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A Contra Reforma Católica teria tido o sucesso que teve sem a invenção da Imprensa e o investimento na Educação e Missão que a Igreja da época fez ?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 17 de agosto de 2013 | 16:01




A Igreja Católica, no século XVI, vivia uma situação que era muito difícil.

Ela havia perdido espaço na Alemanha, Inglaterra e nos países escandinavos e estava em recuo na também na França, nos Países Baixos, na Áustria e na Hungria. Isto tudo devido ao avanço do protestantismo começado por Lutero e que tomou grandes proporções em toda Europa.

Diante dessa situação, a Igreja Católica estabeleceu a Contra-Reforma, desenvolvendo um conjunto de medidas abrangendo  três  correntes de ações:

1)-Atuar contra a expansão do Protestantismo e consequente divisão da Cristantade.

2)-Investir na educação e reforma moral do Clero e dos leigos Cristãos e não Cristãos

2)-Promover novas formas de expansão da fé católica através das Missões.


A Contra-Reforma

A Contra-Reforma, ou Reforma católica, foi uma resposta da Igreja Católica em meio a essa crescente onda do protestantismo. De maneira geral, essa resposta consistiu em um conjunto de ações inspiradas por Deus e desenvolvidas pela Igreja Católica, na qual perdura a promessa de que as portas do inferno jamais prevalecerão.


Diante dos movimentos protestantes, a primeira reação da Igreja católica foi punir os rebeldes, na esperança de que as idéias reformistas não se espalhassem mais e a Igreja Católica recuperasse a unidade perdida.

Assim, em meados do século XVI, ela reativou os tribunais da Inquisição, que haviam criado no ano de 1231, e que, com o tempo, haviam sido extintos em vários países.

Os Tribunais da Inquisição foram instaurados pelo Tribunal do Santo Oficio, outra instituição eclesiástica criada na Contra-Reforma que tinha como objetivo combater os desvios dos fiéis católicos e o crescimento de outras denominações religiosas.


Essa tática, entretanto, não obteve bons resultados, pois não resolvia o principal motivador da reforma protestante:

“A corrupção do alto clero com a venda de objetos sagrados, relíquias(Simonia) e a questão sobre as indulgências.”


Neste sentido, a Igreja, para organizar-se internamente e definir com clareza sua doutrina, organizou o Concílio de Trento (1545-1563).

Segundo Pe. José Besen (2004), este Concílio teve uma história demorada, com muitos conflitos de interesses, a constante oposição de príncipes protestantes e desacordos entre o papa e o imperador Carlos V.

Contudo, os 18 anos de duração do Concílio ofereceram à Igreja verdadeiros instrumentos de renovação e reforma, dando-lhe uma nova forma, dentre os quais pode-se citar:

1)-- A organização e a disciplina do clero: os padres deveriam estudar e formar-se em seminários;

2)- Cada diocese devia ter seu Seminário e selecionar melhor seus candidatos ao sacerdócio;

3)- Não podiam ser padres antes dos 25 anos, nem bispos antes dos 30 anos;

4)- Estabeleceu-se que as crenças católicas poderiam ter dupla origem: as Sagradas Escrituras (Bíblia) ou as tradições transmitidas pela Igreja;

5)- Reafirmou-se de forma clara e verdadeira a sacramentalidade e indissolubilidade do matrimônio, as Santas indulgências, o culto aos santos, às relíquias e imagens;

6)- Apenas o Magistério da Igreja estava autorizado a interpretar a Bíblia. Mantinham-se os princípios de valia das boas obras, o culto à Virgem Maria e às imagens;

7)- Reafirmação da infalibilidade do papa e o dogma da transubstanciação eucarística, indo além da mera Consubstanciação protestante defendida por Lutero.

Após o Concilio de Trento, a Igreja Católica teve um vigoroso impulso à vida religiosa.

Fugindo da tentação do luxo e das artes, definiu-se como missão essencial da Igreja e de seus pastores a salvação das almas:

“seja lei suprema a salvação das almas”

Para difundir a fé Católica, a partir da Contra-Reforma, surgiram novas ordens religiosas, como a Companhia de Jesus (os Jesuítas), fundada por Ignácio de Loyola em 1534.

Os Jesuítas se organizaram em moldes quase militares e fortaleceram a posição da Igreja dentro dos países europeus que permaneceram católicos e desenvolveram ações para barrar o avanço do protestantismo pelo mundo.

Eles criavam escolas, onde foram educados filhos das famílias nobres; foram confessores e educadores de várias famílias reais; fundaram colégios e missões para difundir a doutrina católica nas Américas e na Ásia.

Segundo o historiador Daniel-Rops,

"Já na segunda metade do século XV, tudo o que havia de mais representativo entre os católicos, todos os que tinham verdadeiramente consciência da situação, reclamavam a reforma, por vezes num tom de violência feroz, e mais frequentemente como um ato de fé nos destinos eternos da 'Ecclesia Mater'."


Na Alemanha destacava-se Nicolau de Cusa, mas a Espanha foi que sobressaiu-se como vanguarda da Reforma Católica em fins do século XV.

Os reis católicos consideraram a reforma eclesiástica como uma parte essencial da restauração do Estado, o que norteou a sua política.

O Cardeal Cisneros, com a aprovação da monarquia, reformou os franciscanos com São Pedro de Alcântara e a vida monástica, em especial a dos beneditinos naquele país.


A Universidade de Alcalá, fundada por Cisneros, foi um grande centro de estudos teológicos e humanísticos e fez publicar a célebre Bíblia Poliglota Complutense, em seis volumes em 1517editada em hebraico, latim e grego.


A Igreja espanhola, nos primeiras décadas do século XVI era, sem dúvida, a de maior nível espiritual e científico do continente.

A obra de renovação espiritual do clero e do povo levada a efeito por São João de Ávila constitui um capítulo à parte na história religiosa do século XVI. Santa Teresa de Ávila reformou a Ordem do Carmelo 17 e São João da Cruzestendeu a reforma aos frades Carmelitas.


Também na Itália davam-se inquietações por uma renovação cristã, desde o início do século XVI, um grupo de clérigos fervorosos vinha trabalhando para tornar os sacerdotes da sua igreja mais dignos da missão que lhes cabia.

Ali surgiram a Ordem dos Teatinos (1524), austeros e ascéticos, fundados pelos Cardeais Caetano de Thiene e Carafa, dentre os desta ordem se destacaria também Santo André Avelino que pelo seu zelo receberia encargos reformardores, dentre eles o de reformar os costumes do mosteiro feminino de Sant'Arcangelo a Baiano.


Também são desta época a Ordem dos Barnabitas (do claustro de São Barnabé (1534), fundada porAntônio Maria Zaccaria, auxiliado por Bartolomeu Ferreira e Morigia com o escopo de educar a juventude e pregar missões; os Somascos (a primeira casa foi em Somasca), fundados por S.Jerônimo Emiliano, fidalgo veneziano, com alguns padres lombardos, com a finalidade de cuidar dos órfãos, dos pobres e doentes; os Oratorianos, de São Filipe Néri e do Cardeal Bérulle; os Oblatos de Santo Ambrósio idealizados por Carlos Borromeu para atender à cura d'almas e auxiliar o Arcebispo de Milão; os Capuchinhos como um novo tronco dos Franciscanos, alcançando grande popularidade pela austeridade de vida, dedicação ao ensino, aos pobres e doentes, as Ursulinas de Angela Merici, em Bréscia e a Congregação de Nossa Senhora, para formar educadoras de moças, segundo as normas de Pedro Fourier, dentre outras organizações religiosas, foram manifestação da renovação da vida espiritual e do ânimo reformista na Igreja Católica neste período.


O apogeu da Reforma católica, no entanto, se deu com os papas reformistas.




O primeiro deles foi Adriano VI (1522 a 1523), que procurou moralizar os costumes da Cúria Romana e combater os desperdícios. Convocou a Dieta de Nuremberg na qual o seu legado reconheceu as culpas da Igreja e procurou estabelecer a união de França e Espanha.

Os papas Paulo III, Paulo IV, Pio V e Sixto V cobriram um período que vai de 1534 a 1590, foram os mais zelosos reformistas que presidiram a Santa Sé desde Gregório VII.

As finanças da Igreja foram reorganizadas e os cargos foram ocupados por padres e religiosos de reconhecida fama de disciplina e austeridade e foram rigorosos com os clérigos que persistiam no vício e no ócio.

A ação dos papas reformistas foi completada com a convocação do Concílio ecuménico que se reuniu na cidade de Trento. Foi sob a ação destes papas que a Reforma Católica alcançou o seu auge.


Quando da sua eleição, o Papa Paulo III (Cardeal Alexandre Farnese) tinha 66 anos e parecia fraco e doente, mas pôs mãos à obra com grande energia. Era um reconhecido diplomata e estadista e decidiu convocar um Concílio.

Começou a reforma da Igreja a partir da própria Cúria.27 Reformou o Colégio Cardinalício nomeando homens como John Fisher, Giacomo Simonetta, Gasparo Contarini, Reginaldo Pole, João Pedro Carafa, Fregoso, Tomás Badia, Gregório Cortese e Giovanni Gerolamo Morone.

Fisher, como Thomas Morus, morreria mártir pelas mãos de Henrique VIII, outros viriam a ser canonizados.

Após reformar o colégio de cardeais, Paulo III empreendeu a reforma do clero e das ordens religiosas, especialmente os agostinhos, os dominicanos e os franciscanos.


O período que se seguiu ao Concílio de Trento foi marcado por uma grande renovação da vida católica.

A Igreja recobrou novo vigor. A reforma fundada nos decretos e nas constituições tridentinas foi levada a efeito pelos papas que se sucederam.


A CONTRIBUIÇÃO DA IMPRENSA,DA EDUCAÇÃO E MISSÃO INTERNA E EXTERNA NA IGREJA:



1)- Publicou-se um Catecismo Romano, bem como por meio da bula Quo Primum tempore, um Missal e um Breviário, por ordem de São Pio V (1566 - 1572), com o auxílio de Frei Bartolomeu dos Mártires e de FreiLuís de Granada. 46 47 S. Pio V deu completa execução aos decretos do Concílio e continuou o saneamento dos costumes da Igreja e fomentou a criação de seminários para dotar os padres de uma cultura mais ampla.


2)-A revisão da Vulgata Latina exigiu muitos estudos e grandes esforços e só foi aprovada no pontificado de Clemente VIII. 46 O espírito tridentino deu oportunidade ao surgimento de bispos exemplares como São Carlos Borromeu, zeloso reformador da Cúria Romana romana enquanto Secretário de Estado e que, mais tarde, estendeu a reforma ao norte da Itália como arcebispo de Milão.


3)-São Filipe de Néri contribuiu para a renovação do espírito cristão fundando a Congregação do Oratório, dedicando-se à educação cristã da juventude e do povo e a obras de caridade.

4)- São José de Calassanz fundou as Escolas Pias e desenvolveu abnegada atividade de formação da juventude entre as classes populares.

5)-São Francisco de Sales difundiu educação moral e a piedade pessoal, através da vida devota  entre os leigos que viviam no meio do mundo.

6)- S. Pedro de Alcântara levou a Reforma Católica a Portugal e muito a auxiliou São Tomás de Vilanova.

7)- Na Alemanha as reformas decretadas pelo concílo não tiveram o beneplácito do imperador Fernando I, mas seu sucessor Maximiliano II da Germânia foi dando publicação aos poucos em todo o império, ali se distinguiram na aplicação das leis eclesiásticas

8)- Daniel Breidel, Jacob d'Elz, Ernesto da Baviera e Teodósio de Fürstenberg, dentre outros. Filipe II de Espanha as publicou com reserva da cláusula salvo os direitos da coroa. A França aceitou com reservas as determinações do concílio apesar dos esforços dos bispos franceses.

9)-Pela ação de missionários como São Francisco de Sales e de pregadores como São Pedro Canísioobteve-se a reconquista religiosa de uma porção importante dos povos do centro europeu, e ainda da Suiça, da Áustria, na Baviera, na Polônia, na Boécia e na Ucrânia. Portugal e Espanha levaram a fé católica para além-mar.

10)- Francisco Xavier e Matteo Ricci levaram o catolicismo ao Japão e à China. A obra da promoção cultural avançou paralelamente com a evangelizadora, enquanto se reunia o concílio já haviam sido fundadas nas Américas tres universidades: a de São Domingos em 1538, as de Lima em 1551 e a do México em 1553.


11)- Também são fruto e consequëncia da Reforma Católica levada a efeito pelo concílio a renovação da arte sacra cristã, com o surgimento do Barroco que é o estilo artístico da Reforma católica, arquitetura, escultura, pintura e a literatura foram impregnados pelo catolicismo barroco.

A cisão cristã definitiva, entretanto, entre católicos e protestantes se deu com o final da Guerra dos Trinta Anos e com a Paz de Vestfália (1648), com ela o avanço da reconquista católica na Alemanha ficou bloqueado, ali estabeleceu-se o princípio cuius regio eius religio, (Cujo Rei, cuja religião),cada um siga a religião de seu príncipe, o que consagrou a fragmentação religiosa germânica num povo dividido em mais de trezentos principados e cidades.


Conclusões:


A contra-reforma não atingiu o seu principal objetivo que era a unidade do cristianismo e embora tenha utilizado diversos meios para chegar a essa unidade, uns que deram certo e outros que não, não impediu o crescimento do protestantismo.

Mas, com a contra-reforma, a Igreja Católica tomou novos rumos e reafirmou a sua vocação que é a salvação de almas.


A Igreja por meio do Concílio de Trento conseguiu, apesar da lentidão em alguns países, moralizar o clero, se libertar do luxo e dos privilégios que este havia obtido com o passar dos anos.

Apesar dessas mudanças na igreja, ainda ficam, até os dias de hoje, as marcas das ações que não deram certo, como a repressão e o derramamento de sangue, frutos das diversas guerras entre católicos e protestantes, que fazem com que muitas vozes de forma ANACRÔNICA, se levantem contra a Igreja Católica, questionando sua doutrina e suas ações nos dias atuais.

Bibliografia

BESEN, Pe. José Artulino. A Reforma da Igreja: O Concílio de Trento. Jornal Missão Jovem. pag. 9 – n.º 191 – mês de Julho – Ano 2004.

BETTENCOURT, Estevão Tavares. Crenças, religiões, igrejas e seitas: quem são? Santo André-SP: Editora o Mensageiro de Santo Antônio, 1999.

FREI BATTISTINI. A Igreja do Deus Vivo: curso bíblico popular sobre a verdadeira Igreja.Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 2001.

MOURA, Jaime Francisco de. As diferenças entre a Igreja Católica e Igrejas evangélicas.São José dos Campos-SP: Editora ComDeus, 2005.


WIKIPEDIA – A Enciclopédia Virtual.
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