrar alguns exemplos, podemos falar do genocídio de Holodomor na Ucrânia e também do extermínio em massa em Camboja, liderado pelo secretário-geral do Partido Comunista, Pol Pot, que matou mais de 1 milhão de pessoas. Isso se não mencionarmos os nomes de ditadores genocidas como Mao Tsé-Tung, Josef Stalin ou Adolf Hitler. Estima-se que, juntos, os três tenham matado aproximadamente 100 milhões de pessoas.Os críticos do socialismo não tinham somente motivos ideológicos para criticá-lo. O sistema político foi duramente criticado por teóricos do século XX também por apresentar propostas totalitárias totalmente opostas à correta aplicação dos direitos humanos. O Papa Pio XI, na encíclica Divini Redemptoris, deplorou os crimes perpetrados pela ideologia socialista no mundo: “Bispos e sacerdotes foram desterrados, condenados a trabalhos forçados, fuzilados, ou trucidados de modo desumano; simples leigos, tornados suspeitos por terem defendido a religião, foram vexados, tratados como inimigos, e arrastados aos tribunais e às prisões” (n. 19).



 


Quando me perguntaram por que eu não simpatizava com o comunismo, expliquei que não podia concordar com tantas atrocidades cometidas por esse sistema político. A resposta foi imediata: “Se és anticomunista porque o comunismo matou pessoas, então por que és católico, se a Igreja Católica assassinou ainda mais pessoas?”




A pergunta faz sentido. Para aqueles que têm uma mentalidade formada pelo anticlericalismo comum a grande parte de nossos professores de História e pelo ódio que a mídia fomenta contra a obra católica, a dúvida faz muito sentido.Vamos, primeiramente, analisar a pergunta do sujeito. Ele afirma que a Igreja Católica assassinou “ainda” mais pessoas que o comunismo. Mas, será que essa afirmação é verdadeira? Transitemos pelo fato histórico que hoje é comentado pelo mundo moderno como símbolo da intolerância e da “crueldade” da Igreja: a Inquisição. Historiadores modernos sérios têm investigado o assunto e concluído que a caracterização desse tribunal eclesiástico como uma instituição perversa e sanguinária não passa de lenda inventada pelos filósofos iluministas para derrubar a força da Igreja Católica. Em verdade, o número de mortes por execução em fogueiras é bem menor do que é anunciado nas nossas salas de aula e o uso de tortura não era tão frequente como se pensa. (Não duvidamos de que houve, sim, abusos, cometidos por alguns inquisidores, mas, esses abusos não representam a totalidade do pensamento cristão e nem podem ser chamados de verdadeiro testemunho do que foi a Inquisição)Além disso, é preciso sempre analisar um texto em seu contexto. A Inquisição se deu durante a Idade Média. A mentalidade popular estava totalmente moldada pelo pensamento religioso e a ligação entre o Estado civil e a Igreja era fortíssima. Encontramos na doutrina de São Tomás de Aquino alguns ensinamentos importantes para compreendermos esse assunto. P. ex., na Suma Teológica (II-II, questão 11, art. 3), lemos:




“É muito mais grave corromper a fé, que é a vida da alma, do que falsificar a moeda, que é o meio de prover à vida temporal... “se os falsificadores de moedas e outros malfeitores são  condenados à morte pelos príncipes seculares, com muito mais razão os hereges, desde que sejam comprovados tais, podem não somente ser excomungados, mas também em toda justiça ser condenados à morte”.




A filosofia corrente nessa época da história nos permite inferir que a instituição de pena de morte para crimes de heresia não era considerada violenta como o é hoje. É porque, infelizmente, muitos deturpam a realidade histórica e tiram a Inquisição do seu contexto. Inclusive, foi nessa linha que se pronunciou João Paulo II aos cientistas participantes no simpósio sobre esse tema:




“O Magistério eclesial não pode, certamente, propor-se a realizar um ato de natureza ética, como é o pedido de perdão, sem antes ter-se informado com exatidão acerca da situação daquele tempo”.




E qual é a situação daquele tempo? Olhemos para a justiça civil da Idade Média e início da Idade Moderna. Temos um precário sistema de investigação para crimes e frágeis sistemas de reabilitação para criminosos. A pena de morte era como que a única alternativa encontrada pelo Estado naquele tempo para executar punições. Em todo o tempo matar inocentes e justos é um pecado que clama aos Céus. No entanto, ao falarmos de criminosos, precisamos diferenciar tempos. Há leis eternas e leis temporais. Eternas são aquelas que são válidas para todos os povos, em todos os tempos; temporais são válidas somente para um determinado período da história. Ora, ninguém duvida que a pena de morte é uma lei temporal, pois o homem nem sempre gozou de métodos eficientes de restituição social para infratores durante a história.



É, mas e o contexto do século XX? Será que ele nos permite dizer que os crimes do socialismo na verdade não são tão cruéis e perversos como se diz hoje? Sim, por que se o argumento do contexto é válido para analisarmos a Inquisição, certamente também é válido para analisarmos o genocídio comunista no último século.Durante o tempo da Inquisição, havia uma geral aceitação do rigor. Durante a prosperidade dos regimes comunistas, no entanto, houve sempre muitos protestos contra os crimes perpetrados em nome da revolução, seja por líderes de direita seja por representantes da ala esquerdista. Durante o tempo da Inquisição, os hereges eram condenados ou inocentados após uma criteriosa investigação; se comprovados que eles verdadeiramente se obstinavam em defender um modo de vida muitas vezes ameaçador à própria sociedade cristã daquele tempo, eram entregues ao braço secular e, por fim, executados; isso quando não eram liberados pelo Tribunal com brandas penitências. Durante a perseguição do socialismo alemão aos judeus, eram mortos sem piedade judeus, negros e deficientes, em nome da supremacia da raça ariana.




Durante a tentativa dos socialistas em consolidarem a “sociedade sem classes”, eram eliminados todos aqueles que eram considerados empecilhos para a concretização dos ideais socialistas. E aqui está o problema: as pessoas que eram mortas pelos regimes revolucionários eram assassinadas em nome de um futuro hipotético. Valia tudo para concretizar os ideais comunistas, portanto, crimes definitivamente indefensáveis.




Mas, por que eles ocorreram? Há muitos motivos, mas um deles está relacionado com a ausência de moralidade presente no pensamento socialista. O comunismo nega a existência de Deus, nega a importância da religião. É essencialmente materialista. O brado de Dostoievski é particularmente importante para compreendermos os crimes perpetrados em nome do ateísmo no século XX, que, diga-se de passagem, ocorreram em um número bem mais assombroso e assustador do que o real número de “crimes cometidos em nome da religião”. Ele dizia que, se Deus não existe, então tudo é permitido. A afirmação faz sentido na medida em que explica a importância da lei cristã para a formação da moralidade tradicional. A fé em Deus põe reflexões e limites às paixões e ações do homem.



“Vou votar como o PT votou seis vezes: contra a taxação dos inativos. Vou votar contra a reforma da Previdência dos trabalhadores do setor público, porque o PT votou contra. O PT combateu, em 1998, quando o Fernando Henrique a apresentou” - Senadora Heloísa Helena – PT/AL .

 
“O PT sempre se orgulhou de ser um partido democrático e pluralista,  e de ter profundos vínculos com a classe trabalhadora. Não pode, agora que tem responsabilidades muito maiores, mudar radicalmente e começar a comportar-se como uma correia de transmissão das posições conjunturais  do governo, que como todos sabemos é bem mais amplo do que o PT” - Lígia Mendonça e Newton Gomes – Comissão de Ética Nacional do PT.




Os parlamentares do PT - Chico Alencar, Ivan Valente, João Alfredo, Maninha, Orlando Fantazini, Paulo Ruben Santiago, Walter Pinheiro – foram punidos por não fazerem o dever de casa. Suspensos, devem mostrar que são alunos obedientes ao professor. Outros, quem sabe considerados alunos irrecuperáveis, radicais na linguagem política da era Lula, além de suspensos serão, salvo reviravoltas na política, expulsos do partido. São eles: Babá, João Fontes, Luciana Genro e Heloísa Helena.



Este poderia ser apenas mais um capítulo das polêmicas comuns à esquerda e, particularmente, ao Partido dos Trabalhadores. Porém, os motivos que levaram os deputados e a senadora petistas a desobedeceram as ordens da burocracia dirigente e a maneira como o caso está sendo tratado indicam que a liberdade de consciência e de expressão está em perigo. Quando a liberdade está em jogo, a polêmica deixa de ser de interesse particular e extrapola os limites do petismo.




O processo político contra os dissidentes petistas não constitui novidade na tradição da esquerda brasileira e mundial. Já vimos este filme – com outros atores e em outros contextos. A esquerda carrega uma herança que permanece latente nos corações e mentes – em especial dos que exercem cargos burocráticos nos aparelhos do partido e do governo. Que herança é esta que o Tribunal Petista revive e arrisca-se a passar para a história como legitimador?




A herança autoritária



As práticas autoritárias perpassam todas as tendências ideológicas: da extrema-esquerda à extrema-direita. Não obstante, os que assumem uma perspectiva política à esquerda e, apesar de toda a desesperança, teimam em afirmar a utopia socialista, devem se perguntar sobre a incapacidade historicamente demonstrada pela esquerda em cultivar a democracia.




Das origens do movimento operário aos embates políticos que abalam o Partido dos Trabalhadores, a história da esquerda mundial expõe um tumor que resiste ao tempo e às transformações políticas, sociais e econômicas: o autoritarismo. Este se alimenta da intolerância, da incapacidade de conviver e respeitar as diferenças, da vaidade humana e apego ao poder, da substituição de tiranos por aprendizes de ditadores.



A história da substituição de regimes políticos ou governos – pela via revolucionária ou eleitoral – evidencia uma lei geral: a tendência dos novos donos do poder em repetir práticas anteriormente condenadas com o objetivo de manter o poder – ou o governo – procurando prolongar ao máximo o gozo político. Os arautos da democracia mostram-se, então, péssimos atores e resta-lhes o argumento da força, das formalidades burocráticas e a adoção de uma linguagem que dissimula a prática e objetivos autoritários.



Esta é a herança que nos persegue. Mesmo os partidos que mais se autodeclaram democráticos o são apenas na medida em que os interesses estabelecidos internamente não são seriamente confrontados. No século passado, os poderosos partidos social-democratas transformaram os meios em fins, ou seja, a organização passou para o primeiro plano e os interesses imediatistas e mesquinhos dos burocratas tornaram-se determinantes.


O apego ao poder econômico e político, seja em relação ao aparato do partido ou do Estado, tornou impraticável a convivência com a dissidência e esta teve que ser suprimida. Tão logo a burocracia sentiu-se em condições de fazê-lo não hesitou: o assassinato de Rosa Luxemburgo e de outros revolucionários alemães é um triste exemplo.



Também na Rússia soviética pós-1917, os novos donos do poder não vacilaram em reprimir e dizimar os marinheiros de Kronstadt, os camponeses liderados por Nestor Makhno,e em anular a Oposição Operária liderada por Kollontai. Isto, é preciso recordar, foi obra do governo Lenin-Trotsky. Atitudes políticas como estas limparam o terreno para o domínio dos burocratas e do stalinismo. A Inquisição Católica adotou o método de eliminar a heresia através da aniquilação física. O terror stalinista levou tal prática ao extremo. Hitler, como vemos, não foi original.



A Espanha revolucionária da década de 1930 também sucumbiu ao terror dos adoradores de Stalin. A prática criminosa destes, contra os anarquistas e o POUM, resultou na eliminação física dos revolucionários e contribuiu decisivamente para a derrota da revolução.Ainda que vejamos estes eventos históricos com racionalidade, procurando contextualizá-los e compreender suas causas e dinâmica, é impossível não se indignar com cenas onde supostos companheiros prendem e assassinam companheiros. E tudo em nome da revolução e do socialismo. A liberdade sucumbe às ideologias.



O centralismo democrático leninista, ainda que o isolemos no contexto da realidade russa, demonstra uma incapacidade ímpar em assumir valores democráticos –qualificados como próprios da democracia burguesa. A negação absoluta da democracia liberal-burguesa não redundou em novas formas políticas democráticas, mas em seu oposto. É verdade que a experiência dos sovietes apontava para a radicalização da democracia. Contudo, o aniquilamento da oposição, dentro e fora do partido bolchevique; a transformação do adversário e dissidente político em inimigo qualificado como contra-revolucionário; a figura do inimigo objetivo – tão bem descrito na obra de George Orwell; tudo isto contribuiu para o fracasso da democracia dos sovietes e o conseqüente aparelhamento e manipulação pelo partido e Estado.



A universalização do bolchevismo, isto é, a bolchevização dos partidos comunistas fora do território russo, começou ainda na época de Lenin-Trotsky, com a III Internacional, e consolidou-se com a stalinização e a teoria do socialismo num só país. A URSS torna-se o centro da política comunista mundial e os partidos comunistas submetem-se aos interesses da pátria do socialismo. Divergir da burocracia russa torna-se equivalente a fazer o jogo do inimigo, a cair em desvios burgueses e pequeno-burgueses. Eis a teoria do inimigo meu, inimigo teu: os críticos à esquerda deveriam se abster da crítica. O silêncio, afirma a sabedoria popular, significa consentimento. Resta ao dissidente assumir os riscos inerentes à sua opção.



Autoritarismo de esquerda no Brasil



Reconhecemos o mérito dos que tombaram na luta por um ideal, mas devemos admitir os equívocos: é preciso cortar a própria carne para extirpar o tumor que se alastra. Portanto, também devemos reconhecer que os melhores idealistas e discursos por uma sociedade justa e igualitária não foram capazes de anular práticas autoritárias: os meios negam os fins.


Mais que uma prática, trata-se de uma cultura cujos fundamentos são introjetados, sobrevive às diferentes gerações e se reproduz na tradição marxista-leninista-stalinista e marxista-leninista-trotskista. Sua matriz ideológica é a Revolução Russa, a concepção de partido leninista e as teses da Internacional Comunista.



No Brasil, a esquerda de matriz stalinista sempre foi hegemônica – o trotskismo e outras tentativas inspiradas no pensamento de Rosa Luxemburgo careceram de inserção nas massas. A grande crise do stalinismo, nos anos 1950, após a morte do guia genial dos povos (1953), não abalou os alicerces do autoritarismo: representou basicamente a substituição do núcleo dirigente e a conversão aos novos tempos. A dissecação do cadáver, simbolizado pela divulgação do relatório Kruschov, expôs aos perplexos comunistas do mundo a fetidez que exalava do stalinismo.


Muitos se recusaram a acreditar nos próprios sentidos e desenvolveram mecanismos de proteção; outros taparam as narinas e seguiram adiante, envoltos naquela atmosfera e fingindo que haviam mudado; alguns, desiludidos, não suportaram e abandonaram o barco, buscando ares mais saudáveis. Triste e ironicamente, em outros cenários e com outros atores, o drama repetiu-se: basta observar as reações da esquerda diante da queda do Muro do Berlim em 1989.



A esquerda brasileira nos anos 1960 cinde-se de cima a baixo – além da crise gerada pelo abalo dos dogmas stalinistas, devemos levar em conta a inspiração de outros modelos disponíveis no mercado simbólico das ideologias: a revolução chinesa e cubana. Estas experiências e a possibilidade de consolidação de uma nova esquerda foram anuladas pela ditadura militar. A esquerda esfacela-se ainda mais e, nas condições históricas da época, volta-se para si própria e para a necessidade premente de sobreviver.



O Partido dos Trabalhadores



O PT surge como a síntese possível da tradição comunista – englobando militantes e organizações oriundos do stalinismo e do trotskismo – com setores intelectualizados, cristãos vinculados à Teologia da Libertação, os sindicalistas sob a liderança de Lula e personalidades democratas. Muitos viram neste amálgama de tradições tão diversas uma suprema novidade. De fato, o PT conseguiu desempenhar o difícil papel de ancoradouro de diferentes correntes ideológicas.



Desde os primeiro anos, portanto, o PT tem a difícil tarefa de superar a tensão entre a democracia interna e as exigências da disciplina partidária. Ainda que recusando o centralismo democrático leninista, na prática o partido precisava se impor enquanto tal, superando o caráter de frente política. Tratava-se, no linguajar da direção majoritária à época, de instituir o petismo puro, exigindo-se que seus militantes não vestissem duas camisas – a do PT e a da sua organização. A falácia deste argumento é que a Articulação majoritária se identificava com o próprio PT e, assim, seu discurso significava concretamente disciplinarização da dissidência, enquadramento aos ditames do que ela, a maioria, pensava o que devia ser o PT, seu programa e estratégia política.



Após longo processo, a estratégia de enquadramento das tendências foi vitoriosa: os que não se adaptaram ao regulamento sobre as tendências internas foram expulsos ou convidados a sair.Porém, a tensão entre maioria e minoria, entre a política eleitoralista e o saudosismo das volta às origens permaneceu latente. A vitória eleitoral em cidades importantes e capitais, em 1988, e a eleição presidencial de 1989, marcam o ponto de inflexão do discurso radicalizante petista. Este ainda manteve um certo verniz ideológico para consumo interno e externo, mas sua prática voltou-se essencialmente para administrar os governos locais e acumular as condições necessárias para chegar ao governo federal – o que exigia maior flexibilidade na política de alianças até chegar ao decantado pacto social anunciado por Lula na última campanha eleitoral.



Os setores considerados como a esquerda petista legitimaram este processo, mas também representam um estorvo aos projetos políticos da maioria dirigente. É preciso, ainda, compreender que a esquerda petista não constitui um campo homogêneo: a crítica e também a pré-disposição em negociar e conviver mais harmonicamente tem intensidade diferenciada a depender desta ou daquela tendência e do que está em jogo. A Articulação majoritária, por sua vez, ainda que consiga impor um projeto político para o partido, também tem nuances – o que se traduz, por exemplo, numa maior ou menor disposição em punir a dissidência.



Em defesa da liberdade



Historicamente, hereges e dissidentes desafiam a ordem e a autoridade constituída. Ainda que suas condutas sejam motivadas por interesses diferentes, o fundamento da sua ação é a defesa da liberdade.


Este é o grande dilema das instituições políticas: qual o grau de liberdade admissível? Por que mesmo as organizações mais democráticas têm dificuldade em incorporar a dissidência? Por que a necessidade de expurgo sempre que os guardiões da ordem se vêem desafiados?



Admitamos que qualquer organização partidária pressupõe consentimento voluntário dos seus adeptos às normas disciplinares. Não obstante, os regulamentos burocráticos não estão acima da ética, dos princípios e dos procedimentos democráticos que, em tese, deveriam reger uma instituição que se afirma defensora da ética e da democracia. Os exemplos históricos mostram que os quadros burocráticos desenvolvem uma singular capacidade em manipular regimentos e normas internas para enquadrar os dissidentes. Assim, após discussões, às vezes intermináveis e risíveis, usa-se o argumento do centralismo democrático para expurgar a organização; os expulsos formam novas organizações e, com o tempo, expulsam seus radicais e assim sucessivamente.



O PT, desde as origens, recusou o centralismo democrático das organizações inspiradas no marxismo-leninismo. Mas isto não significa que a maioria dirigente tenha abdicado de usar sua força e a letra do regimento para, como um rolo compressor, impor sua política à minoria – o conluio partido/governo fortalece ainda mais a maioria, ampliando as possibilidades desta se impor em nome da defesa da governabilidade. Aliás, a vinculação partido/governo é outra triste herança do socialismo burocrático. Mais uma vez, os atos administrativos e burocráticos cumprem o papel de dissimular o jogo de interesses políticos e mostra que, quando necessário, sempre há burocratas de plantão a brandir o regulamento como peça de acusação. Na história da esquerda, sempre há os que aceitam desempenhar papéis ridículos e tristes.Ao que parece Stalin e outros ditadores históricos reencarnaram e andam por aí sob outros nomes.


Os dilemas do intelectual militante de esquerda no CENTENÁRIO DE GEORGE ORWELL

 
George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, nasceu em 25 de junho de 1903, na cidade de Motihari, Bengala, região da Índia. De família inglesa, seu pai era funcionário da administração do império britânico. Ainda criança, sua família retornou à Inglaterra. Foi educado em escolas tradicionais inglesas. Em 1922, entrou para a polícia colonial britânica, servindo na Birmânia. Em janeiro de 1928, pediu demissão e retornou à Europa, onde viveu um período difícil, mendigando e trabalhando como lavador de pratos.


Na Inglaterra, Orwell passou a escrever na imprensa socialista e trabalhou como livreiro, professor e jornalista. Ganhava o suficiente para sobreviver. Nessa fase, publica Burmese Days (Dias na Birmânia), um romance antiimperialista. A partir de 1936, Orwell combateu na Guerra Civil Espanhola, numa milícia do POUM (Partido Operário de Unificação Marxista).Essa experiência influenciou decisivamente suas concepções políticas, em especial, sobre o socialismo. Orwell ganhou fama a partir da publicação de A Revolução dos Bichos – em agosto de 1945, quando os EUA demonstravam o seu poderio armado, bombardeando Hiroshima e Nagasaki. Em 1949, publicou outra obra-prima da literatura política: Nineteen-Eighty-Four (1984). Pouco tempo depois, em janeiro de 1950, morreu de tuberculose.



Contra o capitalismo e o comunismo soviético



Crítico do totalitarismo, numa época em que a doutrina oficial marxista-leninista, capitaneada pelos países e partidos comunistas, era considerada dogma irrefutável, a obra orwelliana afrontava diretamente os ideólogos do socialismo autoritário, isto é, a esquerda oficial. O autor de A Revolução dos Bichos se tornaria, então, um ícone dos que combatiam o stalinismo e todas as ideologias totalitárias.


George Orwell simboliza os dilemas vivenciados pelo intelectual que se engaja nas lutas sociais adotando uma perspectiva ideológica à esquerda: silenciar ou correr o risco de ser utilizado enquanto arma teórica contra as idéias igualitárias da esquerda. Não faltarão os democratas e liberais de última hora, os quais reduzem a crítica antiautoritária e anticapitalista à crítica ao socialismo em geral. Não por acaso, a obra orwelliana atrai simpatias e, para o crítico que se coloca no campo da esquerda e do socialismo, impõe o discernimento do seu alcance e caráter. O ensaísta Louis Menand nota como o discurso orwelliano foi apropriado por amplos setores, com destaque para a classe média intelectualizada, tendo como efeito o esvaziamento do seu significado político original:


“Nunca houve um exército tão heterogêneo do ponto de vista ideológico quanto esse exército orwelliano. Autor de "George Orwell - The Politics of Literary Reputation" [A Política da Reputação Literária, ed. Transaction Pub], publicado em 1989, John Rodden registrou o fato à exaustão. Ao longo dos anos, tal exército incluiu ex-comunistas, socialistas, anarquistas de esquerda, libertários de direita, liberais, conservadores: cada grupo com um uniforme diferente, mas com o mesmo button na lapela -"Orwell tinha razão". A única coisa que os admiradores póstumos de Orwell têm em comum, além do button, é o anticomunismo.” (FSP, 01.06.03)



Não é possível, nesse espaço, discutir as diversas versões de comunismo. Mas quem conhece minimamente a história do movimento comunista internacional sabe que são muitos os caminhos imaginados para se chegar à sociedade utópica. É claro que entre os admiradores de Orwell incluem-se muitos que se assumem comunistas, ainda que críticos ao modelo expressado pela ex-URSS e seus satélites. Sem essa observação, induz-se ao erro de considerar que todos os críticos à esquerda são anticomunistas.



Porém, ao agregar a simpatia de tendências políticas da direita à extrema-esquerda, Orwell demonstra o quanto é difícil ser um intelectual que critique concomitantemente a sociedade capitalista e o socialismo real. Esse intelectual encontra-se numa posição limítrofe: entre a esquerda oficial e a direita. A primeira, em geral, reage com virulência e se fecha em suas verdades; a segunda, tende a manipular seus argumentos. Como observa Menant:



“As manipulações do texto de "A Revolução dos Bichos" não demoraram a acontecer. No fascinante estudo "The Cultural Cold War" [A Guerra Fria Cultural, ed. New Press], Frances Stonor Saunders relata que, logo após a morte de Orwell, a CIA (Howard Hunt era o agente encarregado do caso) comprou secretamente da viúva do autor os direitos para filmar o livro e mandou produzir na Inglaterra uma versão em desenho animado, por ela distribuída no mundo inteiro. Nessa versão, omite-se a cena final do romance, na qual já não se podem distinguir os porcos (isto é, os bolcheviques na alegoria de Orwell) dos exploradores de animais que os precederam, os humanos (ou seja, os capitalistas). Cria-se um novo fim para a história, no qual os animais atacam e tomam a casa da fazenda ocupada pelos porcos, libertando-se outra vez. Assim, depois de morto, Orwell foi submetido às fraudes e aos estratagemas da propaganda ideológica, pelas mãos dos combatentes americanos da Guerra Fria que viriam a exaltá-lo como o maior inimigo dessa mesma propaganda.”



A manipulação da obra de Orwell não passou despercebida a vários dos seus comentadores. Thomas Pynchon observa que o sucesso alcançado por A Revolução dos Bichos teve como efeito a ocultação da posição do autor à esquerda da esquerda. Isso explica porque 1984 foi publicado nos EUA, “como uma espécie de planfeto anticomunista”, em plena vigência do macarthismo. Nessa época, o “comunismo” era oficialmente condenado como uma ameaça mundial monolítica, e a idéia de traçar uma distinção entre Stálin e Trótski seria considerada tão absurda quanto a de ensinar os carneiros a fazer sutis discriminações entre diferentes tipos de lobo”, enfatiza.



Nessa engenharia própria dos tempos da guerra fria, destrói-se a memória e o significado político da sua obra e militância são instrumentalizados. Prevalece a lógica da política enquanto antagonismo amigo-inimigo: Orwell é transformado em amigo do capitalismo. A vida parece imitar a arte! Em A Revolução dos Bichos, os personagens ilustram como a política adquire o status de antagonismo amigo-inimigo, o que transmuta todo e qualquer crítico ao socialismo soviético em inimigo e, portanto, amigo dos capitalistas. O inimigo é transformado no bode expiatório, necessário para justificar os insucessos da “construção do socialismo”. 
Ao leitor desatento pode, portanto, passar despercebido o fato de que George Orwell critica tanto o capitalismo quanto os regimes de partido único. Os que raciocinam em termos da política amigo-inimigo têm dificuldade em aceitar essa crítica e tendem a incluí-lo entre os intelectuais que “fazem o jogo da direita”.



A função da dissidência



Para uns a função da dissidência é apenas cumprir o papel de bode expiatório; outros vêem os intelectuais dissidentes apenas como individualistas pequeno-burgueses incapazes de assumir a luta do proletariado; há quem imagine que tudo se resume ao narcisismo intelectualista, como se a vaidade fosse um privilégio. Desconsideremos os ressentidos, os que se consideram apóstolos da nova sociedade – que exigem a submissão do intelectual – e os fanáticos e intolerantes. Para muitos, a dissidência se assemelha a um crime e o dissidente deve ser tratado enquanto criminoso – no mínimo, porque ele representa perigo à ordem estabelecida. Sociologicamente, há algo de verdadeiro nesse argumento.



O insuspeito Durkheim, por exemplo, vê positivamente – sem trocadilho! – o papel do crime, e por conseguinte, da heresia:



“Quantas vezes, com efeito, o crime não é uma simples antecipação da moral futura, um encaminhamento para o mundo futuro! Segundo o direito ateniense, Sócrates era um criminoso e a sua condenação era justa. Contudo, o seu crime, a saber a independência de pensamento, era útil não só à humanidade como também à sua pátria, pois servia para preparar uma moral e uma fé novas de que os atenienses necessitavam nesse momento porquanto as tradições em que se tinham apoiado até então já não estavam em harmonia com as condições de existência.” (DURKHEIM, 1983: 122)



E já que estamos tratando de heresias, recorramos a um religioso. Frei Betto, num livro sobre os que adotaram o caminho da luta armada contra a ditadura militar, escreveu:



“É através das dissidências que a história acerta os seus passos. Há um momento em que as possibilidades de uma proposta – religiosa ou política – parecem esgotar-se sob o peso dos anos, da rigidez de seus princípios, da inflexibilidade de sua disciplina, da intransigência de seus dogmas, da prepotência de seus líderes. Como a fonte seca à beira da estrada, incapaz de saciar a sede dos peregrinos que atraiu, a proposta vê-se rejeitada por seus discípulos dispostos a caminhar sem a tutela que lhes atrasa o passo”.  (BETTO, 1982: 46)



Historicamente, os dissidentes representam as novas forças sociais que anunciam o futuro. Por expressarem a crítica ao status quo, ficam à margem das instituições formais – ou não encontram respaldo no interior destas –, o que os impulsionam a criar novas instituições.


Peter Burke observa que os humanistas renascentistas se opuseram ao saber convencional das universidades medievais:



“Embora a maioria dos humanistas tivessem originalmente estudado nas próprias universidades que criticava, as figuras mais criativas, de Petrarca a Erasmo, passaram a maior parte de suas vidas fora do sistema. Eram um grupo marginal, no sentido de Thorstein Veblen. Para encontrarem-se e discutirem suas idéias, fundaram instituições formais conhecidas, em deliberada homenagem a Platão, como “academias”. (BURKE, 27.08.00)



O saber formal não via com bons olhos os intelectuais oriundos de fora do círculo universitário (como Rousseau, filho de um relojoeiro; e, Diderot, filho de um faqueiro). As novas idéias sofriam a resistência do status quo acadêmico. “Adam Smith, por exemplo, foi professor de filosofia na Universidade de Glasgow. Quando quis escrever sua obra prima, a “Riqueza das Nações”, pediu exoneração de sua cátedra (em 1764)”, escreve Burke.



A dissidência política segue esse padrão. Em condições normais, isto é, quando sobrevive às lutas políticas, o dissidente termina por romper com a organização original, construir uma nova ou optar pelo isolamento. No campo acadêmico ou na política, desenvolve-se uma relação de amor e ódio: ao mesmo tempo em que nega as instituições oficiais, necessita-se de reconhecimento e legitimidade. Nesses casos, ou os hereges constituem suas próprias instituições ou se adaptam às existentes, combatendo para assumir o seu controle.



O interessante nesse processo histórico é que os antigos hereges, tão logo assumam posições de poder e constituam as novas igrejas, garantindo-lhes legitimidade e o monopólio, tendem a se tornar refratários às críticas: surgem novas dissidências e novos hereges.



É verdade que nem toda dissidência aponta para futuro. No pensamento político há os que imagem poder fazer a história retroceder: são os românticos e saudosistas vinculados a um passado lírico e imaginário que só existe em suas cabeças.


Mas, a liberdade, como ensinou Rosa de Luxemburgo, é sempre a liberdade de pensar diferente. Tais idiossincrasias devem ser respeitadas.



A dissidência desempenha um papel positivo – por mais minoritário que seja seu pensamento, expressa a consciência crítica da maioria. Ou, como escreveu Durkheim:


“A liberdade de pensamento de que gozamos hoje nunca poderia ter sido proclamada se as regras que a proibiam não tivessem sido violadas antes de serem abolidas. No entanto, nesse momento, esta violação era um crime que ofendia sentimentos que a generalidade das consciências ainda ressentia vivamente. Contudo, este crime era útil pois era o prelúdio de transformações que de dia para dia se tornavam mais necessárias. A livre filosofia teve como precursores os heréticos de toda a espécie...” (DURKHEIM, 1983: 122)



Durkheim relaciona a heresia na categoria de crime para frisar, do ponto de vista sociológico, que este é um fato social normal. O sociólogo é original ao tratar a heresia dessa forma. Pelo menos argumenta e demonstra o quanto o herege é necessário para a evolução social.


Há quem não se dê ao trabalho de lê-lo, porém trata os dissidentes como criminosos – com a diferença de que, para estes, herege bom é herege morto. Pensou-se assim tanto no passado como agora no presente. Era quase como alguém fazer aquela pergunta aparentemente óbvia: Como você não é Cristão ? E hoje: Como você não é Socialista?



O dissidente da dissidência


Intelectuais como Orwell não podem ser compreendidos através do raciocínio dualista ou amparado em “ismos”. Orwell expressa o tipo de intelectual que dificilmente se enquadra em rótulos. Ele pertence ao rol dos que privilegiam a liberdade da crítica, a independência em relação aos grupos e panelinhas.


Indivíduos como Orwell são dissidentes solitários – mas também solidários – prontos a criticar a própria dissidência e a aceitar os riscos inerentes à essa atitude.


Em determinadas circunstâncias históricas, esses homens que se colocam à margem dos espaços socialmente reconhecidos, verdadeiros outsiders, acentuam ainda mais o seu isolamento político.


A autenticidade tem seu preço. O intelectual que não se enquadra, vê-se obrigado, muitas vezes, a confrontar os próprios amigos. Quando há maturidade suficiente para diferenciar divergências políticas e teóricas dos procedimentos próprios do relacionamento pessoal é possível superar essa dificuldade. Do contrário, ele sofrerá o dilema entre se manter fiel à sua consciência ou à amizade.



O intelectual outsider de esquerda têm dificuldades em se ajustar à disciplina das organizações partidárias –as quais, em geral, tolhem a liberdade de crítica. Em sua solidão, ele tem consciência da fragilidade da sua posição. A política se traduz em relações de força, expressão de interesses que se organizam e atuam coletivamente. Sem a atuação direta na política, os intelectuais tendem a cumprir o papel de D. Quixote em seus combates aos imaginários moinhos de ventos. A política partidária, por seu turno, exige compromissos nem sempre éticos e, mais do que isso, pressupõe fidelidade a um “ismo” e respeito à disciplina. Não é fácil ser dissidente da dissidência.



Concluindo:



O dilema do intelectual que milita na esquerda parece insuperável. Os que se exercitam em procedimentos autoritários não se conformam com a sua independência intelectual e tentam encaixá-lo em algum “ismo”. Um amigo pode lhe confidenciar, por exemplo, que o considera centrista; outro verá resquícios da formação cristã (como se isso fosse um grave pecado!); há, ainda, os que o ignoram ou são condescendentes, tratando-o como figura excêntrica. Incompreendido por uns, malquisto por outros, ele sabe que o essencial é não silenciar e assumir as responsabilidades inerentes à militância solitária.


Apesar de tudo, vale a pena correr os riscos de ser catalogado como quixotesco. Antes isso do que a omissão. George Orwell  neste caso é um exemplo clássico.


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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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